O mistério vai além

Se tem uma coisa que eu nunca fiz em 10 anos de militância na imprensa esportiva foi pegar no pé de treinador que resolve fechar o treino para os repórteres. Acho isso o cúmulo da ingerência no trabalho de outro. Se o método dá resultado, é o que importa. De mais a mais, já fui repórter-setorista nos três clubes e sei que 90% dos colegas estão sempre muito mais de olho nas pernas de uma ou outra jornalista do que se o técnico mesclou times A e B no coletivo, com esquema 6-2-2.

O que é bem diferente de perceber um sintoma: com o treino fechado e o mistério para o jogo de hoje, o técnico Roberto Fonseca dá pistas de que começa a não ter segurança nas ações que vem tomando. Pudera: são três derrotas nos últimos quatro jogos em casa. E o Paraná que se reinventava na Série B, deixou o G4, motivo suficiente para muitos acharem que já há crise na Vila.

Na reportagem abaixo, de Henrique Giglio para o Jogo Aberto Paraná e hoje (anote aí: segunda a sexta, 12h30, na Band Curitiba, canal 2), você vai conferir a preparação final do Tricolor para o jogo contra o Boa Esporte-MG:

Eu vou além: não divulgar a equipe não é o único mistério acerca da Vila Capanema recentemente. Outro é: como se dá a relação de Roberto Fonseca com os jogadores? Há quem diga que não é das melhores. Só posso me fiar no que disse Serginho, volante do Tricolor, quando falou comigo pela última vez, garantindo que não há e nunca houve nada. O que está bem claro é que o time caiu de rendimento.

Há outro mistério: quem quer Fonseca longe da Vila (além de alguns torcedores, irritados com os resultados recentes)?. Em um café da manhã com um influente conselheiro, soube que há um grupo disposto a “rachar” os salários de Geninho, entendendo que o campeão brasileiro da Série B em 2000 é o único que pode reconduzir o Paraná à elite nacional. Tudo extraoficial, mas já ouvi gente dizer que Fonseca não passa de hoje, não importando o resultado.

Não acho que seja essa a solução. Se o problema é o primeiro – relacionamento – o Paraná deve agir com rigor e afastar os focos de insatisfação. Esse mesmo elenco já deu mostras do que pode ou não fazer. Convenhamos, não é muito. Alguns reforços seriam obrigatórios para brigar pelo acesso.

Além de que, sem esquecer que o Paraná está rebaixado para a Série Prata Estadual, e se o TJD-PR não entender culpa do Rio Branco no Caso Adriano (como já o fez uma vez), o calendário do Tricolor será desastroso, com nada a se disputar de janeiro a maio e dois campeonatos duríssimos, um pela logística, outro pela qualidade, no segundo semestre de 2012? E sem dinheiro no bolso. Arrumar mais uma dívida com um treinador que, bem ou mal, deu resultados, é o caminho? Com o caixa vazio, é difícil pensar no ano que vem.

Aí sim, será um mistério saber como agir.

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Reportagem: Roberto Fonseca, técnico do Paraná Clube

Roberto Fonseca analisa o equilíbrio do Tricolor, defensivo e ofensivo, nesse momento da Série B, após seis jogos.

Veja entrevista exibida no Jogo Aberto Paraná de hoje:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de 2a a 6a, na BandCuritiba, às 12h30. Acompanhe!