O “clubismo” será um dos adversários do Brasil?

Félix observa a torcida mineira: única derrota do Brasil pra clubes foi pro Galo (Foto: reprodução)

Estamos com 30 do primeiro tempo e a Seleção, com blitz e tudo, ainda não abriu o placar contra o Uruguai no Mineirão. Hulk tem se movimentado bem, mas já errou alguns passes e bateu duas bolas longe do gol; Neymar está bem marcado, ainda não conseguiu dar nenhuma de suas arrancadas; Oscar está sumido e Fred ainda não tocou na bola – embora tenha sido muito aplaudido no início do jogo. Em mais um erro de Hulk, a torcida pede Bernard; em outro lance em que Fred não chegou à bola, metade do estádio clama por Jô. Cenário possível de ser visto?

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Os brasileiros têm uma inegável preferência por seus times do coração em relação a Seleção Brasileira. É histórico. Tudo começa com a Seleção se dividindo nos Mundiais de 1930 e 34 entre paulistas e cariocas. Passa pela mudança promovida pelo técnico Flávio Costa em 1950, tirando oito jogadores na partida contra a Suíça no Pacaembu em relação ao time que vinha jogando prioritariamente no Maracanã. Seleção que, aliás, tinha apenas dois jogadores que não atuavam em clubes de Rio e São Paulo, ambos do Internacional. Segue com o orgulho gremista estampado na bandeira do clube com a estrela de Everaldo no tri-70, os amistosos entre Bahia, Coritiba, Atlético-MG e outros contra a Seleção, vai até a Fonte Nova vaiando o Brasil na Copa América 89, sem Bobô e Charles e empatando com a Venezuela. Passa também pelas decisões e imagem arranhada da CBF junto aos torcedores pelas viradas de mesa no Brasileirão e coisitas mais. Pelo fato do Brasil ter jogado a maior parte de seus jogos nos últimos anos longe do Brasil.

Bernard falou em entrevista coletiva que acha normal a torcida pedir sua entrada no jogo em Minas. E é. O torcedor tem mais idolatria por aquele que ajuda seu time do que a Seleção. Os torcedores do Galo não são diferentes. O problema real é como isso vai refletir em campo. Contra o Chile, no 2-2 no Mineirão, pesou até mesmo sobre Neymar, vaiado pelos mineiros. Não são só os torcedores do Galo. Durante a Copa das Confederações, na cobertura do Terra, a equipe em BH registrou vários cruzeirenses que torceram o nariz para os gols de Jô.

Felipão, mesmo com todos os protestos pelas necessidades sociais do País, conseguiu blindar a Seleção. O torcedor está envolvido no objetivo do time sem deixar de ir às ruas cobrar o Governo. Muito disso em função do desempenho da equipe, que já revelou que o segredo vem sendo aplicar uma verdadeira blitz nos adversários, logo no começo. Em dois dos três jogos, o time abriu o placar cedo; contra a Itália, ninguém tinha expectativa grande, afinal era um clássico. Mas ainda não enfrentou o desejo de uma torcida local pelos seus jogadores. Brasília, Fortaleza e mesmo Salvador não tinham jogadores de seus clubes – ainda que Dante e Daniel Alves sejam baianos – entre os convocados. Minas tem. E tem ainda um ídolo de fora: Ronaldinho, em quem quase todos apostavam na convocação.

Será acima de tudo um teste de nervos. Para os jogadores que serão pressionados por ocuparem vagas que a torcida local gostaria que estivesse com outros. Para o técnico, que não costuma se deixar levar, mas terá que aguentar as cobranças e pedidos. E também para a torcida. É difícil mudar a cultura, mas já que é um teste para 2014, porque não mudar um pouco a visão e ignorar por 90 minutos o time do coração?

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