Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

Paraná, Paulistão e Botafogo mostram o futuro dos Estaduais

15 mil pessoas viram a virada do Londrina sobre o Atlético no Café

Muito se discute sobre o fim dos Estaduais. As questões são em cima do público, do calendário, das fórmulas cansativas. Para alguns, os Estaduais têm que acabar. 

A premissa está errada; não são os Estaduais que têm que acabar, é o modelo atual de disputa deles que tem que ser urgentemente mexido. E 2014 já deu o tom de como essa mudança deve ocorrer. A final do interior no Paraná. A chegada do Ituano à decisão em São Paulo. A eliminação do Botafogo no Rio. Coincidências que não deveriam passar disso, mas devem ser tratadas de forma diferente. 

Enquanto clubes como Flamengo, Atlético e Botafogo chegaram a levar 500 pessoas em alguns jogos, Londrina e Maringá jogaram para 30 mil pessoas nas semifinais do Paranaense. A vaga do Penapolense nas semifinais significou também a garantia da Série D e de calendário para o time de Penápolis; para o São Paulo, 21 vezes campeão paulista, não significou crise. Nem mesmo para o Corinthians, que bem ou mal ainda vive lua de mel com a torcida após uma era vitoriosa – as eliminações dos rivais amenizaram a pressão, que também foi suave para o Palmeiras. O Botafogo caiu no Carioca e ninguém se importou; para a Cabofriense, foi garantia de calendário. O Coritiba talvez tenha sido o mais pressionado pela eliminação precoce nos Estaduais, mas muito mais pelo fim de uma série vitoriosa. O conceito está mudando: para os grandes, ganhar o Estadual é legal, mas não é vital.

O Atlético iniciou o processo em 2013. Por motivos políticos e técnicos, colocou uma equipe “Sub-23” (de fato, um time com muitos jovens e outros pouco aproveitados nos profissionais) e ainda assim chegou à decisão, com direito a um 3 a 1 no time principal do Coxa no meio do caminho. Perdeu o título, mas as campanhas na Copa do Brasil e no Brasileirão apagaram a derrota. Muito se falou de como o preparo físico dos jogadores do Furacão, poupados de um longo estadual, ajudou em 2013. Para 2014, o Botafogo seguiu o caminho. Priorizou a Libertadores e nenhum Alvinegro se importou com a pior campanha de todos os tempos do Fogão no Carioca. Apesar da situação delicada na competição continental (fruto de outro tipo de desordem, esta nas finanças internas), ninguém duvida que a decisão foi acertada. O Grêmio, mais comedidamente, também deu costas ao Gauchão em muitos jogos e superou com folgas o “Grupo da Morte” na Libertadores. Ainda assim decide o título local com o Inter.

Não é novidade no futebol mundial. Poucos sabem, mas o Barcelona disputa o estadual da Catalunha, assim como o Bayern joga o estadual da Bavária. Ambos com times completamente reservas, formados por jovens que poderão ser utilizados no futuro nos times principais.

É verdade que Atlético-MG e Cruzeiro jogaram o estadual de Minas com força máxima e são os campeões da América e do Brasil. Mas também é verdade que o Mineiro é o mais enxuto de todos os Estaduais do País. Ainda assim, a final entre Galo e Raposa era prevista e, convenhamos, poderia ser antecipada. As rodadas classificatórias foram protocolares. Quem festejou mesmo em Minas foi o Boa Esporte, cada vez mais consolidado como quarta força mineira, com boas campanhas na B e em Minas Gerais. 

Os Estaduais interessam – e muito – para o interior, que tem neles a chance de fazer uma ponte para as divisões do Brasileiro. Para os grandes têm sido um atrapalho. Os torcedores dos grandes não sentem mais as derrotas, pensam muito mais nos confrontos internacionais ou mesmo interestaduais, os clássicos do Brasileirão. Enquanto isso, uma série de times fica sem calendário por 6, 7 meses, acompanhando futebol só pela televisão.

O raciocínio é simples: se um valoriza e outro despreza, que se atendam as demandas. Estaduais mais longos, como base de acesso ao Brasileirão, enquanto os grandes possam se programar para fazer frente aos desafios nacionais e internacionais. E a meritocracia vai estabelecer quais dos pequenos vão mudar de patamar ao longo dos anos. Londrina, Guarani, Juventude, Botafogo-SP, clubes que querem voltar a ter espaço e que precisam de mais atividade ao longo do ano, podem consolidar seus domínios locais sem desgastar a agenda dos clubes da Série A. Vale uma taça extra, como a Supercopa Gaúcha entre Inter e Pelotas? Vale. Uma grande festa de pré-temporada, entre o clube que venceu todos os demais do Estado contra uma força consolidada ao longo dos anos pelo domínio regional, talvez determinada pelo representante de melhor campanha no Brasileirão. Apenas uma ideia.

O fato é que para muitos torcedores dos times da elite nacional, perder o Estadual não tem mais impacto e ganhá-lo pode até ser ilusório. Com a concorrência de Real Madrid, Barcelona, Bayern e outros, os clubes grandes precisam mudar o mercado local. É fácil ligar a TV e ver os gigantes da Europa jogando. E o que impede uma criança brasileira de torcer para um destes, seguindo o mesmo raciocínio do sujeito que mora em cidades sem clubes de expressão e opta pelos grandes do Brasil, sem sequer ter pisado no estádio do seu clube do coração?

A mudança vai exigir paciência dos torcedores, que vão ter de entender que a rotina de levantar taças vai se tornar escassa. Clubes multicampeões estaduais vão ter que, por vezes, se contentar com uma vaga na Libertadores. Só um será campeão do Brasileirão por ano, com outro vencendo a Copa do Brasil.

Mas convenhamos: para o Ituano, ser campeão paulista será um feito histórico; para o Santos, bem conversado, estar na Libertadores seria mais festivo do que vencer o 21o paulista.

‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.

 

 

Se fosse ‘mata-mata’, Brasileirão teria São Paulo rebaixado e Grêmio na vantagem contra o Cruzeiro

Grêmio, com 14 pts a menos, poderia perder por 0-1 para o Cruzeiro para ser campeão

Atenção defensores do ‘mata-mata’ no Brasileirão: domingo tem final do campeonato de 2013 e o Cruzeiro só ficará com a taça se vencer o Grêmio por 2-0. Isso no exercício proposto pelo blog: e se o Brasileirão fosse ‘mata-mata’ e não pontos corridos?

Bem, ressalto que gosto dos ‘matas-matas’, tanto é que temos a Copa do Brasil pegando fogo nessa reta final para atender esse anseio. Mas, para aqueles que acham que essa fórmula também deveria ser usada no Brasileirão – não é o meu caso -, como foi até 2002, uma novidade: em tese, o campeonato não seria tão diferente assim do que vemos. Na semana em que podemos ter o campeão de 2013 definido, teremos também o confronto que seria a final naquele formato, se usarmos os resultados dos confrontos entre os times como uma (concreta) base para a suposição. Possívelmente teríamos os mesmos times na Libertadores e grandes chances de repetirmos também o campeão; já na ZR, modificações importantes. 

Abaixo, a tabela do campeonato ao final do 1o turno, o que equivaleria à fase classificatória no formato antigo.

No mata-mata, as arrancadas de São Paulo e Goiás não aconteceriam

Ao invés de dois cariocas, três paulistas estariam na pior: São Paulo e Portuguesa acabariam rebaixados para a Série B 2014, ao lado de Ponte Preta e do já rebaixado Náutico. O G8 deixaria de fora o Goiás (que está fora também do G4, ao menos enquanto esse artigo é escrito) e o Coritiba, pela gordura acumulada nas primeiras rodadas, quando chegou a liderar a competição, estaria dentro. O Corinthians, de um 2o turno péssimo, estaria entre os finalistas. E o G4 seria o mesmo, mudando a ordem apenas – novamente, ao menos enquanto esse artigo é escrito. 

OS CONFRONTOS

Definida a primeira fase, teríamos a fase de quartas de final com quatro confrontos. Para efeito de simulação, usei os resultados dos dois jogos entre as equipes, levando em consideração o regulamento antigo: o time de melhor campanha joga a segunda em casa e por dois resultados iguais. Aproveitei também para levantar os públicos de cada jogo, com ressalvas comentadas. A presença de público nos estádios é uma das críticas aos detratores dos pontos corridos, mas perceberemos que jogo bom leva público de qualquer jeito.

A série então ficaria assim:

Cruzeiro, Grêmio, Botafogo e Atlético Paranaense: protagonistas em qualquer formato

OS JOGOS:

O Coritiba recebeu o Cruzeiro no Couto Pereira no 2o turno no Campeonato Brasileiro e venceu por 2-1 (30a rodada), com um pênalti polêmico marcado para a Raposa. Esse seria na verdade o 1o jogo das quartas entre os times – a melhor campanha sempre decidindo em casa. O Coxa levaria a vantagem do empate para BH, mas, nesse exercício, o jogo no Mineirão seria decidido – como foi – por Luan, que marcou o gol solitário no 1-0 celeste (11a rodada). Os jogos tiveram bons públicos: 25.108 pessoas estiveram no Mineirão e 14.402 foram ao Couto Pereira. O Cruzeiro avançaria para pegar o Atlético Paranaense.

O Atlético enfrentaria o Corinthians e, como já virou regra quando se trata do campeão do Mundo 2012, foram dois empates. Em Mogi-Mirim, punido com uma perda de mando, o Timão recebeu o Furacão em um jogo em que criou pouco e viu o adversário ser melhor, mas segurou o 0-0 (27a rodada). Com isso, só a vitória classificaria os paulistas em Curitiba. No jogo da Vila Capanema, novo empate: 1-1 (8a rodada), com Alexandre Pato salvando o Corinthians da derrota debaixo de muita chuva. Foi o primeiro jogo de Vagner Mancini no Rubro-Negro, que sairia dali para o G4. O público em Mogi foi de 15.581 pessoas; sem a Arena – em obras para a Copa 2014 -, o Atlético mandou o jogo na Vila para 6.799 pagantes.

Na outra chave, o Botafogo não tomou conhecimento do Santos nos dois confrontos diretos. Com grande atuação de Elias, o Fogão quebrou uma invencibilidade de mais de um ano do Peixe na Vila (21a rodada), ainda com Muricy Ramalho no banco. O “jogo de volta” (2a rodada) aconteceu em Volta Redonda, por conta do uso do Maracanã pela Fifa. Novo 2-1 para os cariocas, selando a suposta vaga para as semis. Na Vila Belmiro, 11.301 pessoas viram o duelo alvinegro, contra apenas 2.344 pessoas no jogo de Volta Redonda – o menor público desta suposta série.

O confronto que mais chamaria a atenção nas quartas de final sem dúvida seria o Grenal. Grêmio e Internacional mediriam forças pela semifinal e dois empates levariam o Grêmio, pela melhor campanha, para as semis. O primeiro jogo da série seria, por coincidência como todos acima, no 2o turno. Em Caxias, o Inter abriu o placar, permitiu a virada e buscou o empate contra o Grêmio, 2-2 (30a rodada). No primeiro clássico da Arena tricolor, foram três expulsões com Barcos e Leandro Damião marcando os gols do 1-1 (11a rodada). Na Arena, 37.434 pessoas viram o duelo; em Caxias, com o Beira-Rio em reformas para a Copa 2014, foram 15.273.

Nas semis, Cruzeiro x Atlético Paranaense e Grêmio x Botafogo, os times que mais estiveram no G4 nesse Brasileirão.

O Furacão recebeu o Cruzeiro na Vila Olímpica do Boqueirão numa quarta à tarde e abriu 2-0 (2a rodada), mas cedeu o empate. Com isso precisaria de uma vitória no Mineirão, na volta (21a rodada). Mas um gol de Nilton definiu o placar de 1-0 para a Raposa, finalista nessa suposição. Os públicos: 30.210 no Mineirão e 3.366 na Vila Olímpica.

Na outra chave, o Grêmio ficaria com a vaga após vencer duas vezes o Botafogo: 2-1 na Arena, com golaço de Seedorf e dois gols de Vargas (7a rodada) e 1-0 no Rio, com um homem a menos e um golaço de Alex Telles (26a rodada). O público em Porto Alegre foi de 28.014 enquanto que 14.418 foram ao Maracanã.

A grande decisão seria no próximo domingo (10/11) no Mineirão. E o Cruzeiro precisaria fazer 2-0 para ser campeão. Isso porque no “jogo de ida” (14a rodada) o Grêmio fez um expressivo 3-1 na Raposa – uma das seis derrotas mineiras no campeonato. O Cruzeiro jogava bem e até mandava na partida, com as melhores chances. Até que Everton Ribeiro perdeu um pênalti, defendido por Dida, e teve Souza expulso. Aí Barcos, Kléber e Werley brilharam, com Nilton marcando para a Raposa. A 1a final foi vista por 16.529 pessoas. A segunda, no próximo domingo, promete quebrar o recorde de público do Novo Mineirão, num desafio contra o Atlético-MG, que levou 56.577 pessoas na final da Libertadores 2013.

Nota-se que os públicos melhoraram no 2o turno, o que mostra o aspecto cultural do torcedor, de “só ir quando vale” – embora todos os jogos tenham o mesmo peso. Evidentemente, como pode-se ver por exemplo na Copa do Brasil, mesmo os jogos com públicos menores nesse exercício teriam mais apelo na fase final. Os jogos seriam todos parelhos – à exceção das duas vitórias do Botafogo sobre o Santos e do Grêmio sobre o Botafogo, séries equilibradas.

Para os defensores do mata-mata no Brasileirão, uma conclusão: a cada rodada, uma decisão nos pontos corridos. Basta entender isso antes de ficar fazendo contas nas rodadas finais.

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Por que o [coloque o nome do seu time aqui] vai ganhar a Copa do Brasil

Quem vai levar a Copa do Brasil 2013? O blog apresenta as razões pelas quais você deve confiar que será o seu time – ou se preocupar, se for torcedor rival. Comente abaixo!

O Flamengo vai ser o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é time de chegada, cresce na reta final – que o diga o Botafogo – embalado pela torcida que tem os dois melhores públicos da competição. Venceu a Copa em duas ocasiões (1990 e 2006), derrotando o adversário da semi na primeira final. Vive um novo momento com Jayme de Almeida, que conhece bem o elenco, sendo um técnico “prata da casa”. E tem Hernane, o Brocador, artilheiro da competição com 6 gols em grande fase.

Pra chegar até aqui: 10jgs – 8v – 1e – 1d – 19gp – 6gc

1-0 Remo-PA (F)

3-0 Remo-PA (C)

2-1 Campinense-PB (F)

2-1 Campinense-PB (C)

2-0 ASA-AL (F)

2-1 ASA-AL (C)

1-2 Cruzeiro-MG (F)

1-0 Cruzeiro-MG (C)

1-1 Botafogo-RJ (N)

4-0 Botafogo-RJ (N)

 

No Brasileirão 2013 contra o Goiás em casa: jogo será realizado no dia 09/11, entre as duas partidas da Copa.

Na história da Copa contra o Goiás: 1 vitória e 1 empate

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

2-2 Atlético (F)

2-4 Atlético (C)

0-1 Grêmio (C)

x Grêmio em 17/11 (F)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Atlético: nunca enfrentou

Grêmio: 4v – 5e – 3d

O Goiás será o campeão da Copa do Brasil 2013 porque é o time que mais cresceu no Brasileirão, tendo vencido suas últimas 5 partidas na competição. Tem estutura e quer ganhar seu primeiro título nacional de primeira linha – tem duas Séries B, a última ano passado. Tem Walter, um dos melhores jogadores do País na temporada. É um dos seis times que ainda não trocou de técnico na Série A E já eliminou duas equipes cariocas na Copa, Fluminense e Vasco.

Pra chegar até aqui: 9jgs – 6v – 1e – 2d – 17gp – 9gc

3-1 Oratório-AP (F)

3-2 Santo André-SP (F)

1-0 Santo André-SP (C)

3-0 ABC-RN (C)

1-1 ABC-RN (F)

0-1 Fluminense-RJ (F)

2-0 Fluminense-RJ (C)

2-1 Vasco-RJ (C)

2-3 Vasco-RJ (F)

No Brasileirão contra o Flamengo em casa: 1-1 na 14a rodada.

No Serra Dourada contra o Flamengo em jogos oficiais: 5v – 10e – 4d

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

0-2 Atlético (F)

3-0 Atlético (C)

2-0 Grêmio (C)

x Grêmio em 01/12 (F)

Na Copa contra o provável finalista:

Atlético: nunca enfrentou

Grêmio: nunca enfrentou

O Atlético vencerá a Copa do Brasil 2013 porque é o clube que mais se preparou para isso, tendo poupado o elenco principal do desgastante Estadual. Mesmo sem a Arena, joga no alçapão da Vila Capanema, estádio que permite a pressão da fanática torcida rubro-negra. Tem Ederson, o artilheiro do Brasileirão e o técnico Vagner Mancini, um dos treinadores* na disputa que já venceu a Copa do Brasil, em 2005, pelo Paulista de Jundiaí. Demonstra muita regularidade ao estar há 14 rodadas no G4 da Série A. E tem a oportunidade de ver o ídolo Paulo Baier levantar um título de expressão para o Furacão, antes de se aposentar.

Pra chegar até aqui: 9jgs – 5v – 3e – 1d – 15gp – 5gc

1-0 Brasil-RS (F)

2-0 Brasil-RS (C)

6-2 América-RN (F)

0-0 Paysandu-PA (F)

2-1 Paysandu-PA (C)

0-1 Palmeiras-SP (F)

3-0 Palmeiras-SP (C)

1-1 Inter-RS (F)

0-0 Inter-RS (C)

No Brasileirão contra o Grêmio em casa: 1-1 na 6a rodada

Como mandante contra o Grêmio (1959-2013): 7v – 10e – 6d

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

2-2 Flamengo (C)

4-2 Flamengo (F)

2-0 Goiás (C)

0-3 Goiás (F)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Flamengo: nunca enfrentou

Goiás: nunca enfrentou

O Grêmio vai ganhar a Copa do Brasil 2013 porque é o maior bicho-papão deste torneio: 4 títulos em 7 finais, com outras 3 semis. Conta no banco com Renato Portaluppi (Gaúcho, pra quem não é do RS), maior ídolo da sua história. Quer coroar o ano de estreia na Arena Grêmio com um título nacional e voltar à Libertadores para compensar a decepção com o time milionário de Luxemburgo neste ano. Se precisar de pênaltis, tem Dida, o paredão que classificou a equipe contra o Corinthians.

Pra chegar até aqui*: 4jgs – 1v – 2e – 1d – 2gp – 1gc

0-1 Santos-SP (F)

2-0 Santos-SP (C)

0-0 Corinthians-SP (F)

0-0 Corinthians-SP (C) – Pênaltis: 3-2

*entrou na fase de 8as de final por ter disputado a Libertadores

No Brasileirão contra o Atlético em casa: 1-0 na 25a rodada

Na Copa contra o Atlético: 1 vitória e 1 empate

No Brasileirão 2013 contra o provável finalista:

1-0 Flamengo (F)

x Flamengo em 17/11 (C)

0-2 Goiás (F)

x Goiás em 01/12 (C)

 

Na Copa contra o provável finalista:

Flamengo: eliminou-o em 89, 93 e 95 na semi, venceu-o na final de 97

Goiás: nunca enfrentou

*Renato ganhou a Copa pelo Fluminense em 2007, alerta e corrige um leitor.

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Pato treinou assim. Mas esse não é o problema.

Pato: o problema não é o pênalti

Fico com o testemunho da repórter do Terra Camila Srougi, que na terça-feira (22) acompanhou o treino do Corinthians ao vivo aqui no Terra: Alexandre Pato treinou cobranças de pênalti exatamente como cobrou contra o Grêmio. E o problema, todos sabem, não é a cobrança, o jeito ou a eliminação.

Camila viu, mas não pôde filmar, a pedido de Tite. Pato cobrou no treino exatamente da mesma maneira que no jogo, quando Dida pegou. Os goleiros eram Danilo e Walter, que no jogo pegou duas. A bola entrou, conta Camila, que ainda comentou com o cinegrafista do Terra, Josué Rabelo: “Que marra!” No geral, as cobranças de Pato não foram boas. Perdeu mais que acertou, batendo uma ainda na trave. Mas ninguém o recriminou no treino, da forma como o crucificam agora.

O problema, repito e explico, não é a perda. É a apatia.

Alexandre Pato foi a contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Marcou aquilo que pode ser o início de uma era na contramão do que estamos acostumados, com craques saindo e voltando só próximos a aposentadoria. No entanto, sua postura apática em entrevistas, como se a vida passasse ao largo de seus olhos, como se nada realmente importasse, é o que faz com que se tente crucificar Pato nesse momento, especialmente em um clube inflamado como é o Corinthians. Pato parece não ter sangue, parece não ter sentimentos. E é isso que incomoda na realidade.

O Corinthians é o atual campeão do Mundo, não nos esqueçamos. É também o clube brasileiro que mais fatura, que mais recebe, que mais movimenta dinheiro. Pressupõe-se que não possa perder. Mas pode. Do outro lado estava o Grêmio, que dispensa apresentações. Futebol é assim e ao condenar Tite, Pato e outros pelo “fracasso” do Timão, é preciso entender que outros 19 clubes na Série A também trabalham – sim, com menos recursos, mas é isso que gostamos no futebol, não?

Achar um “culpado” pela eliminação do Corinthians passa também pela presunção de que o clube paulista iria ganhar tudo. Já ganhou, o ciclo acabou, isso está cada dia mais claro. O problema, para os corintianos, é que o ícone escolhido para revitalizar as ambições do clube vive como se não tivesse nada a ver com isso. Como se estivesse assistindo um filme ruim numa sala de consultório de dentista, apenas esperando sua vez chegar. Pato ganhou fama e dinheiro muito cedo; títulos também. Vive o mal das novas gerações, automatizado, vitima até de um media-training que o coloca como um boneco falante de frases prontas.

Pato não é um demônio, como querem pintar hoje, após a perda de um pênalti que, sim, ele treinou como bater. Pato apenas é a apatia em forma de alto investimento no futebol. Pode acordar para a vida a partir de agora, quando é cobrado de todos os lados. Pode tentar ser o protagonista que se espera, salvar a vaga que deve perder na Seleção – cá entre nós, nem deveria ter a chance pelo que vem rendendo – para o ótimo Diego Costa.

Ou pode seguir como está, vendo a banda passar, até encerrar a carreira em algum clube de segunda linha, mergulhado no ostracismo.

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Equívoco da CBF beneficia Corinthians, Grêmio e Vasco na Copa do Brasil

Kléber, pendurado, e Barcos: exceção para os times da Libertadores

A valorização da Copa do Brasil com a volta das equipes que disputam a Libertadores foi uma ideia interessante da CBF. Porém, um equívoco na montagem do regulamento beneficiou os times que entram apenas na etapa de oitavas de final. Com a suspensão de jogadores prevista para cada terceiro cartão tomado na competição, Corinthians e Grêmio, da Libertadores, e Vasco, beneficiado pela presença obrigatória do São Paulo na Copa Sul-Americana levam vantagem sobre os demais adversários.

Com apenas dois jogos disputados, a única exceção do trio é Kléber. O “Gladiador” é o único dos 12 atletas do trio a estar pendurado. Nos outros cinco times, jogadores decisivos como D’Alessandro (Inter), Everton (Atlético), Walter (Goiás) e Lodeiro (Botafogo) podem desfalcar seus times na reta final, o que já acontecerá com Elias (Flamengo) e Bolívar (Botafogo) no primeiro jogo desta fase.

A solução seria zerar os cartões dos clubes a partir das oitavas, exceção feita aos que entrarem na fase suspensos. Por ora, para os times beneficiados, é aproveitar a oportunidade; para os demais, cuidado dobrado com faltas e reclamações.

Confira a lista dos advertidos:

Corinthians: Nenhum pendurado. Pato, Romarinho e Fábio Santos.

Grêmio: Kléber pendurado. Barcos, Matheus Biteco, Souza e Maxi Rodrigues amarelados.

Vasco: Um amarelo para Fagner, Santiago, Filipe Souto e Cris.

Atlético: Pendurados: Jonas, Pedro Botelho, Everton e João Paulo; mais 12 (Zezinho já cumpriu) levaram cartões.

Inter: D’Ale e Fabrício péndurados. Outros 11 (incluindo Damião) com cartão.

Goiás: Walter, Cícero, Hugo e Amaral com dois cartões. Mais 9 com cartão.

Botafogo: Lodeiro, Doria, Edilson, Gabriel pendurados e mais 11, incluindo Jefferson; Marcelo Mattos já cumpriu uma e Bolívar está suspenso contra o Fla.

Flamengo: Elias está suspenso, Renato estaria pendurado e mais 9 levaram cartão.

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Libertadores para todos: quem está na fila?

Galo campeão da Libertadores: quem quiser que pegue a senha

A piadinha recorrente entre os rivais era de que o Governo acertou em cheio ao lançar o programa “Libertadores para todos”, uma gozação com a longa espera de Corinthians e Atlético Mineiro em conquistar o título que os rivais já tinham. Campeão, o Galo já pensa no Mundial e desafia os interessados a tentarem no ano que vem. Dos 16 maiores clubes do Brasil, 10 já têm a cobiçada glória. Quem, portanto, estraria no “LPT” fictício? 

O Fluminense abre a lista de espera. Vice-campeão em 2008, quando perdeu para a LDU do Equador, o Flu é o atual campeão brasileiro e tem feito boas campanhas nos últimos anos. Namora com a taça – tem seis participações e foi sétimo neste ano – mas começou mal o Brasileirão 2013 e terá de suar para chegar à Libertadores por essa via. Por outro lado, está na Copa do Brasil – outrora o caminho mais curto.

Outro vice-campeão continental que está na fila é o Atlético Paranaense. Depois de perder a final de 2005 para o São Paulo, não repetiu as boas atuações e até amargou uma Série B em 2011. Teve três participações no torneio continental – a última, no mesmo 2005 – e neste ano está mal no Brasileirão. O Furacão, a exemplo do Flu, também tem a Copa do Brasil como atalho para a glória.

Terceiro colocado no distante ano de 1963, o Botafogo é mais um dos grandes na lista de espera. Disputou a Libertadores em três ocasiões, sendo a última em 1996. Está na briga pelo Brasileirão 2013 e também está na Copa do Brasil.

Quinto colocado em 1989, o Bahia é outro que aguarda sua senha no painel. Participou três vezes da competição, sendo a última exatamente no ano de sua melhor campanha. No Brasileirão, está no meio da tabela, mas terá um atalho diferente para voltar à Libertadores: a Copa Sulamericana. Quem sabe um título continental seguido do outro?

O Coritiba é outro campeão brasileiro à espera da taça continental. Sétimo colocado em 1986, quando disputou a competição como campeão brasileiro, participou também em 2004 e não mais voltou. Briga na parte de cima da tabela no Brasileirão 2013 e pode tentar a volta também via Copa Sulamericana.

A lista dos grandes ainda sem Taça Libertadores se fecha com o Sport. Foi 11o colocado em 2009, quando disputou pela segunda e última vez a competição. Está na Série B nesta temporada, mas, curiosamente, pode disputar a Libertadores 2014: para tanto, precisa ganhar a Copa Sulamericana, competição na qual está por conta dos novos critérios da CBF.

  • Jejum e repeteco

Se quem ainda não ganhou a competição está sedento, a vontade dos que já faturaram em repetir não é menor. Dos 10 clubes brasileiros campeões da Libertadores, o maior jejum é o do Flamengo, campeão pela única vez em 1981. O Grêmio, bicampeão em 1995, já podia ter saído da fila, mas perdeu a decisão de 2007 para o Boca Jrs. Curiosamente, na sequência do jejum, está outro bicampeão que perdeu final recentemente: o Cruzeiro, que levou em 1997 mas perdeu para o Estudiantes em 2009.

Campeão em 1998, o Vasco aumenta a fila dos jejuantes, seguido do Palmeiras, que poderia ter levado o bi entre 1999 e 2000, mas perdeu a segunda final. Um pouco menos impacientes estão os torcedores do São Paulo, tricampeão em 2005. Assim como os do Internacional, que levou o bicampeonato na primeira das quatro finais seguidas com brasileiros em 2010. Depois de um longo jejum – desde a Era Pelé – o Santos também não tem muito do que reclamar, campeão em 2011. O Corinthians, por sua vez, ainda está em lua de mel com a torcida pelo belo ano de 2012. E o do Atlético-MG… esse então, acha tudo isso aqui uma grande festa!

  • Menções honrosas

Dois clubes brasileiros não se encaixam no perfil acima, mas merecem menção pelas ótimas participações em Libertadores. Vice-campeão em 2002, o São Caetano não conseguiu se fixar entre os clubes mais fortes do Brasil, mas fez belas campanhas no início dos anos 2000, incluindo dois vices no Brasileirão e três participações na competição continental. Hoje patina na Série B.

Outro que tem história para contar na Libertadores é o Guarani. O Bugre foi terceiro colocado em 1979 e também jogou por três vezes a Libertadores, sendo a última em 1988. Atualmente disputa a Série C do Brasileirão.

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Brasileirão, a máquina de moer técnicos

O futebol brasileiro já tem as novas arenas, trabalha bem o marketing e cobra preços de show por espetáculos ainda não tão prazeirosos. É a modernização que já está quase toda implementada fora de campo. Resta só que ela passe para o lado de dentro.

Silas (Náutico), Guto Ferreira (Ponte), Jorginho (Flamengo), Wanderley Luxemburgo (Grêmio), Muricy Ramalho (Santos), Ney Franco (São Paulo) e mais recentemente Ricardo Drubscky (Atlético) são as vitimas das seis primeiras rodadas do Brasileirão. Conte bem: sete nomes para seis rodadas. E enquanto você lê esse texto, é possível que mais um ou dois estejam com a demissão pronta.

A troca de técnicos é a saída mais fácil para que uma direção encubra falhas e tente realinhar o desempenho do time. Evidentemente, ninguém erra de propósito. Mas é muito mais simples mandar um funcionário embora do que 30. Especialmente quando muitos dos 30 são na verdade patrimônio dos clubes. É melhor apelar para a velha “chicotada psicológica” do que assumir que errou no planejamento, na contratação. Azar dos técnicos, mas ruim mesmo para as finanças e o torcedor.

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Os clubes invariavelmente arcam com multas altas ou o compromisso de manter o salário do treinador em dia após a saída. Os que não o fazem, arrumam um processo trabalhista para o futuro. Alguns fazem nova troca logo em seguida, o que só aumenta o bolo. Responsabilidade zero. E pior: sem solucionar o real problema.

Começa na avaliação. Você, leitor, em qualquer segmento que atue, certamente já passou por processo de seleção na hora de contratar. Avaliação de currículo, testes, provas, até que o empregador se convença de que você é o profissional com perfil indicado para aquela necessidade. No futebol isso é solenemente ignorado. Raramente alguém inicia um trabalho do zero; é sempre para sair de uma crise, com negociações em tempo recorde, a toque de caixa. Muitas vezes o real problema – má gestão de grupo, ambiente ruim, jogadores fracos – é ignorado. Um novo técnico traz novo ânimo. Será? Veremos abaixo.

O problema não está só na troca em si, mas principalmente na maneira com a qual ela é feita. Luxemburgo e Ney Franco foram demitidos de Grêmio e São Paulo imediatamente após o termino da Copa das Confederações. Ou seja, os clubes poderiam, cientes de que os profissionais já não serviam mais, buscar alguém que trabalhasse por um mês antes de estrear. Muricy foi demitido por telefone, após anos de serviços prestados ao Peixe. Mas ninguém fez pior do que o Atlético.

Se Ricardo Drubscky era ou não o único problema do vice-lanterna do Brasileirão, o tempo poderá mostrar. No entanto, o decantado projeto de uma pré-temporada com direito a excursão para a Europa, naufragou em meio a gestão centralizadora e autoritária do presidente do clube paranaense. O Atlético, por razões políticas, esticou o período de pré-temporada por 5 longos meses até o primeiro jogo oficial. A ideia era desvalorizar o estadual. No fim, acabou tendo que valorizá-lo, pois chegou a decisão. Perdeu, sem nunca testar seu time principal em jogos competitivos. Não aproveitou os talentos revelados no time B do Paranaense, perdeu o título, perdeu em imagem e perdeu a chance de avaliar o elenco. Jogou sem ritmo de jogo e agora demite o técnico, desperdiçando também a pausa da Copa. Quem chegar ao Furacão, seja jogador ou técnico, não aproveitará nada da pré-temporada.

Na contramão de tudo isso, não por coincidência, estão os líderes do Brasileirão. O Botafogo está com Osvaldo de Oliveira desde dezembro de 2011; o Coritiba, tem Marquinhos Santos no comando técnico desde setembro de 2012 ; Abel Braga dirige o Fluminense desde junho de 2011 e Caio Júnior é o que há menos tempo está no comando, entre os quatro primeiros: desde dezembro de 2012 é técnico do Vitória. O atual campeão mundial, Corinthians, está com Tite desde outubro de 2010 e o semifinalista da Libertadores Atlético-MG tem Cuca no comando desde agosto de 2011.

Não é difícil explicar o desempenho dos clubes. Difícil, muitas vezes, é fazer o simples.

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