Couto Pereira, 80 anos: 5 grandes jogos e uma rica história

Nesta terça (20) o 5o maior estádio particular do Brasil completa 80 anos. Inaugurado como Belfort Duarte e depois de remodelado chamado Couto Pereira, em homenagem ao major do exército que presidiu o Coxa e idealizou a reforma, o estádio recebeu inúmeros grandes jogos e momentos inesquecíveis.

Toda essa rica história será contada em um livro a ser lançado em 2013, idealizado pelos torcedores Anna Gobbo e César Caldas, em parceria com o Grupo Helênicos. O livro está em fase de produção e vai retratar tudo sobre o estádio, como conta Caldas. “Serão quatro partes. A primeira relata todas as fases, desde as negociações para a compra do terreno até as reformas mais recentes, abordando também aspectos urbanísticos, arquitetônicos e sociais. O segundo reunirá crônicas de até 50 linhas em que os colaboradores relatam sua relação emocional com o estádio. A terceira terá os 30 eventos mais significativos: jogos importantes do Coxa, da Seleção e mesmo de rivais aqui da cidade, missa do Papa, show do Iron Maiden Phillips Monsters of Rock, chegada do Papai Noel em evento da Prefeitura para mais de 26 mil crianças, etc.”

Tive a honra de ser convidado a colaborar com um artigo sobre o estádio onde tive meus primeiros contatos com o futebol e passei muitos domingos até me tornar jornalista (quando passei a ir não somente aos domingos, hehe).

Até que a obra saia, o blog apresenta uma pequena lista dos 5 maiores jogos da história do Couto Pereira – claro, na minha visão. Convido você a fazer a sua nos comentários abaixo.

5 – Atlético 2-0 Flamengo, 1983. Até hoje, o recorde de público do estádio, quando 67.391 pessoas* passaram as catracas para ver o duelo rubro-negro na semifinal do Brasileirão. O Flamengo de Zico segurou o Atlético de Washington e Assis, que precisava de mais um gol, e foi à decisão.

Reportagem da TV Globo/RPCTV

*Fonte: RSSSF Brasil.

4 – Coritiba 0-0 Atlético, 1978. Última partida dos três Atletibas que decidiram o Estadual daquele ano. Nos pênaltis, Manga, que usou de um curioso artifício (veja no vídeo abaixo) parou o Furacão e deu ao Coxa o 7º de 8 títulos que o Alviverde conquistaria entre 1970 e 79. Mais de 150 mil pessoas viram os três 0-0 da sequência final.

Reportagem da CNT

3 – Coritiba 5-1 Atlético, 1995. O massacre coxa-branca na páscoa, que deu origem a revolução atleticana, culminando na construção do outro grande estádio da cidade, entre outras. Até então, o Couto Pereira era palco absoluto dos grandes jogos em Curitiba. A mudança no Atlético – novo estádio, CT, entre outros – gerou mudança no Coxa e ambos voltaram à Série A no final do ano.

Reportagem TV Globo

2 – Coritiba 3-2 Vasco, 2011. Primeira das duas decisões que o Coxa fez na Copa do Brasil entre 2011 e 12. Pelo ineditismo (os títulos nacionais do Coxa sempre foram ganhos fora de casa), pela emoção e pelos 5 gols, a decisão mais marcante do clube em casa.

1 – Brasil 2-0 Chile, 2001. Mal nas eliminatórias, a Seleção Brasileira procurou refúgio no Sul do País (depois ainda foi à Porto Alegre) e o Couto Pereira recebeu o jogo que simboliza a arrancada rumo ao Penta. Edilson e Rivaldo marcaram.

https://www.youtube.com/watch?v=Wv0b9Q8FjBI&playnext=1&list=PL700C050025F6A887&feature=results_main

Clique para ver o jogo completo (qualidade ruim)

Deivid não é a solução para o Coritiba

Deivid: boa opção para o ataque, setor menos problemático do Coxa

A diretoria do Coritiba atendeu os anseios da torcida e trouxe um “matador” (e não era John Wayne, não presidente Vilson?): Deivid de Souza, 32 anos, o “Incrível Deivid”*, que estava no Flamengo.

Boa pedida, mas não é a solução para a má campanha do Coxa.

Primeiro, porque o ataque não é o principal problema do Coritiba. Aliás, sequer é problema: é o quarto melhor do Brasileirão 2012, com 32 gols (atrás de Atlético-MG, Fluminense e São Paulo e junto com o Botafogo). É verdade que nenhum dos atacantes alviverdes inspira confiança e a presença de um homem-gol pode ajudar nisso, mas não se pode cobrar produção ofensiva e sim defensiva.

Depois, porque o estilo de jogo do Coxa não gira em torno da presença de um atacante central. Basta ver a própria boa produção ofensiva. Quinze jogadores já balançaram as redes nesse campeonato. A bola gira no ataque do Coritiba, cuja principal arma é o toque rápido de bola, com Éverton Ribeiro, Rafinha e outros mais. Deivid chega com pinta de titular e pode obrigar uma mudança de esquema, o que pode ser ainda pior – o problema está no meio-campo, enfraquecido desde as saídas de Léo Gago e (principalmente) Leandro Donizete. Há quem defenda uma mudança para o 3-5-2, reforçando zaga e meio. Mas encaixar Deivid em um ou outro sistema é tarefa para Marcelo Oliveira (que deu ótima entrevista ao Blog do Menon, leia que vale).

Além disso, um detalhe não pode passar despercebido: Deivid foi liberado pelo Fla porque o clube fluminense acredita em… Adriano. Sim, o Imperador, cujos problemas médicos e extra-campo têm chamado mais a atenção do que os gols, ganhou espaço sem jogar a ponto de Deivid ser considerado dispensável – e o Mengão tá longe de ser um esquadrão em 2012.

Nessa temporada, Deivid marcou apenas seis gols em 22 jogos, nenhum no Brasileirão. O último deles foi contra o Americano, em 15/04, de pênalti, pelo Campeonato Carioca. Deivid chegou a marcar 5 gols seguidos nesse ano, entre Libertadores e Cariocão, mas depois de um gol perdido inacreditavelmente contra o Vasco, viveu uma seca que parou no gol contra o Americano e recomeçou em seguida. O gol perdido ganhou as redes sociais e, ao pesquisar por “gols de Deivid pelo Flamengo” em busca dos números, me deparei com 545 mil resultados sobre… o gol perdido. Que está abaixo:

Claro, é vida nova para ele no Coxa. Mas a contratação não aplaca o verdadeiro problema da equipe.

*Deivid foi nomeado em homenagem ao personagem da Marvel Hulk. A mãe de Deivid era fã do Gigante Esmeralda e foi na onda da TV, que modificou o nome original (e duradouro até hoje nos quadrinhos) de Bruce Banner para David Banner – sabe-se lá porque mudaram o nome do personagem. A história veio à tona ainda na época em que ele defendia o Santos e Deivid, artilheiro, chegou a ser apelidado de “O Incrível Deivid”. Relembre um trecho do seriado dos anos 80:

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012


Pela volta da competitividade

Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.

Mas é o regulamento que está errado?

Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.

A mudança: como e por quê

É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?

O caminho do Coxa para a Libertadores é pelo mar

Vasco: de algoz a padrinho

Um jantar em Curitiba na última quinta-feira (29/09) fez Virgílio Elíseo, diretor técnico da CBF garantir: se o Vasco vencer também a Copa Sulamericana, o Coritiba estará na Libertadores 2012.

Vice-campeão da Copa do Brasil ao perder no placar agregado e critérios para o time carioca (0-1, 3-2), o Coxa se vê longe da Libertadores no Brasileirão, mas recebeu do diretor-técnico da CBF a garantia de que o departamento fará lobby junto ao presidente Ricardo Teixeira para que ele oficialize a idéia de que  Alviverde possa ocupar eventual vaga vascaína com duas condições: o Vasco precisa vencer a Sulamericana e, se a Conmebol definir que a vaga é do País e não da competição*, o Coxa jogaria a pré-Libertadores, ficando, de fato, com a suposta vaga da Sula.

Na prática, o Coxa precisa agora que o Vasco supere os seguintes cruzamentos:

O que falta agora é a sanção de Ricardo Teixeira, que está hospitalizado. E, claro, dar Vasco.

E o Brasileirão?

O Vasco também é o líder do Brasileirão e pode ser campeão; isso também beneficiaria o Coxa? Não.

Se o Vasco papar o Brasileiro e não a Sulamericana, entrará o 5 time da classificação na vaga, como já é de praxe: G4 vira G5.

Meus dois centavos:

…e pensar que o Vasco chegou capenga na decisão da Copa do Brasil, com favoritismo declarado do Coritiba, depois de passar apertado pelo Avaí e sem vencer o Atlético e ainda foi campeão apenas nos critérios. Hoje, é líder do Brasileiro e tem bom caminho na Sulamericana. Desbravador.

O blog ficou quase uma semana sem atualizações, mas manteve ótima média de visitações. Peço desculpas aos amigos e agradeço muito: aproveitei uns dias para colocar uma monografia em ordem e, como não sou de ferro, fui curtir o Rock in Rio no período.

*UPDATE: A Conmebol anunciou nesta quarta (05/10) que a vaga da Libertadores via Sulamericana é da competição e não do país; sendo assim, a promessa da CBF ao Coritiba perdeu efeito.

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2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que

Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?

Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?

Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:

Atlético

1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%

Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.

No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:

1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético

Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista

Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:

20ª rodada: Atlético x Atlético-MG

Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho

Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.

Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.

Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.

Coritiba

1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%

Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.

Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.

No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:

1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO

Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:

20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba

Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.

O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Coxa comemora: segredo está no elenco

 

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.

Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.

E os demais?

América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.

Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.

Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.

Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.

Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Bahia: só com muita fé do povão

 

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.

Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.

Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.

Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Cruzeiro e a Montillodependência

 

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.

Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Ronaldinho tem feito a diferença no Fla

 

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.

Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.

Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.

Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.

Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.

São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.

Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.

Concorda? Discorda? Opine abaixo!

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Que beleza de camisa! #8: Londrina

"Ôoooo... o Tubarão voltôoo, o Tubarão voltôooo-ô!"

Terça-feira e o blog mantém a tradição: é dia de Que beleza de camisa! E o clube homenageado de hoje não poderia ser outro que não o Londrina, potência do norte do Paraná, que no último domingo recuperou em campo seu espaço entre os maiores clubes do Estado. Como estamos falando do Tubarão, dose dupla de beldades nas fotos: a @carolboadebola usa o modelo de 2009, último usado na elite, e a @kellypedrita usa o modelo de 2001, ano em que o Tubarão aplicou a maior goleada da Série B: 7-0 na Desportiva-ES.

Que beleza de camisa!

#8 Londrina Esporte Clube

Quem é? Um dos grandes do futebol paranaense, fundado em 05 de abril de 1956.

Já ganhou o que? Campeão Brasileiro da Série B (198o), 3x Campeão Paranaense (1962, 1981 e 1992) e 3x Campeão do Norte Paranaense (1957, 59 e 62).

Grande ídolo: Indiscutívelmente, o maior ídolo do Londrina em todos os tempos é o atacante Carlos Alberto Garcia, que defendeu o Tubarão na década de 70 e meados de 80, quando voltou ao Tubarão, após rápidas passagens por Vasco e Grêmio Maringá, e conquistou o Paranaense de 1981. O grande momento de Garcia com a camisa alviceleste foi em 1977, na campanha do 3o. lugar no Brasileiro daquele ano – a melhor entre os paranaenses até então. O time superou Corinthians-SP, Flamengo, Santos e Vasco e só parou no Atlético-MG de Reinaldo, que seria vice-campeão invicto. Nos anos 2000, Garcia foi presidente do LEC.

Apelidos: Tubarão, LEC.

Como anda? Acaba de retornar a elite do futebol paranaense, após dois anos disputando a Série Prata. É dirigido por Sérgio Malucelli, irmão do presidente do Atlético, Marcos Malucelli, primo do ex-presidente do Coritiba, Joel Malucelli, e ex-gestor do Iraty. Disputará em 15 dias o título da Série Prata, ou contra Toledo, ou contra o eterno rival, Grêmio Maringá. A promessa, no entanto, é a disputa do título estadual da elite, ganho pela última vez há 18 anos, segundo matéria do site LECMania. No link abaixo, você vê o gol que deu o acesso ao Londrina, na vitória contra o Nacional:

Curiosidades: Foi fundado a partir da criação do Nacional Atlético Clube, de Rolândia, cidade vizinha (curiosamente, o mesmo time com quem disputou o acesso este ano). A idéia dos irmãos Andrade (Luciano e Luiz) e de um grupo de 12 pessoas resultou no Londrina Futebol Clube, que logo se tornaria Londrina Futebol e Regatas; em 1969 juntou-se ao outro time da cidade, o Paraná Esporte Clube, anexando-o e adotando o nome Londrina Esporte Clube. Mas a melhor história está fora das quatro linhas, descrita no livro “Londrina Esporte Clube: 40 anos”, de J. Mateus, e reescrita por mim abaixo:

Em 1957, Londrina e Mandaguari disputaram o 1o. campeonato do norte, que disputava um campeonato diferente do Paranaense da chave sul – eram dois os campeões estaduais até 1959, quando os dois campeões passaram a se enfrentar. O jogo, em Mandaguari, foi disputado em um estádio acanhado, onde se cabia uma equipe de rádio. Houve um sorteio entre as rádios Londrina e Paiquerê – e deu Londrina, que mandou o narrador Augusto Reis para a cidade próxima de Maringá.

A Rádio Paiquerê, no entanto, tinha maior audiência e não iria ficar fora dessa. Decidiu-se que o narrador Willy Gonser iria “dublar” a narração, ou seja: ouviria o que Reis narraria e então repetiria no seu microfone.

O Londrina precisava da vitória para ser campeão. E vencia por 1 a 0 quando, aos 44 do segundo tempo, o juiz apitou pênalti para o Mandaguari. Os corações em Londrina palpitaram: era Felix Lescaño, craque do time rival, quem iria para a cobrança.

Willy Gonser escutava atentamente a descrição do momento feita por Augusto Reis. Mas uma tempestade em Londrina mudou os planos do narrador. A energia elétrica da região onde estava sediada a Rádio Londrina caiu – e todos os ouvintes passaram a ouvir a Paiquerê. Gonzer enrolou, descreveu confusão no gramado, fez o que pôde para ver se a luz da rádio concorrente voltava. Mas não tinha jeito. E já tinham se passado alguns minutos. Gonser decidiu “bater” o pênalti. E o fez:

– Correu pra bola Felix… bateu… GOOOOOOOOL… do Mandaguari…

Tristeza em Londrina.

O jogo acabou ali e o LEC era vice-campeão. Mas…

Eu e Willy Gonser, antes de Coritiba x Atlético-MG em 09 no Couto Pereira

…Lescaño, sem seguir a recomendação de Gonser, bateu para fora. O Londrina garantiu a vitória por 1-0 e ficou com o título do primeiro campeonato do Norte! Na madrugada, ao chegar de ônibus, a delegação alviceleste, embriagada de alegria, se decepcionou: nenhuma alma estava ali para comemorar o título. Ao contrário: muitos só acreditaram na conquista ao ver a taça!

Gonzer se mudou para BH e se tornou um dos maiores narradores esportivos do País.

O Londrina e o futebol paranaense: Time de grande tradição, três vezes campeão estadual, terceiro colocado entre os paranaenses no ranking da loteria “Timemania”, em que se aposta no clube do coração, coube ao Londrina o primeiro destaque do Estado no Brasileirão, desde que ele é assim conhecido (1971). Foi em 1977, quando chegou as semifinais após vencer o Vasco em São Januário, no jogo que é recorde de público do estádio (40.209 pessoas). Os gols estão nesse vídeo:

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As mazelas do marketing

Chegou até o meu e-mail hoje a foto abaixo, que já circula na internet em diversos fóruns. Achei curioso e, como colecionador, interessado em saber quem tem a peça. E resolvi postar para discutir rapidamente um tema: as mazelas do marketing esportivo.

Camisa comemorativa da Copa do Brasil: agora, artigo raro

Evidentemente que as camisas tinham de ser produzidas com antecedência; não seria na quinta-feira pós título nacional, inédito e recuperando um orgulho de 26 anos, que a Lotto iria confeccionar um lote que com certeza teria grande vendagem.

As imagens vazaram e eu achei extremamente curioso – eis o porquê do post.

Mas existe algo mais. Quando da decisão, na primeira partida em São Januário, muito se falou e fez porque ambulantes vendiam faixas de campeão na frente do estádio carioca, pró-Vasco. Um sensacionalismo barato que fui contra, não abordei no Jogo Aberto, embora tenha visto algo por aí. Lógico que no jogo de volta também havia o mesmo artigo pró-Coritiba. E a mesma atitude foi tomada: destaque zero.

Há quem ache que ajuda o clube a vencer criando um factóide desses. Bobagem.

Além de jornalista, sou publicitário e sei que uma peça dessas tem que ser planejada antes. E pela vivência no futebol, que ela só chega ao vestiário no momento da decisão, como fator motivador aos jogadores que, oras!, precisam de mais motivação que o simples fato de tentar o título da Copa do Brasil?

Futebol é paixão e negócio – em cima da própria paixão. Discutir agora se devia ou não ser feito, se é motivador ou não, é a pior das bobagens possíveis. Há que se compreender a lógica da indústria. E parar que querer transformar essas ações, positivas e rentáveis aos clubes, em factóides na esperança de se tornar o herói de uma conquista. Como se a bola na rede fosse menos importante.

P.S.: Noves fora o que todos já sabemos, você gostou da camisa? Eu, sim.

Reportagens: Jogo Aberto Paraná 18/07/2011

Paraná Clube

O Tricolor venceu o Vila Nova em um jogo duro na Vila Capanema. O placar de 2-1 devolveu ao Paraná a vaga no G4 da Série B. Depois da partida, o técnico Roberto Fonseca elogiou a equipe e defendeu o time de algumas críticas contra o excesso de faltas cometidas durante a disputa da Série B. Acompanhe os melhores momentos e ouça a entrevista:

Operário

O Fantasma estreou mal na Série D do Brasileiro. O time perdeu em Mirassol-SP, por 0-1, para o time da casa. O técnico Amilton Oliveira pediu reforços e lamentou o desempenho do meia Ceará, que jogou se recuperando de uma lesão. Confira o gol e a entrevista (a narração é de Marcelo Ferreira, da TV Vila Velha):

No outro jogo do grupo, CENE-MS 3-3 Oeste-SP. O Cerâmica-RS folgou na rodada.

Também pela Série D, o Cianorte venceu o Cruzeiro-RS por 1-0, em casa.

Atlético

Veja os gols de mais uma derrota do Furacão no Brasileiro, a 8a em 10 jogos. Desta vez, o time saiu na frente, mas cedeu a virada para o Vasco:

O próximo jogo do Atlético será sábado, 18h30, contra o Botafogo-RJ na Arena.

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