Super Bowl: quem será o dono do Mundo na NFL?

por André Tesser*
 
Depois de 21 semanas, a temporada 2013/2014 chega ao seu grand finale nesse domingo, dia 02/02/2014 com o Super Bowl XLVIII. O jogo é o evento esportivo que, individualmente, mais rende em termos financeiros. Um intervalo de apenas 30 segundos durante o jogo está sendo vendido por mais de 4 milhões de dólares! Também pudera: espera-se que mais de 100 milhões de espectadores somente nos EUA, quase um terço da população daquele país.
Quis o destino que as duas melhores campanhas de suas respectivas conferências se encontrassem no ato final de uma temporada que foi sensacional. Do lado da NFC, o quase novato em finais Seattle Seahawks disputa o segundo Super Bowl de sua história, o que somente aconteceu em 2006 (temporada 2005-2006), quando perdeu para o Pittsburgh Steelers. Pela AFC, o bicampeão Denver Broncos, que disputa seu sétimo Super Bowl, volta a disputar o título, o que não acontecia desde sua segunda conquista em 1999 (temporada 1998-1999).
 
Mesmo tendo feito campanhas parecidas (para não dizer iguais, pois ambos têm 15 vitórias e apenas três derrotas na temporada), os times são muito diferentes. Desde suas principais armas para a vitória, passando por sua experiência em finais da NFL, com quarterbacks tão diferentes e treinadores com estilos distintos, Broncos e Seahawks podem ser vistos como duas equipes com características muito opostas.
Porém, em uma coisa as duas equipes são muito parecidas. São times que parecem muito prontos para vencer o Super Bowl.
 
O jogo acontece às 21h30’ (horário de Brasília) e a ESPN começa sua transmissão nacional às 21h00’. A partida deve ser eletrizante, equilibrada e não há um favorito claro. A única coisa ruim do Super Bowl é que, ao seu final, lembramos que faltarão nove meses para que a NFL volte a ter jogos valendo…
Propomos uma análise simples dos times, focando nas suas armas para a vitória. Sem descuidar, ao final, do nosso já conhecido palpite.
 
SEATTLE SEAHAWKS
A força de Seattle vem, primordialmente, de sua defesa. Uma linha defensiva boa contra o jogo corrido e a melhor secundária da Liga fizeram do time a melhor defesa da NFL. O Seahawks foi a equipe que menos cedeu pontos (231), com o menor número de jardas totais cedidas (4378), menor número de jardas cedidas por jogada (4,4), maior número de turnovers forçados (39) e o maior número de interceptações (26). São estatísticas impressionantes, reforçadas pela atitude extremamente agressiva de sua defesa e que foi, em boa parte, ajudada pelo barulhento estádio que é a casa do time de Seattle. Os destaques defensivos são o safety Earl Thomas, e o cornerback Richard Sherman, que se auto-intitula o melhor da Liga em sua posição.
 
O ataque tem no seu signal caller, o quarterback Russell Wilson o seu regente. Muito bom com as pernas, com muita agilidade para sair do pocket e se livrar da pressão adversária e ainda com muita velocidade e explosão para ganhar jardas correndo, Wilson também é capaz de grandes big plays que podem decidir jogos. Basta lembrar uma campanha decisiva contra o 49ers na final da NFC, em que ele estava num 3rd down para 25 jardas e depois numa quarta descida para 7 jardas e conseguiu o TD que virou o jogo de forma definitiva para Seattle. Seus alvos principais têm sido o wide receiver Golden Tate e o tight end Zach Miller. Percy Harvin, também wide receiver, é outro alvo com grande potencial, mas que foi atrapalhado por contusões na temporada e ainda é uma incógnita.
 
Mas, o ataque do Seahawks é mesmo poderoso por causa de Marshawn “The Beast” Lynch. Retraído, tímido e que não gosta muito de holofotes fora do campo, dentro dele o principal runnig back de Seattle se transforma. Forte, ágil e rápido, é capaz de furar linhas defensivas potentes, ganhar muitas jardas depois do primeiro contato quebrando tackles (para se ter uma ideia, Lynch teve 45,7% de suas jardas depois do primeiro contato!). Sua média nos playoffs foi de 5 jardas corridas por tentativa, com três TD’s. A matemática é simples: aplicando-se isso sempre na primeira descida, Lynch colocaria Wilson em situações de segunda descida para 5 jardas. Isso permite que o quarterback de Seattle permaneça bastante tempo em campo, controlando o relógio, o que deve ser chave para vencer Denver, se Peyton Manning ficar a maior parte do jogo apenas olhando a partida da sideline.
O maior problema de Seattle talvez resida na sua linha ofensiva, que permitiu 44 sacks ao seu quarterback durante a temporada regular. Isso aconteceu muito em razão das inúmeras contusões na unidade.
 
DENVER BRONCOS
Se Seattle é a melhor defesa da NFL, o Broncos de Peyton Manning é o melhor ataque da Liga. Durante a temporada regular, Denver massacrou seus adversários com a melhor marca ofensiva da história da NFL, batendo o recorde de número de pontos anotados em um único ano (603), com Manning quebrando recordes para fixar a melhor marca de todos os tempos em jardas passadas (5.477) e TD’s (55). A quase inacreditável perfomance de Denver na temporada regular não se repetiu muito na postseason. Mas, ainda assim, Peyton levou seu time sem grandes sustos ao Super Bowl (terceiro de sua carreira, tendo vencido um e perdido outro, ambos quando ainda jogava pelo Indianapolis Colts).
 
Naturalmente, Peyton Manning é o fator diferencial do ataque massacrante de Denver. Com duas vitórias nos playoffs, o quarterback do Broncos parece disposto a arremessar para a end zone de forma definitiva a fama (para alguns, injusta) de amarelão em postseason. Se seu rival no Super Bowl é um QB de mobilidade, mais ágil com as pernas, Manning é daqueles quarterbacks cerebrais. Sua capacidade de ler a defensa adversária e mudar a jogada na linha de scrimagge, aliada aos seus passes precisos, o torna letal quando tem tempo para lançar a bola. Ao mesmo tempo, as diversas temporadas apanhando das defesas adversárias quando ainda estava em Indianapolis, fizeram de Peyton um especialista em achar passes rápidos e curtos e usar o no huddle para dificultar o posicionamento defensivo, inclusive impedindo substituições importantes nos adversários.
 
Claro que, sem alvos confiáveis, um quarterback não consegue números expressivos. E Manning teve ao seu lado os wide receivers Wes Welker, Eric Decker e Demaryius Thomas e o tight end Julius Thomas como fontes seguras para seus passes.
O ataque de Denver também foi ajudado pelo seu ótimo jogo corrido, com os running backs Knowshon Moreno e Montee Ball revezando-se nos snaps para colocar Peyton em situações mais confortáveis de segundas e terceiras descidas.
A linha ofensiva do Broncos também fez sua parte. O entrosamento permite que o jogo corrido funcione e, mais ainda, que Manning tenha relativa tranqüilidade com a bola nas mãos. A unidade de Denver permitiu que seu quarterback fosse sacado apenas 18 vezes na temporada, média de pouco mais de 1 por jogo (lembre-se que Seattle permitiu que Russell Wilson fosse sacado, em média, quase 3 vezes por jogo).
A defesa de Denver não está no mesmo nível de Seattle (bom, e qual defesa da Liga, está?). Mesmo assim, é uma unidade que consegue pressionar bastante o quarterback adversário, ainda que não conte com sua estrela Von Miller. Considerando que o pior setor do Seahawks é sua linha ofensiva, isso não é uma boa notícia para Russell Wilson. Todavia, o Broncos sofre contra o jogo corrido e isso deve fazer do handoff para Marshawn Lynch a arma contra uma linha ofensiva muito forte. A secundária do time do Colorado também não é das mais confiáveis, e a capacidade de big plays de Wilson pode render bons frutos ao Seahawks.
 
PALPITE
Não dá para esperar outra coisa senão um jogo emocionante quando se enfrentam o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Valendo o troféu Vince Lombardi e os aneis de campeão, a partida promete esquentar a gélida Big Apple de domingo. Aliás, o frio gelado deve ser outro fator importante ao jogo, pois pode limitar as ações aéreas de Peyton Manning e seus recebedores e, naturalmente, trazer problemas para o Broncos. Será que o quarterback de Denver vencerá mais esse desafio, e derrubará também o mito de que não joga bem no frio? Contra uma defesa forte e agressiva, fico a me perguntar que coelhos Peyton ainda pode tirar de sua cartola, ao que parece, comprada em Omaha.
Uma máxima da NFL é a de que ataques ganham jogos e defesas ganham títulos. Isso se revela ainda mais impressionante quando se tem em mente que, antes do Broncos de Manning, os seis melhores ataques da história da temporada regular não venceram o Super Bowl (em três delas, perdendo a partida final). Por outro lado, quatro das sete melhores defesas da história da NFL (desde que se adotou o formato com 16 jogos na temporada regular) levaram para casa o tão cobiçado título da Liga.
 
O Denver de Peyton quebrará mais essa escrita?
 
O palpite desse humilde escriba é de que, pela primeira vez  desde o título dos Sonics na NBA em 1979, Seattle comemorará um título de liga profissional norte-americana.
 
*André Tesser é amigo do blog e fala de NFL por aqui.

NFL: EUA conhece nesse final de semana os finalistas do Super Bowl

por André Tesser*
 
 
Nesse domingo (19) acontecem as finais de Conferência na NFL. Os vencedores dos playoffs de Divisão enfrentam-se em jogo único valendo a tão sonhada vaga no Super Bowl, o título máximo do campeonato.
 
A temporada reservou dois jogaços para as finais de Conferência. Na NFC, um duelo entre rivais de Divisão: o Seattle Seahawks recebe em sua casa o San Francisco 49ers. Na AFC, o Denver Broncos enfrenta em sua casa o New England Patriots, com um esperadíssimo confronto entre Peyton Manning e Tom Brady.
 
Depois de muito tempo, as finais de Conferência serão entre as melhores campanhas da temporada. E, não bastasse só isso, há ingredientes extras que tornam os jogos ainda mais especiais e certamente eletrizantes. Vamos a eles.
 
Na NFC:
 
Seattle Seahawks x San Francisco 49ers – mando de campo do Seahawks, domingo, às 21h30
 
Seattle e San Francisco tiveram trajetórias diferentes na temporada. Enquanto o Seahawks desde logo mostrou sua condição de favorito ao Super Bowl, ganhando a sua Divisão, o 49ers teve um momento irregular na sua campanha e chegou até a ter seu lugar nos playoffs ameaçado.
 
As duas equipes vêm se revezando há tempos como o melhor time da NFC West. Enquanto o 49ers ganhou a Divisão em 2011 e 2012, o Seahawks foi campeão em 2010 e nessa temporada. Portanto, o confronto tem tudo para ser equilibrado. Desde que as equipes ajustaram esses mesmos elencos-base, com os atuais head coach e quarterbacks, foram quatro jogos, com duas vitórias para cada lado. E, sempre, quem jogou em casa venceu.
 
O Seattle tem, provavelmente, a defesa mais forte da liga. Suporta bem o jogo corrido adversário e sua secundária é a melhor da NFL. No ataque, o versátil Russel Wilson é excelente no pockter, muito bom correndo com a bola e consegue algumas boas big plays. Marshawn “The Beast” Lynch é um running back que ganha várias jardas depois do primeiro contato, arrastando as defesas adversárias para dentro de seus campos. No jogo aéreo, Golde Tate é um recebedor confiável e é sempre um alvo certo de Wilson – que deve sofrer um pouco com a perda de Percy Harvin por lesão para o jogo.
 
San Francisco tem uma defesa muito forte contra o jogo corrido, mas a sua secundária não é das melhores – e esse pode ser um segredo para a vitória de Seattle. O quarterback Colin Kaepernick parece estar evoluindo, mas ainda é inconstante no pocket (o que lhe valeu, inclusive, uma crítica do maior quarterback da história do 49ers – para alguns, o melhor da NFL – Joe Montana). O ataque aéreo ganhou força com os recebedores Anquan Boldin, Michael Crabtreee e o tight end Vernon Davis. O jogo corrido também é forte, especialmente com Frank Gore. Na semana passada, a defesa do Niners foi fundamental para a vitória contra o Carolina Panthers, não permitindo que o adversário, que jogava em casa, pontuasse no segundo tempo inteiro.
 
Já Seattle não pareceu sequer ter sua vaga na final da Conferência em risco na vitória contra o New Orleans Saints, com uma excelente atuação de Lynch e da defesa, que não permitiu grandes ações do adversário.
 
O 49ers terá, ainda, que vencer o “décimo segundo jogador”. O Century Link Field, estádio do Seahawks, é conhecido como o mais hostil da Liga e isso poderá ser fundamental para o passaporte para o Super Bowl. A torcida de Seattle costuma transformar seu estádio no mais barulhento da NFL, dificultando as comunicações ofensivas de seus adversários dentro de campo, exercendo muita pressão.
 
Os dois treinadores também são fundamentais para o sucesso de seus times. Pete Carrol (Seattle) devolveu o time aos playoffs ganhando sua Divisão e Jim Harbaugh (San Francisco) leva seu time à terceira final seguida de NFC (aliás, desde que assumiu o 49ers, Harbaugh sempre conduziu seu time à final de Conferência). Os dois também têm uma rivalidade antiga, desde os tempos de college, o que é um ingrediente a mais para o jogo.
 
Enfim, a rivalidade é grande e as equipes são muito fortes, especialmente defensivamente, o que deve fazer do jogo uma guerra em campo.
 
Palpite: o jogo deve ser equilibrado. O fator casa deve pesar, de novo, como foi nos últimos confrontos. Seattle deve ser o representante da NFC no Super Bowl.
 
Na AFC:
 
Denver Broncos x New England Patriots – mando de campo do Broncos, domingo, às 18h
 
A final da AFC reserva apenas o confronto entre aqueles que são considerados os melhores quarterbacks em ação da Liga e que já tem seus nomes gravados na história da NFL. Peyton Manning (Broncos) fez uma temporada impecável, quebrando dois recordes importantíssimos: maior número de touchdowns e jardas aéreas em uma temporada regular. Tom Brady (Patriots) também foi o primeiro quarterback da Liga a atingir mais de 6000 jardas aéreas em jogos de playoffs, ganhou mais uma vez a sua Divisão (AFC East) e está pela terceira vez seguida na final da Conferência.
 
Os dois já se enfrentaram diversas vezes (quando Manning ainda jogava no Indianapolis Colts, principalmente). Só em jogos de playoffs, foram três confrontos, com Brady levando leve vantagem, pois ganhou dois jogos. Nessa temporada, o Patriots venceu na prorrogação, jogando em casa, em um jogo que recuperou uma vantagem boa de Denver.
 
Brady x Manning sempre é um jogo à parte. Valendo uma vaga no Super Bowl, deve ser ainda mais especial. Os dois pertencem a uma geração muito específica de quarterbacks, de decisões muito rápidas no pocket, muita precisão nos passes aéreos, e muita condição de leitura da defesa adversária, o que lhes permite mudar seguidamente a jogada a ser realizada na própria linha de scrimmage, dificultando ainda mais a ação defensiva.
 
Manning tem alvos aéreos mais confiáveis, e não é à toa que quebrou recordes importantes. Os wide receivers Erick Decker e Wes Welker (que até a temporada passada jogava no Patriots) e o tight end Demayrius Thomas são os melhores do ataque aéreo. Mas, o jogo corrido também funciona muito bem, com Knomshown Moreno e Manti T`eo.
 
Já Brady tem um corpo de recebedores mais jovens. Mas, o impressionante desempenho do ataque terrestre na semana passada, com nada menos que 6 touchdowns deu novas esperanças de mais opções ofensivas para o Patriots.
 
Duas coisas devem ser as chaves das vitórias. A linha ofensiva que proteger melhor seu quarterback, lhe dando mais tempo no pocket estará mais perto da vitória. Ao mesmo tempo, que controlar melhor o relógio, deixando o ataque adversário sem ritmo e esperando na sideline certamente também estará mais perto da vitória. Isso porque, tanto Manning quanto Brady gostam de castigar seus adversários com campanhas demoradas e que dificilmente saem de campo sem pontuação.
 
O jogo tem tudo para ser espetacular e histórico, pois pode ser o último Brady x Manning. Isso porque o quarterback de Denver pode se aposentar após a temporada, se um exame médico em sua antiga lesão na coluna apontar para isso.
 
Palpite: Manning empata os confrontos diretos aos playoffs e devolve o Broncos ao Super Bowl.
 
*André Tesser é amigo do blog e mal dormiu nessa semana à espera da definição das conferências