Cinco clubes para ficar de olho nos próximos campeonatos

O Brasil viverá um novo momento no futebol após a Copa do Mundo. As novas arenas prometem dar ao torcedor mais conforto e segurança, enquanto que os clubes poderão arrecadar mais, seja com bilheteria, sócios, espetáculos ou mesmo o “naming rights”. Você certamente já ouviu/leu muito sobre como o futebol brasileiro poderá mudar. Como Corinthians, Atlético e Inter lucrarão com seus estádios próprios, como o Mineirão e o novo Independência mudarão a vida de Galo e Cruzeiro, ou o Maracanã para o trio carioca que tem contrato com a administradora – a exceção é o Vasco; o que pode mudar para Bahia, Vitória e Náutico, já tradicionais no Nordeste, ou mesmo para ABC e América-RN.

Mas outros clubes também estão se mexendo, nem sempre com o impulso da Copa. Clubes menores que estão buscando seu lugar ao sol neste novo momento do futebol nacional. 

O blog escolheu cinco deles para fazer uma aposta. São clubes que em breve vão ocupar o noticiário nacional com alguma campanha de sucesso, uma boa revelação e até, por que não, algum título de expressão.

#5 – Joinville

Arena Joinville, um dos trunfos do JEC

O JEC é um dos mais tradicionais times de Santa Catarina, estado que vem mostrando grande evolução no cenário brasileiro da bola. Compõe o grupo dos quatro grandes locais, que em 2014 foi furado pela Chapecoense. Ao lado de Criciúma, Avaí e Figueirense, o Joinville é um dos grandes campeões locais. Finalista do Catarinense 2014 ao lado do Figueira, o JEC vem há muito construindo um futuro promissor. Apoiado pela prefeitura local, dona da Arena Joinville (segunda a ser construída nesse formato no Brasil, depois da Arena da Baixada), o Joinville conta com um quadro associativo de 10 mil pessoas, fiéis pagantes que têm levado o Tricolor a boas campanhas. O clube recentemente inaugurou uma nova área em seu CT, modernizando os campos de treinamento. Foi sexto colocado nas últimas duas séries B, batendo o acesso na trave. Atualmente o Joinville tem bebido muito da água do futebol paranaense, com as campanhas recentes tendo como destaque jogadores emprestados da dupla Atletiba – Joinville fica a 132 km de Curitiba. Como em todos os clubes que têm apoio estatal, a política pode ser um entrave. Mas é bem possível que em breve você veja o JEC com algum destaque nacional.

#4 – Metropolitano-SC

Promoção local exalta o Metropolitano, em referência ao Galo

Fundado em 2002 já no perfil-clube empresa, o Metropolitano de Blumenau é outro barriga-verde que promete estourar em breve. O clube já desbancou Avaí e Chapecoense para entrar no quadrangular do Estadual 2014. O segredo foi fazer o simples: salários em dia e aposta em jovens. A base é, aliás, a verdadeira aposta do Metropolitano, que conseguiu se inserir na Lei de Incentivo ao Esporte para buscar dinheiro em patrocinadores através de renúncia fiscal. O Metrô irá disputar a Série D deste ano. 

#3 – Londrina

Alojamentos do CT do Londrina: parceira que vai consolidando-se

Junte a organização de um grupo empresarial (nem sempre bem visto no futebol) com a camisa tradicional de um clube em uma grande cidade do interior do Brasil e pronto: você chegará ao atual Londrina. Campeão Brasileiro da Série B em 1980, terceiro colocado no Brasileirão de 77 e três vezes campeão paranaense – busca o quarto título na decisão em 2014 – o LEC já pode dizer que voltou aos trilhos. O grupo SM Sports, do empresário Sérgio Malucelli (amigo de Wanderley Luxemburgo e irmão do ex-presidente do Atlético, Marcos Malucelli), abraçou o Londrina em 2011, depois de anos tocando o futebol do Iraty, outro clube paranaense. Pegou o Tubarão na segunda divisão local e conquistou o acesso. Nos anos seguintes, um quinto e um terceiro lugares no Estadual – o último, quando fez mais pontuação no geral que Coritiba e Atlético, os finalistas campeões dos turnos. Em 2013 quase garantiu o acesso à Série C do Brasileiro, perdendo para o Juventude por 1 a 3 em Caxias, após ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0, tendo sofrido o gol da eliminação no último minuto. Na primeira partida da decisão do Paranaense 2014, levou quase 28 mil pessoas ao Estádio do Café. A torcida do LEC é mesmo muito participativa, sendo inclusive mais presente que a do Paraná Clube, historicamente a terceira força do Estado, na “Timemania”. Com uma mescla de revelações e jogadores ganhando uma segunda oportunidade na vida (como Celsinho, ex-Portuguesa), o Tubarão é uma aposta segura para o futuro.

#2 – Red Bull-SP

Futuro e passado: Red Bull tem o que o Bugre perdeu

Mais um clube-empresa que promete. Quando a Série A2 do Paulista começou, todos imaginavam que um clube de Campinas iria subir de divisão. O que poucos diziam é que este não seria o tradicional Guarani, mas sim o Red Bull Brasil, clube gerido pela empresa que toca outros quatro times pelo mundo, além da equipe de Fórmula 1 e de eventos mil na área de esportes. Fundado em 2008, o Red Bull conquistou rapidamente o acesso da segunda divisão paulista (B, 4a na escala) até a Série A2, a verdadeira segunda divisão de SP. Estacionou na competição, falhando na hora H para o acesso, especialmente em 2013. Mas finalmente conseguiu subir na atual temporada, sendo que ainda pode ser campeã, na disputa por pontos com o Capivariano. Além do apoio da multinacional de bebidas, os segredos do Red Bull são (vejam só!) salários em dia e aposta na base. O clube mantém as categorias S-20, S-17 e S-15 como parte fundamental do projeto. Ainda não tem torcida própria forte e vem usando o Brinco de Ouro como estádio. O Red Bull ainda pretende ter uma maior integração com seus pares de Nova Iorque, Salzburg, Leipzig e Gana, clubes que fazem parte de um projeto mundial da empresa. Por ora, o RBNY e o RB Salzburg conseguiram maior destaque, com boas campanhas na MLS, no Austríaco e na Liga Europa. Será que o filho brasileiro é o próximo na lista?

#1 – Cuiabá

Arena Pantanal pode ser o impulso que o Cuiabá precisa

Bicampeão matogrossense e presente na Série C do Brasileiro para 2014, o Cuiabá é mais um clube-empresa que pode aparecer bem no cenário nacional em breve. Fundado em 2001 a partir das escolinhas de futebol do atacante Gaúcho, ex-Flamengo, o clube que carrega o nome da capital do Mato Grosso aguarda a inauguração da Arena Pantanal para vôos mais altos. Em seus 13 anos de existência, 5 títulos estaduais e o acesso da Série D para a C. Em 2013 ficou a apenas três pontos do grupo que brigaria pelo acesso para a Série B. O sucesso talvez fosse prematuro ao Cuiabá, que pretende ocupar o lugar do tradicional Mixto no coração dos cuiabanos. Mesmo com tudo isso, vale dizer, coube ao Mixto a honra de inaugurar a Arena. Mas e o futuro, reserva o que a ambos? Pelo que mostrou recentemente, não será surpresa ver o Cuiabá em uma das duas divisões de elite do Brasil brevemente.

Os 7 pecados e a decadência do Coritiba

Alex sofre, Coritiba agoniza: sete pecados que podem custar muito caro

Como pode um clube que deu bons exemplos de organização e esteve a pique de alçar vôos mais altos, com duas finais de Copa do Brasil, despencar tanto em uma temporada a ponto de ainda ser a 3a equipe que mais rodadas liderou esse Brasileirão, atrás apenas de Cruzeiro e Botafogo, e amargar uma possibilidade real de rebaixamento?

Perto da Zona de Rebaixamento faltando três rodadas para o fim, o Coxa revive os pesadelos de 2005 e 2009, quando caiu sem entender bem como, quando e por quê houve a decadência. Assim sendo, enquanto ainda é tempo (ainda é?), o blog propõe um ensaio sobre os sete pecados na temporada do Coritiba até aqui. Se só a fé pode salvar, ainda há tempo de se arrepender.

1 – Gula

Tetracampeão paranaense, duas vezes consecutivas finalista da Copa do Brasil, líder do Brasileiro 2013 durante toda a Copa das Confederações e com a perspectiva de disputar a Copa Sulamericana para tentar um título internacional. O Coritiba quis abraçar o Mundo, mas não tinha elenco para isso. Trouxe o ídolo Alex de volta, mas não conseguiu segurar peças chave como Rafinha, Emerson e Everton Ribeiro, como já acontecera com Leandro Donizete. Atropelou no Estadual e se viu em meio ao Brasileiro com mais de 10 jogadores importantes no departamento médico, como Leandro Almeida, Júnior Urso e Deivid. Faltou planejamento e dinheiro para tanta fome.

2 – Avareza

Depois da questionável decisão de demitir Marquinhos Santos e o diretor de futebol Felipe Ximenes, o Coxa deixou o segundo cargo vago e não quis gastar além da conta com técnicos mais experientes como Caio Júnior ou Celso Roth. Apostou em Péricles Chamusca, demitido neste domingo, e que chegou revelando que faria uma também aposta em sua permanência para 2014, pensando em um bom contrato só se salvar o time. Com Chamusca, 7 derrotas e um empate em 11 jogos. Ainda que o próprio seja o menos culpado, já tem sua parcela de colaboração na crise. O técnico chegou a dizer que deixaria o time pronto em três semanas – não conseguiu -, mas tempo é artigo de luxo. As renovações com os jogadores citados acima poderiam entrar na conta, mas vale lembrar que os próprios atletas muitas vezes têm o desejo de respirar novos ares.

3 – Inveja

“A culpa é do Atlético”, disparou o presidente Vilson Ribeiro de Andrade ao analisar a pressão que o time, ainda na 8a posição, sofria da própria torcida que via o rival entre os 4 melhores do campeonato e na final da Copa do Brasil. A declaração do dirigente deu o tom da preocupação coritibana com o vizinho – que no começo da temporada viveu situação inversa. A cada resultado cruzado, o Coxa se via mais longe do topo e convivia com a flauta dos rivais, ao invés de se preocupar mais em estancar a sangria.

4 – Cobiça

Depois da ascensão de 2009 pra cá, com reforma no Couto Pereira, aquisição de terreno para um novo CT e a revitalização da imagem do clube, não foram poucos os interessados em assumir o Coritiba. O cargo ocupado por Vilson Ribeiro de Andrade passou a ser cobiçado por vários grupos, que se movimentaram para tentar aproveitar o momento do clube, cada qual à sua maneira. Como consequência, Ribeiro perdeu aliados importantes, como Ernesto Pedroso, e teve que buscar refúgio até na torcida organizada, afastada do dia a dia do clube desde os episódios em Coritiba x Fluminense. Não só isso: a pressão interna para demitir Felipe Ximenes, que pensava o futebol alviverde, foi enorme.

5 – Luxuria

A vida particular de cada jogador não diz respeito à imprensa (à ninguém, na verdade). Mas as críticas da torcida em cima de alguns nomes do elenco, que supostamente estariam dando mais prioridade à badalada noite curitibana, só acirraram mais os ânimos dentro do clube. A ponto do atacante Bill, um dos mais cobrados – e fotografados – pelo comportamento extra-campo, discutir com torcedores logo após uma substituição. Mais tarde, pediu desculpas pelo destempero.

6 – Vaidade

Teria a liderança precoce do Coritiba enebriado o elenco alviverde? Comparações com o ano de 1985, quando foi campeão brasileiro, e a (natural) empolgação da torcida podem ter superestimado a capacidade do time. Que, em alguns momentos, dava motivos para acreditar, com as boas atuações de Alex. Ainda era cedo. A liderança escapou, o G4 escapou e a empolgação se tornou preocupação.

7 – Ira

Muro do Couto Pereira pichado com ameaças após a derrota para o Flamengo

Como em 2009, já circulam pela internet ameaças de invasão de campo e agressão a jogadores, em caso de nova queda. Em todos os anos em que um clube campeão brasileiro caiu, houve episódio de enfrentamento entre torcedores e jogadores ou dirigentes. Em nenhum deles a pressão colaborou, apesar da cena se repetir ano após ano.

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Abrindo o Jogo da Série B – guia do acesso

“É o Palmeiras e mais três.” Você vai cansar de ouvir essa frase até o final do ano, quando se falar na Série B do Brasileiro. E ela tem muito fundamento: o Palmeiras é o time que mais recebe da televisão e em patrocínios e é, ao lado do Sport, um dos campeões brasileiros na Segundona neste ano. Ambos têm obrigação de subir. Então seria o “Palmeiras, o Sport e mais dois, certo?” Não. O dinheiro fala mais alto, mas a Série B é cheia de armadilhas.

Uma delas é a montagem do elenco. Time bom ganha em qualquer campo, mas não espere moleza se o espírito dos jogadores não estiver no clima de encarar viagens de ônibus até Varginha e Juazeiro, por exemplo. Além disso, o Palmeiras é o milionário (mesmo com dívidas) o Sport não: é mais rico que boa parte dos times, mas não muito mais que Ceará, Atlético-GO, Figueirense e outros. Por isso, ambos têm obrigação de subir, mas a do Sport é menor. E também por isso, não se espante se o Palmeiras não subir campeão.

A Série B tem times acostumados à competição e que também querem seu lugar ao sol. Forças regionais, como Paraná, Avaí e Paysandu, podem chegar. Outros podem tirar pontos preciosos nessa caminhada, como os Américas Mineiro e Potiguar e o Joinville. Mas, não se pode negar, existem sim as babas. Jogos em que os pontos são praticamente certos – o que não deixa de ser um perigo se houver desatenção. A Série B mudou muito desde que o Palmeiras a venceu em 2003 – e pra melhor. Mas para defini-la, empresto uma frase do amigo Dionísio Filho, ex-jogador e comentarista em Curitiba: “É como o céu: é ótima, mas ninguém tem pressa de morrer pra ir para lá.”

O céu, pra quem tá embaixo, é a Série A. E o blog arrisca uma leitura do que pode acontecer, com base nos estaduais e nos elencos até hoje. Alguns devem mudar, mas menos que na elite nacional. Por isso, aponto os favoritos ao acesso, quem pode surpreender, os que farão figuração e os rebaixáveis.  Em dezembro, conversamos de novo, ok?

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Favoritos:

Palmeiras, Sport, Paraná, Ceará, Figueirense, Atlético-GO e Paysandu.

O Palmeiras pode até não ser o campeão da Série B 2013, mas subirá com absoluta certeza. Não é difícil ver nem explicar isso, mas a base é o dinheiro. O exemplo vem do ano passado, quando o Atlético saiu de um 14º lugar para o 3º posto – teve até chance de título – a partir de uma arrancada com a reformulação de elenco. O Verdão tem muito mais recursos que qualquer outra equipe. O que precisa é ter cabeça e a atual diretoria já mostrou que tem, nas derrotas para Mirassol e Tijuana, mantendo o bom Gilson Kleina. Sem medo de errar: o Palmeiras subirá para a primeira divisão sem duvidas. Resta ver se com ou sem emoção.

Na Série B: Quatro vezes (todas estatísticas incluem a Taça de Prata), campeão em 2003

O Sport abrirá a Série B em crise, após a eliminação na Copa do Brasil e o vice-campeonato estadual, que custaram o cargo do técnico Sérgio Guedes. Mas tudo o que vale para o Palmeiras, vale para o Sport, em menor proporção. Incluindo o fato de que, se o acesso do Palmeiras é garantido e o título não, para o Sport o título é possível e o acesso uma meta, mas não garantida.

Na Série B: 10 vezes, campeão em 1990

A grande surpresa desta Série B pode ser o Paraná. Surpresa em termos, pois o Tricolor vai aparecer em quase todas as listas de favoritos ao acesso, como nos últimos anos. Entretanto, acabava decepcionando pois a inclusão vinha pelo histórico. Desta vez não: o clube está mais organizado e aposta em Dado Cavalcanti, que brilhou no Mogi-Mirim, como o comandante deste objetivo.

Na Série B: Sete vezes, campeão em 1992 e 2000.

O tricampeão estadual Ceará é outra força para esta Série B. Isso porque conhece a competição como ninguém – o que é um paradoxo – sendo o time que mais disputou a Segundona. Reinando absoluto no Estado, quer voltar a elite que deixou em 2011, apostando no novo Castelão, nos conhecidos Fernando Henrique e Mota e no estilo gaúcho do técnico Leandro Campos.

Na Série B: 24 vezes, nenhum título.

O Figueirense é mais um exemplo de clube que pode chegar pela estrutura muito mais do que pelo que apresentou até aqui em 2013, tal qual o Sport. Apesar de ser o terceiro colocado no geral, novamente decepcionou após campanha boa na fase classificatória, eliminado pela Chapecoense. Manteve o técnico Adilson Batista, o que é sinal de estabilidade, e conta com a força da torcida no Scarpelli para fazer a diferença em Florianópolis.

Na Série B: Oito vezes, nenhum título.

O Atlético-GO viveu uma crise política por conta de denúncias de corrupção e até mesmo de envolvimento de um dos seus dirigentes no assassinato de um cronista esportivo em Goiânia. Entretanto, em campo, o time parece ter sentido pouco: ficou com o vice-campeonato estadual e eliminou dois adversários na Copa do Brasil sem precisar da partida de volta. Waldemar Lemos, o irmão do Osvaldo, é o técnico.

Na Série B: Nove vezes, nenhum título.

A volta do Paysandu à Série B já seria motivo suficiente para grande festa em Belém. Mas, apesar do título do Paraense, a eliminação na Copa do Brasil para o Naviraiense deixou todos com a pulga atrás da orelha. Ainda assim, trata-se do Papão, bicampeão da Série B, que obrigará adversários a uma longa viagem para cair no caldeirão do Mangueirão.

Na Série B: 12 vezes, campeão em 1991 e 2001.

Podem chegar:

Avaí, América-MG e Joinville.

O Avaí corre por fora na disputa. Está abaixo do rival Figueirense, mas aposta no técnico Ricardinho e em medalhões como o ídolo Marquinhos e Cléber Santana para ser competitivo. Tem também um alçapão, a Ressacada, onde não costuma perder.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

A esperança do América-MG é a renovação do elenco. O clube deu vexame no Mineiro, sendo apenas o 8º colocado. Até mesmo o Independência, casa do Coelho, já está mais com a cara do Galo que dele próprio. O sopro de esperança veio na ótima atuação contra o Avaí na Copa do Brasil e nos reforços do interior paulista. Não dá pra desprezar o Coelho.

Na Série B: 19 vezes, campeão em 1997.

A Arena Joinville é a grande arma do JEC para tentar o acesso. Mas existem outros trunfos, como um clube organizado, com salários em dia, e o eterno Lima, o “Limatador”, artilheiro do Tricolor catarinense. Em 2012, na volta à Série B, beliscou um sexto lugar; neste ano corre por fora para fazer melhor.

Na Série B: 16 vezes, nenhum título.

Figurantes:

Chapecoense, ABC, América-RN, Bragantino e ASA

Os figurantes tem todos o mesmo nível técnico e perfil: equipes que devem complicar em casa e oferecer pouca resistência fora. A Chapecoense chega com o status de vice-campeã catarinense, perdendo o título para o Criciúma, da Série A, em duelo apertado. O ABC, que não chegou nem nas semifinais do Potiguar, surpreendeu ao tirar o Sport da Copa do Brasil. Conta com o Frasqueirão como arma, luxo que o rival América-RN não tem. O Mecão terá que jogar em Ceará-Mirim, região metropolitana de Natal, num estádio novo, porém acanhado e ainda em obras, e reverter o impacto da perda do título estadual para o Potiguar de Mossoró. O Bragantino, 11º no Paulistão, carrega consigo a força do interior paulista, sempre rico e competitivo, perfil parecido com o do ASA, que, eliminado na semi do Alagoano, mantém como trunfos o desgaste da viagem até Arapiraca e o dinheiro das plantações de fumo. Entretanto, quem estiver na lista acima desta e perder pontos para os figurantes, fica cada vez mais longe da elite.

Rebaixáveis:

São Caetano, Guaratinguetá, Oeste, Icasa e Boa Esporte.

Se a Série A não tem moleza, o mesmo não pode se dizer da Série B. Os cinco times listados aqui deixarão nos adversários a obrigação de vencê-los em casa e de ao menos buscar um empate fora. Ainda assim, há que se ter cuidado com os paulistas. O São Caetano, rebaixado no Paulistão, pode surpreender se resolver seus problemas financeiros. Em 2012 só não subiu nos critérios, com a mesma pontuação do Vitória. O Oeste escapou da degola na última rodada do Paulistão, mesmo perdendo por 0-4 para o São Bernardo, em casa. O Guaratinguetá foi o 5º colocado na Série A2 Paulista, não subindo para a primeira divisão estadual. O Boa Esporte tem tudo para ser a baba da competição. Escapou do rebaixamento no Mineiro sendo o 10º em 12 equipes. O Icasa pode ser o mais surpreendente dos rebaixáveis. Foi 4º colocado no Cearense e aposta nos jogos em casa para escapar. De todos o desta lista, é o único que tem o fator casa. Os demais têm pouco ou nenhum apelo popular.

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Um foco de resistência ao futebol moderno em Salvador

Galícia e Ypiranga lutam por um lugar ao Sol de Salvador (Foto: Flikr Ypiranga/Erik Salles))

por Gustavo Castelucci*

18 de maio de 2013. 15 títulos estaduais em campo. 837 ingressos vendidos. Renda de R$16.740. O Estádio de Pituaçu estava vazio por um lado, mas se levarmos em conta que os gloriosos Galícia e Ypiranga estão na segunda divisão há tempos, foi um bom público. O Ypiranga, por exemplo, passou três anos sem disputar competições na categoria profissional. Voltou em 2010 mas o acesso bateu na trave por dois anos. O Galícia está na mesma luta. Licenciou-se em 2002 e voltou em 2006. Foi vice da segunda divisão em 2007, mas ficou com o grito preso na garganta, já que só um clube subia àquela época. Na fila vi o Secretário de Saúde do Estado, Jorge Solla, anônimo, sozinho, esperando a vez para comprar ingresso.

À beira do campo de um lado estava Cleibson Ferreira, o “Luxemburgo do Nordeste”. Do outro Rodrigo Chagas, ex-lateral direito de Vitória, Corinthians, Cruzeiro e da Seleção Brasileira. Antes só trabalhava com a base, mas recebeu a oportunidade de crescer e aparecer ao lado de um coordenador técnico também emergente: Paulo Isidoro, uma das engrenagens da máquina palmeirense de 1994. Um presente do amigo e presidente do Ypiranga, Emerson Ferreti. Aquele mesmo, herói da conquista da Copa do Brasil pelo Juventude em 1999. Emerson que passou os 90 minutos na arquibancada nervoso com o jogo, gritando e motivando os atletas, reclamando quando necessário, e vez ou outra interagindo com os torcedores do clube.

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Ambientação feita, é hora de falar do jogo. Para o grande público 22 jogadores desconhecidos. Para os baianos, algumas figuras conhecidas do futebol baiano como o veterano Totinga, de 37 anos. O nível técnico, como esperado, não foi dos melhores. Mas se queixar do último Clássico de Ouro, nesse quesito, seria um absurdo. Jogo recheado de emoções com uma expulsão, bola tirada em cima da linha, gol de falta, linha de passe e gritos de olé. O Mais Querido venceu o Azulino Granadeiro por três a zero com gols de Stefan, Diego e Fernando.

O melhor disso tudo foi estar nas arquibancadas. O que senti talvez seja algo parecido com o que meu pai sentia quando ia ao Brinco de Ouro assistir um jogo do Guarani na década de 50. Torcedores de outros clubes (com direito a Bahia e Vitória lado a lado), pipoca, sorvete, casais e até famílias tranquilas, com um olho no jogo e outro nas crianças que corriam e brincavam nas arquibancadas. No meio do primeiro tempo chega um vendedor de água mineral (a cara do atacante Souza, do Bahia) oferecendo um refresco para o sol poente, e, em meio às ofertas, se aproxima da gente e fala: “Olhe, o zagueiro do Ypiranga, o três, é meu sobrinho. Joga muito! Fez a base toda na França. Fique de olho”. Um minuto depois lá estava ele fazendo propaganda de Elinei novamente.

Ouvidos apurados e olhos atentos. À minha frente duas garotas, com 16 anos talvez (mulheres e menores de 12 anos não pagavam ingresso), reclamavam do camisa 17 Darlan. “Esse Robinho é maluco. Toda vez que entra é isso. Uma correria retada e perde a bola”. Alguns lances de arquibancada acima um cidadão sem camisa berrava no telefone com algum amigo: “Bahia já era! Eu agora sou Ypiranga, rapaz”. E não é que tomou gosto pelo time mesmo? Não demorou para ouvi-lo esbravejando quando algum jogador errava um passe. Fim de jogo, e quando subia as arquibancadas lá estava a família de Stefan, orgulhosa, acenando e exibindo a camisa 30 do Rapid Bucareste, onde jogou em 2012. O entardecer de sábado terminou com uma cerveja gelada na saída do estádio e a bela imagem de torcedores de Galícia e Ypiranga voltando pra casa juntos. Conversando. Uma celebração do que é o futebol em sua essência.

*Gustavo Castelucci é jornalista e apresentador da TVE Bahia em Salvador e amigo do blog

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Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/11/2012

Rota internacional

Amanhã, em São Paulo, o Atlético apresentará o modelo de parceria de gestão de eventos da Arena pós-Copa, quando deve confirmar a assinatura de contrato com a AEG. A empresa multinacional cuida dos eventos e promoções em outras praças esportivas como o Staples Center, casa do LA Lakers e da Istambul Arena, casa do Fenerbahçe. É um passo gigantesco para que a Arena seja rentável ao Atlético e, para a cidade, que Curitiba passe a fazer parte da rota internacional de shows e espetáculos. Desde o conceito da Arena, em 1999, o clube buscava um parceiro nesse nível. Com a vinda da Copa e a melhoria de outras praças, o Atlético é – mais uma vez – pioneiro no Brasil nesse modelo de negócios. Mauro Holzmann, diretor de marketing, e o presidente Mário Celso Petraglia estarão no evento, marcado pra capital paulista pelo impacto nacional da ação.

O susto I

Considero uma virtude pensar o Mundo pra frente. Passou, passou. Por isso há que se ver o 2013 do Coritiba a partir do susto que o time tomou no finzinho do Brasileirão. A impensável queda começou a ganhar as manchetes dos jornais a partir do momento em que o time perdeu três jogos seguidos. Estacionou nos 45 pontos após tirar o sonho de título do Atlético-MG e relaxou. Falhas defensivas, falta de um meio mais combativo e o sumiço de Rafinha são alguns dos problemas que precisam ser sanados pra 2013. Vai encerrar 2012 em casa contra o Figueirense com uma leve sensação de constrangimento.

O susto II

A bola que Cléberson tirou em cima da linha no Derby e garantiu o acesso ao Atlético premiou a qualidade da principal revelação do ano no clube – Manoel e Deivid já eram conhecidos. No entanto, o drama vivido pela clube de maior porte na Série B 2012, sufocado nos minutos finais pelo brioso Paraná (que não tem o mesmo poderio financeiro), serve para pensar um 2013 melhor. Há uma base boa, com destaque para João Paulo, Elias e Marcelo. Mas há que se buscar reforços para a disputa na elite. E evitar imaginar que o ano só começa em junho, como nas últimas temporadas. Uma aposta atleticana é o time Sub-23, criado para jogar o Estadual. Foi uma opção em detrimento da equipe Junior, que privou o Atlético da Copa do Brasil S20, por exemplo. A pré-temporada mais longa pode render frutos ao time principal. Mas, como o que vale é a camisa, que não se descarte a pressão por resultados no Paranaense, mesmo sucateado, mas com o Coritiba buscando o tetra, a volta do Paraná e os competitivos Operário, Londrina e Cianorte.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 21/11/2012

Ansiedade rubro-negra…
O 83º Derby da Rebouças da história acontece no sábado. Para o Atlético, um jogo carregado de ansiedade. Um ano inteiro em 90 minutos. É claro que a vantagem do empate diminui a pressão, mas a derrota é inimaginável para os atleticanos, cujo time não perde para o Paraná desde 16 de março de 2008 e está invicto no Eco-Estádio. A chave para superar o adversário está no respeito e na tranquilidade. O Furacão mostrou que tem mais time que o Tricolor durante a disputa da Série B. Mas passou aperto em vários jogos por não controlar os nervos. Chega a um momento de alívio se conseguir o retorno à Série A, mas não pode achar que o que fez antes já garante a vitória. O elenco atleticano pode estar certo: vai ter um teste de fogo contra o Paraná.

…brio tricolor
Isso porque se engana quem pensa que o Paraná entrará com espírito de “fim de feira” ou desmotivado pelos constantes atrasos de salários. Como já demonstraram em ocasiões anteriores, os jogadores do Tricolor têm sim um grupo unido – não à toa assinaram juntos a reclamatória contra a diretoria. E tem brios. Não querem deixar barato as críticas que ouviram, não querem ser coadjuvantes na festa atleticana. Tenho certeza que cada atleta que estiver em campo com a camisa do Paraná fará o máximo para ganhar o Derby. Evidentemente que a vontade atleticana em vencer tem que ser ainda maior. Deixar escapar a vaga num duelo citadino seria uma tragédia para o Atlético. E cometer esse “crime” uma redenção aos tricolores.

História que se escreve
Dos duelos da capital (excluindo-se os com o Jotinha), Atlético e Paraná não tinha uma nomenclatura, tal qual Atletiba ou Paratiba. Derby Paranaense ou apenas Derby cai bem para o confronto que teve seu ápice no início dos anos 2000. Os duelos de Coritiba e Atlético contra o Paraná sempre foram difíceis, mas o rótulo de ‘clássico’ está sendo escrito pela geração atual, diferentemente do que acontece no Atletiba, uma instituição paranaense, a “Velha Firma” da cidade. Isso não diminui em nada as boas histórias tricolores. Pelo contrário: atesta que a proporção da rivalidade está crescendo aos olhos da geração atual. Fundado em 1989, o Paraná rivalizou com o Coxa nos anos 90 e com o Atlético nos 2000, quando chegaram a ser a dupla paranaense na elite. Se não é um clássico, está em construção.

Página em branco
O gol de Mirandinha de calcanhar, os 6-1 na decisão de 2002, com Kléber marcando 4 vezes, os golaços de Kelly e Denis Marques, os pênaltis defendidos por Régis nas semis da Copa Sul. Bons momentos do Derby que, ao final do jogo no sábado, terá mais um capítulo escrito. Quem se apresenta como protagonista? Teremos um carrasco tricolor ou um herói rubro-negro? O Atlético sobe contra o rival ou o Paraná frustra as pretensões? Faça sua aposta. Conversamos semana que vem.