O inimigo

Estamos ainda todos chocados e me parece ser apenas o começo. Ou melhor, parece não ter fim.

Entre a morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, assassinado por pseudo-defensores de “um Brasil melhor”; as palavras afetadas de uma colega sobre o rapaz espancado e amarrado a um poste no Rio – porém, que dão apenas eco ao sentimento da sociedade, oprimida e cansada do descaso do Estado; a invasão, já nem tão invasão assim, do CT do Corinthians e tantos outros exemplos que ocupariam muito mais do seu scroll do que eu conseguiria escrever, fiquei pensando: quem é o inimigo?

Vem aí uma Copa do Mundo e o que deveria ser motivo de alegria, hoje, no mínimo divide a população. Não confiamos no sistema, nos orçamentos, nas prioridades, nos objetivos. Os autores do livro Soccernomics, Simon Kuper e Stefan Szymanski, já diziam em 2010 que o grande legado da Copa é a alegria e o orgulho do povo do País que a sedia. Depois dos manifestos – orquestrados? – na Copa das Confederações, do surgimento dos arruaceiros “Black Blocs”, socialistas de esquina cujo objetivo anárquico já está bem provado, o que podemos esperar para o Mundial? Mais mortes, mais arruaça? Será 2014 o ano certo para reclamar dos acordos de 2007? Perderemos o pouco que resta de bom na alegria de ser sede de uma Copa, com informações distorcidas, dentro de um cenário que tem corrupção em todos os lados – problema mais real do que o orçamento da Copa, menor que o da saúde e o da educação, que nunca chegam 100% aos seus objetivos?

E quando lemos que os “invasores” do CT do Corinthians podem ter sido autorizados a entrar, causando o que causaram, com a benção dos cartolas? Os mesmos que quando cobrados sobre esses vínculos, negam, mas não o renegam. Ou não se sabe que o uso da marca dos clubes, qualquer um deles, é parte grande da renda das Organizadas? Se o clube permite o uso, não combate, é conivente. E o é por que seus cartolas – todos, de todos os clubes –  sabem que esses grupos têm força. Elegem, tiram do poder; mantém um status quo arriscado de liderança, pela dor. Ou joga por amor, ou por terror, não é isso?

Vivemos em um Estado em que a imprensa é hostilizada e vive do shownalismo, num ciclo negativo que só puxa ainda mais desconfiança e hostilidade, não interessa a quem. É a lógica Tostines: publica-se o que se quer que leiam ou lê-se apenas o que é conviniente ler? Ainda que tantos, mesmo sem ler, usem a já condenada área dos comentários para dar opinião azeda sobre coisa alguma. O que vale é dizer.

E a polícia, mesmo os de bem, não têm a confiança do povo. Do contrário seria preciso explicar que polícia é sinômimo de bem? Vale pra todos essa lógica? Qual seu critério de separação? 

Política? Podre. Ninguém se salva, certo? Mas em Outubro as mesmas figurinhas carimbadas estarão lá, reeleitas, advinhem só por quem?

É intolerância para todos os lados. O humor perdeu para o politicamente correto (nem sempre tão correto), as diferenças não convivem mais, opiniões distintas não servem para reflexão e debate mas sim para confusão e combate.

Quem é o inimigo afinal, que parte de dentro de casa, ao não devolver o troco errado na padaria, ao puxar o sinal de TV a cabo pirata? Quem é que justifica opressão com opressão, que ensina a Lei de Gerson aos pequenos? 

Quem pode condenar aos que reagem como podem, sem instrução, cansados de tanto desmando, num País que, definitivamente, deu errado?

O inimigo, amigo, pode estar mais próximo do que nós imaginamos. Pode estar num espelho qualquer, a espera de mudanças, sem que você mesmo se mexa, cobre o que é correto de quem é de direito, mude suas escolhas e suas atitudes.

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Papo aberto 1: Sérgio Soares

Uma das coisas legais de se trabalhar com TV na internet é que você não se prende a formatos nem ao tempo. Aproveitando a visibilidade do Terra e as várias personalidades que recebemos por aqui, resolvi segurar nossos convidados por mais 15 minutos (pelo menos é a promessa inicial) nos estúdios, pra bater um papo aberto sobre coisas que fogem do noticiário do dia a dia.

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O primeiro convidado é o técnico de futebol Sérgio Soares, que esteve comigo como comentarista na partida entre Rubin
Kazan x Chelsea pela Liga Europa. O treinador contou como se deu a tumultuada saída do Paraná Clube – abrindo em detalhes um problema famliar – em 2009. Também contou que já imaginava que o 2011 do Atlético não seria fácil (e porque), depois de comandar o clube na reta final do Brasileiro em que quase chegou a Libertadores. E falou muito sobre a falta de paciência do mercado com os técnicos – recentemente, foi demitido do Avaí. Assista a primeira parte:

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Soares foi auxiliar-técnico e jogador do Santo André que surpreendeu o Brasil em 2004, ao bater o Flamengo na decisão, em pleno Maracanã. Ele contou em detalhes a trajetória do Ramalhão. Além disso, falou sobre a Copa 2014, dizendo que a Seleção precisa de ajuda urgente. Acompanhe:

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