Arbitragem ruim: vai acontecer com seu time também

O pênalti da discórdia: vai acontecer com todo mundo

O Coritiba foi prejudicado por um pênalti mal marcado à favor do Corinthians, o que transformou um empate que manteria o Coxa no G4 numa derrota que pôs o Timão lá. Isso é um fato: o árbitro marcou um pênalti que é tão unânime não ter existido que até nos faz pensar se não foi mesmo. E não foi.

Então, é o Corinthians, no Pacaembu. E as teorias da conspiração começam. Não foi a primeira vez que o Coritiba foi prejudicado por um erro de arbitragem e não será a última. Não foi a primeira vez que o Corinthians foi beneficiado e, acreditem, não será a última. Proposital?

Como jornalista e apaixonado pelo esporte, enquanto não se tiver provas, não tenho como acreditar que seja proposital. Que na verdade trata-se de acaso e incompetência.

Senão, vejamos: na última quarta-feira, em Curitiba, o Coxa arrancou um empate suado com a Portuguesa depois dos 45 do segundo tempo, com um gol de Bill, em posição de impedimento. O jogo não foi num domingo à tarde, com transmissão para boa parte do Brasil, como o duelo entre corintianos e coxas-brancas. As reclamações da Lusa passaram batidas. A Lusa não é a única a ser prejudicada, como o Coxa também não é. 

Segundo o site Placar Real, que monitora reclamações dos clubes e simula uma classificação sem os supostos erros, os times mais prejudicados no Brasileirão até aqui são Atlético Paranaense, Vasco, Grêmio, Portuguesa e, acreditem, Corinthians – isso, antes das avaliações da 15a rodada. Entre os beneficiados, o destaque é o Inter, com três pontos contabilizados, seguido de Goiás, Cruzeiro e Criciúma.

O problema não está no pênalti inexistente marcado para o Corinthians. Está na qualidade da arbitragem, não só no Brasil, mas em todo o planeta. Arbitragem que pode ser covarde, conivente, incompetente e, principalmente, humana – portanto, falível. Mesmo com dois auxiliares novos extras na linha de fundo. Neste sábado, transmiti pelo Terra a vitória do Bayern sobre o Eintracht em Frankfurt. O time da casa teve um gol mal-anulado e acabou derrotado. Há que se dizer: não se viu em campo as reclamações acintosas que se vê no Brasil. Questão cultural. 

As teorias da conspiração vão manter os bares e mesas-redondas com assunto até a próxima rodada. Até o próximo erro grave. São muito fruto de uma cultura brasileira que dá muito espaço para os clubes de Rio e São Paulo e pouco olha para fora. O Coritiba – que poderia ser o Atlético, o Bahia, o Sport e até mesmo os mineiros e gaúchos – se sente desprestigiado em relação ao Corinthians. Está menos na mídia, gera menos polêmica, tanto pro bem, quanto pro mal.

O Corinthians, por sua vez, ficou estigmatizado pelo escândalo de 2005, no qual não teve nenhuma relação. As falcatruas por apostas ilegais envolvendo o então árbitro Edilson Pereira de Carvalho fizeram o campeonato ter jogos anulados. O Timão se beneficiou nas novas oportunidades enquanto o Inter perdeu a vantagem que havia construído antes. No confronto direto, erro grave a favor dos paulistas, no pênalti em Tinga, não marcado e que ainda gerou a expulsão do gaúcho. O Corinthians acabou campeão. Levou a taça e a imagem, mas, convenhamos: foi proposital? O próprio arbitro Márcio Rezende de Freitas já assumiu que errou no lance.

Se há conspiração, por que o gol de Aloísio, que aliviaria a situação do São Paulo, foi anulado contra a Portuguesa? Como o Palmeiras foi parar na Série B? Como o Atlético Mineiro chegou ao título da Libertadores, com direito a um pênalti corretamente marcado para o Tijuana, no meio do caminho, sendo que o Corinthians acabou eliminado com erros de arbitragem contra o Boca? A Conmebol afinal não desejava que um brasileiro fosse campeão mais uma vez, certo?

O problema é que o futebol é caro demais e profissional demais para permanecer com arbitragem amadora e sem auxílio de equipamentos eletrônicos. As decisões, que hoje custaram a um clube com o orçamento do Coritiba, bem menor que o do Corinthians, uma vaga no G4, estão na mão de apenas uma pessoa. Sem auxílio e com segundos para fazê-la.

Em Flamengo x São Paulo também houve pênalti mal marcado. Jadson perdeu. E aí entramos em outro assunto: se por um lado a Fifa deveria rever para ontem o auxílio eletrônico, os clubes também não devem se encostar no papel sedutor de vitima.

Um estudo publicado no livro Soccernomics (um Freaknomics da bola) aponta que os jogos com pênaltis marcados (correta ou incorretamente) acabam com vitória do favorito em 49% das vezes, enquanto os jogos sem nenhum tipo de pênalti marcado resulta em vitória do favorito em 46% das vezes. Os números foram extraídos de 1520 partidas na Premier League inglesa (que também tem times grandes e pequenos). Apenas 3% de diferença, estatisticamente desprezível. E isso porque pênalti (mal) marcado não é sinônimo de gol. Jadson que o diga.

Se os clubes se encostarem nos erros, se os torcedores se encostarem nas teorias conspiratórias e se a imprensa não identificar a causa real de tantos erros de arbitragem ao longo da história, o ciclo não terá fim. Bom para conversas de boteco, mas péssimo para o futuro do futebol num todo. Ninguém gosta de um jogo previsível e com cartas marcadas. E pode ter certeza: vai acontecer com o seu time também.

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“Se errei, foi em não expulsar Bill”, diz árbitro da Copa do BR 2011

Sálvio observa lance: para ele, se houve erro, foi outro (Imagem: VascoNet)

Nove de junho de 2011. O torcedor do Coritiba não esquece a data da vitória com sabor de derrota sobre o Vasco, 3-2. Faltou um golzinho para o Coxa, campeão brasileiro em 1985, comemorar seu segundo título nacional – oportunidade desperdiçada também no ano seguinte, contra o Palmeiras. O gol poderia sair em um pênalti reclamado pela torcida coxa-branca, sofrido por Leonardo no segundo tempo, mas que Sálvio Spinola Fagundes Filho não entendeu assim.

Dois anos depois, recebemos Sávio Spíniola, hoje ex-árbitro e consultor de arbitragem da Conmebol, para a transmissão de Chelsea x Benfica, decisão da Liga Europa. Simpático e bem humorado, Sálvio bateu um papo comigo antes do jogo. E, claro, perguntei sobre o suposto pênalti em Leonardo naquela decisão. Ele foi taxativo: “Se errei aquele dia, foi em não expulsar o Bill.”

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Napoleão de Almeida: Sálvio, a metade verde de Curitiba não gosta muito de você por conta da final da Copa do Brasil 2011, reclama um pênalti em cima do Leonardo. Você lembra do lance?

Sálvio Spinola: Claro. Lembro como se fosse hoje. Eu uso aquele lance nas palestras que eu dou sobre arbitragem. Não foi nada. Aquilo é um lance normal de jogo, disputa de bola (veja o lance aqui, aos 2`04). Futebol é esporte de contato, se fosse fora da área, eu mandaria seguir, como mandei vários outros lances durante o mesmo jogo, e ninguém falaria nada. Se eu errei aquele dia, foi em não expulsar o Bill.

NA: Pra você, então, não foi nada, não é que você não tenha visto o lance?

SS: Eu vi claramente, não foi nada. Vi e revi várias vezes depois. Eu até encontrei o Marcelo [Oliveira, então técnico do Coritiba, hoje no Cruzeiro] no aeroporto um tempo depois, conversamos bastante sobre isso. Não tinha como dar aquele pênalti.

Imagem frisada do lance entre Dedé e Leonardo (reprodução)

NA: Você não acha que, muitas vezes por conta da arbitragem, os times perdem grandes oportunidades? Falo em dinheiro, em se jogar uma Libertadores?

SS: O árbitro não pode entrar pensando nisso. Eu, por exemplo, já apitei sobre pressão muito maior. Dá pra dizer que eu tirei o Equador da Copa do Mundo em 2010. Dei um pênalti aos 45 do segundo tempo para o Uruguai porque foi pênalti. O jogo no Equador, onde a Seleção deles não perdia, estava invicta. O empate bastava. Mas, talvez por excesso de confiança, no minuto final o menino derrubou o Recoba e foi pênalti, apitei sem dúvidas. Se for pensar nisso, eu “tirei” um país de uma Copa, mas fiz o certo. Depois eu quase apanhei, teve repórter que veio me agredir, e você sabe porque?

NA: Por que?

SS: Porque era ele que iria pra Copa. É tudo negócio. Não é que ele fosse completamente patriota ou coisa assim. Pode até ser. Mas ali, mais do que isso, era um país inteiro, rádios, jogadores, tudo isso, que deixaram de ir para a Copa porque eu dei um pênalti. Quer mais pressão que isso? Dei o pênalti porque foi, é mais fácil para eles jogarem na conta da arbitragem do que assumir o erro.

O lance citado por Spinola, entre Bill e Fernando (reprodução)

NA: Você é a favor da profissionalização dos árbitros?

SS: Sem dúvida. Essa é uma briga minha. Tem que profissionalizar.

NA: E quem paga a conta?

SS: O futebol, oras. O futebol tem recursos. Você sabia que na UEFA 8% da arrecadação vai direto para os árbitros? Se você quer qualidade total tem que investir. Os clubes, as federações, elas têm recursos, mas não aplicam. O árbitro, pra errar menos, precisa de dedicação exclusiva. Você falou no suposto prejuízo do Coritiba – e eu ressalto que não errei. Mas e o que o Coritiba faz pela arbitragem? Não só o Coritiba, mas todos os clubes? Nada. O negócio todo é profissional e o árbitro não.

NA: Camisa pesa?

SS: Não vou dizer que não, mas isso não é tão relevante assim. É o que eu disse: tem pressão de todo lado. O exemplo do Equador é perfeito: cumpri a regra, dentro do estádio deles, do país deles. Foi pênalti.

NA: Com tanta pressão, ser árbitro vale a pena?

SS: Vale. Sou muito feliz com o que faço e o que fiz na minha carreira. Tenho orgulho dela, fui um bom árbitro na minha avaliação.

Em tempo: Sálvio Spinola comentou a partida entre Chelsea x Benfica, 2-1 para os ingleses. Nos poucos lances duvidosos do jogo, acertou, confirmando sua opinião antes do replay. Depois, partiu para o Pacaembu observar Corinthians 1-1 Boca Jrs., pela Libertadores, com arbitragem contestada de Carlos Amarilla.

Veja o lance com Bill, citado por Spinola, aos 7`03:

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Arbitragem decidiu o primeiro turno no Paranaense? Participe do debate

O primeiro turno do Paranaense terminou com muita polêmica. Em xeque, a arbitragem paranaense. O blog então propõe um exercício.

Desde 2011, o site Placar Real acompanha, rodada a rodada, o desempenho dos árbitros no Brasileirão. Os critérios estão explicados nesse link e, resumidamente, presumem 1 gol para cada pênalti não marcado – decidido se corretamente ou não de maneira subjetiva, a partir da análise de profissionais de imprensa. Gols em impedimento são anulados, gols mal anulados são computados e assim vai. Como exemplo, em 2011, o site salvaria o Atlético do rebaixamento, colocando o Cruzeiro no lugar; em 2012, o Coritiba saltaria 5 posições, do 13o para o 8o lugar.

Aplicando os conceitos do “Placar Real”, exemplificando com imagens dos lances na internet e abrindo para a discussão (sem ofensas) nos comentários – o que inclui um update deste post mediante as sugestões do leitor – analisei 7 jogos que mudariam a classificação da primeira fase do Estadual. Vamos a eles:

1) 2a rodada: Nacional 1-1 Atlético

Árbitro: Paulo Roberto Alves Jr.
Reclamação: Pênalti mal marcado a favor do Atlético.
Lance:

Pela imagem, Héracles (aos 0’13) projeta o corpo antes do choque com o zagueiro do NAC.

Veredito: procedente.
Consequência: menos um ponto para o Atlético, mais dois para o NAC.

2) 2a rodada: Arapongas 1-1 Operário

Árbitro: Fábio Filipus
Reclamação: Pênalti não marcado para o Arapongas.
Lance: Indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma.

3) 4a rodada: Operário 2-1 Cianorte

Árbitro: Rafael Pedro Feza
Reclamação: Gol do Cianorte em posição de impedimento.
Lance:

Pela imagem, os dois atacantes do Cianorte, incluindo o artilheiro Mineiro, estão em posição legal (1’25).

Veredito: improcedente.
Consequência: nenhuma.

4) 4a rodada: Coritiba 1-0 J. Malucelli

Árbitro: Leandro Hermes.
Reclamação: pênalti não marcado de Escudero em Leandro.
Lance:

A partir dos 3’04, a sequencia de ataques do J. Malucelli acaba com um cruzamento na área em que o zagueiro coxa puxa o atacante do Jotinha.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos para o Coxa, mais um para o J. Malucelli.

5) 6a rodada: Arapongas 0-0 Toledo

Árbitro: Antônio Valdir dos Santos.
Reclamação: pênalti a favor do Arapongas.
Lance: indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma

6) 8a rodada: J. Malucelli 2-2 Paraná

Árbitro: Adriano Milczvski
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Paraná.
Lances:

Aos 1′ 36, Luizinho recebe e cai na área em dividida com o zagueiro; ele projeta o corpo e rapidamente se levanta – não foi pênalti; na sequência, novamente com Luizinho, cruzamento na área e a bola toca o braço do jogador do J. Malucelli, que está junto ao corpo, sem desviar a trajetória. De novo, nada. Aos 3’47, Alex Alves é puxado dentro da área: pênalti não marcado.

Veredito: procedente.
Consequência: mais dois pontos ao Paraná, menos um para o J. Malucelli.

7) 11a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Árbitro: Felipe Gomes da Silva
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Londrina, um para o Coritiba.
Lances:

Aos 0`33, bola chutada por Germano; ela desvia no peito e no braço de Pereira, saindo da direção do gol: pênalti. Aos 0’39, no cruzamento, os braços de Robinho, que estão junto ao corpo; normal. Aos 0’42, Rafinha dá um carrinho na área e carrega a bola com o braço; pênalti. Além desses lances, outro que não está no vídeo é o pênalti em Arthur, disponibilizado abaixo no site da RPCTV, clicando na foto.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos ao Coritiba, mais um para o Londrina.

Logo, a classificação do 1o turno, com os jogos acima, ficaria assim:

Lembrou de mais algum lance? Concorda com todos, discorda de algum? O debate, com educação, é de vocês, nos comentários abaixo.

O levantamento tomou dois dias de pesquisas – o árbitro tem segundos para decidir um lance. A frase, lugar comum, explica mas não anula o problema. Não há clube que não tenha sofrido com o apito e isso acaba ficando na conta comum a todos. Ora um reclama, ora outro – mas, apesar da graça de se debater arbitragem, como reza outro senso comum, o bom juiz é o que não aparece.

O primeiro passo para se resolver uma situação é debater os problemas e encará-los de frente. Se a arbitragem paranaense, sem nenhum árbitro Fifa e com renovação contestada não está agradando, o pontapé inicial está dado com esse singelo levantamento.

UPDATE

Recebi ao longo do dia outros vários lances de discussão. A imensa maioria em Londrina x Coritiba – o post fala de todo o primeiro turno, mas o assunto mais quente é esse. Aos que entenderam a discussão, obrigado! Repito aqui o que disse no Twitter para alguns torcedores ao longo do dia: se esse debate não passar por uma reflexão de quem organiza o esporte, não terá validade além de discussões de boteco. É papel da imprensa trazer à tona – agrade ou desagrade quem seja.

Seguem os lances reclamados e a análise:

6a rodada: Operário 1-1 Paraná

Reclamação: falta de Alex em Anderson no gol do Operário.

Veredito: improcedente. O jogador do Fantasma aproveita-se do posicionamento ruim de Anderson – a defesa do Paraná sequer reclama o lance.
Consequência: nenhuma.

10a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Reclamações: pênalti em Chico, falta em Eltinho e cotovelada em Rafinha.

Veredito: procedente, exceção do pênalti em Chico, que é lance normal de jogo – os atletas sobem juntos na disputa de bola. No lance de ataque do Londrina, Eltinho é empurrado (o camisa 6 do Londrina, Silvinho, vai somente na direção do jogador) o que seria falta na origem do lance que originou a reclamação principal do Londrina e, posteriormente, o gol do Coritiba; no lance de ataque do Coritiba, pela imagem, fica clara a ação de Germano para bloquear a passagem do atacante do Coxa – não fica clara, no entanto, a cotovelada. O lance, rápido, ainda deixa outra dúvida: a falta se origina na entrada da área e termina dentro (0’58), o que está frisado abaixo. Entretanto, assim como as fotos que circulam no lance de Pereira, a dinâmica da ação deve ser percebida no vídeo acima.


Consequências: falta de Germano – passível de cartão – na entrada da área; impugnação de todo o lance que envolveu Pereira.

  • Arbitragens

É inegável que boa parte das queixas em Londrina x Coritiba vieram do acúmulo de erros nos jogos entre os dois times. A arbitragem de Felipe Gomes da Silva já recebeu críticas públicas do observador de árbitros da FPF, Gilson Bento Coutinho, disse que viu três pênaltis no jogo. Felipe Gomes da Silva é o mesmo árbitro que apitou Vasco x Olaria e marcou o pênalti abaixo para o Vasco (aos 3’00) em 2011. Veio apitar no Paraná, que atualmente não tem nenhum árbitro Fifa no quadro e vive uma dificuldade de renovar o quadro.

A campanha do Coritiba no 1o turno é irrepreensível. Ninguém, mais que o próprio coxa-branca, quer comemorar um título que fique maculado pelas más arbitragens – especialmente quem já sofreu em duas decisões da Copa do Brasil. Mas é fato que erros aconteceram. E, na dinâmica do futebol, sabe-se que apesar da brincadeira do “Placar Real” ser divertida,  um lance anulado ou apitado não necessariamente resulta em gol. Além de que, por exemplo, o pênalti não dado em J. Malucelli 2-2 Paraná (que eu mesmo tive dúvidas até ver várias vezes) poderia ter mudado o ânimo do campeonato. Os erros sucedem os jogos e mudam a própria competição.

Os erros em Londrina têm consigo outro “crime”: a luta para que uma cidade do porte da Capital do Café leve 30 mil pessoas a um jogo importante, no resgate do time da cidade em um dia de clássico paulista na TV, acaba se perdendo. Ganhar ou perder fazem parte do jogo; o que nem coxas, nem londrinenses, nem ninguém aguenta mais é estar à mercê de decisões subjetivas.

E, ressalte-se, são ERROS. Falar em direcionamento é conspiração – até que se prove o contrário – é leviano. Se você sabe de algo concreto, cabe a denúncia. A princípio, o que a FPF e a CBF precisam é de uma grande reciclagem nos árbitros, com melhor treinamento e orientação. E a Fifa precisa entender que a “graça” do subjetivo no futebol acaba quando se tem um prejuízo por estar de fora de uma competição após um erro.

Para encerrar – por ora – esse assunto, sugiro que ouçam a entrevista que o ex-diretor nacional de arbitragem, Aristeu Tavares, deu ao jornal “O Popular” de Goiânia. Ele assume que podem existir esquemas de arbitragem no país e que recebeu denúncias. Foi afastado do cargo pouco depois.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 06/06/2012

Sentido litoral

Dois dos próximos jogos com mando do Atlético na Série B do Brasileiro serão no Estádio Fernando Charbub Farah, o Gigante do Itiberê, em Paranaguá. No entanto, o clube ainda tenta manter as demais partidas na Vila Capanema, contando com o apoio da CBF. As partidas contra Goiás e Ipatinga são as únicas 100% confirmadas para o estádio no litoral (98 km), com capacidade para cerca de 12 mil pessoas. Hoje, o clube divulga ter 14.434 sócios, que terão de percorrer a distância citada para ver o time. A média de público, entretanto, não tem ultrapassado as cinco mil pessoas. Uma das cartadas do Atlético para se manter em Curitiba, além da parceria na Copa, é o fato do volume de jogos do Paraná na Vila começar a diminuir, com o fim da Série Prata. A CBF tem marcado os locais dos jogos apenas dias antes dos mesmos.

Com que roupa?

Apesar de já estar há seis meses patrocinado pela Nike, o Coritiba ainda disponibiliza para seus jogadores, em treinamentos, material esportivo da antiga fornecedora, a Lotto. Segundo o clube, ainda faltam algumas peças, como o próprio material de treinamento. A justificativa da nova fornecedora é de que os materiais dessa linha são importados – por isso o atraso. Outra queixa, em especial da torcida, é a ausência da camisa 2 na linha de uniformes do Coxa. O modelo já foi aprovado pela diretoria e é predominantemente verde, para contraste com o número 1, lembrando a famosa “jogadeira”, com listras brancas. Deve ser lançada ainda no Campeonato Brasileiro, antes do aniversário de 103 anos do clube.

Desempenho

Escrevo antes do fim do jogo de ontem, entre Goiás e Paraná. O Tricolor costuma se dar bem no Serra Dourada, mas uma derrota lá é algo normal. Porém, já começa a pesar outra análise: a de que ao enfrentar times mais preparados que os da Série Prata estadual, o Paraná não tem conseguido resultados. Perdeu duas para o Palmeiras, perdeu para o América-MG, empatou com os paulistas Bragantino e Guarani (este, em casa) e como melhores resultados na temporada até aqui, dois empates com o Ceará, que valeram vaga nas oitavas da Copa do Brasil. Pode ser que o resultado que esteja nesse jornal traga novidades, mas começo a pensar que o elenco montado não é competitivo o suficiente para essa Série B. E não falo de acesso.

Arbitragem e reciclagem

Criticada ao longo de todo o Campeonato Paranaense, a arbitragem local continua desprestigiada com o início do Brasileirão. Apenas Evandro Roman e Héber Lopes estarão em campo nos 20 jogos das 3ª e 4ª rodadas. Cada um apitando um jogo. Os de sempre, sem renovação. A pensar.

Atletiba #351: ainda a arbitragem – mas era pra ser mais que isso

Foi um grande jogo. Placar de 2-2 e vantagem pequena para o Coritiba, que agora decidirá em casa, onde não perde há 4 anos para o Atlético – que, de quebra, terá que fazer jogo duro em MG, contra o Cruzeiro, enquanto o Coxa descansa.

O Atletiba 351 merecia ser lembrado pelas alternativas: o Coxa que saiu na frente em jogada individual de Éverton Ribeiro, limpando bem o bote errado de Bruno Costa e batendo com o “pé ruim”, segundo ele. Menino tem estrela em clássicos; poderia também ser lembrado pela insistência de Liguera no primeiro gol atleticano, ao brigar pela posse de bola duas vezes, até que no bate-rebate, sobrasse para Bruno Mineiro. Que se não é um Batistuta, mete gols (não a toa tem 12 gols, mesmo tendo ficado de fora de quase todo o segundo turno). O insistente Liguera também dividiu com Vanderlei, que falhou no gol da virada rubro-negra; depois, Anderson Aquino empatou, premiando a ousadia de Marcelo Oliveira em detrimento do erro de Juan Carrasco, que sacou Ricardinho para entrada de Zezinho, recuando o time. Oliveira foi pra cima e buscou o empate.

Mas aí começam as reclamações. E, sempre com a ressalva de estar horas depois, com o controle da TV na mão, peguei mais um piolho na arbitragem ruim de Evandro Rogério Roman, que pelo porte físico acima do peso mostra que a Secretaria de Esportes lhe está dando prosperidade.

Anderson Aquino estava impedido no gol de empate do Coxa. Vi, revi o lance, voltei a imagem, já no Revista RPC. Tarde, mas válida observação por que vai de encontro ao evidente: a arbitragem paranaense está em baixa. Primeiro, a imagem:

Emerson toca na bola para driblar Manoel e ela sobra para Aquino, impedido
O vídeo abaixo tem os melhores momentos da partida. Em velocidade, percebe-se melhor, no ângulo lateral, o erro de arbitragem que ia passando batido:

Update: link com a imagem da Revista RPC:

http://redeglobo.globo.com/platb/rpctv-revistarpc/2012/05/07/decisao-do-paranense-ficou-para-o-segundo-atletiba/

Não foi o único erro. Quando o jogo estava 2-1 para o Atlético, houve um pênalti claríssimo de Bruno Costa, ao tocar com a mão na bola dentro da área:

E ainda com o placar em 2-1 Furacão, um pênalti claro de Lucas Mendes em Zezinho, no link abaixo no site da TV Globo:

http://globotv.globo.com/globocom/tempo-real/v/polemica-zezinho-cai-na-area-mas-o-juiz-manda-seguir-aos-26-minutos-do-segundo-tempo/1935373

Não foi por falta de aviso: o campeonato inteiro foi repleto de erros de arbitragem. Como a questão se tornou política, esqueceram de se preocupar com a qualidade. Mas os dois melhores, Heber e Roman, vivem má fase. Pelo físico, Roman já está pensando em se aposentar. E Heber Lopes segue o mesmo caminho, apitando de longe os lances.

Já está virando folclore, claro. Afinal, o Atlético sempre acaba tendo algo a reclamar e, como a vantagem recente do Coritiba em clássicos perdura, tudo caminha para chacota. Normal para os torcedores.

Mas para quem dirige o futebol paranaense, não. Não creio em teorias da conspiração. Não seria a mesma FPF que brigou com o Coxa pelo uso do Couto Pereira ao Atlético que iria armar um campeonato para o Alviverde. A resposta é bem mais simples: desqualificação.

Ainda há tempo de pensar em árbitros melhores para a finalíssima.

Fiasco

Alguém, escrevendo em tom parecido com o que o presidente Mário Celso Petraglia usa em seu twitter pessoal, usou a ferramenta de comunicação do clube para culpar a arbitragem (nada sobre o lance de Anderson Aquino, acredito que a primeira menção seja aqui no blog) e… “desabafar” contra o momento do próprio clube.

Um fiasco. O twitter do clube, com cerca de 40 mil seguidores, é uma ferramenta institucional de comunicação. Não pode se prestar a desabafos de quem quer que seja. Se foi um estagiário ou profissional contratado, deve ser identificado e responder por isso; se foi o presidente, que já negou (mas tem um estilo muito característico de se expressar para ser confundido), pior ainda, pois teria se apossado de um meio institucional que ele mesmo prega ser o melhor canal de comunicação do clube. Provou que, nesse caminho, está longe disso.

Aliás, o próprio TJD-PR pode impor uma sanção ao clube, que tem meios oficiais para reclamar, protocolando na FPF.

Feio.

Vantagem

Uma semana para descansar, tratar Rafinha, defender um tabu de 4 anos, com casa cheia. O Coritiba é favorito para ser campeão, embora seja uma vantagem muito curta, já que os times são parelhos. Joga só pela vitória (novo empate e teremos pênaltis) mas evitou que o Atlético usasse o seu mando de campo como arma.

Longe de dizer que o Atlético está morto, porque não está. Mas existe uma pequena e inegável vantagem para que o Coxa chegue ao tri-estadual.

Rápidas e precisas

Atletiba: arbitragem de fora praticamente descartada

As pretensões do Atlético em trazer árbitros de fora para os dois clássicos finais do Paranaense 2012 devem dar em nada. O Furacão terá que travar uma queda de braço com a FPF e o Coritiba, já publicamente contrários a posição rubro-negra. Além disso, informações de bastidores já dão conta de que Héber Roberto Lopes e Evandro Rogério Roman irão apitar, cada um, uma das partidas – muito embora isso tenha de ser definido por sorteio.

Foi o que cravou o ex-árbitro Valdir de Córdova Bicudo na sua coluna no site Paraná Online na última terça-feira: “Segundo fui informado, foram “preservados” do clássico Atletiba do último domingo, para serem utilizados nos dois jogos decisivos envolvendo, Coritiba x Atlético/PR.”

Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre o assunto. Ele foi taxativo: “Isso é uma besteira. O Coritiba é contra e não vai aceitar. É um desprestigio com o futebol paranaense. Algumas das reclamações podem ser verdadeiras, mas a maior parte é invenção dos atleticanos. E eu vejo campeonato Paulista, Carioca, e a arbitragem deles, é tudo meio igual aqui.” Vilson ainda me disse que o Coritiba vetará e brigará para que os árbitros locais estejam na decisão, caso o pedido atleticano seja levado adiante.

Mário Celso Petraglia não concedeu entrevista, mas conversei com um conselheiro do clube que ouviu de Petraglia que já ouve um pedido oficial por árbitros de fora e que o mandatário atleticano está revoltado com a qualidade do apito local. Petraglia teria até bradado para o conselho, em tom jocoso, que “se for para sermos roubados, que seja por um desconhecido.”

Já a FPF demonstrou que não tem a menor disposição em chamar árbitros de outras federações para a decisão estadual. Amilton Stival, vice-presidente, comentou o pedido do Atlético: “Eles tem o direito de solicitar. Atender é outra situação.” Para Stival, não há porque mudar na decisão. “Eu não concordo com isso. Se eles [árbitros] serviram pra apitar 22 rodadas, porque agora trocar? Nós vamos dar crédito pros nossos árbitros. Somos formadores e acreditamos neles.

Questionei Stival se ele concorda que houve muitos erros ao longo do campeonato e que a imagem dos juízes paranaenses estaria desgastada. A resposta: “Eu não posso dizer que dá pra brigar com a máquina chamada TV. A pessoa para o lance, dá slow motion, etc. O árbitro é um ser humano que tem que decidir na hora. As vezes os críticos vêem 10x pra opiniar e o arbitro decide em um segundo. Aí ficam, ‘tava com o biquinho da chuteira impedido!’ Isso não tem, as vezes é tão rápido e o olho humano não é máquina.”

Opinião

Particularmente, independente das posições dos clubes, entendo que seria uma boa ideia trazer árbitros de fora para apitar. É inegável que o campeonato teve muita polêmica no apito e que, cobrança feita não hoje ou apenas ontem, mas ao longo de todo o campeonato, a arbitragem local deve ser reciclada.

Mas mais do que isso, basta ver quais são os principais nomes. Heber Roberto Lopes entra pressionado pelo Atlético, com forte – e pública – rejeição da diretoria e torcida do clube; Evandro Rogério Roman tem se dedicado mais à Secretaria Estadual de Esportes e, no jogo mais importante que apitou, errou três vezes, duas contra o Tubarão e uma contra o Coxa em Coritiba 1-0 Londrina. Está visivelmente sem ritmo. Adriano Milczevicz tem rejeição da torcida alviverde, Antônio Denival de Moraes foi questionado quando apitou o último Atletiba e os demais são muito crus.

Um Paulo César de Oliveira resolveria a parada e deixaria os times prontos para falar só em futebol. Tira a pressão antes do jogo.

Chico coxa-branca?

A montagem acima pode acontecer em julho. Trabalhei em Paraná 1-2 Palmeiras pela Rádio Jovem Pan SP e, conversando com os colegas de lá, o Palmeiras dá como certa a vinda do volante, ex-Atlético, ao Coritiba. Conversei com Vilson Ribeiro de Andrade sobre a chegada do volante:

“O Chico termina contrato no final do ano [na verdade, Janeiro/2013] com o Palmeiras e vai ficar livre pra assinar pré-contrato. Me parece que o Palmeiras não o quer mais, mas entre o Coritiba e ele não há nada ainda”

– Mas não vai ser surpresa se ele chegar aqui em julho?

“Não.”

Pra bom entendedor…

Enfim, caso Chico assine com o Coritiba, entra pra história dos dois clubes como mais um “vira-casaca”. O último deu certo no Coxa: Marcos Aurélio.

Você, coxa-branca, vê a negociação com restrições por ser um ex-atleticano? Você, atleticano, sente-se como com a possível ida de Chico ao Coxa? Responda nos comentários. Eis Chico com a rubro-negra:

Paraná: novo esquema comercial

O Paraná Clube mudou a estratégia de marketing para explorar os espaços na Vila Capanema e na camisa tricolor. O clube montou três representações comerciais, no Rio, São Paulo e Brasília, para buscar patrocinadores. O patrocínio para dois jogos da papelaria Kalunga, estimado em cerca de R$ 80 mil, já veio desta forma, costurado pelo diretor geral da rede de rádios Transamérica, Guilherme Albuquerque, paranista e representante em SP.