O pior ainda está por vir

(Foto: Daniel Ramalho)

O futuro não é mais como era antigamente, já cantava Renato Russo. A humilhante goleada por 7 a 1 imposta pela Alemanha ao Brasil na histórica semifinal da Copa do Mundo é, acima de tudo, um recado muito claro ao futebol brasileiro. Resta saber se o país irá entender.

Vinte e quatro horas depois da acachapante eliminação, já se viu de tudo. Desde uma coletiva patética da comissão técnica do Brasil, numa tentativa barata de explicar o inexplicável, até a chegada da Argentina à decisão do Mundial. Os eternos rivais poderão ser campeões aqui, mas nem de longe isso será o pior. O que pode vir pela frente sim, será ainda mais humilhante que levar sete em casa.

O futebol brasileiro está perdido. O jogo, que dura 90 minutos e está sujeito à intempéries como as de ontem, foi apenas mais um sinal. A Alemanha destroçou os sonhos do Brasil, mas deixou acima de tudo um grande exemplo de como sair desta armadilha que as cabeças pensantes (?) do futebol brasileiro enfiaram o futebol nacional. A partir do legado esportivo da Copa.

O Brasil ganhou 12 novos estádios para a Copa, sem contar as casas novas de Grêmio e Palmeiras. Algo parecido com o que os alemães viveram em 2006, quando reformaram seus estádios para cairem numa semifinal contra a Itália. Não foi por 7 a 1, mas ajudou a mudar a cara do futebol alemão. A começar pela base da equipe. Os alemães reconheceram os erros, não qualificando como “pane”, “tsunami” ou “atípica” a derrota. Valorizaram os jovens talentos, limparam o que havia de ruim. Refizeram sua ideia de futebol. Foram semifinalistas em 2010 e finalistas novamente agora. Ganhar é questão de tempo. Há um trabalho real. Por aqui é dificil afirmar o mesmo. É verdade que essa geração ficará marcada, mas também é verdade que bons valores como David Luiz, Oscar e Neymar devem seguir na Seleção.

O contrário será zerar novamente, como foi feito com Dunga. Não duvido. Como foram cruéis com Dunga, um técnico que valorizou o time nacional e equiparou condições de trabalho. Foi traído até por quem beneficiou. Do zero, o Brasil ainda chegou à uma semifinal. Passou uma vergonha histórica, que mostrou o que é vergonha de verdade, nada como o pobre time de 1950, que foi o primeiro a chegar a uma final, ou o de 1990, que perdeu um jogo igual para a Argentina. Mas, confesso, isso também não é o pior.

O pior é ver que o sucateamento do futebol nacional está na cara de todos e nada acontece. Os clubes estão quebrando. Eles, que formam os jogadores, vivem em um calendário insano, prejudicial, com diferenças gritantes entre cotas de televisão para um mesmo campeonato, o que acabará por liquidar de vez o modelo. De onde sairão novos jogadores, se o interior está falindo e os médios não tem força de competir com dois ou três privilegiados financeiramente? Essa foi a Seleção menos Brasileira de todos os tempos, com apenas quatro jogadores atuando no futebol nacional. E isso porque até mesmo clubes como Shakhtar Donetsk ou Zenit conseguem levar os talentos daqui cada vez mais cedo. E quem pode condenar um Vitória, Coritiba ou mesmo o Grêmio em vender seus jogadores ainda mal formados quando se compete contra um milionário Corinthians?

Por falar no Timão, a nova casa corintiana recebeu a semifinal entre Holanda e Argentina e se despediu da Copa. Volta já na próxima quarta, com Inter x Corinthians, bom jogo. Mas como irá sobreviver ao longo dos anos quando acolher um Mirassol x Corinthians numa quarta a noite, 22h, pela segunda rodada do Paulistão? Quem pagará a conta da abertura desta Arena, ou na Baixada para um Iraty x Atlético, no Beira-Rio para um Inter x São Luiz nas mesmas circunstâncias? A CBF é que não.

A Conferação, que vira as costas aos seus clubes, não irá ajudar nem a manter estádios públicos, muito mais problemáticos, como a Arena Amazônia. A cúpula do futebol nacional não perdeu tempo e marcou amistosos contra Colômbia e Equador nos EUA e contra a Argentina em Pequim. Os direitos dos jogos pertencem a um grupo internacional, que preferiu movimentar outras praças que não Brasília, Cuiabá ou Manaus, as mais problemáticas da Copa. Mas não me furto em pensar que algum jogo do Brasileirão seja deslocado para alguma destas cidades, na tentativa de tapar o buraco.

Um técnico estrangeiro na Seleção é o debate do momento. Convenhamos, ninguém duvidava da capacidade de Felipão com essa seleção. Ele segue, assim como Parreira, um campeão do Mundo. O que fez de bom, não se apaga. O que fizeram de ruim, em 2006 e agora, também não – e olha que foram desvios de conduta muito parecidos (valeu, Dunga). No entanto, enquanto se discute o lado tático do Brasil, a falta de inovação e a morte do jogo bonito, enquanto se pensa em trazer um Guardiola ou um José Mourinho para mudar o rumo das coisas, esquece-se do principal.

Guardiola ou Mourinho poderá fazer as convocações que bem entenderem ou terá que manter as convocações “geográficas”, sempre tentando agradar uma praça local em um amistoso, ou mesmo aquelas que ajudam jogadores a abrirem mercado na Inglaterra, que só contrata selecionáveis? Poderá contar com seus principais nomes ou terá que abrir mão de um ou outro porque o Brasileirão não respeita as datas Fifa? Mourinho ou Guardiola terá liberdade de fechar a Granja Comary e lidar com criticas com todos ou só meia-duzia, enquanto cumpre um ou outro compromisso midiático/publicitário? Que revolução fará, sem liberdade? Material humano no banco de reservas o País já tem. Uma nova geração que está lendo Wenger e Mourinho, assiste jogos e não se espanta com Joel Campbell ou o quarteto destruidor da Alemanha. Aliás, isso vale também para muitos dos colegas de imprensa, cujo raio de visão não passa do Tietê ou de Copacabana.

A Alemanha pulverizou vários recordes brasileiros. Ultrapassou a Seleção no números de gols marcados em Copas, em número de finais disputadas; Klose deixou Ronaldo para trás, num pequeno castigo para o ex-grande jogador, cada vez mais boquirroto fora das quatro linhas. Foi a maior goleada sofrida pelo Brasil em 100 anos de história. A mais parecida data do amadorismo, de 1920. Um último orgulho ainda está ameaçado, por uma gestão quase tão amadora, porque tem muito mais dinheiro, quando àquela de 20: o Brasil jamais deixou de participar de uma Copa do Mundo. Vem aí as eliminatórias para a Rússia e sim, o pior ainda está por vir.

 

Exclusivo: “Vai ser positivo, vamos nos unir”, diz chefe da delegação sobre Neymar

Vilson Andrade: "Temos força para ganhar sem Neymar"

E agora Brasil, sem Neymar? Vilson Ribeiro de Andrade chefe da delegação brasileira na Copa 2014 garante que o pior já passou. O susto e a consternação pela saída do craque da Copa podem virar energia. O presidente do Coritiba atendeu gentilmente a reportagem do Terra na noite deste sábado, logo após a definição das semifinais do Mundial. Confira o papo.

Como ficou o espírito da Seleção com saída de Neymar?

Olha, ontem a gente fez uma viagem complicada, por que saímos de Fortaleza e não tínhamos informações do que tinha acontecido. Fomos obtendo contatos indiretos. Preparamos o avião, ele veio conosco, foi uma preocupação grande. Depois de 3h de voo, chegamos aqui [Teresópolis, RJ] era perto da 1h da manha, e o ambiente foi melhorando. Ele já estava melhor, dormiu bem. Amanheceu, almoçou com os colegas, conversou com todos. Melhorou muito. O pessoal se comprometeu muito em brigar por ele. Acho que vai ser muito bom, positivo, vamos nos unir mais.

Cá entre nós, o Felipão está obviamente chateado com a perda, mas ele chega a gostar desse tipo de dificuldade, não?

Ele consegue trabalhar muito bem com isso. Trabalha muito o campo, o lado psicológico. Ele conhece o grupo e tem o grupo na mão. É um passo fundamental para o sucesso. É difícil você ver isso. O Brasil na realidade tem um grupo. O Neymar é fabuloso, fantástico… mas na dificuldade… eu vi uma frase assim “talento ganha jogo, grupo ganha campeonato”. A ausência vai ser sentida, mas quem ganha campeonato é grupo. Esse é o sentimento aqui. Todos estão sentidos, mas estão aqui porque são os melhores do país. A vida não para, e nós temos condições de ser campeões, estamos no nível de todos. A diferença é muito pequena entre os times.

E os alemães, será que gostaram da notícia, a parte o lado pessoal de ser uma lesão?

Isso é relativo. Tivemos [Coritiba] uma final contra o Palmeiras na Copa do Brasil,  que no dia o principal jogador deles, o Barcos, teve apendicite e foi operado de emergencia. Entrou o quarto centroavante deles [Betinho], que não jogava nem aqui com a gente e acabou fazendo o gol do titulo, foi decisivo. Ninguém pensava, ninguém esperava, é relativo. As vezes quem entra tem sucesso, as vezes não tem. Os alemães vão jogar no modelo deles: técnica, tática e disciplina.

E hoje, quando tudo acalmava, teve o problema com o Marcelo, que perdeu o avô…

É… mas o avô já estava doente, num processo de câncer… já tava internado, ultimamente hospitalizado, desenganado. A morte foi sentida, mas ele já estava esperando. Ele resolveu ficar, não ir pro velório. Disse que é a ultima semana e quer a cabeça aqui.

Outro episódio que deu o que falar foi a reunião do Felipão com alguns “papas” da imprensa. Como foi isso aí dentro?

Na realidade as coisas acontecem sempre… bem, tem definições pessoais que você tem que ter na vida. E você tem pessoas com quem tem liberdade, consideração, amigos mais chegados. E no fundo foi isso. Ele conversou com os amigos, com quem tem relacionamento bom, nada dirigido, muito mais nessa linha de relacionamento. E interpretaram mal, porque não participaram. Mas ele resolveu fazer um bate-papo pra trocar ideias, dentro de um processo natural. Como um café com amigos, pra conversar. Nenhum objetivo específico. As vezes você quer falar com A ou B, não com todo mundo. E o Felipão tem um lado afetivo muito grande, é muito leal, tem sentimento. É muito humano, sensível até, diferente do que parece.

Ele conversou mesmo que gostaria de ter um substituto, uma troca no grupo de jogadores?

Não. A visão é diferente. Ele quis dizer que queria ter oportunidade de ter uma substituição, porque durante a competição muda o conceito de tática, de modelo de jogo. E as vezes você tem que readaptar com outro jogador. Não que esteja insatisfeito com alguém, mas algo para mudar agora. Olha, o Van Gaal acabou dizendo que ele tinha razão, Você sente a necessidade de um jogador diferente pra um modelo tático diferente, talvez não previsto, porque a competição muda. Ele falou conceitualmente, não sobre uma pessoa. A mesma coisa agora, porque que não se pode substituir um jogador lesionado, como Neymar e Di Maria? A Fifa não permite. Mas é conceitual.

Sobre a postura do Thiago Silva nos pênaltis contra o Chile: eu entendo a emoção depois do jogo, mas antes ficou uma coisa meio “capitão-do-navio-italiano”…

Você tem que respeitar o momento das pessoas. Tem quem não gosta de olhar. É uma decisão pessoal. Tem quem baixa a cabeça, quem vira… é uma reação humana. Não tem protocolo pra obedecer naquela hora. A vida não pode ser assim, “você é capitão, você tem que estar lá e levar o primeiro tiro”. Naquele momento ele reagiu assim. A gente respeita.

Mas o Paulinho assumiu outra postura.

Mas veja, essa são atitudes que as pessoas assumem no momento. A liderança vem no momento inesperado, em que de repente alguém tem uma reação inadequada e o Paulinho assumiu, O Victor, por exemplo, passou o crucifixo para o Julio e disse, “com esse aqui eu peguei aqueles pênaltis no Atlético Mineiro”. Todos se ajudam.

Aquilo acabou passando um recibo de que a pressão estava muito alta. Ainda está?

O problema não é esse. Era sair antes da semifinal, porque seria uma vergonha, a gente tem essa preocupação toda. Não que tenha diminuído agora, mas é uma situação diferente. Agora são as quatro melhores do Mundo. Na realidade é isso, se saísse… bem, havia uma expectativa muito grande. O pessoal bateu no Parreira pq ele falou que é favorito. Ele não podia dizer que não era! Como não é, se é cinco vezes campeão e joga em casa!? Tem que falar. Mas havia uma pressão pra não passar vergonha. Agora já entra num nível de competição que em 2 partidas pode ser campeão do Mundo.

E quem vai ser o novo Amarildo?

Olha… não sei. Amanhã vou saber. Amanhã ele vai fazer treinamento. Tem possibilidades, tem o William, talvez outro modelo… o normal é entrar o Willian, ele tá bem, a pancada não foi nada. Volta o Luis Gustavo né, pela direita tem o Fernandinho, o Oscar, talvez Willian, Hulk e Fred, talvez seja isso. Mas vamos ver.

Está gostando da Copa?

Está surpreendentemente acima de todas as expectativas. Principalmente pela imprensa internacional, que colocou muitas dificuldades e agora é uma das melhores dos últimos 30 anos. Em campo, tudo muito igual, olha a Holanda com Costa Rica, pênaltis. Brasil teve jogo difícil, Argentina fez 1 a 0 e ficou segurando. A própria Alemanha, ganhou de 1 a 0 só, muito equilibrado. Estádios cheios, os aeroportos estão sem problemas, o jeitinho brasileiro resolveu. De uma forma geral, a Copa é um sucesso e é bom para o Brasil.

Qual seria a final do sonhos?

Brasil x Argentina, e ganhar deles. É que nem Atletiba, mas eu não quero ser vice não. Seria legal. Pra mim seria uma honra ser campeão. Fechar com chave de ouro minha passagem no futebol, só 4 anos e meio desde que peguei o Coritiba quebrado. Meu sonho era dar um título maior ao Coritiba, mas dei a minha contribuição. Mas se der seria muito bom pro povo. Impressionante ver as crianças e jovens, e os jogadores são meninos. A gente ve o carinho a seleção foi adotada por cada brasileiro.

O Brasil é maior que Neymar

Procure Neymar na foto acima. Há vida sem ele

Rei morto, rei posto.

Ainda choramos (nós, os que gostamos do bom futebol) a perda de Neymar. Assim como Falcão Garcia, Ribery ou Ibrahímovic, tornou-se um craque fora da Copa. Pior, com ela em andamento. Mas Neymar já é passado. Está fora.

O Brasil, não. O Brasil está dentro das semifinais e vai fazer aquele que só não é o maior clássico das Copas porque o destino quis que só se encontrassem uma vez antes da próxima terça. A Alemanha é a seleção que mais chegou à finais, ao lado do Brasil. É a que mais jogou partidas, enquanto que o Brasil é o que mais disputou copas. E já venceu cinco, contra três dos rivais. Das cinco, Neymar não estava presente em nenhuma. A última foi contra a Alemanha, no único encontro entre ambos.

Sim, há – ou havia – a “Neymardependência”. E quem não depende de seu craque? Sem Messi a Argentina teria tropeçado no Irã, talvez não tivesse passado pela Suiça. Sem Robben a Holanda não teria passado pelo México. É assim em todo lugar, o craque é decisivo. Mas o futebol é feito de equipe, onze contra onze.

O Brasil tem bons jogadores. Tem a melhor defesa do Mundo, mesmo sem Thiago Silva, amarelado infantilmente. Terá possivelmente Dante (não invente, Felipão), que treina diariamente com Schweinsteiger, Muller, Gotze e outros mais no Bayern de Munique. Terá Luiz Gustavo, que levou o Wolfsburg à Liga Europa após ser preterido por Guardiola no mesmo Bayern. Terá Fernandinho, campeão inglês pelo City, Paulinho, campeão da Libertadores no Corinthians, Oscar e Hulk, destaques de Chelsea e Zenit nas últimas edições da Champions League. Está longe de ter um time fraco.

Felipão, obviamente, não está feliz com a grave lesão de Neymar. Mas em seu íntimo sabe que conseguiu o trunfo que precisava. É um técnico que precisava de um vilão desde o começo da Copa, como fez com a Espanha no ano passado. Tentou a arbitragem, não deu; tentou a imprensa, não deu. Ao perder o ídolo, poderá usar isso como trunfo. Ao contrário do que pensamos (pensamos?) os outros 22 jogadores não são ratos. Contra a Colômbia, Neymar esteve sumido e o time deu a resposta após o momento de fragilidade emocional. São homens de brio e sabem se virar sem Neymar. E vão mostrar isso.

O Brasil joga em casa. Os simpáticos alemães, que nos desculpem, passarão a condição de inimigos desde já. A ausência de Neymar colocou o Brasil contra a parede. E o povo irá reagir. Se falta uma canção, sobrarão vaias em Belo Horizonte a cada passe alemão. A cada condução de bola de Khedira, vaias. A cada passe de Ozil, vaias. Uma emoção que os europeus não estão acostumados. O clima de Libertadores, que Felipão conhece bem, é hostil demais para a civilizada Champions League. Jogar em casa é isso. Os brasileiros falam a lingua do povo, comem arroz com feijão, têm a família ao lado, gostam do clima, do ar, da bandeira e do hino. Os alemães são simpáticos convidados, agora serão convidados a se retirar.

O Brasil é maior que Neymar, não tenha dúvidas. O menino ainda terá carreira longa, poderá ser campeão sendo o protagonista futuramente. Mas essa Seleção que ai está tem outros trunfos para vencer a Alemanha e quem vier pela frente. É verdade que sem o craque este pode ser um time comum.

Mas, afinal, qual time é comum sendo Brasil?

Leia também:

O choro não é livre

História elimina a Alemanha e põe Brasil e Argentina em rota de colisão

Pobre Cristiano Ronaldo

“Publicidade de ocasião” faz o inusitado da Copa

‘Elite branca’ detona a Copa nos EUA

Eliminação da Espanha é a 5a de um campeão, a 2a no Brasil

Com mais técnicos, Alemanha ditará ritmo da Copa 2014

Maradona, “más grande” que Pelé

Jovem, Inglaterra pensa em 2022

Na internet, cambistas vendem ingressos a mais de R$ 100 mil 

Shakira, bem-vinda a Curitiba!

Responsável pelas figurinhas da Copa explica erros em não-convocados

Perto da Copa, Messi ganha estátua na Argentina

Em Dublin, vai ter Copa e vai ter copo

Cruyff dispara: não será uma grande Copa

O Fantasma de 1950 também assombra o Uruguai

 

Com mais técnicos, Alemanha ditará ritmo da Copa 2014

Niko Kovac, técnico da Croácia, é um dos cinco alemães na Copa

A seleção da Alemanha é uma das favoritas ao título mundial na Copa 2014 no Brasil. Mas mesmo que o timaço de Schweinsteiger, Muller, Gotze e Podolski falhe, os alemães terão ainda outras quatro chances de comemorar a supremacia no futebol do Planeta.

Nada menos do que cinco dos 32 técnicos da Copa são alemães. Brasileiros? Apenas um, Luis Felipe Scolari.

Joachim Low, pela seleção alemã, e Niko Kovac (Croácia), Jurgen Klinssmann (EUA), Volker Finke (Camarões) e Ottmar Hizfeld (Suíça) demonstram em números que a escola alemã de técnicos é, atualmente, a mais procurada no Planeta. Pode ser o histórico de sucesso do futebol alemão, a organização e o pragmatismo característico do povo germânico, a força da Bundesliga ou mesmo o fato de que quase todo alemão é bilingue, falando com naturalidade o inglês. Fato é que os técnicos alemães são quem ditarão o ritmo da Copa aqui no Brasil.

Depois dos alemães, três outros países forneceram técnicos a um grande número de seleções: Itália, Argentina e – acredite – Colômbia. Cada um tem três técnicos dirigindo seleções no Mundial do Brasil. Curiosamente, apesar de ter três técnicos dirigindo times na Copa (Jorge Pinto pela Costa Rica, Reinaldo Rueda pelo Equador e Luis Suares por Honduras) a Colômbia preferiu importar um argentino: José Pekerman dirige os cafeteros no Brasil. A lista da Argentina tem ainda Jorge Sampaoli no Chile e Alejandro Sabella na seleção nacional.

Italianos andam em alta no Japão (Alberto Zaccheroni) e na Rússia (Fábio Capello) e confiam em Cesare Prandelli para a Azzurra. Ficam acima de portugueses e franceses, que têm dois técnicos cada na Copa. O lusitano Fernando Santos dirige a Grécia, enquanto Paulo Bento conduz o time de Cristiano Ronaldo; Sabri Lamouchi é o técnico da Costa do Marfim, com seu conterrâneo Didier Deschamps treinando a França.

Chama a atenção ainda o fato de a Bósnia, que disputa apenas pela primeira vez uma Copa do Mundo, estar com dois técnicos, mais que escolas fortes como Brasil, Espanha, Inglaterra e Holanda. Vahid Halilhodzic pela Algéria e Safet Susic pela própria Bósnia marcam época sendo mais prestigiados que brasileiros, espanhóis, ingleses e holandeses, que tem representantes apenas dirigindo as seleções caseiras. Até mesmo Moçambique, que nunca disputou uma Copa, tem Carlos Queiróz a frente do Irã.

O fato de um técnico brasileiro conhecer o País, o comportamento das pessoas, as condições climáticas e quem sabe até ter alguma simpatia junto aos locais não seduziu nem mesmo seleções de pequeno calibre. Se nas arquibancadas a torcida brasileira têm dado o tom da disputa, no banco de reservas o comando e a direção são alemães. 

Leia também:

Maradona, “más grande” que Pelé

Jovem, Inglaterra pensa em 2022

Na internet, cambistas vendem ingressos a mais de R$ 100 mil 

Shakira, bem-vinda a Curitiba!

Responsável pelas figurinhas da Copa explica erros em não-convocados

Perto da Copa, Messi ganha estátua na Argentina

Em Dublin, vai ter Copa e vai ter copo

Cruyff dispara: não será uma grande Copa

O Fantasma de 1950 também assombra o Uruguai

Seleção Brasileira tem duas datas definidas para jogos pré-Copa na Arena Grêmio e Curitiba ou Goiânia

Felipão quer repetir energia de 2002 ao se "despedir" em Porto Alegre

Que o Brasil fará outros dois amistosos após o jogo contra a África do Sul, antes do início da Copa, já não é novidade. O que falta agora é saber quem serão os adversários, pois as datas e ao menos um local estão definidos. Nos dias 4 e 7 de junho, a Seleção de Luiz Felipe Scolari jogará suas verdadeiras últimas partidas antes da estreia no Mundial.

Querendo repetir a vitoriosa rotina de 2002, quando levou os jogos decisivos contra Paraguai e Chile para o Sul do Brasil, vencendo e criando uma aura positiva. O jogo do dia 7, um sábado, possivelmente será na Arena do Grêmio; três dias antes, duas cidades disputam o privilégio de receber a Seleção: Curitiba e Goiânia

Como os estádios da Copa já estarão à dispoção da Fifa, o jogo em Curitiba deverá ser no Couto Pereira, casa do Coritiba, e não na Arena da Baixada. No entanto, como o estádio coxa-branca também está em obras, a CBF e a organização do evento têm como plano B o Estádio Serra Dourada, em Goiânia. 

Couto Pereira: se obras de ampliação terminarem a tempo, recebe a Seleção

Os adversários, ainda em período de definição, não serão nenhuma das 32 seleções classificadas para a Copa. Felipão já sinalizou que pretende pelo menos um grande adversário para os últimos testes. Entre os prováveis rivais, estão Suécia, Paraguai e Ucrânia.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Os muitos “micos” por Diego Costa

Site da CBF anunciou convocação dando destaque a jogador incerto

Quem errou no caso “Seleção x Diego Costa” é a pergunta que muitos se fazem no Brasil após o anúncio de que o atacante recusou oficialmente o convite para defender a Amarelinha. Entre tantos julgamentos pessoais, equívocos nas ações e erros de análises, a conclusão é bem direta: todos erraram.

A começar pela CBF. A imagem acima mostra o quanto a confederação confiava no poder de sedução da camisa mais vitoriosa do Mundo para que o sergipano optasse por defender seu país de nascença na Copa em casa. Uma chamada simples para a convocação de quinta tinha como principal destaque o agora desafeto. A CBF queria o jogador, mas pecou ao deixar em aberto a possibilidade de a convocação ser apenas uma jogada para evitar o reforço da Espanha. Faltou tato com Diego, que vem se destacando mais que qualquer outro atacante brasileiro, exceção à Neymar.

Acredito que Felipão tenha conversado com Diego Costa pessoalmente antes de divulgar seu interesse em convocá-lo. É uma análise, não uma informação. Mas se não o fez, errou. A Espanha é tão favorita quanto o Brasil para a Copa, Felipão tem histórico de fechar seus grupos de atletas sem muitas mudanças – quem deixou Romário de fora, convenhamos, não deve ter muito pudor em fazer o mesmo com Costa – e pode não ter passado a confiança necessária ao jogador para que ele optasse pelo Brasil. Por fim, Felipão falou em patriotismo; bem, alguns já lembraram que ele dirigiu Portugal contra o Brasil em amistosos e também numa Copa em que a Seleção disputava. Esse conceito é muito relativo.

E é por isso que deve se respeitar a decisão de Diego Costa: quem pode obrigá-lo a gostar do Brasil, a sentir orgulho pelo Brasil, quando fez toda sua vida na Espanha? Diego tem suas razões, mas também errou. Errou na avaliação de que não poderia ser útil ao Brasil como poderá ser para a Espanha. Hoje a Seleção carece de atacantes. Fred está machucado, Jô não vem sendo o mesmo da Copa das Confederações, Hulk e Neymar não são jogadores de área, Leandro Damião está em baixa e Pato… bem, Pato é Pato. Diego teria lugar certo na Seleção, pelo menos numa análise técnica atual. Precisaria de uma boa conversa com Felipão – e quem pode nos garantir que isso aconteceu, que Diego fechou com o técnico e acabou voltando atrás?

Por fim, erra a Fifa ao permitir essas constantes participações de jogadores de outras nacionalidades em seleções de países onde não nasceram. O conceito de seleção nacional difere de clube. Pressupõe a aferição da qualidade técnica de cada nação, diferente do que acontece em clubes. E a Espanha, claro, quer se beneficiar da qualidade brasileira. Se nacionalizar não é tão complicado, basta vontade política. É possível que além dos 14 jogadores brasileiros que podem enfrentar o Brasil na Copa 2014, vejamos muitos outros casos – aguardem a Copa do Catar em 2022 para vermos a seleção local. Claro, deve haver exceções: filhos criados e nascidos em outros locais, por exemplo. Mas essa é uma regra que poderia ser revista e que, enfim, fecha o ciclo que mancadas e micos que esse episódio expôs.

O “clubismo” será um dos adversários do Brasil?

Félix observa a torcida mineira: única derrota do Brasil pra clubes foi pro Galo (Foto: reprodução)

Estamos com 30 do primeiro tempo e a Seleção, com blitz e tudo, ainda não abriu o placar contra o Uruguai no Mineirão. Hulk tem se movimentado bem, mas já errou alguns passes e bateu duas bolas longe do gol; Neymar está bem marcado, ainda não conseguiu dar nenhuma de suas arrancadas; Oscar está sumido e Fred ainda não tocou na bola – embora tenha sido muito aplaudido no início do jogo. Em mais um erro de Hulk, a torcida pede Bernard; em outro lance em que Fred não chegou à bola, metade do estádio clama por Jô. Cenário possível de ser visto?

Leia também:

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

Contagem regressiva para o legado

Intertemporada do Cruzeiro nos EUA é impulso para “Liga de Pelé”

Os brasileiros têm uma inegável preferência por seus times do coração em relação a Seleção Brasileira. É histórico. Tudo começa com a Seleção se dividindo nos Mundiais de 1930 e 34 entre paulistas e cariocas. Passa pela mudança promovida pelo técnico Flávio Costa em 1950, tirando oito jogadores na partida contra a Suíça no Pacaembu em relação ao time que vinha jogando prioritariamente no Maracanã. Seleção que, aliás, tinha apenas dois jogadores que não atuavam em clubes de Rio e São Paulo, ambos do Internacional. Segue com o orgulho gremista estampado na bandeira do clube com a estrela de Everaldo no tri-70, os amistosos entre Bahia, Coritiba, Atlético-MG e outros contra a Seleção, vai até a Fonte Nova vaiando o Brasil na Copa América 89, sem Bobô e Charles e empatando com a Venezuela. Passa também pelas decisões e imagem arranhada da CBF junto aos torcedores pelas viradas de mesa no Brasileirão e coisitas mais. Pelo fato do Brasil ter jogado a maior parte de seus jogos nos últimos anos longe do Brasil.

Bernard falou em entrevista coletiva que acha normal a torcida pedir sua entrada no jogo em Minas. E é. O torcedor tem mais idolatria por aquele que ajuda seu time do que a Seleção. Os torcedores do Galo não são diferentes. O problema real é como isso vai refletir em campo. Contra o Chile, no 2-2 no Mineirão, pesou até mesmo sobre Neymar, vaiado pelos mineiros. Não são só os torcedores do Galo. Durante a Copa das Confederações, na cobertura do Terra, a equipe em BH registrou vários cruzeirenses que torceram o nariz para os gols de Jô.

Felipão, mesmo com todos os protestos pelas necessidades sociais do País, conseguiu blindar a Seleção. O torcedor está envolvido no objetivo do time sem deixar de ir às ruas cobrar o Governo. Muito disso em função do desempenho da equipe, que já revelou que o segredo vem sendo aplicar uma verdadeira blitz nos adversários, logo no começo. Em dois dos três jogos, o time abriu o placar cedo; contra a Itália, ninguém tinha expectativa grande, afinal era um clássico. Mas ainda não enfrentou o desejo de uma torcida local pelos seus jogadores. Brasília, Fortaleza e mesmo Salvador não tinham jogadores de seus clubes – ainda que Dante e Daniel Alves sejam baianos – entre os convocados. Minas tem. E tem ainda um ídolo de fora: Ronaldinho, em quem quase todos apostavam na convocação.

Será acima de tudo um teste de nervos. Para os jogadores que serão pressionados por ocuparem vagas que a torcida local gostaria que estivesse com outros. Para o técnico, que não costuma se deixar levar, mas terá que aguentar as cobranças e pedidos. E também para a torcida. É difícil mudar a cultura, mas já que é um teste para 2014, porque não mudar um pouco a visão e ignorar por 90 minutos o time do coração?

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

"Ronaldo, tu presta atenção que o caminho é esse..."

Não dá pra chamar de clamor popular – vide a votação entre os internautas do Terra na capa do site – mas boa parte da torcida brasileira e quase toda a crítica queria Ronaldinho na Seleção na Copa das Confederações. Me incluo entre os que davam isso como certo. Mas, passadas algumas horas da convocação, e ainda na repercussão da mesma, pondero: Felipão tem razão.

Ronaldinho encantou a torcida brasileira nos últimos jogos do Atlético-MG, em especial nos jogos no Independência contra São Paulo e Cruzeiro. Pelo Galo, vem sendo destaque desde o ano passado. Carentes de craques como estamos, os lampejos do gaúcho pelo time mineiro nos fazem lembrar do Dentuço do Barcelona ou então dos inúmeros craques da Seleção ao longo de sua vitoriosa história. Convenhamos, há muito que a Seleção não encanta, não empolga. E, de quebra, o gênio do futebol mundial atualmente veste azul e branco e fala espanhol.

Leia também:

Seedorf e a semente

Zico e Romário selam a paz entre risos e Pelé

Sem refresco para Mourinho

Mas na Seleção, Ronaldinho não rende. E não rende por duas razões, não sei qual a mais relevante. Primeiro, o esquema. O Galo joga por e para Ronaldinho. Sim, a movimentação de Bernard (viu como Felipão tem visto os jogos do Atlético-MG?) e Tardelli, o posicionamento de Jô e principalmente as roubadas de bola de Pierre e Leandro Donizete (alô, Felipão!) ajudam muito. Aliás, são elas que proporcionam que Ronaldinho não volte e não se desgaste tanto correndo. Felipão poderia ter levado meia jogada pronta direto das Alterosas. Mas não quis. A Seleção já tem seu craque do momento, Neymar, e nenhum esquema tem feito o menino do Peixe jogar como pode. Será que o técnico quer trabalhar em função de outro?

Em segundo lugar, Ronaldinho tem apenas 33 anos, mas já ganhou tudo o que tinha que ganhar. Inclusive, e principalmente, dinheiro. Ronaldinho já foi o melhor do Mundo, já foi campeão da Copa com gol importante, já brilhou em vários clubes. A Copa 2014, que poderia ter nele e em Kaká os líderes da Seleção, já não encanta mais. No Atlético-MG, a relação é diferente e ele mesmo já assumiu isso publicamente. O apoio da torcida do Galo a Dona Miguelina, mãe do R10, ganhou o jogador. Ronaldinho é humano, oras. Pode até não tem ambições profissionais, ao menos na Seleção, mas o apreço e sinergia com o Galo entraram pra valer na cabeça dele. E, motivado, ele tem feito a diferença. Faria na Seleção? O histórico recente mostra que não.

Assim, Felipão está certo. Leva quem quer comer grama, caso do amigo de Ronaldinho, Bernard. Aposta em Julio Cesar no gol, injustiçado por uma falha em 2010 como se aquele lance definisse sua carreira; aposta em Luiz Gustavo, que quer ser titular do Bayern de Munique, futuro melhor time do Mundo; em Jadson e Hulk, vitimas de preconceito de pseudo-intelectuais da bola, por circularem por mercados diferentes que Rio e São Paulo em boa parte da carreira (o meia do São Paulo tem que provar a cada dia que merece a 10 tricolor, mesmo depois de carregar Atlético e Shakhtar nas costas quando defendeu esses clubes). É a linha de trabalho dele, a família que tanto dizem.

Mas Felipão não fechou as portas em definitivo para Ronaldinho. Em entrevista exclusiva na TV Globo, disse que seguirá de olho em Ronaldinho e alguns mais. Esse “olho” inclui essa vontade que o meia tem mostrado no Galo mais do que supostos desvios extra-campo que ele possa ter. Um deles talvez tenha sido dizer que o Galo estava brincando na derrota para o São Paulo na primeira fase da Libertadores. Felipão não quer brincadeiras. Será ele o cobrado no caso de um novo Maracanazzo na história do Brasil.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Mini-Guia da Copa do Brasil 2012: Decisão

A imagem: um ano depois do massacre, alviverdes se encontram na final

Chegou o dia! Pelo segundo ano consecutivo, fazendo história, o Coritiba está na decisão da Copa do Brasil. Desta vez o adversário é o Palmeiras.

Como em todas as fases anteriores, o blog apresenta um mini-guia dos adversários paranaenses. Saibamos então o que espera o Coxa nos dois jogos da final:

A campanha do Palmeiras

O time paulista chega à decisão invicto e, caso campeão da Copa do Brasil, poderá reivindicar também o título paranaense: foi algoz de Paraná e Atlético nas fases anteriores. Foram 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos, tendo levado 5 gols e marcado 20.

Para chegar à decisão contra o Coxa, o Verdão passou por Coruripe-AL (1-0 e 3-0), Horizonte-CE (3-1), Paraná (2-1 e 4-0), Atlético (2-2 e 2-0) e Grêmio (2-0 e 1-1). A campanha é linear: em casa, 3 vitórias e 1 empate; fora, 4 vitórias e 1 empate.

No comparativo: o Coxa fez 10 jogos (1 a mais) com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcou 16 e levou 4. Logo, o Coxa pega um time com ataque mais efetivo, mas tem defesa menos vazada.

Na história

O Coxa fará a sua segunda decisão de Copa do Brasil na história (a primeira foi ano passado, acabou perdendo o título para o Vasco) enquanto o Palmeiras chega pela terceira vez a uma final. Para os supersticiosos, vale a pena ler esse texto.

Em 1996, perdeu a decisão para o Cruzeiro  (1-1 e 0-2) e ficou com o vice; deu o troco dois anos depois, contra o mesmo Cruzeiro, ao vencer por 2-0, depois de perder o jogo de ida por 0-1. O gol do título saiu aos 44 do 2o tempo, com o ex-atleticano Oséas:

Em confrontos diretos, vantagem palmeirense. São 11 vitórias coritibanas contra 16 paulistas e 10 empates. Pela Copa do Brasil, 4 encontros. Em 1997, o Palmeiras eliminou o Coritiba ao vencer por 1-0 no Couto e 4-2 em SP; no ano passado, o Coxa despachou o Porco, com requintes de crueldade. O massacre por 6-0 entrou para a história:

No jogo de volta, virtualmente eliminado, o Palmeiras, que havia perdido o recorde nacional de vitórias para o próprio Coritiba, acabou encerrando uma sequencia de 24 vitórias que entrou para o Guinness Book como a principal série de triunfos no futebol mundial. A vitória foi por 2-0:

Do time que foi goleado pelo Coritiba, o Palmeiras tem poucos jogadores que estarão em campo nessas finais. João Vitor, Marcos Assunção e Márcio Araújo seguem no time, enquanto o técnico ainda é Luiz Felipe Scolari. Dois jogadores que defenderam o time paulista naquele ano estão agora no Alviverde paranaense: Lincoln e Chico.

As armas

O Coxa leva vantagem no entrosamento, mas deve abrir o olho com três jogadores do Palmeiras.

Valdívia é o meia armador. Habilidoso e rápido, cria boas situações para os atacantes e também costuma chegar para o arremate. É genioso – logo, facilmente irritável – e, como quase todo latino (é chileno), joga com muita aplicação.

Mazinho é o atacante que cai pelos lados. Habilidoso, conduz a bola em velocidade e arremata com perigo. Ganhou o apelido de “Messi Black” pelos mais fanáticos palmeirenses. A comparação é válida até a página 2. Mas isso não diminui o perigo.

Marcos Assunção é o líder do time. Volante que sai pro jogo, ajuda na armação de jogadas e é perigosíssimo nas bolas paradas. Por isso é melhor evitar faltas próximas à área.

O Palmeiras perdeu outro bom jogador para as finais, o atacante Barcos, que acordou com apendicite nesta quinta. O desfalque de última hora pode fazer o time mudar a forma de jogar, com dois atacantes de velocidade, se optar por Maikon Leite (ex-Atlético) ou simplesmente mudar a peça, usando Betinho (aquele mesmo, do Coritiba 2010) no ataque.

Ainda vale lembrar a história de Felipão com o lateral-direito Arce. Foi em 1996, pelo Grêmio, antes da final contra a Portuguesa.

O fator casa

Tenho defendido que o Coxa tem uma leve vantagem nessas finais, sobre o Palmeiras. E parte disso é o fator Couto Pereira. Na primeira partida, o Coxa encara um estádio em formato arena, com proximidade da torcida, mas que não tem identificação com o adversário.

Torcedor é vibrante em qualquer campo na hora da decisão. Mas conhecer as dimensões do gramado, estar ambientado aos funcionários, aos vestiários, conhecer os atalhos, é uma senhora vantagem. Além da mística de jogar realmente em casa.

O trunfo do Coxa é o Couto Pereira. Em Barueri, o Coxa encara um bom time e alguma pressão; em Curitiba, o Palmeiras estará num alçapão hostil em que o dono conhece cada centímetro do gramado.

Faz diferença.