‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

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Mercado & torcidas, parte I: ainda há muito a fazer

A Pluri Consultoria, empresa curitibana de marketing, gestão e negócios em esportes, divulgou ontem um relatório feito a partir de uma pesquisa de janeiro deste ano, em 144 cidades do Brasil, com 10.545 pessoas, para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País. A margem de erro é de 2,4%.

A pesquisa logicamente também dá uma dimensão do tamanho das mesmas.

Olhando para o nosso quintal, diante apenas do primeiro relatório (outros dois serão divulgados nos próximos dias e terão análise aqui no blog) ainda há muito a se fazer. A tabela a seguir apresenta os números brutos da pesquisa:

Os números são próximos da última pesquisa divulgada, ainda em 2008, pela Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo. Mas não são o foco da discussão: há algo que deve ser olhado com mais atenção pelos clubes paranaenses em relação ao nosso mercado.

O primeiro susto também deve ser encarado como uma oportunidade: dos 10 estados mais ricos da federação (SP, MG, RJ, RS, PR, GO, BA, PE, SC e CE) o Paraná é o que apresenta o menor número de pessoas que gostam de futebol:

Nada menos que 1/3 da população paranaense não se importa com o esporte mais popular do País. Para entender porque o Rio Grande do Sul, cuja capital hoje é menor que Curitiba, tem mais força no cenário nacional esportivo, é fácil: 90% dos gaúchos gostam de futebol. Até mesmo Goiás e Ceará, estados que nunca viram seus clubes vencerem nenhum campeonato nacional da primeira divisão, tem melhor índice que o Paraná.

Mas há algo ainda mais preocupante: dos 67% dos paranaenses que gostam de futebol, a maioria gosta dos clubes de fora.

Nada menos que 64,4% dos paranaenses apoiam uma equipe de fora do Paraná como clube do coração. O Paraná fica apenas à frente de Ceará e Santa Catarina no quesito. Novamente, vale o comparativo com os vizinhos gaúchos: apenas 2,8% dos residentes no Rio Grande do Sul torcem para outra equipe que não seja gaúcha. Isso demonstra o potencial mercadológico que as marcas têm em apostar no mercado local. A já citada pesquisa Paraná Pesquisas/Gazeta do Povo de 2008, uma das mais completas feitas por aqui já apontava o Corinthians como maior torcida do Paraná, com 12,45%, a frente do Atlético, segundo colocado, com 9,56% .

Para os paranaenses, a pesquisa serve como alerta. Se os clubes do Estado estão distantes ainda de paulistas e cariocas, é necessário mirar em cima e tentar se aproximar de gaúchos e mineiros. O Paraná é o quinto estado no ranking da CBF, logo a frente de Pernambuco e Bahia. É evidente a necessidade de boas campanhas dentro e fora de campo para fazer com que os paranaenses que não gostam de futebol passem a gostar; e os que adotaram um time de fora, criem simpatia aos locais.

O relatório traz outro estudo interessante: a penetração dos clubes em outras praças:

Dos paranaenses, o Atlético é o clube que tem mais torcida em outros estados: 9% do seu contingente. É um número considerado razoável se comparado com outros concorrentes diretos; dentro do eixo, o Atlético-MG é o clube que tem o menor índice fora de seus domínios, o mesmo do xará paranaense. O Furacão ainda comove mais pessoas fora de sua terra do que Bahia, Sport, Vitória e Santa Cruz.

O Coritiba aparece com 6% de sua massa espalhada em outros estados brasileiros. É metade do índice do Cruzeiro longe de Minas Gerais, mas também é mais do que conseguem os times de Bahia e Pernambuco. Já o Paraná Clube tem toda a sua torcida estimada no próprio estado.

Talvez pela característica migratória do seu povo, talvez pelas conquistas e feitos das suas equipes, os gaúchos Internacional e Grêmio são bem representados longe do Rio Grande do Sul (onde, como visto acima, dividem cerca de 98% da população entre si e outros menores da terra, como Caxias, Juventude, Brasil de Pelotas, etc.). O Grêmio tem 27% de seus simpatizantes fora do RS, enquanto que o Colorado conta com 24%.

Mas nem tudo é tão ruim para os paranaenses: Coritiba e Atlético, pela ordem de tamanho, estão entre os maiores parques associativos do Brasil (19 e 17 mil sócios, aproximadamente, segundo as assessorias).

Amanhã, a Pluri Consultoria divulgará a segunda parte do estudo, com dados sobre a estimativa de renda de cada uma das 30 torcidas citadas no relatório. O blog trará nova análise.

Copa 2014: Atlético escolhe construir Arena por conta – Reportagem #0

A partir desse post pretendo iniciar uma série de discussões em torno do Mundial de 2014 em Curitiba. Os temas são os mais polêmicos possíveis: a quem interessa a Copa no Brasil? A Copa é do Atlético ou da cidade de Curitiba? O Atlético jogará no Couto Pereira? O Potencial Construtivo é ou não dinheiro público? Como Coritiba e Paraná se beneficarão com o Mundial? Curitiba ainda receberá a Copa das Confederações? Dá tempo de terminar o estádio?

Como você viu, assunto não falta.

Desde o começo, como homem público e de mídia, minha postura foi pró-Copa em Curitiba. Entre o projeto do ex-deputado cassado Onaireves Moura e o estádio semi-pronto do Atlético, entendendo o avanço que o Mundial pode trazer a nossa cidade, fiquei com o segundo. O custo era menor, o tempo menor e, por consequência, os benefícios maiores. Evidentemente, as coisas não correram 100% dentro do previsto: a obra atrasou, a discussão tornou-se clubística – é inegável que o Atlético ganha com a Copa. Como se posicionar então? – e outras mazelas que um tema dessa importância oferece, mas que não deveriam ser tão impeditivas para um grande avanço.

Durante meu período na Gazeta do Povo conversei com especialistas em todas as áreas envolvidas. E a partir deste post, vou reacender o debate, procurando trazer mais luz a discussão aqui no blog e também no Jogo Aberto Paraná. Vou tentar esclarecer as dúvidas do principal interessado: o cidadão, pouco importa o time que torça. Por isso, convido você a participar comigo dessa.

A reportagem #0 é o pontapé inicial da discussão e, paradoxalmente, é também a definição que mais atrasou: a escolha de como o Atlético terminará a Arena. O vídeo abaixo foi exibido no Jogo Aberto Paraná e é, por ora, de interesse maior dos atleticanos. Mas certamente interessa a coxas, paranistas, operarianos e qualquer um que se importa em saber se o Mundial é ou não benéfico à cidade e ao Estado. A partir do #1, que procurarei postar até o final de semana, vamos levantar algumas discussões.

E quem sabe, ao final da série, termos ao menos um entendimento mais claro do evento que vai mexer com a cidade que vivemos.

Confira a reportagem #0:

Acompanhe o Jogo Aberto Paraná de segunda a sexta 12h30 na Band Curitiba!

Entre as maiores

Coritiba e Atlético, pela ordem, estão entre as cinco maiores torcidas do Brasil após 8 rodadas no Brasileiro. Confira:

1 – Bahia – 28.067 torcedores por jogo
2 – Corinthians – 23.572
3 – Flamengo –  20.689
4 – Coritiba – 16.238
5 – Atlético – 15.422
6 – Grêmio – 14.775
7 – Atlético-MG – 13.469
8 – Inter – 13.180
9 – Palmeiras – 11.412
10 – Ceará – 11.276
11 – São Paulo – 11.020
12 – Botafogo – 10.143
13 – Vasco –  9.046
14 – Figueirense – 8.133
15 – Cruzeiro – 7.765
16 – Fluminense – 6.823
17 – Atlético-GO – 6.580
18 – Santos – 4.851
19 – Avaí –  4.200
20 – América-MG – 3.675

Os números estão no site oficial da CBF. O Coxa fez cinco jogos em casa; o Furacão, três.

Ambos também estão entre os cinco maiores parques associativos do País (Inter, Grêmio e São Paulo completam a lista). Mas isso é assunto pra outro post, já em fase de apuração.

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