Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.

 

 

Anúncios

Grenal, Atletiba, Galo e Santa mais fiéis que Fla e Timão

O que vale mais: tem uma torcida numerosa ou uma torcida participativa?

Segundo estudo divulgado pela Pluri Consultoria, Flamengo e Corinthians, donos das maiores torcidas do Brasil em números absolutos, têm muito a aprender com Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Santa Cruz, Atlético Paranaense e Coritiba. Os seis times citados lideram a estatística que atribui “fanatismo” e consequente participação aos torcedores de seus clubes. O Timão, reconhecido pela sua fiel torcida, é apenas o sétimo; o Fla aparece em 9o, atrás ainda do Sport:

O cruzamento dos dados leva em conta a maneira com a qual os próprios torcedores se apresentam aos entrevistadores da pesquisa, realizada em 2012 em 144 municípios brasileiros, com 10.545 entrevistados. O entrevistado se identificava como “fanático”, “torcedor”, “simpatizante” ou “indiferente”. A partir do índice do tamanho das torcidas, chegou ao proporcional de fanáticos, o que em tese se atribui maior participação na venda de produtos, planos associativos, etc. O Grêmio aparece com 22,5% – um quarto – de seus aficcionados como “fanáticos” e um total de 79% de participativos; o atual campeão brasileiro, Fluminense, tem a torcida “menos fiel” entre as 18 maiores do País.

Mas, na prática, os índices se refletem?

Um bom parâmetro é o volume de sócios dos clubes. E no plano coletivo “Futebol Melhor”, patrocinado pela Ambev, Inter e Grêmio (na ordem inversa a do estudo) lideram o volume de associados. O Colorado tem 107 mil sócios* e o Tricolor tem 73 mil. São 36 equipes cadastradas no projeto; o Corinthians é o 4o colocado enquanto o Flamengo é apenas o 6o. O plano é mais próximo de um clube de vantagens, que faz com que o torcedor seja atraído pela marca do time do coração e se beneficie em compras, por exemplo. Atlético e Coritiba não estão na lista e têm planos associativos próprios. Como na dupla Grenal, também há inversão no número de sócios no Atletiba. O Coxa afirma ter hoje 30 mil sócios*, enquanto o Furacão, mesmo sem estádio, alcançou 20 mil recentemente. Os números colocariam a dupla entre os 10 maiores do Brasil, caso estivessem integrados ao plano dos outros 36.

O Santa Cruz está entre os clubes com mais sócios, mas mostra fidelidade também em outro quesito: público nos estádios. Mesmo na Série C do Brasileiro, levou quase 25 mil pessoas por jogo em média em 2012. Um número impressionante para um clube que não figura entre os grandes do Brasil desde 2006, quando acabou rebaixado na Série A.

Já o Atlético-MG, apontado apenas como o clube da 8a maior torcida do Brasil, é o terceiro em vendas de Pay Per View dos jogos na TV fechada, revelação feita pelo presidente do clube, Alexandre Kalil, ao divulgar a tabela que recebeu da TV em seu perfil pessoal no Twitter:

É bem verdade que os números de Flamengo e Corinthians não são ruins. A única torcida brasileira à frente do Santa Cruz em média de público em 2012 foi a do Timão, com pouco mais de 25 mil pessoas por jogo. Fla e Corinthians lideram as vendas de PPV e estão em 6o e 4o lugares, respectivamente, no plano associativo coletivo citado acima. No Brasileirão, estão entre os três primeiros em média de público nos estádios, com o Corinthians à frente do Flamengo, sendo que o líder Cruzeiro está entre eles. Inter e Furacão, citados entre os mais fiéis, pagam pelo ano sem estádio próprio, levando menos de 10 mil pessoas por jogo; o Galo também não tem levado muita gente ao estádio no Brasileirão, talvez ainda anestesiado pela conquista histórica da Libertadores.

Ainda assim, o estudo revela coisas interessantes. Clubes de torcida menor, mas mais participativa, conseguem serem mais fortes e rentáveis do que os que têm grande massa simpatizante. Isso define também uma estratégia de mercado: por serem de grande massa, Fla e Timão arrecadam no atacado, mas Atlético e Coritiba, mais regionais, falam mais diretamente ao seu público, se tornando mais unidos aos seus torcedores do que clubes supostamente mais nacionais, como Santos, Botafogo e Fluminense. O trio, aliás, pode tirar dos números uma oportunidade de leitura de mercado.

Estatisticamente, a primeira pergunta  deste texto fica respondida pelos números. Mas, e pra você? O que vale mais? Debata nos comentários abaixo!

*Números de Outubro/2013

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Polêmica: clássico carioca gera resistência em Recife

Itaipava Arena: nenhuma das cores de Pernambuco no domingo (foto: divulgação)

Revolta de um lado, comemoração de outro. Desde essa quinta estão à disposição do torcedor pernambucano os ingressos para o grande clássico de domingo. Não, não se trata de nenhum jogo entre as três principais forças locais, Sport, Santa Cruz e Náutico – o “dono” da Arena. É sim o clássico Vovô, Botafogo e Fluminense, marcado para São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife. Será o primeiro grande clássico da Arena… Pernambuco. Alegria para os torcedores dos times do Rio na região, revolta daqueles que apoiam o futebol local.

Leia também:

Time que desbancou Santos de Pelé está à venda

Joinville mistura religião e futebol… e se dá bem

Intertemporada do Cruzeiro nos EUA foi impulso para “Liga de Pelé”

O jogo entre Botafogo e Fluminense fez com que a partida do único clube pernambucano com contrato com a Arena fosse antecipado. Náutico e Ponte Preta duelam no sábado, um dia antes do jogo entre os cariocas. Os torcedores locais se rebelaram, não importando a camisa. O Santa Cruz jogará também no domingo, no Arruda, contra o Cuiabá, pela Série C do Brasileiro. Um movimento intitulado Movimento Popular Coral, da torcida do Santa, lançou um desafio: colocar mais gente no Arruda que na Arena. Em entrevista ao jornalista Leonardo Mendes Jr. um dos líderes do MPC, Lucas de Souza, disse que os rivais se uniram na ideia de descredibilizar o duelo carioca: “Deslocaram o jogo do Náutico para sábado para dar vaga a esse Botafogo x Fluminense só com intenção financeira e de fazer os nossos torcedores torcerem por times de fora. Os pernambucanos sempre foram resistentes a times de outros estados e agora a revolta foi grande e rápida. A própria administração da Arena ficou surpresa pela reação. Conseguiram provocar uma rejeição das três torcidas. Vamos por mais público no Arruda para desmoralizar esse clássico carioca.”

A administração da Arena sentiu o golpe, mas justificou a ação. Ainda sem contratos com Sport e Santa – que não pretendem sair de suas casas – a ideia é buscar toda a renda possível com o novo estádio. Segundo informações do jornalista Cássio Zirpoli, “na parceria público-privada, o governo do estado terá que suprir o rombo no faturamento anual caso a receita da temporada seja abaixo de 50% da previsão inicial, de R$ 73,2 milhões, segundo aditivo assinado em 21 dezembro de 2010.” Os valores do aluguel para o jogo com mando do Botafogo ainda não foram divulgados, mas os ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60, sendo que o sócio do Botafogo pode pagar 50% do valor. Nos jogos do Náutico, que está trocando os Aflitos pela Arena, o desconto ao associado é de 30%.

Em um estudo recente divulgado pela Pluri Consultoria, o Estado de Pernambuco ficou em 5o lugar entre os mais resistentes a “invasão” de torcedores de outras praças. Cerca de 60% da população prefere os times locais, índice maior que de praças tão fortes quanto, como Bahia e Paraná, e atrás apenas de quatro estados, pela ordem: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Habitualmente vista em jogos de times do sudeste na região, a faixa “Vergonha do Nordeste” expõe um pouco a rivalidade inter-estadual entre os torcedores locais e os que vem de fora. Nada que incomode o pessoal de torcidas como a “ReciFogo” e “ReciFlu”, que devem contar com reforço de simpatizantes dos mesmos clubes nas cidades da região.

A imprensa local entrou na briga. Na capa do SuperEsportes, portal de notícias da região, o fórum de discussão provoca: “Quem for à Arena domingo é Pernambubaca?” No blog de Zirpoli, uma enquete aponta rejeição de 70% das três torcidas a ideia de receber jogos “forasteiros”. Dos 30% favoráveis, 9% são torcedores do Náutico, em tese, os maiores interessados. Os tricolores, com ou sem reforço dos torcedores de Sport e Náutico, pretendem por três vezes mais torcedores no Arruda que o número presente na Arena. E a discussão deve continuar: em Pernambuco já se comenta que Flamengo x Grêmio, na 16a rodada em 25/08, deve ser jogado na Arena. Sem poder usar o Maracanã e nem o Engenhão, o Flamengo mandará o jogo desta mesma rodada, contra o Coritiba, em Brasília – onde os times locais praticamente não têm vez. 

E você, o que acha disso tudo?

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Pesquisa Ipsos/Marplan, parte II: Futebol para elas, ricos e pobres, do vovô ao netinho

Após a divulgação dos números globais da Pesquisa Ipsos Marplan 2012 (e muita discussão no post e nas redes sociais), chegou a hora de detalhar a pesquisa; quem, entre os paranaenses, tem a maior torcida entre as mulheres? E por faixas sociais? Qual o time do povão e qual o da elite? Os jovens e os idosos, preferem que cores?

É o que o blog apresenta abaixo.

  • O Atlético é delas, o Coxa é deles
A modelo Carol Garajaú: Atlético tem maioria feminina

As mulheres são maioria entre os atleticanos e mais: proporcionalmente, o Furacão tem a terceira maior torcida feminina do Brasil, atrás apenas de Internacional e Vitória e ao lado do Corinthians e do Sport Recife no índice.

No geral, as torcidas brasileiras estão bem divididas. Foi-se o tempo em que “futebol era coisa de homem”. Segundo a Ipsos/Marplan, 46% das torcidas brasileiras são formadas por mulheres.

As atleticanas compõem 52% da torcida rubro-negra. Inter e Vitória tem 53% das suas massas torcedores compostas por mulheres.

Se o Furacão é o time delas, o Coxa é o time deles. Apenas 33% dos torcedores alviverdes são mulheres, o menor índice entre as 23 maiores torcidas do Brasil – o volume de times detalhados pela Ipsos/Marplan. É a segunda maior torcida masculina do Brasil, em números proporcionais, atrás apenas da do Santos.

Além de ambos, o Ceará, com 39% de mulheres na torcida, tem índice abaixo dos 40%, como o Coritiba. Veja os números gerais*:

*A Ipsos/Marplan não divulgou os números da torcida do Paraná; a ordem do gráfico corresponde a ordem nacional das pesquisas no Brasil, em números absolutos

  • Coritiba tem a torcida mais rica do Brasil
Torcida Coxa se fez presente em jogos na Copa da África 2010

O Coxa tem os torcedores mais ricos do futebol brasileiro, aponta a pesquisa. A elite curitibana é 14% da torcida alviverde, maior índice entre todos os 23 clubes detalhados pela pesquisa. A classe A, com renda mensal acima dos R$ 8.000, prefere o Alviverde. Não só em Curitiba: o concorrente mais próximo do Coritiba nesse índice é o Palmeiras, com 12%. O Atlético tem 8% de seus torcedores na classe A.

Nem Atlético, nem Coritiba, podem se dizer verdadeiramente “um time do povo”. Em se tratando de classes econômicas, a dupla Atletiba tem maior penetração nas classe média, entre as classes C e B (com renda mensal entre R$ 950 e R$ 4.600). Na disputa entre ambos, ligeira vantagem para o Atlético entre os mais pobres (com renda abaixo dos R$ 950), com 8% x 7% do Alviverde. Pra se ter uma ideia, nacionalmente, a verdadeira torcida do povo brasileiro é a do Ceará, com 33%. O Corinthians tem apenas 9% de torcedores nessa faixa, enquanto o Flamengo tem 15%.

Na classe média, o Atlético leva vantagem sobre o Coxa entre os situados na classe C (44 x 30) e perde na B (39 x 49), comprovando a preferência dos mais abastados pelo clube do Alto da Glória. Veja os índices nacionais:

  • Vovô é Coxa, filhos são Rubro-Negros, netos em aberto
Vovô Coxa entre Lucas e Kleberson, na faixa dos 30 (Foto: Blog do Bronca)

Como visto no primeiro post desta série, há uma flutuação nos índices percentuais das torcidas, conforme as décadas. As gerações vão se sucedendo e mexendo com os números. Segundo a Ipsos Marplan, o Coritiba tem 19% dos seus torcedores acima dos 50 anos, enquanto nessa faixa estão 14% dos atleticanos. A torcida mais “velha” do Brasil atualmente é a do Fluminense, com 41% dos torcedores acima dos 50.

O Atlético está a frente do Coxa entre a faixa considerada mais ativa, de 25 a 50 anos: 48 a 41%. Entre todos os 23 clubes do detalhamento, a média percentual de torcedores nessa faixa é a maior, 43%. Apenas Palmeiras (50%) e Bahia (49%) tem mais torcedores nessa faixa que o Atlético. Flamengo, Atlético-MG e Internacional tem o mesmo índice dos rubro-negros.

Entre jovens e crianças, o Coritiba está ligeiramente acima do Atlético, 39% a 38%. Os coxas-brancas estão mais numerosos entre 18 e 24 anos; abaixo disso, os rivais estão iguais. Em todo o Brasil, a torcida que tem o maior número de jovens em suas fileiras é o Sport Recife, com 47%; na outra ponta da tabela está o Palmeiras, que tem 25% dos seus torcedores nessa faixa etária.

  • Conclusões

Estatísticas de torcidas no futebol normalmente são mal digeridas. Enquanto os perdedores duvidam da origem das pesquisas, os vencedores preferem a galhofa ao estudo – que, de fato, deveria ser objeto de todos.

Os índices e as flutuações no mercado do futebol, apontados pela pesquisa da Ipsos, são significativos. A queda assustadora de torcedores do Paraná, o constante crescimento corintiano no mercado paranaense e também no país todo, as preferências por sexo, idade e classes sociais, tudo pode ser objeto de um trabalho mais profundo para readequação de interesses de cada clube.

Não há marketing melhor que bola na rede, dirão alguns. De fato. Mas muitas ações podem ser tomadas para que cada clube amplie sua ação no mercado, afim de faturar mais, gerar receitas e atratividade e assim, com dinheiro em caixa, buscar quem ponha a bola lá, iniciando um ciclo positivo.

Atlético tem a maior torcida paranaense; veja detalhes exclusivos

 

O Atlético tem a maior torcida de Curitiba e a maior no Brasil entre os clubes paranaenses, aponta uma pesquisa realizada pelo o Instituto Ipsos/Marplan em 13 regiões do País.

A pesquisa, feita nas Regiões Metropolitanas de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Vitória-ES, Salvador e no interior de São Paulo, entrevistou 14.413 pessoas entre Janeiro e Março deste ano. Curitiba e RMC correspondem a 5% do total da pesquisa; São Paulo e interior, na proporção da população, a 30%.

Nos números apurados, algumas conclusões polêmicas: pela primeira vez o Corinthians teria passado o Flamengo no número de torcedores; em números comparativos, o Atlético teria o dobro de torcedores do Coritiba (32 x 16), como divulgado pela TV Bandeirantes em 10 de outubro deste ano:

Como os números paranaenses não foram descritos na matéria da Band, fui atrás dos dados especificados. E em dois posts especiais, nesta quinta e sexta, vou apresentá-los aqui no blog.

Abaixo, o gráfico que corresponde às torcidas em Curitiba e o desempenho nacional dos clubes do Paraná:

Portanto, em números absolutos, a torcida do Atlético chega a 20% da população da cidade/RMC, enquanto o Coritiba tem 16% e o Paraná, 4%. O Corinthians é o terceiro na preferência na região, com 8%.

O gráfico apresentado pela Band tem outra leitura. A explicação é de Diego Oliveira, diretor de contas da Ipsos/Marplan, para a discrepância nos números: “São interpretações diferentes. Há dados com base em torcedores (37.153.000) e na população com mais de 10 anos (50.119.000).”

A vantagem do Atlético em relação ao Coritiba cresce na proporção em que se seleciona apenas o público com interesse no futebol. E também no comparativo único entre os três clubes paranaenses, que somam 40% entre os que gostam de futebol. Como ilustra o gráfico a seguir, o Atlético tem 50% da torcida paranaense contra 40% do Coxa e 10% do Tricolor, de acordo com a Ipsos/Marplan:

Segundo a Ipsos/Marplan, 23% dos brasileiros não torcem para nenhum clube. Em Curitiba e RMC, o índice de pessoas que não torcem para ninguém é de 39%, maior que a média nacional.

  • Consolidação atleticana, ameaça corintiana

Os números da pesquisa Ipsos/Marplan podem alimentar a rivalidade Atletiba, mas servem muito mais de alerta de mercado para o crescente aumento de corintianos na capital. No Paraná, somando o interior, o time paulista já tem a maioria dos torcedores.

Se resgatarmos todas as pesquisas divulgadas sobre torcidas no Paraná, desde a primeira que se tem notícia, do Gallup/Placar em 1983 até essa, percebe-se uma queda na preferência pelos times paranaenses e a consolidação do Atlético como time mais popular. Em 10 pesquisas nos últimos trinta anos, o Furacão esteve atrás do maior rival em apenas duas (em 1993 e 1998); no Paraná como um todo, foram 4 pesquisas divulgadas desde 1983. Em todas,o Atlético aparece na frente do Coritiba – mas, nas duas últimas, atrás do Corinthians.

Além disso, há um decréscimo considerável na torcida paranista, que teria perdido nada menos que 2 vezes e meia a torcida que tinha na primeira pesquisa em que apareceu, em 1993 (de 14% para 4%). Clubes citados em 1983 com grande participação paranaense, como Grêmio Maringá, Londrina e Operário, sequer são citados atualmente – muito embora, em alguns casos, as pesquisas não sejam realizadas nestas praças. Confira os gráficos das torcidas ao longo do tempo, em Curitiba/RMC e em todo o Paraná:

Curitiba/RMC

Obs: Por ser um time de Curitiba, o Malutrom aparece no gráfico por ter sido citado em 2001; clubes como Santos, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Grêmio e Inter foram citados, mas não incluídos no gráfico acima

Estado do Paraná

Se você chegou até aqui e ficou curioso para saber o resultado nacional da pesquisa, recomendo o blog Olhar Crônico Esportivo, só clicar aqui. O espaço para comentários está a disposição para o seu manifesto.

 Amanhã: o detalhamento da pesquisa por sexo, idade e classe social!

Atletiba acirrado na nova Câmara dos Vereadores

A nova composição da Câmara Municipal de Curitiba acirrou um “Atletiba” interno, ao menos na soma das preferência clubísticas dos vereadores. Atlético e Coritiba estão empatados na liderança entre os 38 vereadores eleitos, que tomam posse somente em 2013. Junto à atleticanos e coxas, o número dos que não torcem para nenhum time ou preferiram não declarar* torcida antes da campanha. O Paraná aparece somente a frente do Londrina entre os clubes paranaenses citados pelos novos vereadores. Fica abaixo da soma dos que torcem para outros times não-paranaenses. Veja o gráfico acima.

São 9 atleticanos, 9 coxas, 9 que não torcem/não declararam, 6 que preferem clubes de outro estado, 4 paranistas e 1 londrinense. A lista está logo abaixo.

Muda alguma coisa em relação à Copa 2014? Talvez.

CMC: Atletiba acirrado traz alguma consequência à Copa 2014?

De fato, o time do coração não é o que mais pesa na hora de alguma decisão política pró ou contra o Mundial. Ser da base do prefeito ou seguir a determinação do partido no assunto pode ser muito mais significativo em alguma decisão do que somente a preferência esportiva. Outras costuras internas, como troca de apoios, também pesam mais.

Mas, em uma cidade que ainda não comprou a ideia de um Mundial “curitibano”, dividida nas opiniões e nas análises sobre os temas da Copa, a pressão das torcidas pelo sim ou pelo não em um voto pode pesar.

Da “bancada da bola” – candidatos com ligação diretiva nos clubes/torcidas organizadas ou passado como esportista – apenas dois se elegeram: Paulo Rink, ex-atacante do Atlético, e Aladim, ex-atacante do Coritiba. O último, há muito tempo já está na vida pública e até ultrapassou a ideia de que é apenas um vereador “da bola”.

Além disso, ainda faltará a definição do prefeito. O atleticano Ratinho Jr. vai para o segundo turno com o coxa-branca Gustavo Fruet. Ambos, no entanto, devem seguir a cartilha da Copa assinada pelo ex-prefeito Luciano Ducci, paranista.

Ainda é cedo para avaliar se pode ou não haver alguma mudança no panorama político da Copa em função da torcida na Câmara. Mas vale a curiosidade da lista, detalhada abaixo.

Atlético: Dona Lourdes, Jairo Marcelino, Beto Moraes, Professora Josete, Hélio Wirbiski, Edmar Colpani, Paulo Rink, Bruno Pessuti e Paulo Salamuni.
Coritiba: Cristiano Santos, Felipe Braga Cortes, Tito Zeglin, Jonny Stica, Pier Petruzziello, Ailton Araújo, Zé Maria, Aladim e Pedro Paulo.
Paraná: Tico Kuzma, Julieta Reis, Tiago Gevert e Jorge Bernardi.
Londrina: Professor Galdino.
Outros**: Pastor Valdemir, Mestre Pop, Sabino Pícolo, Carla Pimentel, Chicarelli e Geovane Fernandes.
Nenhum/Não declarou: Serginho do Posto, Toninho da Farmácia, Noemia Rocha, Aldemir Manfrom, Chico do Uberaba, Mauro Ignácio, Dirceu Moreira, Rogério Campos e Cacá Pereira.

*Informações obtidas no site do TSE, no Candibook da Gazeta do Povo e em pesquisas pessoais.
** Times citados:  Seleção Brasileira (2), Cruzeiro-MG, Botafogo-RJ, Santos-SP e Corinthians-SP.

Adeus, Corinthians Paranaense

Timãozinho acaba em junho (foto: Geraldo Bubniak/FutebolPR.net)

O Campeonato Paranaense se foi e com ele, vai embora também o Corinthians Paranaense. O polêmico acordo entre o J. Malucelli Futebol S/A e o Corinthians Paulista se encerra, três anos depois, com o saldo de um vice-campeonato e uma grande revelação: o volante Jucilei, hoje no Anzhi, da Rússia.

O Corinthians-PR foi tratado com desprezo pelas torcidas locais, que consideraram um ultraje ao futebol paranaense a anexação de uma marca paulista ao cotidiano paranaense – especialmente após a divulgação da última grande pesquisa de torcidas no Paraná, que aponta o Corinthians Paulista como o time de maior preferência, a frente, pela ordem, de Atlético, Coritiba e Paraná Clube. O fato da bandeira do Estado de São Paulo ter ficado no escudo do clube só aumentou a rejeição. Na época, o presidente de honra do clube, Joel Malucelli, explicou que o Corinthians-SP vetou a bandeira paranaense no escudo por conta das cor verde, que remete ao rival paulista, o Palmeiras.

Conversei com Joel Malucelli sobre a reversão do Timãozinho em Jotinha – com o clube voltando a se chamar J. Malucelli Futebol S/A – a experiência com a marca corintiana e o cenário do futebol paranaense:

Napoleão de Almeida: Porque o Corinthians Paranaense vai acabar?
Joel Malucelli: O prazo vencia em junho. E já estamos com tudo na FPF e CBF para mudar de novo. E esperamos que a marca do Jotinha, um nome simpático, volte a agradar as pessoas.

NA: E por que não deu certo?
JM: O motivo principal era tentar agregar torcedores. E não tivemos sucesso, não adianta. Até porque também porque o time não foi bem dentro de campo. E a bandeira de São Paulo no Corinthians Paranaense não pegou bem. E mesmo os corintianos de São Paulo não se entusiasmaram com o Corinthians-PR. Nós lançamos um plano de sócios, chegamos a ter 200, foi o máximo que conseguimos. Mas a maioria era funcionários do grupo [J. Malucelli]. E como a seguradora J.Malucelli cresceu muito no Brasil, nós vamos aproveitar pra trabalhar esse marketing. Estamos renegociando pra tentar renovar com o Coxa [clube do qual Joel foi presidente nos anos 90] também.

NA:  O Estado do Paraná tem algumas particularidades. No norte, por exemplo, vive-se muito mais o Estado de São Paulo que a própria terra. Vocês não pensaram em explorar mercadologicamente esse público em Londrina ou Maringá?
JM: A gente pensou em levar para Maringá, seria fantástico. Mas pra nós que moramos aqui em Curitiba, pros empresários virem ver os jogadores, é mais fácil ficar. A nossa estrutura está aqui. E tem outra coisa: eu estou nisso mais por paixão. E pra curtir a paixão só ela estando perto da gente.

NA: E você não ia querer uma Gaviões da Fiel no seu pescoço em cada derrota…
JM: (risos) Não! Também tem isso, não quero não, principalmente o Juarez [Malucelli, irmão e presidente do clube], iam me pedir o pescoço dele! Mas o J. Malucelli, o Corinthians-PR, a gente no grupo [J. Malucelli, com quase 70 empresas em diversas áreas] considera projeto social. Nós não queremos fazer aporte de dinheiro, até porque eu sou apaixonado por futebol, mas muitos sócios do grupo não são.

NA: E fora a negociação do Jucilei, o acordo valeu?
JM: Só o Jucilei já valeu. Mas o Ronaldo [volante] também foi um jogador nosso vendido ao Corinthians. E o futebol vale, como paixão. É o teu hobby e sendo Jota ou Corinthians você está fazendo o que gosta. Tá vendo os guris se desenvolvendo, nós temos uma estrutura muito boa. Logo, nós teremos que ser a 4ª força do futebol paranaense. Fomos vice-campeões em 2009, até com o Leandro Niehues de técnico. Esse ano ele não foi bem. Nós vamos mudar um pouco a filosofia e vamos usar mais a base. E vamos aproveitar o relacionamento que temos com Atlético, Coritiba e o próprio Corinthians pra usar mais jogadores dos planteis deles.

NA: Como o Douglas, que chegou ao Paraná?
JM: Pois é. Poderia ter vindo pra cá, era só ter um trabalho nosso. Nós temos um menino [o meia Matheus] que veio do Corinthians e que nos ajudou a se salvar no campeonato. Chegamos a nos preocupar, porque fora de Curitiba o time não tinha resultados. E foi um pouco de teimosia do pessoal que toca futebol lá, insistir com jogadores que já passaram pelo clube.

NA: E agora o clube para no profissional. Como você vê os estaduais, levando pouco público, sendo deficitários?
JM: Alguma coisa tá errada quando acontece isso. A televisão absorveu muito público. Mas eu estive no Atletiba da Vila Capanema. E ver no campo é outro jogo, outra sensação. Só que o estacionamento é caro, a comida não é boa, há o problema da segurança. Em casa o cara vê no HD. Mas precisamos mudar esse quadro.

Jucilei

Na busca por alguns gols do ex-jogador do Timãozinho, achei essa reportagem muito bacana da Record com o jogador. Vale assistir: