Grandes “traíras” do futebol brasileiro

Nessa semana três “traíras” sacudiram o futebol mundial. Van Persie, guardou três no jogo decisivo do Manchester United contra o Aston Villa, levantando a taça do Inglês pela primeira vez, na primeira temporada do holandês nos Red Devils depois de sete anos no Arsenal. E Mario Götze não tirou o pé e ajudou Lewandowski a brilhar contra o Real Madrid, um dia depois do anúncio da transferência dos dois para o grande rival do Borussia Dortmund, o Bayern de Munique – que pode ser adversário na decisão da Champions.

E no Brasil? Quantos “traíras” já brilharam no rival? O Blog preparou uma seleção de 11 grandes viras-casacas no futebol brasileiro.

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Goleiro: Rafael Cammarota

Rafael e seu bigode texano

O primeiro “traíra” escalado é Rafael Cammarota. Bicampeão paranaense pelo Atlético em 1982/83, no memorável time de Assis e Washington, o goleiro disputava posição com Roberto Costa no Furacão. Fez parte da campanha semifinalista do Brasileirão em 1983, quando podia ter sido campeão brasileiro com o Rubro-Negro. Não foi e virou a casaca para conquistar o maior feito do Coritiba, rival atleticano: o título brasileiro de 1985. Rafael fez história no Coxa, sendo decisivo em vários jogos, em especial na semifinal com o Atlético-MG. Voltaria ao Atlético para ser campeão paranaense – na reserva – em 1990.

Lateral-direito: Nelinho

"Traíra", mas querido pelas duas grandes torcidas mineiras

O lateral que conseguiu chutar a bola pra fora do Mineirão, tamanha a força do chute, também tem no currículo a troca de camisas entre rivais. Carioca, Nelinho chegou ao Cruzeiro nos anos 70 e esteve no memorável time celeste campeão da Copa Libertadores de 1976. Entre uma Copa do Mundo e outra pela Seleção, passou a defender o Galo, pelo qual levantou seis canecos mineiros – todos contra o Cruzeiro.

Zagueiros: Mauro Galvão e Edinho Baiano

Gaúcho normalmente é Inter ou Grêmio; Mauro Galvão foi os dois

Revelado pelo Inter, foi campeão brasileiro invicto com apenas 18 anos em 1979, além de ganhar um tetracampeonato gaúcho. Chamou a atenção o suficiente para defender a Seleção Brasileira nas Olimpíadas de 1984 e Copa 1986. Natural de Porto Alegre, resolveu tentar a vida no Rio de Janeiro, onde defendeu Bangu, Botafogo e Vasco. Rodou também pela Suíça até virar a casaca: em 1996, voltou ao Rio Grande, agora para defender o Grêmio. O rival do time que o revelou é também – segundo atribuem – o time de infância de Galvão, que conseguiu ser campeão brasileiro e da Copa do Brasil pelo Tricolor.

Edinho Baiano: "poligâmico" e multicampeão

Edinho Baiano não chegou à Seleção, mas fez parte do supertime do Palmeiras-Parmalat nos anos 90. Deixou a capital paulista para encontrar seu grande amor: o Paraná. Não o Paraná Clube somente, mas todos os times de Curitiba. Edinho Foi tetracampeão paranaense pelo Tricolor, quando fez a primeira troca: deixou o Paraná e foi para a Baixada. Pelo Furacão, foi campeão estadual em 1998, acabando com um jejum de 8 anos. Foi para o Japão, faturar alguns dólares, mas a saudade dos paranaenses apertou e voltou para o Coritiba, em 2002, por quem foi campeão paranaense no ano seguinte. Pra não desagradar ninguém, ainda defendeu o Londrina – mas não levantou taça pelo Tubarão.

Lateral-esquerdo: Roberto Carlos

Um santista bem palmeirense que gosta do Corinthians

Dizem que o time de infância dele era o Santos. Mas depois de aparecer bem no União São João, o lateral Roberto Carlos (lembre-se do sotaque da bela italiana do comercial nos anos 90…) foi ser palmeirense. Viveu tempos áureos no clube, com um bicampeonato brasileiro e outro paulista. Rodou o Mundo, entre Internazionale, Real Madrid e Fenerbahçe e voltou para fazer parte da retomada corintiana. O projeto de internacionalização Timão, com ele e Ronaldo, fez alguns palmeirenses torcerem o nariz, enquanto era bem recebido no Corinthians. No final, após a eliminação na Libertadores 2011, acabou deixando o clube depois de supostas ameaças de torcedores.

Volante: Tinga

"Tinga, teu povo te ama!" - mas qual deles?

Apelidado Tinga por ser do Bairro Restinga, em Porto Alegre, Paulo Cesar Fonseca do Nascimento já ouviu até cantarem samba-enredo para ele nos estádios gaúchos. Mas é mais um na lista dos “traíras”. Começou no Grêmio em 1997 e conquistou duas Copas do Brasil (97/01) até deixar o Brasil para defender o Sporting de Portugal. Ao voltar, deixou o Tricolor de lado e foi ser Colorado – muitos dizem que é seu clube de infância – ganhando o título da Libertadores 2006 pelo Inter. Poderia ter ganho também um Brasileirão, mas parou num erro do árbitro Márcio Rezende de Freitas, que não deu um pênalti claríssimo em cima dele em um jogo decisivo com o Corinthians.

Meias: Paulo Henrique Ganso e Carlinhos Bala

Ganso é Paulo e São Paulo, mas têm outros santos na parada

PH Ganso era o grande amigo de Neymar. Juntos, aprontavam nos gramados do Brasil numa lua-de-mel que parecia não ter fim. Foram campeões da Libertadores 2011, Copa do Brasil 2010, Tri Paulista… quem poderia imaginar que esse triangulo amoroso iria acabar em rivalidade? Pois Ganso se machucou e passou apenas a ver o antigo parceiro brilhar. Se continuaram amigos fora de campo, dentro dele, Ganso optou por sair da sombra de Neymar e foi para o São Paulo. No primeiro encontro, ganhou moedas e aumentou sua coleção de palavrões. Mas, passado um tempo, já até tem título pelo Tricolor: a Copa Sul-Americana 2012.

Um Don Juan da bola

Carlinhos Bala começou (e terminou) sua odisséia pelos três grandes de Pernambuco no Santa Cruz, em 1999. Embora ainda esteja em atividade, o Don Juan do Recife futebolístico não deve voltar a vestir nenhuma das três camisas que usou, beijou e deixou boas lembranças e muitas polêmicas. Quatro vezes campeão pernambucano (2 pelo Santa, 2 pelo Sport), rodou pelo Recife todo entre algumas saídas. A de maior destaque, no Cruzeiro em 2006. Anote bem a trajetória de Bala no Recife: começou no Santa, foi emprestado ao Náutico, voltou ao Santa, saiu de Recife, voltou para o Sport, foi para o Náutico em seguida, saiu de Recife, voltou ao Sport, deixou a cidade novamente e voltou para o Santa Cruz. Ufa!

Atacantes: Reinaldo, Tuta e Emerson Sheik

"Foi só um lance... não teve amor...", dizem depois do flagrante

Haverá quem considere injustiça colocar o Rei Reinaldo na lista dos “traíras”. Mas serão os mesmos que jamais vestiram a camisa do Cruzeiro, como a foto acima mostra. Reinaldo é quase Deus no Galo, sendo o maior artilheiro da história do clube, com 255 gols (contando só o profissional). Foi sete vezes campeão mineiro e duas vezes vice-brasileiro. Saiu do Galo para rápidas passagens por Palmeiras e Rio Negro. Até que retornou à Minas… defender o Cruzeiro. Foram apenas dois jogos e nenhum gol – já estava machucado seriamente, o que abreviou a carreira dele aos 31 anos. Reinaldo estava sem clube e contou em entrevista no ano passado que “foi uma honra e um desafio”, lamentando apenas não estar em melhores condições na época. 

Tuta alegrou e calou atleticanos e coxas-brancas

Tuta defendeu 22 clubes em sua carreira com 18 títulos, mas foi em Curitiba que virou referência e até propaganda. Campeão paranaense em 1998 contra o Coritiba, encerrando um jejum do Atlético desde 1990, com direito a artilharia do campeonato, Tuta caiu nas graças dos atleticanos e foi para o Venezia, da Itália. Lá, viveu uma história incomum, ao fazer um gol em uma partida contra o Bari, quando foi repreendido pelos próprios colegas, que possivelmente tinham outros interesses. Girou por Vitória, Flamengo, Palmeiras e Coréia até voltar à Curitiba. Foi campeão paranaense novamente, desta vez em papéis inversos: pelo Coxa contra o Furacão. Num jogo de superação, o Coritiba segurou o poderoso Atlético de Jadson, Washington e Dagoberto com um 3-3, com dois gols dele. Na comemoração, fez o gesto acima, que ganhou outdoors na cidade em campanha de marketing do Coxa.

Sheik pode até amar o Fla, mas curtiu legal com o Flu

Emerson Sheik é Flamengo declarado, mas isso não o impediu de pular a cerca e ganhar o Brasileirão pelo Fluminense. Campeão Brasileiro pelo Rubro-Negro em 2009, ficou pouco tempo no clube de infância, por questões financeiras. Depois de uma rápida volta ao Catar (a origem do apelido), em 2010 passou a defender o Fluminense. Foi dele o gol do título brasileiro e a lua-de-mel com os tricolores era infindável. Mas acabou na Libertadores 2011, quando foi flagrado cantando uma música da torcida do Fla no ônibus do Flu, a caminho do jogo com o Argentinos Jrs. Dispensado, foi acolhido no Corinthians – que preferiu nem saber do passado dele no São Paulo, onde começou a carreira…

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O grande clássico do interior do Paraná

Quando o árbitro Felipe Gomes da Silva apitar pela primeira vez, por volta das 22h da noite desta quarta-feira, Operário e Londrina vão mostrar porque é que, dentro de um calendário racional e que atenda as necessidades de todos os clubes, os Estaduais não podem morrer – e devem se adaptar para isso.

Fantasma e Tubarão carregam consigo a marca de hoje fazerem o grande clássico do interior do Paraná. E a despeito da campanha irregular do Operário, são os clubes longe de Curitiba que hoje têm algo a dizer. Situados em duas grandes cidades do Estado 5o PIB do Brasil, ambos tem torcidas numerosas e pretensões de ir além das divisas. Nesta temporada, o Londrina está na frente.

Longe de um tempo em que o café reinava e ajudou a dar três estaduais e um Brasileiro B ao Londrina, e em que o Operário fazia das suas até ganhar o apelido que o identifica, os últimos anos têm sido de alento para alvinegros e alvicelestes. Depois de penarem até na Série B local, hoje pretendem vagas na Série D nacional e na Copa do Brasil. E, junto com Arapongas e Cianorte, vêm se alternando nas disputas para isso. No entanto, OFEC e LEC  têm o bônus de terem camisas tradicionais e torcidas apaixonadas em um Estado que é uma pizza de três sabores: paranaense só no sul, com norte paulista e sudoeste gaúcho.

A história dos confrontos oficiais entre Operário e Londrina vem de 1970, logo após a fusão que fez o Tubarão ser LEC. Até então o regulamento dos Estaduais dividia norte e sul. O primeiro encontro foi em Ponta Grossa, em 22 de fevereiro de 1970. Deu Operário, 4-2.

Em 2012 duelos terminaram com vitória de quem visitava o rival (Foto: Operário.com)

Mas, ao longo dos anos, o Londrina tomou a dianteira nos encontros entre os clubes, que são 38 até aqui. O Tubarão venceu 14, com 14 empates e 10 vitórias operarianas. São 47 gols alvicelestes e 33 alvinegros.

A história entre Operário e Londrina é composta por muitos hiatos. Ora pelos regulamentos malucos da FPF, ora pelo desempenho dos clubes, incluindo o licenciamento do Fantasma, cujo retorno à elite paranaense se deu depois de 10 anos em 2010 – ano em que o Tuba amargava a Série Prata, nome então da segundona paranaense. Os clubes se enfrentaram em 15 Estaduais (1970, 74 a 76, 79 a 83, 89 a 93 e 2000) e se reencontraram em 2012 com vitórias para os visitantes: Londrina 2-0 em PG e Operário 1-0 no norte. Apesar de serem tantos empates quanto o maior número de triunfos, o primeiro deles levou 12 anos para acontecer: 1-1 em 02 de maio de 1982, depois de um longo tempo em que só se ganhava ou perdia nos duelos.

Os clubes também se encontraram pela Série B Brasileira em quatro ocasiões. Em 1991 o Londrina levou as duas 3-1 e 1-0; dois anos depois, em 1993, os times protagonizaram dois 0-0. Apesar dos encontros valerem por um torneio nacional, pode-se dizer que o jogo mais importante entre os times aconteceu no meio dos quatro jogos, pelo Paranaense de 1992. Em 8 de novembro daquele ano, no quadrangular semifinal do Estadual, o LEC fez 3-1 e ganhou o direito de enfrentar o Atlético nas semifinais olímpicas. Venceria e encontraria o União Bandeirante (que eliminara o Paraná Clube) na última decisão caipira no Paraná, vencida pelo Tubarão.

Com exibição na TV, o jogo entre Operário e Londrina de 2013 ocupa um espaço de valorização dos sucateados estaduais. Que precisam repensar a fórmula, dando chance de crescimento aos que merecerem em campo e calendário e estrutura aos que sobrarem.

Afinal, o futebol é feito de boas histórias, como a que promete ser escrita no Germano Kruger hoje.

Por falar em boas e histórias, relembre o quadro Que Beleza de Camisa! com Operário e Londrina clicando no nome dos clubes. Você não vai se arrepender!

O Paraná contra o Mundo – jogos internacionais

Depois de um longo período, os clubes paranaenses voltam a disputar amistosos/torneios internacionais.

No sábado, o Coritiba recebe o Colón, da Argentina, para a reestreia de Alex; na semana que vem o Atlético embarca para a Espanha, para disputar a Copa Marbella 2013. Desde a participação do Atlético na Copa Sul-Americana em 2008, quando perdeu para o Chivas por 3-4 em Curitiba (depois de um 2-2 em Guadalajara), nenhum clube paranaense disputou outra partida internacional com uniforme completo. Amistosamente, a última participação paranaense aconteceu em 2002, com o Paraná em excursão à Ucrânia a última participação paranaense aconteceu com o Atlético, encarando o FC Dallas em 2009 (ver nota).

Por isso, o blog aproveita para apresentar os adversários da dupla Atletiba e mergulhar na história dos paranaenses no estrangeiro, contando um pouquinho do que cada clube já fez fora do Brasil ou contra adversários internacionais.

Coritiba x Colón, sábado 26/01

O amistoso da reestreia de Alex pelo Coxa será um Atletiba – e o adversário é rubro-negro. O Clube Atlético Colón, da cidade de Santa Fé, foi 10o colocado no último torneio apertura e tem como técnico um craque de três copas pela Argentina: Roberto Sensini, ex-zagueiro da Lazio, companheiro de Maradona nas Copas de 1900 e 94 – ainda disputou 1998. O Colón, com 107 anos (05/05/1905)  tem como títulos a segunda divisão argentina de 1965 e vários torneios santafezinos – regionais – quando rivaliza com o Unión de Santa Fé. Na elite, foi vice-campeão em 1997, perdendo a final para o River Plate. São 33 participações entre os principais clubes argentinos. Na Copa Sul-Americana do ano passado, foi eliminado pelo Cerro Porteño do Paraguai na segunda fase:

Atlético na Marbella Cup 2013 – de 04 a 10/02

Será a terceira edição da Marbella Cup, realizada no Marbella Football Centre, na Costa do Sol, Espanha, um pequeno refúgio do severo inverno europeu. Nas anteriores, conquistas para o Dnipro, da Ucrânia, e o Rubin Kazan, da Russia, times que vêm se destacando na Liga Europa.

Além do Atlético, os clubes mais conhecidos que estão envolvidos na disputa em 2013 são o Dínamo Bucarest, da Romênia, e o Dínamo Kiev, da Ucrânia. Com exceção do clube brasileiro, todos os demais são de países do leste europeu: Polônia, Geórgia, Ucrânia e Bulgária, além de três romenos. A tabela e o regulamento foram divulgados nesta terça (22/01). Mesmo perdendo alguma partida, os clubes seguem na competição – afinal, o objetivo é fazer uma pré-temporada, com três amistosos.

O primeiro adversário do Atlético será o Ludogoretz Razgrad, da Bulgária. Vencendo ou perdendo, pega o clube que estiver na mesma situação entre Dínamo de Kiev x Otelul Galati, da Romênia. Se vencer, será semifinal; se perder, será disputa pra ver se vai brigar pela 5a ou 7a colocação.

Veja o chaveamento completo: Grupo A: Dínamo Bucarest (Romênia) e Lech Poznan (Polônia) Grupo B: Kutaisi (Geórgia) x Rapid Bucrest (Romênia) Grupo C: Dínamo Kiev (Ucrânia) x Otelul Galati (Romênia) Grupo D: Ludogorets Razgrad (Bulgária) x Atlético

O Ludogorets é um clube de Razgrad, cidade de 50 mil habitantes na Bulgária. Foi fundado em 1945 e é o atual campeão búlgaro – sua maior conquista. Foi eliminado pelo Dínamo Zagreb, da Croácia, na fase de play-offs (a pré) da Champions League deste ano (veja abaixo). Tem quatro brasileiros no elenco, nenhum oriundo de grandes clubes do País: Juninho Quixadá, Choco (não é aquele que esteve na base da dupla), Júnior Caiçara e Marcelinho. Se o Coxa terá pela frente um rubro-negro, o Atlético não deixa por menos e encara um alviverde nesse amistoso.

Um pouquinho de história

Vasculhando pela internet e pelo livro “Futebol do Paraná, 100 anos de história” (de Heriberto Machado e Ivan Mulford), juntei alguns dados das participações amistosas dos paranaenses contra clubes estrangeiros.

O primeiro jogo internacional com um clube paranaense foi em 1941. O Coritiba recebeu o Gymnasia y Esgrima, da Argentina, e empatou em 2-2 e, 23/02.

A primeira excursão para fora do País foi do Atlético, com o Furacão de 1949:

O Furacão de 1949 foi o primeiro paranaense a excursionar fora do País

A viagem foi ao Paraguai. O desempenho não foi bom:

1-5 Olímpia, em 29/10/1949
2-6 Cerro Porteño, em 30/10 4-2
Sportivo Nacional, em  01/11

Em 1958, o desativado profissionalmente Guarani de Ponta Grossa recebeu o Gymnasia y Esgrima da Argentina e venceu por 4-2, em 09/02.

Em 1961 foi a vez do extinto Ferroviário visitar o Uruguai:
1-1 Central de Montevidéo, em 11/11

Em 1969, o Atlético saiu novamente ao Paraguai e o Coritiba deu um giro pela Europa.

Atlético:

0-0 Guarani, em 29/01

Coritiba:

1-1  Hamburgo-ALE, em 30/07
2-1 Colônia-ALE, em 06/08
0-1 Borussia Dortmund, em 08/08
1-5 Áustria Viena, em 12/08
1-1 Saint Etienne-FRA, em  15/08
2-2 Red Star-FRA, em 17/08
2-5 Lewski Sofia-BUL, em 19/08
0-0 Bordeaux-FRA, em 23/08
1-1 Feynoord-HOL, em 26/08
2-5 Anderlecht-BEL, em 28/08
1-2 Real Múrcia-ESP, em 01/09
5-2 Valencia-ESP, em 02/09

Em 1968, o Napoli da Itália visitou o Brasil e ficou no 0-0 com o Coritiba, no dia 02/06. No mesmo ano, o Atlético fez 4-2 e o Coritiba 1-0 na Seleção da Bulgária, também em Curitiba.

Em 1970, a dupla Atletiba recebeu o Sparta Praga, da República Tcheca (então Tchecoslováquia) para dois jogos:

Coritiba 0-0 Sparta, em 14/01
Atlético 0-0 Sparta, em 18/01

No mesmo ano, o Coxa voltou à Europa para mais uma excursão:

3-0 Angoulense-FRA, em 07/11
2-1 Angers-FRA, em 11/11
1-1 Nancy-FRA, em 13/11
1-1 Radniki-IUG*, em 17/11
2-2 Wojwodina-IUG, em 19/11
1-4 Rapid Bucarest-ROM, em 24/11
2-2 Argers-ROM, em 25/11
4-1 Seleção da Argélia, em 03/12
2-1 Deicart-ALG*, em 06/12
0-1 Sporting-POR, em 09/12

Ainda em 1970, o CSKA da Bulgária empatou com Grêmio Maringá e Coritiba, no mês de abril, jogando no Brasil. Os dois jogos ficaram no 0-0.

Em 1971, o Londrina visitou o Paraguai:

1-1 Olímpia, em 05/11

No mesmo ano, o Coxa recebeu duas visitas:

2-1 Seleção da França, em 18/01
3-0 Rapid-ROM, em 17/02

*IUG: Iugoslávia; ALG: Argélia

Fita Azul

O time do Coritiba homenageado com a Fita Azul

Ao contrário do que muitos imaginam, a Fita Azul não é um título de um torneio e sim uma homenagem que era dada pelo extinto jornal impresso A Gazeta Esportiva (hoje, só existente na internet), dando sequencia a uma ideia da CBD. Ganhava a Fita Azul os clubes que excursionassem ao exterior e retornassem invictos dos jogos.

Foram homenageados com a honraria: Portuguesa, Portuguesa Santista, Corinthians, Caxias-RS, Bangu-RJ, São Paulo, Santos, Santa Cruz e o Coritiba, que teve os seguintes jogos, em 1972:

1-1 Seleção da Turquia, em 14/06
2-0 Fenerbahçe, em 17/06
0-0 Portuguesa-SP, em 18/06
1-0 Moloudia-ALG, em 28/06
3-1 WRS-ALG, em 01/07
3-1 Sel. Olímpica do Marrocos, em 05/07

Além da viagem ao exterior, 1972 reservou dois amistosos internacionais para o Coxa em Curitiba:

2-0 Benfica, em 13/01
2-0 Seleção da Hungria, em 26/01

Ainda em 72, a extinta Ponta-grossense ficou no 1-1 com o Danúbio do Uruguai, em 04/07, em Ponta Grossa.

Em 1973, o Coritiba venceu a Seleção do Paraguai por 1-0, no dia 18/07, em Curitiba.

Torneio Atlântico-Sul

Em 1973 o Atlético disputou o Torneio Atlântico-Sul, contra Grêmio-RS, Avaí-SC, Peñarol e Nacional do Uruguai e o Boca Juniors, da Argentina. O Peñarol foi o campeão. Os jogos do Atlético:

1-2 Peñarol, em 25/01
2-1 Boca Juniors, em 29/01
2-2 Nacional, em 01/02
1-3 Grêmio, em 05/02

Em 1974, o extinto Colorado (hoje Paraná) deu um giro pela África. Em quase dois meses, fez 17 partidas, com 14 vitórias, 2 empates e 1 derrota. Entre os adversários, várias equipes já extintas e amadoras. Os mais conhecidos:

2-1 Seleção de Lesoto, em 21/04
1-1 Seleção de Lesoto, em 23/04
1-4 Fenerbahçe, em 29/05

Em 1982, o Grêmio Maringá foi à Argentina para 4 jogos, todos contra equipes amadoras da província de Chaco. Duas vitórias, 1 empate e 1 derrota.

O Atlético recebeu o Olímpia, do Paraguai:

2-1 Olímpia, em 21/11

Em 1983, o Coritiba disputou o Torneio Costa do Marfim, naquele país, e foi campeão. Os jogos:

2-0 Seleção da Bulgária, em 15/02
6-2 African Sport, em 17/02
1-1 Seleção da Bulgária, em 19/02

Também em 1983 o Matsubara foi até o Oriente Médio e enfrentou os (hoje) conhecidos Al Ahli (1-1) e Al Nassr (2-0), ambos da Arábia Saudita. Em sete jogos, 3 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Em 1988, o Operário Ferroviário encarou a Seleção Argentina de Novos no Germano Kruger:

2-1, Argentina, em 12/07

Em 1989, o Coritiba bateu a Seleção do Japão por 1-0, em Curitiba.

Torneio de Winthertur

Entre 1992 e 1993, o Atlético visitou a Suíça e ficou com o bicampeonato do Torneio de Winthertur, uma competição de meio de temporada parecida com a que será disputada agora na Espanha. Na primeira edição os jogos foram os seguintes:

0-0 Servette-SUI, em 03/07
4-1 FC Brutissilen-SUI, em 05/07
2-2 Winthertur-SUI, em 08/07

Em 1992, o Atlético ainda fez um amistoso contra um time alemão amador chamado Insny, vencendo por 6-0. No ano seguinte, retornou a Winthertur e ainda fez amistosos na Alemanha (contra a equipe menos conhecida de Stuttgart) e Áustria, além de um jogo contra um combinado de Veneza, na Itália (3-3). Os jogos:

2-0 Sttutgarter Kickers-ALE, em 04/07
4-0 Winthertur-SUI, em 05/07
3-1 Altach-AUS, em 07/07
1-0 Wills-SUI, em 11/07
2-2 Schaffausen-SUI, em 12/07

Torneio na Costa Rica

Em 1994, o Paraná Clube disputou um torneio na Costa Rica. Foram três jogos e mais um amistoso:

1-2 Seleção da Liga Alajuelense, em 16/01
2-2 Deportivo Saprissa, em 18/01
1-1 Borussia Dortmund-ALE, em 20/01
2-1 Limonense, em 22/01

Ainda em 1994, um amistoso internacional mexeu com o Tricolor: a vitória por 2-0 sobre o La Coruña, da Espanha. Veja os gols abaixo:

Em 1996, o Atlético recebeu a Seleção da Ucrânia em uma partida recheada de gols. O jogo terminou 5-3 para o Furacão. A imagem abaixo é o verso do ingresso daquele jogo, realizado na Baixada reformada por José Carlos Farinhaqui:

Verso do ingresso do amistoso entre Atlético x Ucrânia

Em 1998, ainda sem saber que um dia dirigiria o Coritiba, o técnico René Simões levou a Seleção da Jamaica para um amistoso no Alto da Glória, vencido pelo Coxa. Os gols:

A Jamaica também enfrentaria – e perderia – para o extinto Ponta Grossa EC por 1-0, em 22/01, no Germano Kruger. A Seleção caribenha voltaria a Ponta Grossa 10 anos depois, para pegar o Fantasma:

Operário 1-1 Seleção da Jamaica, em 09/03/08

Em 1999, na inauguração da Arena da Baixada, o convidado foi o Cerro Porteño, do Paraguai. O Atlético venceu:

Em 2002 novamente o Paraná deixou o Brasil para três jogos na Ucrânia:

1-0 Halychyna, em 16/06
1-0 Sel. Sub-21 Ucrânia, em 19/06
2-0 Karpathy, em 22/06

No ano seguinte, o Atlético visitou os EUA e realizou um amistoso contra o mexicano Monterrey:

0-1 Monterrey, em 01/10

Desafio EUA-Brasil

Em 2007, o Atlético iniciou uma parceria com o FC Dallas, da MLS. Foram três anos disputando um torneio em partidas de ida e volta contra a equipe texana, com duas conquistas do Furacão e uma dos norte-americanos:

Atlético 3 x 1 Dallas, em 07/03/07
Dallas 0 x 1 Atlético, em 31/03/07

Atlético 0 x 2 FC Dallas, em 06/03/08
FC Dallas 2 x 1 Atlético, em 22/03/08

Atlético 4 x 3 FC Dallas, em 05/03/09
FC Dallas 1 x 0 Atlético, em 15/03/09

Nota: alertado pelos atentos leitores Ricardo Ferreira e Kike Cardoso, incluo os jogos do Atlético contra o FC Dallas – não confundir com a Dallas Cup, jogada por juniores, que tem no histórico duas conquistas do Furacão e uma do Coxa, atual campeão. Agradecimento especial ao historiador Ângelo De Col Defino pelos dados sobre os clubes de Ponta Grossa.

Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Entre o peso da camisa e o da barriga, Masters se enfrentam em Curitiba

Perdigão não tem consumido os produtos light da sua linha…

por Ana Claudia Cichon*
vídeos e  fotos de Dênis Barbosa

Corinthians é Corinthians, não importa o lugar, não importa a categoria. No sábado (20), enquanto a equipe principal enfrentava o Bahia pelo Campeonato Brasileiro – mas com a cabeça do Mundial Interclubes – um grupo que já brilhou muito com a camisa alvinegra e agora pendurou as chuteiras esteve em Curitiba, pensando muito mais em fazer o bem do que somar três pontos.  E teve muito torcedor que deixou de assistir ao jogo dos craques atuais para gritar um “Vai, Corinthians” para os ídolos do passado.

O time de masters da equipe paulista veio disputar uma partida beneficente contra um combinado de amigos do Perdigão (aquele mesmo, que jogou no Inter de Porto Alegre, Vasco Corinthians, Atlético e até uma rápida passagem pelo Paraná) e do Paulo Miranda (volante que já defendeu o trio de ferro da capital), e conquistou até mesmo aqueles corinthianos que não viram o clube passar 23 anos na fila, sofrendo contra o Santos de Pelé, ou sendo campeão brasileiro pela primeira vez, em 1990.

Os irmãos João Guilherme Soardi e Gabriel Henrique Soardi, de 10 e 8 anos, respectivamente, não conheciam nenhum dos onze jogadores que estava em campo, nem mesmo os do banco de reservas, mas o que importava era ver o Todo Poderoso Timão jogando. O responsável por transformar os pequenos em mais dois do ‘bando de loucos’ é o padrasto, Arildo Sales. “Tento passar um pouco desse amor pelo Corinthians para eles. E este jogo dos masters é uma oportunidade para eu ver jogadores que acompanhei e já pararam, além de poder mostrar para os meninos grandes ídolos”, explica.

Mas ele teve que fazer certo esforço para reconhecer os jogadores. Depois de abandonarem os gramados profissionais os cabelos começam a cair, a barriga aumenta um pouquinho… Mas nada que tire a satisfação dos torcedores, que puderam ver de perto atletas como o zagueiro Batata, campeão brasileiro em 98 e 99 e campeão mundial em 2000, o volante Ataliba, campeão da Copa do Brasil, em 1995, João Paulo, Guinei e muitos outros.

Um dos grandes destaques desta equipe de masters é Zenon, que atuou no clube na década de 80, fazendo parte da Democracia Corinthiana e marcando época ao lado de Biro-Biro e Socrátes, um dos meio-campos mais emblemáticos do futebol brasileiro. Zenon, inclusive, é um dos idealizadores do projeto e destaca a importância da partida. “É ótimo estar aqui, entre amigos, defendendo a camisa do Corinthians e, principalmente, realizando um ato solidário”.

Toda a renda da partida, organizada em parceria com o Novo Mundo, a equipe de masters do Corinthians e outros ex-atletas, como Perdigão e Paulo Miranda, será revertida para reforma do abrigo Bom Retiro.

Torcedor foi ver de perto ídolos do passado, na “medida errada”

O resultado final? Amigos do Perdigão e do Paulo Miranda 0x6 Masters do Corinthians. Mas isso foi um mero detalhe.

*Ana Claudia Cichon defende que o bom futebol acontece mesmo na várzea; ela também escreve sobre Suburbana aqui no blog.

“Imortal”, Operário ganha livro sobre seus 100 anos

O Fantasma de Vila Oficinas completou 100 anos nessa temporada. E se as coisas não andaram como se imaginava em campo, nem por isso a apaixonada torcida operariana esqueceu a data. Que o diga o pediatra Ângelo Luiz De Col Defino, alvinegro fanático, que se dispôs a contar a história do imortal Operário, que segue assustando nos campos paranaenses.

Ângelo gentilmente cedeu ao blog o trecho inicial do livro, que está a venda por módicos R$ 50 no site da livraria Portal Sul. “Imortal Operário Ferroviário – As histórias do Fantasma de Vila Oficinas”, traz  um relato histórico fiel do centenário de uma das mais tradicionais equipes do futebol brasileiro. O resgate transcende o Operário e volta até a primeira partida com registro da história do futebol no Paraná, entre Tiro Pontagrossensse e Coritiba, com detalhes, controvérsias e curiosidades são desvendadas através de uma pesquisa histórica minuciosa daqueles dias de outubro de 1909. Mapas, fotos e reportagens de 04 jornais de 1909 resgatam a memória dos pioneiros do futebol paranaense.

Leia e se apaixone um pouquinho você também pelo Fantasma!

“Nascido da classe operária que trabalhava na construção da ferrovia, em 1912, o clube contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento do esporte, mas também influenciou diretamente na formação da identidade cultural do ponta-grossense.

Desde o início do século passado o time já levava mulheres para o estádio, tornando-o espaço de sociabilidade e convivência, sem distinções. O Operário também foi um dos primeiros clubes do Brasil a aceitar jogadores negros desde a sua fundação, o que contribuiu para aumentar sua empatia com a comunidade. O uniforme listrado em preto e branco é uma homenagem à união das raças.

A famosa invencibilidade em vários jogos disputados contra times de outras cidades rendeu ao Alvinegro o apelido de Fantasma. A apaixonada torcida, que enchia os vagões das ferrovias para acompanhar o time nos jogos fora de casa, logo ficou conhecida como “a torcida do trem fantasma”.

A eterna rivalidade com o Guarani Esporte Clube originou verdadeiros clássicos entre as décadas de 1920 e 1960. Os operarianos, chamados de graxeiros, reuniam-se no Bar King, na Rua XV de Novembro, centro de Ponta Grossa. Os bugrinos, chamados de pó-de-arroz, tinham como reduto o Bar Maracanã, que ficava do outro lado da mesma rua. As provocações pela imprensa dias antes dos jogos, carreatas antes das partidas, comemorações após os encontros e charges expostas nas vitrines das lojas comentando os resultados tornavam o Ope-Guá um campeonato à parte.

Nesses 100 anos de atividades muitas foram as dificuldades para dar continuidade às atividades do clube, mas a história alvinegra acabou sendo marcada por uma grande capacidade de resiliência, pela imortal disposição em dar a volta por cima e ressurgir. Os momentos de retomada do futebol alvinegro foram de grande importância para a cidade, despertando um sentimento de união e de conquista entre os ponta-grossenses.

Na segunda parte do livro o leitor vai encontrar o Almanaque do Fantasma. Lá estão registradas as campanhas históricas, times que marcaram época, atletas alvinegros que serviram à Seleção Brasileira, goleadas inesquecíveis, estatísticas e outras curiosidades sobre o centenário clube.

Destacam-se também suas conquistas e títulos com o objetivo maior de valorizar o sentimento de comunidade e reforçar as capacidades de superação e de união de um povo, contribuindo para a construção de um orgulho regional e de uma melhor imagem de si mesmo.

Olê – lê – ô !

O – pe – rá – rio !”