Futebol, o bem e o mal

O Atletiba 355 vai iniciar a decisão do Paranaense 2013. Era pra ser o jogo do radinho, mas o Atlético surpreendeu a todos nesta sexta-feira ao anunciar um acordo de última hora com a emissora de TV que comprou os direitos da competição sem o clube no início do ano. Primeiro, a divulgação de que não só o 355, mas também o 356, passariam em TV fechada, ao contrário do que vinha acontecendo com o Furacão; depois, a TV aberta entrou na dança e também irá transmitir os jogos.

Muito se falou e especulou sobre o tema. Afinal, a postura do Atlético até aqui era também política. Mário Celso Petraglia disse, para os veículos oficiais do clube, que não acertaria jamais o acordo pras finais com a TV. A questão, soube-se, era mais que econômica. E ao longo da competição houve muita confusão entre as restrições para a imprensa e a medida de se jogar com o Sub-23. Confusão proposital de alguns, diga-se. Uma coisa é fechar o clube, o que até os patrocinadores consideraram nocivo. Outra é colocar o time principal numa pré-temporada, uma tentativa válida (embora tenha sido longa e exagerada) de fugir do péssimo calendário brasileiro.

O Atlético voltou atrás e sobrou para todo mundo. No Coritiba, o presidente do clube torceu o nariz. Disse Vilson Ribeiro de Andrade ao jornal Gazeta do Povo: “O Coritiba aceitou as regras e acreditou no campeonato desde o início, sempre disposto a colaborar com o futebol paranaense. Eles não. Humilharam o campeonato e agora aparecem na hora do filé mignon. Não acho correto.” Nas redes sociais, torcedores dos demais times paranaenses também ficaram contrariados e até mesmo sobrou pra imprensa, criticada por supostamente dobrar-se e aceitar as exigências atleticanas. Uma tentativa de dividir o futebol entre o bem e o mal. Errônea.

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Futebol é paixão, fidelidade, emoção, mas é também, amigo leitor, negócio. Não existe bem ou mal; existem interesses comerciais. Lá atrás não houve acerto entre as partes e o Atlético ficou sem aparecer na TV. Perderam todos, incluindo o produto. Nas finais, com uma conjuntura de fatores, as partes se acertaram. E aí o problema é só delas. Nunca foi de outros. Não cabe o discurso de fortalecimento do futebol paranaense, tampouco as reclamações de Vilson Andrade que, aliás, acabou beneficiando-se do acerto atleticano, com o Coritiba vendendo mais um espaço publicitário na camisa somente para a decisão.

A imprensa também não se vendeu, nem antes, nem agora. Os bons seguiram fazendo jornalismo. As emissoras que podiam, seguiram acompanhando o clube, com ou sem restrições – e quem disse que elas acabarão agora? O produto foi tratado como pôde e o torcedor, principal razão dessa atividade, atendido com as mais diversas visões. É a pluralidade da mídia que faz com que o torcedor inteligente separe o joio do trigo, escolha aquilo que lhe agrada mais e forme sua própria visão. Ninguém é do bem ou do mal. Nem os profissionais que seguiram na cobertura tradicional, ácida por natureza (às vezes até demais), nem os que estão no veículo oficial do clube, um trabalho digno como qualquer outro, com um editorial evidentemente institucional.

No domingo, no primeiro jogo entre os tradicionais rivais do Paraná, alguns vão querer misturar as ações. Vai se falar em bem e mal, certo e errado, fora de campo. Mas, o que haverá de fato, é o confronto entre os dois times mais vitoriosos do Estado, cada um com seu projeto. Vencerá o melhor nos dois jogos. E que vença a democracia e o esporte.

  • Em campo

O Coxa é favorito e tem a obrigação da conquista. Leva as vantagens de decidir em casa e, principalmente, de dois resultados iguais, num acerto do regulamento que evitará os pênaltis, sem levar em conta o peso dos gols fora de casa. É o time que mais investiu, o que se declarou disposto a conquistar um tetracampeonato que não vêm desde os anos 70. Pega um Atlético aguerrido, surpreendente, que chegou pela estrutura, pela camisa e por alguns poucos talentos formados na base.

O Furacão já pode considerar-se vencedor. Flertou com a queda mas acabou preparando Santos, Hernani, Douglas Coutinho e Zezinho, entre outros, para usar no elenco principal. E, de quebra, pode aprontar pra cima do rival. É Alex, o menino de ouro do Alto da Glória, contra os piás da Baixada, cada um querendo ser o que Alex já foi pelo Planeta Bola. E o que nenhum deles ainda foi: campeão paranaense.

  • Números

354 jogos até aqui na história entre ambos. Vantagem do Coritiba, com 135 vitórias, 109 empates e 110 triunfos do Atlético.

Em finais, equilíbrio total: esta será a 15a entre os times. Até aqui, sete conquistas para cada um – contando apenas campeonatos decididos em finais, ressalte-se. O Atlético venceu em 1943, 45, 83, 90, 98, 2000 e 2005; o Coxa levou em 1941, 68, 72, 78, 2004, 2008 e 2010. 

 

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Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Perdemos

Torcida única ocupará Vila Capanema no Atletiba 349

Perdemos todos. A notícia de que o Atletiba 349 terá apenas uma torcida presente (a do Atlético, o que faz por consequência que o Atletiba 350, no Couto, só tenha coxas-brancas) é um atestado de como retrocedemos no tempo. De como nós, paranaenses, não sabemos conviver desportivamente. De como a sociedade atual caminha para um lugar ainda mais obscuro, com os bons se fechando nos muros sob a sombra da violência.

A decisão da PM em conjunto com os clubes é preguiçosa. Tem como base o mau comportamento de alguns vândalos que se aproveitam das camisas das organizadas (algo explicado em várias obras antropológicas) para agredir quem os mesmos entendem ser diferentes. Problema crônico que seria sanado com punição correta, sistema judiciário eficaz – como na Inglaterra – e banimento dos responsáveis. Quiça das organizadas, que têm lá sua função social mas colhem muito mais o bônus (como venda de camisas alusivas aos clubes sem royalties) do que pagam o ônus. Quando há confusão, “é impossível controlar o grupo.”

Só que segurança pública vai além de um ou dois grupos de marginais. Vai ao fato de que o mesmo governo que só aparece para fotos pouco faz na condução do processo Copa 2014. Mais do que isso: Curitiba hoje é considerada a 6a capital mais violenta do Brasil. Como por aqui mata-se o cachorro para se acabar com as pulgas, lá vamos nós a mais uma invenção dos cartolas: agora, somos incapazes de dividir arquibancada com outros seres humanos, apenas porque gostamos de cores diferentes.

Claro, há muito mais por trás do que só a questão segurança. Não é a primeira vez que o tema vem à tona – embora só agora ele esteja praticamente concretizado. Desde 1996, quando do Atletiba 284 (aquele 0-0 que garantiu o Coxa na decisão contra o Paraná), Mário Celso Petraglia já queria que os estádios recebessem torcida única. A idéia por trás do fato é simples: sem a obrigatoriedade de se vender entradas aos visitantes, a capacidade real do estádio está voltada aos sócios, principais colaboradores do clube. Não é ruim, mas é anti-democrática e sectarista. Mesmo na Europa, em clássicos como Barcelona x Real Madrid ou Celtic x Rangers, que envolvem questões políticas ou religiosas com histórico muito acima dos vistos nos Atletibas, há a reserva mínima aos visitantes. Afinal, é apenas futebol, não uma disputa de vida ou morte.

E diga-se que o sim de Vilson Ribeiro de Andrade também não foge à risca. Aliás, o dirigente coritibano, revolucionário no Alto da Glória, tem muito de Petraglia na maneira de atuar. Mais democrático, é verdade, mas com idéias similares. Uma delas é a proibição (na minha visão correta) das faixas de organizadas, vetando a publicidade de um concorrente mercadológico em materiais esportivos, que não paga royalties e vampiriza preços. Para o torcedor comum, uma camisa da Fanáticos ou da Império tem o mesmo valor sentimental que uma da Umbro ou Nike do clube.

Vale ressaltar que em 5 anos, desde a definição da Copa na Arena, não se buscou um acordo. Vale dizer que o Atlético agiu pessimamente em não procurar diretamente o Coritiba; que o Coxa fez ouvido mouco, pressionado pela torcida (mais intolerância) para não ceder o estádio, algo plantado sine qua non – mesmo com décadas de usufruto múltiplo da praça; que noves fora a questão Arena-Governo-Copa, a vantagem técnica de se jogar em casa valia pressão pró-Coritiba, o que se inverteu pelos resultados, e o Atlético desinteressou-se em jogar no estádio rival, pensando também na disputa, mesmo após a primeira abertura de Vilson Ribeiro.

Compreendido isso, é importante lembrar que optamos pelo caminho da separação. Bem distante dos Atletibas históricos da década de 70, como por exemplo na decisão de 1978, quando quase 180 mil pessoas, dividindo o Couto Pereira meio a meio, viram três 0-0 épicos (Manga decidiu o título nos pênaltis a favor do Alviverde). A separação é um passo perigoso pela intolerância. Sai de campo a flauta, a boa rivalidade, entra em campo o ódio. Simplesmente não sabemos conviver.

Tecnicamente, ampara-se a escolha na falta de tempo para a instalação de outras 7 câmeras de segurança na Vila, o que limita a capacidade para 9.999 expectadores – dos quais, pelo regulamento 999 deveriam ser coxas. A capacidade liberada é maior que a suportada na inauguração do primeiro estádio paranaense, a Baixada, em 1914. Lá, se enfrentavam América, Internacional, Coritiba, Britânia e tantos outros, sempre com o apoio dos seus simpatizantes.

Passados 98 anos, estamos piores como sociedade.

Couto e Atlético: desdobramentos

Atualizando o post abaixo com a informação agora pública de que o Atlético pediu à FPF o Couto Pereira e que a federação vai fazer o pedido ao Coritiba. Conversei há pouco com Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coxa, que disse o seguinte:

– A negativa tem como fundamento técnico o fato de o Coritiba ter realizado uma reforma recente no gramado e acreditar que a sequência de jogos pode danificar o piso.

– O Coritiba não pode habilitar a área das cadeiras, 5 mil lugares, sem a anuência dos sócios. O clube já recebeu notificações de proprietários pedindo que não disponibilizem a área ao Atlético.

As duas razões acima estão entre as apresentadas e protocoladas na FPF em um documento sigiloso, que é de acesso da FPF e dos clubes. Fiz duas perguntas a VRA:

1) Não há hipótese de acordo?

“Acordo tem quando nos procuram. Até agora, não fui procurado e eles sabiam desde o ano passado que iam precisar do estádio. Se vierem conversar, porque não? Mas assim, de jeito nenhum.”

2) E se a FPF forçar a barra via regulamento e normas?

“Vamos até a Justiça. Não vou aceitar isso assim. O Paranaense não termina se isso vier desse jeito.”

Como já havia dito aqui no blog, Vilson e Petraglia conversaram ontem. VRA diz que não recebeu consulta sobre o campo e sim uma conversa cordial.

Também tentei contato com Mário Celso Petraglia. O celular está desligado. No site oficial, nenhuma nova informação.

Update

Há pouco, na CBN Curitiba, o presidente da FPF Hélio Cury tornou público o que o blog antecipou no post abaixo. O pedido pelo Couto segue, com a FPF tentando acordo. O que disse Cury na CBN:

– O jurídico da FPF vai analisar recusa do Coxa; Hélio Cury quer ver documentação: “Quero ver os laudos. É bem claro que a FPF tem poder de requistar o estádio.”

“O valor do aluguel tem que estar dentro do bom senso.”

Atlético

O site oficial do clube traz a seguinte nota:

“(…) o Clube Atlético Paranaense encaminhou ofício ao Presidente da Federação Paranaense de Futebol, Dr. Hélio Cury, com cópia ao presidente do Coritiba Football Club, Dr. Vilson Ribeiro de Andrade, com a solicitação de permissão para utilização do Estádio Major Antonio Couto Pereira nas partidas das competições oficiais que o CAP disputará até a conclusão das obras da Arena da Baixada para a Copa do Mundo de 2014.

Além das obras de adequação para o evento que será de todos os paranaenses, no ofício de requisição foram citadas outras questões como a quantidade de sócios torcedores do CAP, a dificuldade de locomoção dos mesmos para estádios de outras cidades e o fato de os jogos do Coritiba e do Atlético Paranaense não serem em datas conflitantes.

O CAP também aproveitou a oportunidade para deixar consignada a utilização da Arena da Baixada pelo Coritiba, caso este necessite efetuar reformas em seu estádio e/ou construir um novo no mesmo local. Ontem, o Coritiba enviou um ofício à Federação Paranaense de Futebol com cópia para o CAP justificando a sua negativa em relação à cessão do estádio.

Desta maneira, o Clube Atlético Paranaense aguarda a definição da Federação Paranaense de Futebol de acordo com os estatutos da FPF e o regulamento da competição.”

Update II:

Com a inestimável ajuda do editor de esportes da Gazeta do Povo, Rodrigo Fernandes – com quem debatia a viabilidade jurídica da exigência da FPF – segue mais um artigo com o qual o Coritiba deve estar atento e a Federação pode exercer. Está no Estatuto da FPF, da concordância de todos os filiados:

Artigo 46 do estatuto da FPF:

São obrigações das entidades de práticas desportivas
VII Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos

Evidentemente, também é interpretativo. Pode se entender que é a qualquer momento, pode se entender que é para jogos de Seleção, por exemplo.

Consultando um membro do TJD-PR, questionei: e se o Coritiba não acatar a determinação, o que pode haver? A resposta: “Se houver essa interpretação, de que a FPF pode requisitar, o artigo é o 191 do CBJD: Deixar de cumprir requisição ou ato normativo da instituição de esportes a que estiver filiado: multa de R$ 100 a R$ 100 mil, com fixação de cumprimento da obrigação. Se for cometida por pessoa jurídica, as pessoas responsáveis podem ser suspensas do exercício da função.”

Seguimos de olho…

Frases de 2011

O ano está acabando e o blog se propõe, entre um camarão e outro 🙂 a relembrar as principais frases de 2011 no futebol paranaense.

“O Atlético está 10 anos à frente do Coritiba”

Marcos Malucelli, ex-presidente do rubro-negro, que ajudou a “encurtar” a distância presidindo o clube na queda para a Série B, em Janeiro.

“Sei que o nosso torcedor esperava uma contratação como essa. Outras virão”

Paulo César Silva, então diretor de futebol do Paraná Clube, ao trazer Kerlon e ensaiar uma “parceria” com a Inter de Milão; o “Foquinha” esteve mais para baleia e o Tricolor caiu no Estadual. Em Janeiro.

“A emoção, torcedor, é porque eu respeito o Paraná!”

Willians Lima, repórter da Rádio Banda B, que não aguentou a emoção e foi às lágrimas ao ler a escalação do Paraná Clube no jogo contra o Operário, um dos últimos antes do rebaixamento no Estadual. O time era mesmo de chorar. Em Abril.

“Vamos trazer a Seleção esse ano, de preferência contra a Holanda, para comemorar o centenário da imigração holandesa no Brasil”

Hélio Cury, presidente da FPF, prometendo os craques brazucas em terras araucarianas, em Abril.

“Eu vi que o momento do Mano [Menezes] não era bom, muita pressão, e deixamos para uma próxima”

Hélio Cury, presidente da FPF, explicando porque o jogo aconteceu em Goiânia. Em Dezembro.

Nós não jogámos nada. O Coritiba fez uma partida fantástica e goleou quando quis

Luiz Felipe Scolari, técnico do Palmeiras, aturdido após o histórico 6-0 do Couto Pereira, onde não tem sorte desde 1991, quando deixou o Coxa na carona do time do Juventude. Em Maio.

“Vai melhorar”

Adilson Batista, ex-técnico do Atlético (um dos 6), comentando início ruim no Brasileiro. O time só venceu na nona rodada (2-1 no Botafogo) e não melhorou o suficiente para não cair. Em (vários dias de) Maio.

“De forma alguma me arrependo dessa decisão, que foi tomada de forma consciente”

Marcelo Oliveira, técnico do Coritiba, justificando a mudança e a entrada de Marcos Paulo no time justamente na decisão da Copa do Brasil contra o Vasco, que ficou com a taça. O volante foi emprestado ao Avaí dias depois. Em Junho.

“Meus netinhos olham para mim e dizem: ‘vovô, eu não aguento mais perder para o Coritiba!'”

Mário Celso Petraglia, após a perda do Estadual e início desastroso no Brasileiro, no dia em que oficializou sua candidatura a presidência do Atlético, tirando uma casquinha do desafeto Marcos Malucelli, em Julho.

“Demos um susto grande no guri, falamos com os pais, ameaçamos processá-lo, mas não iremos fazer. Se fosse verdade seria a notícia do ano, mas não é”

Vilson Ribeiro de Andrade, então vice-presidente do Coritiba, negando acerto com a Nike, revelado por um garoto no Orkut. Ainda bem que não processou: o blog confirmou a informação em Agosto e a Nike já fala como fornecedora do Coxa. Em Julho.

“Vamos erguer a Arena Fifa para a Copa das Confederações”

Mário Celso Petraglia, então apenas gestor da SPE/Arena, prometendo que a cidade e o estádio estariam no evento-teste do Mundial 2014, em Outubro.

“A região Sul foi totalmente desprezada. Por isso a expectativa é de que a cidade não tenha um papel de coadjuvante, mas de ator principal. Seria triste ficar só com as partidas da primeira fase, mas tenho certeza de que isso não vai acontecer”

Luiz de Carvalho, gestor municipal da Copa, dias depois de Petraglia e pouco depois de saber que Curitiba ficou de fora. Ainda teria mais: Curitiba só receberá jogos da primeira fase da Copa 2014. Em Outubro.

“O Paraná Clube está amargamente rebaixado para a Segundona. É um momento triste na história”

Benedito Barboza, presidente do Conselho Deliberativo do Paraná Clube, logo após absolvição do Rio Branco no caso Adriano de Oliveira Santos. Só então o time passou a articular a antecipação da Série Prata. Em Novembro.

“Eu garanto que o Atlético não vai cair”

Marcos Malucelli, então presidente do Atlético, nas vésperas da partida contra o América-MG, perdida por 1-2. A vitória salvaria o Furacão. Em Novembro.

“Estaremos praticamente em casa, pois o jogo é em Curitiba”

Marcelo Oliveira, técnico do Coxa, diminuindo a pressão na Arena, no clássico com o Atlético que podia valer Libertadores ao Coxa; deu Furacão, 1-0. Em Novembro.

“Essa queda eu tiro do meu currículo”

Antônio Lopes, ex-técnico do Atlético, justificando o rebaixamento pelo pouco tempo de trabalho, apesar de ser quem mais treinou o time em 2011 – 18 jogos. E esquecendo que assumiu o Corinthians em 2005 em situação parecida, quando foi campeão. Vai tirar o título também? Em Dezembro.

“Não sei como cocaína foi parar no meu corpo”

Santíago “El Morro” García, atacante do Atlético, negando o doping por cocaína – que, aliás, não foi comprovado pela Fifa, já que o laboratório uruguaio não era oficial. Em Dezembro.

“Sim, nós vimos que o time era ruim, mas quem montou foram os técnicos, que pediam jogadores”

Marcos Malucelli, agora ex-presidente do Atlético, esquecendo de como exercer hierarquia num clube de futebol, em dezembro.

“É. É uma barra que eu estou enfrentando. Mas eu sou guerreiro”

Vilson Ribeiro de Andrade, já presidente aclamado do Coritiba, falando em público – e às lágrimas – sobre sua batalha contra o câncer. Em Dezembro.

“O Coritiba é um time golfinho, que vive subindo e descendo”

Mário Celso Petraglia, em campanha eleitoral, cutucando o rival com o apelido dado pelos atleticanos ao Coxa, após as quedas de 2005 e 2009. Em Dezembro.

“Eu quero agradecer ao Mário Celso. O golfinho é um animal amável e inteligente, que vive em águas limpas e cristalinas”

Vilson Ribeiro de Andrade, devolvendo a provocação na semana em que denúncias contra Petraglia, sobre propinas em negociações nos anos 2000, ganharam o noticiário. Em Dezembro, mostrando que 2012 será um ano ainda mais cheio de boas frases.