O buraco é mais embaixo: guia das Séries C e D do Brasileirão

Série C: teste para o amor e a paciência do torcedor

Começam neste final de semana as Séries C e D do Brasileiro. Longe do glamour da Copa, dos craques e grandes torcidas da Série A e, quem diria, até da Série B, as divisões inferiores do futebol brasileiro têm seu valor e grandes camisas. Se a B é considerada o “inferno”, o que dizer da C e da D? O buraco é mais embaixo, claro.

No entanto, com a mudança na cultura do futebol brasileiro, a Série C já recebeu grandes camisas (Bahia, Fluminense, Vitória, Paysandu) e segue com clubes que já tiveram dias melhores em busca de um lugar ao sol. Em 2013, terá até transmissão da TV, na TV Brasil, canal estatal. A Série D, por sua vez, é a porta de entrada dos clubes no cenário nacional. É o prêmio aos clubes que se estruturaram o suficiente para garantir vaga nos estaduais.

Ambas devem começar com problemas jurídicos. A CBF teve que lidar com a Justiça Comum e incluir o Rio Branco-AC na Série C sem retirar o Treze-PB da disputa. Assim, a competição terá 21 clubes. Que podem ser até 22, conforme o desejo do Cianorte-PR (entenda aqui) que pode disputar a C, a D ou ainda nenhuma. De todo modo, as primeiras rodadas estão marcadas e o blog se arrisca a dizer quem é que sobe (valeu, Galvão) nestas disputas.

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  • Série C

A Série C 2013 será a 23a edição deste campeonato, que foi realizada pela primeira vez em 1981 e se mantém ininterruptamente desde 1994. Com a sequencia da disputa e o cumprimento da regra do acesso e descenso – desde 2000 – clubes habituados a disputar a primeira divisão passaram por ela. Fluminense (campeão em 1999), Criciúma (venceu em 2006), Avaí (ganhou em 1998), América-MG (campeão em 2009), Atlético-GO (o maior campeão, em 1990 e 2008) e os vice-campeões Náutico, Bahia e Vitória já desfilaram suas camisas na Terceirona.

Nesta temporada as atrações são o Santa Cruz, dono da maior média de público do Brasil em 2013, o Fortaleza, também de torcida forte – e com a Arena Castelão ao lado – e o Brasiliense de Romarinho, o original, filho do Baixinho. Outros clubes estarão na corrida para o acesso à Série B (viu como ela não é tão ruim?) em um regulamento que, a princípio, deve ser o seguinte: 11 clubes na chave norte e 10 na chave sul, jogando entre si em turno e returno. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas de final – o jogo que realmente importará, valendo acesso – e depois farão semi e final, até conhecermos o campeão.

Para o rebaixamento, a princípio, cairão os 3 últimos da chave norte e os 2 últimos da sul. Mas uma série de disputas deve ocorrer ainda no STJD, o que pode paralizar a competição. Questões como a proporção na disputa de pontos (quem joga uma partida a mais tem chances de somar mais pontos) para desempate e o pedido do Cianorte ainda podem mudar tudo. Mas, com o que temos hoje, vamos as análises:

Chave Norte:

Santa Cruz, Brasiliense, Cuiabá e Fortaleza são os favoritos à classificação neste grupo. O Santa, tricampeão pernambucano, é sem dúvida a grande força de toda a Série C. Perdeu o técnico Marcelo Martelotte (substituído por Sandro Barbosa) para o rival Sport, mas manteve a base e o bom ataque com Denis Marques (ex-Atlético e Flamengo) e Flávio Caça Rato e conta com sua fanática torcida para se reerguer. O Brasiliense tem Romarinho e o dinheiro do dono do clube, Luís Estevão. Mas tem ainda os ex-palmeirenses Baiano e Washington no elenco, que conduziram o clube ao título distrital. O Cuiabá do técnico Ary Marques vem crescendo temporada após temporada. O clube se preparou para se beneficiar da Arena Pantanal, obra para a Copa 2014, e quer estar em uma das duas principais divisões nacionais após o Mundial. Pra fechar o grupo, o Fortaleza, terceiro colocado no Estadual, aposta na manutenção do técnico Hélio dos Anjos, um dos reis do acesso no País, para subir de divisão.

CRB, de Alagoas, Luverdense, do Mato Grosso e Sampaio Corrêa, do Maranhão – atual campeão da Série D – correm por fora na busca das vagas. São clubes que tem força em casa e um histórico recente vitorioso. Águia de Marabá-PA, Baraúnas-RN, Rio Branco-AC e Treze-PB devem brigar apenas para manter seus postos na terceirona – o que já garante um calendário anual.

Chave Sul:

A chave sul deve ser mais equilibrada que a norte, por vários fatores. O primeiro deles, obviamente, o menor número de clubes (salvo se houver inclusão do Cianorte). O segundo, a riqueza da região e o maior poderio financeiro dos clubes em relação ao do norte. Rio e São Paulo dominam a chave, com seis clubes. Os tradicionais Caxias-RS e Vila Nova-GO dividem espaço com o novato Betim (ex-Ipatinga) e CRAC, de catalão. Caxias, Macaé, Duque de Caxias e Mogi Mirim se apresentam como favoritos à vaga. Mas o campeão brasileiro de 1978 Guarani, Vila Nova e Madureira podem surpreender. A chave, de fato, é muito igual. O CRAC corre por fora e os únicos que devem mesmo brigar apenas para não cair são Betim-MG e Grêmio Barueri.

  • Série D

O objeto de desejo da Série D

A Série D começa sem ainda saber todos os seus participantes. Dos 40 clubes que irão disputá-la, o representante de Rondônia ainda está indefinido. Isso porque, enquanto os pares de chave abrem a primeira rodada do Nacionalzinho, Pimentense e Vilhena estarão disputando o jogo de volta valendo o título estadual e a vaga da Dzona. No jogo de ida, em Vilhena, 5-0 para o time da casa.

Serão oito grupos com cinco times cada. À exceção dos quatro rebaixados da Série C 2012 – Guarany-CE, Salgueiro-PE, Santo André-SP e Tupi-MG – todos os outros se classificaram via campeonato estadual. As 8 chaves regionalizadas terão jogos de ida e volta entre si. Dois clubes avançam em cada grupo, formando 16. Estes farão jogos eliminatórios até conhecerem os quatro do acesso. Aqui, o paraíso: um time que somar entre 18 e 20 pontos na primeira fase e vencer mais quatro jogos (ou ao menos 2 sem perder os outros 2) estará na Série C 2014. Depois, semifinais e finais pra conhecermos o campeão. O palpite? Abaixo:

Grupo A1:

O grupo que terá Vilhena ou Pimentense (provavelmente o primeiro) tem como favoritos os vice-campeões do Pará e do Amazonas, Paragominas e Nacional, respectivamente. O Nacional chega com o crédito de ter eliminado o Coritiba da Copa do Brasil. Náutico de Roraima e Plácido de Castro, do Acre, fecham a chave.

Grupo A2:

Seria ousado demais avaliar um grupo que tem clubes como Gurupi-TO, Maranhão, Parnahyba-PI, Salgueiro-PE e Ypiranga-AP. Pela força do futebol pernambucano, fecho com o Salgueiro e indico os campeões estaduais de 2012 (sim, classificaram-se pela tempórada passada) Gurupi e de 2013 Parnahyba para a disputa da vaga restante. Campeão é campeão.

Grupo A3:

Um dos grupos mais difíceis da Série D 2013 é o A3. O tradicional Central de Caruaru irá se opor ao rival estadual Ypiranga, que só ficou atrás do trio Santa-Sport-Náutico no Pernambucano e ainda terá de enfrentar o campeão potiguar, Potiguar, e o vice cearense, Guarany de Sobral. O também cearense Tiradentes é a zebrinha na chave.

Grupo A4:

Três campeões estaduais e um time que deu muito trabalho à dupla Ba-Vi estão na chave A4. Botafogo-PB, CSA-AL (com patrocínio forte, articulado por Fernando Collor) e Sergipe já levantaram taças neste ano. O Juazeirense foi a boa surpresa do Baianão, que teve ainda o Vitória da Conquista, também nessa chave. Indico CSA e Botafogo, pela ordem, mas fora mesmo, só o Vitória.

Grupo A5:

O vice-campeão distrital Brasília e o tradicional Mixto, campeão mato-grossense, são as forças desta chave, que ainda tem Águia Negra-MS, Aparecidense-GO e  Goianésia-GO.

Grupo A6:

Pelo bom Cariocão que fez, o Resende é o favorito nesta chave. O também carioca Nova Iguaçu disputa com o Tupi-MG uma das vagas. Aracruz-ES e Araxá-MG serão zebrinhas.

Grupo A7:

Outro grupo casca. Completando cem anos nesta temporada, o Juventude, de Caxias do Sul, colocará sua camisa e sua história de campeão da Copa do Brasil 1999 em campo contra quatro equipes fortíssimas. O Ju se organizou para retomar o caminho, mas enfrentará a grande surpresa do Paulistão, o Penapolense. Do rico e forte interior de São Paulo vem outro campeão da Copa do Brasil: o Santo André, que levantou o caneco em 2004. Neste ano, no entanto, foi mediano na Série A2 de SP. O Villa Nova, de Nova Lima-MG foi semifinalista do Mineiro – eliminado pelo Cruzeiro – e promete incomodar. E o grupo fecha com o Marcílio Dias, de Itajaí-SC, que disputará em paralelo a Segundona Catarinense.

Grupo A8:

Será o grupo mais difícil desta Série D. O favorito à vaga é o Londrina, campeão da Série B em 1980, e que no Paranaense somou mais pontos que os finalistas Coritiba e Atlético, campeão e vice. O Tubarão tem camisa, torcida e organização, depois de muito tempo. Conta com Germano, ex-Santos, e Celsinho, ex-Portuguesa, como destaques, além do ótimo goleiro Danilo e o bom atacante Neílson. Só que irá encarar o bom J. Malucelli, outro paranaense bem arrumadinho, dono do Eco-Estádio usado pelo Atlético na Série B 2012. O forte Botafogo-SP, sétimo no Paulistão, também quer a vaga. Fecham a chave o vice-campeão gaúcho, Lajeadense, e o Metropolitano, de Blumenau.

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Papo aberto 1: Sérgio Soares

Uma das coisas legais de se trabalhar com TV na internet é que você não se prende a formatos nem ao tempo. Aproveitando a visibilidade do Terra e as várias personalidades que recebemos por aqui, resolvi segurar nossos convidados por mais 15 minutos (pelo menos é a promessa inicial) nos estúdios, pra bater um papo aberto sobre coisas que fogem do noticiário do dia a dia.

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O primeiro convidado é o técnico de futebol Sérgio Soares, que esteve comigo como comentarista na partida entre Rubin
Kazan x Chelsea pela Liga Europa. O treinador contou como se deu a tumultuada saída do Paraná Clube – abrindo em detalhes um problema famliar – em 2009. Também contou que já imaginava que o 2011 do Atlético não seria fácil (e porque), depois de comandar o clube na reta final do Brasileiro em que quase chegou a Libertadores. E falou muito sobre a falta de paciência do mercado com os técnicos – recentemente, foi demitido do Avaí. Assista a primeira parte:

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Soares foi auxiliar-técnico e jogador do Santo André que surpreendeu o Brasil em 2004, ao bater o Flamengo na decisão, em pleno Maracanã. Ele contou em detalhes a trajetória do Ramalhão. Além disso, falou sobre a Copa 2014, dizendo que a Seleção precisa de ajuda urgente. Acompanhe:

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