Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/07/2012

O bonde da história

Alexandre Gomes, curitibano campeão mundial de poker, desistiu de disputar o título dessa temporada no WSOP Las Vegas para ver a decisão de hoje na Copa do Brasil, envolvendo o seu Coritiba contra o Palmeiras. Alê disse: “WSOP tem todo ano, final de Copa do Brasil não.” Curiosamente, nos últimos dois anos, para o Coxa, foi freqüente – feito só alcançado por Grêmio, Corinthians e Flamengo (o único a não ser campeão quando decidiu por duas vezes seguidas). Reverter o 0-2 imposto pelos paulistas não será tarefa fácil – nem impossível. É fato que o 6-0 do ano passado ainda impõe terror na cabeça dos palmeirenses. Mas uma coisa é golear ao natural, outra é vencer precisando fazer a diferença, contra o relógio. Campeão ou não, vislumbro que a máxima de Alê Gomes deve ser levada em consideração hoje. Precisamos que o futebol do Estado seja mais regular em decisões para não perder as chances que foram perdidas no primeiro jogo. A perna tem que pesar menos. O Atlético o fez no início dos anos 2000, mas de 2006 pra cá, ostracismo. Ao Coxa, resta saber lidar com o título aproveitando o crescimento e, em caso de perda, entender que o projeto tem que ser maior. Senão perderá o bonde da história.

Marcelo Oliveira

Questionado pela torcida, desde que chegou até pouco tempo atrás, finalmente o técnico Marcelo Oliveira é reconhecido como peça-chave no sucesso recente do Coxa. Mais do que ninguém, tenho certeza, ele quer vencer o jogo e ficar com a taça hoje. Para Oliveira, é a confirmação do que muitos que vêem o trabalho nos bastidores já sabem. Mais do que isso, deixará para trás de vez o questionamento a respeito da decisão de 2011, contra o Vasco, quando alterou o time no jogo final. Sedimentará a entrada no rol dos grandes treinadores do Brasil. Mesmo sem título, já está em outro patamar. Não à toa foi sondado pelo São Paulo FC antes da decisão. Ficou por caráter e pela vontade de vencer. É o personagem da finalíssima.

Acordando

Depois da bronca pública do técnico Jorginho, que chegou a dizer que o time atual do Atlético fedia, outra bronca nos vestiários contra o América-MG, uma reação não suficiente no placar, mas motivadora em atitude. Parece que o Furacão está acordando. Talvez, enquanto você lê essa coluna, já tenha conseguido a primeira vitória sob o comando do novo técnico. Mas mais do que isso, os nomes de Wellington Saci, João Paulo e Elias, próximos ou já certos, e os já estreados Weverton e Luiz Alberto mostram que demorou, mas a diretoria viu que era necessário reforçar. Com a recuperação física de Liguera e Zezinho, o time ficará encorpado. Dar tempo para Jorginho trabalhar e arrumar um 9 – quem sabe o uruguaio Morro Garcia, patrimônio “sucateado” do clube – podem ser a salvação do desastre anunciado do rubro-negro na Série B.

Paraquedismo Free Fly & World Series of Poker

PARAQUEDISMO

A Federação Paranaense de Paraquedismo (Fepar) e a Drago Air promovem nos dias 30 de junho e º de julho o Campeonato Paranaense de Paraquedismo – Modalidade Free Fly Duplas, nas categorias intermediário e pro. O torneio será realizado no Drago Air Centro Sul de Paraquedismo, no Aeroporto Santana, em Ponta Grossa, a 100 km de Curitiba.

Podem participar atletas que estiverem devidamente em dia com a Fepar e possuam acima de 150 saltos. O evento será aberto ao público e a competição começa a partir das 8h30 do sábado (30). O Campeonato Paranaense de Free Fly tem o patrocínio do energético Insano que irá premiar os atletas vencedores com brindes e medalhas as três duplas.

O Free Fly (voo livre) é uma modalidade do paraquedismo em que os atletas realizam manobras em queda livre em diversas posições. É a modalidade mais veloz do paraquedismo em queda livre, onde os atletas chegam a atingir 300km/h. Vence a dupla que fizer o maior número de exercícios durante o salto.

Os saltos são realizados com o avião mais rápido e seguro do mundo para a prática do paraquedismo, o Pilatus Porter PC6, recém adquirido pela Drago Air. Os atletas são lançados a uma altura de 12 mil pés, o equivalente a 4 mil metros. Como é impossível enxergar os exercícios do chão, os juízes avaliam cada salto das duplas pelas imagens feitas por um câmera fly que salta junto com os atletas.

Mais informações e inscrições no site www.dragoair.com.br ou na fanpage www.facebook.com.br/dragoairparaquedismo . O regulamento e as inscrições estão disponíveis no site da Fepar (www.feepar.org.br)

O vídeo abaixo ilustra a modalidade com atletas do Drago Air:

POKER

Tá rolando nos EUA o campeonato mundial de Poker, a WSOP. A modalidade, com muitos adeptos no Brasil, tem seu apogeu na disputa anual em Las Vegas. O custo das inscrições para o evento principal é alto, mas o vídeo abaixo, feito por brasileiros que estão na cidade, indica vários outros torneios acessíveis. Vale conferir:

A barreira final

Peço licença aos amigos acostumados a ler mais sobre futebol aqui no blog para falar de outro esporte: o poker, que nos últimos dias venceu mais uma etapa contra o preconceito.

Já não é notícia nova dizer que poker é esporte. Mas a vitória do paulista André Akkari em uma das etapas do Mundial de poker (WSOP) nos EUA ganhou dimensões até então não experimentadas para quem acompanha e segue a modalidade. Depois de ganhar espaço em quase todos os grandes veículos de comunicação, o poker finalmente chegou a Rede Globo, maior empresa do ramo no País, em um noticiário esportivo. Foi durante a realização do BPT (Brasil Poker Tour), um dos campeonatos brasileiros de poker (o outro é o BSOP, Brazilian Series Of Poker), no qual a emissora aproveitou para explicar o jogo e propalar a vitória de Akkari. Veja a reportagem, exibida apenas no Globo Esporte de SP, nesse link.

Curitiba, para quem não sabe, é celeiro de grandes talentos do poker nacional. O primeiro brasileiro campeão mundial é curitibano, Alexandre Gomes. Daqui já saíram dois campeões nacionais em etapas distintas, João Paraná e Helson Kupczak. Já tivemos o curitibano Gustavo Flessak como nono colocado no maior torneio das Américas, o LAPT (uma espécie de Libertadores do Poker). E no 1o. BPT, finalizado no último final de semana, o também curitibano Luiz Pheres beliscou um 3o. lugar, perdendo nos detalhes a mão decisiva para o dinamarquês Rolf Andersen, que acabou sendo o campeão da etapa. O resultado foi destaque no Jogo Aberto Paraná:

Neste mês, pela primeira vez o WSOP foi transmitido quase em tempo real pela ESPN no Brasil. Havia um delay (atraso) de 30 minutos na emissão das imagens em relação ao tempo de jogo, em virtude da segurança estratégica da partida. A ESPN havia parado de transmitir os eventos após a Black Friday, por recomendação da direção mundial do grupo, mas retomou em alto estilo. No BPT, a transmissão das partidas foi feita em tempo real, pela internet, pelo site TV Poker Pró.

Depois de ter espaço na Band, na ESPN e na Revista ESPN (aqui, reportagem com o americano oito vezes campeão mundial, Phil Ivey), o fato do poker chegar ao maior grupo de comunicação em uma reportagem positiva é o carimbo que o esporte precisava para afastar o preconceito de vez. Mas não é a barreira final.

Essa só será superada quando o jornalismo segmentado tratar não só das vitórias, mas também dos problemas do esporte. Como o bloqueio do site Full Tilt Poker em virtude de denuncias de corrupção fiscal nos EUA, ainda sem ter a versão dos fatos do braço brasileiro do site, parceiro da confederação nacional, posta a público.

Poker: avanço histórico no pano, retrocesso fora dele

André Akkari: 2o brazuca campeão mundial (foto: blog do aakkari)

Quando o KJ (rei e valete) de André Akkari superou o A8 do americano Nachman Berlin, com um bordo que trouxe dois Ks, a sorte ajudou o brasileiro a trincar e finalizar o adversário, que foi para o all in em vantagem (60% x 40% de probabilidades); mas ela não explica como, usando de muita estratégia e leitura de jogo, após quatro horas de partida mano-a-mano (heads up ou HU) Akkari virou uma diferença de quase o triplo de fichas que estavam de posse de Berlin.

A vitória de André Akkari no evento 43 do WSOP, maior torneio do Mundo no poker, é mais do que a segunda conquista mundial brasileira (a primeira, foi do curitibano Alexandre Gomes, em 2008); é a vitrine que o esporte precisava para mostrar o potencial brasileiro.

Sim, esporte. Causa espanto a alguns ler que poker, um jogo de cartas, é esporte. Pois além de muito estudo, estratégia, atenção e coragem para os movimentos certos, o poker exige ainda do jogador um ótimo preparo físico para estar apto a tomar decisões rápidas sob pressão por horas e horas. O torneio vencido por Akkari teve 2800 participantes e exigiu muito tempo de dedicação física, que só pode ser obtida com um ótimo preparo. Mnimizar o poker como esporte é o mesmo que dizer que um piloto de F1 apenas guia um carro e, por isso, não é esporte.

Akkari também dá mais um voto contra o preconceito. Foi-se o tempo que as mesas de poker eram locais de consumo de bebidas e cigarros. Hoje, a concentração e competitividade é máxima. O interesse cresce e aos poucos as barreiras caem. Muito pelo trabalho de Akkari, que há anos luta pelo reconhecimento que agora veio, em forma de bracelete, com o titulomundial. E, claro, com os mais de US$ 650 mil que faturou – premiação digna dos melhores circuitos de tênis.

Retrocesso

Se a vitória de Akkari mexeu com a emoção e o orgulho de todos os poker players brazucas, o mesmo não pode ser dito de mais um bloqueio do site Full Tilt Poker por parte da justiça. Agora, mundial. Com a medida, milhares de players brasileiros estão com fundos retidos no site. Dinheiro mesmo. Em contrapartida, em nova demonstração de lisura e gerenciamento de crise, o concorrente mais forte do FTP, PokerStars, já emitiu nota garantindo seus players e isonomia.

O problema não está no jogo e sim na maneira com a qual pessoas ligadas ao site usaram o mecanismo para lavar dinheiro. Evasão fiscal, entre outros problemas. Esse passa a ser o maior adversário do poker agora: a moralização. Se o esporte venceu o preconceiro e a ilegalidade, com pareceres de gente como Miguel Reale Jr., agora precisa vencer a corrupção e a evasão fiscal.

E no Brasil, caberá aos realizadores do BSOP (o Brasileiro de Poker) e à CBTH (Confederação Brasileira de Texas Holden) dar alguma satisfação aos usuários do Full Tilt, que patrocinou até agora o evento. Ainda hoje um amigo que estava classificado em um dos satélites para a próxima etapa do BSOP reclamava não saber o prejuízo que terá com o bloqueio, sem previsão de retorno.

Com a palavra, os organizadores.