Diário “Olé” denuncia esquema de ingressos pra Copa através de Organizadas

Giba, da Organizada "Guarda Popular": 200 ingressos ganhos e revendidos

“Como você os conseguiu, se estão todos esgotados?”

– Política. E os meus amigos [das torcidas de] Cruzeiro e Flamengo também tem mais.

É com essa resposta que o Diário argentino “Olé” denúncia a revenda de ingressos para os jogos da Seleção Argentina para a Copa 2014, nas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O entrevistado, sem pudor algum de contar a prática, é Giba, batizado Gilberto Bitancourt Viegas, notório membro da “Guarda Popular” do Inter, uma das organizadas do Colorado.

A matéria, assinada pelo jornalista Gustavo Grabia, pode ser lida aqui, em espanhol. E traz a informação de um acordo entre as organizadas do Inter e do Independiente, parceiras desde a decisão da Recopa Sulamericana em 2011. Giba conta o esquema para receber cerca de 1200 argentinos no Brasil, com entradas garantidas para os jogos na primeira fase, contra Nigéria, Bósnia e Irã. Nem todos terão ingressos. “Aí é problema deles conseguir”, afirma Giba, que não revelou os meios políticos com os quais furou a fila mundial e repassa agora as entradas aos hermanos. Também não revelou o preço dos ingressos.

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Perdemos o futebol

A foto impressiona: nem Cristo daria jeito

Eu ainda era criança, tinha quatro ou cinco anos, quando meu avô, um são-paulino radicado no Paraná, me pegou no colo e disse: “Vamos dar uma volta, vou te levar nos estádios [de Curitiba] e você vai escolher um time da sua cidade pra torcer”. Escolhi. Durante todos os anos que vieram a seguir, vi meu amor por esse esporte crescer. Alegrias, tristezas. A paixão foi tanta que resolvi até trabalhar com isso, como jornalista. Foram momentos bons e ruins, inesquecíveis, ao lado da família, dos amigos, das namoradas… enfim, você que está lendo esse texto certamente passou por isso também.

Por isso é que eu sinto muito em lhe informar: perdemos o futebol.

Ele morreu. Foi embora, perdeu-se no tempo. Não foi ontem, na Arena Joinville. Como em tudo na vida, isso veio acontecendo há tempos. Desde aquela tarde de 20 de agosto de 1995, quando um torcedor do São Paulo foi espancado até a morte no Pacaembu, durante a Supercopa SP de Futebol Júnior, o futebol adoeceu. Perdeu seu objetivo. Nas Laranjeiras em 1996, a doença cresceu. Nas inúmeras e incontáveis brigas entre torcidas organizadas nas ruas das capitais, ela ganhou corpo. Em 2009, no Couto Pereira, se tornou incurável. Neste ano, matou Kevin Espada em Oruro, na Bolívia. E neste domingo chegou ao ápice, em Joinville. Nesses anos todos, de maneira passiva e muitas vezes partidária, assistimos impávidos a morte da nossa grande paixão.

Dirigentes coniventes e omissos, mesmo os mais radicais, se atrelam aos organizados por poder e manutenção de um colégio eleitoral favorávael. Dirão, pela milésima vez, que não é possível generalizar, que existem projetos sociais nas organizadas, blablabla. Pois lá estão elas, de novo, envolvidas em mais uma vergonha. Os rostos estão aí. O poder público não prende ninguém; se a polícia o faz, acaba tendo de soltá-los. Na próxima partida, estão lá. Você, não. A não ser que não tenha amor à vida.

Vampirizam os clubes, amedontram famílias e seguem impávidos no alto de seus tambores, marcando brigas e estabelecendo um reinado de terror nas ruas e nos estádios do Brasil. Perdi a conta das mortes. Ninguém se salva. Nenhuma cor, nenhuma camisa, nenhuma facção. Basta andar por uma delas e ver o consumo pesado de drogas, o uso desenfreado de bebidas alcoólicas. E você lá, proíbido até de tomar a sua cervejinha, “vilã” que saiu dos estádios, mas não levou a violência consigo.

Não tem mais fundo esse buraco. Não adianta falar, há que se agir. Identificar, punir e prender os vândalos, punir os clubes que lhes dão guarida, afastá-los do futebol. Na era das novas Arenas, o conceito está mais próximo do que era na Roma antiga. 

Culpados e inocentes

Organizada atleticana alerta crianças e mulheres: guerra marcada

Inocente em Joinville só mesmo os que assistiram horrorizados ao confronto nas arquibancadas. O Atlético e o Vasco concorrem com culpa indireta e devem ser punidos com o rigor da lei desportiva. As organizadas devem ser punidas também. Falar em fechamento é hipocrisia. Reunirão-se sob outro nome e outro símbolo, como já aconteceu, e seguirão nesse rentável negócio. é prender e multar o CNPJ da empresa que elas têm. Os sócios dos clubes, que perderão seu direito ao jogo, devem processar os clubes e as organizadas pela perda futura. Só doendo no bolso deste tipo de gente é que se muda algo.

O Ministério Público de Santa Catatina idealizou corretamente a ausência da Polícia Militar do mesmo Estado, dizendo o óbvio: evento particular, segurança particular. No entanto, erra também ao ignorar o risco de violência. Infelizmente, devemos assumir que não somos uma sociedade perfeita e que alguns animais devem ficar na jaula. No mundo ideal, a PM não deveria mesmo bancar babá de Organizada. Mas o Mundo está longe do ideal e é o cidadão comum que está sofrendo.

Atletiba 350: entenda a situação da “torcida única”

O TJD-PR irá julgar na próxima quarta-feira, 04/04, na 3a comissão, a medida tomada por Atlético e Coritiba de realizar o Atletiba 349, no dia 22/02, com a presença apenas da torcida rubro-negra.

A decisão fere o Estatuto do Torcedor em dois artigos (13 e 14) e também o artigo 24 do regulamento do Campeonato Paranaense. A procuradoria do TJD-PR ofereceu denúncia contra os dois clubes pelo descumprimento da lei, em uma petição de quatro laudas, feita pelo procurador Marcelo Contini. Nela, a procuradoria afirma não ter nenhum pedido oficial do Ministério Público do Paraná exigindo a realização do clássico com restrição de torcidas. De fato, a única manifestação do MP-PR foi um pronunciamento lamentando a decisão e assumindo estar “rasgando o Estatuto do Torcedor”, como você pode conferir nesse link.

Aliás, recomendo a leitura do post do link, de fevereiro, e o que está logo abaixo, para que você torcedor entenda a parte que lhe cabe no processo.

Agora, a parte que mais interessa ao torcedor: a decisão do TJD-PR, seja qual for, não tem poder de influir na realização do clássico 350, em 22/04, com torcida única ou não. O que o TJD pode fazer é punir os clubes pela medida adotada, mas não pode obrigar a que o jogo do Couto Pereira tenha duas torcidas. Isso só pode ser feito pelo MP-PR – e pelo próprio torcedor, na ocasião da definição dos ingressos, caso haja interesse, via procuradoria do consumidor.

O que o TJD-PR fará é apenar (ou não) os clubes com multa pela decisão tomada, após julgamento. Se inocentados, um problema a menos para a realização de novo clássico com torcida única; se não, a tendência é que os clubes, se repetirem a decisão, sejam novamente punidos financeiramente, com multa que pode chegar a R$ 100 mil por infração.

Em tempo: o Atletiba 349 foi marcado por violência na cidade, mesmo com torcida única, como mostram os links abaixo.

http://www.bemparana.com.br/noticia/206584/vrios-pontos-da-cidade-registram-confrontos-de-torcedores

http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/noticias/0,,OI5627962-EI19282,00-Atletiba+com+torcida+unica+nao+evita+casos+de+violencia.html

http://blogs.98fmcuritiba.com.br/98narede/2012/02/23/policia-militar-afirma-que-atletiba-com-torcida-unica-nao-mudou-panorama-de-violencia/

A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Debate: violência e torcidas

Em um dos especiais de final de ano, o Jogo Aberto Paraná debateu a violência no futebol. A participação das torcidas organizadas nas brigas, o controle – ou descontrole – emocional motivado pelo futebol, a ação e métodos da polícia e a compreensão do tema foram debatidos no programa, que contou com a presença do historiador Luiz Carlos Ribeiro, mestre da UFPR, e do capitão Márcio Maia, da PMPR.

Acompanhe o debate e opine mais abaixo!

Opinião:

A principal arma da democracia contra a violência é o debate de idéias. É a partir da compreensão dos nossos problemas que podemos entender necessidades e resolver as questões. Esse espaço se propõe a isso, diariamente.

Estamos vivendo uma época de debate intenso e acalorado sobre a possibilidade de mando de campo do Atlético no Couto Pereira. Em meio a muitas opiniões apaixonadas, confesso que me surpreendi com a resposta dos leitores do blog sobre o tema do post abaixo: supondo que a FPF requisite via Justiça o Couto para que o Atlético jogue, os Atletibas deveria ter torcida única? O tema, provocativo e diante de uma suposição ainda pendente na justiça, teve maioria de resposta – a meu ver – positiva.

Setenta e dois por cento dos leitores acreditam que a tolerância e a convivência são os melhores caminhos e, por isso, os clássicos não devem ter torcida única; 28% são mais temerosos e acreditam que o controle da violência seria mais fácil com apenas uma torcida no campo.

O exemplo na resposta da enquete tem que ser posto em prática. A tolerância não deve ficar só no discurso: tem que ser exercida. Assim sendo, o debate deve se manter em alto nível, sem acusações ou ofensas, para que cheguemos a um denominador comum, pacífico.

Utopia? Talvez.

Felipe Ximenes garante Marcelo Oliveira no Coxa

Ontem, a produção do Jogo Aberto Paraná ouviu o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, sobre as pressões da torcida em cima do técnico Marcelo Oliveira.

Ximenes foi categórico: desconhece qualquer tipo de pressão e dá mão firme ao treinador. Assista:

O Jogo Aberto Paraná é exibido de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba. Assista!