Paraná nega dívida com técnico e explica “pré-datados”

Pegou mal para a imagem do Paraná Clube o comentário do ex-jogador Neto, no programa nacional “Os Donos da Bola”, da TV Band, de que o Tricolor teria pago o ex-técnico Toninho Cecílio com cheques pré-datados, após a saída do mesmo da equipe. Em tom de chacota, Neto cobrou publicamente o clube, que me procurou para dar sua versão dos fatos.

Segundo Paulo César Silva, vice-presidente de futebol, Paraná e Cecílio não tem dívida alguma. Os cheques são, sim, existentes, mas fazem parte de um acordo após a saída do treinador do clube: “O Cecílio nos procurou logo depois do jogo com o São Bernardo pela Copa do Brasil (2-3), para dizer que não dava mais pra ele.” Segundo Paulo Cesar, a diretoria concordou, mas havia uma multa contratual para a liberação de Toninho Cecílo. “Ele nos pediu pra liberar essa multa. Nós topamos na hora”, disse o diretor, que seguiu, “E ainda combinamos com ele de pagar o proporcional até maio, como uma forma de valorizar o trabalho dele, que achamos bom.”

Os cheques, portanto – afirma o dirigente – são para o pagamento deste valor. E foram solicitados pelo próprio Toninho Cecílio: “Ele nos pediu, ‘dá em cheques mesmo’, até para não precisar ficar vindo à Curitiba receber. Por isso, não entendemos o comentário do Neto.” O atual técnico do Paraná é Dado Cavalcanti, revelação do Campeonato Paulista pelo Mogi-Mirim, semifinalista.

  • Toninho Cecílio

Há alguns dias, Toninho Cecílio esteve no Terra, participando de uma transmissão do Campeonato Ucraniano e aproveitou para falar da saída dele do Paraná. Segundo Cecílio, o time precisava de reforços e ele não era atendido. “Indiquei uns 10 jogadores, mas não podiam trazer ninguém. Eu entendi que cheguei ao limite no clube.” Numa auto-avaliação, Cecílio considerou bom seu trabalho a frente do clube paranaense.

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Dois nomes e o fim de um tabu de 16 anos

Terminou em instantes o Paratiba #95. O duelo entre coxas e paranistas teve um Coritiba que só acordou no 2o tempo, guiado por Alex, e um Paraná aplicado, inspirado e que pôs fim a um tabu de 16 anos ao vencer o rival no Couto Pereira. A última havia sido em 28 de julho de 1996, com gol de Ricardinho e tetracampeonato paranaense.

De lá para cá, jogando no seu estádio, o Coxa não conheceu mais derrota para o Tricolor. Do jogo de hoje, com 5 gols e muita movimentação, todos vão falar. Mas o assunto aqui é a coincidência histórica. Naquele dia, como neste domingo, dois nomes estavam em campo.

Toninho era zagueiro do Coritiba vice-campeão de 1996; Alex era o meia daquele time, em seu segundo ano como profissional. Hoje, ambos brilharam, cada um a sua maneira. Mas só um saiu vencedor.

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Toninho Cecílio, que ganhou nome composto depois de virar técnico, vinha sendo cobrado pela torcida paranista. Armou um time com marcação forte e saída rápida de jogo. Viu sua equipe abrir o placar logo cedo, passou a jogar nos erros do adversário. Conseguiu fazer 2-0 e parecia soberano. Aí apareceu o ex-colega.

Alex era menino no time do experiente Toninho de 1996. Mas já era talentoso. Tanto que já estava na mira do turbinado Palmeiras da Parmalat – o mesmo clube que revelou o técnico do Paraná para o futebol, ainda como jogador. Alex empatou o jogo e poderia até ter virado. Mas o Tricolor jogava nos erros do Coxa. E o Coxa errou mais uma vez. Estava escrito: o Paraná tinha que quebrar o jejum numa ponte entre Alex e Toninho Cecílio.

Nos anos que separaram as últimas duas vitórias paranistas no Couto, Toninho e Alex passaram pelo Palmeiras e pelo futebol do exterior; o ex-zagueiro no Japão, o capitão coxa na Turquia. Cecílio e Alex também defenderam outra equipe em comum: o Cruzeiro. Mas as coincidências param aí: entre 1996 e 2013, Alex chegou a ser capitão da Seleção Brasileira, enquanto o técnico paranista encerrou a carreira no Santo André. Como técnico, ainda constrói uma carreira, depois de tentar ser gerente de futebol; Alex já programou o fim, mas ainda não sabe se seguirá no mundo da bola.

Toninho quebrou o tabu que começou com ele e Alex, que ainda persegue outro tabu: um título com o Coxa. Em 1996, coincidência, o Paraná foi tetracampeão, título que o Coritiba pode alcançar neste ano. Será a chance de Alex desafiar o tempo e a mística do futebol, que se não entra em campo, convence quem é supersticioso.

Abaixo, o vídeo do jogo de 1996: