Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

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Livro desmistifica “Democracia Corintiana” e crava: 87 é do Sport

A “Democracia Corintiana” era, na verdade, uma ditadura coordenada por poucos; não há dúvidas de que o campeão brasileiro de 1987 é o Sport; Charles Miller não foi o primeiro a trazer o futebol para o Brasil, que mereceu perder 1982, fez escola para a Espanha em 94, não entregou em 98, só venceu em 1970 porque Zagallo – e não Saldanha – ajeitou o time e tem um futebol de clubes pulsante por conta de Ricardo Teixeira, gostem ou não.

As polêmicas afirmações são frutos de uma extensa pesquisa histórica, com diversas entrevistas com personagens centrais do futebol brasileiro, realizadas pelos jornalistas Leonardo Mendes Junior (ESPN, Gazeta do Povo) e Jones Rossi (Globo, Veja). O livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Futebol” vai na contramão de tudo o que é pregado em muitas histórias do mundo da bola. A obra custa a partir de R$ 39,90 e já está a venda em várias livrarias em todo o Brasil.

A ideia surgiu quando os dois, curitibanos então radicados em São Paulo, se encontraram com o conterrâneo Leandro Narloch, autor dos guias “Politicamente Incorretos” do Brasil, da América e do Mundo. “Tiramos a lama de personagens eternamente jogados no buraco e jogamos um pouquinho dessa lama em quem o futebol sempre tratou de santificar”, conta Leonardo.

As polêmicas a partir dele – como as duas dos trechos abaixo – são previstas pela dupla, que defende o livro como um documento histórico:  “Tudo foi baseado em fatos. Por ser baseado em fatos e não uma obra de ficção, é, sim, um documento histórico.” Cabe ao leitor descobrir mais. O blog dá uma mãozinha, antecipando dois trechocs. Leia abaixo:.

Este, sobre a Democracia Corintiana:

A Democracia perseguia quem discordava dela. Com a eliminação precoce no Paulista de 1981, o Corinthians foi disputar o Troféu Feira de Hidalgo, na cidade de Pachuca, no México. O time ficou com o título e disputou mais partidas na Guatemala e em Curaçao. 
 
O lado negro da Democracia Corintiana começava a entrar em ação. O elenco decidiu que alguns jogadores deveriam deixar a equipe. Wladimir, o lateral-esquerdo daquele time, recorda: “Nessa excursão, nós percebemos duas pessoas extremamente individualistas, que eram o Rafael [Cammarota, campeão brasileiro pelo Coritiba em 1985] e o Paulo César Caju. O Rafael às vezes achava que tinha que ganhar a posição no grito, porque era um goleiro bonito, alto, experiente. O reserva dele era o César, que era baixinho, feio, preto. O Paulo César Caju também pensava só nele, se achava o bambambã, campeão do mundo, essa coisa toda.”
 
Rafael e Paulo César Caju foram afastados do elenco meses depois. Ali, a Democracia Corintiana começou a demonstrar sua face pouco democrática .Para Rafael, sua ruína foi ter apoiado publicamente o ex-presidente Vicente Matheus. Por isso o grupo não levou em conta as más condições físicas do titular César nas semifinais do Brasileiro de 1982 contra o Grêmio, sob o argumento (que seria repetido um ano depois, contra Leão) de que Rafael poderia entregar o jogo para  prejudicar o movimento. O ex-goleiro relembra: “A Democracia era boa para três, para o resto não era, porque quem resolvia eram os três: o Magrão, o Adílson e o Wladimir. O Casa era o escudeiro, porque estava começando. Tudo era resolvido entre eles, eles não traziam nada para nós. Quando vinha para a gente já vinha resolvido, já vinha feito. Que porra de democracia era essa?”. Adílson teria lhe dito: “Sua indisciplina não foi técnica, nem física.  A sua indisciplina foi ter falado que preferia o tempo do Matheus”. (…)
 
A democracia era filha de [o publicitário Washington] Olivetto, Glorinha Kalil e Juca Kfouri. Desde o começo, a Democracia Corintiana foi um movimento-fetiche, adotado por jornalistas e publicitários que gostariam de ver suas próprias utopias e ideologias representadas nos jogadores de futebol.
 

Aqui, um ponto final na incessante polêmica sobre o Brasileirão de 1987:
 

Até a metade do nacional de 1987, jogar um quadrangular com o campeão e o vice da Copa União valendo vaga na Libertadores seria o máximo que o Sport conseguiria. A ardilosa movimentação de Eurico Miranda permitiu que a CBF desse chancela de disputa de título brasileiro ao quadrangular. Ainda assim, o Sport teria de vencer o Guarani – algo que não tinha conseguido fazer na decisão do módulo amarelo –, Flamengo (um esquadrão com Zico, Bebeto, Renato Gaúcho, Leandro, Edinho, Mozer e Leonardo) e Internacional (outro timaço, com Taffarel, Luís Carlos Winck, Aloísio, Luís Fernando e o técnico Ênio Andrade).
 
Em janeiro de 1988, o Flamengo ainda tentou derrubar a realização do quadrangular. Convocou um Conselho Arbitral para mudar o regulamento do campeonato – possibilidade contemplada pelo Conselho Nacional de Desportos (CND), desde que fosse por unanimidade. Dos 32 clubes dos módulos verde e amarelo, 29 compareceram. Destes, sete votaram contra a mudança nas regras, o suficiente para barrar o pedido do clube carioca e manter o quadrangular.
 
Na prática, o Sport precisou fazer muito menos. O Flamengo recusou-se terminantemente a jogar o quadrangular. O Inter ainda hesitou, pois estava de olho na vaga para a Libertadores e cogitou a realização de um triangular com pernambucanos e bugrinos. Mas, em nome da unidade do Clube dos 13, manteve-se fora da disputa. (…)
 
O Sport foi reconhecido pela CBF, pela Fifa e pela Justiça como único campeão brasileiro de 1987.  Anos depois, em um nítido caso de conveniência política, acabou reconhecido pelo São Paulo, clube que liderou a rebelião materializada pela Copa União.  Em 1975, a Confederação Brasileira de Futebol instituiu a Copa Brasil, troféu que, pelo seu formato, acabaria conhecido como Taça das Bolinhas. 
 
Ele seria de posse transitória até que o campeonato nacional fosse conquistado pelo mesmo clube por três vezes consecutivas ou cinco alternadas. Nas contas do Flamengo, a taça seria sua a partir de 1992, quando o clube teria conquistado o Brasileirão pela quinta vez –  o quarto título seria o da Copa União. O São Paulo passou a pleitear a posse definitiva da honraria em 2007, quando venceu o seu quinto nacional. Para isso, porém, teria de ir contra sua posição histórica como fundador do Clube dos 13 e ator principal na criação da Copa União. E assim fez o clube paulista, que segue na Justiça tentando provar que é o verdadeiro dono da Taça das Bolinhas.

Em breve, a editora lançará uma versão eletrônica (E-Book), que pode ter acréscimo de capítulos com outros temas que ficaram de fora da primeira leva. 

O atalho mais fácil para a Libertadores mudou

Começou nesta terça (30) a Copa Sulamericana 2013, daqui por diante, “o atalho mais fácil para a Libertadores”. Pelo menos é essa a expectativa de nove clubes brasileiros, com a mudança no regulamento que integrou os times da Libertadores à Copa do Brasil, tornando o antigo atalho mais espinhoso. Clubes da Série A, como Coritiba, Ponte Preta, Bahia e Vitória foram surpreendidos por Nacional do Amazonas (eliminou os dois primeiros), Luverdense-MT e Salgueiro-PE, equipes que estão nas Séries D e C do Brasileirão. Como prêmio de consolação, entraram na Sulamericana 2013 – bônus que atingiu até mesmo o Sport, hoje na Série B nacional.

Depois que a bola rolar nesta terça para Liga de Loja, do Equador, e Deportivo Lara, da Venezuela, a teoria poderá se tornar prática. Apesar da imensa maioria dos nomes da Sula assustarem menos os participantes do que equipes como o campeão da Libertadores Atlético-MG, do Mundial, Corinthians e o líder do Brasileirão, Cruzeiro, entre outros, não só de coadjuvantes é feita a competição dois da Conmebol. Na tabela abaixo, você pode ver os cruzamentos possívels até a decisão.

Equipes como o River Plate da Argentina (há também o River uruguaio nessa competição), os também argentinos Vélez e Lanús, a Universidade Católica do Chile, o Atlético Nacional da Colômbia, o Cerro Porteño do Paraguai e o Peñarol, do Uruguai, são tão postulantes ao título quanto os brasileiros. Outros ilustres desconhecidos, como o impagável El Tanque Sisley do Uruguai, o Deportivo Pasto da Colômbia ou o Inti Gás, da empresa peruana fornecedora de gás combustível, deixam a Sulamericana com a cara de uma grande competição entre bairros.

É grande a chance de um brasileiro estar na decisão, mas dependerá de Ponte ou Criciúma (quem avançar no duelo interno) fazer a primeira final nacional no torneio, que já teve dois brasileiros campeões: Inter, em 2008, e São Paulo, o atual detentor do título – que por isso entra diretamente nas oitavas de final. O Tricolor Paulista poderá encarar Bahia ou Portuguesa nas quartas. Baianos e paulistas têm na mesma chave o Atlético Nacional da Colômbia, campeão da Libertadores em 1989 e foi 12o no último campeonato colombiano – o Clausura 2013 acabou de começar.

O surpreendente clássico pernambucano na Sula pode definir um semifinalista contra outro brasileiro. Sport e Náutico se encontram no torneio sulamericano depois de o Timbu comemorar muito a vaga internacional no jogo do Brasileiro 2012 que definiu o rebaixamento rubro-negro. Quis o regulamento que os times se reencontrassem justamente na volta do Náutico à uma competição da Conmebol depois de 45 anos. Quem avançar, tem como mais tradicional possível adversário na chave o Barcelona de Guayaquil. Para que as quartas tenham duelos brasileiros, Coritiba ou Vitória devem superar equipes de menor expressão, naquela que pode ser considerada a chave mais fácil dos brasileiros na disputa. Coxa e Leão já se enfrentaram na Sulamericana. Em 2009, uma vitória por 2-0 pra cada lado, em casa, e o Vitória avançou nos pênaltis. Se o Coxa passar e encontrar o Barça equatoriano, reedita um confronto da Libertadores 86, quando foi 7o colocado.

Do outro lado, Ponte Preta ou Criciúma tem vida indigesta até uma eventual final. Quem passar, pode pegar o Colo-Colo nas quartas. O time chileno, campeão da Libertadores em 1991, foi 10o no Torneio “Transición”, que fez com que o calendário chileno se adequasse ao europeu. A nova competição começou no dia 27/07 – e o Colo-Colo perdeu na estreia, 0-4 para o Audax Italiano. Depois o caldo pode engrossar ainda mais, com possibilidades de confrontos com o também chileno Cobreloa, o tradicional uruguaio Peñarol ou o argentino Vélez Sarsfield.

Copa Sulamericana e Copa do Brasil, já há algum tempo, são tratadas apenas como um atalho para a Libertadores, o que é um equívoco. Vale sempre lembrar que vale taça continental e também duas vagas: uma para a Recopa Sulamericana, contra o Atlético-MG em 2014, e uma disputa intercontinental, a Copa Suruga, que opõe o vencedor da Sula ao da Liga Japonesa. E taça no museu é o que interessa, afinal.

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Sport e Vitória, campeões mundiais em publicidade

Sport e Vitória, leões de ouro em Cannes

Vitória e Sport vivem bons momentos dentro de campo: um é o vice-líder da Série A e outro engatou a terceira vitória consecutiva, entrando no G4 da Série B. Objetivos modestos, distantes do que ambos conseguiram recentemente fora de campo: seis títulos mundiais.

Os dois rubro-negros, Leões do Barradão e da Ilha, trouxeram mais alguns para a alcateia, diretamente da França. Cannes é a cidade que recebe o mais famoso festival de publicidade do planeta.  É o Oscar da propaganda.

Sport e Vitória, pela ordem, conquistaram prêmios importantíssimos no último festival do segmento. Duas campanhas, mexendo com a emoção do torcedor ao solicitar doações de órgãos e sangue, num ativismo social pouco visto no futebol. Dois belos vídeos, que você pode ver abaixo.

Os pernambucanos trouxeram quatro leões para o Brasil e outros dois rumaram para a Bahia. Bom para a OGLIVY, que criou a campanha do Sport e foi a agência brasileira mais premiada no ano. E também para a Leo Burnett Tailor Made, criadora da campanha do Vitória.

  • As premiações:

Área: Promo & Activation (avalia o efeito da ação promocional junto ao público – a adesão à ideia, para simplificar)

Sport Club Recife – Grand-PrixMelhor campanha integrada

Sport Club Recife – Leão de OuroMelhor imagem corporativa

Área: Direct (avalia a mensagem diretamente ao público)

Esporte Clube Vitória – Leão de Ouro:  Melhor uso de marketing direto.

Esporte Clube Vitória – Leão de Prata:  Melhor uso de mídia não-convencional/ação viral

Área: saúde pública e alertas populacionais

Sport Club Recife – Leão de PrataMelhor uso de mídia não-convencional/ação viral

Sport Club Recife – Leão de BronzeMelhor uso de mídia digital

  • As peças:

Vitória:

Sport:

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Com a ajuda do Fabrício Kichalowsky.

 

Polêmica: clássico carioca gera resistência em Recife

Itaipava Arena: nenhuma das cores de Pernambuco no domingo (foto: divulgação)

Revolta de um lado, comemoração de outro. Desde essa quinta estão à disposição do torcedor pernambucano os ingressos para o grande clássico de domingo. Não, não se trata de nenhum jogo entre as três principais forças locais, Sport, Santa Cruz e Náutico – o “dono” da Arena. É sim o clássico Vovô, Botafogo e Fluminense, marcado para São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife. Será o primeiro grande clássico da Arena… Pernambuco. Alegria para os torcedores dos times do Rio na região, revolta daqueles que apoiam o futebol local.

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O jogo entre Botafogo e Fluminense fez com que a partida do único clube pernambucano com contrato com a Arena fosse antecipado. Náutico e Ponte Preta duelam no sábado, um dia antes do jogo entre os cariocas. Os torcedores locais se rebelaram, não importando a camisa. O Santa Cruz jogará também no domingo, no Arruda, contra o Cuiabá, pela Série C do Brasileiro. Um movimento intitulado Movimento Popular Coral, da torcida do Santa, lançou um desafio: colocar mais gente no Arruda que na Arena. Em entrevista ao jornalista Leonardo Mendes Jr. um dos líderes do MPC, Lucas de Souza, disse que os rivais se uniram na ideia de descredibilizar o duelo carioca: “Deslocaram o jogo do Náutico para sábado para dar vaga a esse Botafogo x Fluminense só com intenção financeira e de fazer os nossos torcedores torcerem por times de fora. Os pernambucanos sempre foram resistentes a times de outros estados e agora a revolta foi grande e rápida. A própria administração da Arena ficou surpresa pela reação. Conseguiram provocar uma rejeição das três torcidas. Vamos por mais público no Arruda para desmoralizar esse clássico carioca.”

A administração da Arena sentiu o golpe, mas justificou a ação. Ainda sem contratos com Sport e Santa – que não pretendem sair de suas casas – a ideia é buscar toda a renda possível com o novo estádio. Segundo informações do jornalista Cássio Zirpoli, “na parceria público-privada, o governo do estado terá que suprir o rombo no faturamento anual caso a receita da temporada seja abaixo de 50% da previsão inicial, de R$ 73,2 milhões, segundo aditivo assinado em 21 dezembro de 2010.” Os valores do aluguel para o jogo com mando do Botafogo ainda não foram divulgados, mas os ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60, sendo que o sócio do Botafogo pode pagar 50% do valor. Nos jogos do Náutico, que está trocando os Aflitos pela Arena, o desconto ao associado é de 30%.

Em um estudo recente divulgado pela Pluri Consultoria, o Estado de Pernambuco ficou em 5o lugar entre os mais resistentes a “invasão” de torcedores de outras praças. Cerca de 60% da população prefere os times locais, índice maior que de praças tão fortes quanto, como Bahia e Paraná, e atrás apenas de quatro estados, pela ordem: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Habitualmente vista em jogos de times do sudeste na região, a faixa “Vergonha do Nordeste” expõe um pouco a rivalidade inter-estadual entre os torcedores locais e os que vem de fora. Nada que incomode o pessoal de torcidas como a “ReciFogo” e “ReciFlu”, que devem contar com reforço de simpatizantes dos mesmos clubes nas cidades da região.

A imprensa local entrou na briga. Na capa do SuperEsportes, portal de notícias da região, o fórum de discussão provoca: “Quem for à Arena domingo é Pernambubaca?” No blog de Zirpoli, uma enquete aponta rejeição de 70% das três torcidas a ideia de receber jogos “forasteiros”. Dos 30% favoráveis, 9% são torcedores do Náutico, em tese, os maiores interessados. Os tricolores, com ou sem reforço dos torcedores de Sport e Náutico, pretendem por três vezes mais torcedores no Arruda que o número presente na Arena. E a discussão deve continuar: em Pernambuco já se comenta que Flamengo x Grêmio, na 16a rodada em 25/08, deve ser jogado na Arena. Sem poder usar o Maracanã e nem o Engenhão, o Flamengo mandará o jogo desta mesma rodada, contra o Coritiba, em Brasília – onde os times locais praticamente não têm vez. 

E você, o que acha disso tudo?

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Abrindo o Jogo da Série B – guia do acesso

“É o Palmeiras e mais três.” Você vai cansar de ouvir essa frase até o final do ano, quando se falar na Série B do Brasileiro. E ela tem muito fundamento: o Palmeiras é o time que mais recebe da televisão e em patrocínios e é, ao lado do Sport, um dos campeões brasileiros na Segundona neste ano. Ambos têm obrigação de subir. Então seria o “Palmeiras, o Sport e mais dois, certo?” Não. O dinheiro fala mais alto, mas a Série B é cheia de armadilhas.

Uma delas é a montagem do elenco. Time bom ganha em qualquer campo, mas não espere moleza se o espírito dos jogadores não estiver no clima de encarar viagens de ônibus até Varginha e Juazeiro, por exemplo. Além disso, o Palmeiras é o milionário (mesmo com dívidas) o Sport não: é mais rico que boa parte dos times, mas não muito mais que Ceará, Atlético-GO, Figueirense e outros. Por isso, ambos têm obrigação de subir, mas a do Sport é menor. E também por isso, não se espante se o Palmeiras não subir campeão.

A Série B tem times acostumados à competição e que também querem seu lugar ao sol. Forças regionais, como Paraná, Avaí e Paysandu, podem chegar. Outros podem tirar pontos preciosos nessa caminhada, como os Américas Mineiro e Potiguar e o Joinville. Mas, não se pode negar, existem sim as babas. Jogos em que os pontos são praticamente certos – o que não deixa de ser um perigo se houver desatenção. A Série B mudou muito desde que o Palmeiras a venceu em 2003 – e pra melhor. Mas para defini-la, empresto uma frase do amigo Dionísio Filho, ex-jogador e comentarista em Curitiba: “É como o céu: é ótima, mas ninguém tem pressa de morrer pra ir para lá.”

O céu, pra quem tá embaixo, é a Série A. E o blog arrisca uma leitura do que pode acontecer, com base nos estaduais e nos elencos até hoje. Alguns devem mudar, mas menos que na elite nacional. Por isso, aponto os favoritos ao acesso, quem pode surpreender, os que farão figuração e os rebaixáveis.  Em dezembro, conversamos de novo, ok?

Leia também:

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Favoritos:

Palmeiras, Sport, Paraná, Ceará, Figueirense, Atlético-GO e Paysandu.

O Palmeiras pode até não ser o campeão da Série B 2013, mas subirá com absoluta certeza. Não é difícil ver nem explicar isso, mas a base é o dinheiro. O exemplo vem do ano passado, quando o Atlético saiu de um 14º lugar para o 3º posto – teve até chance de título – a partir de uma arrancada com a reformulação de elenco. O Verdão tem muito mais recursos que qualquer outra equipe. O que precisa é ter cabeça e a atual diretoria já mostrou que tem, nas derrotas para Mirassol e Tijuana, mantendo o bom Gilson Kleina. Sem medo de errar: o Palmeiras subirá para a primeira divisão sem duvidas. Resta ver se com ou sem emoção.

Na Série B: Quatro vezes (todas estatísticas incluem a Taça de Prata), campeão em 2003

O Sport abrirá a Série B em crise, após a eliminação na Copa do Brasil e o vice-campeonato estadual, que custaram o cargo do técnico Sérgio Guedes. Mas tudo o que vale para o Palmeiras, vale para o Sport, em menor proporção. Incluindo o fato de que, se o acesso do Palmeiras é garantido e o título não, para o Sport o título é possível e o acesso uma meta, mas não garantida.

Na Série B: 10 vezes, campeão em 1990

A grande surpresa desta Série B pode ser o Paraná. Surpresa em termos, pois o Tricolor vai aparecer em quase todas as listas de favoritos ao acesso, como nos últimos anos. Entretanto, acabava decepcionando pois a inclusão vinha pelo histórico. Desta vez não: o clube está mais organizado e aposta em Dado Cavalcanti, que brilhou no Mogi-Mirim, como o comandante deste objetivo.

Na Série B: Sete vezes, campeão em 1992 e 2000.

O tricampeão estadual Ceará é outra força para esta Série B. Isso porque conhece a competição como ninguém – o que é um paradoxo – sendo o time que mais disputou a Segundona. Reinando absoluto no Estado, quer voltar a elite que deixou em 2011, apostando no novo Castelão, nos conhecidos Fernando Henrique e Mota e no estilo gaúcho do técnico Leandro Campos.

Na Série B: 24 vezes, nenhum título.

O Figueirense é mais um exemplo de clube que pode chegar pela estrutura muito mais do que pelo que apresentou até aqui em 2013, tal qual o Sport. Apesar de ser o terceiro colocado no geral, novamente decepcionou após campanha boa na fase classificatória, eliminado pela Chapecoense. Manteve o técnico Adilson Batista, o que é sinal de estabilidade, e conta com a força da torcida no Scarpelli para fazer a diferença em Florianópolis.

Na Série B: Oito vezes, nenhum título.

O Atlético-GO viveu uma crise política por conta de denúncias de corrupção e até mesmo de envolvimento de um dos seus dirigentes no assassinato de um cronista esportivo em Goiânia. Entretanto, em campo, o time parece ter sentido pouco: ficou com o vice-campeonato estadual e eliminou dois adversários na Copa do Brasil sem precisar da partida de volta. Waldemar Lemos, o irmão do Osvaldo, é o técnico.

Na Série B: Nove vezes, nenhum título.

A volta do Paysandu à Série B já seria motivo suficiente para grande festa em Belém. Mas, apesar do título do Paraense, a eliminação na Copa do Brasil para o Naviraiense deixou todos com a pulga atrás da orelha. Ainda assim, trata-se do Papão, bicampeão da Série B, que obrigará adversários a uma longa viagem para cair no caldeirão do Mangueirão.

Na Série B: 12 vezes, campeão em 1991 e 2001.

Podem chegar:

Avaí, América-MG e Joinville.

O Avaí corre por fora na disputa. Está abaixo do rival Figueirense, mas aposta no técnico Ricardinho e em medalhões como o ídolo Marquinhos e Cléber Santana para ser competitivo. Tem também um alçapão, a Ressacada, onde não costuma perder.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

A esperança do América-MG é a renovação do elenco. O clube deu vexame no Mineiro, sendo apenas o 8º colocado. Até mesmo o Independência, casa do Coelho, já está mais com a cara do Galo que dele próprio. O sopro de esperança veio na ótima atuação contra o Avaí na Copa do Brasil e nos reforços do interior paulista. Não dá pra desprezar o Coelho.

Na Série B: 19 vezes, campeão em 1997.

A Arena Joinville é a grande arma do JEC para tentar o acesso. Mas existem outros trunfos, como um clube organizado, com salários em dia, e o eterno Lima, o “Limatador”, artilheiro do Tricolor catarinense. Em 2012, na volta à Série B, beliscou um sexto lugar; neste ano corre por fora para fazer melhor.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

Figurantes:

Chapecoense, ABC, América-RN, Bragantino e ASA

Os figurantes tem todos o mesmo nível técnico e perfil: equipes que devem complicar em casa e oferecer pouca resistência fora. A Chapecoense chega com o status de vice-campeã catarinense, perdendo o título para o Criciúma, da Série A, em duelo apertado. O ABC, que não chegou nem nas semifinais do Potiguar, surpreendeu ao tirar o Sport da Copa do Brasil. Conta com o Frasqueirão como arma, luxo que o rival América-RN não tem. O Mecão terá que jogar em Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal, num estádio novo, porém acanhado e ainda em obras, e reverter o impacto da perda do título estadual para o Potiguar de Mossoró. O Bragantino, 11º no Paulistão, carrega consigo a força do interior paulista, sempre rico e competitivo, perfil parecido com o do ASA, que, eliminado na semi do Alagoano, mantém como trunfos o desgaste da viagem até Arapiraca e o dinheiro das plantações de fumo. Entretanto, quem estiver na lista acima desta e perder pontos para os figurantes, fica cada vez mais longe da elite.

Rebaixáveis:

São Caetano, Guaratinguetá, Oeste, Icasa e Boa Esporte.

Se a Série A não tem moleza, o mesmo não pode se dizer da Série B. Os cinco times listados aqui deixarão nos adversários a obrigação de vencê-los em casa e de ao menos buscar um empate fora. Ainda assim, há que se ter cuidado com os paulistas. O São Caetano, rebaixado no Paulistão, pode surpreender se resolver seus problemas financeiros. Em 2012 só não subiu nos critérios, com a mesma pontuação do Vitória. O Oeste escapou da degola na última rodada do Paulistão, mesmo perdendo por 0-4 para o São Bernardo, em casa. O Guaratinguetá foi o 5º colocado na Série A2 Paulista, não subindo para a primeira divisão estadual. O Boa Esporte tem tudo para ser a baba da competição. Escapou do rebaixamento no Mineiro sendo o 10º em 12 equipes. O Icasa pode ser o mais surpreendente dos rebaixáveis. Foi 4º colocado no Cearense e aposta nos jogos em casa para escapar. De todos o desta lista, é o único que tem o fator casa. Os demais têm pouco ou nenhum apelo popular.

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O Santa merece o Brasil

O Santa Cruz é tricampeão pernambucano de futebol. Bateu o Sport, como já havia feito ano passado. E retrasado. E nos seis jogos entre os rivais, quatro vitórias tricolores. O Santa já retomou o Pernambuco para si; falta o Brasil.

Longe dos holofotes nacionais desde 2006, quando foi o lanterna da Série A, o Santa Cruz comeu o pão que o diabo amassou. Mas parece ter reencontrado seu rumo. De fato, é até injustiça dizer que o Santinha passou tanto tempo longe da mídia. Foi carregado por seu povo em muitos desses anos de dificuldade, quando chegou a despencar para a Série D. Literalmente carregado: ignorando a divisão, o torcedor coral conseguiu a 39a média de público do Mundo, a 1a no Brasil, a frente do campeão da Libertadores, o Corinthians, por exemplo. Seus 36,9 mil torcedores por jogo foram mais fiéis que os torcedores da Roma, Juventus, Porto e todos os outros times sulamericanos – incluindo Flamengo e Boca.

Mas, em campo, o Santa não respondia.

Até que o clube começou a se reorganizar. Arrumou o Arrudão, longe ainda do ideal, mas melhor estruturado. Manteve uma linha de trabalho, que passou por Zé Teodoro e chegou a Marcelo Martelotte, com o goleiro Tiago Cardoso se tornando ídolo em Recife, com Denis Marques reencontrando seu bom futebol, com a diretoria de Sylvio Ferreira arrumando o clube. Mas falta algo.

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O Santa Cruz merece o Brasil. Um clube tricampeão pernambucano, Estado representativo no futebol brasileiro, não pode ficar escondido na Série C nacional. É difícil competir no mercado de hoje, com disparidade de renda, patrocínios milionários e concorrência desleal na base. Mas um clube que tem rivais em divisões acima e manda dentro de Pernambuco há três temporadas pode mais. O Santa Cruz precisa ao menos estar na Série B em 2014, entendendo o seu desafio de crescer e marcando presença, para deixar de ser só “o clube que leva mais gente aos estádios” e passar a ser um adversário que incomode os grandes do País também em campo.

  • “O Santa é lindo!”

Era 1999 e eu, ainda acadêmico de Publicidade, sequer pensava em cursar também jornalismo. Mas já gostava de futebol. E em um congresso de comunicação em Maceió, resolvi ir ao estádio assistir CRB x Santa Cruz, no Rei Pelé, pela terceira rodada da Série B daquele ano. No comando de ataque do Santa, Grafite – aquele mesmo.

Não me recordo porque cargas d’água, mas eu e alguns amigos resolvemos desafiar a regra número um de qualquer torcedor sadio em campo desconhecido: ao invés de irmos na torcida da casa, ousamos entrar nos visitantes. Aderimos a massa do Santinha.

O jogo não estava lá essas coisas. O CRB era melhor na partida e o Santa era um amontoado em campo. Não demorou até que o time da casa fizesse 1-0. O gol, de fato, parece que incendiou ainda mais a numerosa torcida coral presente ao estádio. Maceió fica a apenas 265km do Recife. A galera foi em peso. E passava raiva.

Lá pelos 30 do segundo tempo, um lance raro do Santa no ataque resultou em pênalti. Vibração intensa. É aquele momento em que as classes sociais se misturam: rico abraça pobre, branco abraça negro, não há distinção sexual ou qualquer outro tipo de preconceito. É o que faz o futebol ser o que é. “É pênalti pro Santa!!” berrou do meu lado um senhor barbudo, já desfalcado do zagueiro central e do ponta direita entre seus dentes, com um hálito não tão leve que indicava o grau de empolgação. “O Santa é lindo! O Santa é lindo!”, gritava, esperançoso pelo empate. Grafite pegou a bola.

O coração bateu mais forte. O gol é aquele momento especial. Me peguei torcendo pelo Santa Cruz. “O Santa é lindo”, insistia o amigo, já quase naquela intimidade que dispensa o “senhor” antes das frases. Em campo, Grafite colocava a bola na cal e dirigia-se até a meia lua, mãos na cintura.

Grafite foi pra bola.

Andou um, dois, três passos. Olhou para o goleiro. Armou o chute. Tropeçou. Pegou mal na bola. O goleiro defendeu sem dificuldades.

A expressão do Barba (já estavamos como velhos amigos) foi mudando lentamente, na medida do desenrolar da jogada. Da euforia à decepção. Minutos depois, o CRB faria 2-0. O Santa – e Barba – voltariam ao Recife vencidos. Mas nunca derrotados.

No fim do ano, Barba ficou mais alegre: o Santa foi vice-campeão da Série B e voltou à elite nacional.

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