Hulk contra o Mundo*

Há uma boa dose de preconceito nas críticas a Hulk na Seleção Brasileira. Críticas que estão diminuindo, é bem verdade. Mas há.

Não que seja um absurdo pedir Lucas na Seleção. Não é. Lucas é um ótimo jogador, adaptou-se rapidamente à Europa e raramente decepciona quando entra. O problema é que as críticas a Hulk vinham sendo vazias e sistemáticas. E aí entra o preconceito. Hulk pode ter sido o melhor jogador dos últimos jogos do Brasil, mas paga por nunca ter atuado em um clube do Rio ou de São Paulo.

É o mesmo que sofreu – e porque não dizer, sofre até hoje – o pentacampeão Kléberson, decisivo ao arrumar o time de Felipão em 2002 a partir do jogo contra a Bélgica. Kléberson é bicampeão brasileiro e o primeiro do País a jogar no Manchester United, mas é referência para chacota quando se quer criticar a Seleção de 2010. Hulk tem que enfrentar mais gente para ser reconhecido na Seleção. As críticas vêm, em sua grande maioria, de gente míope, que não enxerga o futebol longe de um certo nicho. Gente que questionava Jadson até chegar ao São Paulo, desconhecia Dante até o brilho do Bayern de Munique e se surpreenderá, anotem, com Fernandinho no Manchester City.

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Mas Hulk vem superando. Contra o Japão, foi importantíssimo, pois se movimenta muito, abrindo espaços. Prende bem a bola – não é habilidoso o suficiente para dribles -, tem visão de jogo e, além disso, faz algo que poucos jogadores brasileiros fazem: arrisca muito de fora da área. Característica de quem se fez no futebol do exterior.

Minha admiração por Givanildo – a identidade secreta de Hulk – vem de 2009, quando visitei Portugal e vi os lusitanos maravilhados com o que ele fazia pelo Porto. Os portugueses não entendiam como o Brasil não o convocava, cogitando até uma naturalização. Passei a prestar mais a atenção no jogador, que pelo porte físico parece mesmo mais um camisa 9, mas é um jogador de armação e de lado de campo. Neste ano, pelo Terra, vi uma temporada irregular no Zenit, nos jogos que transmitimos pelo Campeonato Russo. Muito por conta de ter sido uma das contratações mais caras da história: 153 milhões de dólares, o que incomodou alguns colegas.

Não é a toa que Real Madrid e Chelsea cogitam contratar Hulk. Basta um pouco de boa vontade e compreensão do futebol para ver que ele é, sim, um ótimo jogador. Pode ser titular, pode ser reserva, mas não pode deixar de servir à Seleção neste momento. Hulk vai quebrando a barreira, vencendo os míopes e firmando espaço.

Mas não irá curar aos que insistem em ver o futebol brasileiro entre o Tietê e Copacabana.

*Hulk contra o Mundo é uma série de HQs da Marvel em que o Gigante Verde, traído pelos amigos heróis, volta à Terra depois de um exílio forçado para vingar-se. E o faz em grande estilo.

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