Paraná, Paulistão e Botafogo mostram o futuro dos Estaduais

15 mil pessoas viram a virada do Londrina sobre o Atlético no Café

Muito se discute sobre o fim dos Estaduais. As questões são em cima do público, do calendário, das fórmulas cansativas. Para alguns, os Estaduais têm que acabar. 

A premissa está errada; não são os Estaduais que têm que acabar, é o modelo atual de disputa deles que tem que ser urgentemente mexido. E 2014 já deu o tom de como essa mudança deve ocorrer. A final do interior no Paraná. A chegada do Ituano à decisão em São Paulo. A eliminação do Botafogo no Rio. Coincidências que não deveriam passar disso, mas devem ser tratadas de forma diferente. 

Enquanto clubes como Flamengo, Atlético e Botafogo chegaram a levar 500 pessoas em alguns jogos, Londrina e Maringá jogaram para 30 mil pessoas nas semifinais do Paranaense. A vaga do Penapolense nas semifinais significou também a garantia da Série D e de calendário para o time de Penápolis; para o São Paulo, 21 vezes campeão paulista, não significou crise. Nem mesmo para o Corinthians, que bem ou mal ainda vive lua de mel com a torcida após uma era vitoriosa – as eliminações dos rivais amenizaram a pressão, que também foi suave para o Palmeiras. O Botafogo caiu no Carioca e ninguém se importou; para a Cabofriense, foi garantia de calendário. O Coritiba talvez tenha sido o mais pressionado pela eliminação precoce nos Estaduais, mas muito mais pelo fim de uma série vitoriosa. O conceito está mudando: para os grandes, ganhar o Estadual é legal, mas não é vital.

O Atlético iniciou o processo em 2013. Por motivos políticos e técnicos, colocou uma equipe “Sub-23” (de fato, um time com muitos jovens e outros pouco aproveitados nos profissionais) e ainda assim chegou à decisão, com direito a um 3 a 1 no time principal do Coxa no meio do caminho. Perdeu o título, mas as campanhas na Copa do Brasil e no Brasileirão apagaram a derrota. Muito se falou de como o preparo físico dos jogadores do Furacão, poupados de um longo estadual, ajudou em 2013. Para 2014, o Botafogo seguiu o caminho. Priorizou a Libertadores e nenhum Alvinegro se importou com a pior campanha de todos os tempos do Fogão no Carioca. Apesar da situação delicada na competição continental (fruto de outro tipo de desordem, esta nas finanças internas), ninguém duvida que a decisão foi acertada. O Grêmio, mais comedidamente, também deu costas ao Gauchão em muitos jogos e superou com folgas o “Grupo da Morte” na Libertadores. Ainda assim decide o título local com o Inter.

Não é novidade no futebol mundial. Poucos sabem, mas o Barcelona disputa o estadual da Catalunha, assim como o Bayern joga o estadual da Bavária. Ambos com times completamente reservas, formados por jovens que poderão ser utilizados no futuro nos times principais.

É verdade que Atlético-MG e Cruzeiro jogaram o estadual de Minas com força máxima e são os campeões da América e do Brasil. Mas também é verdade que o Mineiro é o mais enxuto de todos os Estaduais do País. Ainda assim, a final entre Galo e Raposa era prevista e, convenhamos, poderia ser antecipada. As rodadas classificatórias foram protocolares. Quem festejou mesmo em Minas foi o Boa Esporte, cada vez mais consolidado como quarta força mineira, com boas campanhas na B e em Minas Gerais. 

Os Estaduais interessam – e muito – para o interior, que tem neles a chance de fazer uma ponte para as divisões do Brasileiro. Para os grandes têm sido um atrapalho. Os torcedores dos grandes não sentem mais as derrotas, pensam muito mais nos confrontos internacionais ou mesmo interestaduais, os clássicos do Brasileirão. Enquanto isso, uma série de times fica sem calendário por 6, 7 meses, acompanhando futebol só pela televisão.

O raciocínio é simples: se um valoriza e outro despreza, que se atendam as demandas. Estaduais mais longos, como base de acesso ao Brasileirão, enquanto os grandes possam se programar para fazer frente aos desafios nacionais e internacionais. E a meritocracia vai estabelecer quais dos pequenos vão mudar de patamar ao longo dos anos. Londrina, Guarani, Juventude, Botafogo-SP, clubes que querem voltar a ter espaço e que precisam de mais atividade ao longo do ano, podem consolidar seus domínios locais sem desgastar a agenda dos clubes da Série A. Vale uma taça extra, como a Supercopa Gaúcha entre Inter e Pelotas? Vale. Uma grande festa de pré-temporada, entre o clube que venceu todos os demais do Estado contra uma força consolidada ao longo dos anos pelo domínio regional, talvez determinada pelo representante de melhor campanha no Brasileirão. Apenas uma ideia.

O fato é que para muitos torcedores dos times da elite nacional, perder o Estadual não tem mais impacto e ganhá-lo pode até ser ilusório. Com a concorrência de Real Madrid, Barcelona, Bayern e outros, os clubes grandes precisam mudar o mercado local. É fácil ligar a TV e ver os gigantes da Europa jogando. E o que impede uma criança brasileira de torcer para um destes, seguindo o mesmo raciocínio do sujeito que mora em cidades sem clubes de expressão e opta pelos grandes do Brasil, sem sequer ter pisado no estádio do seu clube do coração?

A mudança vai exigir paciência dos torcedores, que vão ter de entender que a rotina de levantar taças vai se tornar escassa. Clubes multicampeões estaduais vão ter que, por vezes, se contentar com uma vaga na Libertadores. Só um será campeão do Brasileirão por ano, com outro vencendo a Copa do Brasil.

Mas convenhamos: para o Ituano, ser campeão paulista será um feito histórico; para o Santos, bem conversado, estar na Libertadores seria mais festivo do que vencer o 21o paulista.

Anúncios

Federação Gaúcha usa o marketing e acerta com Recopa

Chamada para o jogo amistoso: FGF criou evento atrativo

Poderia ser só mais um amistoso de pré-temporada no Brasil, algo que vem ganhando força desde o ano passado. Mas a Federação Gaúcha de Futebol foi inteligente e transformou o jogo entre Pelotas e Internacional em um evento, com a criação da Recopa Gaúcha. Nela, o campeão da Supercopa Gaúcha – outra pedida interessante para o calendário – contra o campeão estadual. Uma partida numa segunda-feira, que poderia ser até de portões fechados, com técnicos fazendo várias experiências (o que aliás deve ser feito mesmo assim, especialmente por Abel Braga) tornou-se um evento chamativo.

Apenas o rótulo de “Recopa” e um show no estádio, além, é claro da realização na casa do clube menor, o Pelotas. A cidade terá a chance de ver o seu time contra um dos grandes do Brasil – e valendo taça. Parece bobagem, mas não é.

Federações precisam criar soluções para movimentar seus estados. As poucas boas ideias que aparecem, infelizmente, não perduram. É mais fácil organizar um evento de porte com um gigante como o Inter envolvido, mas soluções como essa podem ser adotadas mesmo sem esse atrativo. Era o caso da interessante e extinta Recopa Sul-Brasileira. Estudos provam que, sim, o brasileiro gosta de ver os grandes jogos dos grandes clubes, mas apoiam os clubes menores da cidade quando envolvidos em disputas locais (o velho cidade contra cidade) ou em jogos interessantes como essa Recopa. É o caso de um Bra-Pel, um Come-Fogo, um Clássico do Café, exemplos de jogos com bom público.

A FGF já havia inovado com as Copas Regionais do segundo semestre de 2013, quando o Estado foi dividido em quatro micro-regiões e os clubes tiveram calendário para se manterem ativos. Significou que equipes como Cerâmica e Novo Hamburgo tiveram como manter seus funcionários empregados por mais tempo. E que Grêmio e Inter puderam usar seus times de base para dar experiência aos garotos. O Inter chegou até a decisão da Supercopa, mas perdeu para o Pelotas, que venceu a região Sul-Fronteira.

Pode ser que na próxima temporada nem Inter, nem Grêmio, estejam na final. Pouco importa, se a FGF ou os clubes souberem vender seus jogos da mesma forma. Como faz o Grêmio, com a “Pré-temporada Topper Grêmio“, sessão de treinos patrocinada. E mesmo sem a dupla, que o evento seja bem planejado como esse entre Pelotas e Inter. Um bom exemplo.

Fracassocracia

Cartolas de futebol em federações estaduais não são conhecidos exatamente por sua genialidade e competência. Mas o Campeonato Pernambucano de 2013 se superou.

Não bastasse a primeira fase com nove clubes que foi na verdade um grande torneio amistoso – em especial para o Náutico, que venceu a fase que premiava o campeão com uma vaga na Copa do Brasil 2014, mas já tem a vaga pelo ranking nacional – as semifinais escancararam duas falhas grotescas, que premiam a incompetência.

Leia também:

Náutico paga pelo calendário ruim

Pela Copa, Corinthians manterá patrocínio mesmo sem receber

Atlético jogará Brasileirão nas casas do Paraná

A primeira delas é por conta de uma interpretação literal do texto do artigo da Fase Final, parágrafo 4o, 2o asterisco. Lá, ipsis literis, está: “Caso uma associação/equipe seja o 4o colocado ao termino do Campeonato (…) e essa associação/clube estiver participando de uma competição nacional de divisão superior à Série D, essa vaga passará para a associação/clube 5o. colocado e assim sucessivamente”. Por isso, caso o Ypiranga chegasse à decisão, sendo vice-campeão, veria a vaga da Série D ir para o 5o colocado, já que estaria eliminando o Sport, que está na Série B. Precisando perder os dois jogos para assegurar calendário nacional, o Ypiranga fez “bem” sua parte na primeira partida, em casa, ao perder por 1-5.

A segunda é mais corriqueira, mas nem por isso menos inusitada: caso o Náutico devolva o placar exato de 1-0 no jogo de volta com o Santa Cruz, a decisão para quem irá a final será pelo número de cartões levados por cada time e, em último caso, sorteio. Enquanto a final prevê terceiro jogo – sem contar o saldo de gols – a semi não prevê nem pênaltis ou partida extra para o desempate.

Em tempo: vice-campeão da primeira fase, o Central de Caruaru pode tentar pleitear a vaga do Náutico na Copa do Brasil, já assegurada também mesmo com um eventual terceiro lugar no campeonato. E o próprio Ypiranga pode fazê-lo, pois será no mínimo 4o colocado.

Tudo muito confuso, com clubes chiando para todos os lados. Mas há um detalhe: todos assinaram o regulamento.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Dois nomes e o fim de um tabu de 16 anos

Terminou em instantes o Paratiba #95. O duelo entre coxas e paranistas teve um Coritiba que só acordou no 2o tempo, guiado por Alex, e um Paraná aplicado, inspirado e que pôs fim a um tabu de 16 anos ao vencer o rival no Couto Pereira. A última havia sido em 28 de julho de 1996, com gol de Ricardinho e tetracampeonato paranaense.

De lá para cá, jogando no seu estádio, o Coxa não conheceu mais derrota para o Tricolor. Do jogo de hoje, com 5 gols e muita movimentação, todos vão falar. Mas o assunto aqui é a coincidência histórica. Naquele dia, como neste domingo, dois nomes estavam em campo.

Toninho era zagueiro do Coritiba vice-campeão de 1996; Alex era o meia daquele time, em seu segundo ano como profissional. Hoje, ambos brilharam, cada um a sua maneira. Mas só um saiu vencedor.

Leia também:

– Paraná Clube na Bolsa de Valores: entenda riscos e possibilidades

– A ‘Alexdependência’ tem outro nome

– Todos atrás do Coxa: guia do 2o turno do Paranaense

Toninho Cecílio, que ganhou nome composto depois de virar técnico, vinha sendo cobrado pela torcida paranista. Armou um time com marcação forte e saída rápida de jogo. Viu sua equipe abrir o placar logo cedo, passou a jogar nos erros do adversário. Conseguiu fazer 2-0 e parecia soberano. Aí apareceu o ex-colega.

Alex era menino no time do experiente Toninho de 1996. Mas já era talentoso. Tanto que já estava na mira do turbinado Palmeiras da Parmalat – o mesmo clube que revelou o técnico do Paraná para o futebol, ainda como jogador. Alex empatou o jogo e poderia até ter virado. Mas o Tricolor jogava nos erros do Coxa. E o Coxa errou mais uma vez. Estava escrito: o Paraná tinha que quebrar o jejum numa ponte entre Alex e Toninho Cecílio.

Nos anos que separaram as últimas duas vitórias paranistas no Couto, Toninho e Alex passaram pelo Palmeiras e pelo futebol do exterior; o ex-zagueiro no Japão, o capitão coxa na Turquia. Cecílio e Alex também defenderam outra equipe em comum: o Cruzeiro. Mas as coincidências param aí: entre 1996 e 2013, Alex chegou a ser capitão da Seleção Brasileira, enquanto o técnico paranista encerrou a carreira no Santo André. Como técnico, ainda constrói uma carreira, depois de tentar ser gerente de futebol; Alex já programou o fim, mas ainda não sabe se seguirá no mundo da bola.

Toninho quebrou o tabu que começou com ele e Alex, que ainda persegue outro tabu: um título com o Coxa. Em 1996, coincidência, o Paraná foi tetracampeão, título que o Coritiba pode alcançar neste ano. Será a chance de Alex desafiar o tempo e a mística do futebol, que se não entra em campo, convence quem é supersticioso.

Abaixo, o vídeo do jogo de 1996:

Todos atrás do Coxa – Guia do 2o turno do Paranaense

O Coritiba já cumpriu 50% da tarefa para conquistar o tetracampeonato estadual. Venceu o primeiro turno e, debates acalorados a parte, manteve-se invicto e garantiu-se na decisão com quatro pontos a mais que o Londrina, vice-líder. O Tubarão vai ter que deixar as queixas de lado a partir de agora: se não garantiu vaga na final, está perto de conquistar vaga na Série D e na Copa do Brasil. O Paraná foi até onde deu, brigando para ficar com o turno; os demais, foram figurantes.

Assim sendo, o que esperar do 2o turno? Haverá final?

O blog analisa o que foi, relembrando a análise anterior e o comparativo do que será daqui pra frente.

Coritiba

O Coxa confirmou o que foi afirmado na previsão do 1o turno:  “é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista.” O fez sem sustos, mas com cobranças. Com 8 vitórias e 3 empates, teve como trunfo a defesa – levou apenas 4 gols – e não o ataque que se desenhava poderoso, com Alex, Rafinha e Deivid. O grande momento foi o 7-0 no Rio Branco. Ainda assim, ficou atrás do Londrina neste quesito. O único, aliás, em que não é o melhor na competição.  “Passamos o primeiro turno ajustando a defesa, agora temos a obrigação de jogar mais”, reconheceu o técnico Marquinhos Santos, em entrevista à Rádio 98.

Repetir o 1o turno pode ser pouco pelas expectativas criadas, mas é o suficiente para ficar com a taça. Abre o 2o turno como favorito a antecipar a conquista sem a necessidade de final – terá 8 dos 11 jogos em Curitiba para confirmar isso.

Paraná Clube

Paraná mostrou brio e alguma técnica; pra título, foi pouco

“A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos”, escrevi antes do primeiro turno. Mantenho: o Paraná corre por fora no Estadual. Mas já mostrou que tem potencial para mais. A foto acima causa arrepios nos tricolores: o jogo contra o J. Malucelli foi polêmico (segue rendendo) e poderia, naquele momento, ter mantido o time na briga pela 1o turno. No entanto, com 5 empates em 11 jogos, mostrou irregularidade. Como quando vencia o Arapongas em casa por 2-0 e viu a asa-negra empatar o jogo, por pouco não virando o placar.

Para o 2o turno, pouco muda: a entrada de JJ Morales deu ânimo novo ao Tricolor, que tem uma defesa interessante e um entrosamento vindo da manutenção de Toninho Cecílio. Se o técnico (que está cotado no Criciúma) ficar, dá pra sonhar. E dá pra brigar pelo acesso na Série B nacional.

Atlético:

Douglas Coutinho, uma das poucas boas novas do Atlético no PR13

O torcedor atleticano deve esquecer a conquista do campeonato estadual. O mantra da diretoria pegou em boa parte da massa: “privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual”, como detalhado no guia do primeiro turno. Uma pré-temporada inédita, com quatro meses sem jogos oficiais – luxo que nem o Barcelona tem, mas esse é outro papo. Para o Paranaense, seguirá o time Sub-23 que foi abaixo da crítica no primeiro turno, amargando um quinto lugar. Seja por questões políticas, seja sob a justificativa de privilegiar o Brasileirão e a Copa do Brasil (a revelia de parte dos jogadores e comissão técnica), o Atlético não quer disputar o Estadual com o time principal.

O elenco S-23, no entanto, apresentou três boas surpresas: Hernani, Douglas Coutinho e Júnior de Barros. Foram as novidades que se salvaram em um time que, já se anunciou, seguirá trabalhando em 2013 em torneios internacionais e que em 2014 deve se manter disputando o Paranaense. Caminho aberto para os rivais serem hegemônicos no Estado – aposta, por outro lado, em um dezembro nacionalmente mais feliz. É esperar pra ver.

Londrina:

Celsinho está realmente aproveitando a chance

O LEC confirmou: “depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha)”. Danilo, Dirceu, Germano, Celsinho e Neílson formam a espinha do principal obstáculo do Coxa na luta pelo tetra. O Londrina foi bem dentro e fora do Café. Teve o melhor ataque (25 x 23 do Coritiba) e a segunda melhor defesa. No entanto, no segundo turno, fará apenas 5 jogos em casa – isso se não pegar nenhuma suspensão pelos eventos na última rodada do turno.

O Londrina já pode dizer que o Estadual foi bom. Se não for um desastre no 2o turno, vai confirmar as vagas na Copa do Brasil e na Série B; retomou o orgulho ao levar 30 mil pessoas no jogo contra o Coritiba; e, mesmo timidamente, pode dizer que brigará pela taça, após 21 anos.

Os demais:

Na categoria “correm por fora”, indiquei 3 clubes que não cumpriram a previsão. O Operário está muito mais próximo de brigar para não cair do que pelo título ou vagas; viveu uma relação bipolar com Lio Evaristo, que pediu demissão, voltou atrás e acabou saindo no final do turno, para chegada de Paulo Turra, que deixou o Cianorte, outra decepção. O Leão ainda reagiu no fim e jogou o Rio Branco na área de rebaixamento. No segundo turno, deve melhorar, mas não brigar em cima. Assim como o Arapongas, que até anunciou que irá parar as atividades ao final do campeonato.

Entre os figurantes, o  J. Malucelli surpreendeu, mas não deveria: é um clube organizado que mantém tudo em dia e dá uma estrutura aos jogadores, ainda que simples. Deve seguir em cima. Toledo e ACP ficaram e ficarão no meio da tabela. Drama vive o Rio Branco, que levou as duas piores goleadas da competição e terá a missão de ser melhor que os rivais que encerraram do 5o (Atlético, 14 pontos) ao seu 11o lugar, com 10 pontos. O Nacional, que em 2012 foi vice da segundona local subindo com o Paraná, já pode planejar a disputa da divisão inferior. Com 1 ponto em todo o turno, precisa de um milagre para escapar – algo como ganhar o 2o turno.

Londrina x Coritiba: rivalidade e boas histórias desde 1959

Eu era pequeno ainda quando entendi a rivalidade que existe entre Londrina e Curitiba no Paraná. Em uma época de férias, nos já distantes anos 80, estava na terra do Café quando me perguntaram de onde eu vinha, na companhia de uma prima do meu pai. “Da capital”, disse, curitibaninho da gema – mas com 8 anos de criação no norte do Paraná. “De São Paulo?”, me questionaram de novo.

O episódio faz tempo e nunca diminuiu o carinho que sempre tive por Londrina e região – afinal, se nasci em Curitiba, tenho pais “pés-vermelhos”. Mas reforçou um sentimento de paranismo que será exaltado como há tempos não se vê nesse domingo, quando a Capital do Café receberá a última rodada do 1o turno do Paranaense, vestida de decisão para coxas e alvicelestes. Não vai ser a primeira entre os clubes, que desde o ano passado têm, ao menos do lado do Tubarão, ainda mais exacerbada a rivalidade.

Coxa, de Carazai, Ivo e Miltinho, venceu a primeira final contra o LEC em 1959

A primeira aconteceu em 1959. O Coritiba venceu a Série Sul e o Londrina, então de Futebol e Regatas, venceu a Série Norte. Foram dois jogos entre as duas equipes – e deu Coxa duas vezes: 3-0 em Curitiba e 2-1 em Londrina. O Coxa seria bicampeão em 1960; o troco alviceleste viria dois anos depois.

O Londrina de 1962, com Gauchinho em campo, vencedor da segunda decisão entre os clubes

Novamente Londrina e Coritiba se encontraram numa final, desta vez em 1962. Era o segundo dos 4 anos em que os clubes do interior levariam a melhor sobre os da capital (Comercial de Cornélio em 61 e Grêmio Maringá em 63-64). Gauchinho, maior artilheiro do LEC com 217 gols, comandou o time em duas vitórias por 4-2, em Londrina e Curitiba. Era a primeira taça do Tubarão.

  • Folclore

Em 1972, o Coxa vivia o segundo ano de sua maior série vitoriosa (hexacampeão) enquanto o Tubarão andava mal das pernas. Nos 4 confrontos diretos, o LEC apenas conseguiu um empate, 1-1, em casa. O Coxa aplicou dois 4-0 e um 3-1. O jornalista J. Mateus, em seu livro “Londrina Esporte Clube 4o anos”, conta que o Tubarão chamou um pai-de-santo para resolver o problema do clube, após uma das derrotas.

“Tem um espírito, de alguém que foi ligado ao clube que está complicando tudo”, disse o pai-de-santo. “É uma dívida que não foi paga. Tem que mandar ele pra outro endereço”.

A diretoria do Londrina marcou a sessão espírita. O então supervisor Murilo Zamboni acompanhou os trabalhos desde às oito da noite até a 1 da manhã.

“Pronto”, disse o pai-de-santo, “agora é só escolher pra quem mandar”. Zamboni sugeriu: “Mande pro Coritiba, que está ganhando tudo!”. O pai-de-santo concordou e começou o despacho rumo ao Alto da Glória.

O Coritiba seria campeão com 31 vitórias em 44 jogos. O Londrina, ao menos, acabaria em quarto lugar.
(adaptação do texto da página 59)

  • Retomada

Londrina e Coritiba retomaram a rivalidade no ano passado. No último grande momento do Tubarão, quem estava mal era o Coxa. Eram o início dos anos 90, o Coritiba amargava um rebaixamento não-concretizado (caiu, mas não jogou) para a Série C nacional em 1990 enquanto o Londrina chegaria ao 3o título estadual em 1992 e ainda seria vice em 93 e 94. Quem reinava era o Paraná.  De 1995 pra cá, o Coxa se reencontrou, mesmo com altos e baixos; foi a vez de o Londrina cair vertiginosamente. Em 1999, quase subiu para a Série A, eliminado pelo Gama-DF; depois, sumiu. Caiu de divisão no Brasileiro até perder a vaga fixa e passou até pela segundona paranaense.

Os encontros de 2012 foram polêmicos. Em Londrina, um empate em 1-1 e muita reclamação em cima de um lance de pênalti a favor do Tubarão não dado em Arthur, hoje no Coxa, pelo árbitro Leandro Hermes – o atacante derrubado, porém, estaria impedido. Em Curitiba, um gol olímpico (leia-se falha de Vanderlei) mal-anulado que rendeu até discussão nos diretórios acadêmicos de física (vídeo da TV Transamérica):

Na história, são 125 jogos: 59 vitórias do Coritiba, 35 do Londrina e 31 empates (incluindo os jogos antes da mudança no nome do Londrina).

Paratiba #94: um clássico como há muito não se vê

Empatados na liderança do Estadual em quase todos os critérios (o Coxa está na frente por ter tomado menos cartões amarelos), Paraná e Coritiba duelam pela 94a vez na história nesse domingo, na Vila Capanema, com um equilíbrio de ambições como há muito não se via.

Sem vencer o rival desde 21/02/2010, quando fez 1-0 em Paranaguá, o Paraná aparece como postulante ao título do primeiro turno – e eventual finalista – o que não acontece desde que foi campeão pela última vez, em 2006. A derrota em Paranaguá também foi a última do Coritiba em clássicos em Estaduais. Desde então, o clube se sagrou tricampeão paranaense, com um título invicto em 2011.

Somando-se a tudo isso, em campo estarão dois dos maiores ídolos de cada clube: Alex, pelo Coxa, e Lúcio Flávio pelo Paraná. O leve favoritismo que o Coritiba poderia ter fica aplacado pelo bom início tricolor e o mando de campo, que equilibra as situações.

Para quem é supersticioso, os vídeos abaixo apontam números desfavoráveis ao Coxa. Com Alex em campo, o Coritiba foi goleado no já distante ano de 1997, última vez em que o ídolo coxa-branca encarou o Tricolor. Alex marcou duas vezes, mas não foi o suficiente:

Lúcio Flávio também já enfrentou o Coritiba em outra época. A partida mais memorável foi em 1999, quando o Paraná, então jogando na Vila Olímpica, aplicou uma goleada histórica, com um time basicamente formado por jovens. Entre eles, o próprio Lúcio Flávio:

As goleadas acima, no entanto, não devem ser parâmetro para o jogo deste domingo, que promete ser equilibrado. Na história, são 35 vitórias do Coritiba, 31 do Paraná e 27 empates.

Com ídolos em campo e equilíbrio na tabela, o Paratiba #94 promete resgatar a rivalidade do clássico, que já foi acirrada nos anos 90, quando os times decidiram por dois anos (1995/96) seguidos o título estadual.