Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/07/2012

Futebol é coletivo

A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.

R$ 57 milhões ou uma casa nova

O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.

A César o que é de César

A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.

Odor

Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.