Abrindo o Jogo da Série B – guia do acesso

“É o Palmeiras e mais três.” Você vai cansar de ouvir essa frase até o final do ano, quando se falar na Série B do Brasileiro. E ela tem muito fundamento: o Palmeiras é o time que mais recebe da televisão e em patrocínios e é, ao lado do Sport, um dos campeões brasileiros na Segundona neste ano. Ambos têm obrigação de subir. Então seria o “Palmeiras, o Sport e mais dois, certo?” Não. O dinheiro fala mais alto, mas a Série B é cheia de armadilhas.

Uma delas é a montagem do elenco. Time bom ganha em qualquer campo, mas não espere moleza se o espírito dos jogadores não estiver no clima de encarar viagens de ônibus até Varginha e Juazeiro, por exemplo. Além disso, o Palmeiras é o milionário (mesmo com dívidas) o Sport não: é mais rico que boa parte dos times, mas não muito mais que Ceará, Atlético-GO, Figueirense e outros. Por isso, ambos têm obrigação de subir, mas a do Sport é menor. E também por isso, não se espante se o Palmeiras não subir campeão.

A Série B tem times acostumados à competição e que também querem seu lugar ao sol. Forças regionais, como Paraná, Avaí e Paysandu, podem chegar. Outros podem tirar pontos preciosos nessa caminhada, como os Américas Mineiro e Potiguar e o Joinville. Mas, não se pode negar, existem sim as babas. Jogos em que os pontos são praticamente certos – o que não deixa de ser um perigo se houver desatenção. A Série B mudou muito desde que o Palmeiras a venceu em 2003 – e pra melhor. Mas para defini-la, empresto uma frase do amigo Dionísio Filho, ex-jogador e comentarista em Curitiba: “É como o céu: é ótima, mas ninguém tem pressa de morrer pra ir para lá.”

O céu, pra quem tá embaixo, é a Série A. E o blog arrisca uma leitura do que pode acontecer, com base nos estaduais e nos elencos até hoje. Alguns devem mudar, mas menos que na elite nacional. Por isso, aponto os favoritos ao acesso, quem pode surpreender, os que farão figuração e os rebaixáveis.  Em dezembro, conversamos de novo, ok?

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Favoritos:

Palmeiras, Sport, Paraná, Ceará, Figueirense, Atlético-GO e Paysandu.

O Palmeiras pode até não ser o campeão da Série B 2013, mas subirá com absoluta certeza. Não é difícil ver nem explicar isso, mas a base é o dinheiro. O exemplo vem do ano passado, quando o Atlético saiu de um 14º lugar para o 3º posto – teve até chance de título – a partir de uma arrancada com a reformulação de elenco. O Verdão tem muito mais recursos que qualquer outra equipe. O que precisa é ter cabeça e a atual diretoria já mostrou que tem, nas derrotas para Mirassol e Tijuana, mantendo o bom Gilson Kleina. Sem medo de errar: o Palmeiras subirá para a primeira divisão sem duvidas. Resta ver se com ou sem emoção.

Na Série B: Quatro vezes (todas estatísticas incluem a Taça de Prata), campeão em 2003

O Sport abrirá a Série B em crise, após a eliminação na Copa do Brasil e o vice-campeonato estadual, que custaram o cargo do técnico Sérgio Guedes. Mas tudo o que vale para o Palmeiras, vale para o Sport, em menor proporção. Incluindo o fato de que, se o acesso do Palmeiras é garantido e o título não, para o Sport o título é possível e o acesso uma meta, mas não garantida.

Na Série B: 10 vezes, campeão em 1990

A grande surpresa desta Série B pode ser o Paraná. Surpresa em termos, pois o Tricolor vai aparecer em quase todas as listas de favoritos ao acesso, como nos últimos anos. Entretanto, acabava decepcionando pois a inclusão vinha pelo histórico. Desta vez não: o clube está mais organizado e aposta em Dado Cavalcanti, que brilhou no Mogi-Mirim, como o comandante deste objetivo.

Na Série B: Sete vezes, campeão em 1992 e 2000.

O tricampeão estadual Ceará é outra força para esta Série B. Isso porque conhece a competição como ninguém – o que é um paradoxo – sendo o time que mais disputou a Segundona. Reinando absoluto no Estado, quer voltar a elite que deixou em 2011, apostando no novo Castelão, nos conhecidos Fernando Henrique e Mota e no estilo gaúcho do técnico Leandro Campos.

Na Série B: 24 vezes, nenhum título.

O Figueirense é mais um exemplo de clube que pode chegar pela estrutura muito mais do que pelo que apresentou até aqui em 2013, tal qual o Sport. Apesar de ser o terceiro colocado no geral, novamente decepcionou após campanha boa na fase classificatória, eliminado pela Chapecoense. Manteve o técnico Adilson Batista, o que é sinal de estabilidade, e conta com a força da torcida no Scarpelli para fazer a diferença em Florianópolis.

Na Série B: Oito vezes, nenhum título.

O Atlético-GO viveu uma crise política por conta de denúncias de corrupção e até mesmo de envolvimento de um dos seus dirigentes no assassinato de um cronista esportivo em Goiânia. Entretanto, em campo, o time parece ter sentido pouco: ficou com o vice-campeonato estadual e eliminou dois adversários na Copa do Brasil sem precisar da partida de volta. Waldemar Lemos, o irmão do Osvaldo, é o técnico.

Na Série B: Nove vezes, nenhum título.

A volta do Paysandu à Série B já seria motivo suficiente para grande festa em Belém. Mas, apesar do título do Paraense, a eliminação na Copa do Brasil para o Naviraiense deixou todos com a pulga atrás da orelha. Ainda assim, trata-se do Papão, bicampeão da Série B, que obrigará adversários a uma longa viagem para cair no caldeirão do Mangueirão.

Na Série B: 12 vezes, campeão em 1991 e 2001.

Podem chegar:

Avaí, América-MG e Joinville.

O Avaí corre por fora na disputa. Está abaixo do rival Figueirense, mas aposta no técnico Ricardinho e em medalhões como o ídolo Marquinhos e Cléber Santana para ser competitivo. Tem também um alçapão, a Ressacada, onde não costuma perder.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

A esperança do América-MG é a renovação do elenco. O clube deu vexame no Mineiro, sendo apenas o 8º colocado. Até mesmo o Independência, casa do Coelho, já está mais com a cara do Galo que dele próprio. O sopro de esperança veio na ótima atuação contra o Avaí na Copa do Brasil e nos reforços do interior paulista. Não dá pra desprezar o Coelho.

Na Série B: 19 vezes, campeão em 1997.

A Arena Joinville é a grande arma do JEC para tentar o acesso. Mas existem outros trunfos, como um clube organizado, com salários em dia, e o eterno Lima, o “Limatador”, artilheiro do Tricolor catarinense. Em 2012, na volta à Série B, beliscou um sexto lugar; neste ano corre por fora para fazer melhor.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

Figurantes:

Chapecoense, ABC, América-RN, Bragantino e ASA

Os figurantes tem todos o mesmo nível técnico e perfil: equipes que devem complicar em casa e oferecer pouca resistência fora. A Chapecoense chega com o status de vice-campeã catarinense, perdendo o título para o Criciúma, da Série A, em duelo apertado. O ABC, que não chegou nem nas semifinais do Potiguar, surpreendeu ao tirar o Sport da Copa do Brasil. Conta com o Frasqueirão como arma, luxo que o rival América-RN não tem. O Mecão terá que jogar em Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal, num estádio novo, porém acanhado e ainda em obras, e reverter o impacto da perda do título estadual para o Potiguar de Mossoró. O Bragantino, 11º no Paulistão, carrega consigo a força do interior paulista, sempre rico e competitivo, perfil parecido com o do ASA, que, eliminado na semi do Alagoano, mantém como trunfos o desgaste da viagem até Arapiraca e o dinheiro das plantações de fumo. Entretanto, quem estiver na lista acima desta e perder pontos para os figurantes, fica cada vez mais longe da elite.

Rebaixáveis:

São Caetano, Guaratinguetá, Oeste, Icasa e Boa Esporte.

Se a Série A não tem moleza, o mesmo não pode se dizer da Série B. Os cinco times listados aqui deixarão nos adversários a obrigação de vencê-los em casa e de ao menos buscar um empate fora. Ainda assim, há que se ter cuidado com os paulistas. O São Caetano, rebaixado no Paulistão, pode surpreender se resolver seus problemas financeiros. Em 2012 só não subiu nos critérios, com a mesma pontuação do Vitória. O Oeste escapou da degola na última rodada do Paulistão, mesmo perdendo por 0-4 para o São Bernardo, em casa. O Guaratinguetá foi o 5º colocado na Série A2 Paulista, não subindo para a primeira divisão estadual. O Boa Esporte tem tudo para ser a baba da competição. Escapou do rebaixamento no Mineiro sendo o 10º em 12 equipes. O Icasa pode ser o mais surpreendente dos rebaixáveis. Foi 4º colocado no Cearense e aposta nos jogos em casa para escapar. De todos o desta lista, é o único que tem o fator casa. Os demais têm pouco ou nenhum apelo popular.

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Atlético jogará Brasileirão nas casas do Paraná

Vila Olímpica servirá à dupla da Rebouças no Brasileirão (Foto: AI CAP)

Atlético e Paraná chegaram a um acordo e o Rubro-Negro irá indicar os dois estádios do Tricolor para o Campeonato Brasileiro. A negociação será confirmada até quarta-feira pelas duas diretorias. O acordo inclui todos os acertos pendentes entre os clubes.

Sem acordo com o Coritiba (primeira ideia do Furacão) e sem contar com o apoio da CBF, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia procurou a diretoria paranista para conversar. As conversas começaram há cerca de 20 dias e incluíram visitas da diretoria rubro-negra aos dois estádios, para verificação de necessidades. Com o acordo, é possível que, chegando a decisão do Paranaense, o Atlético use a Vila Olímpica como mandante. No entanto, será preciso uma série de adequações, como instalação de câmeras de segurança, em tempo hábil.

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A diretoria atleticana chegou a cogitar mandar jogos contra os grandes de Rio e São Paulo (exceção ao Botafogo) e mais a dupla gaúcha em outros estádios pelo Brasil. Com o acordo com o Paraná, as possibilidades de isso acontecer são praticamente nulas. Houve conversa para que o time jogasse contra o Flamengo em um dos estádios da Copa, o que não foi confirmado.

A Vila Olímpica receberá jogos dos dois clubes nos inícios das Séries A e B. O Atlético tentou apressar a recuperação do gramado da Vila Capanema, propondo-se até a pagar a mais pelo trabalho, mas o Paraná manteve o projeto inicial e ambos só jogarão no Durival Britto e Silva após a Copa das Confederações, que vai de 15 a 30 de junho.

Buscando uma solução para não sair de Curitiba, o Atlético procurou o Paraná com ação pessoal de Petraglia, que sentou-se com Rubens Bohlen, Paulo César Silva e Celso Bittencourt após alguns telefonemas. Houve um primeiro momento de tensão na conversa, pela pendência financeira entre os clubes, que rapidamente se acertaram. O Atlético, inclusive, se propôs a ceder jogadores do elenco que não serão usados na Série A para que defendam o Paraná na disputa da Série B. Os nomes estão em avaliação pelo Tricolor e não tem relação direta com o aluguel dos estádios. O valor do aluguel não foi e não será confirmado por nenhum dos clubes, mas apurei que gira em torno de R$ 75 mil por jogo.

  • Os jogos da dupla na Vila Olímpica (antes da Copa das Confederações):

Atlético:

26/05 x Cruzeiro

01/06 x Flamengo*
*A confirmar, pode acontecer em um dos estádios da Copa 2014 fora de Curitiba

Paraná:

28/05 x São Caetano

08/06 x Figueirense

11/06 x ASA

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Os 5 maiores derbies da história

Atlético e Paraná se enfrentam pela 83a* vez nesse sábado, no Eco-Estádio. O jogo deve entrar na lista dos mais importantes do duelo entre os clubes: vale vaga na Série A para o Furacão e, para o Tricolor, uma chance histórica de atrapalhar o vizinho.

Mas, desde o primeiro jogo, em 03 de junho de 1990, quais os 5 jogos que mais marcaram a história dos encontros entre os dois clubes? O blog se propõe a lembrar cinco encontros históricos entre rubro-negros e tricolores.

*35 vitórias do Atlético, 21 do Paraná e 26 empates.

5 – Paraná 0-4 Atlético, 13/10/1993, Vila Capanema, Brasileirão Série A

Relegados pela CBF à um grupo secundário (e rebaixável) na Série A para beneficiar o Grêmio, Paraná (campeão da B-92 e com acesso garantido) e Atlético (Série A em 92 e com vaga garantida em 1993) duelaram em situações opostas. O Tricolor caminhava a passos largos para se manter na elite enquanto o Furacão sofria para tentar vaga entre os 8 dos Grupos C e D – Atlético-MG e Botafogo, piores clubes do campeonato no geral, estavam blindados.

Na Vila, o favoritismo era paranista. Era. O Atlético surpreendeu e impôs a primeira goleada nos confrontos até então.

4 – Atlético 0-2 Paraná, 05/02/1995, Couto Pereira, Paranaense

O jogo era apenas mais um entre os tantos duelos (foram 4) na mirabolante fórmula do Paranaense daquele ano – época em que as três equipes usavam o Couto Pereira nos grandes jogos. O Paraná vencia por 1-0 quando o atacante Mirandinha recebeu a bola de costas para o goleiro Gilmar. O resto você vê no vídeo abaixo:

3 – Atlético 6-1 Paraná, 30/05/2002, Arena, Brasileiro Série A

Pelo segundo ano consecutivo, Atlético e Paraná decidiam o Paranaense. O Furacão, então campeão brasileiro, tentava o inédito tri-estadual depois de perder a Sul-Minas para o Cruzeiro. O Paraná queria dar o troco da derrota no ano anterior. A maior goleada do Derby contou com uma tarde inspirada de Kléber, “o incendiário”:

2 – Paraná 1-0 Atlético, 28/03/1999, Couto Pereira, Copa Sul

O Atlético tinha arrasado o Coritiba duas vezes em menos de uma semana, no Couto Pereira (3-0 e 3-1) e, num grupo todo paranaense da Copa Sul – coincidência da tabela, que também deixou Grêmio, Inter e Juventude na mesma chave semifinal – poderia empatar duas vezes com o Paraná que chegaria a decisão do primeiro regional sulista. O primeiro jogo acabara 0-0. No segundo, Régis fechou o gol, literalmente, ao pegar dois pênaltis.

1 – Atlético 1-0 Paraná, 13/09/2006, Arena, Copa Sul-Americana

O mais importante Derby da história até hoje dava vaga na fase internacional da Copa Sul-Americana, onde já estava o poderoso River Plate. O Atlético já havia vencido o Paraná no Pinheirão, no jogo de ida, por 3-1. O jogo da Arena carimbou o passaporte atleticano, que chegaria a semifinal contra o Pachuca.

 

 

Os acessos do Atlético

Se derrotar o Criciúma nesse sábado e São Caetano ou Vitória não vencerem, o Atlético conseguirá pela terceira vez na história um acesso da Série B para a A.

O Furacão disputou a segundona em cinco oportunidades, mas até 1988 o Campeonato Brasileiro era feito à base de convites conforme o desempenho nos campeonatos estaduais. Por isso não há como mensurar a participação em 1980 e em 1982, temporada esta em que disputou jogos na “B” e na “A”. Depois do rompimento do Clube dos 13 com a CBF e a divisão entre Brasileirão e Copa União em 1987, os clubes conversaram e, viradas de mesa a parte, o campeonato nacional passou a ter um sistema de acesso e descenso.

Em 1990, depois de ter sido rebaixado em 1989 pela única vez em campo (até 2011), o Atlético chegou à decisão da Série B contra o Sport Recife. O time campeão estadual tinha Marolla, Odemílson, Valdir e Dirceu, entre outros. Kita (foto acima), destaque em 1986 pela Inter de Limeira campeã paulista, chegou para reforçar o elenco que superou o Operário de Ponta Grossa, a Catuense e o Criciúma na fase semifinal.

A vaga na elite veio coincidentemente com uma vitória sobre o Tigre, 1-0, no Pinheirão, na penúltima rodada.Na decisão, dois empates com o Sport: 1-1 em Curitiba, com uma falha de Toinho no gol pernambucano e 0-0 no Recife. O vice-campeonato à época foi lamentado pelo atleticanos, que viam o Coritiba ser o único campeão brasileiro no Paraná até então.

Diário de Pernambuco destaca o título do Sport sobre o Atlético em 1990

O Atlético seguiria na elite brasileira até 1993, quando a CBF, numa manobra para salvar o Grêmio, então na segunda divisão, “subiu” 12 equipes da segunda para a primeira divisão. Atlético e Goiás, salvos pela classificação na A em 1992, e Paraná e Vitória, campeão e vice na B-92, foram jogados para um grupo secundário dentro da elite, com 16 clubes, dos quais 8 seriam rebaixados. O Grêmio, claro, mesmo sem critério técnico, foi colocado no grupo dos blindados. O Atlético-MG, lanterna no geral em 93, também, evitando a queda. O Paraná se salvou, o Coritiba não, tampouco o Furacão.

Por isso, o Atlético disputou a Segundona em 94, quando caiu na semifinal para o Juventude, e em 1995.

O time campeão de 1995, com Paulo Rink, Oséas, Ricardo Pinto e outros, comandado por Pepe, subiu fora de casa

Naquela temporada o Atlético tinha um jejum de 5 anos sem título estadual e estava em situação financeira delicada. A velha Baixada tinha se tornado a “Baixada do Farinhaque”, com uma reforma que tirou o Furacão do Pinheirão. E, numa páscoa inesquecível para o futebol paranaense, o Coritiba de Brandão fez 5-1 no Atlético e gerou uma revolução no Rubro-Negro. O time iniciou a Série B mal, perdendo em Goiatuba por 2-0 para o time local. Mas foi se encontrando até ficar com o título, após vencer o Central de Caruaru por 4-1 na Baixada e contar com um tropeço do Coxa, que ficaria como campeão se vencesse em Mogi-Mirim (1-1). Ambos subiram. O acesso atleticano também foi em Mogi-Mirim, com uma vitória por 1-0, na primeira rodada do returno do quadrangular final.

Os 14 grandes: CBF insere Coritiba e Atlético entre clubes “do eixo” em novo ranking

O novo ranking da CBF, a ser divulgado em janeiro de 2013, traz boas notícias para coxas-brancas e atleticanos. Levando em consideração o desempenho dos clubes de todas as séries do Brasileirão e também na Copa do Brasil, Coritiba e Atlético se inserem entre os chamados “12 grandes” do Brasil, os clubes de SP, RJ, MG e RS. A ideia da CBF é dinamizar o ranking deixando-o mais atualizado, contabilizando somente as últimas 5 temporadas.

A notícia foi divulgada pela ESPN – clique para ler e ver o ranking completo.

Segundo a matéria, Fluminense e Corinthians disputam a ponta do ranking. O Flu foi campeão brasileiro em 2010 e está prestes a ser novamente; o Corinthians venceu em 2011 e nesta temporada deu mais importância à Libertadores. A ESPN divulgou a lista dos clubes já com a aplicação dos novos critérios, explicados na tabela abaixo:

As 20 primeiras equipes do ranking seriam as seguintes:

O Coritiba, bi-vice-campeão da Copa do Brasil, bi-campeão da Série B e 8o no Brasileirão de 2011 estaria pouco abaixo do Cruzeiro, na 11a posição, subindo duas posições. O Atlético, quinto colocado no Brasileirão 2010 e com duas quartas-de-final da Copa do Brasil no período (2007-2012) ficaria acima do Botafogo-RJ e atrás do Atlético-MG, na 13a posição, seis acima da que ocupa no ranking anterior. Bahia e Sport, também clubes de grande torcida e campeões brasileiros, aparecem em 17o e 20o lugar respectivamente.

  • Demais paranaenses

Boa para a dupla Atletiba, a mudança derruba o Paraná no ranking e eleva Corinthians-PR/J. Malucelli. O Tricolor, fora da Série A desde 2007, quando disputou a Libertadores, perdeu 4 posições. Operário, Iraty, Cianorte, Arapongas, ACP e Roma também aparecem no ranking. O  Londrina, campeão da Série B em 1980 e 34o no ranking anterior, aparece em 136o lugar na nova contagem, pois está fora das séries do Brasileirão desde 2005, quando foi 14o na Série C e não se manteve em competições nacionais.

Veja o ranking só com os clubes paranaenses:

11o – Coritiba – 12924 pontos
13o – Atlético – 10953 pontos
27o – Paraná – 5904 pontos
77o – Corinthians-PR/J. Malucelli – 770 pontos
85o – Cianorte – 585 pontos
95o – Operário – 408 pontos
122o – Iraty – 262 pontos
125o – Arapongas – 255 pontos
136o – Londrina – 203 pontos 
172o – ACP – 100 pontos
191o – Roma – 25 pontos

As portas do paraíso

Portão do Anacleto Campanella, passagem para voltar ao convívio dos grandes

Sábado, 3 de novembro de 2012, o Estádio Anacleto Campanella estará na cabeça e no coração de cada torcedor atleticano pela segunda vez na história. Sem o mesmo glamour de 11 anos atrás, mas com uma importância proporcional. Da primeira vez, Atlético e São Caetano disputavam um lugar no seleto grupo dos campeões brasileiros; hoje, os 14.400 torcedores (capacidade máxima atual) que passarem os portões do estádio irão ver duas equipes buscando se recolocar na elite nacional.

Nós últimos 11 anos, desde que passou a integrar o time dos grandes clubes nacionais, o Atlético alternou bons e maus momentos. Esteve a pique de ser campeão da América, bi-brasileiro, conquistou um inédito tri-estadual… mas namorou com a Série B por várias vezes até finalmente casar em 2011, um ano cheio de erros. Coincidências da vida, voltar ao seu lugar de direito na Série A* pode ficar próximo da realização justamente no palco da maior glória.

Não que a vitória garanta matematicamente o acesso, mas dará uma vantagem de 4 pontos sobre um adversário que não terá mais como tirar a vantagem em confronto direto. Da mesma forma, uma derrota complica e muito o sonho atleticano de voltar à primeira divisão ainda nessa temporada. Ambos terão tabelas complicadas posteriormente e qualquer vantagem deve ser considerada. Manter um ponto, conquistando um empate, também está nos planos atleticanos. Elementos que entrarão em campo até mais que o histórico do estádio na vida atleticana.

Costumo dizer que Atlético e Coritiba fizeram um favor ao futebol brasileiro ao conquistarem os títulos de 2001 e 1985. Em finais consideradas menores pela grande mídia (que, assim como os clubes, não deve ter lido os regulamentos para contestá-los) venceram os dois clubes que têm história, camisa, torcida e representam mesmo uma comunidade. Em ambos os casos, os rivais da dupla não tinham identidade. Para 2012 o raciocínio não é diferente: entre Atlético e São Caetano, rivalidades e flautas à parte, é muito óbvio quem é que deve ocupar seu lugar entre os grandes.

No entanto, isso não ganha jogo. Em São Caetano a partida também é tratada como a grande oportunidade de resgate de um projeto para a cidade do ABC paulista, que teve seus momentos, chegando também à um vice-campeonato da Libertadores (2002) e outro nacional (2000). Time tocado com a ajuda da prefeitura, o Azulão botou São Caetano do Sul no mapa. Mas paga o preço pela administração semi-profissional: em um rompante de seu presidente, Nairo Ferreira de Souza, demitiu Emerson Leão e mantém um interino no cargo, Ailton Silva, cuja permanência está condicionada a uma vitória sobre o Furacão. Nairo, aliás, é o mesmo presidente dos anos de ouro do Azulão, de volta ao cargo. Outro laço entre os clubes – mais um, além da interinidade dos treinadores.

As principais lembranças dos atleticanos, até o apito inicial, ficarão em 23 de dezembro de 2001, quando Kléber recebeu a bola no circulo central, abriu na esquerda para Fabiano, que avançou e bateu cruzado na entrada da área. Silvio Luiz, goleiro do São Caetano, espalmou e Alex Mineiro, pela 8 vez em 4 jogos, empurrou pras redes. Não se sabe quem será o Alex Mineiro da vez – se é que ele vestirá rubro-negro. Mas, em se tratando de Série B, outra lembrança pode animar o Atlético. O interior de São Paulo já viu um acesso atleticano, em 1995, quando o time de Paulo Rink e Oséas fez 1-0 no Mogi-Mirim. Foi o início de uma série de 16 anos ininterruptos na Série A, até a queda em 2011.

O Anacleto Campanella, estádio acanhado no interior paulista, tem uma espécie de portal para o paraíso que só o Atlético tem a chave. Resta saber se no sábado o elenco 2012 irá carregá-la consigo, ao atravessar os portões para entrar no gramado no ABC paulista.

*É o paranaense que mais frequentou a elite, 36 vezes contra 34 do Coritiba, 33 a 32 contando apenas de 1971 pra cá; é ainda o 14o a mais disputar campeonatos na elite, atrás dos 12 de RJ/SP/MG/RS e do Bahia.

Retratos atleticanos

Reta final de Série B e o Atlético entra no G4. Fora de campo, política e gestão em ebulição. O Furacão entra na semana como sempre foi sua história: polêmica fora, superação dentro do gramado.

Leia um resumo do momento atleticano em imagens:

A alegria

Um ano difícil, jogando todas as partidas sem a força do estádio, com o orgulho ferido pela queda em 2011 e um início ruim. Entrar no G4 foi o que bastou para muitos atleticanos irem ao Aeroporto Afonso Pena receber a equipe que bateu o Vitória por 2-0 (veja os gols e as imagens da chegada do time clicando na imagem).

O Atlético, no final de outubro, finalmente vai dando pinta de que vai justificar o favoritismo inicial e retornar à Série A em 2013. Os três próximos jogos são decisivos: Guarani (C), Guaratinguetá (C) e o adversário direto São Caetano (F), que antes do confronto direto pega Ipatinga (C) e Vitória (F). A primeira alegria do ano tirou o atleticano da letargia, num movimento que já foi rotineiro na Baixada. Mas que está longe de definir algo.

O entrosamento

O Atlético está jogando bem e engatou uma grande sequência na hora certa. A quarta vitória consecutiva veio sobre um dos melhores times da competição e fora de casa, com um jogador a menos. A maturidade atleticana após a expulsão de Pedro Botelho impressionou. O Vitória não ameaçou o gol de Weverton uma vez sequer.

É covardia comparar o elenco atual, reforçado de peças-chave como o próprio goleiro, Elias, João Paulo, Pedro Botelho, Maranhão e Marcão, o sorridente da foto (retirada do site oficial do clube), com o que Juan Ramón Carrasco tinha em mãos. Mas há méritos também na condução de Ricardo Drubscky na forma do time jogar. Drubscky passou pela humilhação de ser contratado, relegado à uma sub-função e retornar para apagar incêndio com uma frieza alemã e uma postura britânica. Trabalhou em silêncio, foi humilde e até agora não foi oficialmente efetivado pelo clube (precisa ser?).

Faltando sete jogos, o Atlético pela primeira vez no ano tem cara de time de futebol. Qualquer menino de 7 anos escala o rubro-negro. Méritos de Drubscky, que recuperou Cléberson e Marcelo. Até Marcão, questionado ao chegar, já tem 9 gols na segundona.

O negócio

Os jornais estampam: a direção do Atlético optou por cadeiras mais caras na montagem da Arena para a Copa de 2014. Desta vez vem a tona o fato de que não um, mas dois orçamentos apresentados seriam mais econômicos aos cofres do clube do que os optados pela gestão da CAP S/A (clique para ler).

O Blog do JJ, João José Werzbtizki, publicitário e jornalista, traz um comentário interessante sobre a procedência das cadeiras da Kango, assinado pelo próprio em cima da matéria de Leonardo Mendes Jr., da Gazeta do Povo, cujo link está acima. O comentário é o seguinte, entre aspas:

Onde fica a fábrica da Kango? Num pequeno barracão na Cidade Industrial de Curitiba que, pelas dimensões, não tem condições de produção em quantidades como as exigidas para a Copa. Endereço? Rua Eduardo Sprada, 6400 – Cidade Industrial – Curitiba – fone: 41 3241-1816, para quem quiser ir visitar.

No site da Kango, ontem, havia fotos de estádios europeus e sul-africanos, com cadeiras de uma empresa européia, com a marca associada da Kango. Hoje, estas fotos não estão mais no site, que mostra 7 modelos de cadeiras, além de armários, destacando que estará instalando cadeiras no Itaquerão (20), no Urbano Caldeira, do Santos (210) e instalou no Estádio  Independência (25 mil cadeiras), em Minas. Algumas das fotos dos estádios do exterior, que sumiram do site, estão na página da Kango no Facebook, porém sem identificação dos estádios e do parceiro europeu. Há um texto que diz o seguinte:

“Diretamente dos estádios europeus, a Kango Brasil traz ao mercado sul americano a BERLIN, uma cadeira robusta e de alta tecnologia. A cadeira BERLIN, com patente requerida na Europa e no Brasil, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo.

Ela é, também, dotada de excelente ergonomia, reforçada pelo design com bordas arredondadas em todo o encosto. O assento conta com o sistema de rebatimento por gravidade, que amplia o espaço entre as fileiras. É uma cadeira que pode ser utilizada em ambientes externos e internos, sendo uma excelente opção para estádios brasileiros que sediarão a Copa do Mundo de 2014.”

Sobre as cadeiras instaladas no estádio do Santos, diz a Kango no Face:

ASSENTOS DO MODELO BERLIN SÃO INSTALADOS NA VILA BELMIRO PELA KANGO BRASIL

Nesta sexta-feira dia 05/10, a Kango Brasil instalou duzentos e dez assentos do modelo Berlin no estádio Urbano Caldeira, mais conhecido como Vila Belmiro. A cadeira BERLIN, possui medidas que garantem o conforto do espectador, além de ser aconchegante e compacta. Destaque para sua resistência a danos causados pela ação do tempo, raios ultravioleta e ao vandalismo. O modelo foi instalado na área de camarotes do estádio.

E mais, em foto antiga do Mineirão:

KANGO SPORT

“O conforto prolongado e a durabilidade da KANGO SPORT a qualificam como uma das referências em cadeira esportiva no Brasil. A ergonomia exclusiva permite uma acomodação agradável por um longo período e, somada ao design moderno e aos recursos tecnológicos de última geração, configuram os atributos que atendem a todas as determinações da FIFA e do Estatuto do Torcedor”.

“A KANGO SPORT é fabricada com polipropileno injetado, a partir de uma fórmula especial que torna o produto resistente ao vandalismo e à ação do tempo. As cadeiras obedecem às normas técnicas vigentes, não precisam de manutenção e trazem segurança e bem-estar aos espectadores. Conheça nossos produtos: http://www.kango.com.br“.

O que significa que as cadeiras da Kango, mui provavelmente, são importadas.

Essa é a imagem da fábrica da Kango em Curitiba:

Nunca é demais lembrar que os documentos sobre as escolhas de Petraglia para a Arena partiram do ex-braço direito dele, Cid Campêlo Filho, que não quis falar sobre outras definições, como a cobertura do estádio.

O apoio

Até segunda ordem – que pode ser a definição do TCE-PR de que o Potencial Construtivo é dinheiro público ou não – o problema é do Atlético e de seus sócios, que vêem a verba do clube ser usada conforme as decisões de Petraglia, que deu privilégios ao filho na questão das cadeiras.

E Petraglia demonstrou força junto ao conselho, que assinou uma carta repudiando as acusações de Cid Campêlo Filho e aprovou as decisões do presidente. É mais ou menos assim: se sua mulher quer comprar determinada roupa em uma boutique mais cara do que outra, problema de vocês: o dinheiro é do casal. E o conselho não viu problemas (ao contrário, como demonstra a carta) na escolha.

No entanto, com algumas definições do TCE-PR e o interesse crescente no assunto, o tema será de interesse público e algumas escolhas serão ainda mais questionadas. Por ora, vale – e muito – a caneta de Petraglia e dos pares de diretoria.

O renagado

Santiago “El Morro” Garcia voltou a jogar futebol. Depois da tumultuada saída do Atlético, o uruguaio estreou pelo Kasimpasa, da Turquia. Foi a contratação mais cara da história do clube (US$ 5 milhões), marcou dois gols em 15 jogos e, em um dos negócios mais inusitados do futebol mundial, foi devolvido por Mário Celso Petraglia ao Nacional, do Uruguai, que o emprestou ao clube turco. Falem o que quiser de Petraglia, menos que ele não sabe fazer negócios.