Papo aberto 1: Sérgio Soares

Uma das coisas legais de se trabalhar com TV na internet é que você não se prende a formatos nem ao tempo. Aproveitando a visibilidade do Terra e as várias personalidades que recebemos por aqui, resolvi segurar nossos convidados por mais 15 minutos (pelo menos é a promessa inicial) nos estúdios, pra bater um papo aberto sobre coisas que fogem do noticiário do dia a dia.

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O primeiro convidado é o técnico de futebol Sérgio Soares, que esteve comigo como comentarista na partida entre Rubin
Kazan x Chelsea pela Liga Europa. O treinador contou como se deu a tumultuada saída do Paraná Clube – abrindo em detalhes um problema famliar – em 2009. Também contou que já imaginava que o 2011 do Atlético não seria fácil (e porque), depois de comandar o clube na reta final do Brasileiro em que quase chegou a Libertadores. E falou muito sobre a falta de paciência do mercado com os técnicos – recentemente, foi demitido do Avaí. Assista a primeira parte:

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Soares foi auxiliar-técnico e jogador do Santo André que surpreendeu o Brasil em 2004, ao bater o Flamengo na decisão, em pleno Maracanã. Ele contou em detalhes a trajetória do Ramalhão. Além disso, falou sobre a Copa 2014, dizendo que a Seleção precisa de ajuda urgente. Acompanhe:

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Atlético coloca teoria em prática na Copa do Brasil

Uniforme de passeio foi o mais usado pelo Atlético até agora em 2013 (foto: AI CAP)

 

Já temos 93 dias no ano e, nesta quarta (03/04), pela primeira vez em 2013, o elenco principal do Atlético fará um jogo oficial. Será pela Copa do Brasil, em Pelotas, contra o tradicional Brasil. Duelo rubro-negro na Baixada gaúcha, o estádio Bento Freitas, que pode ser liquidado sem a necessidade do jogo em Curitiba. A Copa do Brasil prevê que o clube melhor ranqueado, caso vença por dois ou mais gols, avance diretamente a próxima fase.

Se acontecer, o Atlético terá um descanso ainda maior até pegar Ji-Paraná ou América-RN. Os jogos da 2a fase estão previstos em 1, 8, 15 ou 22 de maio. Na hipótese mais curta, mais 28 dias sem atividade – o Brasileirão só começa em 26 de maio. Se contar o período da Copa das Confederações, o Furacão titular poderá ter nada menos do que 151 dos 365 dias do ano sem jogar partidas oficiais, exceção óbvia da suposta partida única em Pelotas.

Há quem diga atualmente que o time Sub-23 do Atlético bateria o titular em uma disputa direta. Difícil afirmar, mas é fácil de entender a suposição: mesmo claudicante, o Sub-23 acabou embalando no 2o turno do Estadual e já revelou bons nomes. Enquanto isso, após deixar uma boa impressão na Marbella Cup, na Espanha, os titulares andaram fazendo feio em jogos-treino contra Goiás, Cruzeiro e Atlético-GO, alguns atuando até com reservas. O próprio técnico Ricardo Drubscky reclamou aos quatro cantos, sem sucesso, de que queria ter mais ritmo de jogo. Não deu.

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A opção política do Atlético em colocar um time B no Paranaense tem também um cunho esportivo. Os números exagerados assustam. Mas a ideia de se descansar o principal elenco por parte da temporada inchada no Brasil é boa. O principal modelo de futebol no Mundo hoje, o Barcelona, fica até 85 dias sem atividades oficiais. Talvez o Atlético pudesse ter usado o time principal em algumas partidas no Paranaense para pegar ritmo e não sentir tanto a estreia em Pelotas.

Ainda assim, com transmissão para todo o País, o Atlético colocará sua teoria em prática nessa quarta. A Copa do Brasil é a menina dos olhos da diretoria, que prometeu títulos na campanha eleitoral. O rival Coritiba bateu na trave em dois anos consecutivos, o que acirrou a disputa interna. Mas a CBF aumentou a competição, deixando-a mais difícil, com a entrada dos clubes que estão na Libertadores a partir da metade da competição. Entretanto, se tem um elenco tecnicamente inferior a muitos clubes e ainda se ressente de ritmo de jogo, um pecado não poderá ser reclamado pelo Atlético: o cansaço físico. 

Enquanto o Sub-23 já incomoda no Estadual, até mesmo com chances de chegar à decisão, os principais jogadores vão ter que começar a estrada de 2013. Ao deixar o time mais fraco responsável pela chance mais direta de conquista de título na temporada, o Atlético assumiu um risco de por uma ideia em prática. Ao final do duelo contra o Brasil, pela primeira vez se poderá avaliar objetivamente se o projeto tem futuro ou não.

  • Brasil

O Brasil de Pelotas também começou a temporada há pouco tempo. Apenas em 24/03 é que o time fez a primeira partida oficial, um 3-0 em cima do Farroupilha, rival citadino, pela 2a divisão gaúcha. Na última rodada bateu o Santo Ângelo por 1-0 e lidera o Grupo 2 com duas vitórias em dois jogos – teve um adiado.

Dono de uma das torcidas mais fanáticas do Rio Grande do Sul, o Brasil foi 3o lugar no Brasileiro 1985, vencido pelo Coritiba, que derrotou o Bangu-RJ na final – este, classificado ao eliminar a equipe gaúcha nas semis.

Na história, em jogos pelo Campeonato Brasileiro, Atlético e Brasil duelaram 4 vezes. O Furacão nunca venceu o Xavante: 3 empates e 1 derrota. Um dos empates foi no Brasileirão 1984, com direito a pênalti perdido pelo Atlético e Luiz Felipe Scolari como técnico do Brasil. Assista:

 

Arbitragem decidiu o primeiro turno no Paranaense? Participe do debate

O primeiro turno do Paranaense terminou com muita polêmica. Em xeque, a arbitragem paranaense. O blog então propõe um exercício.

Desde 2011, o site Placar Real acompanha, rodada a rodada, o desempenho dos árbitros no Brasileirão. Os critérios estão explicados nesse link e, resumidamente, presumem 1 gol para cada pênalti não marcado – decidido se corretamente ou não de maneira subjetiva, a partir da análise de profissionais de imprensa. Gols em impedimento são anulados, gols mal anulados são computados e assim vai. Como exemplo, em 2011, o site salvaria o Atlético do rebaixamento, colocando o Cruzeiro no lugar; em 2012, o Coritiba saltaria 5 posições, do 13o para o 8o lugar.

Aplicando os conceitos do “Placar Real”, exemplificando com imagens dos lances na internet e abrindo para a discussão (sem ofensas) nos comentários – o que inclui um update deste post mediante as sugestões do leitor – analisei 7 jogos que mudariam a classificação da primeira fase do Estadual. Vamos a eles:

1) 2a rodada: Nacional 1-1 Atlético

Árbitro: Paulo Roberto Alves Jr.
Reclamação: Pênalti mal marcado a favor do Atlético.
Lance:

Pela imagem, Héracles (aos 0’13) projeta o corpo antes do choque com o zagueiro do NAC.

Veredito: procedente.
Consequência: menos um ponto para o Atlético, mais dois para o NAC.

2) 2a rodada: Arapongas 1-1 Operário

Árbitro: Fábio Filipus
Reclamação: Pênalti não marcado para o Arapongas.
Lance: Indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma.

3) 4a rodada: Operário 2-1 Cianorte

Árbitro: Rafael Pedro Feza
Reclamação: Gol do Cianorte em posição de impedimento.
Lance:

Pela imagem, os dois atacantes do Cianorte, incluindo o artilheiro Mineiro, estão em posição legal (1’25).

Veredito: improcedente.
Consequência: nenhuma.

4) 4a rodada: Coritiba 1-0 J. Malucelli

Árbitro: Leandro Hermes.
Reclamação: pênalti não marcado de Escudero em Leandro.
Lance:

A partir dos 3’04, a sequencia de ataques do J. Malucelli acaba com um cruzamento na área em que o zagueiro coxa puxa o atacante do Jotinha.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos para o Coxa, mais um para o J. Malucelli.

5) 6a rodada: Arapongas 0-0 Toledo

Árbitro: Antônio Valdir dos Santos.
Reclamação: pênalti a favor do Arapongas.
Lance: indisponível.
Veredito: impossibilitado.
Consequência: nenhuma

6) 8a rodada: J. Malucelli 2-2 Paraná

Árbitro: Adriano Milczvski
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Paraná.
Lances:

Aos 1′ 36, Luizinho recebe e cai na área em dividida com o zagueiro; ele projeta o corpo e rapidamente se levanta – não foi pênalti; na sequência, novamente com Luizinho, cruzamento na área e a bola toca o braço do jogador do J. Malucelli, que está junto ao corpo, sem desviar a trajetória. De novo, nada. Aos 3’47, Alex Alves é puxado dentro da área: pênalti não marcado.

Veredito: procedente.
Consequência: mais dois pontos ao Paraná, menos um para o J. Malucelli.

7) 11a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Árbitro: Felipe Gomes da Silva
Reclamações: três pênaltis não marcados para o Londrina, um para o Coritiba.
Lances:

Aos 0`33, bola chutada por Germano; ela desvia no peito e no braço de Pereira, saindo da direção do gol: pênalti. Aos 0’39, no cruzamento, os braços de Robinho, que estão junto ao corpo; normal. Aos 0’42, Rafinha dá um carrinho na área e carrega a bola com o braço; pênalti. Além desses lances, outro que não está no vídeo é o pênalti em Arthur, disponibilizado abaixo no site da RPCTV, clicando na foto.

Veredito: procedente.
Consequência: menos dois pontos ao Coritiba, mais um para o Londrina.

Logo, a classificação do 1o turno, com os jogos acima, ficaria assim:

Lembrou de mais algum lance? Concorda com todos, discorda de algum? O debate, com educação, é de vocês, nos comentários abaixo.

O levantamento tomou dois dias de pesquisas – o árbitro tem segundos para decidir um lance. A frase, lugar comum, explica mas não anula o problema. Não há clube que não tenha sofrido com o apito e isso acaba ficando na conta comum a todos. Ora um reclama, ora outro – mas, apesar da graça de se debater arbitragem, como reza outro senso comum, o bom juiz é o que não aparece.

O primeiro passo para se resolver uma situação é debater os problemas e encará-los de frente. Se a arbitragem paranaense, sem nenhum árbitro Fifa e com renovação contestada não está agradando, o pontapé inicial está dado com esse singelo levantamento.

UPDATE

Recebi ao longo do dia outros vários lances de discussão. A imensa maioria em Londrina x Coritiba – o post fala de todo o primeiro turno, mas o assunto mais quente é esse. Aos que entenderam a discussão, obrigado! Repito aqui o que disse no Twitter para alguns torcedores ao longo do dia: se esse debate não passar por uma reflexão de quem organiza o esporte, não terá validade além de discussões de boteco. É papel da imprensa trazer à tona – agrade ou desagrade quem seja.

Seguem os lances reclamados e a análise:

6a rodada: Operário 1-1 Paraná

Reclamação: falta de Alex em Anderson no gol do Operário.

Veredito: improcedente. O jogador do Fantasma aproveita-se do posicionamento ruim de Anderson – a defesa do Paraná sequer reclama o lance.
Consequência: nenhuma.

10a rodada: Londrina 0-1 Coritiba

Reclamações: pênalti em Chico, falta em Eltinho e cotovelada em Rafinha.

Veredito: procedente, exceção do pênalti em Chico, que é lance normal de jogo – os atletas sobem juntos na disputa de bola. No lance de ataque do Londrina, Eltinho é empurrado (o camisa 6 do Londrina, Silvinho, vai somente na direção do jogador) o que seria falta na origem do lance que originou a reclamação principal do Londrina e, posteriormente, o gol do Coritiba; no lance de ataque do Coritiba, pela imagem, fica clara a ação de Germano para bloquear a passagem do atacante do Coxa – não fica clara, no entanto, a cotovelada. O lance, rápido, ainda deixa outra dúvida: a falta se origina na entrada da área e termina dentro (0’58), o que está frisado abaixo. Entretanto, assim como as fotos que circulam no lance de Pereira, a dinâmica da ação deve ser percebida no vídeo acima.


Consequências: falta de Germano – passível de cartão – na entrada da área; impugnação de todo o lance que envolveu Pereira.

  • Arbitragens

É inegável que boa parte das queixas em Londrina x Coritiba vieram do acúmulo de erros nos jogos entre os dois times. A arbitragem de Felipe Gomes da Silva já recebeu críticas públicas do observador de árbitros da FPF, Gilson Bento Coutinho, disse que viu três pênaltis no jogo. Felipe Gomes da Silva é o mesmo árbitro que apitou Vasco x Olaria e marcou o pênalti abaixo para o Vasco (aos 3’00) em 2011. Veio apitar no Paraná, que atualmente não tem nenhum árbitro Fifa no quadro e vive uma dificuldade de renovar o quadro.

A campanha do Coritiba no 1o turno é irrepreensível. Ninguém, mais que o próprio coxa-branca, quer comemorar um título que fique maculado pelas más arbitragens – especialmente quem já sofreu em duas decisões da Copa do Brasil. Mas é fato que erros aconteceram. E, na dinâmica do futebol, sabe-se que apesar da brincadeira do “Placar Real” ser divertida,  um lance anulado ou apitado não necessariamente resulta em gol. Além de que, por exemplo, o pênalti não dado em J. Malucelli 2-2 Paraná (que eu mesmo tive dúvidas até ver várias vezes) poderia ter mudado o ânimo do campeonato. Os erros sucedem os jogos e mudam a própria competição.

Os erros em Londrina têm consigo outro “crime”: a luta para que uma cidade do porte da Capital do Café leve 30 mil pessoas a um jogo importante, no resgate do time da cidade em um dia de clássico paulista na TV, acaba se perdendo. Ganhar ou perder fazem parte do jogo; o que nem coxas, nem londrinenses, nem ninguém aguenta mais é estar à mercê de decisões subjetivas.

E, ressalte-se, são ERROS. Falar em direcionamento é conspiração – até que se prove o contrário – é leviano. Se você sabe de algo concreto, cabe a denúncia. A princípio, o que a FPF e a CBF precisam é de uma grande reciclagem nos árbitros, com melhor treinamento e orientação. E a Fifa precisa entender que a “graça” do subjetivo no futebol acaba quando se tem um prejuízo por estar de fora de uma competição após um erro.

Para encerrar – por ora – esse assunto, sugiro que ouçam a entrevista que o ex-diretor nacional de arbitragem, Aristeu Tavares, deu ao jornal “O Popular” de Goiânia. Ele assume que podem existir esquemas de arbitragem no país e que recebeu denúncias. Foi afastado do cargo pouco depois.

Londrina x Coritiba: rivalidade e boas histórias desde 1959

Eu era pequeno ainda quando entendi a rivalidade que existe entre Londrina e Curitiba no Paraná. Em uma época de férias, nos já distantes anos 80, estava na terra do Café quando me perguntaram de onde eu vinha, na companhia de uma prima do meu pai. “Da capital”, disse, curitibaninho da gema – mas com 8 anos de criação no norte do Paraná. “De São Paulo?”, me questionaram de novo.

O episódio faz tempo e nunca diminuiu o carinho que sempre tive por Londrina e região – afinal, se nasci em Curitiba, tenho pais “pés-vermelhos”. Mas reforçou um sentimento de paranismo que será exaltado como há tempos não se vê nesse domingo, quando a Capital do Café receberá a última rodada do 1o turno do Paranaense, vestida de decisão para coxas e alvicelestes. Não vai ser a primeira entre os clubes, que desde o ano passado têm, ao menos do lado do Tubarão, ainda mais exacerbada a rivalidade.

Coxa, de Carazai, Ivo e Miltinho, venceu a primeira final contra o LEC em 1959

A primeira aconteceu em 1959. O Coritiba venceu a Série Sul e o Londrina, então de Futebol e Regatas, venceu a Série Norte. Foram dois jogos entre as duas equipes – e deu Coxa duas vezes: 3-0 em Curitiba e 2-1 em Londrina. O Coxa seria bicampeão em 1960; o troco alviceleste viria dois anos depois.

O Londrina de 1962, com Gauchinho em campo, vencedor da segunda decisão entre os clubes

Novamente Londrina e Coritiba se encontraram numa final, desta vez em 1962. Era o segundo dos 4 anos em que os clubes do interior levariam a melhor sobre os da capital (Comercial de Cornélio em 61 e Grêmio Maringá em 63-64). Gauchinho, maior artilheiro do LEC com 217 gols, comandou o time em duas vitórias por 4-2, em Londrina e Curitiba. Era a primeira taça do Tubarão.

  • Folclore

Em 1972, o Coxa vivia o segundo ano de sua maior série vitoriosa (hexacampeão) enquanto o Tubarão andava mal das pernas. Nos 4 confrontos diretos, o LEC apenas conseguiu um empate, 1-1, em casa. O Coxa aplicou dois 4-0 e um 3-1. O jornalista J. Mateus, em seu livro “Londrina Esporte Clube 4o anos”, conta que o Tubarão chamou um pai-de-santo para resolver o problema do clube, após uma das derrotas.

“Tem um espírito, de alguém que foi ligado ao clube que está complicando tudo”, disse o pai-de-santo. “É uma dívida que não foi paga. Tem que mandar ele pra outro endereço”.

A diretoria do Londrina marcou a sessão espírita. O então supervisor Murilo Zamboni acompanhou os trabalhos desde às oito da noite até a 1 da manhã.

“Pronto”, disse o pai-de-santo, “agora é só escolher pra quem mandar”. Zamboni sugeriu: “Mande pro Coritiba, que está ganhando tudo!”. O pai-de-santo concordou e começou o despacho rumo ao Alto da Glória.

O Coritiba seria campeão com 31 vitórias em 44 jogos. O Londrina, ao menos, acabaria em quarto lugar.
(adaptação do texto da página 59)

  • Retomada

Londrina e Coritiba retomaram a rivalidade no ano passado. No último grande momento do Tubarão, quem estava mal era o Coxa. Eram o início dos anos 90, o Coritiba amargava um rebaixamento não-concretizado (caiu, mas não jogou) para a Série C nacional em 1990 enquanto o Londrina chegaria ao 3o título estadual em 1992 e ainda seria vice em 93 e 94. Quem reinava era o Paraná.  De 1995 pra cá, o Coxa se reencontrou, mesmo com altos e baixos; foi a vez de o Londrina cair vertiginosamente. Em 1999, quase subiu para a Série A, eliminado pelo Gama-DF; depois, sumiu. Caiu de divisão no Brasileiro até perder a vaga fixa e passou até pela segundona paranaense.

Os encontros de 2012 foram polêmicos. Em Londrina, um empate em 1-1 e muita reclamação em cima de um lance de pênalti a favor do Tubarão não dado em Arthur, hoje no Coxa, pelo árbitro Leandro Hermes – o atacante derrubado, porém, estaria impedido. Em Curitiba, um gol olímpico (leia-se falha de Vanderlei) mal-anulado que rendeu até discussão nos diretórios acadêmicos de física (vídeo da TV Transamérica):

Na história, são 125 jogos: 59 vitórias do Coritiba, 35 do Londrina e 31 empates (incluindo os jogos antes da mudança no nome do Londrina).

Luis Carlos, sobrevivente da queda em 2011, reencontra o Arapongas

Vinte e três de abril de 2011. Um dia que todo paranista gostaria de esquecer – mas que, como toda lição na vida, é importante lembrar. Certamente o momento mais difícil da história do clube. Ao empatar em 2-2 com o Arapongas, em casa (vídeo do Notícia FC abaixo), o Tricolor era rebaixado para a segunda divisão estadual, pela qual jamais havia passado – nem mesmo quando surgiu, em 1989, quando herdou uma das vagas de Colorado e Pinheiros na elite paranaense para 1990.

Dois anos depois, Paraná e Arapongas se reencontram. Agora, a situação é outra: o Tricolor voltou a ser postulante ao título, podendo se garantir na final se vencer o turno; o Arapongas, time bem sucedido nas últimas temporadas, anunciou que deve fechar as portas ao final da temporada.

 

Um dos poucos sobreviventes da queda traumática é o goleiro Luis Carlos. Aos 25 anos, seis deles dedicados ao Paraná, o jogador nascido em Curitiba esteve nas cinco primeiras partidas daquele campeonato. Depois, foi emprestado ao Ypiranga-RS, pelo qual chegou a fazer a semifinal do Gauchão 2011 contra o Grêmio, sendo eliminado. Voltou a tempo de ver a queda paranista com Thiago Rodrigues no gol, um colega que também seguiu no Tricolor após o rebaixamento. Titular da equipe mesmo com o retorno do ídolo Marcos, Luis Carlos bateu um papo comigo na manhã deste sábado, sobre as mudanças no clube e as histórias desses dois anos.

Luis Carlos: “Hoje a gente tá muito bem” (Foto: Divulgação)

O que mudou no clube de 2011 pra cá?

Luiz Carlos – Com a nossa queda, a diretoria se conscientizou e viu que tinha que trazer jogadores mais experientes. Naquele tempo tinha muita molecada. A gente acabou caindo. Em 2012 já foi diferente. A gente começou mesclando jogadores, com o Lucio [Flávio, meia] e o Anderson [zagueiro], dando uma base boa. E em 2013 a gente manteve uma base e estamos fazendo um bom campeonato. Tanto na zaga quanto no meio, tá muito bem. É isso aí, os caras se conscientizaram e a gente tá bem agora.

Mas muitos dos dirigentes daquele ano ainda estão no clube. Mudou o que?

A convivência… olha, o Paulão [Paulo César Silva, vice-presidente], o Celso [Bittencourt, superintendente geral], o pessoal continua o mesmo. Eles sempre procuram dar o máximo deles. O que aconteceu tá no passado. O Paraná tem muitas dividas. Eles tão dando o máximo, mas é difícil. Agora mesmo, teve o caso do Thiago Neves, o empresário dele entrou na Justiça, o Paraná vai ter que pagar 9 milhões. Mas o ambiente é o melhor possível. O que eles tão fazendo é o que eles podem.

Uma coisa que sempre pareceu de fora é que, mesmo com os problemas, os jogadores parecem muito unidos. Afinal, até greve vocês mobilizavam…

Que nem eu falei, o pessoal que chegou, os mais velhos, sempre procura orientar a gente pra fazer a greve, porque é um direito nosso. A gente fazia, às vezes não treinava, não concentrava e ia direto pro jogo. Mas eles [a diretoria] foram se conscientizando. E deram uma posição pro pessoal mais velho que acabou ficando esse ano.

Que posição foi essa?

O pessoal acredita no Paraná, no presidente, nos caras. Eles propuseram um monte de coisas, espero que eles cumpram. Tenho certeza que vai ser um bom ano. Por alguns detalhes a gente não tá na liderança. O pessoal mais velho topou ficar porque o presidente [Rubens Bohlen] disse que ia por a casa em dia e tá cumprindo.

Você já estava no Ypiranga quando o time caiu. Como você recebeu a notícia?

Eu já tava em Curitiba e não pude ir no jogo porque tinha que resolver uns negócios do Ypiranga ainda. Mas foi triste. Cair é complicado. Mas faz parte do futebol. E graças a Deus a gente conseguiu subir invicto [Nota do Blog: na verdade, o Paraná perdeu 2 jogos, para Grêmio Metropolitano (2-5) e Serrano (0-1) já quando havia conquistado o título e o acesso]. Até o Palmeiras caiu, isso faz parte.

Mas o calendário e a sequência de jogos não era moleza.

Era complicado. O Ricardinho fez um excelente trabalho conosco. Teve que montar dois times pra jogar o Paranaense. Jogava quarta, sexta, domingo, terça. Aí veio a Copa do Brasil, a Série B… foi complicado. Mas foi um ano vitorioso, principalmente pra mim. Eu vinha jogando uma, duas vezes por ano e fiz mais de 40 jogos.

E agora, bem diferente dos últimos anos, o time está na briga para ser campeão. Mas já sem os confrontos diretos.

Tem que continuar secando o Coxa, o Jotinha. É torcer pro Atlético fazer uma graça (risos). Contra o Jota o juizão complicou a gente… mas faz parte do jogo. Eu acredito que ainda dá. O Coritiba pega o Atlético e o Londrina. E nós pegamos Arapongas, Cianorte e ACP. Acho que se a gente ganhar os 3, tem chance ainda.

E esse jogo contra o Arapongas, tem gosto de revanche?

A maioria de quem tava aquele ano já saiu. Tem eu e o Thiago. É bom que nem toquem no assunto (risos). Já passou, bola pra frente, vamos esquecer. Vamos jogar amanhã (domingo, 16/02) e ganhar do time que nos derrubou.

Conheça Fran Mérida, reforço espanhol do Atlético

O Atlético confirmou nesta segunda a contratação do meio-campista espanhol Fran Mérida, de 22 anos, que estava no Hércules, da Espanha.

O jogador começou no Barcelona em 2006, numa geração que tinha Messi, Iniesta e Xavi. Mérida atuou pouco com o trio famoso do Barça, se transferindo para o Arsenal, caminho feito um ano antes por Césc Fabrégas. Para isso, pagou uma multa de 3,2 milhões de euros. Nos Gunners, fez apenas 16 jogos oficiais em duas passagens, um deles pela Liga dos Campeões de 2009/10.

Do Arsenal, foi para o Atlético de Madrid, onde também teve problemas para se firmar. Entre idas e vindas, defendeu o Sporting Braga de Portugal e fez parte do elenco dos Colchoneros campeão da Liga Europa 11/12. Abaixo, a apresentação dele no Atleti.

Com o fim de contrato com o Atlético de Madrid, estava disputando a 2a divisão espanhola pelo modesto Hércules de Alicante, que está na zona de rebaixamento para a terceira divisão, no 20o lugar entre 22 equipes. Fez 19 jogos, com 1 gol marcado.

Ao diário Marca, da Espanha, Mérida disse estar “feliz com o negócio e eu vou tentar continuar a desfrutar do futebol neste novo desafio.” Segundo o jornal, o Atlético comprou os direitos do jogador, mas os valores não foram revelados. O contrato é até o final do ano, com opção por prorrogá-lo por mais dois anos.

Paratiba #94: um clássico como há muito não se vê

Empatados na liderança do Estadual em quase todos os critérios (o Coxa está na frente por ter tomado menos cartões amarelos), Paraná e Coritiba duelam pela 94a vez na história nesse domingo, na Vila Capanema, com um equilíbrio de ambições como há muito não se via.

Sem vencer o rival desde 21/02/2010, quando fez 1-0 em Paranaguá, o Paraná aparece como postulante ao título do primeiro turno – e eventual finalista – o que não acontece desde que foi campeão pela última vez, em 2006. A derrota em Paranaguá também foi a última do Coritiba em clássicos em Estaduais. Desde então, o clube se sagrou tricampeão paranaense, com um título invicto em 2011.

Somando-se a tudo isso, em campo estarão dois dos maiores ídolos de cada clube: Alex, pelo Coxa, e Lúcio Flávio pelo Paraná. O leve favoritismo que o Coritiba poderia ter fica aplacado pelo bom início tricolor e o mando de campo, que equilibra as situações.

Para quem é supersticioso, os vídeos abaixo apontam números desfavoráveis ao Coxa. Com Alex em campo, o Coritiba foi goleado no já distante ano de 1997, última vez em que o ídolo coxa-branca encarou o Tricolor. Alex marcou duas vezes, mas não foi o suficiente:

Lúcio Flávio também já enfrentou o Coritiba em outra época. A partida mais memorável foi em 1999, quando o Paraná, então jogando na Vila Olímpica, aplicou uma goleada histórica, com um time basicamente formado por jovens. Entre eles, o próprio Lúcio Flávio:

As goleadas acima, no entanto, não devem ser parâmetro para o jogo deste domingo, que promete ser equilibrado. Na história, são 35 vitórias do Coritiba, 31 do Paraná e 27 empates.

Com ídolos em campo e equilíbrio na tabela, o Paratiba #94 promete resgatar a rivalidade do clássico, que já foi acirrada nos anos 90, quando os times decidiram por dois anos (1995/96) seguidos o título estadual.