As portas do paraíso

Portão do Anacleto Campanella, passagem para voltar ao convívio dos grandes

Sábado, 3 de novembro de 2012, o Estádio Anacleto Campanella estará na cabeça e no coração de cada torcedor atleticano pela segunda vez na história. Sem o mesmo glamour de 11 anos atrás, mas com uma importância proporcional. Da primeira vez, Atlético e São Caetano disputavam um lugar no seleto grupo dos campeões brasileiros; hoje, os 14.400 torcedores (capacidade máxima atual) que passarem os portões do estádio irão ver duas equipes buscando se recolocar na elite nacional.

Nós últimos 11 anos, desde que passou a integrar o time dos grandes clubes nacionais, o Atlético alternou bons e maus momentos. Esteve a pique de ser campeão da América, bi-brasileiro, conquistou um inédito tri-estadual… mas namorou com a Série B por várias vezes até finalmente casar em 2011, um ano cheio de erros. Coincidências da vida, voltar ao seu lugar de direito na Série A* pode ficar próximo da realização justamente no palco da maior glória.

Não que a vitória garanta matematicamente o acesso, mas dará uma vantagem de 4 pontos sobre um adversário que não terá mais como tirar a vantagem em confronto direto. Da mesma forma, uma derrota complica e muito o sonho atleticano de voltar à primeira divisão ainda nessa temporada. Ambos terão tabelas complicadas posteriormente e qualquer vantagem deve ser considerada. Manter um ponto, conquistando um empate, também está nos planos atleticanos. Elementos que entrarão em campo até mais que o histórico do estádio na vida atleticana.

Costumo dizer que Atlético e Coritiba fizeram um favor ao futebol brasileiro ao conquistarem os títulos de 2001 e 1985. Em finais consideradas menores pela grande mídia (que, assim como os clubes, não deve ter lido os regulamentos para contestá-los) venceram os dois clubes que têm história, camisa, torcida e representam mesmo uma comunidade. Em ambos os casos, os rivais da dupla não tinham identidade. Para 2012 o raciocínio não é diferente: entre Atlético e São Caetano, rivalidades e flautas à parte, é muito óbvio quem é que deve ocupar seu lugar entre os grandes.

No entanto, isso não ganha jogo. Em São Caetano a partida também é tratada como a grande oportunidade de resgate de um projeto para a cidade do ABC paulista, que teve seus momentos, chegando também à um vice-campeonato da Libertadores (2002) e outro nacional (2000). Time tocado com a ajuda da prefeitura, o Azulão botou São Caetano do Sul no mapa. Mas paga o preço pela administração semi-profissional: em um rompante de seu presidente, Nairo Ferreira de Souza, demitiu Emerson Leão e mantém um interino no cargo, Ailton Silva, cuja permanência está condicionada a uma vitória sobre o Furacão. Nairo, aliás, é o mesmo presidente dos anos de ouro do Azulão, de volta ao cargo. Outro laço entre os clubes – mais um, além da interinidade dos treinadores.

As principais lembranças dos atleticanos, até o apito inicial, ficarão em 23 de dezembro de 2001, quando Kléber recebeu a bola no circulo central, abriu na esquerda para Fabiano, que avançou e bateu cruzado na entrada da área. Silvio Luiz, goleiro do São Caetano, espalmou e Alex Mineiro, pela 8 vez em 4 jogos, empurrou pras redes. Não se sabe quem será o Alex Mineiro da vez – se é que ele vestirá rubro-negro. Mas, em se tratando de Série B, outra lembrança pode animar o Atlético. O interior de São Paulo já viu um acesso atleticano, em 1995, quando o time de Paulo Rink e Oséas fez 1-0 no Mogi-Mirim. Foi o início de uma série de 16 anos ininterruptos na Série A, até a queda em 2011.

O Anacleto Campanella, estádio acanhado no interior paulista, tem uma espécie de portal para o paraíso que só o Atlético tem a chave. Resta saber se no sábado o elenco 2012 irá carregá-la consigo, ao atravessar os portões para entrar no gramado no ABC paulista.

*É o paranaense que mais frequentou a elite, 36 vezes contra 34 do Coritiba, 33 a 32 contando apenas de 1971 pra cá; é ainda o 14o a mais disputar campeonatos na elite, atrás dos 12 de RJ/SP/MG/RS e do Bahia.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 31/10/2012

O jogo mais importante do ano
Quis o destino que o Atlético voltasse a São Caetano do Sul 11 anos depois da maior conquista do clube para enfrentar o mesmo rival daquele 23 de dezembro de 2001, mas desta vez em uma decisão direta por uma vaga de volta à elite brasileira. A partida de sábado será a mais importante do Brasil nesta reta final nas séries do Brasileirão, senão vejamos: é o único que opõe adversários diretos em busca do mesmo objetivo. Na Série A, depois de Galo 3-2 Fluminense, cada um torce por outras equipes. Azulão e Furacão vão se enfrentar sabendo que um pode matar o outro. Em especial, o Atlético, que leva um ponto de vantagem ao ABC paulista.

Conservadorismo, sim
Ter um ponto a mais que o São Caetano é um precioso benefício pra se levar pra dentro de campo. O Atlético de Drubscky, com as descidas de João Paulo, a chegada de Elias, com Marcelo aberto na ponta, Henrique na condução de bola e Marcão centralizado, é ofensivo. E não pode abrir mão disso, mexendo na equipe na hora da principal decisão. Erro clássico de treinador é alterar time que vem jogando bem justamente no jogo mais importante. Colegas defendem mudanças na equipe, com Felipe e Baier em campo; sou contra. Agora é deixar o que está andando bem seguir sua rota. Como alternativa pra um jogo contra um São Caetano que marca duro e tem no meia Pedro Carmona o jogador mais agudo, pode ser. Mas no decorrer dos 90, nunca antes. E, não se esqueçam, o Atlético pode sim trazer um empate do Anacleto Campanella que ainda dependerá só de si para subir.

Estratégia
Aliás, jogar pelo empate é prerrogativa de um Atlético que poderá sair nos contra-ataques, pois quem deve sair para o jogo é o São Caetano. Nos jogos que acompanhei do Azulão, não é esse o ponto forte da equipe. O time paulista joga no erro do adversário, aguarda para dar o bote e marca muito – repito – muito forte. No entanto, terá que sair para o jogo. Terá de dar espaços à velocidade dos jogadores de frente do Rubro-Negro. O tempo passará mais rápido para o São Caetano que para o Atlético – e Drubscky deve ter isso em mente.

Passado e presente
Em 2001, brigando para finalmente ser campeão do Brasil, o Atlético enfrentou o São Caetano com uma vantagem de 1 gol e também jogando pelo empate. Havia feito 4-2 em Curitiba. Como o Azulão tinha melhor campanha, seria campeão com 2-0. No fim, deu Furacão, 1-0, com gol de Alex Mineiro em jogada de contra-ataque: bola de Kléber para Fabiano, que bateu cruzado; Silvio Luiz espalmou e Alex aproveitou o rebote. Era o oitavo dele nos 4 jogos da reta final. O Atlético deste ano é mais operário que técnico, mas todo time precisa de uma estrela na hora H; quem será em 2012? Aposto em Marcelo, 13 gols na Série B.

Sobe ou não sobe?

Foto: Geraldo Bubniak

Paulo Baier está pensativo na foto. Não é pra menos. O Atlético, nas 11 rodadas que restam, terá que se apegar a calculadora.

Não, a situação não é desesperadora – ainda. É “apenas” preocupante e é também fruto de escolhas anteriores. Que não voltam mais e nem respondem a pregunta chave do post: sobe ou não sobe?

Primeiro, é preciso assumir que o Vitória já tem uma vaga. Foi o melhor time da Série B ao longo da competição e, mesmo perdendo um pouco do pique nesse momento, tem tanta gordura que não fica fora da Série A. Restam, portanto, três vagas.

Três? Talvez duas. O Criciúma está bem na pontuação e dificilmente repita 2007, quando justamente na reta final patinou a ponto de sair da liderança para fora do G4.

Duas? Deixemos por uma. O Goiás tem jogado bem e já está a 7 rodadas no G4. Abriu frente de 5 pontos do 5o colocado, Joinville, e também não deve voltar a demonstrar queda. Oficialmente já se coloca como candidato ao título.

A média de pontos histórica pro acesso é de 64; sete para o Vitória, nove para o Criciúma, 12 para o Goiás, com 33 a serem disputados. Talvez a média suba um pouco, 65, 66. Mas é difícil imaginar esses três times não fazendo essa pontuação.

Para o matemático Tristão Garcia, do site Infobola, 10 times estão na briga:

Clique na imagem para ver outros números no site

Atrás na tabela, o Atlético aparece a frente do Joinville nas chances calculadas pelo matemático. Isso porque a fórmula usada cruza os resultados dentro e fora de casa, com uma média projetada de pontuação. Estima-se, portanto, que o Furacão faça mais pontos que o JEC, mas menos que o São Caetano.

Cada jogo é um jogo, futebol é uma caixinha de surpresas, blablabla e outros Bragantinos podem aparecer no caminho não só do Atlético, mas de São Caetano e Joinville. Depois do Fluminense 2009, é impossível até mesmo desprezar os Américas. Mas a briga deve mesmo se restringir a paulistas, catarinenses e paranaenses.

Tenho visto mais jogos do Joinville por conta da programação da TV. O JEC tem um bom time, que joga em cima do adversário em casa (com uma média ótima de 10 mil pessoas por jogo) e marca forte fora. Perder Tiago Real não fez diferença significativa. Lima, o artilheiro do time, é um atacante que qualquer equipe gostaria de ter.

Vi pouco o São Caetano. Pela oscilação em parte do campeonato, achei que iria cair na tabela. Não o fez. Contra o Paraná perdeu em um jogo equilibrado. O Tricolor fez a diferença em casa. Leão mantém o estilo de montar equipes que ocupam espaços no campo de defesa, jogando compactadamente. O São Caetano não tem torcida e até imaginava-se não ter dinheiro, especialmente em um ano político. Mas está indo bem.

O Atlético oscila demais. Faz belas partidas (Barueri, CRB e, mesmo com a derrota, contra o Goiás) e outras péssimas, como a com o Bragantino. É o preço a se pagar por um trabalho recente e um time jovem. A demora da diretoria a trazer reforços custa caro na tabela. Depois das chegadas de dois laterais, um volante, dois meias e um atacante (6 jogadores) o time andou. O Atlético também demorou pra achar uma casa. E isso faz tanta diferença que é o trunfo do Joinville. E é a barreira a ser quebrada para o acesso.

O Furacão tem melhor aproveitamento dentro que fora de casa. Melhor inclusive que o São Caetano, mas inferior ao do Joinville – que, por sua vez, vai muito mal fora de casa, pior que o time paranaense. Só que a tabela prevê jogos chave para o Atlético na casa dos adversários.

A próxima rodada (28a), por exemplo, prevê jogo duro para o Atlético, contra o América-MG, enquanto o JEC pega o Barueri fora e o São Caetano recebe o Guaratinguetá. Um erro contra o Coelho e a tendência é que os rivais abram vantagem.

Na rodada seguinte, o Joinville recebe o Azulão e o Atlético vai ao Frasqueirão pegar o ABC. De novo, tem que vencer a qualquer preço, pois qualquer resultado em SC é ruim. Se o JEC vence e mantém a frente que tem, não pode ser alcançado mais em confronto direto; se dá Sanca, o confronto direto existe, mas no Anacleto Campanella – de boas lembranças para o atleticano, mas em outros tempos.

Jogar fora de casa é mesmo o calo atleticano. Vitória, São Caetano e Criciúma (os dois últimos garantidamente confrontos diretos) serão em território adverso. Jogos daqueles “vencer ou vencer”. A Série B 2012 está com erro quase zero – e dos três citados, em casa, o Atlético só venceu o Tigre.

O São Caetano também tem jogos duros fora de casa. Vitória e Criciúma, por coincidência. O Goiás visitará o ABC. Aos atleticanos, a torcida pelos que estão em cima já é válida. É melhor que disparem. O Joinville tem o clássico com o Criciúma fora, mas pega o Vitória em casa. E na última rodada, o Goiás no Serra Dourada – enquanto o Atlético tem um Derby e o Azulão joga em Campinas, com o Guarani.

Em síntese, o Rubro-Negro só sobe se melhorar fora de casa e vencer o confronto direto com o São Caetano, procurando ao menos não perder para Vitória e Criciúma. Para isso, precisa melhorar o comportamento em relação ao que aconteceu em Bragança Paulista.

  • E se não subir?

A diretoria atleticana evita falar em fracasso em 2012. No começo do ano, até se culpava mais a gestão passada pela má fase, mas hoje essa não cola mais. Não que não havia fundamento; havia. Mas houve tempo o suficiente para mudar o quadro. Se não subir, a culpa é da diretoria. Se subir, oras, o mérito também será. Dessa responsabilidade ninguém escapa – só as escolhas é que deveriam ter sido feitas antes.

Enfim, não será o fim do mundo para o clube, mas será muito ruim. A construção do estádio projeta ao Atlético um futuro muito bom com ou sem Série A em 2013. Vai se machucar o orgulho novamente, mas é do futebol.

O comparativo que eu faço é com aquele aluno que reprovou a 5a série. É um atraso de vida. Ficou pra trás dos coleguinhas, passou de novo por tudo que já deveria ter sido superado, levou bronca dos pais e ouviu sarro dos amigos. Mas não morreu por isso. Nem deixará poder de ter um bom emprego no futuro e tocar a vida. Vai se arrumar, mas com atraso. O que já é ruim e se agrava no caso de se relembrar que é o clube com maior arrecadação na bezona. É tipo filho de rico reprovando –  só não pode ser mimado o suficiente pra achar que as coisas vão vir na mão.

Atlético Campeão Brasileiro 2001 – Especial Jogo Aberto Paraná

O dia 23/12 passou a ser o Natal de todo atleticano a partir de 2001. Na última sexta, o Jogo Aberto Paraná exibiu um especial em duas partes dos 10 anos do título brasileiro do clube. Confira o especial, em duas partes:

Gols da rodada: Jogo Aberto Paraná – 01/08/2011

Já viu os gols do final de semana dos times de Curitiba? Então confira o que apresentamos no Jogo Aberto Paraná de hoje:

Atlético

O time venceu o Santos por 3-2 na Baixada e saiu da lanterna do Brasileirão. Veja como foi!

Coritiba

A primeira vitória fora de casa veio contra o agora lanterna América-MG. Confira!

Paraná

O Tricolor beliscou um empate em Santos contra o São Caetano. Apesar disso, ficou um gostinho de “quero mais” por ter jogado com 11 contra 10 durante boa parte do jogo. Mas, valeu pelo primeiro gol de Borebi:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na BandCuritiba. Acompanhe!