Dissecando o Paranaense 2013

Vai começar o Paranaense! Ok, a empolgação não é mais aquela de décadas anteriores, quando quase não se falava em calendário inchado, tampouco Messi invadia sua televisão (quem tinha, óbvio) todos os dias. Mas, como diz Fernando Pessoa, “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Assim sendo, alguém ficará com a coroa de Rei do Paraná por uma temporada. E ninguém quer perder.

Portanto, se o Estadual é como brigar com bêbado ou não, é outro papo; o importante é que tem taça e clube de futebol serve pra isso: ganhar títulos. E o Paranaense 2013 tem um favorito e três azarões, que explico abaixo.

Coritiba

Coxa tetra em 74: feito pode ser repetido após 39 anos

O poster acima é do tetracampeonato paranaense do Coritiba – que viria a ser hexa – feito só alcançado por Britânia e Paraná Clube, além do próprio. E que pode ser repetido numa temporada em que tudo aponta para isso. O Coxa é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista. Terá, como naqueles tempos, um ataque forte e um meio criativo; o problema é a defesa, a começar dos volantes, ainda sem reposição à altura desde a saída de Leandro Donizete.

Há motivos para o favoritismo. O primeiro deles: Alex. Aos 35 anos, o meia voltou ao futebol brasileiro ainda em condições físicas e técnicas de levantar pela primeira vez uma taça pelo clube que o revelou. Deixou Palmeiras e Cruzeiro, por quem foi multicampeão, na espera. E vai comandar um time que entrará no Estadual com uma base formada desde o rebaixamento de 2009, com mudanças sutis entre as temporadas. Tem Emerson, Vanderlei e Rafinha, fundamentais na conquista do tri entre 2010 e 12. Manteve Deivid, atacante que achou seu espaço durante o Brasileirão do ano passado. E reforçou pontualmente, capitaneado pelo mineiro Felipe Ximenes, o mentor das equipes dos últimos anos. Conheça os reforços:

– Alex: Sim, não se esqueçam, ele não jogou ainda pelo Coritiba. Como a técnica do meia dispensa apresentações, vamos a frieza dos números das últimas três temporadas das 9 em que defendeu o Fenerbahçe: 84 jogos, 47 gols, 26 assistências, dois títulos nacionais (Copa e Campeonato).

 – Botinelli: o argentino, ex-Flamengo, tem 26 anos e deve disputar lugar com Rafinha no meio-campo alviverde. Começou chamando a atenção no San Lorenzo, pelo qual venceu o Argentino 2007, mas não repetiu as boas atuações em outros clubes. Chegou badalado ao Flamengo depois de rodar por Chile e México, tendo feito 69 jogos em dois anos, com apenas 9 gols. Deixou a Gávea abrindo mão de valores que tinha a receber para tentar encontrar na estrutura do Coritiba condições de jogo.

– Artur: ex-Paraná, Artur chega ao Coxa credenciado pela boa Série B pelo Tricolor, com 9 gols. A princípio, para compor elenco.

– Julio César: Outra opção de ataque. Fez 16 gols em dois anos pelo Figueirense, se destacando ao lado de Aloísio, que rumou ao São Paulo, deixando a equipe catarinense, que acabou rebaixada.

– Leandro Almeida: zagueiro, revelado no Atlétic0-MG, foi emprestado pelo Dínamo de Kiev após a eliminação na Copa dos Campeões. Joga pelo lado esquerdo do campo.

– Patric: outro jogador revelado pelo Galo, que disputou o Brasileirão pelo Náutico. Chega para substituir Ayrton, que foi para o Palmeiras, e disputar posição com o jovem Victor Ferraz.

Paraná Clube

O vídeo acima é do último título estadual do Tricolor, há sete anos. De lá para cá, o clube passou poucas e boas, incluindo um vexaminoso rebaixamento para a segunda divisão local. A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos. Depois de um 2012 sofrido, a manutenção de uma base e do técnico Toninho Cecílio trazem alento. Com mais recursos que a maioria dos clubes do interior, faltava ao Paraná um pouco de organização e a credibilidade de volta. O primeiro, o clube já parece ter conseguido; o segundo, demora mais um pouco.

No fim do ano, às voltas com atrasos de salário, os jogadores mostraram brio e por pouco não atrasaram a vida do Atlético, no Derby da última rodada da Série B nacional, quando um empate eliminaria o Furacão. Ficaram com crédito com a torcida e com um gostinho de “podia mais”.  Assim, Toninho Cecílio e Alex Brasil, o gestor de futebol do clube, seguraram peças como Lúcio Flávio e Anderson e, principalmente, Wellington e Luizinho, que teriam mercado fora do Tricolor facilmente. O time, que oscilou muito na Série B, não chegou a ganhar muito em qualidade técnica, mas ficou com mais opções, tentando suprir uma das carências: a falta de peças. Mas há nomes interessantes como reforços, como Henrique, que volta do Coritiba (onde quase não foi aproveitado), e apostas na experiência. Conheça os reforços:

– Marcos: Revelado pelo Paraná em 1998, é outro que ganhou o Mundo e volta ao clube de origem. Claro, Marcos não teve – nem se pretende comparar – a projeção de Alex. Mas a volta do goleiro de 36 anos tem, para os tricolores, a mesma sensação. Depois de defender Marítimo e Sporting Braga em 9 anos em Portugal, volta mais maduro e com a missão de ser o líder da equipe paranista.

– JJ Morales: O atacante gringo agitou os bastidores da Vila. Mas, até que prove o contrário, é muito mais pelo glamour de ser estrangeiro do que pelo desempenho recente. Bom nas bolas aéreas, Morales rodou por equipes “lado B” da Argentina até ganhar uma chance no Quilmes, em 2008. O clube estava na Segunda Divisão após boas temporadas e até uma Libertadores. Morales marcou 16 gols em 25 jogos e chamou a atenção da Universidad Católica, do Chile. Disputou outra Libertadores, mas não emplacou. Rodou até parar no Atlético Venezuela, onde se contundiu em outubro de 2012. Chega ao Paraná como uma incóginta, aos 30 anos.

– Reinaldo: Aos 33 anos, Reinaldo chega ao 13o clube na carreira, que começou promissora no Flamengo e ainda teve destaque no São Paulo. Experiência não falta ao atacante, que tem tudo para ser titular do Paraná. Números de Reinaldo nas últimas três temporadas: 14 gols em 59 jogos por Bahia, Figueirense e Guangdong, da China.

– Gabriel Marques: liberado pelo Atlético, onde pouco jogou em 2012 (9 jogos e uma grave contusão no braço), o lateral de 24 anos pode ser bem aproveitado pelo Paraná se demonstrar a voluntariedade de alguns jogos no Furacão. Costuma ser mais efetivo na marcação que no apoio.

– Júnior Capixaba: chega por empréstimo, oriundo do Vitória-ES. Volante de 25 anos – deve compor elenco.

Atlético:

O jogo do vídeo acima é a inspiração do Atlético para o Paranaense 2013. Há 8 anos, quando estava prestes a decidir a Copa Libertadores contra o São Paulo, o Furacão, ainda sem vitórias no Brasileirão, teria pela frente o rival Coritiba. Não havia dúvidas: era priorizar a competição continental. O Coxa, favorito para o clássico, acabou surpreendido pelo time comandando por Evandro (hoje no Estoril, de Portugal) e repleto de jovens. Em 2013, não será apenas um jogo; ainda assim, a aposta é parecida: privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual.

O Atlético não oficializou se irá com um time B em todo o campeonato ou apenas em parte dele (hipótese mais provável). Mas enquanto disputa a Copa Marbella na Espanha, com os titulares do acesso em 2012, deixa um time comandado por Arthur Bernardes, técnico que foi auxiliar do jornalista Washington Rodrigues, o “Apolinho”, no Flamengo de 1995 – aquele, de Sávio, Romário e Edmundo. O Sub-23 vem treinando desde o ano passado e conta com jogadores conhecidos: Héracles, Renan Foguinho, Zezinho, Taiberson e Pablo. A grande aposta está em cima de dois jogadores: Harrison, meia que apareceu bem em 2012 e Junior de Barros, atacante que é tido como a nova jóia atleticana. Somando times A e B, foram três reforços até aqui. Conheça mais:

– Maranhão: meia de velocidade que se destacou no Bahia, Maranhão é, na prática, o único reforço atleticano até aqui. Não deve figurar no Estadual, ao menos no primeiro turno, disputando com o elenco principal a Copa Marbella, entre 02 e 14 de fevereiro. Estava no Cruz Azul, do México e deve fazer parceria com Elias no meio-campo rubro-negro principal. Tem 22 anos.

– Elivélton: volante de 20 anos que jogou duas temporadas pela Vasco, sendo pouco aproveitado.  Estava no Democrata-MG.

– Lucas Dantas: atacante de 23 anos que começou no Legião-DF (o time que homenageia a banda Legião Urbana) e, segundo o próprio, “tenho velocidade e gosto de jogar pelos lados do campo”.

Londrina:

“O Ronaldinho do Canindé”, Celsinho, é o principal reforço do Londrina, que, depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha). Mas não é Celsinho o responsável pela volta do status do Tubarão como equipe competitiva e sim a entrada de Sérgio Malucelli e sua empresa, a SM Sports, na gestão de futebol do clube. O acordo deu ao LEC um CT e novas perspectivas de mercado. Isso, com salários em dia e a torcida no Café, pode significar a volta do Londrina aos trilhos. Em 2012, o clube já deu sinais disso. Os reforços:

Celsinho: Celsinho tem 24 anos euma carreira mais cercada de expectativas do que de realizações. Chega ao sexto clube na carreira, mas apenas o segundo que defende no Brasil. Rodou, sem sucesso, por Lokomotiv da Rússia e Sporting, de Portugal, além de clubes menores na Europa. Surgiu bem na Lusa em 2005, com qualidade na armação de jogadas, mas pecando nos arremates. Fica a expectativa para saber se a passagem dele pelo Tuba será apenas folclórica ou um impulso para retomar a carreira.

Germano: volante, ex-Santos e Paraná, retorna ao Londrina depois de defender o Sport Recife nas últimas duas temporadas. É o toque de experiência no meio campo do Tubarão.

Correm por fora:

Operário, contando com o apoio da LA Sports e a pressão da fanática torcida no Germano Kruger, com destaque para o meia Rone Dias, ex-Paraná.

Cianorte, do técnico Paulo Turra, que comandou o time na ótima campanha em 2012.

Arapongas, que tem novamente o bom Edu Amparo no elenco e segue com planejamento de temporada, como em 2012.

Figurantes: J. Malucelli, Toledo, Nacional, ACP e Rio Branco

A primeira rodada:

Atlético x Rio Branco
Londrina x Toledo
ACP x J. Malucelli
Operário x Coritiba
Cianorte x Arapongas
Paraná x Nacional

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/07/2012

O bonde da história

Alexandre Gomes, curitibano campeão mundial de poker, desistiu de disputar o título dessa temporada no WSOP Las Vegas para ver a decisão de hoje na Copa do Brasil, envolvendo o seu Coritiba contra o Palmeiras. Alê disse: “WSOP tem todo ano, final de Copa do Brasil não.” Curiosamente, nos últimos dois anos, para o Coxa, foi freqüente – feito só alcançado por Grêmio, Corinthians e Flamengo (o único a não ser campeão quando decidiu por duas vezes seguidas). Reverter o 0-2 imposto pelos paulistas não será tarefa fácil – nem impossível. É fato que o 6-0 do ano passado ainda impõe terror na cabeça dos palmeirenses. Mas uma coisa é golear ao natural, outra é vencer precisando fazer a diferença, contra o relógio. Campeão ou não, vislumbro que a máxima de Alê Gomes deve ser levada em consideração hoje. Precisamos que o futebol do Estado seja mais regular em decisões para não perder as chances que foram perdidas no primeiro jogo. A perna tem que pesar menos. O Atlético o fez no início dos anos 2000, mas de 2006 pra cá, ostracismo. Ao Coxa, resta saber lidar com o título aproveitando o crescimento e, em caso de perda, entender que o projeto tem que ser maior. Senão perderá o bonde da história.

Marcelo Oliveira

Questionado pela torcida, desde que chegou até pouco tempo atrás, finalmente o técnico Marcelo Oliveira é reconhecido como peça-chave no sucesso recente do Coxa. Mais do que ninguém, tenho certeza, ele quer vencer o jogo e ficar com a taça hoje. Para Oliveira, é a confirmação do que muitos que vêem o trabalho nos bastidores já sabem. Mais do que isso, deixará para trás de vez o questionamento a respeito da decisão de 2011, contra o Vasco, quando alterou o time no jogo final. Sedimentará a entrada no rol dos grandes treinadores do Brasil. Mesmo sem título, já está em outro patamar. Não à toa foi sondado pelo São Paulo FC antes da decisão. Ficou por caráter e pela vontade de vencer. É o personagem da finalíssima.

Acordando

Depois da bronca pública do técnico Jorginho, que chegou a dizer que o time atual do Atlético fedia, outra bronca nos vestiários contra o América-MG, uma reação não suficiente no placar, mas motivadora em atitude. Parece que o Furacão está acordando. Talvez, enquanto você lê essa coluna, já tenha conseguido a primeira vitória sob o comando do novo técnico. Mas mais do que isso, os nomes de Wellington Saci, João Paulo e Elias, próximos ou já certos, e os já estreados Weverton e Luiz Alberto mostram que demorou, mas a diretoria viu que era necessário reforçar. Com a recuperação física de Liguera e Zezinho, o time ficará encorpado. Dar tempo para Jorginho trabalhar e arrumar um 9 – quem sabe o uruguaio Morro Garcia, patrimônio “sucateado” do clube – podem ser a salvação do desastre anunciado do rubro-negro na Série B.

Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

Abrindo o Jogo – Coluna de 20/06/2012 no Jornal Metro Curitiba

Chove, chuva!

A previsão do tempo para hoje é chuva, da manhã até a noite. Para as 21h, de acordo com o site Climatempo, mais água. Quando a bola rolar para o segundo jogo entre Coritiba e São Paulo (0-1 na ida) pela Copa do Brasil, o campo, mesmo com boa drenagem, estará encharcado. E apesar da necessidade do Coxa ser fazer um ou mais gols e de preferência não sofrer nenhum, a chuva é uma aliada. O São Paulo tem um time mais técnico e leve que o Alviverde, com Casemiro e Jadson trocando passes em velocidade, Lucas conduzindo a bola na diagonal e Luís Fabiano, perigoso e rápido, mas de média estatura. Já o Coxa tem como principal jogada no ano a bola alta. Foi assim no Paranaense, com Emerson e Pereira fazendo gols em cruzamentos invariavelmente saídos dos pés de Tcheco. Por isso com concluo: o São Paulo vem da Terra da Garoa, mas São Pedro é coxa-branca.

Despedida?

Ganhando, o Coritiba chega pela segunda vez seguida à final da Copa do Brasil; perdendo, dá adeus não só à competição, mas também ao maior ídolo do atual elenco, o meia Tcheco. Formado no Paraná, destacou-se no Malutrom antes de aportar no Alto da Glória. Pelo Coxa, três títulos paranaenses e um da Série B. Também ajudou o clube a se classificar para a Copa Libertadores de 2004, última participação alviverde. Aos 36 anos, Tcheco até teria bola para continuar mais um tempo. Ouviu pedidos de todos os lados: da torcida, de segmentos da imprensa e até do rival Paulo Baier para que siga jogando ao menos até dezembro. Não quer. Vai ser gerente de futebol auxiliando Felipe Ximenes. Só a vitória adia a aposentadoria de Tcheco. Imagine o quanto vale o jogo de hoje para o humano dentro da camisa do Coritiba.

Ambição

Ricardo Drubscky já é realidade no Atlético, mas passou despercebida uma declaração do ex-técnico Juan Ramón Carrasco que denota o grau de dificuldade que o substituto terá – e que se acentuou após uma estréia ruim no 0-0 com o Goiás em Paranaguá. Disse Carrasco: “Não nos foi exigido conquista, o importante é subir”, sobre os planos da diretoria rubro-negra para a temporada. Aprendi cedo na vida que é importante ao menos mirar nas estrelas, pois mesmo errando às vezes, chegaremos mais perto do topo. Não querer ser campeão é jogar contra a história do Atlético. Taça é taça. E para ganhar, é preciso reforçar um elenco que patinou num Estadual fraco. Sem contratar, nem Drubscky, nem Carrasco, nem mesmo Pep Guardiola darão o acesso ao Furacão.

Convite

Tenho apostado na convergência de mídias na internet, com vídeos e áudios, entrevistas especiais, informações e comentários no blog bemparana.com.br/napoalmeida. Convido você a visitar e comentar, ajudando nesse novo projeto.

Desejo, necessidade, vontade

O início de ano está aquém do que o Coritiba pretendia para si. Melhor dizendo: está abaixo do que a torcida esperava que o Coxa produzisse. Muito por culpa do próprio clube, que em 2011 sobrou no Estadual e, nesse ano, viu o turno praticamente ir embora (ainda resta a última rodada, tudo pode acontecer e escrevo antes dela) com 4 empates – o mais sentido, contra o Rio Branco em casa (1-1). As cobranças vieram e a torcida se pergunta: dada as mudanças no elenco, não seria melhor investir na base do que nas contratações que chegaram?

Primeiro, há que se entender as razões da cobrança do torcedor. São três os fatores: o torcedor não é bobo e sabe que, mesmo há 43 jogos sem perder no Paranaense (desde o 0-1 com o Paraná em Paranaguá, 2010), o time não vem jogando bem. Patinou para vencer o ACP, que está na área do rebaixamento; jogou mal, mas ganhou, contra o bom Arapongas – o placar de 4-1 não diz o que foi o jogo. E também não rendeu nos empates (aceitáveis, pelos duelos) contra Londrina, Cianorte e Atlético. Sem contar o já citado tropeço contra o Rio Branco. Se os resultados estão ruins, o desempenho está pior. E é isso que preocupa o torcedor em primeiro lugar.

Depois, o desempenho do rival Atlético, com um time praticamente de garotos, cutuca o coxa-branca. Não adianta negar: o campeonato é polarizado (o Cianorte é um atrevido!) e isso se vê em investimentos. E quando se vê em campo que os meninos do Furacão, como exemplo Bruno Furlan, Ricardinho e Deivid, vão melhor que os reforços Lincoln, Marcel e Júnior Urso, surge a pergunta: e a base coxa? Aí chegamos ao terceiro vértice da cobrança: o Coritiba foi semifinalista da Copa São Paulo 2012 e do Brasileiro Sub-20. Onde estão as revelações?

Então, entre o desejo da torcida do Coritiba estão a necessidade do clube e a vontade do departamento de futebol. O torcedor que ver em campo jogadores como Luccas Claro, Guaraci, Tiago Primão, Alex e tantos outros. O clube tem a necessidade de colocá-los em campo – mas tem que saber o momento certo para isso. E isso é o que dirige a vontade do departamento de futebol.

Explico: a saída para os nossos clubes (vale para todos que não têm a verba gorda da TV, não estão no centro de mídia do país e nem contam com a mesma complacência em dívidas que outros grandes) é a base. Entre contratar um atleta a peso de ouro e revelar para vendê-lo, melhor sempre a segunda. Foi assim, em um exemplo local, que o Atlético se projetou nacionalmente. Basta rever a base dos grandes times da história recente do clube e ver que os destaques eram quase sempre da casa – vendidos posteriormente. Foi assim para o Santos, que cresceu sem parar desde 2002, e é, ao lado do Botafogo, o preterido no eixo. Reverteu apostando na base.

Só que muitos dos garotos citados pela torcida nesse link (que orientou a postagem, a pedido do leitor Luan Mannes) disputaram a Copa SP e estão abaixo dos 18 anos. Estão em formação em vários quesitos. Claro, o jargão “qualidade não tem idade” conta, mas o que é Caio Vinícius no time titular senão uma aposta na base do clube*, em detrimento do experiente Marcel? Só que uma vez como titular, durante os 90′, não interessa a idade ou de onde vem: se espera rendimento. E se não vier, cobranças. E assim se queimam os jogadores. Por isso, quem tem a gestão do grupo tem que ter paciência de barrar as críticas e ir soltando os meninos. Para o Coritiba, é muito melhor ter um time “caseiro” do que um repleto de forasteiros.

O time titular do Coxa hoje tem algumas apostas da base. Poucas, é verdade: Willian, que está em tratamento, é titular incontestável e formado em casa. Lucas Mendes, hoje já lateral-esquerdo (era zagueiro), segue o mesmo caminho. E Caio Vinícius vai para o terceiro jogo seguido no time. Outras apostas são opção da comissão técnica, porque afinal respondem a investimento do clube: Júnior Urso está ganhando tempo, Lincoln ainda oscila e Renan Oliveira é tão menino quanto os demais, mas vem ganhando destaque. Aqui, ressalte-se: vale o benefício técnico que ele possa dar, porque está no Coxa por empréstimo. Quem realmente merecia nova chance, após ir muito bem nas que teve em 2011, é Luccas Claro. Mais rápido que Demerson e Pereira, já poderia aproveitar o Estadual para se firmar. E entra no trio que faz com que um garoto entre no time, que dá título ao post e é cantado pelos Titãs abaixo:

* Caio Vinícius foi revelado pelo Porto-PE e chegou “semi-pronto” ao Coxa no fim do ano passado, lembrou-me Leo Mendes Júnior.

O valor de Ricardinho

Assista o vídeo abaixo.

André Vinícius é um dos primeiros reforços do Paraná para a temporada 2012. Sejamos sinceros: mesmo na base do Corinthians, onde teria poucas chances nos próximos anos até que chegasse ao nível de ser titular, estaria numa posição mais confortável que no atual momento do Tricolor. Sem hipocrisia, é público que o calendário do clube para 2012 é terrível, deficitário. Também é notório que o Paraná está com salários atrasados junto a vários funcionários. São os funcionários que fazem a manutenção do clube, dos vestiários, alojamentos, etc., sem contar o clube social – mas essa é outra história.

Portanto, topar jogar no Paraná hoje é negócio de alto risco. É se expor a enfrentar o Cincão EC numa tarde de quarta, entrar num ônibus e correr pro aeroporto para jogar contra o Ceará na noite de sexta – e sem saber se irá receber no fim do mês. Batalha perdida? Negativo.

O ideograma ao lado significa “crise” para os chineses. Mas é o mesmo que significa oportunidade (recomendo ler esse artigo). Talvez poucos jogadores se interessem em vestir a camisa do Paraná Clube atualmente, mas com a presença de Ricardinho no projeto, a coisa muda. É só ver no vídeo:  “Quando me falaram do Ricardinho aqui, já pesou”, disse André Vinícius. Outros mais virão, seguindo essa mesma linha. Ricardinho acrescenta esperança e um ótimo cartão de visitas ao projeto paranista.

O caminho é longo, sem dúvida. Não se sabe a capacidade do ex-meia como técnico, por exemplo. E o fato de alguns meninos da base do Corinthians estarem chegando à Vila Capanema não é garantia de sucesso. Mas no momento não há muito o que se fazer de diferente. Ao menos Ricardinho tem identificação com o clube, e, ao contrário de negócios anteriores, passa a impressão de que quer ajudar com esse projeto – mesmo que seja também interesse pessoal se lançar como técnico. É só olhar para a própria base do Paraná, escanteada desde que, sem dinheiro para alimentar os atletas, o clube trocou percentuais de jogadores por comida. Ao menos evitou-se a tragédia que se viu no Vasco.

Dito isso, chamo a atenção para uma coisa, diretamente ligada a gestão de futebol no Paraná daqui para frente. É mais importante contar com Ricardinho no clube do que cobrá-lo tão já por resultados. No futebol tudo é possível, mas a reconstrução do clube passa até pela compreensão de resultados ruins no início do trabalho. Mesmo que seja uma derrota para o Cincão.

Os rumos do Coritiba

Vilson Ribeiro, no EC; ao fundo Marco Pires e Gerson Dall'Stella

Tive a oportunidade de gravar dois programas hoje com o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade: o Entrevista Coletiva (ao lado de José Wille, o editor do Band Cidade Marcelo Bianchini, o jornalista Marco Pires e Gerson Dall’Stella, colega de Jogo Aberto Paraná) e um JAPR especial de fim de ano. Foi uma aula de gestão, coerência e principalmente, otimismo.

Vilson não foge de nenhum assunto. É direto e passa uma transparência rara no mundo do futebol. Mudou o Coxa em 2 anos e agora entrará no 3o. como presidente de fato. Enfrenta um problema de saúde com coragem e força impressionantes; passou por uma delicada cirurgia há 15 dias e enfrentou a maratona de gravações em dois estúdios diferentes como se estivesse com 18 anos.

O programa vai ao ar no domingo, 7h30 da manhã, com reprise à meia-noite. Falamos muito de gestão, rivalidade, orçamento, torcida, sócios e da vida pessoal dele. Vale a pena ver.

Mas vamos ao que mais interessa a você, torcedor: notícias sobre o time. (N.E.: Os temas abaixo não necessariamente estarão no Entrevista Coletiva, que tem mais material inédito. Acorde cedo, rapaz!)

Pré-temporada:

Será novamente em Foz do Iguaçu. O time embarca no dia 06/01 e não volta antes do jogo contra o Toledo, dia 22. “Deu sorte ano passado”, brincou o dirigente, que explicou a opção: “Ficaremos em um hotel 5 estrelas. Demonstramos assim aos jogadores que chegarem que temos força e grandeza. E vamos ganhando a simpatia da região”.

Reforços:

Júnior Urso não acertou, mas isso deve ocorrer na segunda-feira. O Avaí tem uma dívida com o Coritiba e como os direitos são do time catarinense, o acerto pode vir com o ingresso do jogador no Coxa. Urso disse a amigos que já está vendo apartamento em Curitiba.

Já Lincoln depende de uma costura maior. O problema está no salário. O Coxa deve propor pagar uma parte e oferecer verba em marketing de outra. Lincoln tem grande cotação na Alemanha, onde foi ídolo do Schalke 04, e pode viabilizar a contratação numa negociação – guardadas TODAS as proporções – no estilo Ronaldo x Corinthians.

O Coxa ainda estuda trazer um zagueiro do futebol argentino. VRA não abriu o nome nem sob ameaças de ter tomar o café gelado feito por Gerson Dall’Stella. Brincadeiras a parte, VRA disse que “não posso atrapalhar as negociações”, e que ainda têm na Argentina a possibilidade de buscar um volante. O meia cotado anteriormente, que seria Cláudio Yacob, do Racing, está descartado.

Caio, atacante do Botafogo, nas palavras de Vilson: “Não tem a menor possibilidade. É boato.”

Marcos Paulo, volante que estava no Avaí, volta para o clube em 2012.

Saídas

VRA foi categórico em afirmar que Willian, volante cotado para reforçar a Fiorentina, não sai. “É jovem ainda e tem muito potencial. Vai ficar”.

Já sobre Leandro Donizete… “Olha, tem propostas do Inter e do Atlético-MG. Vamos esperar para ver o que é melhor.” Donizete chegou ao Coxa indicado por Dorival Jr., hoje técnico do Colorado. VRA não confirmou, mas eu arrisco a dizer que deixará o clube.

Planos

O Coritiba deve iniciar a construção de hotel e bases no novo CT em Março.

O novo fornecedor de material esportivo irá abrir ao menos duas lojas em bairros identificados com o Coxa na cidade. Uma pesquisa da Paraná Pesquisas irá apontar em que regiões o clube é mais popular.

Os ingressos terão majoração em 20%, como já anunciado.

Saúde

“Estou bem. Passei por uma delicada cirurgia, mas estou me recuperando. Sou forte e sempre enfrentei batalhas, essa é mais uma. Sou grato a família, ao Coritiba e aos amigos”, disse, emocionado, ao falar do câncer no intestino.