Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

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Paraná, Paulistão e Botafogo mostram o futuro dos Estaduais

15 mil pessoas viram a virada do Londrina sobre o Atlético no Café

Muito se discute sobre o fim dos Estaduais. As questões são em cima do público, do calendário, das fórmulas cansativas. Para alguns, os Estaduais têm que acabar. 

A premissa está errada; não são os Estaduais que têm que acabar, é o modelo atual de disputa deles que tem que ser urgentemente mexido. E 2014 já deu o tom de como essa mudança deve ocorrer. A final do interior no Paraná. A chegada do Ituano à decisão em São Paulo. A eliminação do Botafogo no Rio. Coincidências que não deveriam passar disso, mas devem ser tratadas de forma diferente. 

Enquanto clubes como Flamengo, Atlético e Botafogo chegaram a levar 500 pessoas em alguns jogos, Londrina e Maringá jogaram para 30 mil pessoas nas semifinais do Paranaense. A vaga do Penapolense nas semifinais significou também a garantia da Série D e de calendário para o time de Penápolis; para o São Paulo, 21 vezes campeão paulista, não significou crise. Nem mesmo para o Corinthians, que bem ou mal ainda vive lua de mel com a torcida após uma era vitoriosa – as eliminações dos rivais amenizaram a pressão, que também foi suave para o Palmeiras. O Botafogo caiu no Carioca e ninguém se importou; para a Cabofriense, foi garantia de calendário. O Coritiba talvez tenha sido o mais pressionado pela eliminação precoce nos Estaduais, mas muito mais pelo fim de uma série vitoriosa. O conceito está mudando: para os grandes, ganhar o Estadual é legal, mas não é vital.

O Atlético iniciou o processo em 2013. Por motivos políticos e técnicos, colocou uma equipe “Sub-23” (de fato, um time com muitos jovens e outros pouco aproveitados nos profissionais) e ainda assim chegou à decisão, com direito a um 3 a 1 no time principal do Coxa no meio do caminho. Perdeu o título, mas as campanhas na Copa do Brasil e no Brasileirão apagaram a derrota. Muito se falou de como o preparo físico dos jogadores do Furacão, poupados de um longo estadual, ajudou em 2013. Para 2014, o Botafogo seguiu o caminho. Priorizou a Libertadores e nenhum Alvinegro se importou com a pior campanha de todos os tempos do Fogão no Carioca. Apesar da situação delicada na competição continental (fruto de outro tipo de desordem, esta nas finanças internas), ninguém duvida que a decisão foi acertada. O Grêmio, mais comedidamente, também deu costas ao Gauchão em muitos jogos e superou com folgas o “Grupo da Morte” na Libertadores. Ainda assim decide o título local com o Inter.

Não é novidade no futebol mundial. Poucos sabem, mas o Barcelona disputa o estadual da Catalunha, assim como o Bayern joga o estadual da Bavária. Ambos com times completamente reservas, formados por jovens que poderão ser utilizados no futuro nos times principais.

É verdade que Atlético-MG e Cruzeiro jogaram o estadual de Minas com força máxima e são os campeões da América e do Brasil. Mas também é verdade que o Mineiro é o mais enxuto de todos os Estaduais do País. Ainda assim, a final entre Galo e Raposa era prevista e, convenhamos, poderia ser antecipada. As rodadas classificatórias foram protocolares. Quem festejou mesmo em Minas foi o Boa Esporte, cada vez mais consolidado como quarta força mineira, com boas campanhas na B e em Minas Gerais. 

Os Estaduais interessam – e muito – para o interior, que tem neles a chance de fazer uma ponte para as divisões do Brasileiro. Para os grandes têm sido um atrapalho. Os torcedores dos grandes não sentem mais as derrotas, pensam muito mais nos confrontos internacionais ou mesmo interestaduais, os clássicos do Brasileirão. Enquanto isso, uma série de times fica sem calendário por 6, 7 meses, acompanhando futebol só pela televisão.

O raciocínio é simples: se um valoriza e outro despreza, que se atendam as demandas. Estaduais mais longos, como base de acesso ao Brasileirão, enquanto os grandes possam se programar para fazer frente aos desafios nacionais e internacionais. E a meritocracia vai estabelecer quais dos pequenos vão mudar de patamar ao longo dos anos. Londrina, Guarani, Juventude, Botafogo-SP, clubes que querem voltar a ter espaço e que precisam de mais atividade ao longo do ano, podem consolidar seus domínios locais sem desgastar a agenda dos clubes da Série A. Vale uma taça extra, como a Supercopa Gaúcha entre Inter e Pelotas? Vale. Uma grande festa de pré-temporada, entre o clube que venceu todos os demais do Estado contra uma força consolidada ao longo dos anos pelo domínio regional, talvez determinada pelo representante de melhor campanha no Brasileirão. Apenas uma ideia.

O fato é que para muitos torcedores dos times da elite nacional, perder o Estadual não tem mais impacto e ganhá-lo pode até ser ilusório. Com a concorrência de Real Madrid, Barcelona, Bayern e outros, os clubes grandes precisam mudar o mercado local. É fácil ligar a TV e ver os gigantes da Europa jogando. E o que impede uma criança brasileira de torcer para um destes, seguindo o mesmo raciocínio do sujeito que mora em cidades sem clubes de expressão e opta pelos grandes do Brasil, sem sequer ter pisado no estádio do seu clube do coração?

A mudança vai exigir paciência dos torcedores, que vão ter de entender que a rotina de levantar taças vai se tornar escassa. Clubes multicampeões estaduais vão ter que, por vezes, se contentar com uma vaga na Libertadores. Só um será campeão do Brasileirão por ano, com outro vencendo a Copa do Brasil.

Mas convenhamos: para o Ituano, ser campeão paulista será um feito histórico; para o Santos, bem conversado, estar na Libertadores seria mais festivo do que vencer o 21o paulista.

O último jogo de Bellini

Conta o amigo Jogger Kaminski:

Atletiba, o último jogo de Bellini.

Fez sua última partida em 20 de Julho de 1969 em um clássico Atletiba no velho Joaquim Américo, na mesma data em que o homem pisou na Lua pela primeira vez. O jogo ficou no 0x0 e o Coritiba já havia sido campeão antecipado. Encerrado o tempo regulamentar, 0x0, as duas equipes juntas aplaudiram o craque que, tirando a camisa mas conservando-a na mão, deu uma volta inteira no campo. Muitos viram as lágrimas fartas correrem-lhe pelo rosto, iguais às das duas torcidas que, gratas estavam por terem tido Bellini por dois anos no Paraná, aplaudindo, não tinham vergonha do pranto que choravam.

O livro “Futebol do Paraná, 100 anos de história”, de Heriberto Machado e Levi Mulford, completa: “Era a última vez que Bellini, bicampeão mundial de futebol, vestia a camisa Rubro-Negra. Depois de 2 anos defendendo o Atlético, o grande capitão despedia-se dos campos esportivos”. Bellini chegara ao Atlético em 1968, depois de uma revolução causada pelo então presidente Joffre Cabral, que levara ele e Djalma Santos, entre outros, para tentar acabar com um incômodo jejum de títulos desde 1958 – ano no qual Bellini imortalizou o gesto de levantar a taça, visto a partir dali em qualquer decisão, seja na Champions League, seja na pelada do bairro. A meta só seria atingida dois anos depois, em 1970, com Djalma Santos ainda jogando. Bicampeão, o Coritiba que enfrentou o Atlético de Bellini tinha Paulo Vecchio e Krüger.

Alex 1000 jogos: o Top 5

Idolatrado pelos turcos, amado por palmeirenses, cruzeirenses e coxas-brancas, respeitado por todos os outros, Alex completará nesta quarta-feira 1000 jogos como profissional. O adversário será o J. Malucelli, pelo Campeonato Paranaense. Desde que estreou, em 1995, Alex foi protagonista em vários jogos. O blog se propõe a lembrar alguns, num Top 5 dos mais importantes.

#5: 13 de dezembro de 1995, Coritiba 3-0 Atlético, Série B

Com apenas 18 anos, o menino nascido em Colombo realizava seu grande sonho: jogar uma partida decisiva contra o maior rival do seu time do coração. E Alex brilhou. Com o Coxa precisando da vitória para se juntar ao Furacão na elite brasileira em 1996, Alex conduziu o time a um 3 a 0 incontestável. Abriu o placar e deu assistência fundamental para que Pachequinho, então o grande ídolo do clube na época, fechasse a contagem. O Coritiba estava de volta à Série A do Brasil após uma sequência de anos difíceis.

#4: 16 de maio de 2012, Fenerbahçe 4-0 Bursaspor-TUR, Copa da Turquia

O Fenerbahçe não vencia a Copa da Turquia há 29 anos. Alex tratou de acabar com essa escrita em um jogo com atuação de gênio. Além de dar o passe para três gols, fechou a conta deixando o seu também. Campeão turco três vezes, faltava a taça da Copa do currículo do meia que, não a toa, ganhou até estátua dos fanáticos torcedores do Fener.

#3: 8 de junho de 2003, Flamengo 1-1 Cruzeiro, Copa do Brasil

Era o jogo de ida da final da Copa do Brasil. O Maracanã estava lotado, com aquela atmosfera pró-Flamengo. O Cruzeiro já havia ganho o Campeonato Mineiro e começava a mostrar que ninguém o alcançaria no Brasileirão. Mas a Copa tinha outro regulamento, outro formato. Com um inesquecível gol de letra, Alex colocou a Raposa na frente. O Flamengo empataria, mas o resultado com gol qualificado deu a tranquilidade que o Cruzeiro precisava para conquistar o segundo dos três títulos daquele ano (3-1 no Mineirão), com inúmeras atuações de gala de Alex.

#2: 26 de maio de 1999, Palmeiras 3-0 River Plate-ARG, Copa Libertadores

O Palmeiras estava embaladíssimo. O time de Roque Júnior, Oséas, Paulo Nunes e Marcos, entre outros, havia despachado o Corinthians na fase anterior. Em Buenos Aires, o River fez 1-0. No jogo de volta era preciso vencer sem levar gols. O jogo no Parque Antartica começou tenso, mas Alex, com um golaço de fora da área, tratou de acalmar as coisas para o Palestra. Roque Júnior faria o segundo e o River se lançaria ao ataque. Um gol eliminaria o Palmeiras. Mas Alex, de novo, tratou de por os pingos nos is, fechando o placar. O Palmeiras avançaria até a final, na qual seria campeão sobre o Deportivo Cali, da Colômbia.

#1: 26 de janeiro de 2013, Coritiba 1-1 Colón-ARG, Amistoso

Um jogador que tem estátua na Turquia, campeão da América pelo Palmeiras, do Brasil pelo Cruzeiro, com inúmeros golaços com as camisas verde, azul e amarela – também da Seleção – teria como jogo principal na carreira um amistoso de pré-temporada, no qual nem gol fez? A resposta é sim. Com todo esse currículo e procurado pelos dois clubes nos quais mais brilhou no Brasil, Alex optou por voltar ao clube do coração. Não se tratava de dinheiro, de jogar ou não a Libertadores. Alex queria jogar no Coritiba. Recusou, educadamente, todas as propostas e voltou ao Coxa. O jogo com o Colón teve alguns lampejos do velho Alex e por pouco não acabou em derrota. Não importava; para toda uma geração, o que realmente importava era ver Alex de volta no Coxa. Algo que tem mais peso que dinheiro ou mais valor que muitas conquistas: um ídolo que optou pelo seu clube por um desejo sincero. Alex confirmou ser o que é naquele 26 de janeiro.

‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.

 

 

Os 7 pecados e a decadência do Coritiba

Alex sofre, Coritiba agoniza: sete pecados que podem custar muito caro

Como pode um clube que deu bons exemplos de organização e esteve a pique de alçar vôos mais altos, com duas finais de Copa do Brasil, despencar tanto em uma temporada a ponto de ainda ser a 3a equipe que mais rodadas liderou esse Brasileirão, atrás apenas de Cruzeiro e Botafogo, e amargar uma possibilidade real de rebaixamento?

Perto da Zona de Rebaixamento faltando três rodadas para o fim, o Coxa revive os pesadelos de 2005 e 2009, quando caiu sem entender bem como, quando e por quê houve a decadência. Assim sendo, enquanto ainda é tempo (ainda é?), o blog propõe um ensaio sobre os sete pecados na temporada do Coritiba até aqui. Se só a fé pode salvar, ainda há tempo de se arrepender.

1 – Gula

Tetracampeão paranaense, duas vezes consecutivas finalista da Copa do Brasil, líder do Brasileiro 2013 durante toda a Copa das Confederações e com a perspectiva de disputar a Copa Sulamericana para tentar um título internacional. O Coritiba quis abraçar o Mundo, mas não tinha elenco para isso. Trouxe o ídolo Alex de volta, mas não conseguiu segurar peças chave como Rafinha, Emerson e Everton Ribeiro, como já acontecera com Leandro Donizete. Atropelou no Estadual e se viu em meio ao Brasileiro com mais de 10 jogadores importantes no departamento médico, como Leandro Almeida, Júnior Urso e Deivid. Faltou planejamento e dinheiro para tanta fome.

2 – Avareza

Depois da questionável decisão de demitir Marquinhos Santos e o diretor de futebol Felipe Ximenes, o Coxa deixou o segundo cargo vago e não quis gastar além da conta com técnicos mais experientes como Caio Júnior ou Celso Roth. Apostou em Péricles Chamusca, demitido neste domingo, e que chegou revelando que faria uma também aposta em sua permanência para 2014, pensando em um bom contrato só se salvar o time. Com Chamusca, 7 derrotas e um empate em 11 jogos. Ainda que o próprio seja o menos culpado, já tem sua parcela de colaboração na crise. O técnico chegou a dizer que deixaria o time pronto em três semanas – não conseguiu -, mas tempo é artigo de luxo. As renovações com os jogadores citados acima poderiam entrar na conta, mas vale lembrar que os próprios atletas muitas vezes têm o desejo de respirar novos ares.

3 – Inveja

“A culpa é do Atlético”, disparou o presidente Vilson Ribeiro de Andrade ao analisar a pressão que o time, ainda na 8a posição, sofria da própria torcida que via o rival entre os 4 melhores do campeonato e na final da Copa do Brasil. A declaração do dirigente deu o tom da preocupação coritibana com o vizinho – que no começo da temporada viveu situação inversa. A cada resultado cruzado, o Coxa se via mais longe do topo e convivia com a flauta dos rivais, ao invés de se preocupar mais em estancar a sangria.

4 – Cobiça

Depois da ascensão de 2009 pra cá, com reforma no Couto Pereira, aquisição de terreno para um novo CT e a revitalização da imagem do clube, não foram poucos os interessados em assumir o Coritiba. O cargo ocupado por Vilson Ribeiro de Andrade passou a ser cobiçado por vários grupos, que se movimentaram para tentar aproveitar o momento do clube, cada qual à sua maneira. Como consequência, Ribeiro perdeu aliados importantes, como Ernesto Pedroso, e teve que buscar refúgio até na torcida organizada, afastada do dia a dia do clube desde os episódios em Coritiba x Fluminense. Não só isso: a pressão interna para demitir Felipe Ximenes, que pensava o futebol alviverde, foi enorme.

5 – Luxuria

A vida particular de cada jogador não diz respeito à imprensa (à ninguém, na verdade). Mas as críticas da torcida em cima de alguns nomes do elenco, que supostamente estariam dando mais prioridade à badalada noite curitibana, só acirraram mais os ânimos dentro do clube. A ponto do atacante Bill, um dos mais cobrados – e fotografados – pelo comportamento extra-campo, discutir com torcedores logo após uma substituição. Mais tarde, pediu desculpas pelo destempero.

6 – Vaidade

Teria a liderança precoce do Coritiba enebriado o elenco alviverde? Comparações com o ano de 1985, quando foi campeão brasileiro, e a (natural) empolgação da torcida podem ter superestimado a capacidade do time. Que, em alguns momentos, dava motivos para acreditar, com as boas atuações de Alex. Ainda era cedo. A liderança escapou, o G4 escapou e a empolgação se tornou preocupação.

7 – Ira

Muro do Couto Pereira pichado com ameaças após a derrota para o Flamengo

Como em 2009, já circulam pela internet ameaças de invasão de campo e agressão a jogadores, em caso de nova queda. Em todos os anos em que um clube campeão brasileiro caiu, houve episódio de enfrentamento entre torcedores e jogadores ou dirigentes. Em nenhum deles a pressão colaborou, apesar da cena se repetir ano após ano.

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