Semente

Seedorf pode ser traduzido, livremente, como semeador. E ninguém no futebol brasileiro mereceu mais um título nos últimos anos que o meia holandês (nascido no Suriname, essa região sul-americana que ignoramos por completo) do Botafogo, campeão carioca por antecipação. Seedorf significa uma nova era no futebol brasileiro. Basta que os colegas dele assim queiram.

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Meu primeiro contato (impessoal) com o galático alvinegro foi em Botafogo x Grêmio, ainda no Brasileirão 2012. Não sei quem, mas alguém fez um lançamento daqueles dos mais quadrados para o meia, em sua estreia. Daqueles que parecem a mais pura sacanagem, só para testarem o físico do colega – quem já jogou, sabe. Seedorf foi. Correu até o limite. Aos 36 anos (já tem 37), chegou na bola como muitos meninos do Brasileirão que se aproxima não chegarão. Ao olhar pra grande área, ninguém o acompanhou. Seedorf foi numa bola que outros desistiriam. Os colegas assim o fizeram.

Ele então prendeu a bola, esperou a aproximação do ataque. O lance deu em nada. O jogo terminaria 0-1 para o Grêmio e o Botafogo seguria seu turno de altos e baixos. Seedorf não. Passou a dar as cartas, opinando e criticando comportamentos, calendário, atitudes. Virou celebridade. Recolocou o Botafogo na mídia.

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Em 2013, Seedorf passou a liderar o time. Chega ao primeiro título no Brasil, já na reta final da carreira, com muito a ensinar. É atuante sem ser agressivo, é exemplo em campo num mundo que exige badalação. Vestiu a camisa do Botafogo como muitos não faziam há anos.

Seedorf planta um exemplo. Uma semente, como o próprio nome sugere, do que pode e deve ser o futebol brasileiro, dos atletas para o publico, dos clubes para a mídia: ético, correto, campeão.

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Abrindo o Jogo – Coluna de 24/10/2012 no Jornal Metro Curitiba

Tropeço inesperado
Os pontos perdidos contra o Guarani deixaram o Atlético novamente à espera do que faria o São Caetano à noite (o jogo ocorreu após o fechamento da coluna). Se teve sorte ou azar (o que era a lógica para o Azulão, contra o Ipatinga), o impacto do tropeço inesperado é o peso ainda maior para a reedição da decisão da Série A 2001 no próximo dia 3 de novembro, em São Caetano do Sul. Com sorte, o Atlético jogará pelo empate; do contrário, se obrigará a vencer. Fruto da ansiedade no jogo de ontem contra o Bugre. Faltou força para a quinta vitória seguida, mas nada está perdido ainda.<

Cadeiras da discórdia
Depois das denúncias feitas pelo ex-vice Cid Campêlo Filho, Mário Celso Petraglia ganhou o apoio do conselho atleticano. Enquanto o tema for interno, se o conselho aprovar gastos maiores por opção, bom para quem está no comando, com o custo bancado pelos sócios do clube. Se o tema passar a ser de interesse geral, mediante decisão do Tribunal de Contas, a situação muda. Dentro do policiamento que faz a imprensa, questiona o leitor Luiz Fernando Bolicenha por que a não se dá o mesmo espaço a quem tem dívidas com a união, como INSS e outros pormenores públicos. Falar pela imprensa, creio, ninguém tem autonomia. Pela coluna, respondo a seguir.

Dívidas: quem paga?
A oportuna colocação vem de encontro à uma reportagem da Revista Galileu, divulgada no início da semana, sobre os clubes maiores devedores do País e quanto tempo levariam para quitar essas dívidas em um estudo envolvendo receitas e plano de parcelamento. O Atlético, justiça seja feita, é o único do Brasil que não tem dívidas. O Coritiba ocupa a 10ª colocação entre 25 clubes, e o Paraná é o 9º, num ranking que leva em consideração o tempo que cada um levaria para quitar suas pendências; o Botafogo-RJ é o pior rankeado. Dívidas das mais diversas ordens, com impostos e atletas/treinadores por ações trabalhistas. Segundo o estudo, o Coxa precisaria de 25 meses para pagar seus 63,9 milhões, enquanto o Tricolor levaria 28 meses para quitar 34,5 milhões. O time carioca precisaria de 86 meses para zerar nada menos que 378,2 milhões. As públicas saem sim do bolso do contribuinte. É tão nocivo quanto o mau uso de dinheiro estatal em qualquer outra atribuição – pior é ver isso ser tratado com displicência pelo comando esportivo do País. De certa forma, exemplificando, todos nós pagamos para que Seedorf defenda o Fogão. É fazer cortesia com o chapéu dos outros.

Alex e o bem que faz ao futebol paranaense
A volta de Alex merece uma coluna só para si (e ela estará no blog napoalmeida.com*) mas, em rápidas linhas – e sem entrar na engenharia financeira, que desconheço – o retorno do ídolo coxa mexe com a estima do futebol da terrinha. Alex não precisaria  marcar mais nenhum gol: o sim ao Coritiba demonstrou caráter, abnegação e reciprocidade. Um tapa de luva em um mundo de negociações e mercados inflados.

*Promessa é dívida e, em semana de Liga Europa aqui no Terra, encaixo algo até a noite desta quarta sobre o tema.