Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

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Ponte, amor, vida e morte na Copa Sul-Americana

“Enquanto a Ponte não for campeã eu não morro”, sempre disse Eduardo Polis, 77 anos, à neta Camila. Ela mais que ninguém está com o coração apertado. A Ponte começa nesta quarta a disputar seu título mais importante – pode ser o primeiro deles – contra o Lanús, da Argentina, no Pacaembu em São Paulo. Camila quer ver o avô feliz, mas vivo por muito tempo para comemorar. 

Camila e o avô no Majestoso

‘Seo’ Eduardo, 77, dedicou uma vida pela Ponte Preta no anseio do grito de campeão. São 62 anos de Macaca. Paulistano, “seo” Eduardo foi à Campinas pela primeira vez em 1951, então com 15 anos, ver um duelo contra o Palmeiras. Foi amor à primeira vista. A final, claro, mexe com ele.  

“A gente esperou muito tempo para ter título. Não podia ser um título vagabundinho que nem paulista, essas coisas. Tem que ser um grandão como esse aí.”  

Carregar a Ponte no coração deixou de ser sentido figurado. Eduardo tem quatro delas, de safena. O time foi tomando conta da vida dele desde aquele 1951. “Enfiamos 3 a 1 neles. Coisa linda”, conta. Depois, mudou-se para a cidade da Macaca. Viu bons e maus tempos. E jurou: não vai morrer sem ver um título da Ponte. Nunca esteve tão perto desta alegria.  

“Sabe por que [a Ponte Preta chegou na final]? Porque o Juiz não era brasileiro. Se não fosse isso… já tinham inventado pro São Paulo. Agora ficou mais difícil agora, porque tem a TV, mas em 1981 foi assim”, lembra, revoltado, das finais do Paulistão daquele ano. A idade septuagenária não o tornou mais manso com os rivais: “Os Bambis ficaram com medo de jogar aqui, mas nós fomos lá e enfiamos três e depois mais uma banana neles em Mogi”, brinca.   

As provocações aos adversários da Ponte são naturais pra quem foi presidente até de torcida organizada, a “Ponterror”. O maior alvo, claro, é o Guarani: “Eu que inventei esse negócio de chamar eles de Galinhas. Sabe como é, vivem em puleiro, sobem no pau…”, provoca os eternos adversários. “Eu não gosto deles, são muito metidos. Vim pra Campinas em 1954, passei a gostar da Ponte.”  

O Guarani não é o único alvo da ira do fanático vovô. “Você sabia que o Ruy Rei é contratado do Corinthians até morrer? Pois é…”, dispara, aderindo à uma teoria decantada em todos os lados que renegam o vice campeonato paulista de 1977, perdido para o Corinthians. Outros vieram depois, em 79, 81 e 2008. A Ponte sempre acabava batendo na trave.

A chance de finalmente gritar “É Campeão!” mexe com “seo” Eduardo. “Agora você vai ver se a Ponte for campeã, essa turma que me aguarde.” 

Não vencer título algum não fez Eduardo amar menos a Macaca. “Faz 113 anos que eles falam que não tem título, nem precisa. A Ponte é titular. É a primeira do futebol brasileiro”, conta do orgulho de ser um dos clubes mais antigos no futebol do País, ao lado do São Paulo-RS. O fato virou até marchinha, composta por Polis nos tempos de torcida organizada:

“Le le le le-ô

O futebol na Ponte Preta começou

Desde 1900, o esporte nacional

A Ponte Preta é matriz o resto é filial”

A família, como Camila, vive a paixão com o avô. Bugrino? Nem genro. “Tudo mundo pontepretano, se tiver outro time eu deserdo. Guarani, nem pensar”, brada. 

Camila no desfile de 91 anos da Macaca: se é Polis, é Ponte

Polis estará o Pacaembu (ou Macacaembu, como a torcida vem chamando) para tentar ver a realização do sonho de uma vida. Talvez até na Argentina. “Se eu puder, vou”. 

Depois de 77 anos, viver ou morrer é só um detalhe para esse coração alvinegro ansioso pelo título.

Se fosse ‘mata-mata’, Brasileirão teria São Paulo rebaixado e Grêmio na vantagem contra o Cruzeiro

Grêmio, com 14 pts a menos, poderia perder por 0-1 para o Cruzeiro para ser campeão

Atenção defensores do ‘mata-mata’ no Brasileirão: domingo tem final do campeonato de 2013 e o Cruzeiro só ficará com a taça se vencer o Grêmio por 2-0. Isso no exercício proposto pelo blog: e se o Brasileirão fosse ‘mata-mata’ e não pontos corridos?

Bem, ressalto que gosto dos ‘matas-matas’, tanto é que temos a Copa do Brasil pegando fogo nessa reta final para atender esse anseio. Mas, para aqueles que acham que essa fórmula também deveria ser usada no Brasileirão – não é o meu caso -, como foi até 2002, uma novidade: em tese, o campeonato não seria tão diferente assim do que vemos. Na semana em que podemos ter o campeão de 2013 definido, teremos também o confronto que seria a final naquele formato, se usarmos os resultados dos confrontos entre os times como uma (concreta) base para a suposição. Possívelmente teríamos os mesmos times na Libertadores e grandes chances de repetirmos também o campeão; já na ZR, modificações importantes. 

Abaixo, a tabela do campeonato ao final do 1o turno, o que equivaleria à fase classificatória no formato antigo.

No mata-mata, as arrancadas de São Paulo e Goiás não aconteceriam

Ao invés de dois cariocas, três paulistas estariam na pior: São Paulo e Portuguesa acabariam rebaixados para a Série B 2014, ao lado de Ponte Preta e do já rebaixado Náutico. O G8 deixaria de fora o Goiás (que está fora também do G4, ao menos enquanto esse artigo é escrito) e o Coritiba, pela gordura acumulada nas primeiras rodadas, quando chegou a liderar a competição, estaria dentro. O Corinthians, de um 2o turno péssimo, estaria entre os finalistas. E o G4 seria o mesmo, mudando a ordem apenas – novamente, ao menos enquanto esse artigo é escrito. 

OS CONFRONTOS

Definida a primeira fase, teríamos a fase de quartas de final com quatro confrontos. Para efeito de simulação, usei os resultados dos dois jogos entre as equipes, levando em consideração o regulamento antigo: o time de melhor campanha joga a segunda em casa e por dois resultados iguais. Aproveitei também para levantar os públicos de cada jogo, com ressalvas comentadas. A presença de público nos estádios é uma das críticas aos detratores dos pontos corridos, mas perceberemos que jogo bom leva público de qualquer jeito.

A série então ficaria assim:

Cruzeiro, Grêmio, Botafogo e Atlético Paranaense: protagonistas em qualquer formato

OS JOGOS:

O Coritiba recebeu o Cruzeiro no Couto Pereira no 2o turno no Campeonato Brasileiro e venceu por 2-1 (30a rodada), com um pênalti polêmico marcado para a Raposa. Esse seria na verdade o 1o jogo das quartas entre os times – a melhor campanha sempre decidindo em casa. O Coxa levaria a vantagem do empate para BH, mas, nesse exercício, o jogo no Mineirão seria decidido – como foi – por Luan, que marcou o gol solitário no 1-0 celeste (11a rodada). Os jogos tiveram bons públicos: 25.108 pessoas estiveram no Mineirão e 14.402 foram ao Couto Pereira. O Cruzeiro avançaria para pegar o Atlético Paranaense.

O Atlético enfrentaria o Corinthians e, como já virou regra quando se trata do campeão do Mundo 2012, foram dois empates. Em Mogi-Mirim, punido com uma perda de mando, o Timão recebeu o Furacão em um jogo em que criou pouco e viu o adversário ser melhor, mas segurou o 0-0 (27a rodada). Com isso, só a vitória classificaria os paulistas em Curitiba. No jogo da Vila Capanema, novo empate: 1-1 (8a rodada), com Alexandre Pato salvando o Corinthians da derrota debaixo de muita chuva. Foi o primeiro jogo de Vagner Mancini no Rubro-Negro, que sairia dali para o G4. O público em Mogi foi de 15.581 pessoas; sem a Arena – em obras para a Copa 2014 -, o Atlético mandou o jogo na Vila para 6.799 pagantes.

Na outra chave, o Botafogo não tomou conhecimento do Santos nos dois confrontos diretos. Com grande atuação de Elias, o Fogão quebrou uma invencibilidade de mais de um ano do Peixe na Vila (21a rodada), ainda com Muricy Ramalho no banco. O “jogo de volta” (2a rodada) aconteceu em Volta Redonda, por conta do uso do Maracanã pela Fifa. Novo 2-1 para os cariocas, selando a suposta vaga para as semis. Na Vila Belmiro, 11.301 pessoas viram o duelo alvinegro, contra apenas 2.344 pessoas no jogo de Volta Redonda – o menor público desta suposta série.

O confronto que mais chamaria a atenção nas quartas de final sem dúvida seria o Grenal. Grêmio e Internacional mediriam forças pela semifinal e dois empates levariam o Grêmio, pela melhor campanha, para as semis. O primeiro jogo da série seria, por coincidência como todos acima, no 2o turno. Em Caxias, o Inter abriu o placar, permitiu a virada e buscou o empate contra o Grêmio, 2-2 (30a rodada). No primeiro clássico da Arena tricolor, foram três expulsões com Barcos e Leandro Damião marcando os gols do 1-1 (11a rodada). Na Arena, 37.434 pessoas viram o duelo; em Caxias, com o Beira-Rio em reformas para a Copa 2014, foram 15.273.

Nas semis, Cruzeiro x Atlético Paranaense e Grêmio x Botafogo, os times que mais estiveram no G4 nesse Brasileirão.

O Furacão recebeu o Cruzeiro na Vila Olímpica do Boqueirão numa quarta à tarde e abriu 2-0 (2a rodada), mas cedeu o empate. Com isso precisaria de uma vitória no Mineirão, na volta (21a rodada). Mas um gol de Nilton definiu o placar de 1-0 para a Raposa, finalista nessa suposição. Os públicos: 30.210 no Mineirão e 3.366 na Vila Olímpica.

Na outra chave, o Grêmio ficaria com a vaga após vencer duas vezes o Botafogo: 2-1 na Arena, com golaço de Seedorf e dois gols de Vargas (7a rodada) e 1-0 no Rio, com um homem a menos e um golaço de Alex Telles (26a rodada). O público em Porto Alegre foi de 28.014 enquanto que 14.418 foram ao Maracanã.

A grande decisão seria no próximo domingo (10/11) no Mineirão. E o Cruzeiro precisaria fazer 2-0 para ser campeão. Isso porque no “jogo de ida” (14a rodada) o Grêmio fez um expressivo 3-1 na Raposa – uma das seis derrotas mineiras no campeonato. O Cruzeiro jogava bem e até mandava na partida, com as melhores chances. Até que Everton Ribeiro perdeu um pênalti, defendido por Dida, e teve Souza expulso. Aí Barcos, Kléber e Werley brilharam, com Nilton marcando para a Raposa. A 1a final foi vista por 16.529 pessoas. A segunda, no próximo domingo, promete quebrar o recorde de público do Novo Mineirão, num desafio contra o Atlético-MG, que levou 56.577 pessoas na final da Libertadores 2013.

Nota-se que os públicos melhoraram no 2o turno, o que mostra o aspecto cultural do torcedor, de “só ir quando vale” – embora todos os jogos tenham o mesmo peso. Evidentemente, como pode-se ver por exemplo na Copa do Brasil, mesmo os jogos com públicos menores nesse exercício teriam mais apelo na fase final. Os jogos seriam todos parelhos – à exceção das duas vitórias do Botafogo sobre o Santos e do Grêmio sobre o Botafogo, séries equilibradas.

Para os defensores do mata-mata no Brasileirão, uma conclusão: a cada rodada, uma decisão nos pontos corridos. Basta entender isso antes de ficar fazendo contas nas rodadas finais.

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Odisseia do Galo rumo ao topo da América vira livro

“Queria encontrá-la ainda acordada. Não consegui.
 
Ela já dormia quando entrei em casa. 
 
Sentei ao lado dela na cama e a abracei. Então, finalmente, consegui desabar. Cair no choro. Eu era responsável pela minha paixão, mas também pela dela. Pelas alegrias e pelos sofrimentos.
 
E chorei por minutos. Por horas. Chorei nos dois VTs do jogo que vi naquela madrugada. Chorei quando ouvi a épica narração do Pequetito na rádio Globo.
 
Chorei em todas as repetições do pênalti desde aquele dia.”
O trecho acima é do livro “Nós acreditamos”, escrito a três mãos pelos jornalistas Leonardo Bertozzi (ESPN Brasil), Mário Marra (CBN-SP) e Mauro Betting (Rádio Bandeirantes-SP) e relata as emoções vividas por eles e pela torcida do Galo na caminhada pelo título inédito da Copa Libertadores 2013. 
 
Um relato emocionante e emocionado de memórias de lances como o descrito acima, de quando Victor defendeu o pênalti cobrado por Riascos, do Tijuana, já nos acréscimos do jogo de volta em Belo Horizonte. O Galo empatava em 1-1 e ia se classificando na soma dos dois jogos no critério do gol fora de casa –  no México, o jogo deu 2-2.  Victor se tornou o grande herói da conquista. “Ela”, citada por Bertozzi no texto, é Laura, a filhinha que sofria e vibrava com cada lance do Atlético-MG na conquista histórica. Agora, virou literatura pelas mãos do pai e dos amigos.
 
 
 
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Portugal contra Béla Guttmann

Béla Guttmann já deve ter até reencarnado (pra quem acredita), mas caso não, ele esteve hoje em Amsterdã, com a camisa 2 do Chelsea, atendendo pelo nome de Ivanovic. Se você não acredita em reencarnação, acredite ao menos que a maldição do hungaro falecido em 1981 existe.

Béla Guttmann e as filhas únicas do Benfica

Não que o Chelsea não tenha merecido o título, longe disso. Mas os requintes de crueldade que impediram a conquista do Benfica na Liga Europa, em jogo que o Terra transmitiu ao vivo para todo o Brasil, tem a marca de Guttmann. Para quem não conhece a história, segue: Béla Guttmann era o técnico do Benfica bicampeão da Champions League em 1961 e 1962, que contava com Eusébio no elenco, entre outros astros encarnados. Ao final da temporada vitoriosa, soube que seu contrato não seria mais renovado após pedir um aumento salarial. Praguejou: “Nem daqui a cem anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica jamais ganhará uma Taça dos Campeões sem mim.”

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Semente

Veja os lances de Chelsea 2-1 Benfica

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Guttmann seguiu sua carreira, tendo comandado outras grandes equipes, entre elas o rival FC Porto, o Milan da Itália, o Hónved, da Hungria (com Puskás no elenco), o Peñarol do Uruguai e até o São Paulo FC, por quem foi campeão paulista em 1957. Mas a maldição persistiu. 

O Benfica, com o esquadrão comandado por Eusébio, chegaria a outras decisões européias ainda naquela década. Além destas, chegaria em outras ao longo da história. Mas nunca mais seria campeão. Foi vice da Champions em 1962/63 (Milan), 1964/65 (Internazionale), 1967/68 (Manchester United), 1987/88 (PSV Eindhoven), 1989/90 (Milan) e vice da Copa UEFA em 1982/83 perdendo o título para o Anderlecht, da Bélgica, antes da final de hoje.

O já falecido técnico hungaro não conseguiu extender sua maldição ao FC Porto, embora tenha praguejado contra todo Portugal. Os rivais dos encarnados levaram a taça da UCL em duas ocasiões (1986/87 e 2003/04) e da Liga Europa em outras duas (2002/03 e 2010/11). Mas na Luz, em Lisboa, Guttmann segue fazendo sombra, especialmente em uma semana em que o clube lisboeta pode ter perdido dois títulos com gols no último minuto.

Seria muito simplista, lógico, atribuir a isso o título deste Chelsea poderoso – que, diga-se, não jogou tão bem na final – que levantou a Champions League e a Liga Europa em sequencia nos últimos dois anos. Seria muito cruel dizer que a boa jogada de Fernando Torres e a movimentação certeira e cabeçada precisa de Ivanovic só aconteceram por conta da maldição de Guttmann. Não. São frutos do investimento de Roman Abramovich, que pegou o tradicional time londrino e mudou o status quo do clube, de médio inglês a grande europeu. E que deve crescer ainda mais nos próximos anos por conta do seguido investimento financeiro, especialmente se confirmar a contratação do técnico português José Mourinho.

Um técnico português com o Chelsea fazendo o mesmo investimento que o Benfica não quis fazer há 51 anos. Talvez, mesmo no além mundo, seja hora dos benfiquistas tentarem dar um aumento a Guttmann, antes que a fila aumente ainda mais.

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O Santa merece o Brasil

O Santa Cruz é tricampeão pernambucano de futebol. Bateu o Sport, como já havia feito ano passado. E retrasado. E nos seis jogos entre os rivais, quatro vitórias tricolores. O Santa já retomou o Pernambuco para si; falta o Brasil.

Longe dos holofotes nacionais desde 2006, quando foi o lanterna da Série A, o Santa Cruz comeu o pão que o diabo amassou. Mas parece ter reencontrado seu rumo. De fato, é até injustiça dizer que o Santinha passou tanto tempo longe da mídia. Foi carregado por seu povo em muitos desses anos de dificuldade, quando chegou a despencar para a Série D. Literalmente carregado: ignorando a divisão, o torcedor coral conseguiu a 39a média de público do Mundo, a 1a no Brasil, a frente do campeão da Libertadores, o Corinthians, por exemplo. Seus 36,9 mil torcedores por jogo foram mais fiéis que os torcedores da Roma, Juventus, Porto e todos os outros times sulamericanos – incluindo Flamengo e Boca.

Mas, em campo, o Santa não respondia.

Até que o clube começou a se reorganizar. Arrumou o Arrudão, longe ainda do ideal, mas melhor estruturado. Manteve uma linha de trabalho, que passou por Zé Teodoro e chegou a Marcelo Martelotte, com o goleiro Tiago Cardoso se tornando ídolo em Recife, com Denis Marques reencontrando seu bom futebol, com a diretoria de Sylvio Ferreira arrumando o clube. Mas falta algo.

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O Santa Cruz merece o Brasil. Um clube tricampeão pernambucano, Estado representativo no futebol brasileiro, não pode ficar escondido na Série C nacional. É difícil competir no mercado de hoje, com disparidade de renda, patrocínios milionários e concorrência desleal na base. Mas um clube que tem rivais em divisões acima e manda dentro de Pernambuco há três temporadas pode mais. O Santa Cruz precisa ao menos estar na Série B em 2014, entendendo o seu desafio de crescer e marcando presença, para deixar de ser só “o clube que leva mais gente aos estádios” e passar a ser um adversário que incomode os grandes do País também em campo.

  • “O Santa é lindo!”

Era 1999 e eu, ainda acadêmico de Publicidade, sequer pensava em cursar também jornalismo. Mas já gostava de futebol. E em um congresso de comunicação em Maceió, resolvi ir ao estádio assistir CRB x Santa Cruz, no Rei Pelé, pela terceira rodada da Série B daquele ano. No comando de ataque do Santa, Grafite – aquele mesmo.

Não me recordo porque cargas d’água, mas eu e alguns amigos resolvemos desafiar a regra número um de qualquer torcedor sadio em campo desconhecido: ao invés de irmos na torcida da casa, ousamos entrar nos visitantes. Aderimos a massa do Santinha.

O jogo não estava lá essas coisas. O CRB era melhor na partida e o Santa era um amontoado em campo. Não demorou até que o time da casa fizesse 1-0. O gol, de fato, parece que incendiou ainda mais a numerosa torcida coral presente ao estádio. Maceió fica a apenas 265km do Recife. A galera foi em peso. E passava raiva.

Lá pelos 30 do segundo tempo, um lance raro do Santa no ataque resultou em pênalti. Vibração intensa. É aquele momento em que as classes sociais se misturam: rico abraça pobre, branco abraça negro, não há distinção sexual ou qualquer outro tipo de preconceito. É o que faz o futebol ser o que é. “É pênalti pro Santa!!” berrou do meu lado um senhor barbudo, já desfalcado do zagueiro central e do ponta direita entre seus dentes, com um hálito não tão leve que indicava o grau de empolgação. “O Santa é lindo! O Santa é lindo!”, gritava, esperançoso pelo empate. Grafite pegou a bola.

O coração bateu mais forte. O gol é aquele momento especial. Me peguei torcendo pelo Santa Cruz. “O Santa é lindo”, insistia o amigo, já quase naquela intimidade que dispensa o “senhor” antes das frases. Em campo, Grafite colocava a bola na cal e dirigia-se até a meia lua, mãos na cintura.

Grafite foi pra bola.

Andou um, dois, três passos. Olhou para o goleiro. Armou o chute. Tropeçou. Pegou mal na bola. O goleiro defendeu sem dificuldades.

A expressão do Barba (já estavamos como velhos amigos) foi mudando lentamente, na medida do desenrolar da jogada. Da euforia à decepção. Minutos depois, o CRB faria 2-0. O Santa – e Barba – voltariam ao Recife vencidos. Mas nunca derrotados.

No fim do ano, Barba ficou mais alegre: o Santa foi vice-campeão da Série B e voltou à elite nacional.

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Mini-Guia da Copa do Brasil 2012: Decisão

A imagem: um ano depois do massacre, alviverdes se encontram na final

Chegou o dia! Pelo segundo ano consecutivo, fazendo história, o Coritiba está na decisão da Copa do Brasil. Desta vez o adversário é o Palmeiras.

Como em todas as fases anteriores, o blog apresenta um mini-guia dos adversários paranaenses. Saibamos então o que espera o Coxa nos dois jogos da final:

A campanha do Palmeiras

O time paulista chega à decisão invicto e, caso campeão da Copa do Brasil, poderá reivindicar também o título paranaense: foi algoz de Paraná e Atlético nas fases anteriores. Foram 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos, tendo levado 5 gols e marcado 20.

Para chegar à decisão contra o Coxa, o Verdão passou por Coruripe-AL (1-0 e 3-0), Horizonte-CE (3-1), Paraná (2-1 e 4-0), Atlético (2-2 e 2-0) e Grêmio (2-0 e 1-1). A campanha é linear: em casa, 3 vitórias e 1 empate; fora, 4 vitórias e 1 empate.

No comparativo: o Coxa fez 10 jogos (1 a mais) com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcou 16 e levou 4. Logo, o Coxa pega um time com ataque mais efetivo, mas tem defesa menos vazada.

Na história

O Coxa fará a sua segunda decisão de Copa do Brasil na história (a primeira foi ano passado, acabou perdendo o título para o Vasco) enquanto o Palmeiras chega pela terceira vez a uma final. Para os supersticiosos, vale a pena ler esse texto.

Em 1996, perdeu a decisão para o Cruzeiro  (1-1 e 0-2) e ficou com o vice; deu o troco dois anos depois, contra o mesmo Cruzeiro, ao vencer por 2-0, depois de perder o jogo de ida por 0-1. O gol do título saiu aos 44 do 2o tempo, com o ex-atleticano Oséas:

Em confrontos diretos, vantagem palmeirense. São 11 vitórias coritibanas contra 16 paulistas e 10 empates. Pela Copa do Brasil, 4 encontros. Em 1997, o Palmeiras eliminou o Coritiba ao vencer por 1-0 no Couto e 4-2 em SP; no ano passado, o Coxa despachou o Porco, com requintes de crueldade. O massacre por 6-0 entrou para a história:

No jogo de volta, virtualmente eliminado, o Palmeiras, que havia perdido o recorde nacional de vitórias para o próprio Coritiba, acabou encerrando uma sequencia de 24 vitórias que entrou para o Guinness Book como a principal série de triunfos no futebol mundial. A vitória foi por 2-0:

Do time que foi goleado pelo Coritiba, o Palmeiras tem poucos jogadores que estarão em campo nessas finais. João Vitor, Marcos Assunção e Márcio Araújo seguem no time, enquanto o técnico ainda é Luiz Felipe Scolari. Dois jogadores que defenderam o time paulista naquele ano estão agora no Alviverde paranaense: Lincoln e Chico.

As armas

O Coxa leva vantagem no entrosamento, mas deve abrir o olho com três jogadores do Palmeiras.

Valdívia é o meia armador. Habilidoso e rápido, cria boas situações para os atacantes e também costuma chegar para o arremate. É genioso – logo, facilmente irritável – e, como quase todo latino (é chileno), joga com muita aplicação.

Mazinho é o atacante que cai pelos lados. Habilidoso, conduz a bola em velocidade e arremata com perigo. Ganhou o apelido de “Messi Black” pelos mais fanáticos palmeirenses. A comparação é válida até a página 2. Mas isso não diminui o perigo.

Marcos Assunção é o líder do time. Volante que sai pro jogo, ajuda na armação de jogadas e é perigosíssimo nas bolas paradas. Por isso é melhor evitar faltas próximas à área.

O Palmeiras perdeu outro bom jogador para as finais, o atacante Barcos, que acordou com apendicite nesta quinta. O desfalque de última hora pode fazer o time mudar a forma de jogar, com dois atacantes de velocidade, se optar por Maikon Leite (ex-Atlético) ou simplesmente mudar a peça, usando Betinho (aquele mesmo, do Coritiba 2010) no ataque.

Ainda vale lembrar a história de Felipão com o lateral-direito Arce. Foi em 1996, pelo Grêmio, antes da final contra a Portuguesa.

O fator casa

Tenho defendido que o Coxa tem uma leve vantagem nessas finais, sobre o Palmeiras. E parte disso é o fator Couto Pereira. Na primeira partida, o Coxa encara um estádio em formato arena, com proximidade da torcida, mas que não tem identificação com o adversário.

Torcedor é vibrante em qualquer campo na hora da decisão. Mas conhecer as dimensões do gramado, estar ambientado aos funcionários, aos vestiários, conhecer os atalhos, é uma senhora vantagem. Além da mística de jogar realmente em casa.

O trunfo do Coxa é o Couto Pereira. Em Barueri, o Coxa encara um bom time e alguma pressão; em Curitiba, o Palmeiras estará num alçapão hostil em que o dono conhece cada centímetro do gramado.

Faz diferença.