Em patrocínio inusitado, Organizada devolve ao clube o que ela mesma tira

A camisa do Paraná, patrocinada pela "Fúria Independente": mão invertida

O inusitado patrocínio da torcida organizada “Fúria Independente” ao Paraná Clube é caso para ser estudado à fundo e deixar todos, especialmente o torcedor comum, de olhos bem abertos.

Não vou entrar nos méritos da possível ingerência da TO no clube pois, além de suposição, é também óbvio que ela já aconteceria mesmo sem o patrocínio. Torcidas Organizadas tem poder de milícia, vigiam a vida de jogadores e dirigentes (imprensa também), normamente de maneira pouco cordial. Duas derrotas e se pede a cabeça de todo mundo. Ou quase: existe quem se proteja pagando um soldo às mesmas. Vale para todas. Seguindo essa lógica, é melhor então que as cobranças acompanhem um repasse financeiro ao clube, no melhor estilo “paguei, cobrei”, já que fariam de qualquer maneira – o histórico não me desmente.

O que chama a atenção é a relação comercial entre uma empresa com CNPJ e tudo mais – no caso, a “Fúria” e um clube de futebol que tem no anunciante um concorrente direto.

Sob a justificativa de que “apoiam incondicionalmente” e “estão juntos em todos os momentos”, as Organizadas se sentem um pouco donas de seus clubes. Assim, se apoderam das marcas dos mesmos, usando isso como fonte de renda. Explicando melhor: para qualquer torcedor, é mais barato comprar uma camisa ou um agasalho da torcida organizada do que investir nos (caros) materiais oficiais do clube do coração. Uma camisa da “Fúria” custa R$ 80 (R$ 70 para sócios da torcida em dia – outra concorrência interna, tratada a seguir) enquanto a camisa oficial sai por R$ 129,90. São 49,90 de diferença, podendo chegar a R$ 59,90.

Para um torcedor menos abastado, a simbologia é a mesma. Perante os amigos, ele marca sua paixão pelo clube e ainda ganha o “bônus” de se dizer pertencente à uma facção – o que no futebol significa respeito. O símbolo do Paraná Clube – e de tantos outros – está presente na camisa que, curiosamente, é sempre desvinculada pelas diretorias das TOs em episódios de violência. Além das camisas, as organizadas vendem outros artigos, como copos, bonés, etc. Tudo, claro, sem repasse de royalties.

O desconto para o sócio da torcida é outra concorrência desleal, que vampiriza o clube. O Paraná Clube hoje tem cerca de 4 mil sócios do futebol (há também sócios do clube social); a “Fúria” tem 15 mil cadastrados, com 500 em dia. Não obtive informações de quantos são sócios de ambos, mas, para ser sócio da torcida, são três planos: Ouro, a R$ 1000, Prata, a R$ 500, e Bronze, a R$ 100. Uma vez pago o valor, a manutenção custa R$ 10/mês. Já o Paraná Clube cobra R$ 80 reais a mensalidade para torcedores que queiram ficar no mesmo local da TO no estádio – a Curva Norte. Para contribuir com ambos, é necessário desembolsar uma média de R$ 170 por mês no melhor plano. Ou quase 1/3 do salário mínino, custo para poucos. Em número de sócios, cerca de 15% de perda associativa para a TO. Aqui, cabe uma ressalva: a “Fúria” garante que repassa 50% do valor de sua associação para o próprio clube. Não há confirmação se há relação direta com cessão de ingressos. Os benefícios são descontos em produtos e viagens e participação em festas – outra fonte de arrecadação.

Ao pagar R$ 50 mil para o clube, por dois jogos (Sport e Guaratinguetá), a “Fúria” passa o recibo de ser colaborativa mas, na verdade, apenas está devolvendo ao Paraná o que ela mesmo tira. É uma mão invertida. Ela está pagando agora o benefício de usar a marca do clube por tanto tempo. Não sem antes aproveitar para ela mesma se divulgar.

Após as entrevistas do técnico Dado Cavalcanti e do presidente em exercício Paulo Cesar Silva, de que o clube está sem dinheiro e precisa de toda a ajuda possível para se manter, é difícil condenar a ação da TO. No entanto, é preciso refletir o quanto a própria (e todas as outras) colaboram para que os clubes arrecadem menos e estejam em situação financeira precária.

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Abrindo o Jogo da Série B – guia do acesso

“É o Palmeiras e mais três.” Você vai cansar de ouvir essa frase até o final do ano, quando se falar na Série B do Brasileiro. E ela tem muito fundamento: o Palmeiras é o time que mais recebe da televisão e em patrocínios e é, ao lado do Sport, um dos campeões brasileiros na Segundona neste ano. Ambos têm obrigação de subir. Então seria o “Palmeiras, o Sport e mais dois, certo?” Não. O dinheiro fala mais alto, mas a Série B é cheia de armadilhas.

Uma delas é a montagem do elenco. Time bom ganha em qualquer campo, mas não espere moleza se o espírito dos jogadores não estiver no clima de encarar viagens de ônibus até Varginha e Juazeiro, por exemplo. Além disso, o Palmeiras é o milionário (mesmo com dívidas) o Sport não: é mais rico que boa parte dos times, mas não muito mais que Ceará, Atlético-GO, Figueirense e outros. Por isso, ambos têm obrigação de subir, mas a do Sport é menor. E também por isso, não se espante se o Palmeiras não subir campeão.

A Série B tem times acostumados à competição e que também querem seu lugar ao sol. Forças regionais, como Paraná, Avaí e Paysandu, podem chegar. Outros podem tirar pontos preciosos nessa caminhada, como os Américas Mineiro e Potiguar e o Joinville. Mas, não se pode negar, existem sim as babas. Jogos em que os pontos são praticamente certos – o que não deixa de ser um perigo se houver desatenção. A Série B mudou muito desde que o Palmeiras a venceu em 2003 – e pra melhor. Mas para defini-la, empresto uma frase do amigo Dionísio Filho, ex-jogador e comentarista em Curitiba: “É como o céu: é ótima, mas ninguém tem pressa de morrer pra ir para lá.”

O céu, pra quem tá embaixo, é a Série A. E o blog arrisca uma leitura do que pode acontecer, com base nos estaduais e nos elencos até hoje. Alguns devem mudar, mas menos que na elite nacional. Por isso, aponto os favoritos ao acesso, quem pode surpreender, os que farão figuração e os rebaixáveis.  Em dezembro, conversamos de novo, ok?

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Favoritos:

Palmeiras, Sport, Paraná, Ceará, Figueirense, Atlético-GO e Paysandu.

O Palmeiras pode até não ser o campeão da Série B 2013, mas subirá com absoluta certeza. Não é difícil ver nem explicar isso, mas a base é o dinheiro. O exemplo vem do ano passado, quando o Atlético saiu de um 14º lugar para o 3º posto – teve até chance de título – a partir de uma arrancada com a reformulação de elenco. O Verdão tem muito mais recursos que qualquer outra equipe. O que precisa é ter cabeça e a atual diretoria já mostrou que tem, nas derrotas para Mirassol e Tijuana, mantendo o bom Gilson Kleina. Sem medo de errar: o Palmeiras subirá para a primeira divisão sem duvidas. Resta ver se com ou sem emoção.

Na Série B: Quatro vezes (todas estatísticas incluem a Taça de Prata), campeão em 2003

O Sport abrirá a Série B em crise, após a eliminação na Copa do Brasil e o vice-campeonato estadual, que custaram o cargo do técnico Sérgio Guedes. Mas tudo o que vale para o Palmeiras, vale para o Sport, em menor proporção. Incluindo o fato de que, se o acesso do Palmeiras é garantido e o título não, para o Sport o título é possível e o acesso uma meta, mas não garantida.

Na Série B: 10 vezes, campeão em 1990

A grande surpresa desta Série B pode ser o Paraná. Surpresa em termos, pois o Tricolor vai aparecer em quase todas as listas de favoritos ao acesso, como nos últimos anos. Entretanto, acabava decepcionando pois a inclusão vinha pelo histórico. Desta vez não: o clube está mais organizado e aposta em Dado Cavalcanti, que brilhou no Mogi-Mirim, como o comandante deste objetivo.

Na Série B: Sete vezes, campeão em 1992 e 2000.

O tricampeão estadual Ceará é outra força para esta Série B. Isso porque conhece a competição como ninguém – o que é um paradoxo – sendo o time que mais disputou a Segundona. Reinando absoluto no Estado, quer voltar a elite que deixou em 2011, apostando no novo Castelão, nos conhecidos Fernando Henrique e Mota e no estilo gaúcho do técnico Leandro Campos.

Na Série B: 24 vezes, nenhum título.

O Figueirense é mais um exemplo de clube que pode chegar pela estrutura muito mais do que pelo que apresentou até aqui em 2013, tal qual o Sport. Apesar de ser o terceiro colocado no geral, novamente decepcionou após campanha boa na fase classificatória, eliminado pela Chapecoense. Manteve o técnico Adilson Batista, o que é sinal de estabilidade, e conta com a força da torcida no Scarpelli para fazer a diferença em Florianópolis.

Na Série B: Oito vezes, nenhum título.

O Atlético-GO viveu uma crise política por conta de denúncias de corrupção e até mesmo de envolvimento de um dos seus dirigentes no assassinato de um cronista esportivo em Goiânia. Entretanto, em campo, o time parece ter sentido pouco: ficou com o vice-campeonato estadual e eliminou dois adversários na Copa do Brasil sem precisar da partida de volta. Waldemar Lemos, o irmão do Osvaldo, é o técnico.

Na Série B: Nove vezes, nenhum título.

A volta do Paysandu à Série B já seria motivo suficiente para grande festa em Belém. Mas, apesar do título do Paraense, a eliminação na Copa do Brasil para o Naviraiense deixou todos com a pulga atrás da orelha. Ainda assim, trata-se do Papão, bicampeão da Série B, que obrigará adversários a uma longa viagem para cair no caldeirão do Mangueirão.

Na Série B: 12 vezes, campeão em 1991 e 2001.

Podem chegar:

Avaí, América-MG e Joinville.

O Avaí corre por fora na disputa. Está abaixo do rival Figueirense, mas aposta no técnico Ricardinho e em medalhões como o ídolo Marquinhos e Cléber Santana para ser competitivo. Tem também um alçapão, a Ressacada, onde não costuma perder.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

A esperança do América-MG é a renovação do elenco. O clube deu vexame no Mineiro, sendo apenas o 8º colocado. Até mesmo o Independência, casa do Coelho, já está mais com a cara do Galo que dele próprio. O sopro de esperança veio na ótima atuação contra o Avaí na Copa do Brasil e nos reforços do interior paulista. Não dá pra desprezar o Coelho.

Na Série B: 19 vezes, campeão em 1997.

A Arena Joinville é a grande arma do JEC para tentar o acesso. Mas existem outros trunfos, como um clube organizado, com salários em dia, e o eterno Lima, o “Limatador”, artilheiro do Tricolor catarinense. Em 2012, na volta à Série B, beliscou um sexto lugar; neste ano corre por fora para fazer melhor.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

Figurantes:

Chapecoense, ABC, América-RN, Bragantino e ASA

Os figurantes tem todos o mesmo nível técnico e perfil: equipes que devem complicar em casa e oferecer pouca resistência fora. A Chapecoense chega com o status de vice-campeã catarinense, perdendo o título para o Criciúma, da Série A, em duelo apertado. O ABC, que não chegou nem nas semifinais do Potiguar, surpreendeu ao tirar o Sport da Copa do Brasil. Conta com o Frasqueirão como arma, luxo que o rival América-RN não tem. O Mecão terá que jogar em Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal, num estádio novo, porém acanhado e ainda em obras, e reverter o impacto da perda do título estadual para o Potiguar de Mossoró. O Bragantino, 11º no Paulistão, carrega consigo a força do interior paulista, sempre rico e competitivo, perfil parecido com o do ASA, que, eliminado na semi do Alagoano, mantém como trunfos o desgaste da viagem até Arapiraca e o dinheiro das plantações de fumo. Entretanto, quem estiver na lista acima desta e perder pontos para os figurantes, fica cada vez mais longe da elite.

Rebaixáveis:

São Caetano, Guaratinguetá, Oeste, Icasa e Boa Esporte.

Se a Série A não tem moleza, o mesmo não pode se dizer da Série B. Os cinco times listados aqui deixarão nos adversários a obrigação de vencê-los em casa e de ao menos buscar um empate fora. Ainda assim, há que se ter cuidado com os paulistas. O São Caetano, rebaixado no Paulistão, pode surpreender se resolver seus problemas financeiros. Em 2012 só não subiu nos critérios, com a mesma pontuação do Vitória. O Oeste escapou da degola na última rodada do Paulistão, mesmo perdendo por 0-4 para o São Bernardo, em casa. O Guaratinguetá foi o 5º colocado na Série A2 Paulista, não subindo para a primeira divisão estadual. O Boa Esporte tem tudo para ser a baba da competição. Escapou do rebaixamento no Mineiro sendo o 10º em 12 equipes. O Icasa pode ser o mais surpreendente dos rebaixáveis. Foi 4º colocado no Cearense e aposta nos jogos em casa para escapar. De todos o desta lista, é o único que tem o fator casa. Os demais têm pouco ou nenhum apelo popular.

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Paraná nega dívida com técnico e explica “pré-datados”

Pegou mal para a imagem do Paraná Clube o comentário do ex-jogador Neto, no programa nacional “Os Donos da Bola”, da TV Band, de que o Tricolor teria pago o ex-técnico Toninho Cecílio com cheques pré-datados, após a saída do mesmo da equipe. Em tom de chacota, Neto cobrou publicamente o clube, que me procurou para dar sua versão dos fatos.

Segundo Paulo César Silva, vice-presidente de futebol, Paraná e Cecílio não tem dívida alguma. Os cheques são, sim, existentes, mas fazem parte de um acordo após a saída do treinador do clube: “O Cecílio nos procurou logo depois do jogo com o São Bernardo pela Copa do Brasil (2-3), para dizer que não dava mais pra ele.” Segundo Paulo Cesar, a diretoria concordou, mas havia uma multa contratual para a liberação de Toninho Cecílo. “Ele nos pediu pra liberar essa multa. Nós topamos na hora”, disse o diretor, que seguiu, “E ainda combinamos com ele de pagar o proporcional até maio, como uma forma de valorizar o trabalho dele, que achamos bom.”

Os cheques, portanto – afirma o dirigente – são para o pagamento deste valor. E foram solicitados pelo próprio Toninho Cecílio: “Ele nos pediu, ‘dá em cheques mesmo’, até para não precisar ficar vindo à Curitiba receber. Por isso, não entendemos o comentário do Neto.” O atual técnico do Paraná é Dado Cavalcanti, revelação do Campeonato Paulista pelo Mogi-Mirim, semifinalista.

  • Toninho Cecílio

Há alguns dias, Toninho Cecílio esteve no Terra, participando de uma transmissão do Campeonato Ucraniano e aproveitou para falar da saída dele do Paraná. Segundo Cecílio, o time precisava de reforços e ele não era atendido. “Indiquei uns 10 jogadores, mas não podiam trazer ninguém. Eu entendi que cheguei ao limite no clube.” Numa auto-avaliação, Cecílio considerou bom seu trabalho a frente do clube paranaense.

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Justiça pode levar Paraná definitivamente à Vila Olímpica; entenda

O trecho da ação que determina a saída do Paraná da Vila Capanema

*Colaboraram Guilherme Moreira e Gustavo Flessak

A decisão emitida pela juíza Sandra Regina Soares no último dia 17 de abril, pode provocar uma revolução no Paraná Clube. Ao determinar a desocupação imediata da Vila Capanema, em um processo que se arrasta por mais de 40 anos com a União Federal pela posse do imóvel (entenda o caso abaixo), o Tricolor pode acabar por assumir de vez a Vila Olímpica, antiga casa do Pinheiros, refúgio do clube enquanto o gramado da Capanema está em reforma.

A diretoria nega publicamente estar preocupada com a perda do terreno, mas, na última semana, em três dias (na mesma quarta 17/04, quinta e domingo seguintes) se reuniu com a torcida organizada do clube e lideranças paranistas para debater soluções para a perda do estádio. A mais provável delas: buscar um acordo com a União para conseguir uma indenização e reformar a Vila Olímpica.

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Atlético jogará Brasileirão nas duas casas do Paraná

Repensando o futebol brasileiro

 

Benedito Barboza, presidente do Conselho Deliberativo do Paraná Clube, desconversou sobre o tema, mas assumiu que o clube busca um acordo que encerre a pendência definitivamente. “O Paraná vem tentando solucionar politicamente há muito tempo. Se conseguir um bom acordo, resolve a demanda.” Sobre o “novo estádio”, Benedito oficialmente desconversa, mas a ideia agrada: “O torcedor tem ido. E nós não podemos fazer mais que reformas pontuais na Vila Capanema, por conta do litígio. Não podemos erguer uma Arena lá”, conta, “Que parceiro iria entrar num projeto em discussão na Justiça?”

Barboza fez questão de dizer que o clube não está preocupado com a ação na Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre e disse que o clube já interpôs um recurso que mantém o Tricolor sem precisar desocupar o imóvel tão cedo: “O processo tem mais de um metro!”.

No entanto, uma das pessoas presentes à reunião com as lideranças da torcida detalhou a conversa: “Chance de perder o espaço no Capanema é gigante. Não vale a pena brigar pelo espaço e, provavelmente, perder. Acordo é a melhor solução.” Para tal, o Paraná precisa de apoio político; em tese, a União pode até aguardar mais 10 anos para ter a posse, com o julgamento dos vários recursos, mas, com um bom acordo, costurado nos bastidores, sobraria dinheiro pra um, reintegração para outro. Ao saber que a notícia começava a se espalhar, diretores do Paraná procuraram a reportagem para minimizar o fato.

  • Entenda o caso:

O Clube Atlético Ferroviário, time dos funcionários da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal SA), é o dono original da Vila Capanema, estádio erguido no terreno anexo ao pátio da rede desativada. A discussão se dá por duas razões: a primeira, o fim da RFFSA e o destino do espólio para a União Federal – que nada mais é que o Governo do Brasil; a segunda, as fusões que deram origem ao Paraná.

A Justiça determinou que tudo que fosse da antiga RFFSA passasse ao controle do Estado; no entanto, primeiro com a fusão entre Ferroviário, Britânia e Palestra Itália (que originou o Colorado) e depois com a junção entre o Colorado e o Pinheiros (que formou o Paraná), o clube alega que o estádio Durival Britto e Silva, pertencente ao Ferroviário, deve seguir no controle do clube que o sucedeu.

A ação discute de quem é a posse. Na decisão mais recente, a Justiça entendeu que – nos termos publicados – a posse do Paraná é injusta pois o titulo que vinculava a posse dependia do convênio do Ferroviário com a RFFSA. Na mesma decisão, descartou um recurso por posse chamado de “retenção por benfeitorias”, em que requer a posse até que todas as benfeitorias e acessões feitas por ele fossem indenizadas. Na ação, o valor citado é de R$ 2.171.223,00.  Por outro lado, a Justiça não acolheu o pedido da União Federal de que o Paraná pagasse indenização por perdas e danos. A compreensão é de que a posse do Paraná não trouxe prejuízos para União. Ainda foi levada em consideração a cessão originária do terreno que a Rede Ferroviária fez para o Ferroviário foi a título gratuito, e não oneroso.

A decisão ainda pode ser julgada em mais instâncias. Haverá recurso em Porto Alegre e, independentemente da resposta, é possível que as partes ainda discutam em Brasília e provavelmente a disputa chegue ao STF.

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Atlético jogará Brasileirão nas casas do Paraná

Vila Olímpica servirá à dupla da Rebouças no Brasileirão (Foto: AI CAP)

Atlético e Paraná chegaram a um acordo e o Rubro-Negro irá indicar os dois estádios do Tricolor para o Campeonato Brasileiro. A negociação será confirmada até quarta-feira pelas duas diretorias. O acordo inclui todos os acertos pendentes entre os clubes.

Sem acordo com o Coritiba (primeira ideia do Furacão) e sem contar com o apoio da CBF, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia procurou a diretoria paranista para conversar. As conversas começaram há cerca de 20 dias e incluíram visitas da diretoria rubro-negra aos dois estádios, para verificação de necessidades. Com o acordo, é possível que, chegando a decisão do Paranaense, o Atlético use a Vila Olímpica como mandante. No entanto, será preciso uma série de adequações, como instalação de câmeras de segurança, em tempo hábil.

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A diretoria atleticana chegou a cogitar mandar jogos contra os grandes de Rio e São Paulo (exceção ao Botafogo) e mais a dupla gaúcha em outros estádios pelo Brasil. Com o acordo com o Paraná, as possibilidades de isso acontecer são praticamente nulas. Houve conversa para que o time jogasse contra o Flamengo em um dos estádios da Copa, o que não foi confirmado.

A Vila Olímpica receberá jogos dos dois clubes nos inícios das Séries A e B. O Atlético tentou apressar a recuperação do gramado da Vila Capanema, propondo-se até a pagar a mais pelo trabalho, mas o Paraná manteve o projeto inicial e ambos só jogarão no Durival Britto e Silva após a Copa das Confederações, que vai de 15 a 30 de junho.

Buscando uma solução para não sair de Curitiba, o Atlético procurou o Paraná com ação pessoal de Petraglia, que sentou-se com Rubens Bohlen, Paulo César Silva e Celso Bittencourt após alguns telefonemas. Houve um primeiro momento de tensão na conversa, pela pendência financeira entre os clubes, que rapidamente se acertaram. O Atlético, inclusive, se propôs a ceder jogadores do elenco que não serão usados na Série A para que defendam o Paraná na disputa da Série B. Os nomes estão em avaliação pelo Tricolor e não tem relação direta com o aluguel dos estádios. O valor do aluguel não foi e não será confirmado por nenhum dos clubes, mas apurei que gira em torno de R$ 75 mil por jogo.

  • Os jogos da dupla na Vila Olímpica (antes da Copa das Confederações):

Atlético:

26/05 x Cruzeiro

01/06 x Flamengo*
*A confirmar, pode acontecer em um dos estádios da Copa 2014 fora de Curitiba

Paraná:

28/05 x São Caetano

08/06 x Figueirense

11/06 x ASA

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Paraná Clube na Bolsa de Valores: entenda os riscos e as possibilidades

 

A partir de Abril, o Paraná Clube será o único clube brasileiro a estar com ações na Bolsa de Valores. A Bovespa vai comercializar as ações do Tricolor dentro de um investimento já existente: a Atletas Brasileiros Sociedade Anônima. Será uma inovação mundial: ao contrário do que se faz na Europa e em outros clubes na América do Sul, o Paraná disponibilizará apenas os direitos econômicos dos atletas do clube. Conversei com Alexandre Azambuja, o empresário responsável pela holding que ingressará o capital do Paraná na Bolsa. Ele explicou a ideia:

Blog: Quando as ações estarão disponíveis? A que preço médio?
Azambuja: Possivelmente no começo de Abril. Estamos aguardando algumas liberações. O Paraná entra num investimento já pronto, chamado Atletas Brasileiros S/A, mas ele vai ter controle. O preço alvo da ação, imagina-se, será R$ 2,40 em lotes de cem ou mil. São 5 milhões de ações, na verdade é a Bovespa quem vai orientar quantos lotes. No caso, 5 mil vezes 1000 ações, vezes os R$ 2,40 – um pacote sairá algo em torno de R$ 2.400,00. O volume será 10% do total de ações. A AB S/A* vai comprar todos os 59 jogadores do Paraná. Num segundo momento, vamos buscar outros jogadores.

*abreviatura usada no texto para Atletas Brasileiros S/A

B: Jogadores que poderão vestir a camisa do Paraná?
A: Não necessariamente. Pode-se eventualmente adquirir direitos de um atleta, ele vai pro clube, mas o técnico decidirá quem joga. Além disso, podemos ter direitos de atletas que nem passem pelo Paraná, pelo atrativo de mercado.

B: Comprar os direitos do Neymar, por exemplo.
A: Isso. Ele somaria a carta. Mas a ideia central é outra, é exportar. Vamos montar escritórios na Ucrânia, Rússia, Portugal, Coreia do Sul, China e Argentina. Vamos buscar jogadores e fazer a ponte. Chama-se off taker. Você compra direitos e ganha a preferência.

B: E dos jogadores que hoje são do Paraná, qual fração irá pra Bolsa?
A: Cem por cento do percentual que cabe ao Paraná. Todos os direitos que seriam do Paraná serão transferidos pra AB S/A. O que eventualmente for de empresários, de outro clube, não.

Goleiro Luiz Carlos é um dos que irão compor a carta na Bolsa de Valores

B: Quem decide quando transferir o atleta de clube?
A: A venda é sempre feita pelo clube. Como será previamente alienado à companhia, a mesma toca o negócio. Na verdade, o Paraná poderá fazer duas coisas quando essas vendas acontecerem: distribuir o lucro entre os acionistas ou comprar mais jogadores. O Paraná decide quando vender, quem. Aí elimina-se a pressão entre investidor e clube.

B: Quanto, do total da carta de ações será de direito do Paraná?
A: Dois terços, digamos 66% do total.

B: E se as finanças do clube apertarem?
A: Nesse caso, quando o Paraná precisar de dinheiro, vende ações. É claro que também pode vender jogadores. Aliás, eles serão vendidos, mas o clube pode esperar a melhor hora.

B: Assim como na Europa, o clube disponibilizou patrimônio físico?
A: Não. Nenhum patrimônio do Paraná entrou. O único ativo é o direito econômico. Hoje, o elenco do Paraná é avaliado em R$ 380 mil, contabilizados no balanço como investimento. É um ativo intangível. Quando o Paraná transferir pra AB S/A haverá a cotação em bolsa e essas ações vão ser contabilizadas nos ativos. A gente espera que na precificação inicial valha 63 milhões de reais.

B: Qual é o universo total de ações da Atletas Brasileiros?
A: A companhia tem 45 milhões de ações. Vão entrar mais ações e proporcionalmente o percentual será menor. A companhia vai emitir novas ações para entrada de novos acionistas.

B: Como o Paraná vai lucrar?
A: Vendendo os jogadores ou ações. E há um compromisso duradouro no contrato. A gente negociou fortemente com a direção que se o Paraná sair do negócio, tira-se o interesse do investidor. O clube é quem tem os direitos, o que dá uma segurança jurídica ao investidor. Se você compra os direitos e o clube despede o jogador, por exemplo, seu dinheiro virou pó. E ao invés de ser um banco financiando vários clubes, era melhor uma parceria com um clube só, que se comprometesse até o fim. É uma engenharia diferente.

B: E se as coisas apertarem para o Paraná a ponto do clube vender ações até se tornar acionista minoritário? Pode perder o controle do próprio time?
A: A relação fica normal entre investidor e clube. Se inverter, digamos, se o Paraná tiver 30% e os investidores 70%, segue normal. Porque o clube segue gerando atletas na base e segue alimentando a companhia, mesmo não sendo mais controlador. E, em todo, caso vai ter embolsado o dinheiro da venda das ações. Isso, na precificação inicial, vai equivaler à metade do patrimônio do clube, que hoje é avaliado em R$ 124 milhões, sem vender nenhuma sede.

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B: Mas pode haver um grupo controlador externo então…
A: Poderá haver isso, mas só se pode comprar ações ofertadas. Para alguém tomar o controle do clube, o próprio Paraná tem que por elas a venda. Não tem como tomar o controle no take over (termo usado quando há mais sobrando ações no mercado), o Paraná está seguro e não vai perder, a não ser que ele venda. E mais: quando alguém entra comprando pesado, o preço sobe, então o clube vai lucrar.

B: Ainda assim, você diria que isso seria prejudicial?
A: Os investidores vão querer o sucesso do clube. O maior sentido dessa engenharia é o Paraná subir pra Série A. Os atletas vão ter vitrine maior, valer mais. O interesse do investidor é o mesmo do torcedor.

B: Quem poderá comprar?
A: Qualquer pessoa que tiver conta em corretora. Qualquer banco que tenha corretora, você pode buscar via home broker ou em uma operadora.

B: Quanto tempo deve-se manter os papéis?
A: No mínimo pelo primeiro ano, vai ter viés de subida. Vamos captar o dinheiro e abrir os escritórios fora, comprando jogadores – não necessariamente jogarão no Paraná. A tendência é que o preço suba. Mas isso pode ser melhor dito por uma consultora.

B: Quantos clubes têm esse tipo de ação no Brasil?
A: É inédito no Mundo. Os clubes que tem capital aberto na Europa, eles envolvem tudo com o clube, desde verba de TV, patrimônio e mais. Aqui, só os direitos econômicos.

B: Qual a relação entre os resultados de campo e o crescimento das ações?
A: Em qualquer lugar do Mundo, todos os clubes tem essa relação. Se o clube vai bem, ações sobem. Se vai mal, caem. Isso vai junto no pregão da bolsa. Pode-se, de repente, ter um investidor torcedor, que vai manter a acão independente do resultado.

  • O histórico na Europa

Os ingleses foram pioneiros. Em 1983, o Tottenham Hotspurs foi o primeiro clube do Mundo a entrar na Bolsa de Valores. Hoje, a crítica principal gira na administração dos fundos gerados pela Bolsa: os fundos entram para dar lucro aos acionistas, mas perdem-se nos salários exorbitantes que são pagos aos jogadores – principal moeda dos clubes no mercado de ações. Trinta anos depois, mais da metade dos clubes da Premier League já se declararam insolventes em algum momento – fato que alguns bilionários russos e árabes aproveitaram para adquirir os clubes, como Chelsea, Manchester City e o próprio Tottenham.

Ao todo são 24 clubes europeus listados na bolsa. Entre os grandes, a Juventus da Itália, o Lyon da França e o Benfica de Portugal. Na América do Sul, destaque para os chilenos Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica, que chegou a levantar 25 milhões de dólares na bolsa em 2009. Com o dinheiro, foi bicampeão chileno em 2010-11.

Mas nem tudo são flores. Recentemente o Liverpool anunciou um prejuízo de 40,5 milhões de libras (118 milhões de reais). Uma das soluções dos donos do clube foi jogar novas ações no mercado, adquiridas em grande parte pelos próprios donos, que consideraram a medida um “empréstimo sem cobrança de juros.” No entanto, o clube passou a ser 100% dos investidores. Isso não impediu, no entanto, um corte de salários na casa dos 13,5 milhões de libras (40 milhões de reais) entre os jogadores. O Liverpool, maior vencedor da Liga Inglesa até 2011, não vence o campeonato desde 1990 (quando venceu o 18º), sendo ultrapassado pelo Manchester United, que hoje tem 19 conquistas.

Liverpool e Manchester United tomaram caminhos opostos depois da entrada no mercado de ações

O Manchester United é, aliás, a exceção mais bem sucedida. Em 1990, o Manchester United ingressou na bolsa. Esteve nas mãos de Rupert Murdock, dono de grupos de comunicação nos EUA. Mas a guinada veio com a compra da maior parte das ações em 2003 por outro norte-americano, que ampliou a ação na bolsa no mercado dos EUA – o milionário Malcolm Glazer, que também é proprietário do Tampa Bay Bucaneers, time de futebol americano campeão da NFL em 2003, sediado na Flórida. Um dos segredos foi o investimento dos fundos na melhoria do Old Trafford, o estádio dos Red Devils.

Outro segredo atribuído por especialistas é o fato de 98% das ações atualmente pertencerem a Glazer, que controla tudo referente ao Manchester Utd. Com menos influência, ele pensa o negócio do fio ao pavio – e trabalha pelo sucesso dele. É o perfil do gestor, que cancelou o contrato com a bolsa, assim como Chelsea e Man. City, comprados na totalidade. Glazer, campeão 5x da Premier League, 1x da FA CUP, 3x da Copa da Liga, 1x campeão da Liga dos Campeões e 1x Campeão Mundial, não escapou, porém, da pressão da torcida.

Revoltada com a compra do clube pelo capital estrangeiro já em 1998, quando Murdock se tornou acionista majoritário, os torcedores criaram um fundo para compra de ações, o ShareHolders United. O grupo teve problemas internos e, obviamente, não conseguiu concorrer com a força do dinheiro dos norte-americanos, até que Glazer adquiriu 98% das ações.

Outro grupo, ainda mais revoltado com a compra do MUFC por Glazer, fundou um novo time: o FC United of Manchester, com as mesmas cores do United original. Fundado em 2005, começou na 9ª divisão inglesa e atualmente disputa a Unibond Premier League, um campeonato regionalizado que equivale à 7ª divisão – dá acesso a primeira das ligas profissionais do futebol inglês.

Luis Carlos, sobrevivente da queda em 2011, reencontra o Arapongas

Vinte e três de abril de 2011. Um dia que todo paranista gostaria de esquecer – mas que, como toda lição na vida, é importante lembrar. Certamente o momento mais difícil da história do clube. Ao empatar em 2-2 com o Arapongas, em casa (vídeo do Notícia FC abaixo), o Tricolor era rebaixado para a segunda divisão estadual, pela qual jamais havia passado – nem mesmo quando surgiu, em 1989, quando herdou uma das vagas de Colorado e Pinheiros na elite paranaense para 1990.

Dois anos depois, Paraná e Arapongas se reencontram. Agora, a situação é outra: o Tricolor voltou a ser postulante ao título, podendo se garantir na final se vencer o turno; o Arapongas, time bem sucedido nas últimas temporadas, anunciou que deve fechar as portas ao final da temporada.

 

Um dos poucos sobreviventes da queda traumática é o goleiro Luis Carlos. Aos 25 anos, seis deles dedicados ao Paraná, o jogador nascido em Curitiba esteve nas cinco primeiras partidas daquele campeonato. Depois, foi emprestado ao Ypiranga-RS, pelo qual chegou a fazer a semifinal do Gauchão 2011 contra o Grêmio, sendo eliminado. Voltou a tempo de ver a queda paranista com Thiago Rodrigues no gol, um colega que também seguiu no Tricolor após o rebaixamento. Titular da equipe mesmo com o retorno do ídolo Marcos, Luis Carlos bateu um papo comigo na manhã deste sábado, sobre as mudanças no clube e as histórias desses dois anos.

Luis Carlos: “Hoje a gente tá muito bem” (Foto: Divulgação)

O que mudou no clube de 2011 pra cá?

Luiz Carlos – Com a nossa queda, a diretoria se conscientizou e viu que tinha que trazer jogadores mais experientes. Naquele tempo tinha muita molecada. A gente acabou caindo. Em 2012 já foi diferente. A gente começou mesclando jogadores, com o Lucio [Flávio, meia] e o Anderson [zagueiro], dando uma base boa. E em 2013 a gente manteve uma base e estamos fazendo um bom campeonato. Tanto na zaga quanto no meio, tá muito bem. É isso aí, os caras se conscientizaram e a gente tá bem agora.

Mas muitos dos dirigentes daquele ano ainda estão no clube. Mudou o que?

A convivência… olha, o Paulão [Paulo César Silva, vice-presidente], o Celso [Bittencourt, superintendente geral], o pessoal continua o mesmo. Eles sempre procuram dar o máximo deles. O que aconteceu tá no passado. O Paraná tem muitas dividas. Eles tão dando o máximo, mas é difícil. Agora mesmo, teve o caso do Thiago Neves, o empresário dele entrou na Justiça, o Paraná vai ter que pagar 9 milhões. Mas o ambiente é o melhor possível. O que eles tão fazendo é o que eles podem.

Uma coisa que sempre pareceu de fora é que, mesmo com os problemas, os jogadores parecem muito unidos. Afinal, até greve vocês mobilizavam…

Que nem eu falei, o pessoal que chegou, os mais velhos, sempre procura orientar a gente pra fazer a greve, porque é um direito nosso. A gente fazia, às vezes não treinava, não concentrava e ia direto pro jogo. Mas eles [a diretoria] foram se conscientizando. E deram uma posição pro pessoal mais velho que acabou ficando esse ano.

Que posição foi essa?

O pessoal acredita no Paraná, no presidente, nos caras. Eles propuseram um monte de coisas, espero que eles cumpram. Tenho certeza que vai ser um bom ano. Por alguns detalhes a gente não tá na liderança. O pessoal mais velho topou ficar porque o presidente [Rubens Bohlen] disse que ia por a casa em dia e tá cumprindo.

Você já estava no Ypiranga quando o time caiu. Como você recebeu a notícia?

Eu já tava em Curitiba e não pude ir no jogo porque tinha que resolver uns negócios do Ypiranga ainda. Mas foi triste. Cair é complicado. Mas faz parte do futebol. E graças a Deus a gente conseguiu subir invicto [Nota do Blog: na verdade, o Paraná perdeu 2 jogos, para Grêmio Metropolitano (2-5) e Serrano (0-1) já quando havia conquistado o título e o acesso]. Até o Palmeiras caiu, isso faz parte.

Mas o calendário e a sequência de jogos não era moleza.

Era complicado. O Ricardinho fez um excelente trabalho conosco. Teve que montar dois times pra jogar o Paranaense. Jogava quarta, sexta, domingo, terça. Aí veio a Copa do Brasil, a Série B… foi complicado. Mas foi um ano vitorioso, principalmente pra mim. Eu vinha jogando uma, duas vezes por ano e fiz mais de 40 jogos.

E agora, bem diferente dos últimos anos, o time está na briga para ser campeão. Mas já sem os confrontos diretos.

Tem que continuar secando o Coxa, o Jotinha. É torcer pro Atlético fazer uma graça (risos). Contra o Jota o juizão complicou a gente… mas faz parte do jogo. Eu acredito que ainda dá. O Coritiba pega o Atlético e o Londrina. E nós pegamos Arapongas, Cianorte e ACP. Acho que se a gente ganhar os 3, tem chance ainda.

E esse jogo contra o Arapongas, tem gosto de revanche?

A maioria de quem tava aquele ano já saiu. Tem eu e o Thiago. É bom que nem toquem no assunto (risos). Já passou, bola pra frente, vamos esquecer. Vamos jogar amanhã (domingo, 16/02) e ganhar do time que nos derrubou.