Guia dos Playoffs da NFL 2013-14

por André Tesser*
 
 
Começa nesse 04 de janeiro um novo campeonato na NFL.
 
Sim, porque os playoffs podem ser considerados uma nova competição, já que tudo que aconteceu na temporada regular é praticamente zerado e as equipes se enfrentam em jogos eliminatórios, nos domínios daqueles melhores classificados na temporada regular, na sistemática famosa do “win or go home”. A temporada regular é realmente apenas classificatória para os playoffs. Claro que ela é um bom indicativo do nível das equipes e de suas possibilidades de avanço nos jogos eliminatórios. Mas o fato de em apenas um jogo uma equipe definir seu futuro no campeonato realmente muda a cara da competição.
 
É difícil prever qualquer resultado nos playoffs, mas, como bom palpiteiro, não posso me furtar de apontá-los.
 
NFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Seattle Seahawks (primeiro colocado, campeão da NFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o surpreendente Carolina Panthers (segundo lugar geral, campeão da NFC South, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Philadelphia Eagles (terceiro lugar e campeão da NFC East), Green Bay Packers (quarto lugar e campeão da NFC North), San Francisco 49ers (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o New Orleans Saints (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões).
 
Assim, Seahawks e Panthers não jogam nessa primeira rodada. O Eagles enfrenta, em casa, o Saints, enquanto o Packers recebe no seu estádio o 49ers. Curioso é que tanto o Saints quanto o 49ers tiveram mais vitórias que seus oponentes na temporada regular, mas, por não terem ganho suas divisões (o Panthers ganhou a divisão do Saints e o Seahawks, a do 49ers), terão que jogar fora de seus domínios.
 
Philadelphia Eagles x New Orleans Saints, na Filadéfia, sábado, às 23h30:
 
Em casa, o Eagles tem sido irregular, embora tenha melhorado na segunda metade da temporada. Seu novo quarterback Nick Foles, apoiado por dois grandes jogadores (Lesean MacCoy e Desean Jackson), fazem do ataque uma arma importante e a defesa jogou bem na temporada. Por outro lado, o ataque do Saints também é muito forte, pois seu quarterback Drew Brees é dos melhores da liga (tendo ganhou um Super Bowl sendo MVP e com alguns recordes individuais importantes) e conta ainda com Jimmy Graham, Marques Colston e Pierre Thomas. Porém, Drew Brees nunca conseguiu vencer um jogo de pós temporada fora de New Orleans.
 
A chave do jogo será o rendimento dos quaterbacks. Se Nick Foles repetir nos playoffs a temporada excelente que fez, dificilmente o Eagles perderá o jogo; mas, se Brees resolver jogar bem fora de casa um jogo de playoff, o Saints terá boas chances.
 
Palpite: jogo equilibrado, mas o Eagles vence.
 
Green Bay Packers x San Francisco 49ers, em Wisconsin, domingo, às 19h30
 
Esse confronto tem tudo para ser o melhor dessa primeira rodada. As equipes enfrentaram-se nas semifinais da NFC da temporada passada, mas em São Francisco, com a vitória do 49ers no jogo em que o time da California teve a melhor performance ofensiva de sua história nos playoffs. Esse ano, os times se encontraram na primeira rodada temporada regular, também em San Francisco e também com vitória do 49ers. Mas, agora, dois fatores certamente influenciarão o confronto.
 
Primeiro, o Packers classificou-se apenas na última rodada com uma vitória épica a menos de um minuto do final do jogo contra seu maior rival, Chicago Bears, fora de casa, no jogo do retorno de seu excepcional quarterback, Aaron Rodgers, o que deve lhe dar um “gás” maior para os playoffs. E, por segundo – e não menos importante, o frio. A temperatura esperada para o Lambeau Field (estádio aberto em Green Bay) é de – 20° C. Isso mesmo, vinte graus negativos, uma amplitude térmica de quase 30 graus para San Francisco. Não é algo a se desprezar.
 
O Packers sofreu com diversas contusões ao longo da temporada. Além de Aaron Rodgers, a dupla de recebedores, teve Randon Cobb fora em vários jogos. Os Packers melhoraram o jogo corrido, principalmente com o calouro Eddie Lacy que fez uma boa temporada, mas que parece estar jogando lesionado. E sua grande estrela defensiva, o linebacker Clay Mathews ainda é dúvida para o jogo desse domingo. O 49ers fez uma campanha de 12 vitórias, mas teve momentos de irregularidade que preocupam seu torcedor. Seu quaterbarck Colin Kaepernick fez uma temporada de altos e baixo, às vezes dentro do mesmo jogo. A volta do recebedor Michael Crabtree deu uma esperança de melhora do jogo aéreo, que já conta com o tight end Vernon Davis e o wide receiver Anquan Boldin como bons alvos. O jogo corrido de Frank Gore ainda funciona e a defesa do Niners tem, talvez, o melhor corpo de linebackers da Liga.
 
Palpite: num jogo em que a adaptação ao frio deve ser determinante, e com a crescida de Green Bay, com dor no coração (sou torcedor dos Niners), o Packers deve ganhar o confronto.
 
AFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Denver Broncos (primeiro colocado, campeão da AFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o New England Patriots (segundo lugar geral, campeão da AFC Eats, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Cincinnati Benagles (terceiro lugar e campeão da AFC North), Indianopolis Colts (quarto lugar e campeão da AFC South), Kansas City Chiefs (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o San Diego Chargers (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões). Assim, Broncos e Patriots não jogam nessa primeira rodada. O Bengals enfrenta, em casa, o Chargers, enquanto o Colts recebe no seu estádio o Chiefs. Nessa conferência, Bengals, Colts e Chiefs tiveram uma temporada com 11 vitórias e 5 derrotas, o que mostra o equilíbrio entre os times.
 
Cincinnatti Bengals x San Diego Chargers, em Cincinnatti, domingo, às 16h00
 
O Bengals não perdeu no seu estádio na temporada regular, ganhando todas as oito partidas que disputou. Isso faz do time de Ohio uma equipe muito forte em seus domínios, com uma defesa muito boa e um quaterback, Andy Dalton, que teve excelentes momentos na temporada. O wide receiver AJ Green está entre os melhores da liga e o jogo corrido é constante com o running back Giovanni Bernard. O San Diego Chargers classificou-se “na bacia das almas” com um Field goal na prorrogação da última rodada contra o time misto do Chiefs, que haviam perdido também um Field goal para ganhar o jogo no finalzinho do tempo normal. Mas, o fato de terem enfrentado o Denver Broncos – melhor time da temporada regular – em duas partidas e também de fazerem parte da única conferência que classificou três times para os playoffs (AFC West), mostra que o time da California não pode ser desprezado. A conexão aérea do quarterback Phillip Rivers e do tight end Antonio Gates é das mais profícuas da Liga, e o jogo corrido é bem estabelecido com Danny Woodhead, running back contratado junto ao Patriots. Mas, a defesa de San Diego é seu ponto fraco.
 
Palpite: deve ser o jogo menos equilibrado dos playoffs e a vitória do Bengals, jogando em casa, é mais do que provável.
 
Indianapolis Colts x Kansas City Chiefs, em Indianápolis, sábado, às 19h30
 
O jogo que abre os playoffs será um confronto entre uma equipe que começou muito bem a temporada contra um time que teve grandes momentos, mas que teve a seu favor o fato de estar na divisão mais fraca da Liga, a AFC South, vencendo todos seus seis confrontos dentro dela. O Chiefs chegou a ganhar as nove primeiras partidas, mas, depois disso, só ganhou mais duas. O Colts, por seu lado, venceu San Francisco 49ers (em San Francisco), Seattle Seahawks e Denver Broncos, esses dois últimos, as duas melhores campanhas da Liga.
 
O Colts terá a seu favor o fato de jogar no seu estádio e de viver um melhor momento que o Chiefs. Indianapolis vem de três vitórias seguidas, e seu quaterback Andrew Luck está mais maduro e parece capaz de levar o time a vencer uma partida de playoff, o que ainda não aconteceu na era pós Peyton Manning. Especialmente porque conta com mais uma boa temporada do wide receiver Reggie Wayne e porque o running back Trent Richardson parece ter encaixado seu jogo corrido. A defesa é das melhores da liga também. Já o Chiefs, que começou arrasador com nove vitórias seguidas, vive claramente um momento de declínio. Vem de duas derrotas seguidas e, depois da nona rodada, ganhou apenas duas partidas das sete restantes. Mas, a grande defesa do time, aliada ao jogo corrido de Jamaal Charles pode devolver ao Chiefs as grandes atuações do começo da temporada. De qualquer modo, estar nos playoffs já uma vitória para uma equipe que venceu apenas duas partidas na temporada passada e que, com a chegada de Andy Reid como Head Coach parece ter adquirido novo status na Liga.
 
Palpite: o melhor momento do Colts deve ser decisivo para a primeira vitória de Andrew Luck em um jogo de playoff. O que, se acontecer, mandará o Colts para mais um confronto histórico contra seu ex-quaterbarck Peyton Manning, dessa vez, em Denver, nas semifinais da Conferência.
 
*André Tesser é louco por ‘football’ e amigo do blog.

Acabou o futebol, e agora?! NFL na veia!

Chargers x Broncos: NFL começa a ferver agora

por André Tesser*

Bom Senso FC e discussões por calendário a parte, para muitos, o final do ano é o período de ressaca esportiva pelo recesso da paixão nacional esportiva do brasileiro: o futebol. Com o fim do Brasileirão – ao menos dentro do campo… – e da Copa Sulamericana, os amantes do futebol ficam restritos aos poucos jogos dos Mundial de Clubes ou ainda os Europeus, que o Terra transmite de graça, como o Alemão. O pior mesmo são as peladas de final de ano. Os intermináveis “Amigos de Ghiggia x Amigos de Forlán”, que mais parecem aqueles famosos casados x solteiros que precedem o último churrasco do ano dos amigos.

Uma excelente alternativa é a NFL, a liga profissional norte-americana de futebol. Ao contrário do futebol jogado com os pés, a NFL começa a atingir seu ápice no final do ano, passa ao longo de janeiro inteiro e tem seu clímax com sua final (o Super Bowl, evento esportivo de maior audiência televisiva do mundo) no primeiro domingo de fevereiro.

A temporada regular está terminando e faltam apenas três rodadas para a definição dos playoffs (mata-mata em partida única) e tem sido a mais emocionantes dos últimos anos. Basta dizer que, das 32 equipes da Liga, somente três já têm vaga garantida nos playoffs. E que, das equipes que restaram, 25 de 29 times ainda brigam por um lugar ao sol nas próximas fases.

Ainda, além das brigas pelas vagas nos playoffs, estão em jogo também nas rodadas finais da NFL as melhores posições dentro das duas conferências da Liga (AFC e NFC) que garantem aos times folgas (bye) na primeira rodada das fases eliminatórias e as vantagens de jogaram a partida única de cada fase dos playoffs em casa.

Na temporada regular, dois canais (ESPN e Esporte Interativo) transmitem até quatro jogos por domingo e um jogo na segunda-feira à noite. Mesmo com alguns jogos começando muito tarde (os dois jogos mais importantes da rodada, o Sunday Night Football e o Monday Night Football começam às 23h30’ por causa do fuso horário), a ESPN vem repetindo a transmissão de alguns jogos em horários mais, digamos, acessíveis.

Depois do final do ano (no primeiro fim de semana de janeiro, para ser mais exato), começam os playoffs e todos os jogos dessas fases, incluindo o Super Bowl no dia 02/02/2014 estarão na TV. Vale a pena assistir, porque, verdadeiramente, as fases eliminatórias costumam ser um campeonato diferente da temporada regular. Basta relembrar que os últimos três campeões do Super Bowl não foram as equipes de melhor campanha na temporada regular em suas Conferências. Aliás, sequer foram equipes que conseguiram garantir um bye na primeira rodada dos playoffs.

Então, meu amigo, dispa-se do seu preconceito e se permita (ao menos tentar) curtir o futebol americano. Sente na frente de sua TV com tempo e mente – e algum refresco – abertos. Uma bela cerveja americana (se puder ser uma IPA, melhor ainda) e preste atenção ao jogo, aproveitando as didáticas transmissões para o Brasil. Se você não se viciar na NFL, ao menos não perdeu tempo assistindo “Amigos do Ghiggia x Amigos do Forlán”.

*André Tesser é especialista em futebol americano e amigo do blog

Futebol, o bem e o mal

O Atletiba 355 vai iniciar a decisão do Paranaense 2013. Era pra ser o jogo do radinho, mas o Atlético surpreendeu a todos nesta sexta-feira ao anunciar um acordo de última hora com a emissora de TV que comprou os direitos da competição sem o clube no início do ano. Primeiro, a divulgação de que não só o 355, mas também o 356, passariam em TV fechada, ao contrário do que vinha acontecendo com o Furacão; depois, a TV aberta entrou na dança e também irá transmitir os jogos.

Muito se falou e especulou sobre o tema. Afinal, a postura do Atlético até aqui era também política. Mário Celso Petraglia disse, para os veículos oficiais do clube, que não acertaria jamais o acordo pras finais com a TV. A questão, soube-se, era mais que econômica. E ao longo da competição houve muita confusão entre as restrições para a imprensa e a medida de se jogar com o Sub-23. Confusão proposital de alguns, diga-se. Uma coisa é fechar o clube, o que até os patrocinadores consideraram nocivo. Outra é colocar o time principal numa pré-temporada, uma tentativa válida (embora tenha sido longa e exagerada) de fugir do péssimo calendário brasileiro.

O Atlético voltou atrás e sobrou para todo mundo. No Coritiba, o presidente do clube torceu o nariz. Disse Vilson Ribeiro de Andrade ao jornal Gazeta do Povo: “O Coritiba aceitou as regras e acreditou no campeonato desde o início, sempre disposto a colaborar com o futebol paranaense. Eles não. Humilharam o campeonato e agora aparecem na hora do filé mignon. Não acho correto.” Nas redes sociais, torcedores dos demais times paranaenses também ficaram contrariados e até mesmo sobrou pra imprensa, criticada por supostamente dobrar-se e aceitar as exigências atleticanas. Uma tentativa de dividir o futebol entre o bem e o mal. Errônea.

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Futebol é paixão, fidelidade, emoção, mas é também, amigo leitor, negócio. Não existe bem ou mal; existem interesses comerciais. Lá atrás não houve acerto entre as partes e o Atlético ficou sem aparecer na TV. Perderam todos, incluindo o produto. Nas finais, com uma conjuntura de fatores, as partes se acertaram. E aí o problema é só delas. Nunca foi de outros. Não cabe o discurso de fortalecimento do futebol paranaense, tampouco as reclamações de Vilson Andrade que, aliás, acabou beneficiando-se do acerto atleticano, com o Coritiba vendendo mais um espaço publicitário na camisa somente para a decisão.

A imprensa também não se vendeu, nem antes, nem agora. Os bons seguiram fazendo jornalismo. As emissoras que podiam, seguiram acompanhando o clube, com ou sem restrições – e quem disse que elas acabarão agora? O produto foi tratado como pôde e o torcedor, principal razão dessa atividade, atendido com as mais diversas visões. É a pluralidade da mídia que faz com que o torcedor inteligente separe o joio do trigo, escolha aquilo que lhe agrada mais e forme sua própria visão. Ninguém é do bem ou do mal. Nem os profissionais que seguiram na cobertura tradicional, ácida por natureza (às vezes até demais), nem os que estão no veículo oficial do clube, um trabalho digno como qualquer outro, com um editorial evidentemente institucional.

No domingo, no primeiro jogo entre os tradicionais rivais do Paraná, alguns vão querer misturar as ações. Vai se falar em bem e mal, certo e errado, fora de campo. Mas, o que haverá de fato, é o confronto entre os dois times mais vitoriosos do Estado, cada um com seu projeto. Vencerá o melhor nos dois jogos. E que vença a democracia e o esporte.

  • Em campo

O Coxa é favorito e tem a obrigação da conquista. Leva as vantagens de decidir em casa e, principalmente, de dois resultados iguais, num acerto do regulamento que evitará os pênaltis, sem levar em conta o peso dos gols fora de casa. É o time que mais investiu, o que se declarou disposto a conquistar um tetracampeonato que não vêm desde os anos 70. Pega um Atlético aguerrido, surpreendente, que chegou pela estrutura, pela camisa e por alguns poucos talentos formados na base.

O Furacão já pode considerar-se vencedor. Flertou com a queda mas acabou preparando Santos, Hernani, Douglas Coutinho e Zezinho, entre outros, para usar no elenco principal. E, de quebra, pode aprontar pra cima do rival. É Alex, o menino de ouro do Alto da Glória, contra os piás da Baixada, cada um querendo ser o que Alex já foi pelo Planeta Bola. E o que nenhum deles ainda foi: campeão paranaense.

  • Números

354 jogos até aqui na história entre ambos. Vantagem do Coritiba, com 135 vitórias, 109 empates e 110 triunfos do Atlético.

Em finais, equilíbrio total: esta será a 15a entre os times. Até aqui, sete conquistas para cada um – contando apenas campeonatos decididos em finais, ressalte-se. O Atlético venceu em 1943, 45, 83, 90, 98, 2000 e 2005; o Coxa levou em 1941, 68, 72, 78, 2004, 2008 e 2010. 

 

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Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

Essa é uma informação exclusiva: a Coca-Cola se reuniu há 10 dias com a diretoria do Atlético para cobrar do clube o porquê da pouca exposição da marca na mídia. Na reunião, esteve presente o diretor de comunicações, Mauro Holzmann.

A Coca-Cola cobrou a ausência da exposição dos banners com os patrocinadores e usou até mesmo o Coritiba como exemplo, citando ainda que, com imagens de treino disponíveis para toda a mídia no Alviverde, há retorno do investimento em propaganda até mesmo quando os atletas do Coxa estão consumindo o isotônico da empresa, o que aparece na televisão. Holzmann prometeu algumas contra-partidas – as placas atrás dos gols nos jogos do Atlético no Paranaense, por exemplo. Ainda assim, a direção de marketing da multinacional não ficou contente com as explicações e poderá rever o contrato. A assessoria de imprensa da Coca-Cola confirmou que procurou o clube.

Esse é apenas um dos exemplos das perdas que o Atlético vêm tendo a partir das restrições que tem imposto à mídia em 2013. O modelo de comunicação adotado pelo clube é inédito no Mundo e vai na contramão de tudo o que prega qualquer boa cartilha em gestão e comunicação. Antes de continuar o artigo, faço o aviso: sou formado em jornalismo e também em publicidade, tendo trabalhado por anos na área, antes de migrar para redações. Também sou pós-graduado em gestão esportiva e jornalismo esportivo. O artigo aqui, portanto, não é um achismo; é um apanhado de informações e reflexões sobre as decisões do clube que, pelo volume de torcedores que possui, tem relevância no mercado nacional.

É preciso se entender as razões da decisão da diretoria do Atlético. E também separar algo que já é bem caracterizado no mercado: o que é jornalismo e o que é entretenimento. A opção de não vender os direitos de transmissão para o campeonato estadual é um direito do clube, que argumentou que o valor está abaixo daquilo que entende ser correto. A exibição dos jogos é tratada, até mesmo pela principal emissora do País, como entretenimento. É como quando você quer comprar um carro: ele tem um preço, você tem um valor no bolso; se for compatível, ok. De outra forma, não sai negócio. Sabe-se, porém, que há mais por trás da decisão do que só uma valorização de mercado.

Há anos que a atual diretoria do clube têm problemas com parte da imprensa. E aqui cabe outra ressalva: não há corporativismo na análise – até porque posso garantir que poucas classes são mais desunidas e acirradas que a de jornalista – mas há que se pesar que ora um tem razão na reclamação, ora outro. Há quem diga que tudo que começou em 2004, em uma discussão entre diretores do clube e comentaristas em uma das principais rádios de Curitiba. Há também quem ache que essa mesma rixa vem de mais tempo, 1988, com o cenário político na capital, envolvendo o personagem de mais destaque no clube, Mário Celso Petraglia. Fato é que, por muitas razões, o mercado do jornalismo esportivo é mal visto na cidade, independentemente do time para o qual você torça. E que muitas vezes misturam-se as relações pessoais com as profissionais. Acontece nos microfones e também no site oficial do clube, exemplos não faltam.

O site oficial, aliás, tem uma boa ideia sobre como se comunicar. Só que mal executada. A segmentação de informações do clube não é invenção do Atlético. Há anos já existe a Barça TV, assim como a Real Madrid TV. Existem até mesmo canais de TV que pagam para ter a programação oficial dos clubes. Milan Channel e MUTV (do Manchester United) cobram para canais exibirem seus conteúdos. No Brasil, clubes têm até espaços em canais, como a TV Corinthians no Esporte Interativo – mas a inversão é que o clube compra o espaço para divulgar seu material institucional. Rádios também são opção para o torcedor. O Grêmio tem a sua, que acompanha todos os jogos. Ainda em Porto Alegre, existe uma rádio não-oficial chamada Rádio Grenal, do grupo Guaíba, que fala tão somente da dupla, com jogos transmitidos por torcedores – uma relação que eu considero perigosa e explicarei porque a seguir. Mas, enfim, existem produtos similares no mercado. Nenhum porém que vete o jornalismo em cima do clube.

O jogo é entretenimento; a entrevista, não. Um clube de futebol trabalha não só a emoção do torcedor nos 90 minutos. Tem balanço financeiro e alguns benefícios fiscais. Vende e compra ativos no mercado (os jogadores). Tem departamento médico e de marketing. Movimenta muito dinheiro. Especialmente os grandes clubes, que, por tudo isso são de interesse público. Aí entra a imprensa, que tem como principal trabalho monitorar tudo isso. Um ótimo repórter, no entanto, dribla 90% das restrições do clube. Descobre contratações (olá, redes sociais), negociatas, informações sobre patrocínios e lesões. Falta apenas uma ponta, não menos importante: ouvir o protagonista do espetáculo. É ele quem leva o torcedor pro estádio. Neymar e seus milhares de fãs não me desmentem. E é ele que o povo quer ouvir. No Atlético, não há essa possibilidade.

Cristiano Ronaldo é um craque de bola e de mídia. Ao contrário de Messi, não é low-profile; gosta de badalação e já apareceu até com Paris Hilton nos jornais. Explora bem isso, convertendo em dinheiro, sem deixar de desempenhar em campo. Sem a mídia, Cristiano Ronaldo seria apenas um ótimo jogador, não um ídolo pop. Coisa que Messi é em menor grau, mas não porque o Barcelona o esconde. Messi concede entrevistas coletivas como qualquer outro jogador. A Espanha é o melhor exemplo para esse artigo que fala do relacionamento entre clube e imprensa. Para quem acha que há perseguição ao seu clube, é bom passar uma semana lendo os diários de Madri e Barcelona.

O Mundo Deportivo é o principal jornal de Barcelona; o Marca, o principal de Madri. Há uma clara preferência de cada um pelos clubes das suas cidades, sem pudor. Ambos, no entanto, se pretendem nacionais. E frequentam as entrevistas coletivas dos clubes. As perguntas mais ácidas, mais provocativas, costumam partir destes jornais. Mas somente para os clubes da outra cidade. O bairrismo catalão é a mola propulsora desta disputa, que passou até pela Guerra Civil Espanhola. É histórica a disputa entre Barça e Real, Catalunha e Madri. E nem por isso os clubes barram os jornalistas. Ao contrário: recebem bem, exploram o espaço de mídia valorizando suas marcas e dão media-training aos jogadores que, claro, já estão bem escolados.

No Mundo Deportivo, as notícias sobre o Real Madrid são sempre mais críticas

Jornalismo pressupõe contradição, investigação, réplica e tréplica. E o mínimo de isenção possível ao se lidar com o assunto. Nenhum jornalista é completamente isento: todos temos histórico de criação, bagagem cultural, opções políticas e clubísticas. Mas, ao se empunhar um microfone, isso deve ser deixado de lado o máximo possível. Eu, por exemplo, tenho meu clube do coração. Acho irrelevante declarar – não irá mudar em nada qualquer decisão de ninguém – e procuro isentar-me dos temas da seguinte forma: se eu torço para um determinado time, sei o que o torcedor do rival sente pelo dele. Logo, dou o respeito que gostaria de receber. Com o tempo e o desgaste, o futebol perde a magia e o lado profissional fica em primeiro lugar. E é por isso que jamais uma visão mono e institucional sobre qualquer tema será benéfica. O contraditório é importante para que você desenvolva o seu próprio julgamento.

Assim, por mais que o site oficial de qualquer clube se esforce, jamais será uma fonte 100% confiável; ela é partidarista. Tal qual os programas esportivos com torcedores – já tive oportunidade de comandar duas atrações assim – que perderam-se no tempo por misturar informação com entretenimento. São divertidíssimos quando ficam nas rixas e gozações, mas se perdem quando precisam adotar uma postura informativa. Cada um defende o seu, sempre. E a informação é dada pelo emocional: se fulano jogou mal, não presta, se fez gol, é Pelé. O pronunciamento dado por Mário Celso Petraglia, com interatividade de sócios, seguiu essa linha, bem como as entrevistas feitas pelo site do clube, que pretende servir como fonte única de informação. Falta réplica, contraditório. O que as entrevistas coletivas já vinham minando há algum tempo, o Atlético tratou de exterminar. Com a visão mono, perde-se o lado crítico e a consequência é a letargia: tudo é bom, bonito e tudo serve. Ou foi fatalidade. O popular “Deus quis assim”.

O Santos, com a SantosTV, explora ao máximo as brincadeirinhas com Neymar. Em São Paulo, o Santos não consegue muita audiência. Tem um grande ídolo e aproveita isso, sem barrar qualquer entrevista com qualquer jogador. Atendendo as necessidades, o Peixe expõe sua marca constantemente na mídia nacional. As notícias, a cargo da imprensa. Os bastidores, o Santos oferece e a mídia exibe. Se Neymar ficar noivo e feliz, isso vai ser notícia sem que se cobre dele o desempenho em campo pelo viés crítico.

A confusão entre jornalismo e entretenimento faz com que o clube execute errado uma ideia que seria salutar a todo o mercado – e causa arrepios a alguns colegas: a venda dos direitos de transmissão de rádio. A Fifa já faz isso com a Copa. A lei garante o jornalismo e registro de 3% do espetáculo (vale também pra shows, por exemplo), mas os 90 minutos, só para quem pagar. Foi assim que a TV Bandeirantes começou a transmitir o Campeonato Paulista nos anos 80, dando o pontapé num negócio de alta rentabilidade, para clubes e emissoras. É natural que haja o mesmo no rádio. Porém, nenhum clube conseguirá executar nada sozinho. Se eu compro os direitos de transmissão do Londrina, mas não compro os do Coritiba, como irei transmitir um jogo entre as duas equipes? Antes de executar a ideia, é preciso que todos a abracem. Novamente, o pecado está na execução.

No pronunciamento dado por Petraglia, uma frase chamou a atenção: “Hoje, todos têm smartphones”. Era o presidente do clube defendendo o acesso único a informações pelo site, TV e rádio oficiais. Deixando de lado a liberdade jornalística, a frase morre logo na premissa. É como a rainha francesa Maria Antonieta e a frase atribuída a ela: ” “Se o povo não tem pão, que coma brioches!” A fome do povo vinha da falta de dinheiro, não de opção. O humilde carrinheiro que já anda afastado dos estádios por conta dos ingressos, não tem smartphone. E não terá mais acesso a sua paixão – claro, se for atleticano. Para desgosto rubro-negro, o Coritiba segue a contramão: nos últimos 15 dias, foi exibido 4 vezes em redes nacional e estadual.

A média de audiência do mais consagrado programa de esportes em Curitiba é de 14 pontos no Ibope. Cada ponto equivale a 27 mil televisores ligados que, em média, são assistidos por 6 pessoas. Numa conta rasteira, 150 mil pessoas por dia. O pronunciamento de Petraglia foi, até a redação deste artigo, “curtido” por 125 pessoas, com 78 “tuitadas”, dando a dimensão limitada do acesso do conteúdo na web. O Atlético hoje tem 93 mil seguidores no Facebook e 34 mil no Twitter, enquanto a torcida estimada do clube é de 1,2 milhão de pessoas. Ainda que seja um pronunciamento, as ideias de Petraglia chegaram a pouca gente. Até mesmo as boas, como a pré-temporada na Europa, acabam se perdendo pela falta de explicações. Menos mal para o público que houve um acerto com um canal de TV a cabo nacional para a exibição dos jogos.

Audiência TVCAP: ideias de Petraglia chegam a poucas pessoas

O conflito de interesses entre imprensa e clubes vai sempre existir. Ora ético, ora não, de ambos os lados. É assim na política, na polícia e em todas as áreas do relacionamento humano. Como o futebol é feito de vitórias e alguns torcedores têm a moral distorcida por isso (ganhou tá lindo, perdeu não presta), é uma variável a repercussão dos assuntos. Saber lidar com isso, usando de transparência e inteligencia, é o melhor caminho.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 29/08/2012


Pela volta da competitividade

Chegamos à metade do Brasileirão 2012 e olhar para a classificação é quase o mesmo que olhar a divisão de cotas pagas pelos direitos de TV. A exceção do intruso Náutico (11º.), os 12 primeiros são aqueles que estão no eixo da grana: RJ-SP-MG-RS. O Palmeiras, que está fora, está também na Libertadores via Copa do Brasil. Os times citados tem divisão interna discrepante também. Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, estão mais próximos de Atlético e Coritiba que de Corinthians e Flamengo. Mas os 12 recebem mais, aparecem mais, conseguem mais público, melhor patrocínio. E a roda vai girando, abrindo ainda mais o abismo. Desde 2003 (início dos pontos corridos), são seis títulos paulistas, dois cariocas e um mineiro. Rara exceção, o Atlético foi vice em 2004, posto que foi ocupado no período citado quatro vezes pelos gaúchos, duas vezes por paulistas e uma vez pelos cariocas. Traduzindo: é quase impossível furar o bloqueio assim, esvaziando estádios e diminuindo o interesse nacional, exceto pra quem está dentro. Caminho para a falência do principal esporte nacional.

Mas é o regulamento que está errado?

Sinceramente, não. Sem dúvida a fórmula de pontos corridos aponta o melhor. É básico: quem somar mais pontos depois de enfrentar todos os times dentro e fora dos próprios domínios, é mesmo superior. O problema está na formulação desse melhor time. O garimpo e a montagem dos elencos são desiguais. Rápido exemplo: o Coritiba descobriu Leandro Donizete na Ferroviária-SP; não teve como o segurar em uma melhor proposta. Hoje no Atlético-MG, é líder do campeonato ao lado de Ronaldinho, Jô, Victor, selecionáveis atraídos pela grana, e comanda a melhor defesa da competição – o Coxa tem a pior. E a distância vai aumentar em breve: com os estádios da Copa servindo também aos “gigantes”, o abismo será tão grande que não haverá mais como alcançar. São mercados desperdiçados e que serão quase falimentares, como Paraná, Bahia, Pernambuco – isso só para ficar entre os que têm campeões brasileiros entre si. Na Copa do Brasil, em fases eliminatórias, os clubes médios tem mais chance. Por isso, sem mudar o sistema de cotas, que volte o mata-mata.

A mudança: como e por quê

É claro que o Corinthians, por exemplo, merece ganhar pela exibição mais que o Atlético: tem mais torcida, dá mais audiência. Mas a divisão do bolo não precisa ser toda baseada nisso. Na liga mais rica do mundo, a inglesa, 56% do dinheiro é dividido igualmente entre os 20 clubes da elite, 22% do valor se baseia na classificação do ano anterior e outros 22% são divididos conforme o interesse midiático. O campeonato inglês é o mais forte entre os europeus e mesmo os clubes médios, como o Tottenhan, conseguem ter mais arrecadação que grandes espanhóis, como o Atlético de Madrid, que fica à margem de Barça e Real em negociação parecida com a brasileira. É bom para o futebol num todo e premiará a competência. Quem dará o primeiro passo?

Olimpíadas 2012: vai começar; veja no Terra

London Calling. Podia ser o hino dos Jogos Olímpicos 2012, que começam nessa quarta. Curiosamente, começam oficialmente só na sexta, com a cerimônia de abertura.

Mas nessa quarta, já tem bola rolando. O futebol feminino abre a competição. No dia seguinte, o futebol masculino – e a busca pela inédita medalha de ouro – começam.

Estou no grupo de transmissão que o portal Terra terá, ao lado de grandes narradores, como Hugo Botelho (Rádio Bradesco Esportes), Jorge Vinícius (PFC), Reinaldo Moreira (105 FM/SP), Marcelo do Ó – que estará ao vivo em Londres – e outras revelações, assim como grandes nomes do esporte: Careca (ex-SPFC, Guarani e Napoli), Jaime Oncins (tênis), Danielle Zangrando (judo), Montanaro (vôlei), Milene Domingues (futebol feminino), Ary Pereira e outros mais. Além de uma grande e competente equipe de produção e coordenação, chefiada por Carlos Sartori e Everton Constant.

O Terra tem exclusividade nos direitos de transmissão em internet. Serão mais de 10 canais, com a possibilidade de você montar sua programação, sempre com eventos ao vivo e em HD. Pode assistir no computador, no lap top, tablet e até no celular. E o principal: pode interagir, em tempo real, com narradores e comentaristas, manifestando sua opinião. O esporte não para durante todo o dia de jogos, até dia 12 de agosto.

Para assistir, acesse o site e procure pelo Terra TV/London 2012.

Estarei em Honduras x Marrocos, na quinta, 7h45, pelo grupo D do futebol masculino.

Ao longo dos jogos, dividirei com vocês as escalas.

Antes de quinta, porém, o Terra transmite a rodada completa do futebol feminino (fará o mesmo com o masculino na quinta). Veja os horários dos jogos:

Quarta, 25/07 – Futebol Feminino

11h45 – Grã-Bretanha x Nova Zelândia, c/ Hugo Botelho, Milene Domingues e Bruno Prado
12h45 – Japão x Canadá,  c/ Jorge Vinícius e Ary Pereira
12h45 – EUA x França, c/ Reinaldo Moreira
14h30 – Camarões x Brasil, c/ Hugo Botelho, Milene Domingues e Bruno Prado
15h30 – Suécia x África do Sul, c/ Leandro Bollis e Ary Pereira
15h30 – Colômbia x Coréia do Norte, c/ Gomão Ribeiro e Bruno Prado

Quarta, 25/07 – Futebol Masculino

7h45 – Honduras x Marrocos, c/ Napoleão de Almeida e Ary Pereira
10h15 – México x Coréia do Sul,  c/ Reinaldo Moreira e Careca
10h30 – Espanha x Japão, c/ Jorge Vinícius e Bruno Prado
12h45 – Emirados Árabes x Uruguai, c/ Gomão Ribeiro e Ary Pereira
13h – Gabão x Suíça, c/ Antônio Marcos
15h30 – Egito x Brasil, c/ Hugo Botelho, Careca e Bruno Prado
15h30 – Bielorrússia x Nova Zelândia, c/ Fábio Salomão e Ary Pereira
15h45 – Grã-Bretanha x Senegal, c/ Leandro Bollis

Rápidas e precisas

Dia longo e produtivo, mas só agora pude sentar pra atualizar o blog. Vamos então direto ao que interessa:

Atlético

1) Jadson

Tudo surgiu no Twitter e movimentou a comunidade rubro-negra: Jadson voltaria ao Atlético? Pois bem: noves fora o trâmite para trazê-lo, a sondagem houve e a resposta do jogador, há 7 anos na Ucrânia, foi positiva. Mas tem vários poréns. Vamos primeiro ao fato:

Mário Celso Petraglia é ex-presidente do Atlético e, ainda não oficialmente, candidato a voltar ao posto. Fez um convite público ao jogador para que volte a defender o Furacão no próximo ano. E recebeu como resposta um “gostaria de estar junto”. É notícia: um ex-diretor e candidato sonda um craque para vir, e este diz que pode topar.

Se é jogada eleitoreira ou se vai ser a grande contratação do Atlético em 2012, não me cabe julgar. Aliás, o blog (e os veículos no qual emito minha opinião/informação) não é apolítico, porque não sou acéfalo; mas é apartidário: aqui, o negócio é notícia. Cabe agora a você, leitor, refletir e a todos esperarmos e acompanharmos pra saber se foi blefe ou Petraglia está com o às na manga.

2) Festa dos 10 anos do título de 2001

A ser realizada no dia 8 de dezembro deste ano, com ou sem rebaixamento, a festa pode acabar esvaziada. Tudo porque muitos jogadores temem entrar no meio da disputa política do clube. A organização do evento faz questão de dizer que é uma festa atleticana, sem partidarismo. Ouvi de um jogador campeão brasileiro, o qual faço questão de preservar, duas coisas: que muitos pode cancelar a presença pela política; e que Petraglia teria procurado alguns para ter cargos na próxima gestão. Contrasenso? Veremos em seis dias.

Coritiba

Keirrison de volta ao Coxa em 2012? Pode ser. Tudo vai depender de uma conversa entre o empresário dele, Marcos Malaquias, e a diretoria do Coritiba. O que acontece é o seguinte: o jogador, que pertence ao Barcelona, teve uma lesão na perna direita em 2010 e não conseguiu mais recuperar-se a ponto de jogar o futebol que o destacou no próprio Coritiba. Rodou por clubes como Santos, Benfica e agora Cruzeiro, sem destaque. A idéia é trazê-lo a um ambiente familiar e beneficiar-se da estrutura médica do Coritiba. Conversando com um diretor do Coxa (sigilo de fonte), a postura foi clara: “Pode ser sim, mas o Coritiba não vai atrás dele. O Keirrison está num patamar de mercado europeu. Vamos deixar que nos procurem. Ele tem potencial.”

Outro que pode pintar no Alto da Glória ano que vem é o volante Júnior Urso, que está no Avaí e defendeu o Paraná neste ano. Urso confidenciou a amigos em Florianópolis que está certo com o Coxa, mas o clube nega a contratação até aqui.

Paraná

O Tricolor está tentando mobilizar os clubes do interior que estão na Série Prata do Estadual a reunirem-se em uma associação informal, para tentar vender patrocínio para o campeonato. Já recebeu sinal positivo de Grêmio Metropolitano, FC Cascavel (o do Beletti) e do Nacional, de Rolândia. A idéia é montar uma comissão que busque verba, ajudando os clubes a terem um motivo a mudar o campeonato de maio para fevereiro. Na terça-feira 6, os nove dirigentes do interior mais a diretoria paranista se reúnem na Sede Kennedy para discutir termos.

Chegou-se a comentar na cidade de que o Paraná estaria comprando o campeonato. Não procede. O que acontece é que o clube está fazendo as vezes da FPF, que deveria por si transformar seu produto em algo mais rentável. Como a preocupação paranista é maior do que a da federação, restou ao clube buscar alternativas, que passam pela mídia e empresários ligados ao Paraná.

Legalmente, a mudança na data de início do campeonato só é possível se houver unanimidade na decisão.

Particularmente, acredito que a FPF tem sim que defender todos os seus filiados. E o Paraná é um deles. Não se trata de mudar a data do campeonato para privilegiar o Tricolor e sim de uma busca para viabilizar a competição. Para se ter uma idéia, cada clube do interior absorve cerca de 15 a 20 mil reais de prejuízo por jogo, com raríssimas exceções (Londrina em 2011 foi uma delas), pois arcam com taxas de arbitragem, transporte, hospedagem, abertura e manutenção de estádios, etc. Caso o pool se forme e consiga convencer o mercado da validade da idéia, será um grande passo. Espera-se que a FPF, que já mudou rumos no caso Pinheirão, passe a ajudar os 10 clubes e não dificultar a tarefa de amenizar prejuízos na segundona local.

Do contrário, a diretoria paranista promete colocar um time de juniores na Série Prata e centrar esforços na Série B nacional.

Atletiba 348

Amanhã, ainda antes do jogo, prometo escrever algumas linhas sobre. Volte aqui, se puder!