Maldito nordeste, de tantos ídolos

Apaixonado por futebol, o brasileiro se viu imerso numa onda política. Imaturos democraticamente, muitos não aceitaram a derrota nas urnas e reagiram como se estivessem num estádio, tal qual o torcedor que canta com ódio do rival, ainda que figurativamente, mesmo que o irmão ou a mãe estejam com outras cores durante os 90 minutos. Infelizmente a fúria de muitos também trouxe à tona muito preconceito.

Parte dos eleitores do “Sul-Maravilha” achou por bem culpar o “bovino” Nordeste pela derrota de um candidato. Evidentemente nem tudo é tão preto no branco assim e várias imagens circulam na Internet para mostrar isso. Mas a vergonha alheia e até mesmo o temor de que o País entre num túnel de xenofobia, do qual dificilmente se escapa sem muita dor, tem de trazer algumas reflexões. E o blog tratou de pensar se muitos dos raivosos de Sul-Sudeste já não vibraram muito com aqueles que hoje querem bem longe.

Não há brasileiro que não seja miscigenado nem clube de futebol que não tenha buscado em algum momento de sua história um craque longe de suas esquinas. É, amigo separatista, você certamente já vibrou muito ou ao menos se orgulhou da história de alguma das figuras que estão enumeradas abaixo, colhidas dos maiores clubes de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, locais onde a eleição escancarou as falhas de caráter de muita gente.

 

Dida, de Alagoas
Dida, de Alagoas

O alagoano Dida marcou época no Corinthians, sendo o primeiro goleiro campeão mundial pelo clube. Também levantou o Brasileirão de 99 e a Copa do Brasil de 2002. Além de Dida, outro nordestino marcante na história do Timão é o baiano Servílio, sexto maior artilheiro da história do clube com 201 gols.

Os torcedores do São Paulo que se exaltaram contra o Nordeste com o resultado da eleição presidencial certamente lembram de Ricardo Rocha, pernambucano bicampeão paulista e líder do time campeão brasileiro em 1991, no time que deu base à super-equipe bicampeã mundial.

Quem gosta do Palmeiras, mas não gosta do Nordeste, tem de tirar de sua lista de ídolos gente como o pernambucano Rivaldo. O Maestro do último grande time palestrino, campeão brasileiro em 1994, é natural do nordeste assim como o bom baiano Oséas, outro ídolo alviverde, que também encantou os atleticanos.

Rivaldo, de Pernambuco
Rivaldo, de Pernambuco

No Santos o Nordeste se faz representar em Clodoaldo, sergipano com mais de 500 jogos pelo Peixe, campeão do Robertão (o Brasileirão da época) de 1968, com cinco títulos paulistas e dois internacionais. As novas gerações viram os nortistas Giovanni e Paulo Henrique Ganso marcar época – ambos de Belém.

Couto Pereira, do Ceará
Couto Pereira, do Ceará

O Coritiba tem poucos jogadores nordestinos marcantes em sua história, mas está inegavelmente ligado para sempre à região. O imponente estádio Major Antônio do Couto Pereira carrega o nome do cearense ex-presidente do clube, que comandou a obra de ampliação do antigo Belfort Duarte.

A diferença para o rival Atlético é que o rubro-negro tem muitos nordestinos em suas fileiras. O já citado Oséas é um nome inesquecível, mas os alagoanos Flávio e Adriano “Gabiru”, campeões brasileiros em 2001 com o maranhense Kléber botaram a desejada estrela dourada na camisa atleticana.

Kléber, do Maranhão
Kléber, do Maranhão

Gabiru também é ídolo do Internacional, campeão do Mundo em 2006. Fez o histórico gol contra o poderoso Barcelona de Ronaldinho Gaúcho, com passe do cearense Iarley. O Inter, fundado por dois imigrantes paulistas, tem no nordeste a jogada de sua principal conquista.

A imagem abaixo ilustra a história gremista, gravada por gerações após o Grenal decisivo de 1977:

André Catimba, da Bahia
André Catimba, da Bahia

Muito do reconhecimento do Grêmio em ser um clube de raça passa por essa imagem, com o baiano André Catimba voando para a glória. O atual deputado e campeão da Libertadores em 1995 Jardel, natural de Fortaleza, é apenas mais um nordestino a ter brilhado no Sul.

Amigo separatista, fanático por futebol, tente esquecer tudo isso. Tente imaginar a história de seu clube, do seu Estado, sem a ajuda destes valorosos nordestinos. E me responda: uma derrota eleitoral, definida pela maioria da população em todo Brasil, valeu mesmo tantas palavras preconceituosas contra essa gente tão brasileira quanto você?

O ano de Adriano?

Adriano nos festejos de fim de ano: ponto final na interrogação?

A Seleção Brasileira tem um grande ponto de interrogação no ataque. Depois da Copa das Confederações, a lesão de Fred, a recusa de Diego Costa, a queda de produção de Jô e a instabilidade de atacantes como Leandro Damião, Robinho e outros deixaram o técnico Felipão e a torcida em alerta. A tentativa de Adriano voltar o futebol no Atlético pode ser uma solução. Pode? Ele próprio tem um grande ponto de interrogação para elucidar. No período de folga, festejos com a família no Rio e ausência depois de confirmar presença no jogo festivo de Zico no Maracanã.

Adriano tem jeito? É a pergunta que fiz para João Ricardo Lebert Cozac, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia no Esporte:

“Confesso que olho com estranheza a proximidade de Adriano com o Atlético Paranaense. O atleta, que já teve ótimas oportunidades no Flamengo e Corinthians, demonstrou que os fatores que mobilizam sua atenção e dedicação são diferentes dos exigidos no mundo da bola. Adriano está mais perto da Vila Cruzeiro – dos amigos de infância – do retorno às coisas mesmas. De toda forma, vale a reflexão sobre essa nova possibilidade que o futebol oferece ao jogador.

No campo motivacional, vale frisar que ninguém consegue “instalar” necessidades quando não existe um apelo íntimo e real para a execução adequada de uma tarefa ou, até, no desenvolvimento e manutenção de uma profissão. Por mais que se diga por aí que a questão do Adriano é psicológica – de nada vai adiantar o empenho do Atlético – se ele próprio não assumir que precisa de ajuda.

Chega uma hora que os apelos extra-campo são mais fortes e, se o atleta não consegue equilibrar a vida pessoal com a profissional, o resultado tende a ser catastrófico. Especialmente num esporte de alto rendimento como o futebol que exige uma preparação esportiva (física, técnica e mental) acima da média. Além disso, a pressão e expectativa da torcida dificultam ainda mais a força de reação interna que lhe é solicitada a todo instante.

Não consigo imaginar o Adriano acordando cedo para treinar, ficar preso nos hotéis durante as concentrações e, acima de tudo, cuidar do corpo e ficar longe das baladas. Há outras coisas que fazem mais sentido a ele. E não é de hoje. O Corinthians errou ao trazê-lo para a capital paulista. Estive na Itália uma semana após a rescisão de seu contrato com a Roma e o que escutei por lá a seu respeito em nada se diferencia do que ouço por aqui. Noitadas, mulheres, bebidas, sobrepeso e falta de comprometimento.

É um panorama muito ruim para a convivência e harmonia do time. Um atleta que recebe uma fortuna como Adriano e não consegue se manter em forma – pode representar, se não houver um comando técnico/comportamental adequado da situação, uma variável danosa ao senso coletivo e de coesão do grupo. Já atuei como psicólogo do esporte em diversos clubes do país e posso atestar que essas diferenças nos salários dos atletas costuma ser terríveis para a esfera coletiva. Sempre houve, há e haverá vaidade no futebol – e fora dele. É preciso cuidado para não pisar em campo minado e, reforço: tenho dúvidas sobre a disponibilidade interna (e externa) de Adriano para continuar jogando futebol.

Torço, de verdade, para que a contratação da equipe paranaense contribua – de alguma maneira, com a saúde física e mental do atleta.  Do contrário, a situação ficará como a de adolescente desobediente que cabula uma aula atrás da outra para ir ao shopping. Chega uma hora em que os pais terão de assinar o boletim escolar do filho e aí, amigos, não tem jeito:  é bronca e castigo na certa!

Adriano já é homem formado e sabe o que quer da vida neste momento. E assim o fará.

De um jeito, ou de outro, certo?”

Adriano no Atlético Paranaense: tacada ou loucura?

Washington se recuperou no Furacão: exemplos parecidos, mas diferentes

Como Arnold Schwarzenegger em “O Exterminador do Futuro”, Adriano se levantou mais uma vez das cinzas para ser destaque nos noticiários esportivos de todo o Planeta. Na Itália, onde rodou por Inter e Roma; em Portugal, na França e claro, por todo o Brasil. O acordo entre Adriano e o Furacão mexeu com as redações em todos os cantos, espantadas com uma nova chance ao Imperador  – cuja melhor leitura pode ser feita na matéria do Guilherme Moreira. O Atlético, como de praxe, ainda não se manifestou oficialmente. Seus diretores não falam sobre o assunto.

Trazer alguém de maneira surpreendente não é uma novidade na vida do Atlético. O Furacão tem por hábito inovar em suas contratações, muitas vezes cotadas como jogadas de mídia. Foi assim com o árabe emiratense Abdulla Al Kamali, uma espécie de Zizao da Baixada, que tentava abrir o mercado árabe ao clube. Foi assim com o ídolo alemão e então técnico Lothar Matthäus, de passagem relâmpago. Havia sido nos anos 70 com Djalma Santos, já em fim de carreira. O mesmo com Eder Aleixo, nos anos 90. Exemplos não faltam.

Eder Aleixo foi mais a tentar vida nova no Furacão

O caso de Adriano é diferente de todos acima, exceção, claro ao efeito midiático. Se assemelha mais ao de Washington, o mais bem sucedido de todos. O “Coração Valente” chegou ao Caju diabético, com um problema cardíaco e desenganado, numa época terrível, com as mortes do camaronês Marc Vivian Foe e do húngaro Miklos Feher em campo. Ninguém apostaria um centavo na volta de Washington ao futebol. Ele havia chegado até à Seleção Brasileira ainda na Ponte Preta, mas via seus sonhos abreviados. Sem contrato, o Furacão o abraçou. Bancou sua recuperação e ganhou o maior artilheiro da história do Brasileirão e um vice-campeonado, em 2004. Washington seguiu sua vida até se aposentar, com saúde.

Adriano tem um problema social. Uma doença que é tratada de maneira jocosa, como se fosse um problema proposital. Não posso avaliar – nem devo ou quero – à distância se é desvio de conduta ou dependência química. A segunda opção é comum no Brasil. Tratada como “sem-vergonhice”. Já levou muitos, incluindo o ídolo Garrincha. Seja como for, o Atlético arrisca novamente. Pouco, diga-se: abre as portas de seu CT e oferece estrutura e tranquilidade para a recuperação de um atleta de apenas 31 anos. Contrato? Só após um período de testes de três meses (com Natal, Ano Novo e Carnaval no meio) com Adriano respondendo positivamente.

Curitiba e suas belas mulheres contrastam com uma cidade que não tem vida noturna às segundas – mas ferve aos sábados, véspera da maioria dos jogos. Força de vontade é um requisito. A timidez do curitibano possivelmente evitará grandes badalações ao Imperador. Ao jantar em um local na Avenida Batel, as pessoas o olharão e comentarão entre si, mas dificilmente se aproximarão. O vizinho levará meses para convidá-lo para um churrasco – tempo em que ele pode até já ter deixado a cidade. A praia mais próxima requer 100 km de viagem e passa a esfriar em março. Adriano encontrará no Atlético um escudo contra a imprensa (nós, esses malditos); um escudo tão forte que até põe em xeque a ideia de que o clube quer ganhar com ele em retorno de mídia. 

Se ele emplacar, terá uma torcida numerosa e fanática ao seu lado, disposta a consumir tudo que se referir ao novo ídolo. Pode até disputar uma Libertadores e, como o amigo Ronaldinho no xará mineiro, reencontrar os caminhos das glórias. Não receberá os altos salários dos tempos anteriores, mas receberá em dia. E pode até pintar na Copa, por que não? Com Fred machucado e nenhum outro 9 de confiança, um Adriano motivado e em dia seria capaz de convencer Felipão.

Se der errado, ele volta para o Rio e o clube segue sua vida. Será mais uma vez alvo de diversas análises sobre “por que Adriano jogou fora sua carreira” e renderá tantas outras pautas à imprensa. Nesse caso a ampulheta vai diminuindo sua areia na parte de cima e serão poucos os que ainda apostarão nele.

Para Adriano, loucura era não dar essa tacada.

Os 5 maiores jogos entre Atlético e Flamengo

Atlético Paranaense e Flamengo começam nessa semana a decidir a Copa do Brasil 2013. Os rubro-negros farão a terceira disputa eliminatória entre si na história. Nas duas anteriores, deu Flamengo, que tem vantagem nos confrontos diretos no geral, incluindo amistosos: 20 vitórias cariocas, com 10 empates e 18 triunfos atleticanos. O Furacão, porém, tem vantagem no saldo de gols: 59 a 57.

Nunca houve uma rivalidade grande entre as equipes, ao contrário do que acontece com o Fla e o xará Mineiro do Furacão, ou mesmo entre Atlético e Fluminense. Mesmo assim, os dois times já protagonizaram jogos memoráveis, quase sempre com vitórias dos times da casa. O blog relembra os cinco mais importantes da história – excetuando, claro, a decisão que virá pela frente:

#5 – Atlético 5-3 Flamengo (Brasileiro 2008)

Alan Bahia dá a paradinha e Bruno - aquele - cai: Atlético livre da queda

O Atlético estava ameaçado pelo rebaixamento, com 42, fora da ZR, perseguido pelo Figueirense, que tinha 41. O Flamengo, por sua vez, tentava uma vaga na Libertadores: 5o colocado com 64 pontos, com Cruzeiro (64) e Palmeiras (65) a sua frente. Na Arena, o Furacão abriu 2 a 0 no Fla, com gols de Toró (contra), Rafael Moura. Marcelinho Paraíba descontou para o Mengo, deixando o ambiente tenso na Baixada. Ainda no primeiro tempo, Julio Cesar faria 3 a 1, mas Marcelinho estava inspirado. Ele diminuiria para 3 a 2, mantendo o Atlético ameaçado de queda. Zé Antônio faria o 4o do Furacão, mas o alívio só viria mesmo aos 41 do 2o tempo, quando, de pênalti, Alan Bahia fez o 5o. Ainda daria tempo de outro gol de Marcelinho pra fechar o placar.

#4 – Atlético 0-1 Flamengo (Sul-Americana 2011)

Ronaldinho decide e acaba com um tabu que durava 37 anos

Historicamente, o Flamengo tem más lembranças de Curitiba, não só com o Atlético, mas também com Paraná e Coritiba. Além disso, um incômodo tabu durava 37 anos até aquele confronto eliminatório na Copa Sul-Americana de 2011. Depois de ter vencido por 1 a 0 no Rio, o Fla foi à Curitiba pegar um Atlético desorganizado e que havia dado a chave do clube para Renato Gaúcho, técnico que chegara para tentar salvar o Furacão do rebaixamento. Renato optou por mandar um time de reservas à campo. O 0 a 0 encaminhava a classificação carioca até o finalzinho do jogo, quando Ronaldinho aproveitou uma oportunidade em bola cruzada na área. Vitória do Mengo e fim do jejum na antiga Arena da Baixada.

#3 – Atlético 2-1 Flamengo (Brasileiro 2004)

Julio Cesar cochila e puxa Washington: pênalti e vitória do Atlético

O Atlético estava impossível aquele ano, dividindo a liderança com o Santos de Robinho. O Furacão tinha um timaço, com Jadson, Fernandinho, Dênis Marques e Washington. O Flamengo não ficava muito atrás, com o ainda goleiro da Seleção, Julio Cesar, Júnior Baiano e Zinho em campo. Júnior Baiano fez 1 a 0 e o Fla ia quebrando a sequência invicta atleticana, que chegaria a 18 jogos. Mas então apareceu o Coração Valente. Aos 43, ele recebeu na área e girou pra empatar. O resultado não era bom, mas os atleticanos já se conformavam com o empate. Então, numa bola despretensiosa, Julio Cesar falhou e Washington roubou-a do goleiro, que puxou o atacante, Pênalti e gol da vitória, mais um do artilheiro daquele ano, com 34 gols.

#2 – Flamengo 2-1 Atlético (Brasileiro 2009)

Adriano Imperador voltou ao Fla em partida contra o Furacão

Corria a quarta rodada do Brasileirão 2009 e o Flamengo recebia de volta um de seus mais polêmicos ídolos: Adriano Imperador. Naquele ano, alegando problemas pessoais, Adriano não quis voltar para a Inter de Milão e ameaçou até abandonar a carreira. Depois de uma longa novela, o atacante confirmou sua volta ao clube que o revelou. Quis o destino que o jogo de reestreia fosse contra o Atlético. Em um Maracanã lotado, levou 15 minutos para que Fla abrisse o placar com um gol contra de Antônio Carlos, hoje no são Paulo. O Maracanã explodiu, mas ainda faltava algo. Adriano, então, faria o segundo. A anunciada goleada não veio. O Furacão endureceu o jogo e quase arrancou um empate. Mas deu mesmo Flamengo, com  Rafael Moura descontando no placar. O Fla, com Adriano, chegaria ao seu sexto título nacional, incluindo a Copa União de 1987.

#1 – Atlético 2-0 Flamengo (Brasileiro 1983)

Rubro-negros lotaram o Couto Pereira, no maior público da história do estádio

Zico, Adílio, Nunes, Raul, Junior e uma verdadeira máquina do lado da Gávea; Washington, Assis, Nivaldo, Capitão e Roberto Costa, no surpreendente time da Baixada. Atlético e Flamengo fizeram uma das semifinais no Brasileirão de 1983. No primeiro jogo, no Maracanã, o Atlético não contou com Assis e acabou engolido, levando 3 a 0. O Fla já se considerava na final do Brasileirão, mas não imaginava o que o aguardava em Curitiba. Com o Couto Pereira – do rival Coritiba – completamente lotado, o Furacão, com 32 do 1o tempo, praticamente reverteria a vantagem, com dois gols de Washington. Só não conseguiu por que Raul Plassmann, que foi revelado no Atlético, impediu o terceiro gol com grandes defesas. Uma, em especial, em um chute a queima roupa de Capitão. O Fla resistiu à pressão de 67.391 pessoas e chegou à decisão, na qual venceria o Santos e seria tri-campeão nacional.

Por que o [coloque o nome do seu time aqui] vai ganhar a Copa do Brasil

Quem vai levar a Copa do Brasil 2013? O blog apresenta as razões pelas quais você deve confiar que será o seu time – ou se preocupar, se for torcedor rival. Comente abaixo!

O Flamengo vai ser o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é time de chegada, cresce na reta final – que o diga o Botafogo – embalado pela torcida que tem os dois melhores públicos da competição. Venceu a Copa em duas ocasiões (1990 e 2006), derrotando o adversário da semi na primeira final. Vive um novo momento com Jayme de Almeida, que conhece bem o elenco, sendo um técnico “prata da casa”. E tem Hernane, o Brocador, artilheiro da competição com 6 gols em grande fase.

Pra chegar até aqui: 10jgs – 8v – 1e – 1d – 19gp – 6gc

1-0 Remo-PA (F)

3-0 Remo-PA (C)

2-1 Campinense-PB (F)

2-1 Campinense-PB (C)

2-0 ASA-AL (F)

2-1 ASA-AL (C)

1-2 Cruzeiro-MG (F)

1-0 Cruzeiro-MG (C)

1-1 Botafogo-RJ (N)

4-0 Botafogo-RJ (N)

 

No Brasileirão 2013 contra o Goiás em casa: jogo será realizado no dia 09/11, entre as duas partidas da Copa.

Na história da Copa contra o Goiás: 1 vitória e 1 empate

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

2-2 Atlético (F)

2-4 Atlético (C)

0-1 Grêmio (C)

x Grêmio em 17/11 (F)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Atlético: nunca enfrentou

Grêmio: 4v – 5e – 3d

O Goiás será o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é o time que mais cresceu no Brasileirão, tendo vencido suas últimas 5 partidas na competição. Tem estutura e quer ganhar seu primeiro título nacional de primeira linha – tem duas Séries B, a última ano passado. Tem Walter, um dos melhores jogadores do País na temporada. É um dos seis times que ainda não trocou de técnico na Série A E já eliminou duas equipes cariocas na Copa, Fluminense e Vasco.

Pra chegar até aqui: 9jgs – 6v – 1e – 2d – 17gp – 9gc

3-1 Oratório-AP (F)

3-2 Santo André-SP (F)

1-0 Santo André-SP (C)

3-0 ABC-RN (C)

1-1 ABC-RN (F)

0-1 Fluminense-RJ (F)

2-0 Fluminense-RJ (C)

2-1 Vasco-RJ (C)

2-3 Vasco-RJ (F)

No Brasileirão contra o Flamengo em casa: 1-1 na 14a rodada.

No Serra Dourada contra o Flamengo em jogos oficiais: 5v – 10e – 4d

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

0-2 Atlético (F)

3-0 Atlético (C)

2-0 Grêmio (C)

x Grêmio em 01/12 (F)

Na Copa contra o provável finalista:

Atlético: nunca enfrentou

Grêmio: nunca enfrentou

O Atlético vencerá a Copa do Brasil 2013 porque é o clube que mais se preparou para isso, tendo poupado o elenco principal do desgastante Estadual. Mesmo sem a Arena, joga no alçapão da Vila Capanema, estádio que permite a pressão da fanática torcida rubro-negra. Tem Ederson, o artilheiro do Brasileirão e o técnico Vagner Mancini, um dos treinadores* na disputa que já venceu a Copa do Brasil, em 2005, pelo Paulista de Jundiaí. Demonstra muita regularidade ao estar há 14 rodadas no G4 da Série A. E tem a oportunidade de ver o ídolo Paulo Baier levantar um título de expressão para o Furacão, antes de se aposentar.

Pra chegar até aqui: 9jgs – 5v – 3e – 1d – 15gp – 5gc

1-0 Brasil-RS (F)

2-0 Brasil-RS (C)

6-2 América-RN (F)

0-0 Paysandu-PA (F)

2-1 Paysandu-PA (C)

0-1 Palmeiras-SP (F)

3-0 Palmeiras-SP (C)

1-1 Inter-RS (F)

0-0 Inter-RS (C)

No Brasileirão contra o Grêmio em casa: 1-1 na 6a rodada

Como mandante contra o Grêmio (1959-2013): 7v – 10e – 6d

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

2-2 Flamengo (C)

4-2 Flamengo (F)

2-0 Goiás (C)

0-3 Goiás (F)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Flamengo: nunca enfrentou

Goiás: nunca enfrentou

O Grêmio vai ganhar a Copa do Brasil 2013 porque é o maior bicho-papão deste torneio: 4 títulos em 7 finais, com outras 3 semis. Conta no banco com Renato Portaluppi (Gaúcho, pra quem não é do RS), maior ídolo da sua história. Quer coroar o ano de estreia na Arena Grêmio com um título nacional e voltar à Libertadores para compensar a decepção com o time milionário de Luxemburgo neste ano. Se precisar de pênaltis, tem Dida, o paredão que classificou a equipe contra o Corinthians.

Pra chegar até aqui*: 4jgs – 1v – 2e – 1d – 2gp – 1gc

0-1 Santos-SP (F)

2-0 Santos-SP (C)

0-0 Corinthians-SP (F)

0-0 Corinthians-SP (C) – Pênaltis: 3-2

*entrou na fase de 8as de final por ter disputado a Libertadores

No Brasileirão contra o Atlético em casa: 1-0 na 25a rodada

Na Copa contra o Atlético: 1 vitória e 1 empate

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

1-0 Flamengo (F)

x Flamengo em 17/11 (C)

0-2 Goiás (F)

x Goiás em 01/12 (C)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Flamengo: eliminou-o em 89, 93 e 95 na semi, venceu-o na final de 97

Goiás: nunca enfrentou

*Renato ganhou a Copa pelo Fluminense em 2007, alerta e corrige um leitor.

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Equívoco da CBF beneficia Corinthians, Grêmio e Vasco na Copa do Brasil

Kléber, pendurado, e Barcos: exceção para os times da Libertadores

A valorização da Copa do Brasil com a volta das equipes que disputam a Libertadores foi uma ideia interessante da CBF. Porém, um equívoco na montagem do regulamento beneficiou os times que entram apenas na etapa de oitavas de final. Com a suspensão de jogadores prevista para cada terceiro cartão tomado na competição, Corinthians e Grêmio, da Libertadores, e Vasco, beneficiado pela presença obrigatória do São Paulo na Copa Sul-Americana levam vantagem sobre os demais adversários.

Com apenas dois jogos disputados, a única exceção do trio é Kléber. O “Gladiador” é o único dos 12 atletas do trio a estar pendurado. Nos outros cinco times, jogadores decisivos como D’Alessandro (Inter), Everton (Atlético), Walter (Goiás) e Lodeiro (Botafogo) podem desfalcar seus times na reta final, o que já acontecerá com Elias (Flamengo) e Bolívar (Botafogo) no primeiro jogo desta fase.

A solução seria zerar os cartões dos clubes a partir das oitavas, exceção feita aos que entrarem na fase suspensos. Por ora, para os times beneficiados, é aproveitar a oportunidade; para os demais, cuidado dobrado com faltas e reclamações.

Confira a lista dos advertidos:

Corinthians: Nenhum pendurado. Pato, Romarinho e Fábio Santos.

Grêmio: Kléber pendurado. Barcos, Matheus Biteco, Souza e Maxi Rodrigues amarelados.

Vasco: Um amarelo para Fagner, Santiago, Filipe Souto e Cris.

Atlético: Pendurados: Jonas, Pedro Botelho, Everton e João Paulo; mais 12 (Zezinho já cumpriu) levaram cartões.

Inter: D’Ale e Fabrício péndurados. Outros 11 (incluindo Damião) com cartão.

Goiás: Walter, Cícero, Hugo e Amaral com dois cartões. Mais 9 com cartão.

Botafogo: Lodeiro, Doria, Edilson, Gabriel pendurados e mais 11, incluindo Jefferson; Marcelo Mattos já cumpriu uma e Bolívar está suspenso contra o Fla.

Flamengo: Elias está suspenso, Renato estaria pendurado e mais 9 levaram cartão.

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Atlético recria a Hungria de Puskás

Puskas parece o Walter, mas era melhor fisicamente que a imensa maioria

O ano era 1952. A Hungria já tinha alguma tradição, vice-campeã do Mundo em 1938 ao perder para a Itália. O futebol era recanto de bôemios, marginalizado pela sociedade, embora curiosamente já arrastasse multidões para os estádios. Começando pelo Honved e chegando até a seleção, os húngaros fizeram algo que até então ninguém havia pensado: se prepararam fisicamente. O jogadores tornaram-se atletas. A Hungria ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsink, na Finlândia e em 52 jogos internacionais até 1956, perdeu apenas um. Justamente a final da Copa de 1954, para a Alemanha, a quem na primeira fase havia enfiado 8-3. Coisas do futebol.

O ano é 2013. Em decisão polêmica, mezzo técnica, mezzo política, o Atlético retira o time principal do Estadual e leva para uma pré-temporada na Espanha. Vence um torneio curto, contra times do Leste Europeu, enquanto o time Sub-23 apanha no Paranaense. Volta e fica no aguardo, vendo a reação do Sub-23, que, dada a estrutura do clube, a precariedade dos adversários e três ou quatro talentos, chega a decisão contra o forte Coritiba de Alex. O clube perde, mas o projeto estava 50% pronto, como constatado aqui. Os outros 50% dependiam do sucesso do elenco profissional, que patinava em amistosos contra reservas de Cruzeiro, Figueirense, Goiás e Atlético-GO.

A pré-temporada durou seis longos meses. O Brasileiro começa e, sem ritmo, o Atlético entrega pontos para Fluminense e Vitória, mesmo jogando melhor, e cede empates para Flamengo e Cruzeiro, depois de abrir 2-0. Questionado, o técnico Ricardo Drubscky é substituído por Vagner Mancini, mais experiente e mais próximo dos jogadores. Depois da Copa das Confederações, o Atlético sai da 19a posição para o 4o lugar. Derruba uma invencibilidade histórica do xará mineiro no Horto, bate no líder Botafogo, impõe 3-0 ao Palmeiras, líder isolado na Série B. Tudo com um time mediano, cujo talento máximo é Paulo Baier, 38 anos. Qual o segredo?

As pernas.

Não são apenas um ou dois lances que demonstram isso nos jogos do Atlético. Especialmente no 2o tempo dos jogos, o Furacão passa a sobrar em campo. Jogadores rápidos, como Léo, Manoel e Marcelo, se tornam ainda mais rápidos que os demais; o zagueiro do Atlético nunca chega atrasado nas bolas. Não leva cartões nem permite muitos lances de perigo. Os atacantes chegam quase na frente dos adversários. Um clube com orçamento menor que outros 12 clubes na Série A vai cumprindo seu objetivo. Ainda tem chão, tanto na Copa quanto no Brasileirão. Falar em título pode ser utopia para alguns, mas, com um campeonato tão aberto, mesmo com elenco modesto, o Furacão se permite sonhar. Ao menos com uma vaga na Libertadores.

Dos titulares – 12, se incluído Ederson, o reserva de luxo artilheiro do Brasileirão – apenas o volante Bruno Silva e o atacante Dellatorre não estiveram na pré-temporada. Zezinho é o único que disputou o Estadual. Destaques como Douglas Coutinho, Deivid e outros ainda desfalcam o elenco. E ainda há os misteriosos Maranhão, meia que veio do México, e Frán Mérida, formado no Barcelona, que não deu as caras nesse time de 2013.

Enquanto todos jogavam os Estaduais, o Atlético inventou seu calendário. Aguentou a festa do rival Coritiba tetracampeão e agora parece estar colhendo os frutos. O Corinthians, campeão do Mundo, teve de antecipar as férias e já fez 28 jogos a mais que o Furacão; o líder Cruzeiro, 15 a mais; o Botafogo, 20 a mais. O que menos jogou na Série A foi o Vasco, 12 partidas a mais que o Atlético, e isso porque foi eliminado precocemente do Cariocão.

Todas as equipes vão perder jogadores por lesão e cartões; todas vão sentir as pernas em algum momento. São Paulo e Santos chegarão ao absurdo de fazer quatro partidas em menos de 10 dias, para cumprir a tabela em função de viagens ao exterior – outro desgaste. O Atlético estará nessa, mas com menos desgaste.

Para confirmar a vitória da ideia, o Furacão precisa ser ao menos semifinalista da Copa do Brasil e beliscar uma vaga na Libertadores. Se não conseguir, já deixará uma pulga na orelha de todos os clubes. Se conseguir isso ou mais – um título, por que não? – poderá mudar a cara do futebol brasileiro.

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