Por que o Cruzeiro 2013 não recebe a mesma badalação do time de 2003

Discreto, Marcelo Oliveira não é tão badalado em Rio e SP

Os números são tão impressionantes quanto há 10 anos. O aproveitamento é de 72,5% – até a rodada do título, 34a – contra 72,4% em 2003; o ataque não chegou aos 102 gols, mas tem média parecida: 2,11 por jogo, com 72 nos atuais 34 jogos, contra 2,21 nos 46 jogos de 2003. O Cruzeiro atual também tem a melhor média de público, como há 10 anos e conseguiu o título com 4 rodadas de antecedência, contra 3 rodadas em 2003. A torcida celeste não tem do que reclamar. A não ser um certo desdém da mídia em não badalar o time de Marcelo Oliveira como fazia com o de Vanderlei Luxemburgo.

E tem razão nisso.

O Cruzeiro de 2003 tinha apenas uma coisa que esse não tem: personagens consagrados no principal eixo econômico do País. Alex foi ídolo do Palmeiras, campeão da Libertadores; Deivid brilhou no Corinthians e no Santos antes da Raposa; Zinho foi ídolo do Flamengo, Aristizábal marcou época no São Paulo e Vanderlei Luxemburgo é o técnico mais midiático do Brasil em todos os tempos – além, por óbvio, de multicampeão. O Cruzeiro de 2003 tinha o carinho e o respeito do centro do País e isso pesa na hora de avaliar a equipe. Aquele campeonato ainda contava com o Santos de Robinho na cola, coisa que o atual não teve. Sobrou contra Atlético Paranaense, Grêmio, Goiás e Botafogo, seus perseguidores mais próximos. Todos, exceção ao Fogão, clubes de outros centros.

O time celeste de 2013 foi montado discretamente. Seus principais nomes, Dagoberto e Julio Baptista, não foram titulares o tempo todo. A exceção é Dedé, zagueiro que trocou o Vasco pela Toca e, apesar de ser campeão brasileiro, paradoxalmente perdeu a vaga na Seleção. Fábio passou pelo Rio, no Vasco* sem marcar época e os grandes destaques da campanha, como Everton Ribeiro e Nilton, Egídio e Ricardo Goulart, acabaram preteridos em seus clubes de origem (Corinthians, Flamengo e Internacional). Personagens como Leandro Guerreiro e Luan fecham o mosaico de “párias” chefiado por Marcelo Oliveira, um técnico discreto, avesso à badalação e calmo nas entrevistas. Oliveira que tinha até então como maior feito a chegada à duas finais de Copas do Brasil seguidas com o Coritiba.

Questiona-se a qualidade técnica do campeonato, como se fosse o mais fraco dos últimos tempos, na contramão do fato do campeonato contar com os campeões do Mundo (Corinthians) e da Libertadores (Atlético-MG). De ter trazido personagens como Seedorf, Pato, Alex, Juninho, Forlán e outros. De ser o primeiro campeonato das novas Arenas para a Copa.

Debate-se o regulamento, como se os pontos corridos não fossem emocionantes, o que acaba indiretamente depreciando a campanha celeste. Curiosamente, muitas vezes são as mesmas vozes que pedem organização e moralidade no futebol brasileiro. E o Cruzeiro, com sua estrutura fantástica, salários em dia e sem entrar em salários exorbitantes, levantou a taça. Seguido pelo Atlético Paranaense, que tem perfil parecido, por Botafogo e Goiás, que mantiveram técnicos e acreditaram em projetos e pela exceção à essa regra, o Grêmio, de alto investimento e trocas de técnicos.

A falta de badalação ao Cruzeiro 2013 de fato em nada diminui a festa celeste. Foi um título bem à mineira, discreto mas muito eficiente. Se não querem badalar a Raposa, não badalem; o Cruzeiro não carece.

*Obrigado aos atentos leitores que relembraram a passagem de Fábio pela Colina. Fabio foi revelado no União Bandeirante-PR.

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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 26/09/2012

Coluna que aborda temas esportivos, em especial os voltados ao Paraná; veiculada semanalmente no Jornal Metro Curitiba

Passo à frente ou populismo?

Oportunismo eleitoral ou não – a descobrir – uma vereadora, candidata à reeleição, reivindicou formalmente junto a diversos políticos (incluindo a presidente Dilma) a inclusão de Curitiba nas sedes do torneio pré-olímpico de futebol de 2016. Politicagem a parte, a ideia deve ser levada a sério pela cidade. A Olimpíada será um evento nacional, embora os holofotes apontem o Rio. Mais do que receber jogos de futebol, Curitiba deve propor-se a ser cidade hospedeira (host) de delegações, envolvendo não só o futebol, mas clubes que possam ser CTs para tênis, basquete, atletismo, etc. A iniciativa já merece nota, mas a execução é o que interessará de fato. Aguardemos.

Patrocínio x burocracia

O Paraná Clube confirmou prospecção junto à Caixa Econômica Federal para estampar a marca do banco na camisa do clube – valores não divulgados. No entanto, a negociação está parada há meses: devedor no INSS, o Tricolor não pode ter apoio estatal enquanto tiver dívida com a União. Por essa razão, a Petrobrás deixou o Flamengo tempos atrás. “Gostaria de dar uma previsão, mas não é possível. Está no nosso jurídico”, me disse Vladimir Carvalho, diretor de marketing tricolor.

Prospecção

Por falar em patrocínios, o Coritiba realiza hoje um evento em São Paulo, reunindo 20 agências de publicidade, para apresentar o projeto do clube ao mercado paulista e buscar apoio de grandes anunciantes nacionais.

Prioridades

O Cianorte perdeu a vaga na Série C em casa, nos pênaltis, para o Mogi Mirim-SP, depois de ter vencido por 2-1 fora. Um dos mais interessados na conquista, o presidente da FPF, não esteve no Albino Turbay. Em campanha política para ser vereador em Curitiba, não viu de perto o futebol paranaense deixar de ter quatro vagas garantidas em campeonatos nacionais. O vice, Amilton Stival, fez às vezes (novamente) da presidência. Em tempo: nenhum deles bate pênalti. Mas dão segurança a quem o faz.

Pouco sobre futebol?

A coluna tem batido na tecla da gestão e visão futura. É de boas gestões que os craques aparecem no gramado. Mas, de olho nas hipóteses de o Estado ter dois clubes na Série A 2013 (ou três na B) refleti desempenho no campo e tabelas. O Coxa preocupa. Pega rivais diretos fora de casa e tem uma reta final com seis equipes entre Libertadores e título. Mas, mais que isso, não joga bem longe do Couto. Já o Atlético mostra evolução, mas decidirá a vaga longe de Curitiba. Numa Série B de raros tropeços, pega São Caetano, Vitória e Criciúma fora. Ambos precisarão buscar pontos na casa dos adversários. O processo é mental, já que a técnica não pode mais ser melhorada.

Uma reflexão sobre o esporte brasileiro e o jornalismo esportivo

Mayra Aguiar fez história nesta quinta e eu tive a honra de acompanhar. A judoca gaúcha ficou com o bronze na categoria meio-pesado (até 78kg) em Londres 2012. Mayra (pronuncia-se ‘Má-y-ra’) medalhou e eu, 10 anos depois de começar nisso, finalmente posso falar com convicção que sou narrador esportivo. De fato, até uma semana atrás, era no máximo narrador de futebol, como muitos dos meus colegas. É o que resume o esporte no Brasil, salvo o intervalo de 20 dias a cada 4 anos chamado Olimpíada.

Em uma semana, fiz Judô, Boxe, Natação, Basquete e Vôlei de Praia nas transmissões que o Terra tem feito, inovando e oferecendo essa alternativa ao internauta. Ah!, fiz Futebol também. Masculino, ressalte-se – mas podia ser feminino, tão escanteado (ops, olha o ato falho) quanto os demais esportes “amadores”. Nós, narradores esportivos, nos apresentamos assim, mas na verdade falamos mesmo é de futebol. Até mesmo a famigerada associação da crônica local, que se diz “esportiva” e pretende ser reguladora da profissão, não aparece em eventos como Stock Car, MMA ou futsal. Mama no futebol e só. É a cultura do País. Cultura que também faz atletas como Mayra como vitimas. Vão de heróis a vilões em segundos, a cada quatro anos, para depois mergulharem no ostracismo. Até a outra olimpíada.

Quando Mayra venceu a disputa do bronze, acreditem, me senti medalhando junto. Antes da luta, eliminada por sua grande rival, a americana Kayla Harrison, em uma final antecipada, Mayra dividiu opiniões nos comentários no Terra. Líder do ranking mundial, Mayra parou – depois soubemos –  na futura campeã olímpica. Mas o cruzamento atrapalhou. E, convenhamos, só uma pode vencer. Hoje, foi Harrison, em outras 4 ocasiões havia sido Mayra. Ela virou “amarelona”, o Brasil virou sinônimo de fracasso olímpico. Todos passamos a entender Judô como se fosse… futebol. Nossa cultura esportiva é de amor à vitória, não ao desporto. Tanto é que o bronze de Mayra logo apagou a frustração.

É assim com todos os atletas olímpicos. Saem da obscuridade para se tornarem heróis e decepcionarem em segundos. Culpa nossa – a mídia – também. Alimentamos isso como se o Brasil fosse uma potência olímpica. Não é. Temos atletas talentosos, esforçados e em grande maioria com pouco apoio. Parece chover no molhado, e é. Mas basta ver que nosso esporte número 1, o futebol, jamais foi ouro olímpico (cá entre nós, acho que o ano é esse. Me cobrem). Isso resume tudo.

Rio 2016 vem aí. Há poucos dias, escrevi sobre a necessidade de se mobilizar e a oportunidade que Curitiba pode ter para fazer parte de tudo. Em época de eleições, é possível que vejamos muitas promessas e fotos com os medalhistas. Mas é tempo de mudar essa cultura. Fato é que os narradores futebolí… digo, esportivos, também não vêem muito como acompanhar os torneios ao longo dos quatro anos que antecedem e formam o ciclo olímpico. É um círculo vicioso, que se dissipa só durante os Jogos. Difundir o esporte, montar equipamento urbano, incentivar a prática, socializar crianças e jovens e acostumá-los aos holofotes é o caminho para que deixemos de ser especialistas de ocasião e nos tornemos uma força olímpica verdadeira.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 25/07/2012

Visão de longo prazo

Começa hoje o futebol olímpico, competição que abre Londres 2012 mesmo antes da cerimônia de abertura de sexta-feira. Até 12 de agosto, o Brasil vai ampliar o guarda-roupa esportivo: chuteiras ganham companhia de raquetes, toucas, luvas e redes, na atenção dos torcedores. A cada quatro anos é assim; entre eles, infelizmente, o esporte olímpico (por vezes chamado de amador) não consegue o mesmo espaço do futebol – salvo exceções. A obscuridade de outras modalidades é por falta de apoio ou interesse? Ovo ou galinha? Não importa: em quatro anos, somos nós, brasileiros, que receberemos os Jogos Olímpicos. Seja ovo ou galinha, é hora de planejar o aumento da produção.

Paraná 2016, Curitiba 2016

Engana-se quem pensa que apenas o Rio de Janeiro será sede e terá lucro e desenvolvimento com os jogos. Curitiba também pode. Mas para isso, tem que querer e começar já (de fato, está atrasada). Anotem, políticos. Dois anos depois de receber a Copa 2014 – megaevento ainda ligeiramente desprezado na capital, sabe-se lá porque – a cidade pode ser parte da Olimpíada 2016. Nesse ano, Londres receberá 203 delegações, com 10500 atletas. Terá quase 1 milhão de pessoas a mais na população durante os jogos. Mesmo a capital britânica não suporta o volume de delegações que precisam de infraestrutura de treinamentos. Não a toa dividirá com outras cidades. O futebol, por exemplo, terá sedes em seis cidades – até mesmo Glasgow, na Escócia. A renovação do Tarumã (ou um novo ginásio), a Arena da Copa e os demais estádios, os CTs dos clubes, a Sociedade Hípica, os clubes sociais e suas quadras, piscinas e tatames, o velódromo do Jardim Botânico – se reformado. Locais que, se planejados com quatro anos de antecedência, podem abrigar uma ou mais delegações em Curitiba, que está 1h30 distante do Rio, de avião. Obras que deixarão um legado esportivo para a cidade – se os dirigentes tiverem cabeça, interesse e planejamento para fazê-lo.

Pensar grande

Edgar Hubner, curitibano, é o coordenador do COB no Crystal Palace, o “CT” brasileiro em Londres. Apresentei um evento voltado ao segmento hoteleiro e alimentício de Curitiba no qual ele foi o principal palestrante. Fez o alerta, deu a dica: pensar grande, se estruturar e se oferecer para que países se hospedem na capital em 2016. Gente que vai precisar de ambientação no Brasil e pode encontrar local familiar em Curitiba, como canadenses, alemães, etc. Geração de renda e infraestrutura. Bom para todos.

As chances em 2012

Em campo (ou quadras, etc), a promessa é de que o Brasil faça sua melhor olimpíada, antes do próximo ciclo olímpico, que será em casa – o que costuma ser reflexo de muitas medalhas. Futebol feminino e masculino, vôlei, de quadra e praia nos dois gêneros, basquete masculino, judô, boxe, vela e natação devem trazer medalhas. Reais possibilidades de termos entre 6 e 10 ouros – um recorde.

P.S.: Estarei na transmissão de Honduras x Marrocos, quinta 26/07, 7h45 da manhã, pelo futebol masculino, grupo D, no portal Terra. Imagem em HD, disponível para computadores, tablets e celulares. Veja mais abaixo.

Atlético x Flamengo: confira o pré-jogo

Reportagem exibida no Jogo Aberto Paraná desta quarta-feira na Band Curitiba, sobre o segundo jogo da série eliminatória entre Atlético x Flamengo (0-1 na ida). Confira:

Update:

Renato Gaúcho pode lançar o volante Fransérgio como atacante. Para o técnico, consagrado na posição, o jogador “leva jeito”:

A Band transmite o jogo para todo o Paraná! Em Curitiba, no canal 2 da NET/TVA/UHF e 302 da Sky!

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