Super Bowl: quem será o dono do Mundo na NFL?

por André Tesser*
 
Depois de 21 semanas, a temporada 2013/2014 chega ao seu grand finale nesse domingo, dia 02/02/2014 com o Super Bowl XLVIII. O jogo é o evento esportivo que, individualmente, mais rende em termos financeiros. Um intervalo de apenas 30 segundos durante o jogo está sendo vendido por mais de 4 milhões de dólares! Também pudera: espera-se que mais de 100 milhões de espectadores somente nos EUA, quase um terço da população daquele país.
Quis o destino que as duas melhores campanhas de suas respectivas conferências se encontrassem no ato final de uma temporada que foi sensacional. Do lado da NFC, o quase novato em finais Seattle Seahawks disputa o segundo Super Bowl de sua história, o que somente aconteceu em 2006 (temporada 2005-2006), quando perdeu para o Pittsburgh Steelers. Pela AFC, o bicampeão Denver Broncos, que disputa seu sétimo Super Bowl, volta a disputar o título, o que não acontecia desde sua segunda conquista em 1999 (temporada 1998-1999).
 
Mesmo tendo feito campanhas parecidas (para não dizer iguais, pois ambos têm 15 vitórias e apenas três derrotas na temporada), os times são muito diferentes. Desde suas principais armas para a vitória, passando por sua experiência em finais da NFL, com quarterbacks tão diferentes e treinadores com estilos distintos, Broncos e Seahawks podem ser vistos como duas equipes com características muito opostas.
Porém, em uma coisa as duas equipes são muito parecidas. São times que parecem muito prontos para vencer o Super Bowl.
 
O jogo acontece às 21h30’ (horário de Brasília) e a ESPN começa sua transmissão nacional às 21h00’. A partida deve ser eletrizante, equilibrada e não há um favorito claro. A única coisa ruim do Super Bowl é que, ao seu final, lembramos que faltarão nove meses para que a NFL volte a ter jogos valendo…
Propomos uma análise simples dos times, focando nas suas armas para a vitória. Sem descuidar, ao final, do nosso já conhecido palpite.
 
SEATTLE SEAHAWKS
A força de Seattle vem, primordialmente, de sua defesa. Uma linha defensiva boa contra o jogo corrido e a melhor secundária da Liga fizeram do time a melhor defesa da NFL. O Seahawks foi a equipe que menos cedeu pontos (231), com o menor número de jardas totais cedidas (4378), menor número de jardas cedidas por jogada (4,4), maior número de turnovers forçados (39) e o maior número de interceptações (26). São estatísticas impressionantes, reforçadas pela atitude extremamente agressiva de sua defesa e que foi, em boa parte, ajudada pelo barulhento estádio que é a casa do time de Seattle. Os destaques defensivos são o safety Earl Thomas, e o cornerback Richard Sherman, que se auto-intitula o melhor da Liga em sua posição.
 
O ataque tem no seu signal caller, o quarterback Russell Wilson o seu regente. Muito bom com as pernas, com muita agilidade para sair do pocket e se livrar da pressão adversária e ainda com muita velocidade e explosão para ganhar jardas correndo, Wilson também é capaz de grandes big plays que podem decidir jogos. Basta lembrar uma campanha decisiva contra o 49ers na final da NFC, em que ele estava num 3rd down para 25 jardas e depois numa quarta descida para 7 jardas e conseguiu o TD que virou o jogo de forma definitiva para Seattle. Seus alvos principais têm sido o wide receiver Golden Tate e o tight end Zach Miller. Percy Harvin, também wide receiver, é outro alvo com grande potencial, mas que foi atrapalhado por contusões na temporada e ainda é uma incógnita.
 
Mas, o ataque do Seahawks é mesmo poderoso por causa de Marshawn “The Beast” Lynch. Retraído, tímido e que não gosta muito de holofotes fora do campo, dentro dele o principal runnig back de Seattle se transforma. Forte, ágil e rápido, é capaz de furar linhas defensivas potentes, ganhar muitas jardas depois do primeiro contato quebrando tackles (para se ter uma ideia, Lynch teve 45,7% de suas jardas depois do primeiro contato!). Sua média nos playoffs foi de 5 jardas corridas por tentativa, com três TD’s. A matemática é simples: aplicando-se isso sempre na primeira descida, Lynch colocaria Wilson em situações de segunda descida para 5 jardas. Isso permite que o quarterback de Seattle permaneça bastante tempo em campo, controlando o relógio, o que deve ser chave para vencer Denver, se Peyton Manning ficar a maior parte do jogo apenas olhando a partida da sideline.
O maior problema de Seattle talvez resida na sua linha ofensiva, que permitiu 44 sacks ao seu quarterback durante a temporada regular. Isso aconteceu muito em razão das inúmeras contusões na unidade.
 
DENVER BRONCOS
Se Seattle é a melhor defesa da NFL, o Broncos de Peyton Manning é o melhor ataque da Liga. Durante a temporada regular, Denver massacrou seus adversários com a melhor marca ofensiva da história da NFL, batendo o recorde de número de pontos anotados em um único ano (603), com Manning quebrando recordes para fixar a melhor marca de todos os tempos em jardas passadas (5.477) e TD’s (55). A quase inacreditável perfomance de Denver na temporada regular não se repetiu muito na postseason. Mas, ainda assim, Peyton levou seu time sem grandes sustos ao Super Bowl (terceiro de sua carreira, tendo vencido um e perdido outro, ambos quando ainda jogava pelo Indianapolis Colts).
 
Naturalmente, Peyton Manning é o fator diferencial do ataque massacrante de Denver. Com duas vitórias nos playoffs, o quarterback do Broncos parece disposto a arremessar para a end zone de forma definitiva a fama (para alguns, injusta) de amarelão em postseason. Se seu rival no Super Bowl é um QB de mobilidade, mais ágil com as pernas, Manning é daqueles quarterbacks cerebrais. Sua capacidade de ler a defensa adversária e mudar a jogada na linha de scrimagge, aliada aos seus passes precisos, o torna letal quando tem tempo para lançar a bola. Ao mesmo tempo, as diversas temporadas apanhando das defesas adversárias quando ainda estava em Indianapolis, fizeram de Peyton um especialista em achar passes rápidos e curtos e usar o no huddle para dificultar o posicionamento defensivo, inclusive impedindo substituições importantes nos adversários.
 
Claro que, sem alvos confiáveis, um quarterback não consegue números expressivos. E Manning teve ao seu lado os wide receivers Wes Welker, Eric Decker e Demaryius Thomas e o tight end Julius Thomas como fontes seguras para seus passes.
O ataque de Denver também foi ajudado pelo seu ótimo jogo corrido, com os running backs Knowshon Moreno e Montee Ball revezando-se nos snaps para colocar Peyton em situações mais confortáveis de segundas e terceiras descidas.
A linha ofensiva do Broncos também fez sua parte. O entrosamento permite que o jogo corrido funcione e, mais ainda, que Manning tenha relativa tranqüilidade com a bola nas mãos. A unidade de Denver permitiu que seu quarterback fosse sacado apenas 18 vezes na temporada, média de pouco mais de 1 por jogo (lembre-se que Seattle permitiu que Russell Wilson fosse sacado, em média, quase 3 vezes por jogo).
A defesa de Denver não está no mesmo nível de Seattle (bom, e qual defesa da Liga, está?). Mesmo assim, é uma unidade que consegue pressionar bastante o quarterback adversário, ainda que não conte com sua estrela Von Miller. Considerando que o pior setor do Seahawks é sua linha ofensiva, isso não é uma boa notícia para Russell Wilson. Todavia, o Broncos sofre contra o jogo corrido e isso deve fazer do handoff para Marshawn Lynch a arma contra uma linha ofensiva muito forte. A secundária do time do Colorado também não é das mais confiáveis, e a capacidade de big plays de Wilson pode render bons frutos ao Seahawks.
 
PALPITE
Não dá para esperar outra coisa senão um jogo emocionante quando se enfrentam o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Valendo o troféu Vince Lombardi e os aneis de campeão, a partida promete esquentar a gélida Big Apple de domingo. Aliás, o frio gelado deve ser outro fator importante ao jogo, pois pode limitar as ações aéreas de Peyton Manning e seus recebedores e, naturalmente, trazer problemas para o Broncos. Será que o quarterback de Denver vencerá mais esse desafio, e derrubará também o mito de que não joga bem no frio? Contra uma defesa forte e agressiva, fico a me perguntar que coelhos Peyton ainda pode tirar de sua cartola, ao que parece, comprada em Omaha.
Uma máxima da NFL é a de que ataques ganham jogos e defesas ganham títulos. Isso se revela ainda mais impressionante quando se tem em mente que, antes do Broncos de Manning, os seis melhores ataques da história da temporada regular não venceram o Super Bowl (em três delas, perdendo a partida final). Por outro lado, quatro das sete melhores defesas da história da NFL (desde que se adotou o formato com 16 jogos na temporada regular) levaram para casa o tão cobiçado título da Liga.
 
O Denver de Peyton quebrará mais essa escrita?
 
O palpite desse humilde escriba é de que, pela primeira vez  desde o título dos Sonics na NBA em 1979, Seattle comemorará um título de liga profissional norte-americana.
 
*André Tesser é amigo do blog e fala de NFL por aqui.

NFL: EUA conhece nesse final de semana os finalistas do Super Bowl

por André Tesser*
 
 
Nesse domingo (19) acontecem as finais de Conferência na NFL. Os vencedores dos playoffs de Divisão enfrentam-se em jogo único valendo a tão sonhada vaga no Super Bowl, o título máximo do campeonato.
 
A temporada reservou dois jogaços para as finais de Conferência. Na NFC, um duelo entre rivais de Divisão: o Seattle Seahawks recebe em sua casa o San Francisco 49ers. Na AFC, o Denver Broncos enfrenta em sua casa o New England Patriots, com um esperadíssimo confronto entre Peyton Manning e Tom Brady.
 
Depois de muito tempo, as finais de Conferência serão entre as melhores campanhas da temporada. E, não bastasse só isso, há ingredientes extras que tornam os jogos ainda mais especiais e certamente eletrizantes. Vamos a eles.
 
Na NFC:
 
Seattle Seahawks x San Francisco 49ers – mando de campo do Seahawks, domingo, às 21h30
 
Seattle e San Francisco tiveram trajetórias diferentes na temporada. Enquanto o Seahawks desde logo mostrou sua condição de favorito ao Super Bowl, ganhando a sua Divisão, o 49ers teve um momento irregular na sua campanha e chegou até a ter seu lugar nos playoffs ameaçado.
 
As duas equipes vêm se revezando há tempos como o melhor time da NFC West. Enquanto o 49ers ganhou a Divisão em 2011 e 2012, o Seahawks foi campeão em 2010 e nessa temporada. Portanto, o confronto tem tudo para ser equilibrado. Desde que as equipes ajustaram esses mesmos elencos-base, com os atuais head coach e quarterbacks, foram quatro jogos, com duas vitórias para cada lado. E, sempre, quem jogou em casa venceu.
 
O Seattle tem, provavelmente, a defesa mais forte da liga. Suporta bem o jogo corrido adversário e sua secundária é a melhor da NFL. No ataque, o versátil Russel Wilson é excelente no pockter, muito bom correndo com a bola e consegue algumas boas big plays. Marshawn “The Beast” Lynch é um running back que ganha várias jardas depois do primeiro contato, arrastando as defesas adversárias para dentro de seus campos. No jogo aéreo, Golde Tate é um recebedor confiável e é sempre um alvo certo de Wilson – que deve sofrer um pouco com a perda de Percy Harvin por lesão para o jogo.
 
San Francisco tem uma defesa muito forte contra o jogo corrido, mas a sua secundária não é das melhores – e esse pode ser um segredo para a vitória de Seattle. O quarterback Colin Kaepernick parece estar evoluindo, mas ainda é inconstante no pocket (o que lhe valeu, inclusive, uma crítica do maior quarterback da história do 49ers – para alguns, o melhor da NFL – Joe Montana). O ataque aéreo ganhou força com os recebedores Anquan Boldin, Michael Crabtreee e o tight end Vernon Davis. O jogo corrido também é forte, especialmente com Frank Gore. Na semana passada, a defesa do Niners foi fundamental para a vitória contra o Carolina Panthers, não permitindo que o adversário, que jogava em casa, pontuasse no segundo tempo inteiro.
 
Já Seattle não pareceu sequer ter sua vaga na final da Conferência em risco na vitória contra o New Orleans Saints, com uma excelente atuação de Lynch e da defesa, que não permitiu grandes ações do adversário.
 
O 49ers terá, ainda, que vencer o “décimo segundo jogador”. O Century Link Field, estádio do Seahawks, é conhecido como o mais hostil da Liga e isso poderá ser fundamental para o passaporte para o Super Bowl. A torcida de Seattle costuma transformar seu estádio no mais barulhento da NFL, dificultando as comunicações ofensivas de seus adversários dentro de campo, exercendo muita pressão.
 
Os dois treinadores também são fundamentais para o sucesso de seus times. Pete Carrol (Seattle) devolveu o time aos playoffs ganhando sua Divisão e Jim Harbaugh (San Francisco) leva seu time à terceira final seguida de NFC (aliás, desde que assumiu o 49ers, Harbaugh sempre conduziu seu time à final de Conferência). Os dois também têm uma rivalidade antiga, desde os tempos de college, o que é um ingrediente a mais para o jogo.
 
Enfim, a rivalidade é grande e as equipes são muito fortes, especialmente defensivamente, o que deve fazer do jogo uma guerra em campo.
 
Palpite: o jogo deve ser equilibrado. O fator casa deve pesar, de novo, como foi nos últimos confrontos. Seattle deve ser o representante da NFC no Super Bowl.
 
Na AFC:
 
Denver Broncos x New England Patriots – mando de campo do Broncos, domingo, às 18h
 
A final da AFC reserva apenas o confronto entre aqueles que são considerados os melhores quarterbacks em ação da Liga e que já tem seus nomes gravados na história da NFL. Peyton Manning (Broncos) fez uma temporada impecável, quebrando dois recordes importantíssimos: maior número de touchdowns e jardas aéreas em uma temporada regular. Tom Brady (Patriots) também foi o primeiro quarterback da Liga a atingir mais de 6000 jardas aéreas em jogos de playoffs, ganhou mais uma vez a sua Divisão (AFC East) e está pela terceira vez seguida na final da Conferência.
 
Os dois já se enfrentaram diversas vezes (quando Manning ainda jogava no Indianapolis Colts, principalmente). Só em jogos de playoffs, foram três confrontos, com Brady levando leve vantagem, pois ganhou dois jogos. Nessa temporada, o Patriots venceu na prorrogação, jogando em casa, em um jogo que recuperou uma vantagem boa de Denver.
 
Brady x Manning sempre é um jogo à parte. Valendo uma vaga no Super Bowl, deve ser ainda mais especial. Os dois pertencem a uma geração muito específica de quarterbacks, de decisões muito rápidas no pocket, muita precisão nos passes aéreos, e muita condição de leitura da defesa adversária, o que lhes permite mudar seguidamente a jogada a ser realizada na própria linha de scrimmage, dificultando ainda mais a ação defensiva.
 
Manning tem alvos aéreos mais confiáveis, e não é à toa que quebrou recordes importantes. Os wide receivers Erick Decker e Wes Welker (que até a temporada passada jogava no Patriots) e o tight end Demayrius Thomas são os melhores do ataque aéreo. Mas, o jogo corrido também funciona muito bem, com Knomshown Moreno e Manti T`eo.
 
Já Brady tem um corpo de recebedores mais jovens. Mas, o impressionante desempenho do ataque terrestre na semana passada, com nada menos que 6 touchdowns deu novas esperanças de mais opções ofensivas para o Patriots.
 
Duas coisas devem ser as chaves das vitórias. A linha ofensiva que proteger melhor seu quarterback, lhe dando mais tempo no pocket estará mais perto da vitória. Ao mesmo tempo, que controlar melhor o relógio, deixando o ataque adversário sem ritmo e esperando na sideline certamente também estará mais perto da vitória. Isso porque, tanto Manning quanto Brady gostam de castigar seus adversários com campanhas demoradas e que dificilmente saem de campo sem pontuação.
 
O jogo tem tudo para ser espetacular e histórico, pois pode ser o último Brady x Manning. Isso porque o quarterback de Denver pode se aposentar após a temporada, se um exame médico em sua antiga lesão na coluna apontar para isso.
 
Palpite: Manning empata os confrontos diretos aos playoffs e devolve o Broncos ao Super Bowl.
 
*André Tesser é amigo do blog e mal dormiu nessa semana à espera da definição das conferências

Divisional Rounds da NFL: fim de semana decisivo!

por André Tesser*

 
Nesse final de semana (dias 11/01 e 12/01) acontecem os jogos de “Divisional Rounds” da NFL, que são as semi-finais de Conferência.
 
Como dito, os playoffs da NFL são outro campeonato e a prova disso foi, especialmente, a indiscutível vitória do San Diego Chargers, fora de casa, contra o Cicinnatti Bengals, que ainda não havia perdido em seus domínios na temporada. À exceção do confronto entre o Chargers e o Bengals, os demais jogos foram muito equilibrados e emocionantes. O Indianapolis Colts reverteu no segundo tempo uma desvantagem de 28 pontos (isso mesmo, 4 touchdowns!!) para bater o Chiefs. Na NFC, New Orleans Saints e San Francisco 49ers precisaram de um Field Goal nos últimos segundos das partidas para vencerem fora de casa, respectivamente, Philadelphia Eagles e Green Bay Packers. As semifinais de conferência prometem, novamente, grandes confrontos, agora, também reunindo as quatro melhores equipes da temporada regular, que haviam conseguido uma folga (bye) na primeira rodada dos playoffs.
 
Na semana passada, esse humilde escriba acertou só um palpite, quando cravei a vitória do Colts sobre o Chiefs. Também, convenhamos, prever contra Alex Smith é mais fácil…Mas, como sou brasileiro e não desisto nunca, vamos tentar palpitar de novo. Veja como serão os jogos.
 
NFC:
 
Seattle Seahawks (1st) x New Orleans Saints (6th) – Sábado, às 19h30
 
A primeira vitória do Saints (e de seu QB Drew Brees) em um jogo de pós temporada colocou o time da Lousianna no caminho do Seahawks, que tem sido apontado nas bolsas de apostas de Las Vegas como o favorito a levar o título do Super Bowl.
Não bastasse isso, o jogo será em Seattle, no Century Link Field, tido como o estádio mais barulhento da NFL, em que a torcida do Seahawks dificulta as ações do ataque adversário fazendo muito barulho. Mas, não é só isso. Os times já se enfrentaram nessa temporada, em Seattle, e o Seahawks surrou sem dó o Saints por “modestos” 34 x 7, em jogo realizado em dezembro. Ou seja, tudo aponta para mais uma vitória do forte time de Seattle que tem uma das defesas mais agressivas da Liga, conta com um quaterback novo, mas já muito badalado, Russel Wilson e que tem em Golden Tate um recebedor de mão cheia. E, claro, não se pode esquecer o running back Marshawn Lynch, um destruidor de linhas defensivas adversárias, forte e rápido e que costuma quebrar tackles e ganhar muitas jardas depois do primeiro contato.
 
Mas, quem sabe a primeira vitória em pós temporada tenha dado um novo ânimo ao Saints. A defesa do time de New Orleans jogou muito bem contra o Eagles e pode ser, novamente, o diferencial fora da Lousianna. E, nunca dá para se duvidar do ataque comandado por Drew Brees, que, com a volta de Sean Payton à sideline, parece ter conseguido reeditar seus melhores jogos depois de uma última temporada ruim.
 
Palpite: o jogo será mais equilibrado do que foi na temporada regular, mas será difícil que Seattle não vença.
 
Carolina Panthers x San Francisco 49ers – Domingo, às 16h00
 
A dramática vitória do 49ers na primeira rodada dos playoffs, vencendo um rival de conferência muito forte, trouxe o time da California para enfrentar o Carolina Panthers nos seus domínios. É jogo de duas equipes que também já se enfrentaram na temporada regular, com uma vitória do Panthers, em San Francisco, por 10×9, em um jogo em que o 49ers abriu 9×0, mas não conseguiu pontuar no segundo tempo e que foi, nitidamente, um jogo em que as defesas sobrepujaram os ataques.
E, assim deve ser novamente. Tanto San Francisco como Carolina têm defesas muito fortes. Como já escrevemos aqui, o 49ers talvez tenha o melhor grupo de linebackers da Liga, com Navorro Bowman, Aldon Smith e o cinco vezes Pro Bowl Patrick Willys. No Panthers, o segundo anista Luke Kuechly tem liderado uma defesa muito agressiva, que pressiona bastante o quarterback e que permite poucos 1st downs.
 
Os times também são parecidos em seus quarterbacks. Tanto Cam Newton (Panthers) quanto Colin Kaepernick (49ers) possuem habilidades para saírem do pocket e ganharem muitas jardas correndo. Aliás, os dois têm as melhores marcas da Liga nessa temporada correndo com a bola. Por outro lado, são ainda quaterbacks irregulares no jogo aéreo, alternando grandes jogadas com campanhas ineficazes. Carolina leva vantagem por jogar em casa, sem dúvida. A torcida é muito assídua e fanática. O que pode equilibrar isso é que o corpo de recebedores aéreos do 49ers parece mais afinado com seu quarterback, lhe oferecendo mais opções. Isso porque San Francisco conta com os wide receivers Michael Crabtree e Anquan Boldin, e o tight end Vernon Davis, que no último jogo igualou o segundo lugar de mais recepções para TD’s na pós temporada para um jogador de sua posição na história da Liga. Do outro lado, o Panthers conta com o excelente Steve Smith, mas ainda pena com o irregular Ted Ginn Jr.
 
Palpite: as defesas devem ser determinantes e o fator casa deve pesar a favor de Carolina, que deve ganhar o jogo.
 
AFC:
 
New England Patriots x Indianapolis Colts – Sábado, às 23h30
 
A virada histórica sobre o Chiefs na semana passada, comandada por Andrew Luck, encaminhou o Colts para Foxboro, enfrentar o New England Patriots nos seus domínios. Único jogo dessa fase que não aconteceu na temporada regular, tem tudo para ser um ótimo confronto de dois quarterbacks com estilos de jogo parecidos, mas de gerações diferentes. O Colts mostrou sua força ao reverter, como dito, uma vantagem de 28 pontos no Wild Card Weekend. A conexão aérea Andrew Luck-T.Y. Hilton funcionou muito, especialmente no segundo tempo, e o jogo corrido de Donald Brown também ajudou na construção da vitória. Mas, o triunfo veio, sobretudo, na ótima performance defensiva do segundo tempo (sim, porque no primeiro tempo daquele jogo, o Colts parecia ter uma defesa de High School). Basta lembrar que, no segundo tempo, o Colts venceu o Chiefs por 35×13! O Colts só não pode achar que, contra o Patriots, no Gilette Stadium, reverterá uma diferença de 28 pontos no primeiro tempo…
 
Isso porque, do outro lado estão Tom Brady e Bill Belichik, a dupla quarterback-head coach mais vencedora da Liga. O que impressiona é que, mesmo com as grandes perdas ofensivas do time nessa temporada (por exemplo, com as saídas de Wes Welker, Danny Woodhead, a lesão de Rob Gronkowski e a prisão de Aaron Hernandez), o ataque do Patriots conseguiu se reinventar e fazer mais uma boa temporada. Brady domina como ninguém a arte de controlar o relógio e dificilmente perde jogos quando está ganhando. Ao mesmo, tempo, consegue viradas memoráveis, como, por exemplo, a que deu a vitória ao time de Massachussets contra o Now Orleans Saints na temporada regular, com uma campanha explosiva no último minuto culminando com um passe para TD faltando 6 segundos para o fim do jogo. O jogo deverá ser excelente, e, provavelmente, a linha ofensiva que conseguir proteger melhor seu quaterback da ação defensiva do adversário, dará a vitória a seu time.
 
Palpite: vou apostar na nova geração, com a vitória do Colts, mesmo fora de casa.
 
Denver Broncos x San Diego Chargers – Sábado, às 19h00
 
San Diego foi a única equipe a vencer o Cincinnati Bengals em seus domínios nessa temporada, no jogo que classificou o time da California para as semifinais de conferência. E foi, também, o único time a vencer o Denver Broncos jogando no Colorado, o que aconteceu na temporada regular. Só isso, só torna o confronto interessante, até mesmo pela possibilidade de revanche para Denver. Por serem times da mesma divisão (AFC West), as equipes jogaram duas vezes na temporada. E, se perdeu em casa, o Broncos venceu San Diego na California, o que mostra um relativo equilíbrio no confronto.
 
O Denver Broncos parece franco favorito. Peyton Manning está na sua temporada mais espetacular, com a quebra de recorde de passes para TD’s na mesma temporada, com 55 conexões que acabaram na end zone, e de jardas aéreas, com 5.477. O poderoso ataque de Denver conta com os alvos aéreos Wes Welker, Eric Decker e Demaryius Thomas, além do potente jogo corrido de Knowshon Moreno, que tem facilitado a vida de Peyton, colocando em situações confortáveis de terceiras descidas. A defesa, porém, sofreu uma grande baixa, com a lesão de Von Miller, que o deixou fora da temporada. Mas, Manning terá que superar a maldição da pós temporada. Mesmo sendo um dos melhores (para alguns, o melhor) quaterback da história da Liga, Peyton carrega a sina de ser um perdedor de playoffs. Neles, tem mais derrotas que vitórias (11-9) e, se perder de novo, entrará para a história como o quarterback que mais perdeu jogos de pós temporada, “título” que ainda divide com Brett Favre. O próprio San Diego Chargers já infligiu duas derrotas em playoffs a Manning, em 2008 e 2009, quando ele ainda jogava no Indianapolis Colts.
 
San Diego parece capaz de vencer o Broncos e avançar à final da conferência? Sim, especialmente se a defesa do Chargers repetir o excelente jogo que fez contra o Bengals na semana passada, pressionando o quarterback Andy Dalton, indo bem contra o jogo corrido e vencendo a linha ofensiva adversária por diversas vezes. O quarterback de San Diego, Phillip Rivers fez boas conexões aéreas com o novato Keenan Allen e contou com ajuda providencial do excelente jogo corrido os running backs e Danny Woodhead e Ryan Mathews para facilitar suas conversões de descidas.
 
Palpite: ficarei muito surpreso se o Chargers ganhar o jogo. Mas, na última semana o time de San Diego já me surpreendeu. Mesmo assim, acho que dá Broncos.
 
*André Tesser é amigo do blog e, pra ele, “bola” é um objeto oval.
 

Guia dos Playoffs da NFL 2013-14

por André Tesser*
 
 
Começa nesse 04 de janeiro um novo campeonato na NFL.
 
Sim, porque os playoffs podem ser considerados uma nova competição, já que tudo que aconteceu na temporada regular é praticamente zerado e as equipes se enfrentam em jogos eliminatórios, nos domínios daqueles melhores classificados na temporada regular, na sistemática famosa do “win or go home”. A temporada regular é realmente apenas classificatória para os playoffs. Claro que ela é um bom indicativo do nível das equipes e de suas possibilidades de avanço nos jogos eliminatórios. Mas o fato de em apenas um jogo uma equipe definir seu futuro no campeonato realmente muda a cara da competição.
 
É difícil prever qualquer resultado nos playoffs, mas, como bom palpiteiro, não posso me furtar de apontá-los.
 
NFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Seattle Seahawks (primeiro colocado, campeão da NFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o surpreendente Carolina Panthers (segundo lugar geral, campeão da NFC South, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Philadelphia Eagles (terceiro lugar e campeão da NFC East), Green Bay Packers (quarto lugar e campeão da NFC North), San Francisco 49ers (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o New Orleans Saints (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões).
 
Assim, Seahawks e Panthers não jogam nessa primeira rodada. O Eagles enfrenta, em casa, o Saints, enquanto o Packers recebe no seu estádio o 49ers. Curioso é que tanto o Saints quanto o 49ers tiveram mais vitórias que seus oponentes na temporada regular, mas, por não terem ganho suas divisões (o Panthers ganhou a divisão do Saints e o Seahawks, a do 49ers), terão que jogar fora de seus domínios.
 
Philadelphia Eagles x New Orleans Saints, na Filadéfia, sábado, às 23h30:
 
Em casa, o Eagles tem sido irregular, embora tenha melhorado na segunda metade da temporada. Seu novo quarterback Nick Foles, apoiado por dois grandes jogadores (Lesean MacCoy e Desean Jackson), fazem do ataque uma arma importante e a defesa jogou bem na temporada. Por outro lado, o ataque do Saints também é muito forte, pois seu quarterback Drew Brees é dos melhores da liga (tendo ganhou um Super Bowl sendo MVP e com alguns recordes individuais importantes) e conta ainda com Jimmy Graham, Marques Colston e Pierre Thomas. Porém, Drew Brees nunca conseguiu vencer um jogo de pós temporada fora de New Orleans.
 
A chave do jogo será o rendimento dos quaterbacks. Se Nick Foles repetir nos playoffs a temporada excelente que fez, dificilmente o Eagles perderá o jogo; mas, se Brees resolver jogar bem fora de casa um jogo de playoff, o Saints terá boas chances.
 
Palpite: jogo equilibrado, mas o Eagles vence.
 
Green Bay Packers x San Francisco 49ers, em Wisconsin, domingo, às 19h30
 
Esse confronto tem tudo para ser o melhor dessa primeira rodada. As equipes enfrentaram-se nas semifinais da NFC da temporada passada, mas em São Francisco, com a vitória do 49ers no jogo em que o time da California teve a melhor performance ofensiva de sua história nos playoffs. Esse ano, os times se encontraram na primeira rodada temporada regular, também em San Francisco e também com vitória do 49ers. Mas, agora, dois fatores certamente influenciarão o confronto.
 
Primeiro, o Packers classificou-se apenas na última rodada com uma vitória épica a menos de um minuto do final do jogo contra seu maior rival, Chicago Bears, fora de casa, no jogo do retorno de seu excepcional quarterback, Aaron Rodgers, o que deve lhe dar um “gás” maior para os playoffs. E, por segundo – e não menos importante, o frio. A temperatura esperada para o Lambeau Field (estádio aberto em Green Bay) é de – 20° C. Isso mesmo, vinte graus negativos, uma amplitude térmica de quase 30 graus para San Francisco. Não é algo a se desprezar.
 
O Packers sofreu com diversas contusões ao longo da temporada. Além de Aaron Rodgers, a dupla de recebedores, teve Randon Cobb fora em vários jogos. Os Packers melhoraram o jogo corrido, principalmente com o calouro Eddie Lacy que fez uma boa temporada, mas que parece estar jogando lesionado. E sua grande estrela defensiva, o linebacker Clay Mathews ainda é dúvida para o jogo desse domingo. O 49ers fez uma campanha de 12 vitórias, mas teve momentos de irregularidade que preocupam seu torcedor. Seu quaterbarck Colin Kaepernick fez uma temporada de altos e baixo, às vezes dentro do mesmo jogo. A volta do recebedor Michael Crabtree deu uma esperança de melhora do jogo aéreo, que já conta com o tight end Vernon Davis e o wide receiver Anquan Boldin como bons alvos. O jogo corrido de Frank Gore ainda funciona e a defesa do Niners tem, talvez, o melhor corpo de linebackers da Liga.
 
Palpite: num jogo em que a adaptação ao frio deve ser determinante, e com a crescida de Green Bay, com dor no coração (sou torcedor dos Niners), o Packers deve ganhar o confronto.
 
AFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Denver Broncos (primeiro colocado, campeão da AFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o New England Patriots (segundo lugar geral, campeão da AFC Eats, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Cincinnati Benagles (terceiro lugar e campeão da AFC North), Indianopolis Colts (quarto lugar e campeão da AFC South), Kansas City Chiefs (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o San Diego Chargers (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões). Assim, Broncos e Patriots não jogam nessa primeira rodada. O Bengals enfrenta, em casa, o Chargers, enquanto o Colts recebe no seu estádio o Chiefs. Nessa conferência, Bengals, Colts e Chiefs tiveram uma temporada com 11 vitórias e 5 derrotas, o que mostra o equilíbrio entre os times.
 
Cincinnatti Bengals x San Diego Chargers, em Cincinnatti, domingo, às 16h00
 
O Bengals não perdeu no seu estádio na temporada regular, ganhando todas as oito partidas que disputou. Isso faz do time de Ohio uma equipe muito forte em seus domínios, com uma defesa muito boa e um quaterback, Andy Dalton, que teve excelentes momentos na temporada. O wide receiver AJ Green está entre os melhores da liga e o jogo corrido é constante com o running back Giovanni Bernard. O San Diego Chargers classificou-se “na bacia das almas” com um Field goal na prorrogação da última rodada contra o time misto do Chiefs, que haviam perdido também um Field goal para ganhar o jogo no finalzinho do tempo normal. Mas, o fato de terem enfrentado o Denver Broncos – melhor time da temporada regular – em duas partidas e também de fazerem parte da única conferência que classificou três times para os playoffs (AFC West), mostra que o time da California não pode ser desprezado. A conexão aérea do quarterback Phillip Rivers e do tight end Antonio Gates é das mais profícuas da Liga, e o jogo corrido é bem estabelecido com Danny Woodhead, running back contratado junto ao Patriots. Mas, a defesa de San Diego é seu ponto fraco.
 
Palpite: deve ser o jogo menos equilibrado dos playoffs e a vitória do Bengals, jogando em casa, é mais do que provável.
 
Indianapolis Colts x Kansas City Chiefs, em Indianápolis, sábado, às 19h30
 
O jogo que abre os playoffs será um confronto entre uma equipe que começou muito bem a temporada contra um time que teve grandes momentos, mas que teve a seu favor o fato de estar na divisão mais fraca da Liga, a AFC South, vencendo todos seus seis confrontos dentro dela. O Chiefs chegou a ganhar as nove primeiras partidas, mas, depois disso, só ganhou mais duas. O Colts, por seu lado, venceu San Francisco 49ers (em San Francisco), Seattle Seahawks e Denver Broncos, esses dois últimos, as duas melhores campanhas da Liga.
 
O Colts terá a seu favor o fato de jogar no seu estádio e de viver um melhor momento que o Chiefs. Indianapolis vem de três vitórias seguidas, e seu quaterback Andrew Luck está mais maduro e parece capaz de levar o time a vencer uma partida de playoff, o que ainda não aconteceu na era pós Peyton Manning. Especialmente porque conta com mais uma boa temporada do wide receiver Reggie Wayne e porque o running back Trent Richardson parece ter encaixado seu jogo corrido. A defesa é das melhores da liga também. Já o Chiefs, que começou arrasador com nove vitórias seguidas, vive claramente um momento de declínio. Vem de duas derrotas seguidas e, depois da nona rodada, ganhou apenas duas partidas das sete restantes. Mas, a grande defesa do time, aliada ao jogo corrido de Jamaal Charles pode devolver ao Chiefs as grandes atuações do começo da temporada. De qualquer modo, estar nos playoffs já uma vitória para uma equipe que venceu apenas duas partidas na temporada passada e que, com a chegada de Andy Reid como Head Coach parece ter adquirido novo status na Liga.
 
Palpite: o melhor momento do Colts deve ser decisivo para a primeira vitória de Andrew Luck em um jogo de playoff. O que, se acontecer, mandará o Colts para mais um confronto histórico contra seu ex-quaterbarck Peyton Manning, dessa vez, em Denver, nas semifinais da Conferência.
 
*André Tesser é louco por ‘football’ e amigo do blog.

Acabou o futebol, e agora?! NFL na veia!

Chargers x Broncos: NFL começa a ferver agora

por André Tesser*

Bom Senso FC e discussões por calendário a parte, para muitos, o final do ano é o período de ressaca esportiva pelo recesso da paixão nacional esportiva do brasileiro: o futebol. Com o fim do Brasileirão – ao menos dentro do campo… – e da Copa Sulamericana, os amantes do futebol ficam restritos aos poucos jogos dos Mundial de Clubes ou ainda os Europeus, que o Terra transmite de graça, como o Alemão. O pior mesmo são as peladas de final de ano. Os intermináveis “Amigos de Ghiggia x Amigos de Forlán”, que mais parecem aqueles famosos casados x solteiros que precedem o último churrasco do ano dos amigos.

Uma excelente alternativa é a NFL, a liga profissional norte-americana de futebol. Ao contrário do futebol jogado com os pés, a NFL começa a atingir seu ápice no final do ano, passa ao longo de janeiro inteiro e tem seu clímax com sua final (o Super Bowl, evento esportivo de maior audiência televisiva do mundo) no primeiro domingo de fevereiro.

A temporada regular está terminando e faltam apenas três rodadas para a definição dos playoffs (mata-mata em partida única) e tem sido a mais emocionantes dos últimos anos. Basta dizer que, das 32 equipes da Liga, somente três já têm vaga garantida nos playoffs. E que, das equipes que restaram, 25 de 29 times ainda brigam por um lugar ao sol nas próximas fases.

Ainda, além das brigas pelas vagas nos playoffs, estão em jogo também nas rodadas finais da NFL as melhores posições dentro das duas conferências da Liga (AFC e NFC) que garantem aos times folgas (bye) na primeira rodada das fases eliminatórias e as vantagens de jogaram a partida única de cada fase dos playoffs em casa.

Na temporada regular, dois canais (ESPN e Esporte Interativo) transmitem até quatro jogos por domingo e um jogo na segunda-feira à noite. Mesmo com alguns jogos começando muito tarde (os dois jogos mais importantes da rodada, o Sunday Night Football e o Monday Night Football começam às 23h30’ por causa do fuso horário), a ESPN vem repetindo a transmissão de alguns jogos em horários mais, digamos, acessíveis.

Depois do final do ano (no primeiro fim de semana de janeiro, para ser mais exato), começam os playoffs e todos os jogos dessas fases, incluindo o Super Bowl no dia 02/02/2014 estarão na TV. Vale a pena assistir, porque, verdadeiramente, as fases eliminatórias costumam ser um campeonato diferente da temporada regular. Basta relembrar que os últimos três campeões do Super Bowl não foram as equipes de melhor campanha na temporada regular em suas Conferências. Aliás, sequer foram equipes que conseguiram garantir um bye na primeira rodada dos playoffs.

Então, meu amigo, dispa-se do seu preconceito e se permita (ao menos tentar) curtir o futebol americano. Sente na frente de sua TV com tempo e mente – e algum refresco – abertos. Uma bela cerveja americana (se puder ser uma IPA, melhor ainda) e preste atenção ao jogo, aproveitando as didáticas transmissões para o Brasil. Se você não se viciar na NFL, ao menos não perdeu tempo assistindo “Amigos do Ghiggia x Amigos do Forlán”.

*André Tesser é especialista em futebol americano e amigo do blog

Movimento nos EUA também pede menos futebol… americano

Muitos jogos, muitas lesões, jogos ruins, placares baixos, overdose de jogos na TV. Você tem lido e ouvido muito sobre isso nos últimos dias, desde que a CBF lançou o calendário 2014, inchado ainda mais pela Copa e criticado publicamente por quase toda a imprensa, torcedores e até cartolas e jogadores. Mas desta vez não estamos falando do futebol e sim do football – ou futebol americano, para nós tupiniquins.

Um movimento iniciado a partir de uma crônica do jornalista Dan Levy pede menos jogos na NFL, a National Football League, gestora do esporte número 1 nos EUA. O alvo é claro: o Thursday Night Football, a rodada das quintas-feiras. Lá, como cá, há a influência direta da TV na manufatura da tabela e na sustentação da liga. No entanto, as semelhanças param no nome e nas críticas.

A NFL é a liga esportiva mais bem sucedida no Mundo. Sua decisão, o Super Bowl, detém os recordes de audiência em todo o planeta. O evento foi avaliado pela revista Forbes como o mais rentável e valioso da Terra, acima até de toda a Copa do Mundo de futebol. A temporada de jogos dura apenas seis meses – contra 11 no calendário brasileiro – sendo que o campeão de 2012, Baltimore Ravens, fez 20 jogos para chegar ao troféu. O Corinthians, atual campeão mundial de futebol, fez 59 jogos de janeiro até a partida de ida contra o Grêmio, pela Copa do Brasil.

Os esportes também são bem diferentes entre si. O football tem pouco foot (pé) em relação ao nosso futebol. E é também um esporte de muito mais impacto e lesões. Isso tem feito com que o esporte número 1 dos EUA perdesse muito campo para o esporte número 1 do Brasil dentro de seu próprio território. Um estudo apresentado no livro Soccernomics mostra que muitas mães norte-americanas têm proibido seus filhos de praticarem o futebol americano em função dos machucados constantes e dos preços dos equipamentos para a prática dele. Mas, claro, esse é outro papo.

Levy abre seu raciocínio dizendo: “há coisa mais ridícula do que pedir MENOS futebol”? A ideia é dizer de que o problema não está exatamente na overdose de futebol americano, mas sim na overdose de futebol americano RUIM. Basicamente, a mesma crítica que vem sendo feita no Brasil. Nos EUA, as rodadas são realizadas às quintas, sábados, domingos e segundas. A NFL e todo o esporte norte-americano é pensado em conjunto. Salvo em raros períodos, as ligas esportivas (MLS futebol, MLB basebal, NHL hockey e NBA basquete) não coincidem suas atividades.

No Brasil, o massacre pró-futebol é maior. Ainda assim os analistas acham que a overdose procede. “Não sou fã. Eu sei que é ótimo e isso não levará a lugar algum, vou seguir assistindo, mas não sou um grande fã da necessidade e da competitividade da liga para o Thursday Night Football“, disse o ex-técnico Billy Billick, hoje comentarista da rede de TV Fox, “A liga é míope em relação à saúde dos jogadores”.

A grande curiosidade entre os dois movimentos, brasileiro e norte-americano, é que o torcedor em geral está cansado do que mais ama. E isso por que o produto oferecido não é dos melhores, na contra-partida do crescente preço dos ingressos. Estaduais enfadonhos aqui, jogos ruins lá, na liga milionário americana. O torcedor-consumidor começa a despertar. E filme ruim não dá audiência.

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Começou a NFL, o futebol que é menos foot e nem tão ball

Sim, é futebol

por André Tesser*

A bola oval está voando de volta. Para os fãs do Futebol Americano, a liga profissional norte-americana, a NFL, retomou suas atividades na quinta-feira, dia 05/09/2013, com o jogo envolvendo o campeão do ano passado, Baltimore Ravens e um dos favoritos dessa temporada, o Denver Broncos – que venceu o jogo.

O campeonato da NFL é um dos que mais têm audiência no mundo. Sua final, conhecida como Super Bowl e que acontece sempre no primeiro domingo de fevereiro, é o evento esportivo isolado com maior telespectadores do planeta e tem o intervalo mais caro da televisão mundial. Na última temporada, por exemplo, “apenas” mais de 108 milhões de televisões estiveram ligadas no mundo para o Super Bowl.

O fenômeno explica-se, claro, pelo fanatismo norte-americano pelo esporte, mas também pelos adeptos da liga no mundo. Isso só é possível pelo nível técnico do campeonato, pelas emoções que o esporte proporciona, pela organização do torneio e pela tradição yankee de unir, com maestria, esporte e entretenimento.

A NFL é dividida em duas Conferências: NFC (National Footbal Conference) e AFC (American Footbal Conference). Os times de cada conferência estão espalhados por oito divisões (quatro divisões por conferência), que contam com quatro times cada, o que totaliza 32 times (chamados de “franquias”). Ao final de 16 jogos de cada time na temporada regular, classificam-se aos playoffs das conferências os campeões de cada divisão e mais dois times por índice técnico dentro de cada conferência. Depois, os times enfrentam-se em partida única, sempre na casa do time de melhor de campanha da temporada regular até sair o campeão.

Os dois vencedores das Conferências disputam a final da NFL, o Super Bowl, que acontece também em partida única, em estádio já pré-definido. Em fevereiro de 2014, o Met Life Stadium, em New Jersey, nos arredores de New York, sediará o evento.

Para essa temporada, os especialistas têm apontado alguns favoritos. Na AFC, o título deve ficar entre o Baltimore Ravens (que mantém um time forte, apesar de algumas perdas importantes), o Denver Broncos (que conta com uma dupla no ataque que deve fazer história na Liga: Peyton Manning e Wes Welker) e o sempre forte New England Patriots (que conta com um dos melhores quarterbacks da liga, Tom Brady, também conhecido como marido de Gisele Bündchen).

Na NFC, a disputa deve ser mais acirrada. O Atlanta Falcons (vice-campeão da conferência na temporada passada e reforçado), o Green Bay Packers (com um ótimo ataque comandado pelo excelente Aaron Rodgers e uma boa defesa, com o “lenhador” Clay Mathews), o San Francisco 49ers (que manteve a boa base da temporada passada, com destaque para a defesa com a dupla de linebackers Aldon Smith/Patrick Willys e com o quarterback Colin Kaepernick, que levou o time ao Super Bowl na temporada passada) e o Seattle Seahawks (do talentoso quarterback segundo-anista Russel Wilson e de um dos melhores running backs da liga, Marshall Lynch) lideram os postos de favoritos.

Mas, a Liga sempre reserva algumas surpresas. Se ela vier da AFC, deve ser o Cincinatti Bengals (que se reforçou bem), o Houston Texas (que fez uma bela temporada passada) ou o Indianapolis Colts (que deve crescer na segunda temporada de seu festejado quarterback Andrew Luck). Na NFC, as surpresas podem vir do New Orleans Saints (com a volta seu head coach Sean Payton, que ao lado de seu grande quarterback Drew Brees já levou o time da Lousiana ao título do Super Bowl), ou do sempre perigoso New York Giants (do quarterback duas vezes campeão do Super Bowl Eli Manning – irmão mais novo de Peyton, QB do Denver Broncos).

De qualquer forma, o campeonato promete ser, novamente, dos mais disputados. A temporada relativamente curta e o histórico de lesões na Liga sempre são fatores que colaboram com o imprevisível e é muito normal um time que não faz uma grande temporada regular ser o campeão.

Para quem quiser acompanhar o torneio pela televisão, a ESPN – que transmite o campeonato no Brasil, assim como o canal Esporte Interativo – deve transmitir cinco jogos por rodada: um na quinta-feira, dois na tarde do domingo, um na noite do domingo (o jogo mais festejado da rodada, o Sunday Night Football, que tem a abertura mais legal de qualquer evento esportivo) e um na noite da segunda-feira, o Monday Night Football. Além disso, sempre rolam transmissões especiais (no feriado norte-americano de Thanksgiving – ação de graças, por exemplo), e a ESPN transmitirá também, mais uma vez, todos os jogos dos playoffs, incluindo, claro, o Super Bowl.

Para quem tem conta no twitter, há sempre muita informação quando se segue o @theconcussion e o @oquarterback, além das contas dessa rede social dos narradores e comentaristas da própria ESPN no Brasil.

Se você ainda não é fã da bola oval, sugiro que vgaste um pedaço do domingo assistindo, ao menos, o Sunday Night Football, incluindo a sua abertura. Mas, depois, não me acuse de viciá-lo.

P.S.: obrigado ao amigo Napoleão pelo espaço e pela oportunidade de dividir um pouco nessas linhas, da minha adoração pela NFL.

*André Tesser é advogado, professor de Direito, fanático por Futebol Americano e amigo do blog