Linha tênue

Alfredo Ibiapina, diretor de futebol do Atlético, aprovou o protesto da organizada “Fanáticos” no CT do Caju na tarde de hoje. ” Foi um papo bem tranqüilo, foi até bom. Essa cobrança é até positiva”, disse-me, por telefone, no primeiro papo que tive com o homem que hoje comanda o futebol do Rubro-Negro, mas que já está no clube desde 2009.

Alfredo parece um homem bem intencionado, mas deve ter cuidado. Toda relação com torcida organizada é uma linha tênue. O protesto físico, já transcrito nessa nota oficial no site da torcida deixa um aviso bem claro: “Neste protesto não foi necessária nenhuma atitude violenta por parte da Torcida”, diz o item 4; nesse não, nos próximos, não se sabe. Por via das dúvidas, o Atlético também emitiu nota oficial.

E todo caminho que pende para o choque termina mal, como bem sabem os paranaenses, em especial a torcida coxa-branca. Questionado por mim, Ibiapina ponderou. “Concordo que não pode virar rotina, mas hoje foi positivo. Cobraram raça e desenvoltura”, disse, quase que grato pela ajuda junto ao apático grupo de atletas. Pois nisso Ibiapina e a torcida – não só a organizada – tem razão.

“Os jogadores precisam saber que a torcida não está satisfeita. Queira ou não, Os Fanáticos representam a torcida como um todo”, seguiu o dirigente. A pressão, agora levada de fora para dentro, pode ter efeito reverso: ao concordar com a entrada da organizada, pode se sentir ainda mais a falta de comando. Caberá a Ibiapina colocar os pingos nos is, limitando a “ajuda” na gestão do futebol do clube a essa chiadeira de hoje. Que pode piorar, obviamente, se o time não vencer.

Ao menos, após 15 dias fora do país negociando por Morro García, Ibiapina parece que está pondo a mão na massa, ao chamar Adilson Batista a explicar as declarações que sugeriram racha no grupo. “Conversei com ele hoje, essa semana toda vamos averiguar alguns fatos. Temos que ver como organizar esse grupo. A maioria dos jogadores do grupo do Atlético joga em qualquer clube do Brasil. Os jogadores não são ruins, mas nós temos que transformar isso em verdade.”

Mexer no técnico? “É um grande treinador, de primeira linha. Não há intenção tirar o Adilson.”

Contra o Bahia, no meio do feriadão, todos saberão os efeitos das conversas de hoje.

Organizadas

Torcidas organizadas são uma parte já inseparável do convívio do futebol. Dão um colorido legal ao estádio, puxam cantos, incentivam crianças a escolherem seu time do coração. Mas estão longe de ser só alegria.

Quando questionadas sobre o controle da violência, se dizem incapazes de controlar a massa; ainda assim, lucram com a venda de materiais inspirados nos clubes, a maioria sem recolher royalties. Costumam ser ponto fácil para venda de entorpecentes e tem um largo histórico de confusões e até mortes. Muitas vezes, seus líderes tornam-se semideuses no meio, ameaçadores, governando pelo medo.

Se um clube abre suas portas para a organizada, é preciso saber, como deixa bem claro o aviso acima: o papo de hoje pode ser o cacete de amanhã. Cada dirigente lida com as TOs como quer; as consequências também vem na mesma medida.

Mas de tudo que possa se tirar do episódio, uma frase é emblemática: “NÃO estamos do lado de MM, MCP, ETA, ASSOCAP, nem de porra nenhuma, apenas do lado do ATLÉTICO!!!”, diz o ítem 8. Que procura eximir a ação da política, ainda que o chefe da torcida seja um vereador que há poucos dias, politicamente, assumiu torcida pelo maior rival na Copa do Brasil.

Tênue, não?

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