O futuro está em jogo no Brasil

Bandeira do Brasil
O final de semana será decisivo no Brasil. Na verdade, nesse tipo de disputa, a posição é ganha dia após dia. Mas é inegável que o momento do embate direto é o que conta. Por isso, quando o mineiro de azul encarar a força vermelha, dada a situação apresentada até aqui, estaremos provavelmente vendo quem de fato será o número 1 no País.

Muito aconteceu até aqui para que o quadro se desenhasse assim. Antes do duelo azul e vermelho, uma terceira força se apresentou bem como opção. Parecia que iria desbancar a força mineira, mas acabou cercada por todos os lados, até por gente da mesma origem. Perdeu espaço para os pequenos após se sobressair aos azuis. Pode ainda surpreender, mas parece cada dia mais que a polarização nesse 2o turno será mesmo entre antigos rivais, que decidiram a parada no passado.

No âmbito estadual também há bons duelos. No Paraná, por exemplo, o mais velho encara o mais novo num cenário desfavorável para ambos. Um anda extremamente desgastado, apesar de um passado que lhe dá respaldo. Ninguém – ou quase ninguém – acredita mais na força do mais antigo nessa disputa. Isso porém não o descarta como possível vencedor nesse final de semana. Afinal o mais novo também não passa confiança, apesar de estar à frente. A juventude e a inexperiência têm sido adversárias deste concorrente. Instável, tem méritos e deficiências que confundem quem o avalia, sem saber ao certo se entrega realmente tudo o que promete.

Essa disputa ainda tem um gaúcho atrevido e um verde que ganhou destaque nessa semana. O primeiro passou a incomodar surpreendentemente vencendo algum descrédito. O segundo chamou a atenção já na quinta, com uma postura firme num embate isolado sobre um tema indigesto. Além destas decisões, outras em menor escala vão desenhar todo o panorama para o futuro. Posições importantes no cenário nacional, com representatividade em todo o Brasil, que podem melhorar a imagem do País no exterior.

Assim, quando Cruzeiro e Inter jogarem no Mineirão, o futuro do Brasileirão estará em jogo. Como em 1976, quando decidiram o campeonato. O São Paulo, terceiro colocado, espera pelo tropeço do líder, mas já não se apresenta como o protagonista para a briga pelo título. Perdeu para o Corinthians, deixou pontos em Curitiba e com Flamengo e Fluminense. Na outra metade da tabela, Coritiba e Atlético fazem um clássico longe dos olhos da grande mídia, mas cheio de rivalidade. Atleticanos e coxas, especialmente os primeiros, esperavam estarem em melhor situação. O que ambos encaram é menos do que gostariam e mais complicado do que parece. O centenário Coxa quer deixar a lanterna e buscar alívio nesse segundo turno; o renovado Furacão não quer nem pensar em prorrogar a disputa contra a queda. Pouco pra quem pensou em G4.

O Grêmio recebe o São Paulo pra seguir vencendo o descrédito em seu time e principalmente em seu técnico. Falar em título pode ser utópico, mas a despeito do trabalho anterior na Seleção, ninguém pode negar que Felipão acertou o time. Já o Palmeiras finalmente goleou na competição, fazendo 4-2 na abertura da rodada em cima da Chapecoense, na briga contra o indigesto Z4. A rodada ainda tem gente brigando no meio da tabela, sonhando com Libertadores e se dividindo com a Sul-Americana, num momento em que o futebol brasileiro vive total descrédito aos olhos internacionais. Pontos corridos são assim, cada rodada é decisiva. Nesse final de semana não será diferente.

Poderia ser política, mas é futebol.

Paulo André: “O futebol brasileiro vai de mal a pior”

Paulo André, cabeça pensante no futebol brasileiro

Passada a eliminação do Cruzeiro na Libertadores, a última entre as seis que os brasileiros viveram nessa edição, um dos principais articulistas de um movimento de renovação no futebol brasileiro aceitou o convite do blog para falar do futuro do esporte número um no país. O zagueiro Paulo André, ex-jogador de Guarani, Atlético Paranaense e Corinthians, mudou de endereço, mas não de pensamento. Atualmente no Shanghai Shenhua da China, Paulo André defende que o Bom Senso FC, movimento do qual faz parte, não sumiu e sim mudou de estratégia. Não vê legado da Copa além dos estádios e sentencia: o futebol brasileiro quebrou. Leia a entrevista:

Napoleão de Almeida: A Copa está chegando, esse é um ano eleitoral. Difícil desassociar. Mas, noves fora as jogadas políticas, a Copa trouxe ou trará, para os profissionais do futebol, alguma melhoria efetiva? Como você vê a realização da Copa aqui na posição de quem faz o espetáculo?

Paulo André: Acredito que os novos estádios, apesar de tudo, serão o único legado estrutural que a Copa deixará. Isso fará com que a transmissão dos jogos e a experiência do torcedor que frequenta estádios no Brasil melhore bastante. Mas no fundo, e é triste assumir isso, acho que o Brasil apenas mostrou a sua cara, a sua falta de organização e de planejamento históricos e sua mania de tentar resolver tudo com o jeitinho. Decisões políticas e não técnicas fizeram com que perdêssemos a chance de acelerar o desenvolvimento de políticas públicas que impactassem diretamente no dia dia dos brasileiros que viverão aí (porque estou na China) após o dia 12 de julho.  As prioridades da população ficaram evidentes nas manifestações populares de junho do ano passado. A nós, resta devemos cobrando transparencia, eficiencia e punição caso seja constatada corrupção.

NA: Você faz parte do Bom Senso FC, mas o movimento parece ter perdido força com a sua saída do Brasil. Acaba que ficou a imagem de que você era a cabeça do movimento. É uma premissa verdadeira? Onde estão os demais, uma vez que os pedidos e sugestões a CBF parecem não ter tido efeito?

PA: O Bom Senso continua forte e trabalhando, a ponto de ter influenciado os rumos e as alterações promovidas pelo Dep. Otávio Leite no texto do Proforte. Sete das nossas 8 demandas de Jogo Limpo Financeiro estão comtempladas na proposta. Ou seja, encontramos outros caminhos para fugir da inoperancia e do desinteresse da CBF que, irritantemente, mantem sua política de tentar distrair e enfraquecer as demandas do movimento por meio do desrespeito aos principais atores do futebol nacional. É triste ver como tratam esse patrimônio do povo brasileiro que vai de mal a pior a cada ano que passa.

NA: Certa vez, em entrevista aqui ao Terra, o presidente do Atlético Paranaense, seu ex-clube, ironizou o movimento Bom Senso FC dizendo o seguinte: “Interessante eles (jogadores) se articularem agora, pois sempre quando precisa-se de uma renovação de contrato, nenhum conversa comigo. Mandam seus representantes”. É notória a presença dos empresários no futebol. Há quem diga ainda que só mudou o “dono” do jogador: do clube para o empresário. Como você vê essa crítica e por que o jogador raramente se faz representar?

PA: Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Admiro o Presidente Mario Celso Petraglia mas acredito que ele tenha sido infeliz nessa declaração. As negociações entre atletas e clubes não são simples e um representante, muitas vezes, se faz necessário para evitar desgastes importantes nesse tipo de discussão. É muito simples regularizar e fiscalizar as pessoas que querem ser empresários ou donos de “pedaços” dos atletas. Basta vontade política da CBF, dos clubes e de uma legislação mais específica. Mas aonde é que os dirigentes vão ganhar dinheiro se fecharmos com fiscalização e transparência essa torneira de compra e venda de jogadores? Há interesses obscuros de todos os lados nessa história. Não é tão simples assim. E outra coisa: Aos empresários só foi possível entrar nesse jogo porque os clubes, mal geridos, gastaram mais do que podiam e começaram a vender parte de seus bens. Do jeito que está não tem mais volta, virou uma zona.

NA: Teremos mais jogadores da MLS na Copa do que jogadores atuando no Brasileirão. Da mesma forma, o público médio nos EUA é maior do que o nosso aqui. Quando deixamos de ser o País do Futebol, perdendo até para um país em que o ‘soccer’ é o 5º ou 6º esporte na preferência popular?

PA: É o que temos falado nos últimos tempos. Na primeira reunião do Bom Senso com a CBF, o Juninho Pernambucano e o Seedorf foram claros nesses pontos e pediram que o Marin e o Marco Polo tomassem providencias. Os jogadores já perceberam, os treinadores já sabem, os outros países continuam vendendo um produto melhor que o nosso. Mas o pior cego é aquele que não quer ver. O Sr. Marco Polo del Nero e o Sr. Marin estão apostando todas as suas fichas no sucesso da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Gostaria que eles viessem a público e explicassem qual é o projeto para o nosso futebol. Como eles fortalecerão os clubes? Como eles internacionalizarão as marcas? Mas é impossível tocarem nesses assuntos porque desconhecem a solução. O talento brota da terra e os “poderosos” o exploram a torto e a direito. E enquanto isso acontece, nenhum clube brasileiro se classificou para as semi finais da Copa Libertadores. Isso é possível? Mesmo tendo uma receita 2 ou 3 vezes maior do que qualquer clube sul americano, ficamos de fora. O que mais precisa acontecer?

NA: O ‘Fantástico’ deste último domingo revelou um esquema de cambistas para ingressos da Copa. Antes, o ‘Olé’ da Argentina já havia denunciado um esquema que envolve organizadas. É muito dinheiro rolando. O torcedor está longe dos estádios, os jogadores são pouco ouvidos, os cartolas de clubes argumentam que o voto não é qualificado na escolha de uma presidência de confederação. Quem, afinal, é o dono do futebol brasileiro?

PA: O grande vilão é o estatuto da CBF que potencializa a força das “inuteis” federações. A maioria dos presidentes das federações se eterniza nos cargos e não fará nada para mudar essa realidade. É só ver os 5 vices da CBF que acabaram de se eleger. A quanto tempo cada um deles está no cargo? Para eles o importante é permanecer lá. Ninguém quer saber da capacitação dos treinadores e dos gestores, de medidas para trazer a paz aos estádios, de um novo calendário para o futebol nacional, do jogo limpo financeiro, da formação de atletas, da melhoria do nível técnico dos campeonatos, etc.. E assim vamos vivendo nessa ditadura mascarada. E a Globo, habilidosamente, se aproveita da fraqueza e do medo dos presidentes de clubes para controlar financeiramente o futebol.

NA: Ainda sobre torcidas organizadas: na final da Copa Itália, um incidente com os Ultras quase impediu a realização do jogo entre Napoli e Fiorentina. Jogadores tiveram de pedir permissão para começar a partida. Pelo visto, não é um problema exclusivo do Brasil. Qual o panorama que você encontrou na China? Quais as diferenças de organização para cá, por exemplo? E mais: vocês do Bom Senso FC têm/tiveram contato com atletas em outros países com problemas parecidos, como a Itália, para troca de experiências?

PA: Acho que a China é um caso a parte devido ao aspecto político do país. Se formos nos espelhar em alguém, devemos copiar o modelo inglês que quase erradicou a violência nos estádios de futebol no país. Fizeram isso há mais de 20 anos, obtiveram sucesso. O que estamos esperando? Com as novas arenas e sem uma nova regulamentação, verdadeiras catástrofes poderão acontecer.

NA: Estádios sem alambrados na Copa. Vocês, jogadores, se sentirão seguros para jogar nesse formato em partidas de clubes? Especialmente após o episódio do CT do Corinthians?

PA: Acho que falei sobre isso em respostas anteriores. Se não surgir um plano emergencial para esse caso, a impunidade, costumeira no país, ocasionará uma grande catastrofe. Clubes, Federações, torcidas, poder público e governo devem enfrentar seus demonios e arrumar a casa. Mas em ano de eleição isso será impossível. Ninguém mexerá nesse vespeiro.

NA: Por falar em seu ex-clube, quando da queda de produção do Corinthians em 2013, na sua visão, isso aconteceu por que o time atingiu o topo? Existe ciclo e validade no futebol profissional? Ou o problema foi outro?
PA: Acho que há uma complexidade em um grupo de futebol profissional que pouca gente consegue explicar. É como um organismo vivo que sobrevive em constante adaptação. Quando se acomoda, corre riscos de não evoluir. Se todos os envolvidos ou pelo menos os que lideram não se prepararem para os perigos e dificuldades do dia seguinte, as coisas começam a sair do eixo. Resumindo, faltou capacidade para antecipar os problemas e se preparar para o futuro de forma menos traumática.

NA: Nessa linha, pergunto: o Brasil está preparado para perder a Copa em casa? 

PA: O futebol não passa de um jogo, de um esporte apaixonante. Torço pela Seleção e espero que os jogadores tenham sabedoria para aguentar a pressão que será gigantesca. Para mim, o importante é ver a seleção jogar o verdadeiro futebol brasileiro, que alegra e encanta o mundo todo. O resto é consequencia.

NA: Roberto Dinamite é o único ex-jogador que ocupa um cargo de presidente em um dos grandes do Brasil – e podemos até contestar a gestão dele. Você se vê nesse perfil? Gostaria de ser presidente de algum clube? Qual? E como se preparar para isso?

PA: Não sei o que será de mim amanhã. Desisti de pensar nisso. Vivo um dia de cada vez. Uma coisa é certa, independente do que eu decidir fazer, irei me preparar da melhor forma possível. Platini, Cruiff e tantos outros ex-jogadores alemães são referencias de pós atletas bem sucedidos além dos gramados.

NA: Ituano campeão paulista. Em conversas com jogadores e o técnico deles, percebi que o grande segredo do time foi ter salários em dia; desde quando a obrigação se tornou trunfo?

PA: Hahaha, nem me fale um negócio desse. Esse buraco é mais fundo do que voce imagina. O futebol brasileiro quebrou.

NA: Como vê a situação do Guarani, clube que te formou na base?

PA: Com tristeza. O Guarani sempre apostou em suas categorias de base para superar os grandes desafios. Na atualidade, Edu Dracena, Renato, Elano, Jonas, Mariano e tantos outros foram formados no Brinco de Ouro. Mas o clube não soube lidar com as alterações da lei Pelé, foi mal assessorado, mal gerido e fracassou na última década. É preciso ter os pés nos chão e recomeçar do zero. Repetindo os mesmos erros não se chegará a lugar nenhum.

NA:  Tendo jogado em vários centros no Brasil, você vê, no modelo atual, “risco” de Espanholização no futebol brasileiro? É possível que dentro de algum prazo tenhamos dois ou três clubes apenas disputando títulos por aqui? E a palavra risco é a mais adequada mesmo?

PA: Não acredito que isso aconteça no Brasil. Mas acho que os clubes médios e pequenos devam se unir para evitar esse cenário. O modelo ingles e o frances de divisão de receita da TV me parecem os mais justos e, de certa forma, premiam o mérito da boa gestão e do resultado esportivo. O povo brasileiro não vai para o estádio para ver um espetáculo, vai para ver o seu time ganhar, ser campeão. Se essa possibilidade se tornar quase impossível, o futebol europeu vai ganhar ainda mais aficcionados no Brasil.

Números mostram: Brasileirão é o melhor campeonato do Mundo

Barcelona campeão: roteiro previsível na Espanha

É final de temporada na Europa e os campeões nacionais vão saindo, bem como os rebaixados. Enquanto o Brasileirão ainda engatinha, campeonatos de ponta como os da Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, se ainda não terminaram, estão em vias de. Se é verdade que os estádios são muito mais confortáveis que a imensa maioria no Brasil, e que os torcedores lá estão mais próximos dos grandes craques, lotando as arquibancadas, é verdade também que os roteiros na Europa são quase sempre repetidos. Enquanto isso, no Brasil, os números mostram que o Brasileirão segue imprevisível. Se os espetáculos não são os que o torcedor queria ver (e será que todo Málaga x Valladolid é um jogão?) ninguém pode negar que o Brasileirão é o melhor campeonato do Mundo. Pelo menos por enquanto.

A razão é uma só: equilíbrio. A despeito da distribuição desigual de renda entre os 20 clubes no Brasil, nenhum outro campeonato de ponta no Mundo tem a pontuação tão achatada quanto a do Brasileirão. A linha de corte de rebaixamento é a mais difícil de ser atingida em todo o planeta. E o revesamento entre os campeões só é igualado pela França e superado pelo da Argentina, com dois campeonatos anuais.

Nos últimos 10 anos o Brasileirão consagrou o sistema de pontos corridos. E a partir dele é possível sim fazer uma comparação direta com campeonatos no mesmo formato e com o mesmo número de clubes, casos da Espanha, Itália, Inglaterra e França. Sempre se falou que o Brasileirão começa com 20 favoritos (uma meia-verdade) e que qualquer um podia ser campeão, o que mudou um pouco com o fim do mata-mata. Mas ainda assim, é o campeonato menos previsível entre os principais.

Apesar de o Campeonato Espanhol desta temporada chegar a última rodada com um duelo direto entre Atlético de Madrid e Barcelona, nos últimos 10 anos, o Barça levantou 6 taças, enquanto o Real Madrid ficou com 3. Se der Atlético, será a primeira vez, desde a temporada 2003/2004, que outro clube que não Barça ou Real fica com o título. O intruso foi o Valencia. Na Inglaterra apenas três torcidas gritaram “é campeão” nos últimos 10 anos. Manchester United (5 vezes), Chelsea (3) e Manchester City (2) são os privilegiados. Na itália, o mesmo: a Inter foi campeã em 5 dos últimos 10 campeonatos; a Juventus levou 2 (perdeu outros 2 na justiça) e o Milan levou 1, sendo que o campeonato 2004/2005 foi impugnado sem que um clube ficasse com a taça. Quatro alemães revesaram-se no título, com o Bayern (6) sobrando contra Borussia Dortmund (2), Wolfsburg (1) e Stuttgart (1). 

Na Europa, apenas os franceses têm um nível de imprevisibilidade igual ao do Brasil. São seis campeões nos últimos 10 anos, com o Lyon tendo perdido a hegemonia após sete títulos consecutivos, quatro dos quais dentro do período estudado de 10 anos. O PSG, com duas conquistas, é o atual dono da taça. Montpellier, Lille, Bordeaux e Olympique Marseille foram os outros campeões. Com dois campeonatos anuais, a Argentina viu 8 campeões nos últimos 10 torneios. O Vélez foi quem mais ganhou (3 vezes), com uma conquista para Newell’s, Arsenal, Argentinos Jrs., Boca Jrs., San Lorenzo, Estudiantes e Banfield. No entanto, o formato do Argentino é diferente do Brasileirão, que viu seis clubes se revezarem como campeões nacionais, glória que coube a São Paulo (3 vezes), Fluminense e Corinthians (2 cada), Santos, Cruzeiro e Flamengo (1 cada).

Se em cima há um revezamento muito maior no Brasileirão, o que realmente mostra o equilíbrio do campeonato nos últimos 10 anos é a linha de corte para a queda. Os clubes brasileiros são obrigados a pontuar mais que os europeus para não caírem para a Série B. Aqui, uma ressalva: estudando somente os principais campeonatos que tem 20 clubes, é preciso dizer que os europeus rebaixam apenas três clubes por ano – no Brasil são quatro. Assim sendo, para efeito de comparação, a análise incluiu também a pontuação para o 16o. colocado, o que seria a linha de corte no Brasileirão.

Um clube brasileiro precisa fazer em média 45 pontos para não cair. Isso equivale a 15 vitórias em 38 jogos, um aproveitamento de 40% nos jogos. E pode piorar. Em 2009 os 45 pontos não livraram o Coritiba do rebaixamento, já que o Fluminense fez 46. Em qualquer outro campeonato de ponta com 20 clubes, seria indice suficiente para não cair. Na França, em média, um clube escapa com 43 pontos ou menos. Neste ano, faltando uma rodada para acabar a competição, o primeiro rebaixado não ultrapassará essa marca. Na Espanha é preciso menos: 41 em média, sendo que é possível que o primeiro não rebaixado de 2014 fique com 40 pontos. Na Itália o Chievo livrou-se da queda com míseros 33 pontos. Se a linha de corte for puxada para uma posição a mais, 34 pontos seriam suficientes para evitar a queda. Na média, os italianos que fizeram 40 pontos nos últimos campeonatos permaneceram na Série A. E no decantado Campeonato Inglês o índice é o menor de todos. Com 39 pontos em média, um aproveitamento de 34%, um clube pode escapar da queda – incluindo a linha de corte para 4 rebaixados. O West Bromwich evitou a degola com 36 pontos na atual temporada.

Uma das razões para que o Brasileirão ainda não tenha caído na monopolização de poucos, casos da Espanha e da Inglaterra, é o fato de o País ser formador de craques. Enquanto os grandes europeus levam vantagem sobre seus rivais ao mostrarem poderío financeiro, no Brasil uma peça pode ser substituída com maior facilidade. O desempenho recente de Henrique no Palmeiras, após a saída de Alan Kardec para o São Paulo, é a prova. Um clube mais forte financeiramente tira do rival uma peça importante, substituída por outra, mais barata, mas com eficiencia parecida (três gols em três jogos). Da mesma forma em que o investimento na base faz com que clubes como Santos e Atlético Paranaense permaneçam competitivos contra equipes que ganham de 3 a 5 vezes mais. O ano de exceção do Altético de Madrid não é garantia de inclusão no rol dos frequentes campeões espanhóis dos últimos anos. Um encaixe de uma boa equipe, com o técnico certo e em um ano abaixo da média para Barcelona e Real Madrid pode dar aos Colchoneros duas conquistas históricas – mas vale dizer que, apesar da temporada fabulosa, o Atlético madrilenho pode perder os dois títulos justamente para seus dois maiores algozes.

Para ser de fato o melhor campeonato do Mundo, o Brasileirão precisa tratar melhor seu público, a começar com o respeito ao torcedor, algo que as novas arenas podem trazer. Precisa incentivar a disputa, melhorando a distribuição de renda entre os clubes. E precisa pensar o futebol de clubes tanto quanto valoriza a Seleção. O potencial está aí, traduzido em números. Basta querer.

Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

Fatos do Tapetão 2013-14

Ou: Por que você deve se preparar para um Brasileirão 2014 com mais de 20 clubes.

André Santos foi expulso contra o Atlético na final da Copa do Brasil e atuou pelo Flamengo na última rodada do Brasileiro em 06/12/13, contra o Cruzeiro, no sábado, em jogo antecipado.

Héverton entrou no segundo tempo do jogo da Portuguesa contra o Grêmio na última rodada do Brasileiro; foi expulso após o final da partida contra o Bahia, duas rodadas antes.

Ambos foram denunciados na quarta-feira 09/12/13 pelo STJD.

– Héverton e André Santos foram julgados e punidos na sexta-feira. Héverton pegou dois jogos de suspensão por ofensas à Ricardo Marques; André Santos pegou um jogo e a imprensa noticiou, caso do Jornal Lance!.

– A CBF não publicou as penas de Héverton e André Santos ainda na sexta 05/12/13, fazendo-o apenas na segunda 09/12/13.

– A publicação das penas de clubes e atletas é lei federal que consta no Estatuto do Torcedor desde 2010:

– O STJD acatou as denúncias e puniu Flamengo e Portuguesa com a perda de quatro pontos cada com base no CBJD. A decisão foi mantida no pleno.

– Com a perda dos pontos, o Fluminense acabou se safando do rebaixamento para a Série B brasileira.

– Vários torcedores de Portuguesa e Flamengo – e mesmo um do Santos – entraram na Justiça Comum contra a CBF, com base no Estatuto do Torcedor; alguns pedidos foram rejeitados, outros acatados.

– MP-SP abriu inquérito para saber porque a CBF não informou à Lusa e Fla das suspensões. A previsão de termino das oitivas é 22/01/14.

– Havia um delegado da CBF em cada um dos jogos, Fla e Lusa, na última rodada do Brasileirão. Os mesmos não evitaram ou alertaram técnicos/clubes da irregularidade dos jogadores.

– A CBF tem por obrigação divulgar a tabela dos campeonatos que organiza até 60 dias antes do primeiro jogo. O Brasileirão 2014 tem início previsto para 19/04; sessenta dias antes será 18/02.

– A Justiça de São Paulo concedeu liminar obrigando a CBF a devolver os pontos de Fla e Lusa com base no Estatuto do Torcedor, o que rebaixa o Fluminense novamente.

– Um torcedor do Fluminense conseguiu, em um Tribunal Especial do Torcedor no Rio, uma liminar que obriga a CBF a cumprir a decisão do STJD.

– Agora, existem decisões conflitantes nesse caso. O STJ precisa definir o local único dos julgamentos.

– Na mesma linha, torcedores do Vasco pedem a anulação da partida com o Atlético por considerarem que não havia segurança na Arena Joinville em várias praças do País. A Justiça do Mato Grosso já rejeitou um dos pedidos.

– O vídeo abaixo mostra que o pedido dos torcedores do Vasco contradiz o pedido, uma vez que a invasão parte da torcida cruzmaltina:

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– Cada tribunal terá que decidir se acata ou não os pedidos vascaínos; caso sim, a nova composção pode rebaixar Fla, Flu e/ou Lusa, conforme as decisões acima; o Atlético seguiria na Libertadores com ou sem os pontos da vitória por 5-1.

– A CBF contratou o advogado Carlos Miguel Aidar para defender-se no MP-SP e contra as liminares no Estado de São Paulo.

– Aidar é um dos fundadores do extinto “Clube dos 13”.

– A Fifa proíbe que as associações nacionais entrem/acatem decisões na Justiça Comum, sob pena de desfiliação de clubes/federações, como mostram as imagens abaixo:

– A Copa do Mundo Fifa 2014 será no Brasil.

– Em 1993 o América-MG foi punido com dois anos fora de qualquer competição nacional por acionar a CBF na Justiça Comum.

– Em 2000 o Gama venceu a CBF no “Caso Sandro Hiroshi x Botafogo” em todas as instâncias. A CBF se declarou incompetente para organizar o Campeonato Brasileiro, avisou a Fifa e não realizou a competição.

– Em 1987, a CBF rompeu com o Clube dos 13 e depois voltou atrás. É por isso que há dois campeões nacionais: Sport (CBF) e Flamengo (C13). A Fifa e Conmebol reconheceram o campeonato da CBF e Sport e Guarani jogaram a Libertadores 1988 – mas essa é outra longa discussão.

– O Brasileirão 2000 foi substituído pela Copa João Havelange, organizada pela Clube dos 13.

– A Copa João Havelange teve três divisões e quatro módulos. No principal, a Série A, estiveram:

Remanescentes da Série A 99

Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo*, Corinthians, Coritiba, Flamengo, Grêmio, Guarani, Internacional, Juventude*, Palmeiras, Portuguesa*, Ponte Preta, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

*Clubes que seriam rebaixados não fosse a implementação da média de pontos

Ascendentes na Série B 99

Goiás (campeão) e Santa Cruz (vice).

Convidados do Clube dos 13

Bahia (3o na B-99), América-MG (7o na B-99) e Fluminense (1o na C-99).

Ganhou vaga na Justiça Comum:

Gama.

– Na ocasião, os únicos rebaixados de fato foram Paraná (17o de 22 em 99, não caíria não fosse a média) e Botafogo-SP (caíria nos dois regulamentos).

– A CBF, posteriormente, retomou o comando da competição para 2001 e reconheceu o Vasco como campeão brasileiro 2000.

– Juristas experientes, como Ives Gandra, sugerem à CBF uma solução consciliatória. O ex-presidente do STJD, Rubens Approbato, fala em paralisação geral do Brasileiro se a decisão do órgão que presidiu não for acatada.

Tire suas conclusões.

‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.