Com mais técnicos, Alemanha ditará ritmo da Copa 2014

Niko Kovac, técnico da Croácia, é um dos cinco alemães na Copa

A seleção da Alemanha é uma das favoritas ao título mundial na Copa 2014 no Brasil. Mas mesmo que o timaço de Schweinsteiger, Muller, Gotze e Podolski falhe, os alemães terão ainda outras quatro chances de comemorar a supremacia no futebol do Planeta.

Nada menos do que cinco dos 32 técnicos da Copa são alemães. Brasileiros? Apenas um, Luis Felipe Scolari.

Joachim Low, pela seleção alemã, e Niko Kovac (Croácia), Jurgen Klinssmann (EUA), Volker Finke (Camarões) e Ottmar Hizfeld (Suíça) demonstram em números que a escola alemã de técnicos é, atualmente, a mais procurada no Planeta. Pode ser o histórico de sucesso do futebol alemão, a organização e o pragmatismo característico do povo germânico, a força da Bundesliga ou mesmo o fato de que quase todo alemão é bilingue, falando com naturalidade o inglês. Fato é que os técnicos alemães são quem ditarão o ritmo da Copa aqui no Brasil.

Depois dos alemães, três outros países forneceram técnicos a um grande número de seleções: Itália, Argentina e – acredite – Colômbia. Cada um tem três técnicos dirigindo seleções no Mundial do Brasil. Curiosamente, apesar de ter três técnicos dirigindo times na Copa (Jorge Pinto pela Costa Rica, Reinaldo Rueda pelo Equador e Luis Suares por Honduras) a Colômbia preferiu importar um argentino: José Pekerman dirige os cafeteros no Brasil. A lista da Argentina tem ainda Jorge Sampaoli no Chile e Alejandro Sabella na seleção nacional.

Italianos andam em alta no Japão (Alberto Zaccheroni) e na Rússia (Fábio Capello) e confiam em Cesare Prandelli para a Azzurra. Ficam acima de portugueses e franceses, que têm dois técnicos cada na Copa. O lusitano Fernando Santos dirige a Grécia, enquanto Paulo Bento conduz o time de Cristiano Ronaldo; Sabri Lamouchi é o técnico da Costa do Marfim, com seu conterrâneo Didier Deschamps treinando a França.

Chama a atenção ainda o fato de a Bósnia, que disputa apenas pela primeira vez uma Copa do Mundo, estar com dois técnicos, mais que escolas fortes como Brasil, Espanha, Inglaterra e Holanda. Vahid Halilhodzic pela Algéria e Safet Susic pela própria Bósnia marcam época sendo mais prestigiados que brasileiros, espanhóis, ingleses e holandeses, que tem representantes apenas dirigindo as seleções caseiras. Até mesmo Moçambique, que nunca disputou uma Copa, tem Carlos Queiróz a frente do Irã.

O fato de um técnico brasileiro conhecer o País, o comportamento das pessoas, as condições climáticas e quem sabe até ter alguma simpatia junto aos locais não seduziu nem mesmo seleções de pequeno calibre. Se nas arquibancadas a torcida brasileira têm dado o tom da disputa, no banco de reservas o comando e a direção são alemães. 

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21 anos depois, maior parte dos discípulos de Telê são técnicos

Telê: herança de títulos e formação de treinadores

Meticuloso, perfeccionista, detalhista. Dedicado a saber da qualidade do gramado à qualidade de vida dos atletas extracampo. Tático e motivador. Vencedor. Telê Santana não ergueu a Copa do Mundo, mas colecionou troféus por onde passou: brasileiro pelo Atlético-MG, estadual por Fluminense, Flamengo e Grêmio, Libertadores e Mundial pelo São Paulo, entre outros. As conquistas pelo tricolor paulista, aliás, estão completando maioridade. Nesse 2014, serão 21 anos do título que recuperou a imagem de Telê – até então questionado como “pé-frio” – e o colocou no patamar dos maiores treinadores do Brasil.

Mas as taças conquistadas nos clubes que dirigiu não são a única herança de Telê, falecido há 8 anos. Daquela geração do São Paulo bicampeão da América e do Mundo saíram nada menos que 12 treinadores ou managers para o futebol atual. Nunca uma mesma equipe rendeu tantos treinadores. Todos certamente influenciados pelos métodos de Telê.

O levantamento inclui os nomes dos 23 jogadores que estiveram nas decisões da Libertadores e do Mundial em 1992 e 1993. Todos no trabalho de maior projeção de Telê, que reconhecidamente é influência também ao atual técnico são-paulino, Muricy Ramalho, entre outros.

Dois ex-jogadores daquela estão mais em evidência nos tempos recentes: Doriva e Juninho Paulista, ambos do Ituano, campeão estadual em São Paulo. O primeiro é o técnico, o segundo o gerente. O discípulo de Telê com maior projeção no futebol atual é Leonardo. Ex-técnico dos italianos Milan e Inter, ocupa o cargo de manager no PSG, da França. No exterior também estãoToninho Cerezo, atual técnico do Kashima Anthlers do Japão, Antônio Carlos, auxiliar-técnico na Roma e Pintado, auxiliar no Cruz Azul do México.

Zetti seria outro discípulo, mas já se diz aposentado do cargo de treinador, depois de dirigir, entre outros, Atlético-MG e Paraná. Não deixou, porém, de treinar: tem uma academia de goleiros. Os ex-volantes Adilson e Dinho também militam na área, mas não ocupam nenhum banco de reservas atualmente, a espera de alguma chance – o último é vereador em Porto Alegre. 

Há os que ainda dão seus primeiros passos na carreira. Válber, que era tido por Telê como indisciplinado, hoje tenta por os jogadores na linha. Seu primeiro trabalho foi no Audax Rio, de onde já saiu. Muller, que trabalhou na imprensa por um tempo, passou a ser gerente no Grêmio Maringá (não o mesmo time atual vice-campeão paranaense), enquanto que Palhinha tem uma escolinha de futebol nos EUA. 

Talvez nenhum chegue ao patamar de Telê, o que é difícil para qualquer treinador. No entanto é inegável a influência do ex-técnico daquele São Paulo do início dos anos 90 na escolha de mais da metade da equipe.

Brasileirão, a máquina de moer técnicos

O futebol brasileiro já tem as novas arenas, trabalha bem o marketing e cobra preços de show por espetáculos ainda não tão prazeirosos. É a modernização que já está quase toda implementada fora de campo. Resta só que ela passe para o lado de dentro.

Silas (Náutico), Guto Ferreira (Ponte), Jorginho (Flamengo), Wanderley Luxemburgo (Grêmio), Muricy Ramalho (Santos), Ney Franco (São Paulo) e mais recentemente Ricardo Drubscky (Atlético) são as vitimas das seis primeiras rodadas do Brasileirão. Conte bem: sete nomes para seis rodadas. E enquanto você lê esse texto, é possível que mais um ou dois estejam com a demissão pronta.

A troca de técnicos é a saída mais fácil para que uma direção encubra falhas e tente realinhar o desempenho do time. Evidentemente, ninguém erra de propósito. Mas é muito mais simples mandar um funcionário embora do que 30. Especialmente quando muitos dos 30 são na verdade patrimônio dos clubes. É melhor apelar para a velha “chicotada psicológica” do que assumir que errou no planejamento, na contratação. Azar dos técnicos, mas ruim mesmo para as finanças e o torcedor.

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Os clubes invariavelmente arcam com multas altas ou o compromisso de manter o salário do treinador em dia após a saída. Os que não o fazem, arrumam um processo trabalhista para o futuro. Alguns fazem nova troca logo em seguida, o que só aumenta o bolo. Responsabilidade zero. E pior: sem solucionar o real problema.

Começa na avaliação. Você, leitor, em qualquer segmento que atue, certamente já passou por processo de seleção na hora de contratar. Avaliação de currículo, testes, provas, até que o empregador se convença de que você é o profissional com perfil indicado para aquela necessidade. No futebol isso é solenemente ignorado. Raramente alguém inicia um trabalho do zero; é sempre para sair de uma crise, com negociações em tempo recorde, a toque de caixa. Muitas vezes o real problema – má gestão de grupo, ambiente ruim, jogadores fracos – é ignorado. Um novo técnico traz novo ânimo. Será? Veremos abaixo.

O problema não está só na troca em si, mas principalmente na maneira com a qual ela é feita. Luxemburgo e Ney Franco foram demitidos de Grêmio e São Paulo imediatamente após o termino da Copa das Confederações. Ou seja, os clubes poderiam, cientes de que os profissionais já não serviam mais, buscar alguém que trabalhasse por um mês antes de estrear. Muricy foi demitido por telefone, após anos de serviços prestados ao Peixe. Mas ninguém fez pior do que o Atlético.

Se Ricardo Drubscky era ou não o único problema do vice-lanterna do Brasileirão, o tempo poderá mostrar. No entanto, o decantado projeto de uma pré-temporada com direito a excursão para a Europa, naufragou em meio a gestão centralizadora e autoritária do presidente do clube paranaense. O Atlético, por razões políticas, esticou o período de pré-temporada por 5 longos meses até o primeiro jogo oficial. A ideia era desvalorizar o estadual. No fim, acabou tendo que valorizá-lo, pois chegou a decisão. Perdeu, sem nunca testar seu time principal em jogos competitivos. Não aproveitou os talentos revelados no time B do Paranaense, perdeu o título, perdeu em imagem e perdeu a chance de avaliar o elenco. Jogou sem ritmo de jogo e agora demite o técnico, desperdiçando também a pausa da Copa. Quem chegar ao Furacão, seja jogador ou técnico, não aproveitará nada da pré-temporada.

Na contramão de tudo isso, não por coincidência, estão os líderes do Brasileirão. O Botafogo está com Osvaldo de Oliveira desde dezembro de 2011; o Coritiba, tem Marquinhos Santos no comando técnico desde setembro de 2012 ; Abel Braga dirige o Fluminense desde junho de 2011 e Caio Júnior é o que há menos tempo está no comando, entre os quatro primeiros: desde dezembro de 2012 é técnico do Vitória. O atual campeão mundial, Corinthians, está com Tite desde outubro de 2010 e o semifinalista da Libertadores Atlético-MG tem Cuca no comando desde agosto de 2011.

Não é difícil explicar o desempenho dos clubes. Difícil, muitas vezes, é fazer o simples.

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Papo aberto 1: Sérgio Soares

Uma das coisas legais de se trabalhar com TV na internet é que você não se prende a formatos nem ao tempo. Aproveitando a visibilidade do Terra e as várias personalidades que recebemos por aqui, resolvi segurar nossos convidados por mais 15 minutos (pelo menos é a promessa inicial) nos estúdios, pra bater um papo aberto sobre coisas que fogem do noticiário do dia a dia.

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O primeiro convidado é o técnico de futebol Sérgio Soares, que esteve comigo como comentarista na partida entre Rubin
Kazan x Chelsea pela Liga Europa. O treinador contou como se deu a tumultuada saída do Paraná Clube – abrindo em detalhes um problema famliar – em 2009. Também contou que já imaginava que o 2011 do Atlético não seria fácil (e porque), depois de comandar o clube na reta final do Brasileiro em que quase chegou a Libertadores. E falou muito sobre a falta de paciência do mercado com os técnicos – recentemente, foi demitido do Avaí. Assista a primeira parte:

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Soares foi auxiliar-técnico e jogador do Santo André que surpreendeu o Brasil em 2004, ao bater o Flamengo na decisão, em pleno Maracanã. Ele contou em detalhes a trajetória do Ramalhão. Além disso, falou sobre a Copa 2014, dizendo que a Seleção precisa de ajuda urgente. Acompanhe:

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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 19/09/2012

“No futebol é diferente”
Um dos principais estigmas de um administrador ao entrar no mundo do futebol é romper o folclore de que, por mais bem sucedido que o profissional seja, na gestão dos clubes, será diferente. Como diria o famoso narrador, ‘não é, mas é’. E o é porque os clubes permitem isso: volta e meia diferenciam o trato com os jogadores, mesmo em detrimento de outros profissionais. Resultado? Caem na armadilha dos “boleiros”, que ainda têm espaço em um esporte a cada dia mais profissional.

Marcelo Oliveira, Felipão, Passarela…
Que o time do Coritiba tem uma defesa ruim (perdoe-me Emerson, mas você está sozinho desde que Gago e Donizete foram embora) e esse é o real problema todo mundo, até Marcelo Oliveira, está careca de saber. Mesmo assim o senso comum indicava: o ex-técnico coxa tinha de ser demitido. Doeu em Vilson Ribeiro de Andrade a ação. Administrador nato, Vilson acredita na continuidade do trabalho das pessoas. Evita demitir. Entende que ter um funcionário-padrão, que entende as necessidades do clube, é “low-profile”, conhece o sistema e já está ambientado à cidade seria muito mais útil. Mas não pode mandar embora 30 jogadores – ou ao menos 10 a 12 que não vinham rendendo. Primeiro, porque é mais fácil cortar uma cabeça do que tantas; depois, não esqueçamos, porque os jogadores são moeda. Sobrou para Marcelo Oliveira, que já está no Vasco. Um time de estrelas do Corinthians em 2005 só rendeu quando Daniel Passarela saiu do comando. O Palmeiras, algoz coxa nesse ano na Copa do Brasil, foi de campeão à virtual rebaixado sob o mesmo comando. O rendimento das equipes caiu assustadoramente quando o discurso do técnico cansou. O que é lugar comum no futebol teria espaço na sua empresa? Como você agiria, sendo chefe, com uma equipe assim? Sairia, trocaria o comando ou as peças? Aqui está o tabu: jogadores derrubam técnico sim. E às vezes até o clube, como foi no indolente Atlético de 2011: sem comando diretivo, largado às festas e às traças.

Há saída?
Primeiro analisar friamente cada situação antes de cobrar indiscriminadamente. Tem vezes em que a diretoria é letárgica (como vai, Malu?) e as coisas acontecem debaixo do nariz. Outras vezes age, mesmo a contragosto, mas nem sempre tem o resultado – o problema pode ser outro. Fundamental é identificar e atacar o mal. No geral o que precisa mudar é a mentalidade de quem comanda e quem obedece: jogador de futebol é trabalhador como qualquer outro. Uns melhores, outros piores; uns ganham mais (e normalmente valem quanto pesam) outros menos e isso deve ser encarado numa boa: em qualquer serviço há hierarquia e meritocracia (ok, muito puxa-saco se dá bem por aí, mas até quando?). Claro que não adianta estar fora de forma ou ser grosso, mas nominando: Paulo Baier e Pereira são bons profissionais e, não à toa, tem carreira bem sucedida e longa. O melhor exemplo nacional hoje é Seedorf: longevo e de qualidade, não se omite e colabora com o Botafogo em todas as áreas. O futebol agradece.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/03/2012

Rompidos

Não convide para o mesmo evento os presidentes do Atlético, Mário Celso Petraglia, e do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Os dirigentes, que trocaram elogios mútuos no início do ano, estão com relações rompidas com os sucessivos episódios envolvendo a necessidade de o Furacão ter um estádio para jogar. Nos bastidores, comenta-se que Vilson e Petraglia estavam próximos de um acerto para o empréstimo do Couto Pereira para o Brasileiro, mas o mandatário atleticano, em paralelo, tentou forçar a barra junto a CBF, com medo de levar um não de Vilson. O coxa-branca, por sua vez, sentiu-se traído e informou a Petraglia que “não quer mais conversa” com ele.

Torcida única em julgamento

A medida por um Atletiba com torcida única, tomada por iniciativa de Petraglia no clássico 349, é outro ponto de discórdia. Andrade concordou com a decisão com a prerrogativa de que o Atletiba 350 também fosse disputado dessa forma; o MP-PR, que poderia impedir a infração ao Estatuto do Torcedor foi complacente. Mas o TJD-PR, através do procurador Marcelo Contini, não. Uma petição de quatro laudas denuncia os clubes, que podem ser apenados em até R$ 100 mil. O julgamento será na quarta que vem pela 3ª comissão. Seja qual a decisão, ela não obrigará nada em relação ao clássico 350, em 22/04.

Tcheco e a gerência de futebol

O meia Tcheco, 36 anos, deverá deixar os gramados em julho, quando o Coritiba pretende realizar uma festa de despedida. A intenção da diretoria do Coxa é convidá-lo para auxiliar Felipe Ximenes na gerência de futebol. “Ele é identificado com o clube e tem perfil”, sinalizou o presidente alviverde Vilson Ribeiro de Andrade.

Parreira e Ney Franco em Curitiba

Calma: nem Juan Carrasco, nem Marcelo Oliveira estão perdendo os empregos. Os dois técnicos da Seleção (o primeiro do tetra em 94, o segundo atual auxiliar de Mano Menezes) estarão em Curitiba em 28/05 no Footecon, o congresso brasileiro dos profissionais de futebol. Será um dia com debates e oficinas para profissionais e entusiastas da área, com a visão de quem está dentro do mercado. As inscrições já estão abertas no site footecon.com.br/curitiba.

Festa do interior

O Coritiba recebe hoje o Londrina no Couto Pereira em jogo que pode encaminhar a conquista do 2º turno pelo time do norte, três pontos à frente do Coxa e cinco a mais que o Atlético nessa etapa do campeonato. Se não levar 5 ou mais gols, o Londrina deixa Curitiba com a liderança. Se vencer então, põe uma mão na vaga da final – a outra já é do Atlético. Desde 2007, quando ACP e Paraná decidiram o campeonato (vitória interiorana), as disputas ficaram apenas entre Atlético e Coritiba. Já o Londrina, três vezes campeão paranaense, não vê a taça desde 1992.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 07/03/2012

Sonho renovado

O sonho dos times paranaenses em alcançar a Libertadores e faturar mais um título nacional se renova hoje, quando Atlético, Paraná e Operário entram em campo; em sete dias será a vez do Coritiba, atual vice-campeão. Do trio da capital, o Coxa é quem tem o desafio mais “fácil” – se é que algum pode ser qualificado assim: o Nacional-AM, que andou sumido no cenário nacional. O Atlético encara o líder do Maranhão no momento, o Sampaio Corrêa – leve favoritismo rubro-negro. E o Paraná pega o Luverdense-MT. O Tricolor fará seu primeiro jogo oficial no ano e é um mistério. Já o vizinho Operário recebe em Ponta Grossa o tradicional Juventude-RS, na série mais complicada.

Atalho mesmo. Mas com espinhos

A Copa do Brasil é o atalho para a Libertadores. Isso porque um clube pode ser campeão nacional com apenas 10 jogos – no Brasileiro, são 38. Em 2011, o Coxa bateu na trave: pelo critério de gols marcados fora de casa, deixou a taça nas mãos do Vasco. O Atlético parou no mesmo adversário, antes das semifinais. Nesse ano, a chave do Furacão é mais complicada que a do Coxa. Nela estão Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras, além de Paraná e Operário; já o Alviverde tem um caminho mais livre: seu primeiro grande confronto pode acontecer somente nas quartas, contra o Sport Recife. Deste lado ainda estão os tradicionais Botafogo, Atlético-MG e São Paulo.

O melhor do Brasil

Na contramão das críticas da torcida do Coritiba, o técnico Marcelo Oliveira foi indicado pelo IFCStat, da Holanda, como o 14º técnico do Mundo no momento e o principal no Brasil. Os números levam em consideração as últimas 52 semanas de trabalho. Está à frente de Muricy Ramalho e Tite e atrás de Pep Guardiola e José Mourinho, os líderes.

O melhor do Brasil II

“Não quero ser arrogante, mas pelo que vi nos Estaduais por aí, o nosso time é o melhor, jogando com velocidade e na vertical.” Este é Juan Ramón Carrasco, técnico do Atlético, valorizando o elenco. Uma coisa é fato: o time ganhou personalidade com ele.

Quer ajudar demais, atrapalha

O Coritiba bloqueou o acesso livre do público ao Twitter do clube nesta terça. O motivo? Um torcedor, na ânsia de tornar o endereço @coritiba mais popular, o cadastrou num sistema de spam. Ninguém na assessoria do clube aguentou a quantidade de propagandas que o Twitter oficial recebeu. O clube já está removendo os spams.

Fifa vista Arena amanhã

A Fifa fará nova visita à Arena amanhã, de inspeção do andamento das obras. Questionado sobre o objetivo de mais uma verificação, o gestor do Mundial em Curitiba demonstrou irritação com as freqüentes cobranças da entidade: “Estamos supertranquilos, não temos preocupação,” disse Luiz de Carvalho. Sobre as desapropriações no entorno do estádio, feitas por governo e prefeitura, Carvalho declarou: “A maioria dos proprietários já concordou de forma amigável. Alguns estão em inventário.” Carvalho está desde o começo no processo da Copa 2014 em Curitiba, mas, como o cargo é político, pode deixar de ser referência se o atual prefeito e empregador, Luciano Ducci, não for reeleito no fim do ano. Seria mais uma mudança no tabuleiro do Mundial, que já viu peças importantes, como o ex-vice-governador Orlando Pessuti, saírem de cena.

Polêmicas do Atletiba 347

Fechando a série de posts sobre o Atletiba 347, repriso aqui lances e comentários feitos no Jogo Aberto Paraná da Band Curitiba, que vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, para Curitiba, RMC, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e Campos Gerais.

São lances que separei a pedidos de muita gente que nos dá a alegria da companhia. É polêmica, então não espero concordância e sim disponibilizo os momentos para uma análise mais aprofundada para mim e para vocês.

1) Bill cuspiu em Fabrício?

As imagens acima são da TV Bandeirantes e são as únicas a que tive acesso. Por elas, é impossível ter uma conclusão, ainda que utilizemos o recurso zoom.

No entanto, fiquei com alguns indícios de que Bill NÃO cuspiu em Fabrício. Pelas imagens, percebe-se que ambos seguem se estranhando após o lance, mas, se cuspido fosse, difícilmente Fabrício não reagiria: cuspe na cara é uma desonra enorme para quem leva e maior ainda para quem executa. Um telespectador/leitor já perguntou se não questionamos ambos sobre isso: não. Nem Bill, nem Fabrício, estiveram na coletiva do Atletiba. Amanhã, com as coletivas da semana, pode ser que isso tenha sido feito. Eu não estive em nenhum treino. Mas falo mais se souber mais.

Em tempo: outros perguntaram se foi pênalti de Fabrício em Bill no mesmo lance. Pra mim, não: Bill perde a passada e se joga. Lance normal.

Update: O repórter Osmar Antônio, da Rádio Banda B, afirmou que, ao perguntar para o zagueiro Fabrício se Bill teria cuspido nele, a resposta foi sim. Repito o que afirmei no Jogo Aberto Paraná nessa terça: as imagens da Band não mostram o cuspe. Se outro canal tem, seria de bom tom jornalístico oferecer. Ainda: acredito que agora cabe ao jogador e ao clube irem atrás do que acham correto. Por fim, uso o update e não uma edição porque quero manter o teor original do texto, sem compromisso com o erro.

2) Houve inversão na falta que originou o lance do Atlético?

Não. Mas se Héber Roberto Lopes marcasse falta e amarelasse o meia Branquinho, do Atlético, também estaria correto.

O lance é claro: Willian faz a falta por baixo no mesmo momento em que Branquinho reage por cima, esticando o braço no rosto do atleta do Coxa. Foi falta de Willian; foi falta de Branquinho. A questão é o tempo.

Héber entendeu que Willian “bateu” antes e apitou. O resto vocês já sabem.

3) Foi pênalti no lance com Jéci e Madson?

Não. Enquanto a Fifa (ou no caso a International Board) determinar que o que vale é a intenção no eventual toque da mão na bola, nenhum lance assim pode ser considerado pênalti. Diferentemente do basquete, quando a bola tocada no pé é falta não importando a razão, o futebol permite esse tipo de lance. E Jéci só não tocaria a bola se não tivesse um braço.

Além do mais, observando a movimentação dos jogadores, percebe-se que Jéci faz o possível para não reter a bola com o braço e Madson, na disputa dela, em nenhum momento pede o toque.

4) Edson Bastos falhou no gol do Atlético?

Não. Na minha opinião, e a imagem acima mostra, houve mérito na proteção de bola feita por Cléber Santana em cima de Lucas Mendes, impedindo o corte. Não só isso: o posicionamento da defesa do Coritiba permitiu que a bola, batida na direção do gol e com força, quicasse logo a frente de Bastos. Esse tema gerou debate acirrado no programa, já que a opinião do ex-goleiro e comentarista do Jogo Aberto Paraná, Gerson Dall’Stella, é contrária. Para ele, Bastos falhou – deveria ter se antecipado ao quique.

Na verdade, o futebol é feito de erros. O gol invariavelmente nasce de algum erro. Foi assim com o gol do Coritiba, quando, mal posicionada, a defesa do Atlético permitiu o cabeceio de Emerson. E do jogo.

O que se discute na verdade não é se Edson falhou ou não e sim se ele deve se manter no time titular. Bastos ainda paga pelo erro da Copa do Brasil e qualquer suspeita já é o suficiente para que a paciência com ele se acabe. Eu acho que, em termos práticos, não há nada demais em dar uma oportunidade para Vanderlei, outro grande goleiro.

Mas o que tem se tentado fazer com Bastos é cruel. Como disse Renan Ceschin hoje no programa, se ele não pode ser titular com tudo o que já fez pelo Coxa e passa a ser questionado em lances difíceis como esse, então, não deve ficar. E aí já é demais, não concordam?

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O mistério vai além

Se tem uma coisa que eu nunca fiz em 10 anos de militância na imprensa esportiva foi pegar no pé de treinador que resolve fechar o treino para os repórteres. Acho isso o cúmulo da ingerência no trabalho de outro. Se o método dá resultado, é o que importa. De mais a mais, já fui repórter-setorista nos três clubes e sei que 90% dos colegas estão sempre muito mais de olho nas pernas de uma ou outra jornalista do que se o técnico mesclou times A e B no coletivo, com esquema 6-2-2.

O que é bem diferente de perceber um sintoma: com o treino fechado e o mistério para o jogo de hoje, o técnico Roberto Fonseca dá pistas de que começa a não ter segurança nas ações que vem tomando. Pudera: são três derrotas nos últimos quatro jogos em casa. E o Paraná que se reinventava na Série B, deixou o G4, motivo suficiente para muitos acharem que já há crise na Vila.

Na reportagem abaixo, de Henrique Giglio para o Jogo Aberto Paraná e hoje (anote aí: segunda a sexta, 12h30, na Band Curitiba, canal 2), você vai conferir a preparação final do Tricolor para o jogo contra o Boa Esporte-MG:

Eu vou além: não divulgar a equipe não é o único mistério acerca da Vila Capanema recentemente. Outro é: como se dá a relação de Roberto Fonseca com os jogadores? Há quem diga que não é das melhores. Só posso me fiar no que disse Serginho, volante do Tricolor, quando falou comigo pela última vez, garantindo que não há e nunca houve nada. O que está bem claro é que o time caiu de rendimento.

Há outro mistério: quem quer Fonseca longe da Vila (além de alguns torcedores, irritados com os resultados recentes)?. Em um café da manhã com um influente conselheiro, soube que há um grupo disposto a “rachar” os salários de Geninho, entendendo que o campeão brasileiro da Série B em 2000 é o único que pode reconduzir o Paraná à elite nacional. Tudo extraoficial, mas já ouvi gente dizer que Fonseca não passa de hoje, não importando o resultado.

Não acho que seja essa a solução. Se o problema é o primeiro – relacionamento – o Paraná deve agir com rigor e afastar os focos de insatisfação. Esse mesmo elenco já deu mostras do que pode ou não fazer. Convenhamos, não é muito. Alguns reforços seriam obrigatórios para brigar pelo acesso.

Além de que, sem esquecer que o Paraná está rebaixado para a Série Prata Estadual, e se o TJD-PR não entender culpa do Rio Branco no Caso Adriano (como já o fez uma vez), o calendário do Tricolor será desastroso, com nada a se disputar de janeiro a maio e dois campeonatos duríssimos, um pela logística, outro pela qualidade, no segundo semestre de 2012? E sem dinheiro no bolso. Arrumar mais uma dívida com um treinador que, bem ou mal, deu resultados, é o caminho? Com o caixa vazio, é difícil pensar no ano que vem.

Aí sim, será um mistério saber como agir.

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Até que demorou

Agora deixou de ser chiadeira e virou ação

Me chamou a atenção via Twitter o colega Linhares Jr., do SporTV: “O futebol paranaense precisa evoluir. Discutir arbitragem não leva a nada”. Vindo de quem está radicado em São Paulo, maior centro do País – e com dois clássicos nesse final de semana – mas mesmo assim vive de antena ligada no Paraná, achei pertinente. Linhares fala do nosso provincianismo, da mania de depreciar as coisas daqui. “A imprensa não presta, os juízes roubam, nossos clubes são fracos” e outras que estamos acostumados a ouvir e pensar: “É, tudo bem.”

O debate deveria mesmo ser conduzido no sentido de perguntar não porque Héber Lopes vai apitar o Atletiba, mas sim porque há tempos no Paraná ele ou Evandro Roman são as únicas opções; por que é que não fortalecemos nossa escola. Mas não deu.

O ótimo site Furacão.com, dedicado a cobertura do Atlético, logo estampou na capa: “Coritiba 1 x 0 Atlético”, atribuindo a vitória ao Coxa, 5880 minutos antes do apito inicial, marcado pras 18h de sábado, no Couto Pereira. Via Twitter, usando do RT para movimentar a discussão, logo comecei a ler a impressão coxa-branca da escolha. Todas muito mais no sentido de galhofa em cima dos atleticanos – “começou o choro” – que aprovando ou desaprovando (salvo 2 ou 3 que reclamaram da atuação de Héber no último Paratiba). E tudo isso faz parte do folclore do clássico, 346 edições* mais velho que em 1924.

Poderiam ser os ingressos (que podem ser 3,5 mil para os atleticanos, que querem mais, ou o velho meio a meio, sequer cogitado no Alto da Glória); poderia ser o calção negro, a galhofa atleticana de chamar o Coxa de “tricolor” ou a imposição estatutária do mandante – que até poderia ser aceita, já que o Atlético mesmo trocou seu calção em ocasiões nessa temporada. Poderia ser qualquer desculpa, mas foi a arbitragem.

Calçados em números, os atleticanos foram aos protestos – agora oficiais. Com Héber no comando em Atletibas, 10 jogos, 7 vitórias do Coritiba, 1 empate e 2 triunfos do Furacão. Evidentemente não foi Héber o responsável solitário pelos números. No futebol, são muitos os componentes. Até hoje, não recebi ou consegui uma única prova cabal de corrupção ou erro deliberado de juiz Fulano contra clube X a favor do Y. Se você tiver, é só enviar. O que acontece é que os árbitros são RUINS no geral. Não a toa há muito que se pede o auxílio eletrônico.

O Coritiba, por sua vez, não reclamou. Marcelo Oliveira, aliás, foi taxativo ao dizer: “Eu gosto muito quando ele apita”. Confira (e mais Léo Gago e Renato Gaúcho, que adiou o tema, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná):

Significa que Héber então irá ajudar o Coxa? Evidente que não.

O que Marcelo Oliveira quis foi neutralizar a polêmica. Tirar do apito a importância. Mas acabou acirrando, já que a cúpula rubro-negra esperou a repercussão para ir atrás do pedido de mudança, ao invés de tentar o veto no sorteio – a explicação atleticana é que ele foi antecipado. Paulo César Oliveira, de SP, foi o outro nome.

Não adianta. O Atletiba tem disso e a lenha já está queimando na fogueira. Há até quem esqueça que o Atlético tem jogo nesta quarta, contra o Flamengo. Até que demorou para ferver.

Se a CBF vai acatar o pedido, ninguém sabe. Acho improvável. Se Héber estará mais ou menos pressionado, ou terá alguma tendência após tanto falatório, não se saberá antes de sábado, por volta das 21h. Se já era importante, o clássico de sábado passou a não ter justificativa para derrota, seja qual for o lado.

…imaginem então quando for o da última rodada, finalizando o destino dos clubes no Brasileirão.

*Update via História do Coritiba

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