Copa 2014: 5 músicas para que os gringos conheçam o Brasil

Amigos, Feliz Ano Novo! O Carnaval passou e, apesar de ano de Copa e Eleições, como de hábito, o ano vai começar (para alguns, claro, por que o meu já tá rolando há algum tempo).

Nariz de cera* a parte, ainda no ritmo da folia, o blog se propõe a explicar como funciona o País aos estrangeiros que virão ao Brasil, através da música. Afinal, o Brasil é o país dos ritmos e das cores, certo? Nada mais justo que o torcedor-turista entenda como funciona a Pátria Amada por intermédio de nossos artistas.

#5 – Gerasamba – “Melô do Tchan”


 

Pau que nasce torto, nunca se endireita. Então, segura o tchan, paim. Do not understand? É simples: começou errado, vai terminar errado, então segure as pontas e vamo que vamo. Jérome Valcke alertava que o Brasil precisava de “um chute no traseiro” – e todos nos entendemos. Mas, há 99 dias da Copa, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Manaus ainda não entregaram seus estádios. Vão entregar, tenho certeza. Mas será em cima do laço, com as mazelas que todos já estão carecas de saber. Aeroportos e estradas não estão aquele show prometido e sabemos que os visitantes vão sofrer para circular pelo País. Mas, enfim, a Copa está aí. Então é segurar o tchan com o que temos.

#4 – Legião Urbana – “Que País é Esse?”


 

Beber cerveja nos estádios é proibido, mas durante o evento Fifa, todos os “males” são curados e estará permitido. Depois, só o Judiciário Deus sabe. Evidentemente que todos condenam os desvios de verbas e superfaturamento, mas azar do caixa da padaria que não viu que a nota era de R$ 20 e sim de R$ 50. Os políticos são todos corruptos, mas deixa eu ficar aqui quietinho no meio da fila pra dar uma furada e ganhar tempo; não sou trouxa, afinal. Pra que cobrar o preço justo, honesto, se os gringos virão aqui e podem resolver nossas vidas? Então inflacionemos os preços e não percamos a chance de faturar. A Adidas lançar uma camisa temática da Copa com um coração invertido alusivo ao bumbum das brasileiras é um absurdo, mas andar com peitos de fora e micro-tapa-sexo no Carnaval é supernatural – sem contar o que rola na TV ao longo do ano. Em 1987, a Legião Urbana já perguntava “Que País é Esse?” e 27 anos depois ainda não sabemos a resposta para as nossas incoerências. Ou melhor: sabemos, mas… pra que mudar, se é mais fácil culpar a Fifa ou qualquer outro?

A camisa "polêmica"

#3 – Vários – “Lepo Lepo”, “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tchá”, “Tchê Tchê Rere”

O que todos esses gênios da poesia artistas têm em comum? A simplicidade em resumir em poucas sílabas a intensidade sexual que aflora em todo o País. Sons fáceis de se repetir, que qualquer neném de 3 anos consegue cantar. Tchum, Tchê, Tchá, Lepo… amigos, se vocês não entenderam ainda, é tudo a mesma coisa. Sem o requinte de um Vinícius de Moraes, mas com aquilo que o gringo quer ver ao pisar no País do Futebol. Apesar de ser difícil entender a relação entre essa liberdade sexual e a preocupação com a exploração de nossas mulheres e principalmente crianças (sobre como compreender o Brasil, ver item #4). Aliás, deixo o Israel Novais explicar melhor essa relação com as “novinha” em mais um sucesso da geração monossilábica:
 

#2 – Falcão – “Só É Corno Quem Quer”


 

Muito bem, tem muita coisa errada aí, mas o Brasil continua vivo e pulsante, até mesmo quando sai pra rua protestar mesmo sem saber direito por quem (não por que; por quem). Mas esse papo de interesses eleitorais na Copa é pra outra hora. Ou não. Falcão já ensinava que só é corno quem quer. Logo, para mudar isso aí que você não está gostando, basta… mudar. Comece por você, com pequenas atitudes dentro de casa, por exemplo. Pode (deve) levar também para as urnas, em Outubro. Ou, se preferir, use o método de vingança sugerido pelo cantor, o que aliás é o que tem acontecido mais nessas bandas. 

Bônus Track: ainda de Falcão, não deixe de ouvir “Black People Car”, apenas pelo simples prazer de.
 

#1 – Raul Seixas – “Aluga-se”


 

Mestre Raul “Rock” Seixas previu. Ele tinha razão. 

A solução estava aí, aos nossos olhos e a Copa 2014 será um belo projeto piloto disso. Não, agora não há nenhuma ironia. Tenho total e plena confiança numa super Copa do Mundo aqui no Brasil, dentro de campo. Teremos (belos) estádios cheios, grandes jogos, um espetáculo aos olhos do Mundo proporcionado pela empresa que melhor sabe vender isso. Quem aqui não se apaixonou pela África do Sul? A Fifa sabe vender como ninguém e vai mostrar isso, pode ter certeza. Passada a Copa, muita gente vai exaltar o País como uma terra bonita, de povo festivo, embora muitos possam tentar estragar o que houver de bom indo às ruas com um delay de 7 anos. O que será feito disso depois da Copa é uma incognita. Mas, com um sertão árido esperando por uma nova Las Vegas, com o Uruguai mostrando que legalizar a maconha pode diminuir criminalidade e trazer recursos para o governo, entre outros exemplos nas áreas de saúde, tributação e educação espalhados pelo Mundo, devemos perguntar: se o País não aprende com exemplos e executa com suas forças, por que não seguir Raul e tocar essa ideia?

*Nariz de cera: jargão jornalístico para enrolação.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/09/2012

“Futebol Paranaense Forte”

Meu Amigo Pedro*

O título dessa coluna vinha impresso nos ingressos da FPF na minha infância. Era uma demonstrar a vontade de evoluir que os clubes paranaenses tinham. Até então apenas um título nacional de elite, o do Coritiba em 1985. Pouco, muito pouco. E Séries B e C a parte, melhorou pouco até os dias de hoje. Como explicar que um Estado com o 5º maior PIB do Brasil, uma capital maior que Porto Alegre, pode estar tão abaixo dos quatro acima? É Pedro, as coisas não são bem assim.

“A rodada foi histórica para o futebol do Paraná”

Foi a partir de uma série de comentários de colegas sobre o desempenho dos paranaenses na rodada do feriado passado que comecei a pensar: como assim, histórica? Negativo. A frase, oriunda das quatro vitórias de Coritiba, Atlético, Paraná e Cianorte (da A pra D, ok?) é puro POPULISMO. Isso mesmo cara pálida, populismo e dos baratos. Cada clube tem sua realidade, são concorrentes de mercado, ganhou apenas por si. A hipocrisia do “todos contentes” só serve pra mascarar a eterna mania de puxar o tapete do vizinho. Histórico mesmo seria um movimento por um campeonato estadual com menos datas e mais rentável. Seria ver os clubes unidos para que a Série Prata deste ano fosse antecipada e o retorno da Copa Sul; seria ver a Federação tomar partido pelos clubes na Copa do Brasil e na Libertadores, onde uns podem algumas coisas, outros não. Deixar de usar o futebol só como trampolim político. Ver o aluguel de um estádio ao rival para faturar, com ações de marketing que se alimentam da rivalidade. Dar apoio ao Cianorte para abrir mais uma vaga nacional – coisa que em São Paulo, o Mogi Mirim terá. Seria ver o futebol paranaense sério, trabalhando para render a Copa do Mundo, e não menosprezando e até contra o maior evento do futebol mundial.

Rivalidade, inteligência, construção

Nunca, em nenhum espaço de mídia que ocupei nesses 11 anos de carreira, preguei campanha para que o torcedor torcesse para o rival. Rival é rival. O que deve haver é uma compreensão do negócio futebol e a briga conjunta por interesse comuns fora de campo. Leio no blog do brilhante Leonardo Mendes Jr. (que trabalha no concorrente, mas e aí? Não é disso que estamos falando?) que o Paraná Clube espera as mesmas benesses do Atlético para deixar a Vila em condições de uso para a Copa. Ótimo, apoiado. Mas que o Tricolor não espere sentado e apontando o dedo. Onde está o projeto e o que pretende reivindicar a diretoria paranista? Há prospecção de seleções? Isonomia é para iguais: se há um projeto apto e consistente, rentável e de evolução, os direitos têm de ser dados. Senão será apenas um capítulo do “eu quero também, mas não sei como nem por quê.” Cresce, futebol paranaense.

*Meu Amigo Pedro, música de Raúl Seixas que diz, entre outras coisas, que é fácil criticar; difícil mesmo é ser.