Dunga, medo e rejeição

“Sou um ser humano. Sei que eu tenho que melhorar muito no contato com as pessoas, com os jornalistas. (…) É a minha culpa, a reflexão que eu tive nos últimos anos.”

Poderia ser eu, você, qualquer pessoa a falar a frase acima – excetuando talvez a parte dos “jornalistas”, algo particular do cargo dele. Mas a frase é de Dunga (de) novo técnico da Seleção Brasileira. E, no sentido de reconhecer que algo não correu bem, todos nós já fomos Dunga um dia.

Os números falam por Dunga na primeira passagem na Seleção. Dois títulos (Copas América e Confederações), o primeiro lugar nas Eliminatórias, vitórias por três ou mais gols contra Argentina, Uruguai, Itália e Portugal. Parou nas quartas-de-final, contra a Holanda, em um jogo muito igual, no qual teve domínio durante o primeiro tempo e sofreu a virada em situações conhecidas. Tivesse levado 7 e talvez fosse esquartejado em praça pública. E sabe por que? Porque Dunga não é simpático.

Oras!, simpatia não é o requisito principal para se dirigir a Seleção. Competência, sim. Dunga tem um karma em sua vida: é instigado a provar sempre o mesmo ciclo. Foi assim da Era Dunga de 1990 ao Tetra em 1994, quando ergueu a taça como capitão. Repete agora, na condição de técnico, muito embora não saibamos se irá ter o mesmo final em 2018.

Nesse meio tempo, veremos um festival de repulsa ao nome de Dunga. Não necessariamente ao trabalho; ao nome, à figura. Dunga poderá provar em campo que pode vencer (atenção: vencer não é mudar o futebol brasileiro) e ainda assim será questionado. Tem inimigos, talvez até gratuitos. A situação toda me lembra o vídeo da atriz Regina Duarte dizendo ter “medo” do resultado das eleições 2002. Não vou avaliar aqui o que o País viveu nos últimos 12 anos, mas Regina estava errada. Antecipou um medo que nunca veio. Muitos agora tem “medo” de Dunga. O torcedor, tudo bem.

Mas o jornalista foge do ofício ao se comportar assim. Ao jornalista, caberá uma avaliação do trabalho. Não precisa ser amigo de Dunga, nem deve ser inimigo. Deve avaliar com isenção e educação e esperar o mesmo tratamento do treinador. Dunga não merece o medo antecipado do que não foi vivido ainda.

Em todo caso, não será Dunga a mudar o futebol brasileiro. Poderá dar padrão ao time. Talvez não agradará os fãs do futebol de 1982, nem repita o tiki-taka da Espanha. Talvez tenha um outro método para vencer seus jogos. Não importa. Mesmo se vencer todos os jogos daqui até a final da Copa 2018, Dunga não mudará o futebol brasileiro. A mudança que é necessária é estrutural, filosófica. 

Dunga pode no máximo mudar a imagem que muitos têm dele. Mudar a imagem ruim dos 10 gols tomados pela Seleção nos últimos jogos da Copa 2014. E será esse o trabalho dele, nada além.

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Quero ser Walter

Walter, redenção dos gordinhos e matador

O plantão esportivo informa no rádio: “gol do Goiás”. Difícil não pensar em quem fez o gol. Só nesta terça, contra o então vice-líder Grêmio, foram dois. Walter já tem 23 na temporada pelo Esmeraldino. 

Mudo de canal e vejo o lance: Dida sai jogando errado, acossado pelo bom posicionamento do atacante; ele amacia a bola na barriga, carrega com a direita; o zagueiro se aproxima, ele dá um tapa, de fora da área, com categoria, para botar a bola na rede. No segundo tempo, chapéu no zagueiro e pancada de fora da área. Dois a zero, dois de Walter, o gordinho-artilheiro.

Sei, ele não gosta dessa pecha. Nem eu. Também estou com sobrepeso e a TV só ajuda a aumentar. Walter certamente gostaria que falássemos mais dos belos e importantes gols que conduzem o Goiás para perto do G4 do Brasileiro. Gols que não vêm de hoje: já ajudaram a equipe goiana a voltar para a Série A em 2012. A história do combate à balança já foi melhor contada aqui, pelo parceiro Dassler Marques (outro deste time do sobrepeso, recém-chegado aos casados, o que pode agravar o quadro).

Walter é, com ou sem sobrepeso, o segundo maior artilheiro do País na temporada, atrás de Willian da Ponte Preta. É também a redenção dos gordinhos. É habilidoso, tem categoria e, até onde me conste, não tem perdido chances e chances por estar chegando atrasado nas bolas. Não custou milhões e está esquentando banco em algum clube por aí. É titular de um clube da Série A. Já tem quem fale em Seleção. Exagero?

Não sei se Walter é atleta e está com dificuldades pra baixar o peso, como dizia Ronaldo, que teria um problema na tireóide. Ou se é só um bon vivant, chegado numa picanha e numa gelada, que tem o dom de bater bem na bola e está sempre ligado no jogo. Não me importa, de fato.

O que importa é que é muito legal ver Walter correndo nos campos do Brasil, deixando zagueiros, jornalistas e preparadores físicos atônitos a cada rodada em que seus gols são flagrados com fotos que realçam fisicamente sua prosperidade. Ver um símbolo de alguém que não desiste, tá lá, ligadão, a espera da bola certa, divertindo-se ao jogar futebol profissionalmente. Um pedacinho de cada um de nós, fãs de futebol que nos entregamos ao amendoin e à cerveja a cada rodada, lá dentro, guardando gols atrás de gols, nos entretendo com a próxima peripécia do novo Fenômeno.

Ver Walter vale quanto pesa. Com trocadilhos.

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O “clubismo” será um dos adversários do Brasil?

Félix observa a torcida mineira: única derrota do Brasil pra clubes foi pro Galo (Foto: reprodução)

Estamos com 30 do primeiro tempo e a Seleção, com blitz e tudo, ainda não abriu o placar contra o Uruguai no Mineirão. Hulk tem se movimentado bem, mas já errou alguns passes e bateu duas bolas longe do gol; Neymar está bem marcado, ainda não conseguiu dar nenhuma de suas arrancadas; Oscar está sumido e Fred ainda não tocou na bola – embora tenha sido muito aplaudido no início do jogo. Em mais um erro de Hulk, a torcida pede Bernard; em outro lance em que Fred não chegou à bola, metade do estádio clama por Jô. Cenário possível de ser visto?

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Os brasileiros têm uma inegável preferência por seus times do coração em relação a Seleção Brasileira. É histórico. Tudo começa com a Seleção se dividindo nos Mundiais de 1930 e 34 entre paulistas e cariocas. Passa pela mudança promovida pelo técnico Flávio Costa em 1950, tirando oito jogadores na partida contra a Suíça no Pacaembu em relação ao time que vinha jogando prioritariamente no Maracanã. Seleção que, aliás, tinha apenas dois jogadores que não atuavam em clubes de Rio e São Paulo, ambos do Internacional. Segue com o orgulho gremista estampado na bandeira do clube com a estrela de Everaldo no tri-70, os amistosos entre Bahia, Coritiba, Atlético-MG e outros contra a Seleção, vai até a Fonte Nova vaiando o Brasil na Copa América 89, sem Bobô e Charles e empatando com a Venezuela. Passa também pelas decisões e imagem arranhada da CBF junto aos torcedores pelas viradas de mesa no Brasileirão e coisitas mais. Pelo fato do Brasil ter jogado a maior parte de seus jogos nos últimos anos longe do Brasil.

Bernard falou em entrevista coletiva que acha normal a torcida pedir sua entrada no jogo em Minas. E é. O torcedor tem mais idolatria por aquele que ajuda seu time do que a Seleção. Os torcedores do Galo não são diferentes. O problema real é como isso vai refletir em campo. Contra o Chile, no 2-2 no Mineirão, pesou até mesmo sobre Neymar, vaiado pelos mineiros. Não são só os torcedores do Galo. Durante a Copa das Confederações, na cobertura do Terra, a equipe em BH registrou vários cruzeirenses que torceram o nariz para os gols de Jô.

Felipão, mesmo com todos os protestos pelas necessidades sociais do País, conseguiu blindar a Seleção. O torcedor está envolvido no objetivo do time sem deixar de ir às ruas cobrar o Governo. Muito disso em função do desempenho da equipe, que já revelou que o segredo vem sendo aplicar uma verdadeira blitz nos adversários, logo no começo. Em dois dos três jogos, o time abriu o placar cedo; contra a Itália, ninguém tinha expectativa grande, afinal era um clássico. Mas ainda não enfrentou o desejo de uma torcida local pelos seus jogadores. Brasília, Fortaleza e mesmo Salvador não tinham jogadores de seus clubes – ainda que Dante e Daniel Alves sejam baianos – entre os convocados. Minas tem. E tem ainda um ídolo de fora: Ronaldinho, em quem quase todos apostavam na convocação.

Será acima de tudo um teste de nervos. Para os jogadores que serão pressionados por ocuparem vagas que a torcida local gostaria que estivesse com outros. Para o técnico, que não costuma se deixar levar, mas terá que aguentar as cobranças e pedidos. E também para a torcida. É difícil mudar a cultura, mas já que é um teste para 2014, porque não mudar um pouco a visão e ignorar por 90 minutos o time do coração?

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Papo aberto 1: Sérgio Soares

Uma das coisas legais de se trabalhar com TV na internet é que você não se prende a formatos nem ao tempo. Aproveitando a visibilidade do Terra e as várias personalidades que recebemos por aqui, resolvi segurar nossos convidados por mais 15 minutos (pelo menos é a promessa inicial) nos estúdios, pra bater um papo aberto sobre coisas que fogem do noticiário do dia a dia.

Leia também:

15 minutos com Rafael Cammarota

O dia em que Washington e Lincoln caíram em Brasília

Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

O primeiro convidado é o técnico de futebol Sérgio Soares, que esteve comigo como comentarista na partida entre Rubin
Kazan x Chelsea pela Liga Europa. O treinador contou como se deu a tumultuada saída do Paraná Clube – abrindo em detalhes um problema famliar – em 2009. Também contou que já imaginava que o 2011 do Atlético não seria fácil (e porque), depois de comandar o clube na reta final do Brasileiro em que quase chegou a Libertadores. E falou muito sobre a falta de paciência do mercado com os técnicos – recentemente, foi demitido do Avaí. Assista a primeira parte:

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Soares foi auxiliar-técnico e jogador do Santo André que surpreendeu o Brasil em 2004, ao bater o Flamengo na decisão, em pleno Maracanã. Ele contou em detalhes a trajetória do Ramalhão. Além disso, falou sobre a Copa 2014, dizendo que a Seleção precisa de ajuda urgente. Acompanhe:

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Repensando o futebol brasileiro

Esse post foi publicado no antigo blog, no portal Bem Paraná, em dezembro de 2012. Reedito aqui para levantar a discussão nacionalmente, através dos seus comentários. Obrigado a todos e bem-vindos a nova fase do blog!

Final de ano, perspectivas de um novo início em 2013. No futebol, é hora de por em prática o planejamento da nova temporada. Contratações, dispensas, pré-temporada, objetivos. Cada clube com a sua necessidade, conforme a disputa que tem pela frente. Essas são as boas notícias.

A má: dificilmente seu clube, se não for do grupo dos seis que mais recebem nas cotas de TV, principal renda dos clubes atualmente, será campeão. Salvo se tiver um mecenas por trás, caso do atual campeão Fluminense, amparado fortemente pela Unimed. E nesse balaio incluo gaúchos e mineiros. Duvida? Então veja a figura abaixo:

Essa é a atual distribuição de renda do futebol brasileiro, com base no repasse do principal apoiador, a Rede Globo de Televisão, detentora dos direitos de transmissão do Brasileirão. A imagem detalha o recebimento dos clubes do extinto Clube dos 13 (que abrangia 20 clubes) mais o Paraná Clube, simbolizando todos aqueles que estão no patamar do Tricolor. As cores dividem os grupos cotistas, que são de 5 tamanhos (alguns dos valores estão renegociados). Do amarelo ao vermelho, o que mais recebe ao que menos recebe. Todos dentro de um mesmo campeonato.

É preciso dizer que a Globo faz um bem enorme ao futebol nacional. A evolução nos contratos de TV nos últimos anos começou a projetar o Campeonato Brasileiro como um dos mais rentáveis do Mundo. Ainda está longe da Bundesliga (Alemanha) e da Premier League (Inglaterra), mas é um caminho. Não vou entrar aqui na discussão da exclusividade de transmissão, discussão do mercado de comunicação – convenhamos, o know-how da Globo é o melhor, ainda que (até mesmo pra mim, como jornalista) a diversificação de emissoras na cobertura pudesse ser benéfica. A discussão aqui é outra.

A própria televisão já ensaiou – e essa discussão ficou para trás, mas segue em voga com os torcedores – um pedido para que o Brasileirão volte ao mata-mata. E isso porque se ressente de mais emoção na competição. É um engano: se não há emoção no Brasileirão dos últimos anos, é porque a disparidade de arrecadação entre os clubes é enorme. É impossível que o Náutico, melhor clube fora do rol dos maiores recebedores (abaixo até mesmo de Atlético e Coritiba) supere 19 equipes em um torneio de regularidade e seja campeão.

Repare novamente na figura acima. Em amarelo, estão as posições de destaque; em azul, posições confortáveis. Em laranja, posições compatíveis e/ou aceitáveis. Em vermelho, posições ruins – e ainda pintou um preto na tabela. Repare que na divisão do Botafogo para o Atlético – linha que divide os tradicionais 12 dos demais – um lado é quase todo vermelho, outro quase todo amarelo. Não coincidentemente, quem mais recebe contra quem menos recebe. Em tempo: Botafogo e Atlético-MG, com todo o respeito que as belas histórias merecem, não são maiores que Atlético, Coritiba, Sport e Bahia. O novo ranking da CBF atesta isso.

O Corinthians, que iniciou como centro dessa discussão na coluna desta quarta no Metro Curitiba, vale quanto pesa. A torcida corintiana, bem como a do Flamengo, são as maiores do Brasil. Eles atraem mais interesse, mais público, vendem mais PPV, merecem ganhar mais. E assim sucessivamente. A ressalva é que essa não deve ser a única maneira de se distribuir o bolo.

Tenho tido a oportunidade de transmitir jogos do Campeonato Alemão pelo Terra (fica o convite, é ao vivo e gratuito) e, a despeito da liderança isolada do Bayern, a competição toda é mais acirrada. Aquele equilíbrio que o brasileiro gosta de propagar, hoje acontece muito mais na Alemanha. Se o ano do Bayern é excepcional, o atual bicampeão é o Borussia Dortmund e Schalke 04, Bayer Leverkusen, Eintracht Frankfurt e Sttutgart se permitem sonhar com a taça ou ao menos uma vaga na Liga dos Campeões – coisa que, no Brasil, tem se restringido a poucos pela Libertadores, obviamente.

Leia também:

– Paraná Clube entra na Bovespa

– Na Alemanha, rádio compra direitos de transmissão

– Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

A culpa passa longe de quem paga. É, na verdade, de quem vende: os clubes. Os que estão no topo, obviamente, não se incomodam com a situação. Muitas vezes estão amarrados a dívidas e antecipam receitas, se comprometendo mais e mais. Mesmo no seleto grupo dos 12, já vemos clubes sentindo os efeitos: as campanhas do Botafogo são apenas regulares e o Palmeiras, não fosse a conquista da Copa do Brasil (outro estilo de competição) teria uma avaliação recente desastrosa. No entanto, todos são complacentes com a situação. O seu clube também. Os efeitos são sentidos até mesmo na Seleção Brasileira, já não tão querida pelos torcedores em boa parte do Brasil pela falta de identidade e que, com o desamparo aos clubes menores, passará a ter menos fontes para seus craques.

Ok, até aqui, nenhuma novidade (e obrigado pela paciência na leitura). E qual seria uma solução? O exemplo mais democrático está na Inglaterra, liga mais rentável do Mundo, vendida em todo o Planeta. A arrecadação de TV é dividida de três maneiras: 70% igualmente entre os clubes; 15%, pelo retorno de audiência; outros 15%, pela classificação dos clubes no ano anterior. Além disso, os clubes que sobem da segunda divisão para a primeira recebem um auxílio especial na primeira temporada. A intenção? Deixar o campeonato competitivo. Claro, o poderio do Manchester United e dos dólares russos do Chelsea e árabes do Manchester City tem restringido a disputa a esses três. Mas aí é atrativo individual de cada um que, como receita de sócios e camisa, passa pelo mérito de cada um.

Para esse tratado, fiz um estudo sobre como seria a distribuição de renda no Brasil usando o modelo inglês. Os cálculos não são precisos (matemática nunca foi o meu forte) mas a distorção é pequena – algum leitor mais hábil com números pode ficar a vontade para me corrigir, especialmente na divisão por audiência. A base do cálculo foi a tabela da Premier League que está nesse link. Nela, os últimos lugares da tabela foram ocupados pelos clubes que subiram para a Série A em 2012. Observe:

A diferença entre o que receberia o Corinthians para o que receberia o Vitória, do maior para o menor valor, seria de apenas 21 milhões. O Corinthians continuaria recebendo mais, justamente, e continuaria forte, aproveitando-se ainda dos valores que recebe pela camisa, sócios, etc. Mas o campeonato poderia ser mais equilibrado. A distância para o Vitória seria, digamos, mais honesta. Afinal, o que se espera de uma disputa é que ela seja equilibrada, o que gera interesse. Não à toa, as ligas norte-americanas de basquete e futebol americano são as mais lucrativas do planeta entre todos os esportes. O segredo? O time com pior desempenho no ano anterior é o primeiro a escolher o melhor calouro no draft. Equilíbrio, senhores.

Ainda há mais um fator relevante a se discutir: as dívidas dos clubes com o Governo. Na Europa, a punição é severa. Os tradicionais Napoli e Fiorentina faliram e tiveram de começar em divisões inferiores italianas – o Napoli se recuperou a ponto de comprar o CNPJ (ou como for na Itália) antigo. O Rangers, um dos dois gigantes escoceses, vive esse drama agora. Mesmo sendo um Flamengo da Escócia, foi à falência recomeçou na 4a divisão. Sem perdão. Aproveitei o estudo para fazer um comparativo entre a principal receita dos clubes e a dívida pública, divulgada pela Revista Galileu. O Sport foi o único clube do qual não encontrei dados, mesmo em outras fontes. As cores estão divididas em: vermelho para dívidas com duas vezes ou mais da principal receita, laranja para dívidas pouco maiores ou ainda dentro de um limite suportavel, azul para as dívidas pequenas e amarelo para a única exceção, que segundo a reportagem tem até valores a receber:

A última notícia é de que Governo e CBF estudam punir os clubes devedores. Seria um esvaziamento e tanto na Série A – mas é aguardar pra ver. Diante da ideia de se modernizar o futebol nacional, seria um passo e tanto.

Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

Nesta terça (20) o 5o maior estádio particular do Brasil completa 80 anos. Inaugurado como Belfort Duarte e depois de remodelado chamado Couto Pereira, em homenagem ao major do exército que presidiu o Coxa e idealizou a reforma, o estádio recebeu inúmeros grandes jogos e momentos inesquecíveis.

Toda essa rica história será contada em um livro a ser lançado em 2013, idealizado pelos torcedores Anna Gobbo e César Caldas, em parceria com o Grupo Helênicos. O livro está em fase de produção e vai retratar tudo sobre o estádio, como conta Caldas. “Serão quatro partes. A primeira relata todas as fases, desde as negociações para a compra do terreno até as reformas mais recentes, abordando também aspectos urbanísticos, arquitetônicos e sociais. O segundo reunirá crônicas de até 50 linhas em que os colaboradores relatam sua relação emocional com o estádio. A terceira terá os 30 eventos mais significativos: jogos importantes do Coxa, da Seleção e mesmo de rivais aqui da cidade, missa do Papa, show do Iron Maiden Phillips Monsters of Rock, chegada do Papai Noel em evento da Prefeitura para mais de 26 mil crianças, etc.”

Tive a honra de ser convidado a colaborar com um artigo sobre o estádio onde tive meus primeiros contatos com o futebol e passei muitos domingos até me tornar jornalista (quando passei a ir não somente aos domingos, hehe).

Até que a obra saia, o blog apresenta uma pequena lista dos 5 maiores jogos da história do Couto Pereira – claro, na minha visão. Convido você a fazer a sua nos comentários abaixo.

5 – Atlético 2-0 Flamengo, 1983. Até hoje, o recorde de público do estádio, quando 67.391 pessoas* passaram as catracas para ver o duelo rubro-negro na semifinal do Brasileirão. O Flamengo de Zico segurou o Atlético de Washington e Assis, que precisava de mais um gol, e foi à decisão.

Reportagem da TV Globo/RPCTV

*Fonte: RSSSF Brasil.

4 – Coritiba 0-0 Atlético, 1978. Última partida dos três Atletibas que decidiram o Estadual daquele ano. Nos pênaltis, Manga, que usou de um curioso artifício (veja no vídeo abaixo) parou o Furacão e deu ao Coxa o 7º de 8 títulos que o Alviverde conquistaria entre 1970 e 79. Mais de 150 mil pessoas viram os três 0-0 da sequência final.

Reportagem da CNT

3 – Coritiba 5-1 Atlético, 1995. O massacre coxa-branca na páscoa, que deu origem a revolução atleticana, culminando na construção do outro grande estádio da cidade, entre outras. Até então, o Couto Pereira era palco absoluto dos grandes jogos em Curitiba. A mudança no Atlético – novo estádio, CT, entre outros – gerou mudança no Coxa e ambos voltaram à Série A no final do ano.

Reportagem TV Globo

2 – Coritiba 3-2 Vasco, 2011. Primeira das duas decisões que o Coxa fez na Copa do Brasil entre 2011 e 12. Pelo ineditismo (os títulos nacionais do Coxa sempre foram ganhos fora de casa), pela emoção e pelos 5 gols, a decisão mais marcante do clube em casa.

1 – Brasil 2-0 Chile, 2001. Mal nas eliminatórias, a Seleção Brasileira procurou refúgio no Sul do País (depois ainda foi à Porto Alegre) e o Couto Pereira recebeu o jogo que simboliza a arrancada rumo ao Penta. Edilson e Rivaldo marcaram.

https://www.youtube.com/watch?v=Wv0b9Q8FjBI&playnext=1&list=PL700C050025F6A887&feature=results_main

Clique para ver o jogo completo (qualidade ruim)

Feita para Brasil e Argentina. Especialmente Argentina.

Messi: a Copa América é pra ele; avisem o Neymar.

Rebaixamento do River Plate; crise financeira e política; dezoito anos sem ganhar título importante; o melhor jogador do Mundo tentando ser ídolo em casa. É… a Copa América 2011 foi feita para a Argentina. E para o Brasil ser o coadjuvante dela.

Dê uma olhada na tabela aqui. Note que, prevendo alguma dificuldade, os cruzamentos colocam até mesmo os segundos colocados dos Grupos A e B em chave distintas dos primeiros. Se Brasil ou Argentina tropeçarem no caminho, ainda assim, só se verão na decisão – salvo se um deles se classificar muito mal, como segundo ou terceiro melhor terceiro colocado no geral.

Eles querem a decisão conosco, no Monumental de Nuñez, casa cheia, brilho de Messi e título argentino. Do lado de cá, três grandes esperanças: Neymar, que realmente começa a trilhar a estrada de Pelé; Ganso, um craque acima da média (porque não um novo Zico?); e Lucas, outro cracasso, que poderia nos remeter a Rivellino. Não é um time qualquer, se Mano Menezes acertar a máquina.

E nós, paranaenses, temos ainda dois orgulhos: Adriano e Jadson. Eu vi os dois começarem na dupla Atletiba e viverem grandes momentos por aqui. Um é esse aqui de baixo: a primeira convocação de Adriano, ainda no Coxa. A reportagem é e um dos homens mais bonitos que eu conheço:

Adriano demorou, mas chegou ao Barcelona. É orgulho coxa-branca, craque curitibano que pra quem não sabe, começou no futsal do Paraná Clube – mas um da escolinha tricolor.

O outro é um dos gênios que vi de perto, no melhor Atlético de todos os tempos (pra mim, obviamente) que, para tristeza dos rubro-negros, não foi campeão. Mas provou que grandes times (como a Seleção 82) não vivem só de títulos. Jadson foi genial com a 10 atleticana e é idolatrado também no Shakthar Donetsk. Os lances a seguir explicam o porquê:

Imagino a saudade atleticana ao ver o vídeo acima. Enfim. Hoje ambos estarão lado a lado, pela amarelinha.Hoje não: domingo, contra a Venezuela -começando no banco, diga-se.

Muitos ainda me lembrarão que Alexandre Pato também é paranaense. Mas a única referência dele no nosso futebol é a foto abaixo, ainda criança. Para nosso azar, que só vimos ele brilhar a distância, no Inter-RS.