Dunga, medo e rejeição

“Sou um ser humano. Sei que eu tenho que melhorar muito no contato com as pessoas, com os jornalistas. (…) É a minha culpa, a reflexão que eu tive nos últimos anos.”

Poderia ser eu, você, qualquer pessoa a falar a frase acima – excetuando talvez a parte dos “jornalistas”, algo particular do cargo dele. Mas a frase é de Dunga (de) novo técnico da Seleção Brasileira. E, no sentido de reconhecer que algo não correu bem, todos nós já fomos Dunga um dia.

Os números falam por Dunga na primeira passagem na Seleção. Dois títulos (Copas América e Confederações), o primeiro lugar nas Eliminatórias, vitórias por três ou mais gols contra Argentina, Uruguai, Itália e Portugal. Parou nas quartas-de-final, contra a Holanda, em um jogo muito igual, no qual teve domínio durante o primeiro tempo e sofreu a virada em situações conhecidas. Tivesse levado 7 e talvez fosse esquartejado em praça pública. E sabe por que? Porque Dunga não é simpático.

Oras!, simpatia não é o requisito principal para se dirigir a Seleção. Competência, sim. Dunga tem um karma em sua vida: é instigado a provar sempre o mesmo ciclo. Foi assim da Era Dunga de 1990 ao Tetra em 1994, quando ergueu a taça como capitão. Repete agora, na condição de técnico, muito embora não saibamos se irá ter o mesmo final em 2018.

Nesse meio tempo, veremos um festival de repulsa ao nome de Dunga. Não necessariamente ao trabalho; ao nome, à figura. Dunga poderá provar em campo que pode vencer (atenção: vencer não é mudar o futebol brasileiro) e ainda assim será questionado. Tem inimigos, talvez até gratuitos. A situação toda me lembra o vídeo da atriz Regina Duarte dizendo ter “medo” do resultado das eleições 2002. Não vou avaliar aqui o que o País viveu nos últimos 12 anos, mas Regina estava errada. Antecipou um medo que nunca veio. Muitos agora tem “medo” de Dunga. O torcedor, tudo bem.

Mas o jornalista foge do ofício ao se comportar assim. Ao jornalista, caberá uma avaliação do trabalho. Não precisa ser amigo de Dunga, nem deve ser inimigo. Deve avaliar com isenção e educação e esperar o mesmo tratamento do treinador. Dunga não merece o medo antecipado do que não foi vivido ainda.

Em todo caso, não será Dunga a mudar o futebol brasileiro. Poderá dar padrão ao time. Talvez não agradará os fãs do futebol de 1982, nem repita o tiki-taka da Espanha. Talvez tenha um outro método para vencer seus jogos. Não importa. Mesmo se vencer todos os jogos daqui até a final da Copa 2018, Dunga não mudará o futebol brasileiro. A mudança que é necessária é estrutural, filosófica. 

Dunga pode no máximo mudar a imagem que muitos têm dele. Mudar a imagem ruim dos 10 gols tomados pela Seleção nos últimos jogos da Copa 2014. E será esse o trabalho dele, nada além.

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Paulo André: “O futebol brasileiro vai de mal a pior”

Paulo André, cabeça pensante no futebol brasileiro

Passada a eliminação do Cruzeiro na Libertadores, a última entre as seis que os brasileiros viveram nessa edição, um dos principais articulistas de um movimento de renovação no futebol brasileiro aceitou o convite do blog para falar do futuro do esporte número um no país. O zagueiro Paulo André, ex-jogador de Guarani, Atlético Paranaense e Corinthians, mudou de endereço, mas não de pensamento. Atualmente no Shanghai Shenhua da China, Paulo André defende que o Bom Senso FC, movimento do qual faz parte, não sumiu e sim mudou de estratégia. Não vê legado da Copa além dos estádios e sentencia: o futebol brasileiro quebrou. Leia a entrevista:

Napoleão de Almeida: A Copa está chegando, esse é um ano eleitoral. Difícil desassociar. Mas, noves fora as jogadas políticas, a Copa trouxe ou trará, para os profissionais do futebol, alguma melhoria efetiva? Como você vê a realização da Copa aqui na posição de quem faz o espetáculo?

Paulo André: Acredito que os novos estádios, apesar de tudo, serão o único legado estrutural que a Copa deixará. Isso fará com que a transmissão dos jogos e a experiência do torcedor que frequenta estádios no Brasil melhore bastante. Mas no fundo, e é triste assumir isso, acho que o Brasil apenas mostrou a sua cara, a sua falta de organização e de planejamento históricos e sua mania de tentar resolver tudo com o jeitinho. Decisões políticas e não técnicas fizeram com que perdêssemos a chance de acelerar o desenvolvimento de políticas públicas que impactassem diretamente no dia dia dos brasileiros que viverão aí (porque estou na China) após o dia 12 de julho.  As prioridades da população ficaram evidentes nas manifestações populares de junho do ano passado. A nós, resta devemos cobrando transparencia, eficiencia e punição caso seja constatada corrupção.

NA: Você faz parte do Bom Senso FC, mas o movimento parece ter perdido força com a sua saída do Brasil. Acaba que ficou a imagem de que você era a cabeça do movimento. É uma premissa verdadeira? Onde estão os demais, uma vez que os pedidos e sugestões a CBF parecem não ter tido efeito?

PA: O Bom Senso continua forte e trabalhando, a ponto de ter influenciado os rumos e as alterações promovidas pelo Dep. Otávio Leite no texto do Proforte. Sete das nossas 8 demandas de Jogo Limpo Financeiro estão comtempladas na proposta. Ou seja, encontramos outros caminhos para fugir da inoperancia e do desinteresse da CBF que, irritantemente, mantem sua política de tentar distrair e enfraquecer as demandas do movimento por meio do desrespeito aos principais atores do futebol nacional. É triste ver como tratam esse patrimônio do povo brasileiro que vai de mal a pior a cada ano que passa.

NA: Certa vez, em entrevista aqui ao Terra, o presidente do Atlético Paranaense, seu ex-clube, ironizou o movimento Bom Senso FC dizendo o seguinte: “Interessante eles (jogadores) se articularem agora, pois sempre quando precisa-se de uma renovação de contrato, nenhum conversa comigo. Mandam seus representantes”. É notória a presença dos empresários no futebol. Há quem diga ainda que só mudou o “dono” do jogador: do clube para o empresário. Como você vê essa crítica e por que o jogador raramente se faz representar?

PA: Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Admiro o Presidente Mario Celso Petraglia mas acredito que ele tenha sido infeliz nessa declaração. As negociações entre atletas e clubes não são simples e um representante, muitas vezes, se faz necessário para evitar desgastes importantes nesse tipo de discussão. É muito simples regularizar e fiscalizar as pessoas que querem ser empresários ou donos de “pedaços” dos atletas. Basta vontade política da CBF, dos clubes e de uma legislação mais específica. Mas aonde é que os dirigentes vão ganhar dinheiro se fecharmos com fiscalização e transparência essa torneira de compra e venda de jogadores? Há interesses obscuros de todos os lados nessa história. Não é tão simples assim. E outra coisa: Aos empresários só foi possível entrar nesse jogo porque os clubes, mal geridos, gastaram mais do que podiam e começaram a vender parte de seus bens. Do jeito que está não tem mais volta, virou uma zona.

NA: Teremos mais jogadores da MLS na Copa do que jogadores atuando no Brasileirão. Da mesma forma, o público médio nos EUA é maior do que o nosso aqui. Quando deixamos de ser o País do Futebol, perdendo até para um país em que o ‘soccer’ é o 5º ou 6º esporte na preferência popular?

PA: É o que temos falado nos últimos tempos. Na primeira reunião do Bom Senso com a CBF, o Juninho Pernambucano e o Seedorf foram claros nesses pontos e pediram que o Marin e o Marco Polo tomassem providencias. Os jogadores já perceberam, os treinadores já sabem, os outros países continuam vendendo um produto melhor que o nosso. Mas o pior cego é aquele que não quer ver. O Sr. Marco Polo del Nero e o Sr. Marin estão apostando todas as suas fichas no sucesso da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Gostaria que eles viessem a público e explicassem qual é o projeto para o nosso futebol. Como eles fortalecerão os clubes? Como eles internacionalizarão as marcas? Mas é impossível tocarem nesses assuntos porque desconhecem a solução. O talento brota da terra e os “poderosos” o exploram a torto e a direito. E enquanto isso acontece, nenhum clube brasileiro se classificou para as semi finais da Copa Libertadores. Isso é possível? Mesmo tendo uma receita 2 ou 3 vezes maior do que qualquer clube sul americano, ficamos de fora. O que mais precisa acontecer?

NA: O ‘Fantástico’ deste último domingo revelou um esquema de cambistas para ingressos da Copa. Antes, o ‘Olé’ da Argentina já havia denunciado um esquema que envolve organizadas. É muito dinheiro rolando. O torcedor está longe dos estádios, os jogadores são pouco ouvidos, os cartolas de clubes argumentam que o voto não é qualificado na escolha de uma presidência de confederação. Quem, afinal, é o dono do futebol brasileiro?

PA: O grande vilão é o estatuto da CBF que potencializa a força das “inuteis” federações. A maioria dos presidentes das federações se eterniza nos cargos e não fará nada para mudar essa realidade. É só ver os 5 vices da CBF que acabaram de se eleger. A quanto tempo cada um deles está no cargo? Para eles o importante é permanecer lá. Ninguém quer saber da capacitação dos treinadores e dos gestores, de medidas para trazer a paz aos estádios, de um novo calendário para o futebol nacional, do jogo limpo financeiro, da formação de atletas, da melhoria do nível técnico dos campeonatos, etc.. E assim vamos vivendo nessa ditadura mascarada. E a Globo, habilidosamente, se aproveita da fraqueza e do medo dos presidentes de clubes para controlar financeiramente o futebol.

NA: Ainda sobre torcidas organizadas: na final da Copa Itália, um incidente com os Ultras quase impediu a realização do jogo entre Napoli e Fiorentina. Jogadores tiveram de pedir permissão para começar a partida. Pelo visto, não é um problema exclusivo do Brasil. Qual o panorama que você encontrou na China? Quais as diferenças de organização para cá, por exemplo? E mais: vocês do Bom Senso FC têm/tiveram contato com atletas em outros países com problemas parecidos, como a Itália, para troca de experiências?

PA: Acho que a China é um caso a parte devido ao aspecto político do país. Se formos nos espelhar em alguém, devemos copiar o modelo inglês que quase erradicou a violência nos estádios de futebol no país. Fizeram isso há mais de 20 anos, obtiveram sucesso. O que estamos esperando? Com as novas arenas e sem uma nova regulamentação, verdadeiras catástrofes poderão acontecer.

NA: Estádios sem alambrados na Copa. Vocês, jogadores, se sentirão seguros para jogar nesse formato em partidas de clubes? Especialmente após o episódio do CT do Corinthians?

PA: Acho que falei sobre isso em respostas anteriores. Se não surgir um plano emergencial para esse caso, a impunidade, costumeira no país, ocasionará uma grande catastrofe. Clubes, Federações, torcidas, poder público e governo devem enfrentar seus demonios e arrumar a casa. Mas em ano de eleição isso será impossível. Ninguém mexerá nesse vespeiro.

NA: Por falar em seu ex-clube, quando da queda de produção do Corinthians em 2013, na sua visão, isso aconteceu por que o time atingiu o topo? Existe ciclo e validade no futebol profissional? Ou o problema foi outro?
PA: Acho que há uma complexidade em um grupo de futebol profissional que pouca gente consegue explicar. É como um organismo vivo que sobrevive em constante adaptação. Quando se acomoda, corre riscos de não evoluir. Se todos os envolvidos ou pelo menos os que lideram não se prepararem para os perigos e dificuldades do dia seguinte, as coisas começam a sair do eixo. Resumindo, faltou capacidade para antecipar os problemas e se preparar para o futuro de forma menos traumática.

NA: Nessa linha, pergunto: o Brasil está preparado para perder a Copa em casa? 

PA: O futebol não passa de um jogo, de um esporte apaixonante. Torço pela Seleção e espero que os jogadores tenham sabedoria para aguentar a pressão que será gigantesca. Para mim, o importante é ver a seleção jogar o verdadeiro futebol brasileiro, que alegra e encanta o mundo todo. O resto é consequencia.

NA: Roberto Dinamite é o único ex-jogador que ocupa um cargo de presidente em um dos grandes do Brasil – e podemos até contestar a gestão dele. Você se vê nesse perfil? Gostaria de ser presidente de algum clube? Qual? E como se preparar para isso?

PA: Não sei o que será de mim amanhã. Desisti de pensar nisso. Vivo um dia de cada vez. Uma coisa é certa, independente do que eu decidir fazer, irei me preparar da melhor forma possível. Platini, Cruiff e tantos outros ex-jogadores alemães são referencias de pós atletas bem sucedidos além dos gramados.

NA: Ituano campeão paulista. Em conversas com jogadores e o técnico deles, percebi que o grande segredo do time foi ter salários em dia; desde quando a obrigação se tornou trunfo?

PA: Hahaha, nem me fale um negócio desse. Esse buraco é mais fundo do que voce imagina. O futebol brasileiro quebrou.

NA: Como vê a situação do Guarani, clube que te formou na base?

PA: Com tristeza. O Guarani sempre apostou em suas categorias de base para superar os grandes desafios. Na atualidade, Edu Dracena, Renato, Elano, Jonas, Mariano e tantos outros foram formados no Brinco de Ouro. Mas o clube não soube lidar com as alterações da lei Pelé, foi mal assessorado, mal gerido e fracassou na última década. É preciso ter os pés nos chão e recomeçar do zero. Repetindo os mesmos erros não se chegará a lugar nenhum.

NA:  Tendo jogado em vários centros no Brasil, você vê, no modelo atual, “risco” de Espanholização no futebol brasileiro? É possível que dentro de algum prazo tenhamos dois ou três clubes apenas disputando títulos por aqui? E a palavra risco é a mais adequada mesmo?

PA: Não acredito que isso aconteça no Brasil. Mas acho que os clubes médios e pequenos devam se unir para evitar esse cenário. O modelo ingles e o frances de divisão de receita da TV me parecem os mais justos e, de certa forma, premiam o mérito da boa gestão e do resultado esportivo. O povo brasileiro não vai para o estádio para ver um espetáculo, vai para ver o seu time ganhar, ser campeão. Se essa possibilidade se tornar quase impossível, o futebol europeu vai ganhar ainda mais aficcionados no Brasil.

Livro desmistifica “Democracia Corintiana” e crava: 87 é do Sport

A “Democracia Corintiana” era, na verdade, uma ditadura coordenada por poucos; não há dúvidas de que o campeão brasileiro de 1987 é o Sport; Charles Miller não foi o primeiro a trazer o futebol para o Brasil, que mereceu perder 1982, fez escola para a Espanha em 94, não entregou em 98, só venceu em 1970 porque Zagallo – e não Saldanha – ajeitou o time e tem um futebol de clubes pulsante por conta de Ricardo Teixeira, gostem ou não.

As polêmicas afirmações são frutos de uma extensa pesquisa histórica, com diversas entrevistas com personagens centrais do futebol brasileiro, realizadas pelos jornalistas Leonardo Mendes Junior (ESPN, Gazeta do Povo) e Jones Rossi (Globo, Veja). O livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Futebol” vai na contramão de tudo o que é pregado em muitas histórias do mundo da bola. A obra custa a partir de R$ 39,90 e já está a venda em várias livrarias em todo o Brasil.

A ideia surgiu quando os dois, curitibanos então radicados em São Paulo, se encontraram com o conterrâneo Leandro Narloch, autor dos guias “Politicamente Incorretos” do Brasil, da América e do Mundo. “Tiramos a lama de personagens eternamente jogados no buraco e jogamos um pouquinho dessa lama em quem o futebol sempre tratou de santificar”, conta Leonardo.

As polêmicas a partir dele – como as duas dos trechos abaixo – são previstas pela dupla, que defende o livro como um documento histórico:  “Tudo foi baseado em fatos. Por ser baseado em fatos e não uma obra de ficção, é, sim, um documento histórico.” Cabe ao leitor descobrir mais. O blog dá uma mãozinha, antecipando dois trechocs. Leia abaixo:.

Este, sobre a Democracia Corintiana:

A Democracia perseguia quem discordava dela. Com a eliminação precoce no Paulista de 1981, o Corinthians foi disputar o Troféu Feira de Hidalgo, na cidade de Pachuca, no México. O time ficou com o título e disputou mais partidas na Guatemala e em Curaçao. 
 
O lado negro da Democracia Corintiana começava a entrar em ação. O elenco decidiu que alguns jogadores deveriam deixar a equipe. Wladimir, o lateral-esquerdo daquele time, recorda: “Nessa excursão, nós percebemos duas pessoas extremamente individualistas, que eram o Rafael [Cammarota, campeão brasileiro pelo Coritiba em 1985] e o Paulo César Caju. O Rafael às vezes achava que tinha que ganhar a posição no grito, porque era um goleiro bonito, alto, experiente. O reserva dele era o César, que era baixinho, feio, preto. O Paulo César Caju também pensava só nele, se achava o bambambã, campeão do mundo, essa coisa toda.”
 
Rafael e Paulo César Caju foram afastados do elenco meses depois. Ali, a Democracia Corintiana começou a demonstrar sua face pouco democrática .Para Rafael, sua ruína foi ter apoiado publicamente o ex-presidente Vicente Matheus. Por isso o grupo não levou em conta as más condições físicas do titular César nas semifinais do Brasileiro de 1982 contra o Grêmio, sob o argumento (que seria repetido um ano depois, contra Leão) de que Rafael poderia entregar o jogo para  prejudicar o movimento. O ex-goleiro relembra: “A Democracia era boa para três, para o resto não era, porque quem resolvia eram os três: o Magrão, o Adílson e o Wladimir. O Casa era o escudeiro, porque estava começando. Tudo era resolvido entre eles, eles não traziam nada para nós. Quando vinha para a gente já vinha resolvido, já vinha feito. Que porra de democracia era essa?”. Adílson teria lhe dito: “Sua indisciplina não foi técnica, nem física.  A sua indisciplina foi ter falado que preferia o tempo do Matheus”. (…)
 
A democracia era filha de [o publicitário Washington] Olivetto, Glorinha Kalil e Juca Kfouri. Desde o começo, a Democracia Corintiana foi um movimento-fetiche, adotado por jornalistas e publicitários que gostariam de ver suas próprias utopias e ideologias representadas nos jogadores de futebol.
 

Aqui, um ponto final na incessante polêmica sobre o Brasileirão de 1987:
 

Até a metade do nacional de 1987, jogar um quadrangular com o campeão e o vice da Copa União valendo vaga na Libertadores seria o máximo que o Sport conseguiria. A ardilosa movimentação de Eurico Miranda permitiu que a CBF desse chancela de disputa de título brasileiro ao quadrangular. Ainda assim, o Sport teria de vencer o Guarani – algo que não tinha conseguido fazer na decisão do módulo amarelo –, Flamengo (um esquadrão com Zico, Bebeto, Renato Gaúcho, Leandro, Edinho, Mozer e Leonardo) e Internacional (outro timaço, com Taffarel, Luís Carlos Winck, Aloísio, Luís Fernando e o técnico Ênio Andrade).
 
Em janeiro de 1988, o Flamengo ainda tentou derrubar a realização do quadrangular. Convocou um Conselho Arbitral para mudar o regulamento do campeonato – possibilidade contemplada pelo Conselho Nacional de Desportos (CND), desde que fosse por unanimidade. Dos 32 clubes dos módulos verde e amarelo, 29 compareceram. Destes, sete votaram contra a mudança nas regras, o suficiente para barrar o pedido do clube carioca e manter o quadrangular.
 
Na prática, o Sport precisou fazer muito menos. O Flamengo recusou-se terminantemente a jogar o quadrangular. O Inter ainda hesitou, pois estava de olho na vaga para a Libertadores e cogitou a realização de um triangular com pernambucanos e bugrinos. Mas, em nome da unidade do Clube dos 13, manteve-se fora da disputa. (…)
 
O Sport foi reconhecido pela CBF, pela Fifa e pela Justiça como único campeão brasileiro de 1987.  Anos depois, em um nítido caso de conveniência política, acabou reconhecido pelo São Paulo, clube que liderou a rebelião materializada pela Copa União.  Em 1975, a Confederação Brasileira de Futebol instituiu a Copa Brasil, troféu que, pelo seu formato, acabaria conhecido como Taça das Bolinhas. 
 
Ele seria de posse transitória até que o campeonato nacional fosse conquistado pelo mesmo clube por três vezes consecutivas ou cinco alternadas. Nas contas do Flamengo, a taça seria sua a partir de 1992, quando o clube teria conquistado o Brasileirão pela quinta vez –  o quarto título seria o da Copa União. O São Paulo passou a pleitear a posse definitiva da honraria em 2007, quando venceu o seu quinto nacional. Para isso, porém, teria de ir contra sua posição histórica como fundador do Clube dos 13 e ator principal na criação da Copa União. E assim fez o clube paulista, que segue na Justiça tentando provar que é o verdadeiro dono da Taça das Bolinhas.

Em breve, a editora lançará uma versão eletrônica (E-Book), que pode ter acréscimo de capítulos com outros temas que ficaram de fora da primeira leva. 

Seleção Brasileira tem duas datas definidas para jogos pré-Copa na Arena Grêmio e Curitiba ou Goiânia

Felipão quer repetir energia de 2002 ao se "despedir" em Porto Alegre

Que o Brasil fará outros dois amistosos após o jogo contra a África do Sul, antes do início da Copa, já não é novidade. O que falta agora é saber quem serão os adversários, pois as datas e ao menos um local estão definidos. Nos dias 4 e 7 de junho, a Seleção de Luiz Felipe Scolari jogará suas verdadeiras últimas partidas antes da estreia no Mundial.

Querendo repetir a vitoriosa rotina de 2002, quando levou os jogos decisivos contra Paraguai e Chile para o Sul do Brasil, vencendo e criando uma aura positiva. O jogo do dia 7, um sábado, possivelmente será na Arena do Grêmio; três dias antes, duas cidades disputam o privilégio de receber a Seleção: Curitiba e Goiânia

Como os estádios da Copa já estarão à dispoção da Fifa, o jogo em Curitiba deverá ser no Couto Pereira, casa do Coritiba, e não na Arena da Baixada. No entanto, como o estádio coxa-branca também está em obras, a CBF e a organização do evento têm como plano B o Estádio Serra Dourada, em Goiânia. 

Couto Pereira: se obras de ampliação terminarem a tempo, recebe a Seleção

Os adversários, ainda em período de definição, não serão nenhuma das 32 seleções classificadas para a Copa. Felipão já sinalizou que pretende pelo menos um grande adversário para os últimos testes. Entre os prováveis rivais, estão Suécia, Paraguai e Ucrânia.

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Os muitos “micos” por Diego Costa

Site da CBF anunciou convocação dando destaque a jogador incerto

Quem errou no caso “Seleção x Diego Costa” é a pergunta que muitos se fazem no Brasil após o anúncio de que o atacante recusou oficialmente o convite para defender a Amarelinha. Entre tantos julgamentos pessoais, equívocos nas ações e erros de análises, a conclusão é bem direta: todos erraram.

A começar pela CBF. A imagem acima mostra o quanto a confederação confiava no poder de sedução da camisa mais vitoriosa do Mundo para que o sergipano optasse por defender seu país de nascença na Copa em casa. Uma chamada simples para a convocação de quinta tinha como principal destaque o agora desafeto. A CBF queria o jogador, mas pecou ao deixar em aberto a possibilidade de a convocação ser apenas uma jogada para evitar o reforço da Espanha. Faltou tato com Diego, que vem se destacando mais que qualquer outro atacante brasileiro, exceção à Neymar.

Acredito que Felipão tenha conversado com Diego Costa pessoalmente antes de divulgar seu interesse em convocá-lo. É uma análise, não uma informação. Mas se não o fez, errou. A Espanha é tão favorita quanto o Brasil para a Copa, Felipão tem histórico de fechar seus grupos de atletas sem muitas mudanças – quem deixou Romário de fora, convenhamos, não deve ter muito pudor em fazer o mesmo com Costa – e pode não ter passado a confiança necessária ao jogador para que ele optasse pelo Brasil. Por fim, Felipão falou em patriotismo; bem, alguns já lembraram que ele dirigiu Portugal contra o Brasil em amistosos e também numa Copa em que a Seleção disputava. Esse conceito é muito relativo.

E é por isso que deve se respeitar a decisão de Diego Costa: quem pode obrigá-lo a gostar do Brasil, a sentir orgulho pelo Brasil, quando fez toda sua vida na Espanha? Diego tem suas razões, mas também errou. Errou na avaliação de que não poderia ser útil ao Brasil como poderá ser para a Espanha. Hoje a Seleção carece de atacantes. Fred está machucado, Jô não vem sendo o mesmo da Copa das Confederações, Hulk e Neymar não são jogadores de área, Leandro Damião está em baixa e Pato… bem, Pato é Pato. Diego teria lugar certo na Seleção, pelo menos numa análise técnica atual. Precisaria de uma boa conversa com Felipão – e quem pode nos garantir que isso aconteceu, que Diego fechou com o técnico e acabou voltando atrás?

Por fim, erra a Fifa ao permitir essas constantes participações de jogadores de outras nacionalidades em seleções de países onde não nasceram. O conceito de seleção nacional difere de clube. Pressupõe a aferição da qualidade técnica de cada nação, diferente do que acontece em clubes. E a Espanha, claro, quer se beneficiar da qualidade brasileira. Se nacionalizar não é tão complicado, basta vontade política. É possível que além dos 14 jogadores brasileiros que podem enfrentar o Brasil na Copa 2014, vejamos muitos outros casos – aguardem a Copa do Catar em 2022 para vermos a seleção local. Claro, deve haver exceções: filhos criados e nascidos em outros locais, por exemplo. Mas essa é uma regra que poderia ser revista e que, enfim, fecha o ciclo que mancadas e micos que esse episódio expôs.

Por que os brasileiros torceram contra a Espanha

Isabella é uma das minhas grandes amigas – uma das mulheres mais bonitas que conheço. Aquela beleza bem brasileira: pela morena, cabelos cacheados, corpo cheio de curvas. Foi minha caloura na faculdade e, depois de um tempo, resolveu tentar a sorte em Madri. Já se vão alguns bons anos. Lá, conheceu Albert, um andaluz (se apresenta assim mais que espanhol) torcedor do Bétis, gente fina. Desse amor nasceu Théo, recentemente. Albert sabe que os brasileiros não são “monos” – ou macacos.

Juan é pai de um grande amigo, Daniel – e outros dois filhos, Carla e André – frutos de um relacionamento com Íria, uma brasileira. Juan deixou Madri ainda criança, fugindo da Guerra Civil Espanhola. Refugiou-se em Curitiba. Torcedor do Atlético de Madri, tem bandeiras espanholas pela casa e se emocionou quando, em uma das minhas andanças pelo Mundo, ganhou de presente um singelo chaveirinho dos Colchoneros. Juan tem coração espanhol, mas mais tempo de Brasil que de Espanha na vida. E sabe que os brasileiros não são macacos.

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Contagem refressiva para o legado

Generalizar é errado. Foi o que dois ou três fizeram via Twitter, sentados confortavelmente em suas poltronas na Espanha, para ofender os brasileiros. Uma leitura que denota, de fato, que a educação espanhola vai de mal a pior, pois esboça uma visão de gente de certo poderio financeiro. Pessoas que nutrem preconceito pelo que não conhecem – e desconhecem muito, pois um dos ilustres desconhecidos sequer sabe que por aqui se fala português, lingua irmã e vizinha dos espanhóis. Mas isso não é geral: em todo planeta temos os bons e os maus. Não seria diferente por lá. A agressão – que ganhou repercussão exagerada no Brasil – tentava explicar “porque os brasileiros estavam torcendo contra a Espanha”. “Inveja”, “medo” e outras explicações tão vazias quanto o congresso em véspera de feriado.

Manchete do Ás: Brasil com medo da Espanha?

Muito disso partiu, vejam só, dos colegas de imprensa de lá. Imprensa que acusa a imprensa brasileira de plantar notícias para desestabilizar a Fúria – ou La Roja, como dizem por lá. Será? Será que as notícias das confusões nos hotéis em Recife e Fortaleza são invencionices baratas para mexer com o ambiente espanhol? Se sim, vale dizer: partiram de lá mesmo:

Manchete do Mundo Deportivo: primeiro jornal a noticiar a confusão

Foi no “Mundo Deportivo”, de Barcelona, que saiu a informação do “roubo” de mil euros. A assessoria de imprensa do hotel emitiu nota logo em seguida, negando o fato. A Espanha não prestou queixa na delegacia, abrindo mão do direito de investigação. Talvez as contas feitas apontaram que mil euros, cerca de 1% do salário da imensa maioria dos jogadores, não compensava o desgaste de confrontar o hotel e, quem sabe, revelar o que houve naquele dia. Em Fortaleza, prevendo confusão igual, o outro hotel que abrigou a Fúria logo proibiu a entrada de qualquer visitante que não estivesse autorizado. Informação apurada pela equipe do Terra Brasil, que sabe que esse assunto tem impacto na imagem do País no exterior, o que justifica a pauta. Caso abafado novamente. Menos pela imprensa espanhola, que confronta a brasileira, querendo dar aula de jornalismo.

Não tem muita moral para isso. Talvez estejam medindo os colegas brasileiros pela única régua que tem. Os jornais espanhóis são extremamente partidários. Jogam junto – como Felipão gostaria de ver aqui: o Marca é Real Madrid, o Mundo Deportivo é Barcelona. É da cultura deles, separatista e bairrista. Temos coisas parecidas aqui, mas não com a mesma intensidade. Curiosamente, enquanto os espanhóis cobram a imprensa brasileira por ser partidarista, Felipão cobra por não ser. Vá entender.

E porque, afinal, os brasileiros torceram contra a Espanha? Primeiro que isso é uma meia-verdade: 9 entre 10 brasileiros queriam o confronto com a Fúria. O Brasil precisa ser testado. Não disputa eliminatórias, o que o derrubou no ranking da Fifa. Sobre a Itália, foram dois confrontos recentes. Era melhor pegar um adversário diferente. O que aconteceu no Castelão foi o mais básico do futebol: o público abraçou o “mais fraco”. A Itália, segunda maior campeã mundial, levou 4-0 da Espanha na Euro, não tinha Balotelli, estava jogando no limite. E quase passou. Itália que, diga-se, é uma das grandes rivais do Brasil: duas finais de Copa, eliminação em 1982 e uma larga história de confrontos.

A Espanha não. A Fúria merece todo o respeito pelo time que tem, mas é um “novo rico” no futebol mundial. Acabou com sua imagem de fracassos apenas em 2008. De lá pra cá vem impressionando, mas também não enfrentou o Brasil nestes anos todos. Desde 1999 os times não jogam entre si – o Brasil não era penta e a Espanha sequer tinha ganho seu único mundial. Aliás, aí vem uma nova distorção no que se lê na Espanha: o Brasil, pentacampeão do Mundo, berço de talentos que vivem enebriando os espanhóis, de Evaristo a Neymar, teria medo de enfrentar a Fúria em casa? Acho improvável.

Sequer a comparação com o Maracanazzo do Uruguai cabe. O grande trauma brasileiro naquele ano foi tomar a virada após comemorar no vestiário, o que qualquer livro de história conta – é só estudar. Foi uma queda do salto. Mas foi também o impulso para que o Brasil passasse a levar a sério, como em 1958, 62, 70, 94 e 2002. Perder a decisão no domingo não mudará nada para o Brasil. Todos sabem que o time está em formação.

Mas, e a Espanha? Se perder, após a acachapante derrota do Barcelona para o Bayern de Munique, terá sua escola de futebol colocada em xeque. Perderá para um time em formação. Perderá um título que não tem. E terá que explicar muita coisa que está em aberto. A Espanha sim, tem o que perder no domingo. Dia em que, com todas as letras, o Brasil torcerá sim contra a Espanha: com a camisa mais vitoriosa do futebol ao lado dos brasileiros.

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Uruguai aposta em “1950 eterno” para surpreender Brasil

por Leonardo Bessa*

Monumento aos campeões de 50 em Montevidéu: feito eterno (Foto: divulgação)

O ano de 1950 é eterno para os uruguaios. Seja qual for o resultado deste novo confronto com o Brasil, nada mudará o feito. Mas alguns detalhes que reforçam a mística Celeste para a semifinal nesta quarta. No último grande torneio oficial disputado em terras brasileiras o Uruguai teve uma vitória como a de ontem, por 8-0. Foi contra a Bolívia. Depois, na final, todos sabem o resultado. Em 2001, na última vitória Celeste sobre o Brasil, o treinador verde-amarelo era… Luiz Felipe Scolari.

Magallanes marcou de pênalti na vitória por 1×0 no estádio Centenário. Além disso, outras vitórias marcantes aconteceram em 1980, na final do Mundialito, e em 1995, na final da Copa América, nos pênaltis. Apesar da recente má fase o Uruguai é o atual quarto colocado da Copa do Mundo e campeão da América, em 2011, batendo a dona-da-casa Argentina na semifinal e o Paraguai na decisão. É por essas e outras que acredito que a mística da Celeste vai reaparecer quarta-feira, no Mineirão. Minerazzo à vista?

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Hulk contra o Mundo: o atacante que precisa vencer o preconceito

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Se o maestro Oscar Tabárez, treinador da Celeste, pensa mesmo em vencer o Brasil, a parte tática precisa ser perfeita.Vamos aos fatos. Ele não vai tirar Diego Lugano do time. Apesar da pésssima fase, o capitão ainda tem muito prestígio com o chefe e os colegas, por tudo o que já fez pela seleção nacional. Isto posto, teremos Muslera, do Galatasaray, no gol, Lugano (Málaga) e Godín (Atlético de Madrid) no miolo de zaga e… uma série de interrogações. Na estreia, contra a Espanha, o time foi escalado num clássico 4-4-2, com Maxi Pereira, do Porto, e Martín Cacéres, da Juventus, nas laterais direita e esquerda, respectivamente. No meio os “mordedores” Diego `Ruso` Pérez, do Bologna, e Walter Gargano, da Inter de Milão, além dos meias `Cebolla` Rodríguez, do Atlético de Madrid, e Gastón Ramírez, do Southampton. Este, mais adiantado, na função de “enganche”. Na frente, `El Pistolero`, Luisito Suárez, do Liverpool, e `El Matador` Edinson Cavani, do Napoli. A atuação foi ruim. Pouca posse de bola, meio-de-campo sem criatividade e um gol solitário, de falta, no final do jogo, marcado por Suárez.

No segundo jogo, decisivo, contra a Nigéria, muitas mudanças. Três peças e o esquema. Táta González (Lazio), Arévalo Ríos (Palermo, ex-Botafogo) e Diego Forlán (Inter-RS) entraram nas vagas de Pérez, Gargano e Ramírez. O esquema passou a ser o 4-3-3, ousado, com Arévalo e Táta na contenção e Cebolla como “enganche”, abastecendo o “tridente” formado por Diego Forlán, artilheiro e melhor jogador da Copa de 2010, Luisito Suárez, vice-artilheiro do Campeonato Inglês, com 23 gols, e Cavani, artilheiro do Campeonato Italiano, com 29 tentos. A mudança surtiu efeito. Forlán deu o passe para o gol de Lugano, depois de rebote em um escanteio, e ele mesmo marcou o segundo, em grande jogada do tridente. Suárez roubou a bola no meio, acionou Cavani, que, de primeira, serviu o atacante do Internacional. Ele bateu de canhota, com força, vencendo o goleiro Enyeama. Foi o gol 34 do maior artilheiro da história Celeste, na noite em que completou 100 jogos com a mítica camisa.

Apesar da vitória contra os africanos, mais uma vez houve falhas. Cebolla não desempenhou como poderia o papel de meia de ligação. Lugano, apesar do gol, foi driblado facilmente por Obi Mikel, no lance do gol da Nigéria. Contra o Taiti poucas análises podem ser feitas. O time entrou com onze reservas, considerando a escalação da segunda partida. Vitória facílima, 8-0, com quatro gols de Abél Hernández, `la joya`, atleta do Palermo, e dois de Suárez, que entrou aos 25 do segundo tempo. O fato é que o time vem mal nas Eliminatórias Sul-Americanas, na quinta posição, com 16 pontos. Hoje, estaria na repescagem, para enfrentar Jordânia ou Uzbequistão. Os problemas vêm da insistência do “maestro” em nomes como o de Lugano, mal no PSG, pior no Málaga, e Gargano, que fez temporada ruim com a Inter de Milão. Um bom sinal foi a saída de Álvaro Pereira, da mesma Inter, do time titular. Loco Abreu deixou de ser convocado e Muslera parece estar recuperando a forma da Copa, quando brilhou nos pênaltis contra Gana.

Vencer o Brasil passa pela história e mística da Celeste, mas, acima de tudo, por uma boa organização, capaz de explorar o que o time tem de melhor, que é a velocidade do ataque. Ótimos finalizadores, eles podem decidir se forem bem municiados. E isso passa pelo bom trabalho do “enganche”. Pelas características mais ofensivas, Lodeiro está descartado. Tabárez pode insistir com Cebolla na função e apostar no “tridente”, apesar de já ter declarado que contra times mais fortes, como o Brasil, prefere ser mais cauteloso. Uma opção para isso, sem abrir mão do três homens de frente, é escalar Forlán na armação, mais recuado, municiando Cavani e Suárez. Cebolla e Ramírez iriam para o banco. A alernativa é boa, porque Forlán é tarimbado, joga no Brasil, e sabe atuar mais recuado. Para dar mais qualidade à saída de jogo, o treinador poderia colocar Eguren entre os titulares. O volante do Libertad tem bom passe e só entrou em campo ante os taitianos. Eu iria de Muslera, Maxi Pereira, Godín, Coates e Cáceres; Ruso Pérez, Eguren e Cebolla; Forlán, Cavani e Suárez. Acredito que Tabárez vá escalar Muslera, Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres; Ruso Pérez, Arévalo Ríos, Gargano e Forlán; Cavani e Suárez.

*Leonardo Bessa é jornalista, tem 29 anos, é fã de futebol uruguaio e acredita na mística da Celeste Olímpica.

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