O time dos candidatos em Curitiba

De cima para baixo, em sentido horário: Gustavo Fruet no Couto Pereira, Ratinho Jr com a camisa dos Fanáticos, Luciano Ducci recebendo a camisa do Paraná e Rafael Greca, vestindo verde: diferentes times e maneiras de torcer.

Qual o time dos candidatos à prefeitura de Curitiba?

O blog responde a curiosidade e também alerta: é apenas curiosidade. Nessas eleições não defina seu voto pela preferência futebolística do seu candidato, seja para prefeito, seja para vereador.

Muitos eleitores embarcam nas velhas promessas de apoiar o esporte enquanto candidatos cativam o eleitorado por vestirem cores similares. Política e futebol (e religião também) se discutem e se misturam, mas nunca a escolha de um time ou religião deve ser a base de um voto. Lembre-se que você poderá pagar caro e por pelo menos 4 anos por uma escolha errada.

Dito isto, vamos as respostas:

Luciano Ducci: É paranista e corintiano. Sempre se manifestou como torcedor tricolor, mas recentemente, quando da decisão da Libertadores, admitiu preferência pelo Corinthians publicamente, via Twitter. Como boa parte dos curitibanos da velha guarda, torce para dois times – fruto da época em que o futebol local era insipiente. Se é Paraná por ter origem no Colorado ou Pinheiros, não declarou.

Rafael Greca: Raramente se manifesta acerca de futebol, mas é coxa-branca declarado. Recentemente, em um debate, pediu o voto dos atleticanos, “mesmo sendo coxa”; antes, quando Ministro do Esporte, se disse isento: “Sou Coritiba, mas aqui sou Ministro, não tenho time.”

Ratinho Júnior: Divide-se entre o Atlético e o Palmeiras, time do pai, Ratinho. O deputado sempre declarou preferência pelo Furacão no Paraná, mas com origem no norte do Paraná, que tem influência forte dos paulistas, torce também para o Verdão. Como curiosidade, na foto que ilustra o post, está acompanhado do também deputado Stephanes Jr., coxa-branca declarado – ali, vestindo a camisa atleticana.

Gustavo Fruet: De todos, é o que parece mais ligado ao futebol. É coxa-branca, assim como o pai, o ex-prefeito Maurício Fruet, já falecido. Fruet cresceu em Curitiba e por várias vezes já se manifestou na torcida pelo Coritiba.

Bruno Meirinho: Não gosta de futebol, como todo comunista convicto.

Carlos Moraes: É atleticano. Embora não tenha declarado isso no Candibook da Gazeta do Povo, demonstrou preferência pelo Rubro-Negro em um debate na ÓTV.

Alzimara Barcellar: Declarou não torcer para ninguém.

Avanílson Araújo: Mineiro de Governador Valadares, é cruzeirense.

 

Copa 2014: análise do debate dos candidatos a prefeitura sobre o tema

Clima de eleições e o prefeito a ser eleito carregará a marca de ter sido o “prefeito da Copa em Curitiba.” Marca que todo político quer para, através do esporte, propagar-se como benfeitor público. Ser prefeito é mais que isso, claro. E a Copa também. O blog, como de praxe, não se omite e apresenta uma análise do que foi visto na TV sobre o tema.

Estigmatizada em Curitiba como se fosse um evento ruim, a principal competição esportiva do Mundo foi debatida pelos candidatos a prefeitura numa ótima iniciativa da ÓTV, canal fechado da RPC – parabéns a Marcelo Dias Lopes e toda equipe. É papel da imprensa debater os principais temas da cidade e, apesar de ter sentido falta de alguém mais ligado à editoria do esporte da emissora, Herivelto Oliveira conduziu bem o debate. Que, infelizmente, ficou um pouco esvaziado.

Isso porque três dos candidatos cancelaram a participação em cima da hora – segundo a emissora, chegaram até a se reunir para determinar as bases do debate. Uma pena para Luciano Ducci (PSB) que concorre à eleição e chegou a dizer que sonha em ser o “prefeito da Copa”; demonstrou interesse zero na hora errada.

Ruim também para Ratinho Júnior (PSC), que atirou a esmo para ser populista e acertou no Atlético, acusando o clube de falta de transparência na condução do empréstimo do BNDES, cujos termos são públicos. Poderia ter se explicado melhor.

Também nada legal para Gustavo Fruet (PDT), notório torcedor do Coritiba, que poderia manifestar-se acerca de suas ideias para o Mundial como amante do esporte e membro ativo da comunidade política, questionando muita coisa que desagrada até mesmo a si, como torcedor, na condução do projeto.

Os candidatos que estiveram presentes (e mais duas participações via entrevista dos postulantes sem representatividade no congresso) debateram variados temas. Abaixo, a análise da participação de cada um, na visão do blogueiro, ordenados por qualidade nas participações.

Comente você também, no espaço abaixo, e assista ao debate clicando aqui para ter suas próprias impressões.

Alzimara Bacellar (PPL)

Com uma participação relâmpago, foi fantástica, respondendo espontaneamente com simplicidade e objetividade o que nenhum outro candidato fez antes de ser provocado: um projeto para a Copa em Curitiba. Propôs a construção de um sistema educacional que atenda trabalhadores, capacitando-os em línguas, hotelaria e turismo, para aproveitar o contingente de visitantes durante o evento.

Rafael Greca (PMDB)

Ex-prefeito de Curitiba, Greca foi bem no debate sobre a Copa 2014 na cidade. Mostrou conhecimento ao contestar a ideia de que Potencial Construtivo seria dinheiro público (se disse co-criador do sistema), mas fez válida ressalva sobre o inchaço da quantidade de papéis no mercado, o que poderia provocar desequilíbrio no zoneamento urbano de Curitiba. Cobrou contrapartidas do Atlético, beneficiário do sistema e parceiro da cidade no evento, tais como a criação de um espaço de desenvolvimento esportivo público anexo ao estádio (o projeto prevê isso e a construção de uma escola pública no CT do Caju). Reconheceu a importância do evento, mas lembrou que a Copa não é a tábua de salvação da cidade. Discutiu ainda cada ponto de investimento via Copa de mobilidade urbana, tais quais os eixos de transporte. Prometeu investir R$ 1 em saúde, segurança e outros, para cada real investido na Arena. Coxa-branca histórico, Greca evitou o clubismo e até brincou, dizendo que também quer o voto dos atleticanos.

Carlos Morais (PRTB)

O jornalista, que militou ao lado do ex-governador Roberto Requião na TV Educativa durante o período de indicação de Curitiba para a Copa, preferiu fixar-se em um projeto de comunicação para o turismo no Mundial, através de folders. Mostrou-se contrário a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos e explicou que se trata de uma filosofia – cada sede regional terá opção para decidir a favor ou não da venda, mas a FIFA, patrocinada por uma cervejaria, pressiona para que todas adotem a prática. Lamentou a realização de apenas quatro jogos do Mundial na cidade e criticou a gestão dos orçamentos das obras da Copa, colocando em xeque os valores divulgados. Cobrou bem a construção de outros centros esportivos espalhados pela cidade além da Arena, citando também a Vila Capanema como exemplo de agente beneficiário futuro dos incentivos da prefeitura.

Bruno Meirinho (Psol)

O mais jovem candidato a prefeitura mostrou-se despreparado para o tema. Partiu para o populismo ao afirmar que os recursos deveriam ir para casas populares, esquecendo-se de que a cidade que os recebe só o faz porque é sede do Mundial, no projeto nacional da Copa. Fez o mesmo em relação ao Potencial Construtivo e ainda minimizou a importância de ações durante a Copa. A melhor participação foi quando fez jus aos conceitos socialistas e bradou (justamente) contra a aprovação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios por imposição da FIFA, o que demonstra o controle da entidade sob a soberania nacional. Ainda questionou supostos acordos nas cúpulas do Governo, para beneficiar-se dos recursos de eventos como Copa e Olimpíada. Propôs um plebiscito sobre a Copa, mas não explicou qual é a discussão a ser votada. Seria retirar a candidatura da cidade?

Avanílson Araújo (PSTU)

Criticou a vinda da Copa ao Brasil e foi o primeiro a tocar no tema no tema das desapropriações, ignorado até então, mas pelo pouco tempo, não conseguiu aprofundar. Disse ser contra a realização do Mundial no País – um posicionamento válido porém tardio e ineficaz para o que se apresenta.