Abrindo o Jogo da Série B – guia do acesso

“É o Palmeiras e mais três.” Você vai cansar de ouvir essa frase até o final do ano, quando se falar na Série B do Brasileiro. E ela tem muito fundamento: o Palmeiras é o time que mais recebe da televisão e em patrocínios e é, ao lado do Sport, um dos campeões brasileiros na Segundona neste ano. Ambos têm obrigação de subir. Então seria o “Palmeiras, o Sport e mais dois, certo?” Não. O dinheiro fala mais alto, mas a Série B é cheia de armadilhas.

Uma delas é a montagem do elenco. Time bom ganha em qualquer campo, mas não espere moleza se o espírito dos jogadores não estiver no clima de encarar viagens de ônibus até Varginha e Juazeiro, por exemplo. Além disso, o Palmeiras é o milionário (mesmo com dívidas) o Sport não: é mais rico que boa parte dos times, mas não muito mais que Ceará, Atlético-GO, Figueirense e outros. Por isso, ambos têm obrigação de subir, mas a do Sport é menor. E também por isso, não se espante se o Palmeiras não subir campeão.

A Série B tem times acostumados à competição e que também querem seu lugar ao sol. Forças regionais, como Paraná, Avaí e Paysandu, podem chegar. Outros podem tirar pontos preciosos nessa caminhada, como os Américas Mineiro e Potiguar e o Joinville. Mas, não se pode negar, existem sim as babas. Jogos em que os pontos são praticamente certos – o que não deixa de ser um perigo se houver desatenção. A Série B mudou muito desde que o Palmeiras a venceu em 2003 – e pra melhor. Mas para defini-la, empresto uma frase do amigo Dionísio Filho, ex-jogador e comentarista em Curitiba: “É como o céu: é ótima, mas ninguém tem pressa de morrer pra ir para lá.”

O céu, pra quem tá embaixo, é a Série A. E o blog arrisca uma leitura do que pode acontecer, com base nos estaduais e nos elencos até hoje. Alguns devem mudar, mas menos que na elite nacional. Por isso, aponto os favoritos ao acesso, quem pode surpreender, os que farão figuração e os rebaixáveis.  Em dezembro, conversamos de novo, ok?

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Favoritos:

Palmeiras, Sport, Paraná, Ceará, Figueirense, Atlético-GO e Paysandu.

O Palmeiras pode até não ser o campeão da Série B 2013, mas subirá com absoluta certeza. Não é difícil ver nem explicar isso, mas a base é o dinheiro. O exemplo vem do ano passado, quando o Atlético saiu de um 14º lugar para o 3º posto – teve até chance de título – a partir de uma arrancada com a reformulação de elenco. O Verdão tem muito mais recursos que qualquer outra equipe. O que precisa é ter cabeça e a atual diretoria já mostrou que tem, nas derrotas para Mirassol e Tijuana, mantendo o bom Gilson Kleina. Sem medo de errar: o Palmeiras subirá para a primeira divisão sem duvidas. Resta ver se com ou sem emoção.

Na Série B: Quatro vezes (todas estatísticas incluem a Taça de Prata), campeão em 2003

O Sport abrirá a Série B em crise, após a eliminação na Copa do Brasil e o vice-campeonato estadual, que custaram o cargo do técnico Sérgio Guedes. Mas tudo o que vale para o Palmeiras, vale para o Sport, em menor proporção. Incluindo o fato de que, se o acesso do Palmeiras é garantido e o título não, para o Sport o título é possível e o acesso uma meta, mas não garantida.

Na Série B: 10 vezes, campeão em 1990

A grande surpresa desta Série B pode ser o Paraná. Surpresa em termos, pois o Tricolor vai aparecer em quase todas as listas de favoritos ao acesso, como nos últimos anos. Entretanto, acabava decepcionando pois a inclusão vinha pelo histórico. Desta vez não: o clube está mais organizado e aposta em Dado Cavalcanti, que brilhou no Mogi-Mirim, como o comandante deste objetivo.

Na Série B: Sete vezes, campeão em 1992 e 2000.

O tricampeão estadual Ceará é outra força para esta Série B. Isso porque conhece a competição como ninguém – o que é um paradoxo – sendo o time que mais disputou a Segundona. Reinando absoluto no Estado, quer voltar a elite que deixou em 2011, apostando no novo Castelão, nos conhecidos Fernando Henrique e Mota e no estilo gaúcho do técnico Leandro Campos.

Na Série B: 24 vezes, nenhum título.

O Figueirense é mais um exemplo de clube que pode chegar pela estrutura muito mais do que pelo que apresentou até aqui em 2013, tal qual o Sport. Apesar de ser o terceiro colocado no geral, novamente decepcionou após campanha boa na fase classificatória, eliminado pela Chapecoense. Manteve o técnico Adilson Batista, o que é sinal de estabilidade, e conta com a força da torcida no Scarpelli para fazer a diferença em Florianópolis.

Na Série B: Oito vezes, nenhum título.

O Atlético-GO viveu uma crise política por conta de denúncias de corrupção e até mesmo de envolvimento de um dos seus dirigentes no assassinato de um cronista esportivo em Goiânia. Entretanto, em campo, o time parece ter sentido pouco: ficou com o vice-campeonato estadual e eliminou dois adversários na Copa do Brasil sem precisar da partida de volta. Waldemar Lemos, o irmão do Osvaldo, é o técnico.

Na Série B: Nove vezes, nenhum título.

A volta do Paysandu à Série B já seria motivo suficiente para grande festa em Belém. Mas, apesar do título do Paraense, a eliminação na Copa do Brasil para o Naviraiense deixou todos com a pulga atrás da orelha. Ainda assim, trata-se do Papão, bicampeão da Série B, que obrigará adversários a uma longa viagem para cair no caldeirão do Mangueirão.

Na Série B: 12 vezes, campeão em 1991 e 2001.

Podem chegar:

Avaí, América-MG e Joinville.

O Avaí corre por fora na disputa. Está abaixo do rival Figueirense, mas aposta no técnico Ricardinho e em medalhões como o ídolo Marquinhos e Cléber Santana para ser competitivo. Tem também um alçapão, a Ressacada, onde não costuma perder.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

A esperança do América-MG é a renovação do elenco. O clube deu vexame no Mineiro, sendo apenas o 8º colocado. Até mesmo o Independência, casa do Coelho, já está mais com a cara do Galo que dele próprio. O sopro de esperança veio na ótima atuação contra o Avaí na Copa do Brasil e nos reforços do interior paulista. Não dá pra desprezar o Coelho.

Na Série B: 19 vezes, campeão em 1997.

A Arena Joinville é a grande arma do JEC para tentar o acesso. Mas existem outros trunfos, como um clube organizado, com salários em dia, e o eterno Lima, o “Limatador”, artilheiro do Tricolor catarinense. Em 2012, na volta à Série B, beliscou um sexto lugar; neste ano corre por fora para fazer melhor.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

Figurantes:

Chapecoense, ABC, América-RN, Bragantino e ASA

Os figurantes tem todos o mesmo nível técnico e perfil: equipes que devem complicar em casa e oferecer pouca resistência fora. A Chapecoense chega com o status de vice-campeã catarinense, perdendo o título para o Criciúma, da Série A, em duelo apertado. O ABC, que não chegou nem nas semifinais do Potiguar, surpreendeu ao tirar o Sport da Copa do Brasil. Conta com o Frasqueirão como arma, luxo que o rival América-RN não tem. O Mecão terá que jogar em Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal, num estádio novo, porém acanhado e ainda em obras, e reverter o impacto da perda do título estadual para o Potiguar de Mossoró. O Bragantino, 11º no Paulistão, carrega consigo a força do interior paulista, sempre rico e competitivo, perfil parecido com o do ASA, que, eliminado na semi do Alagoano, mantém como trunfos o desgaste da viagem até Arapiraca e o dinheiro das plantações de fumo. Entretanto, quem estiver na lista acima desta e perder pontos para os figurantes, fica cada vez mais longe da elite.

Rebaixáveis:

São Caetano, Guaratinguetá, Oeste, Icasa e Boa Esporte.

Se a Série A não tem moleza, o mesmo não pode se dizer da Série B. Os cinco times listados aqui deixarão nos adversários a obrigação de vencê-los em casa e de ao menos buscar um empate fora. Ainda assim, há que se ter cuidado com os paulistas. O São Caetano, rebaixado no Paulistão, pode surpreender se resolver seus problemas financeiros. Em 2012 só não subiu nos critérios, com a mesma pontuação do Vitória. O Oeste escapou da degola na última rodada do Paulistão, mesmo perdendo por 0-4 para o São Bernardo, em casa. O Guaratinguetá foi o 5º colocado na Série A2 Paulista, não subindo para a primeira divisão estadual. O Boa Esporte tem tudo para ser a baba da competição. Escapou do rebaixamento no Mineiro sendo o 10º em 12 equipes. O Icasa pode ser o mais surpreendente dos rebaixáveis. Foi 4º colocado no Cearense e aposta nos jogos em casa para escapar. De todos o desta lista, é o único que tem o fator casa. Os demais têm pouco ou nenhum apelo popular.

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O futebol mineiro em fotos

Colaborou Vinícius Dias

Belo Horizonte sedia a Mostra de Fotojornalismo Esportivo a partir da próxima quinta-feira, 16 de maio. O evento, intitulado “Futebol em Imagens”, exibirá cerca de 60 fotos, algumas inéditas, capturadas por lentes de 30 profissionais do estado. “A exposição mostra o poder de comunicação da fotografia”, sintetiza Eugênio Sávio, curador do projeto com apoio da Oi Futuro. “Esse conjunto de emoções que envolvem o esporte rende muita imagem. E foi a partir disso que a gente trabalhou”, acrescenta.

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Selecionadas sob o ponto de vista estético, as fotografias trazem à tona valores como as vibrações e expressões no esporte. “Com os recursos, a gente consegue fotografar coisas que são quase invisíveis”, destaca. As imagens evidenciam, ainda, o reencontro entre o futebol e o torcedor da capital. “Essa volta do Independência, do Mineirão foi muito importante, muito celebrada pela mídia, pelas pessoas e registrada pelos fotógrafos”, analisa o professor.

Sua ideia é aproveitar o fato de a capital das Alterosas ser uma das seis cidades-sede da Copa das Confederações, em junho. “O futebol está na cabeça de todo mundo, por conta destes eventos que a gente (de Belo Horizonte) vai receber”, comenta Eugênio. “Então, queria pensar como a fotografia poderia contribuir para preencher os espaços turísticos. Surgiu essa ideia”, conta.

  • Futebol em Imagens

De 16 de maio a 30 de junho – de terça a domingo
Av. Afonso Pena, 4001; Mangabeiras – 11h às 18h

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