“Publicidade de oportunidade” faz o inusitado da Copa

É a Copa do Mundo, um monte de craque jogando um bolão, já dizia aquele jingle. Na TV, Copa, na Internet, Copa, nos jornais, Copa, nas rádios, Copa. Porque deveria ser diferente com a publicidade?

Não deveria – mas também não deveria ser regra. Nem tudo que gira nos comerciais é bem-sucedido como a música do banco ou a propaganda de cerveja que zoa os países adversários. Há de tudo, desde patriotada oportunista, tentando ser ‘tudo de bom’ com o Brasil, até senso de oportunidade de faturamento junto aos gringos.

Comecemos com esse anúncio abaixo, de uma conhecida loja de materiais de construção, que decidiu fazer uma promoção de duchas:

Vai tomar banho? Então vista a camisa da Seleção

Sabemos que tomar banho todos os dias é coisa de índio e por isso os europeus usam tanto perfume. Mas era realmente necessário contar com um sujeito vestido com a camisa da Seleção para uma promoção de duchas e aquecedores? Ah, a Copa…

Há também a chance de se faturar mais com os turistas. Cigarro, por exemplo, é um artigo muito caro fora do Brasil. Logo, nada mais justo que deixar o “menu” em cinco linguas, destacando o quão mais barato o produto é aqui, em relação ao país de origem do consumidor:

Tabela de preços faz questão de dizer que no Brasil é muito mais barato

A imagem não permite – propositalmente – a leitura precisa, mas dá para entender que a marca ressalta que o preço do cigarro em questão no Brasil é quase cinco vezes mais barato que nos EUA (R$ 6 x R$ 31, já convertidos). Bela chance pra muita gente de fora levar fumo.

O ramo de entretenimento adulto masculino também está em alta. Apesar desta profissional não estar faturando alto (vale ler esse interessante relato), as casas noturnas não cansam de ressaltar a oportunidade de casar dois prazeres masculinos.

Que tal ver uma pelada com a gente?

Em inglês, para facilitar o acesso.

Use e abuse (ops) dos comentários para citar publicidade de ocasião na Copa.

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Fatos do Tapetão 2013-14

Ou: Por que você deve se preparar para um Brasileirão 2014 com mais de 20 clubes.

André Santos foi expulso contra o Atlético na final da Copa do Brasil e atuou pelo Flamengo na última rodada do Brasileiro em 06/12/13, contra o Cruzeiro, no sábado, em jogo antecipado.

Héverton entrou no segundo tempo do jogo da Portuguesa contra o Grêmio na última rodada do Brasileiro; foi expulso após o final da partida contra o Bahia, duas rodadas antes.

Ambos foram denunciados na quarta-feira 09/12/13 pelo STJD.

– Héverton e André Santos foram julgados e punidos na sexta-feira. Héverton pegou dois jogos de suspensão por ofensas à Ricardo Marques; André Santos pegou um jogo e a imprensa noticiou, caso do Jornal Lance!.

– A CBF não publicou as penas de Héverton e André Santos ainda na sexta 05/12/13, fazendo-o apenas na segunda 09/12/13.

– A publicação das penas de clubes e atletas é lei federal que consta no Estatuto do Torcedor desde 2010:

– O STJD acatou as denúncias e puniu Flamengo e Portuguesa com a perda de quatro pontos cada com base no CBJD. A decisão foi mantida no pleno.

– Com a perda dos pontos, o Fluminense acabou se safando do rebaixamento para a Série B brasileira.

– Vários torcedores de Portuguesa e Flamengo – e mesmo um do Santos – entraram na Justiça Comum contra a CBF, com base no Estatuto do Torcedor; alguns pedidos foram rejeitados, outros acatados.

– MP-SP abriu inquérito para saber porque a CBF não informou à Lusa e Fla das suspensões. A previsão de termino das oitivas é 22/01/14.

– Havia um delegado da CBF em cada um dos jogos, Fla e Lusa, na última rodada do Brasileirão. Os mesmos não evitaram ou alertaram técnicos/clubes da irregularidade dos jogadores.

– A CBF tem por obrigação divulgar a tabela dos campeonatos que organiza até 60 dias antes do primeiro jogo. O Brasileirão 2014 tem início previsto para 19/04; sessenta dias antes será 18/02.

– A Justiça de São Paulo concedeu liminar obrigando a CBF a devolver os pontos de Fla e Lusa com base no Estatuto do Torcedor, o que rebaixa o Fluminense novamente.

– Um torcedor do Fluminense conseguiu, em um Tribunal Especial do Torcedor no Rio, uma liminar que obriga a CBF a cumprir a decisão do STJD.

– Agora, existem decisões conflitantes nesse caso. O STJ precisa definir o local único dos julgamentos.

– Na mesma linha, torcedores do Vasco pedem a anulação da partida com o Atlético por considerarem que não havia segurança na Arena Joinville em várias praças do País. A Justiça do Mato Grosso já rejeitou um dos pedidos.

– O vídeo abaixo mostra que o pedido dos torcedores do Vasco contradiz o pedido, uma vez que a invasão parte da torcida cruzmaltina:

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– Cada tribunal terá que decidir se acata ou não os pedidos vascaínos; caso sim, a nova composção pode rebaixar Fla, Flu e/ou Lusa, conforme as decisões acima; o Atlético seguiria na Libertadores com ou sem os pontos da vitória por 5-1.

– A CBF contratou o advogado Carlos Miguel Aidar para defender-se no MP-SP e contra as liminares no Estado de São Paulo.

– Aidar é um dos fundadores do extinto “Clube dos 13”.

– A Fifa proíbe que as associações nacionais entrem/acatem decisões na Justiça Comum, sob pena de desfiliação de clubes/federações, como mostram as imagens abaixo:

– A Copa do Mundo Fifa 2014 será no Brasil.

– Em 1993 o América-MG foi punido com dois anos fora de qualquer competição nacional por acionar a CBF na Justiça Comum.

– Em 2000 o Gama venceu a CBF no “Caso Sandro Hiroshi x Botafogo” em todas as instâncias. A CBF se declarou incompetente para organizar o Campeonato Brasileiro, avisou a Fifa e não realizou a competição.

– Em 1987, a CBF rompeu com o Clube dos 13 e depois voltou atrás. É por isso que há dois campeões nacionais: Sport (CBF) e Flamengo (C13). A Fifa e Conmebol reconheceram o campeonato da CBF e Sport e Guarani jogaram a Libertadores 1988 – mas essa é outra longa discussão.

– O Brasileirão 2000 foi substituído pela Copa João Havelange, organizada pela Clube dos 13.

– A Copa João Havelange teve três divisões e quatro módulos. No principal, a Série A, estiveram:

Remanescentes da Série A 99

Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo*, Corinthians, Coritiba, Flamengo, Grêmio, Guarani, Internacional, Juventude*, Palmeiras, Portuguesa*, Ponte Preta, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

*Clubes que seriam rebaixados não fosse a implementação da média de pontos

Ascendentes na Série B 99

Goiás (campeão) e Santa Cruz (vice).

Convidados do Clube dos 13

Bahia (3o na B-99), América-MG (7o na B-99) e Fluminense (1o na C-99).

Ganhou vaga na Justiça Comum:

Gama.

– Na ocasião, os únicos rebaixados de fato foram Paraná (17o de 22 em 99, não caíria não fosse a média) e Botafogo-SP (caíria nos dois regulamentos).

– A CBF, posteriormente, retomou o comando da competição para 2001 e reconheceu o Vasco como campeão brasileiro 2000.

– Juristas experientes, como Ives Gandra, sugerem à CBF uma solução consciliatória. O ex-presidente do STJD, Rubens Approbato, fala em paralisação geral do Brasileiro se a decisão do órgão que presidiu não for acatada.

Tire suas conclusões.

Em patrocínio inusitado, Organizada devolve ao clube o que ela mesma tira

A camisa do Paraná, patrocinada pela "Fúria Independente": mão invertida

O inusitado patrocínio da torcida organizada “Fúria Independente” ao Paraná Clube é caso para ser estudado à fundo e deixar todos, especialmente o torcedor comum, de olhos bem abertos.

Não vou entrar nos méritos da possível ingerência da TO no clube pois, além de suposição, é também óbvio que ela já aconteceria mesmo sem o patrocínio. Torcidas Organizadas tem poder de milícia, vigiam a vida de jogadores e dirigentes (imprensa também), normamente de maneira pouco cordial. Duas derrotas e se pede a cabeça de todo mundo. Ou quase: existe quem se proteja pagando um soldo às mesmas. Vale para todas. Seguindo essa lógica, é melhor então que as cobranças acompanhem um repasse financeiro ao clube, no melhor estilo “paguei, cobrei”, já que fariam de qualquer maneira – o histórico não me desmente.

O que chama a atenção é a relação comercial entre uma empresa com CNPJ e tudo mais – no caso, a “Fúria” e um clube de futebol que tem no anunciante um concorrente direto.

Sob a justificativa de que “apoiam incondicionalmente” e “estão juntos em todos os momentos”, as Organizadas se sentem um pouco donas de seus clubes. Assim, se apoderam das marcas dos mesmos, usando isso como fonte de renda. Explicando melhor: para qualquer torcedor, é mais barato comprar uma camisa ou um agasalho da torcida organizada do que investir nos (caros) materiais oficiais do clube do coração. Uma camisa da “Fúria” custa R$ 80 (R$ 70 para sócios da torcida em dia – outra concorrência interna, tratada a seguir) enquanto a camisa oficial sai por R$ 129,90. São 49,90 de diferença, podendo chegar a R$ 59,90.

Para um torcedor menos abastado, a simbologia é a mesma. Perante os amigos, ele marca sua paixão pelo clube e ainda ganha o “bônus” de se dizer pertencente à uma facção – o que no futebol significa respeito. O símbolo do Paraná Clube – e de tantos outros – está presente na camisa que, curiosamente, é sempre desvinculada pelas diretorias das TOs em episódios de violência. Além das camisas, as organizadas vendem outros artigos, como copos, bonés, etc. Tudo, claro, sem repasse de royalties.

O desconto para o sócio da torcida é outra concorrência desleal, que vampiriza o clube. O Paraná Clube hoje tem cerca de 4 mil sócios do futebol (há também sócios do clube social); a “Fúria” tem 15 mil cadastrados, com 500 em dia. Não obtive informações de quantos são sócios de ambos, mas, para ser sócio da torcida, são três planos: Ouro, a R$ 1000, Prata, a R$ 500, e Bronze, a R$ 100. Uma vez pago o valor, a manutenção custa R$ 10/mês. Já o Paraná Clube cobra R$ 80 reais a mensalidade para torcedores que queiram ficar no mesmo local da TO no estádio – a Curva Norte. Para contribuir com ambos, é necessário desembolsar uma média de R$ 170 por mês no melhor plano. Ou quase 1/3 do salário mínino, custo para poucos. Em número de sócios, cerca de 15% de perda associativa para a TO. Aqui, cabe uma ressalva: a “Fúria” garante que repassa 50% do valor de sua associação para o próprio clube. Não há confirmação se há relação direta com cessão de ingressos. Os benefícios são descontos em produtos e viagens e participação em festas – outra fonte de arrecadação.

Ao pagar R$ 50 mil para o clube, por dois jogos (Sport e Guaratinguetá), a “Fúria” passa o recibo de ser colaborativa mas, na verdade, apenas está devolvendo ao Paraná o que ela mesmo tira. É uma mão invertida. Ela está pagando agora o benefício de usar a marca do clube por tanto tempo. Não sem antes aproveitar para ela mesma se divulgar.

Após as entrevistas do técnico Dado Cavalcanti e do presidente em exercício Paulo Cesar Silva, de que o clube está sem dinheiro e precisa de toda a ajuda possível para se manter, é difícil condenar a ação da TO. No entanto, é preciso refletir o quanto a própria (e todas as outras) colaboram para que os clubes arrecadem menos e estejam em situação financeira precária.

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O 8-0 do Barcelona expõe todas as feridas do futebol brasileiro

Aranha caído: com ele, o futebol de clubes do Brasil

Não se pode aceitar com tanta naturalidade que o Barcelona tenha feito 8-0 no Santos. Nenhum grande clube brasileiro – diria até que nenhum que dispute a Série A – pode levar oito gols e entender, com humildade, que o Barça é poderoso demais. Especialmente um clube com a história e a camisa do Santos.

Sabe-se que o Santos está longe dos seus melhores momentos. Tem um time titular envelhecido e enfraquecido com a saída de Neymar – justamente para o Barcelona. Mas o Santos é um dos principais clubes do Brasil. Do futebol mais vitorioso do Mundo, o que revela mais talentos, o que mais ganhou jogos e títulos na história desde que a bola é redonda. Perder para o Barcelona é aceitável; perder de 8 e aceitar, não. Para nenhum time brasileiro.

Tão ruim quanto, embora muito menos impactante, foi ver o São Paulo “comemorar” a derrota para o Bayern de Munique por “apenas” 2-0. O placar não foi maior porque o São Paulo é melhor que o Santos – embora, vejam, perdeu no confronto direto no Brasileirão. Mas tem jogadores mais cascudos, mais ambientados e que não sentiram o mesmo impacto que os atletas santistas ao visitar um poderoso europeu. 

Santos e São Paulo deveriam ter vencido Barça e Bayern? Há que ser realista: não conseguiríam, hoje. Talvez o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores, consiga fazer frente ao Bayern no fim do ano, jogando como Inter, São Paulo e Corinthians jogaram contra Barcelona, Liverpool e Chelsea: como o time menor. Jogando consciente de suas limitações, marcando duro e aproveitando os erros. Esse é o quadro realista. 

Mas por que raios os clubes brasileiros, soberanos na América, não conseguem fazer frente aos Europeus a ponto de uma das principais camisas do País ter sido sumariamente humilhada no Camp Nou? Porque o futebol brasileiro não se importa com seus clubes.

Falta à CBF uma diretoria de clubes. Aquilo que muita gente chama de Liga, com ou sem racha com a atual direção. Um grupo que faça com os clubes o mesmo que é feito com a Seleção. Falta intercâmbio. Falta enxugar os Estaduais, permitindo que jogadores e técnicos possam ir à Europa ou mesmo até a vizinha Argentina fazer uma boa pré-temporada.

Falta fazer com que chineses, coreanos e japoneses saibam que Neymar era do Santos, Zico foi do Flamengo, entre outros, e se interessem tanto pelos brasileiros quanto pelo Manchester United, ajudando-os no aumento de receitas. 

Falta valorização interna. A distância aberta para o Barcelona é a mesma, por exemplo, que se tenta criar internamente, quando se paga mais em cotas de TV para alguns, desequilibrando o campeonato. O que já acontece na Espanha, que tem o Barça como um dos dois pólos, mas que tem um “país”, a Catalunha, trabalhando para si. Não o que acontece na Alemanha, do multi-campeão Bayern, que vê em Borussia Dortmund, Schalke 04, Bayer Leverkusen, Hamburgo e alguns outros rivais reais na briga pelo título nacional.

Por mais dolorosa que possa ter sido a goleada sofrida pelo Peixe, ela deve ser discutida abertamente por quem se importa com o futebol brasileiro. Santos, São Paulo e outros devem ir mais vezes ao exterior, como o Atlético Paranaense foi no começo do ano, disputar um torneio na Espanha em detrimento do Estadual. Como Cruzeiro e Fluminense fizeram nos EUA, durante a Copa das Confederações. Devem ir, interagir, vender sua marca, estudar mercados, ver novos jogadores. Devem contar também, principalmente, com a ajuda da CBF, desde repensar o calendário e a distribuição de renda até a conseguir que os clubes visitem esses mercados mais frequentemente.

Vai acontecer? Não sei. Depende da boa vontade de quem comanda o futebol brasileiro. Já as goleadas continuarão acontecendo, se nada disso for repensado.

  • Outro lado

Se a distância entre os brasileiros e os principais europeus ficou escancarada na derrota do Santos para o Barcelona, nas Américas, a economia do País está fazendo a diferença. Mesmo com todas as mazelas já citadas, pelo quarto ano seguido, o campeão da Libertadores é brasileiro; pelo nono ano seguido um brasileiro esteve na decisão, sendo que em 2005 e 2006 a final foi entre dois brasileiros. Nos últimos 21 anos – período que compreende também a consolidação do Plano Real – apenas em três ocasiões a final não teve ao menos um clube brasileiro. Do São Paulo de Telê ao Galo de Cuca, apenas em 1996, 2001 e 2004 a decisão deixou de ter um brasileiro, vagas que foram ocupadas pelos gigantes argentinos Boca (duas vezes) e River, América de Cali e Once Caldas da Colômbia e Cruz Azul do México.

Durante esse mês alguns clubes europeus visitaram a América invertendo o intercâmbio. Foram oito jogos com Porto de Portugal e os espanhóis, Sevilla e Atlético de Madrid visitando Nacional do Uruguai, Estudiantes de La Plata, Barcelona de Guayaquil, Deportivo Anzoátegui da Venezuela, Atlético Nacional da Colômbia, Universidade Católica do Chile e Sporting Cristal do Peru. No placar geral, 5 vitórias européias, 2 americanas e 1 empate. É difícil o exercício de colocar os brasileiros no comparativo. É possivel imaginar que se os três europeus ficassem apenas pelo Brasil, tivessem resultados piores. Mas é subjetivo e a realidade mais próxima é imaginar os brasileiros acima dos vizinhos, no nível dos médios europeus e abaixo dos grandes. Tanto é que o São Paulo acabou derrotando o Benfica, vice-campeão da Liga Europa.

É um posicionamento de mercado bom o suficiente para o que representa o futebol brasileiro?

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Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF na Justiça Comum

Cianorte também vai buscar na Justiça vaga no Brasileiro (foto: Facebook CFC)

A notícia de que o Rio Branco do Acre chegou a um acordo intermediado no Supremo Tribunal Federal e disputará a Série C do Brasileirão sem que o Treze da Paraíba abra mão da sua vaga – entenda mais clicando aqui – pode abrir uma brecha com a qual a CBF não consiga lidar. Na véspera da Copa das Confederações e há um ano da Copa do Mundo, a confederação busca acordos para que os clubes não tentem a Justiça Comum para os conflitos, como manda a Fifa, e acaba criando um outro problema para si.

O próximo time que pressionará a CBF será o paranaense Cianorte. De posse de um ofício da própria CBF (ver abaixo), assinado por Virgílio Elísio, diretor técnico, o Leão do Vale não quer mais apenas a vaga a que teria direito na Série D – que inicia-se neste final de semana – mas sim quer entrar diretamente na terceira divisão nacional.

Reprodução do trecho do ofício da CBF para o Cianorte (Assessoria CFC)

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Em entrevista ao repórter Martins Neto, o gerente de futebol do Cianorte Adir Kist disse que tentará a vaga na Série C em um acordo direto com a CBF, em uma reunião com Marco Polo Del Nero na próxima segunda (03/06). Do contrário, irá à Justiça Comum. “Estamos mobilizados com a Federação Paranaense e se isso não acontecer, vamos parar a Série C. A gente só quer que seja moralizado e que se cumpra as leis e o Estatuto do Torcedor.” A base da reclamação é de que a entrada do Treze como 5o colocado da Série D no ano anterior abre a mesma brecha pelo Cianorte: “Eles (CBF) não admitem suas incompetências e seus desmandos.”

A Fifa ameaça de desfiliação as confederações que não resolvam seus conflitos apenas na esfera desportiva. No Brasil, são três os episódios clássicos de problemas na Justiça Comum. Em 1989 o Coritiba, de posse de uma liminar, não viajou à Juiz de Fora-MG, para enfrentar o Santos, em condição imposta pela CBF por uma perda de mando de campo por invasão e agressão ao então goleiro Rafael, do Sport. A CBF ignorou a liminar e deu WO para o Coxa, rebaixando-o para a segunda divisão no ano seguinte. Em 1993, depois de uma virada de mesa que acabou favorecendo o Grêmio ao incluir 12 clubes a mais na Série A, o América-MG entrou na Justiça para contestar seu rebaixamento mesmo estando na 14a posição na classificação geral. Foi suspenso por dois anos das competições nacionais. Até então, a CBF sempre levou a melhor nas disputas na Justiça Comum.

Mas em 2000, após uma polêmica decisão de se fazer o rebaixamento por média de pontos – e uma decisão ainda mais polêmica do STJD em punir o São Paulo no Caso Sandro Hiroshi, transferindo seis pontos para o Botafogo-RJ – fez com que o Gama buscasse na Justiça Comum seu direito à elite. E conseguiu. Primeiro, a CBF excluiu o clube de Brasília, mas teve que voltar a montar a Série A com o Gama. Depois, se disse incompetente para realizar a disputa nacional e tranferiu a organização para o Clube dos 13, que faria o campeonato sem o Gama. Nova derrota: a Justiça considerou a Copa João Havelange o Brasileirão de 2000 e obrigou a inclusão do Gama, que jogou o torneio. Dali por diante, o Brasileirão não teve novas viradas de mesa ou disputas judiciais.

Especiailistas consideram que é difícil que a CBF inclua o Cianorte na Série C com os argumentos apresentados. No entanto, sabe-se que a diretoria atual não quer nenhum desgaste gratuito com a Fifa, que já tem de lidar com o Governo Brasileiro na relação da Copa. Talvez por isso é que Marco Polo Del Nero receba o pequeno Cianorte na próxima segunda. Por outro lado, os clubes da Série C que terão que jogar com 11 times na chave norte, já reclamam. Trata-se de uma partida a mais, uma viagem a mais e, principalmente, um concorrente a mais para acesso e rebaixamento. Dois clubes cairão na chave sul e três na norte, numa desproporção de disputa.

Seja como for, as disputas judiciais podem incomodar a CBF, que fica numa sinuca de bico: tem de atender a Justiça Brasileira, mas não pode desafiar a Fifa que, por sua vez, dificilmente fará oposição a principal aliada na organização da Copa na véspera dos eventos. Pelo menos por enquanto.

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O naming rights depende da boa vontade de todos

O Palmeiras anunciou oficialmente o acerto com a Allianz, empresa de seguros que vai alugar o nome do novo estádio do clube paulista pelos próximos 20 anos (leia mais aqui). Os valores estimados chegam perto dos R$ 300 milhões pelo período, dos quais somente 2)% irão para os cofres palmeirenses – mas esse é outro papo.

Foi o terceiro acordo similar no Brasil envolvendo estádios e clubes/administadores. E, para que isso seja levado a sério como negócio, é preciso que todos tenham boa vontade com essa fonte de renda importante aos clubes brasileiros.

Kyocera Arena, do Atlético: pioneira no Brasil

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Em 2005, o Atlético anunciou um acordo com a fábrica de eletrônicos japonesa Kyocera Mita, fundada em Kyoto. Durante três anos, a empresa alugou o nome do estádio do Furacão, o que rendeu US$ 1 milhão por ano ao clube. Um acordo considerado bom para a época, embora os números possam ser vistos como modestos 8 anos depois. O conceito Arena, que passou a ser usado em todo o Brasil, também foi pioneirismo do clube paranaense, em 1999. Hoje quase todos os novos estádios puxam por isso, justamente para comercializar o naming rights.

A Kyocera Arena, no entanto, enfrentou os problemas já previstos para a Allianz e a Itaipava (que dá o nome à nova Fonte Nova, em Salvador) no Brasil: a adesão da mídia e dos torcedores. É difícil que o torcedor passe a chamar o estádio de Allianz alguma coisa (três nomes estão em votação para escolha popular), mas não é impossível que a grande mídia chame o estádio assim, como acontece na Europa. O Terra transmite o Campeonato Alemão, onde já há uma Allianz Arena (casa do Bayern de Munique), uma Veltins Arena (do Schalke 04, com patrocínio de uma empresa cervejeira) e um clube-empresa, o Bayer Leverkusen, da fabricante de medicamentos do mesmo nome.

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Na época da Kyocera Arena, alguns veículos aderiram à proposta, outros não. Para o Atlético, o apoio representou um reforço de caixa que, coincidencia ou não, permitiu uma campanha de destaque com o vice da Libertadores 2005. Para o Palmeiras representa o mesmo, assim como para a gestão do estádio público em Salvador – negócio que vai pagando os custos da obra, bancada pelo Estado.

Sem a adesão ao nome, o que haverá é o afastamento dos patrocinadores desse tipo de projeto. Ninguém quer investir para não ser reconhecido. Equipes de vôlei brasileiras que vêm e vão podem confirmar isso.

Romantismo à parte, os torcedores baianos e palestrinos têm que entender a medida não como algo antipático, mas uma moeda a mais de fortalecimento dos times. E, convenhamos, Parque Antártica, um dos nomes prefeiros da torcida do Palmeiras, já não era referência a uma marca?

Em tempo: até por isso, se me fosse dado o poder de escolha do novo nome do estádio, ficaria com Parque Aliianz, nessa ordem.

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Justiça pode levar Paraná definitivamente à Vila Olímpica; entenda

O trecho da ação que determina a saída do Paraná da Vila Capanema

*Colaboraram Guilherme Moreira e Gustavo Flessak

A decisão emitida pela juíza Sandra Regina Soares no último dia 17 de abril, pode provocar uma revolução no Paraná Clube. Ao determinar a desocupação imediata da Vila Capanema, em um processo que se arrasta por mais de 40 anos com a União Federal pela posse do imóvel (entenda o caso abaixo), o Tricolor pode acabar por assumir de vez a Vila Olímpica, antiga casa do Pinheiros, refúgio do clube enquanto o gramado da Capanema está em reforma.

A diretoria nega publicamente estar preocupada com a perda do terreno, mas, na última semana, em três dias (na mesma quarta 17/04, quinta e domingo seguintes) se reuniu com a torcida organizada do clube e lideranças paranistas para debater soluções para a perda do estádio. A mais provável delas: buscar um acordo com a União para conseguir uma indenização e reformar a Vila Olímpica.

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Benedito Barboza, presidente do Conselho Deliberativo do Paraná Clube, desconversou sobre o tema, mas assumiu que o clube busca um acordo que encerre a pendência definitivamente. “O Paraná vem tentando solucionar politicamente há muito tempo. Se conseguir um bom acordo, resolve a demanda.” Sobre o “novo estádio”, Benedito oficialmente desconversa, mas a ideia agrada: “O torcedor tem ido. E nós não podemos fazer mais que reformas pontuais na Vila Capanema, por conta do litígio. Não podemos erguer uma Arena lá”, conta, “Que parceiro iria entrar num projeto em discussão na Justiça?”

Barboza fez questão de dizer que o clube não está preocupado com a ação na Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre e disse que o clube já interpôs um recurso que mantém o Tricolor sem precisar desocupar o imóvel tão cedo: “O processo tem mais de um metro!”.

No entanto, uma das pessoas presentes à reunião com as lideranças da torcida detalhou a conversa: “Chance de perder o espaço no Capanema é gigante. Não vale a pena brigar pelo espaço e, provavelmente, perder. Acordo é a melhor solução.” Para tal, o Paraná precisa de apoio político; em tese, a União pode até aguardar mais 10 anos para ter a posse, com o julgamento dos vários recursos, mas, com um bom acordo, costurado nos bastidores, sobraria dinheiro pra um, reintegração para outro. Ao saber que a notícia começava a se espalhar, diretores do Paraná procuraram a reportagem para minimizar o fato.

  • Entenda o caso:

O Clube Atlético Ferroviário, time dos funcionários da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal SA), é o dono original da Vila Capanema, estádio erguido no terreno anexo ao pátio da rede desativada. A discussão se dá por duas razões: a primeira, o fim da RFFSA e o destino do espólio para a União Federal – que nada mais é que o Governo do Brasil; a segunda, as fusões que deram origem ao Paraná.

A Justiça determinou que tudo que fosse da antiga RFFSA passasse ao controle do Estado; no entanto, primeiro com a fusão entre Ferroviário, Britânia e Palestra Itália (que originou o Colorado) e depois com a junção entre o Colorado e o Pinheiros (que formou o Paraná), o clube alega que o estádio Durival Britto e Silva, pertencente ao Ferroviário, deve seguir no controle do clube que o sucedeu.

A ação discute de quem é a posse. Na decisão mais recente, a Justiça entendeu que – nos termos publicados – a posse do Paraná é injusta pois o titulo que vinculava a posse dependia do convênio do Ferroviário com a RFFSA. Na mesma decisão, descartou um recurso por posse chamado de “retenção por benfeitorias”, em que requer a posse até que todas as benfeitorias e acessões feitas por ele fossem indenizadas. Na ação, o valor citado é de R$ 2.171.223,00.  Por outro lado, a Justiça não acolheu o pedido da União Federal de que o Paraná pagasse indenização por perdas e danos. A compreensão é de que a posse do Paraná não trouxe prejuízos para União. Ainda foi levada em consideração a cessão originária do terreno que a Rede Ferroviária fez para o Ferroviário foi a título gratuito, e não oneroso.

A decisão ainda pode ser julgada em mais instâncias. Haverá recurso em Porto Alegre e, independentemente da resposta, é possível que as partes ainda discutam em Brasília e provavelmente a disputa chegue ao STF.

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