Luis Carlos, sobrevivente da queda em 2011, reencontra o Arapongas

Vinte e três de abril de 2011. Um dia que todo paranista gostaria de esquecer – mas que, como toda lição na vida, é importante lembrar. Certamente o momento mais difícil da história do clube. Ao empatar em 2-2 com o Arapongas, em casa (vídeo do Notícia FC abaixo), o Tricolor era rebaixado para a segunda divisão estadual, pela qual jamais havia passado – nem mesmo quando surgiu, em 1989, quando herdou uma das vagas de Colorado e Pinheiros na elite paranaense para 1990.

Dois anos depois, Paraná e Arapongas se reencontram. Agora, a situação é outra: o Tricolor voltou a ser postulante ao título, podendo se garantir na final se vencer o turno; o Arapongas, time bem sucedido nas últimas temporadas, anunciou que deve fechar as portas ao final da temporada.

 

Um dos poucos sobreviventes da queda traumática é o goleiro Luis Carlos. Aos 25 anos, seis deles dedicados ao Paraná, o jogador nascido em Curitiba esteve nas cinco primeiras partidas daquele campeonato. Depois, foi emprestado ao Ypiranga-RS, pelo qual chegou a fazer a semifinal do Gauchão 2011 contra o Grêmio, sendo eliminado. Voltou a tempo de ver a queda paranista com Thiago Rodrigues no gol, um colega que também seguiu no Tricolor após o rebaixamento. Titular da equipe mesmo com o retorno do ídolo Marcos, Luis Carlos bateu um papo comigo na manhã deste sábado, sobre as mudanças no clube e as histórias desses dois anos.

Luis Carlos: “Hoje a gente tá muito bem” (Foto: Divulgação)

O que mudou no clube de 2011 pra cá?

Luiz Carlos – Com a nossa queda, a diretoria se conscientizou e viu que tinha que trazer jogadores mais experientes. Naquele tempo tinha muita molecada. A gente acabou caindo. Em 2012 já foi diferente. A gente começou mesclando jogadores, com o Lucio [Flávio, meia] e o Anderson [zagueiro], dando uma base boa. E em 2013 a gente manteve uma base e estamos fazendo um bom campeonato. Tanto na zaga quanto no meio, tá muito bem. É isso aí, os caras se conscientizaram e a gente tá bem agora.

Mas muitos dos dirigentes daquele ano ainda estão no clube. Mudou o que?

A convivência… olha, o Paulão [Paulo César Silva, vice-presidente], o Celso [Bittencourt, superintendente geral], o pessoal continua o mesmo. Eles sempre procuram dar o máximo deles. O que aconteceu tá no passado. O Paraná tem muitas dividas. Eles tão dando o máximo, mas é difícil. Agora mesmo, teve o caso do Thiago Neves, o empresário dele entrou na Justiça, o Paraná vai ter que pagar 9 milhões. Mas o ambiente é o melhor possível. O que eles tão fazendo é o que eles podem.

Uma coisa que sempre pareceu de fora é que, mesmo com os problemas, os jogadores parecem muito unidos. Afinal, até greve vocês mobilizavam…

Que nem eu falei, o pessoal que chegou, os mais velhos, sempre procura orientar a gente pra fazer a greve, porque é um direito nosso. A gente fazia, às vezes não treinava, não concentrava e ia direto pro jogo. Mas eles [a diretoria] foram se conscientizando. E deram uma posição pro pessoal mais velho que acabou ficando esse ano.

Que posição foi essa?

O pessoal acredita no Paraná, no presidente, nos caras. Eles propuseram um monte de coisas, espero que eles cumpram. Tenho certeza que vai ser um bom ano. Por alguns detalhes a gente não tá na liderança. O pessoal mais velho topou ficar porque o presidente [Rubens Bohlen] disse que ia por a casa em dia e tá cumprindo.

Você já estava no Ypiranga quando o time caiu. Como você recebeu a notícia?

Eu já tava em Curitiba e não pude ir no jogo porque tinha que resolver uns negócios do Ypiranga ainda. Mas foi triste. Cair é complicado. Mas faz parte do futebol. E graças a Deus a gente conseguiu subir invicto [Nota do Blog: na verdade, o Paraná perdeu 2 jogos, para Grêmio Metropolitano (2-5) e Serrano (0-1) já quando havia conquistado o título e o acesso]. Até o Palmeiras caiu, isso faz parte.

Mas o calendário e a sequência de jogos não era moleza.

Era complicado. O Ricardinho fez um excelente trabalho conosco. Teve que montar dois times pra jogar o Paranaense. Jogava quarta, sexta, domingo, terça. Aí veio a Copa do Brasil, a Série B… foi complicado. Mas foi um ano vitorioso, principalmente pra mim. Eu vinha jogando uma, duas vezes por ano e fiz mais de 40 jogos.

E agora, bem diferente dos últimos anos, o time está na briga para ser campeão. Mas já sem os confrontos diretos.

Tem que continuar secando o Coxa, o Jotinha. É torcer pro Atlético fazer uma graça (risos). Contra o Jota o juizão complicou a gente… mas faz parte do jogo. Eu acredito que ainda dá. O Coritiba pega o Atlético e o Londrina. E nós pegamos Arapongas, Cianorte e ACP. Acho que se a gente ganhar os 3, tem chance ainda.

E esse jogo contra o Arapongas, tem gosto de revanche?

A maioria de quem tava aquele ano já saiu. Tem eu e o Thiago. É bom que nem toquem no assunto (risos). Já passou, bola pra frente, vamos esquecer. Vamos jogar amanhã (domingo, 16/02) e ganhar do time que nos derrubou.