5 mitos sobre o mata-mata que você precisa saber

Cruzeiro e Atlético Mineiro já fizeram um mata-mata em 2014, no Estadual
Cruzeiro e Atlético Mineiro já fizeram um mata-mata em 2014, no Estadual

As semifinais da Copa do Brasil começam nessa quarta (29) e a certeza de grandes jogos entre Cruzeiro x Santos e Atlético-MG x Flamengo vai resultar, pela milésima vez, no enfadonho debate sobre Mata-Mata vs. Pontos Corridos no Brasileirão. Muita gente ignora o fato de que os dois modelos estão em vigor no Brasil atualmente, o que atende bem a pluralidade de interesses. No acalorado debate vão surgir muitos argumentos, cinco dos quais são falaciosos. O blog trata disso logo abaixo:

Mito 1 – “O torcedor prefere o mata-mata”

Bem, isso é desmentido logo pelos números. O que o torcedor gosta mesmo é de jogo bom. Nos últimos três anos a média de público da Copa do Brasil, mata-mata na essência,  é bem inferior à do Brasileirão, que aliás tem o dobro e mais um pouco de jogos disputados – logo, precisa de mais público médio por mais tempo. Em 2013, mesmo com a maior torcida do Brasil na decisão, a média de público nos 158 jogos da Copa do Brasil foi de míseros 2623 torcedores por jogo, enquanto que o Brasileirão, com 380 jogos, teve média de 14951. O mesmo aconteceu nos anos anteriores. Em 2012 tivemos média de 8588 para a Copa e 12970 para o Brasileirão; em 2011 o placar foi de 14664 a 8289 para o Brasileirão.

A final de 2013, entre Flamengo e Atlético Paranaense, arrastou 57.991 torcedores ao Maracanã, um público inferior ao de Santos x Flamengo em Brasília, no Brasileirão, para 63501 pessoas verem a despedida de Neymar. A decisão rubro-negra entraria na lista como o 5o maior público do ano entre times da elite, atrás de quatro jogos no Brasileirão de pontos corridos. A ausência de torcedores também é vista na Copa. Se o pior público do Brasileirão foi de 1182 para Portuguesa x Fluminense, apenas 164 pessoas viram Veranópolis-RS x Santo André no mata-mata.

Mito 2 – “Falta emoção nos Pontos Corridos”

Mais uma falácia propagada em época de grandes jogos. Evidentemente que partidas épicas como Atlético-MG 4-1 Corinthians ficam na memória do torcedor. Mas isso também acontece nos pontos corridos. Novamente, o que conta são os grandes jogos.

Quem se esquece da acirrada disputa entre Santos e Atlético em 2004, quando o Furacão perdeu o título apenas na última rodada, após ver o Peixe recuperar uma desvantagem nos jogos finais? É possível dizer que o duelo entre Corinthians x Inter em 2005, rodada após rodada com a remarcação dos jogos, culminando na partida do Pacaembu, foi menos emocionante que um belo mata-mata? E a inacreditável arrancada do Fluminense em 2009, se livrando do rebaixamento após ter 99,9% de possibilidades de queda? Duvido que os mineiros, em especial os cruzeirenses, se esqueçam da rodada final de 2011, com a goleada da Raposa sobre o Galo, que livrou o time celeste da queda justamente contra o maior rival. Tem emoção maior?

Mito 3 – “Os pequenos têm vez no mata-mata”

Mais uma distorção. Na verdade os pequenos não têm vez nem no mata-mata, nem nos pontos corridos, já há muito tempo. E isso ocorre por conta de distribuição desigual de cotas de TV, o que permite à uma elite montar times melhores que o resto. Elite esta fragmentada entre si, com graves distorções até mesmo entre os grandes.

Já são sete anos desde que o modesto Figueirense surpreendeu o Brasil e perdeu a decisão contra o Fluminense. De lá para cá todas as finais tiveram campeões brasileiros e clubes atuando na Série A, caso do Vitória – que se está em defasagem em relação aos clubes do grande centro, recebe mais que outros de seu porte. Nos últimos 10 anos foram 9 campeões da Copa do Brasil oriundos de Rio ou São Paulo, onde se concentram os maiores investimentos de publicidade no futebol. Números idênticos aos do Brasileirão. Apenas Cruzeiro (2013) no Brasileirão e Sport (2008) na Copa do Brasil conseguiram quebrar esse domínio.

Mito 4 – “Os clássicos ganham destaque”

Se você gosta de clássicos, seu campeonato preferido é o Brasileirão. Entre os 380 jogos da Série A deste ano, tivemos Grenal, Atletiba, Ba-Vi e Cruzeiro x Galo em dobro. Em São Paulo, com quatro clubes, são 12 clássicos; no Rio, sem o Vasco, são 6. Isso sem contar os clássicos interestaduais, como Flamengo x Atlético-MG ou Bahia x Sport. No mata-mata eles estão sujeitos à contingencia da tabela. Na Copa do Brasil dependem do sorteio e no antigo modelo do Brasileirão dependem do cruzamento.

Mito 5 – “Todo jogo é decisivo”

Sim, no mata-mata todo jogo tem caráter eliminatório. Mas nos pontos corridos não se pode bobear. Que o digam São Paulo e Inter. Os são-paulinos lamentam, por exemplo, o empate com o Coritiba na 3a rodada e a derrota para a Chapecoense na 11a, ambos em casa. Os colorados ainda choram as derrotas para o Cruzeiro (7a rodada) e Figueirense (19a) no Beira-Rio. Jogos tão decisivos quanto qualquer mata=mata. Se faltou a cultura de lotar o estádio, empurrar o time, ou quem sabe os jogadores mais ligados no jogo, não foi por conta do formato e sim da cultura atual.

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