Dunga, medo e rejeição

“Sou um ser humano. Sei que eu tenho que melhorar muito no contato com as pessoas, com os jornalistas. (…) É a minha culpa, a reflexão que eu tive nos últimos anos.”

Poderia ser eu, você, qualquer pessoa a falar a frase acima – excetuando talvez a parte dos “jornalistas”, algo particular do cargo dele. Mas a frase é de Dunga (de) novo técnico da Seleção Brasileira. E, no sentido de reconhecer que algo não correu bem, todos nós já fomos Dunga um dia.

Os números falam por Dunga na primeira passagem na Seleção. Dois títulos (Copas América e Confederações), o primeiro lugar nas Eliminatórias, vitórias por três ou mais gols contra Argentina, Uruguai, Itália e Portugal. Parou nas quartas-de-final, contra a Holanda, em um jogo muito igual, no qual teve domínio durante o primeiro tempo e sofreu a virada em situações conhecidas. Tivesse levado 7 e talvez fosse esquartejado em praça pública. E sabe por que? Porque Dunga não é simpático.

Oras!, simpatia não é o requisito principal para se dirigir a Seleção. Competência, sim. Dunga tem um karma em sua vida: é instigado a provar sempre o mesmo ciclo. Foi assim da Era Dunga de 1990 ao Tetra em 1994, quando ergueu a taça como capitão. Repete agora, na condição de técnico, muito embora não saibamos se irá ter o mesmo final em 2018.

Nesse meio tempo, veremos um festival de repulsa ao nome de Dunga. Não necessariamente ao trabalho; ao nome, à figura. Dunga poderá provar em campo que pode vencer (atenção: vencer não é mudar o futebol brasileiro) e ainda assim será questionado. Tem inimigos, talvez até gratuitos. A situação toda me lembra o vídeo da atriz Regina Duarte dizendo ter “medo” do resultado das eleições 2002. Não vou avaliar aqui o que o País viveu nos últimos 12 anos, mas Regina estava errada. Antecipou um medo que nunca veio. Muitos agora tem “medo” de Dunga. O torcedor, tudo bem.

Mas o jornalista foge do ofício ao se comportar assim. Ao jornalista, caberá uma avaliação do trabalho. Não precisa ser amigo de Dunga, nem deve ser inimigo. Deve avaliar com isenção e educação e esperar o mesmo tratamento do treinador. Dunga não merece o medo antecipado do que não foi vivido ainda.

Em todo caso, não será Dunga a mudar o futebol brasileiro. Poderá dar padrão ao time. Talvez não agradará os fãs do futebol de 1982, nem repita o tiki-taka da Espanha. Talvez tenha um outro método para vencer seus jogos. Não importa. Mesmo se vencer todos os jogos daqui até a final da Copa 2018, Dunga não mudará o futebol brasileiro. A mudança que é necessária é estrutural, filosófica. 

Dunga pode no máximo mudar a imagem que muitos têm dele. Mudar a imagem ruim dos 10 gols tomados pela Seleção nos últimos jogos da Copa 2014. E será esse o trabalho dele, nada além.

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Cruyff dispara: não será uma grande Copa

Cruyff, craque da Holanda: craques estão esgotados

Johan Cruyff não anda bem humorado em relação ao futebol. Depois de “declarar guerra” a Neymar, o eterno craque da Holanda não acredita numa grande Copa do Mundo, pelo menos no aspecto técnico.

“Primeiro temos que ver quantos jogadores vão chegar bem ao torneio. Não muitos, eu acredito. As ligas nacionais estão exigindo tanto nos últimos tempos que eles estão minando seu nível físico”, disse em entrevista à revista da KLM, companhia aérea holandesa, que encontrou o ex-jogador em Barcelona, cidade onde ele reside. Cruyff não está tão distante da realidade: Falcão Garcia está fora por lesão, Cristiano Ronaldo e Ribery estão ameaçados e Messi já não vive grande fase, entre outros lesionados, como o holandês Strootman e o italiano Montolivo. A exceção é o Brasil.

A bronca tem também um certo bairrismo: “O orgulho de muitos sul-americanos está em jogo. E nenhum europeu nunca conseguiu vencer uma Copa na América do Sul”, aponta. A Holanda dele, em 1978 – já sem Cruyff, perdeu a segunda de suas três finais em 1978, na Argentina.

A Holanda é, aliás, uma das poucas seleções de ponta no Mundo a não ter um título de Copa. São três derrotas em três finais (1974 para a Alemanha, 78 para a Argentina e a última, 2010, para a Espanha). Campeã européia em 1988, a Holanda persegue o título com uma seleção forte, que fez brilhante campanha nas eliminatórias. As derrotas, porém, servem até de piada para os locais. Na loja “Copa”, especializada em futebol na cidade de Amsterdã, a camisa abaixo é sucesso de vendas.

Quase, Holanda...

Leia também: O ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai

Fatos do Tapetão 2013-14

Ou: Por que você deve se preparar para um Brasileirão 2014 com mais de 20 clubes.

André Santos foi expulso contra o Atlético na final da Copa do Brasil e atuou pelo Flamengo na última rodada do Brasileiro em 06/12/13, contra o Cruzeiro, no sábado, em jogo antecipado.

Héverton entrou no segundo tempo do jogo da Portuguesa contra o Grêmio na última rodada do Brasileiro; foi expulso após o final da partida contra o Bahia, duas rodadas antes.

Ambos foram denunciados na quarta-feira 09/12/13 pelo STJD.

– Héverton e André Santos foram julgados e punidos na sexta-feira. Héverton pegou dois jogos de suspensão por ofensas à Ricardo Marques; André Santos pegou um jogo e a imprensa noticiou, caso do Jornal Lance!.

– A CBF não publicou as penas de Héverton e André Santos ainda na sexta 05/12/13, fazendo-o apenas na segunda 09/12/13.

– A publicação das penas de clubes e atletas é lei federal que consta no Estatuto do Torcedor desde 2010:

– O STJD acatou as denúncias e puniu Flamengo e Portuguesa com a perda de quatro pontos cada com base no CBJD. A decisão foi mantida no pleno.

– Com a perda dos pontos, o Fluminense acabou se safando do rebaixamento para a Série B brasileira.

– Vários torcedores de Portuguesa e Flamengo – e mesmo um do Santos – entraram na Justiça Comum contra a CBF, com base no Estatuto do Torcedor; alguns pedidos foram rejeitados, outros acatados.

– MP-SP abriu inquérito para saber porque a CBF não informou à Lusa e Fla das suspensões. A previsão de termino das oitivas é 22/01/14.

– Havia um delegado da CBF em cada um dos jogos, Fla e Lusa, na última rodada do Brasileirão. Os mesmos não evitaram ou alertaram técnicos/clubes da irregularidade dos jogadores.

– A CBF tem por obrigação divulgar a tabela dos campeonatos que organiza até 60 dias antes do primeiro jogo. O Brasileirão 2014 tem início previsto para 19/04; sessenta dias antes será 18/02.

– A Justiça de São Paulo concedeu liminar obrigando a CBF a devolver os pontos de Fla e Lusa com base no Estatuto do Torcedor, o que rebaixa o Fluminense novamente.

– Um torcedor do Fluminense conseguiu, em um Tribunal Especial do Torcedor no Rio, uma liminar que obriga a CBF a cumprir a decisão do STJD.

– Agora, existem decisões conflitantes nesse caso. O STJ precisa definir o local único dos julgamentos.

– Na mesma linha, torcedores do Vasco pedem a anulação da partida com o Atlético por considerarem que não havia segurança na Arena Joinville em várias praças do País. A Justiça do Mato Grosso já rejeitou um dos pedidos.

– O vídeo abaixo mostra que o pedido dos torcedores do Vasco contradiz o pedido, uma vez que a invasão parte da torcida cruzmaltina:

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– Cada tribunal terá que decidir se acata ou não os pedidos vascaínos; caso sim, a nova composção pode rebaixar Fla, Flu e/ou Lusa, conforme as decisões acima; o Atlético seguiria na Libertadores com ou sem os pontos da vitória por 5-1.

– A CBF contratou o advogado Carlos Miguel Aidar para defender-se no MP-SP e contra as liminares no Estado de São Paulo.

– Aidar é um dos fundadores do extinto “Clube dos 13”.

– A Fifa proíbe que as associações nacionais entrem/acatem decisões na Justiça Comum, sob pena de desfiliação de clubes/federações, como mostram as imagens abaixo:

– A Copa do Mundo Fifa 2014 será no Brasil.

– Em 1993 o América-MG foi punido com dois anos fora de qualquer competição nacional por acionar a CBF na Justiça Comum.

– Em 2000 o Gama venceu a CBF no “Caso Sandro Hiroshi x Botafogo” em todas as instâncias. A CBF se declarou incompetente para organizar o Campeonato Brasileiro, avisou a Fifa e não realizou a competição.

– Em 1987, a CBF rompeu com o Clube dos 13 e depois voltou atrás. É por isso que há dois campeões nacionais: Sport (CBF) e Flamengo (C13). A Fifa e Conmebol reconheceram o campeonato da CBF e Sport e Guarani jogaram a Libertadores 1988 – mas essa é outra longa discussão.

– O Brasileirão 2000 foi substituído pela Copa João Havelange, organizada pela Clube dos 13.

– A Copa João Havelange teve três divisões e quatro módulos. No principal, a Série A, estiveram:

Remanescentes da Série A 99

Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo*, Corinthians, Coritiba, Flamengo, Grêmio, Guarani, Internacional, Juventude*, Palmeiras, Portuguesa*, Ponte Preta, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

*Clubes que seriam rebaixados não fosse a implementação da média de pontos

Ascendentes na Série B 99

Goiás (campeão) e Santa Cruz (vice).

Convidados do Clube dos 13

Bahia (3o na B-99), América-MG (7o na B-99) e Fluminense (1o na C-99).

Ganhou vaga na Justiça Comum:

Gama.

– Na ocasião, os únicos rebaixados de fato foram Paraná (17o de 22 em 99, não caíria não fosse a média) e Botafogo-SP (caíria nos dois regulamentos).

– A CBF, posteriormente, retomou o comando da competição para 2001 e reconheceu o Vasco como campeão brasileiro 2000.

– Juristas experientes, como Ives Gandra, sugerem à CBF uma solução consciliatória. O ex-presidente do STJD, Rubens Approbato, fala em paralisação geral do Brasileiro se a decisão do órgão que presidiu não for acatada.

Tire suas conclusões.

O “clubismo” será um dos adversários do Brasil?

Félix observa a torcida mineira: única derrota do Brasil pra clubes foi pro Galo (Foto: reprodução)

Estamos com 30 do primeiro tempo e a Seleção, com blitz e tudo, ainda não abriu o placar contra o Uruguai no Mineirão. Hulk tem se movimentado bem, mas já errou alguns passes e bateu duas bolas longe do gol; Neymar está bem marcado, ainda não conseguiu dar nenhuma de suas arrancadas; Oscar está sumido e Fred ainda não tocou na bola – embora tenha sido muito aplaudido no início do jogo. Em mais um erro de Hulk, a torcida pede Bernard; em outro lance em que Fred não chegou à bola, metade do estádio clama por Jô. Cenário possível de ser visto?

Leia também:

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

Contagem regressiva para o legado

Intertemporada do Cruzeiro nos EUA é impulso para “Liga de Pelé”

Os brasileiros têm uma inegável preferência por seus times do coração em relação a Seleção Brasileira. É histórico. Tudo começa com a Seleção se dividindo nos Mundiais de 1930 e 34 entre paulistas e cariocas. Passa pela mudança promovida pelo técnico Flávio Costa em 1950, tirando oito jogadores na partida contra a Suíça no Pacaembu em relação ao time que vinha jogando prioritariamente no Maracanã. Seleção que, aliás, tinha apenas dois jogadores que não atuavam em clubes de Rio e São Paulo, ambos do Internacional. Segue com o orgulho gremista estampado na bandeira do clube com a estrela de Everaldo no tri-70, os amistosos entre Bahia, Coritiba, Atlético-MG e outros contra a Seleção, vai até a Fonte Nova vaiando o Brasil na Copa América 89, sem Bobô e Charles e empatando com a Venezuela. Passa também pelas decisões e imagem arranhada da CBF junto aos torcedores pelas viradas de mesa no Brasileirão e coisitas mais. Pelo fato do Brasil ter jogado a maior parte de seus jogos nos últimos anos longe do Brasil.

Bernard falou em entrevista coletiva que acha normal a torcida pedir sua entrada no jogo em Minas. E é. O torcedor tem mais idolatria por aquele que ajuda seu time do que a Seleção. Os torcedores do Galo não são diferentes. O problema real é como isso vai refletir em campo. Contra o Chile, no 2-2 no Mineirão, pesou até mesmo sobre Neymar, vaiado pelos mineiros. Não são só os torcedores do Galo. Durante a Copa das Confederações, na cobertura do Terra, a equipe em BH registrou vários cruzeirenses que torceram o nariz para os gols de Jô.

Felipão, mesmo com todos os protestos pelas necessidades sociais do País, conseguiu blindar a Seleção. O torcedor está envolvido no objetivo do time sem deixar de ir às ruas cobrar o Governo. Muito disso em função do desempenho da equipe, que já revelou que o segredo vem sendo aplicar uma verdadeira blitz nos adversários, logo no começo. Em dois dos três jogos, o time abriu o placar cedo; contra a Itália, ninguém tinha expectativa grande, afinal era um clássico. Mas ainda não enfrentou o desejo de uma torcida local pelos seus jogadores. Brasília, Fortaleza e mesmo Salvador não tinham jogadores de seus clubes – ainda que Dante e Daniel Alves sejam baianos – entre os convocados. Minas tem. E tem ainda um ídolo de fora: Ronaldinho, em quem quase todos apostavam na convocação.

Será acima de tudo um teste de nervos. Para os jogadores que serão pressionados por ocuparem vagas que a torcida local gostaria que estivesse com outros. Para o técnico, que não costuma se deixar levar, mas terá que aguentar as cobranças e pedidos. E também para a torcida. É difícil mudar a cultura, mas já que é um teste para 2014, porque não mudar um pouco a visão e ignorar por 90 minutos o time do coração?

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Abrindo o Jogo

Depois de 1 ano e 4 meses, encerrei ontem meu contrato com o jornal Metro Curitiba. Só tenho a agradecer à equipe, que me recebeu muito bem nesse período, em especial à Martha Feldens, diretora de jornalismo e autora da idéia de que eu fosse colunista lá.

A última coluna, que iria estar nos jornais hoje, estava pronta. Mas não houve acerto para continuidade e, por isso, publico-a aqui no blog, que seguirá ativo.

Via de mão-dupla
Petraglia é “ame-o ou odeie-o” – conflito que erroneamente chegou até a imprensa, que deve avaliar temas e não a pessoa. Dito isto, já se antevê mais uma polêmica. No pronunciamento que deu recentemente (entrevista pressupõe réplica e contradição) exibido pelo site do Atlético, disse pretender levar jogos contra grandes de SP, RS e RJ para Londrina, Cascavel e até Brasília. Petraglia, que sempre cobra reciprocidade dos seus torcedores, caso faça isso, atingirá em cheio os cerca de 14 mil sócios – número impressionante de adimplentes após um rebaixamento e dois anos sem estádio. Sob a justificativa de que o clube precisa de dinheiro, pode abrir mão do fator campo (decisivo em 2012) e desprezar o sócio, quem mais apoiou o pior momento da história recente atleticana. O balanço mostra um caixa em dia, saneado. Não há porque o Furacão vender renda para sanear nada. Mais importante: os sócios pagam R$ 70 por mês para ver os jogos. Destes, apenas R$ 10 vão para o borderô – o resto é caixa do clube. Faça as contas. Se não há acordo na cidade – embora haja dinheiro para alugar a Vila, por exemplo – pode se buscar Joinville, como fez o Coritiba em 2010. Resta saber se o pensamento é pró-torcedor ou a articulação já está fechada, com o recado dado nas entrelinhas para ser digerido pelos torcedores durante o Brasileirão. Dúvida: onde anda a associação de sócios do Atlético, criada por Petraglia na gestão Marcos Malucelli?

A Copa, finalmente, em Curitiba
A nova prefeitura promete finalmente explorar a vinda da Copa na capital. Logo depois do Carnaval, a cidade deve iniciar um plano pró-Copa, evidenciando os benefícios que o evento trará a cidade, com ações em comunicação. Para esse ano, estão previstas ações de capacitação de profissionais pensando no turismo na cidade. Haverá visitações a consulados no exterior, de olho na Olimpíada Rio 16. Curitiba quer buscar delegações para hospedagem e treinamento na cidade. Sabendo da rixa que há quanto ao Mundial por conta da rivalidade Atletiba, há também um plano de aproximar mais o Coxa da Copa, incluindo ações na Turquia, explorando a imagem de Alex por lá.

Alex, o midiático
Começam cobranças pelo desempenho nos jogos em que ele atuou – e o próprio reconheceu que não está bem. Já há quem diga que pode ser excesso de exposição na mídia. Exagero. O meia está fazendo o papel que lhe cabe fora de campo e, dentro, é muito cedo para cobrar. Vale o recado: o maior problema para Alex no Coxa antes da volta era o tamanho da expectativa sobre ele. Alex tem lenha pra queimar (ou não seria procurado por tantos) mas é preciso deixar o fogo pegar primeiro.

Lincoln x Botinelli
A entrada que acabou em fratura no treino do Coxa deve ser julgada como acidente de trabalho e imprudência, num primeiro momento. Alguns se apressam em julgar o caráter de Lincoln. Isso é leviano. Se houve maldade, saberemos pela reação dos colegas nos próximos dias, que jamais tolerarão esse tipo de atitude.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.