A decisão do Ministério Público e o que ela significa

No final da tarde desta terça-feira o MP-PR finalmente publicou oficialmente o que pensa sobre o Atletiba 349 para uma só torcida. E, numa daquelas decisões que só vemos no Brasil, reconheceu o contraditório, mesmo fechando com a ideia de limitar o acesso à Vila Capanema. Confira uma imagem editada da publicação e, ao clicar nela, o ofício original:

Ao admitir que rasga o Estatuto do Torcedor para cumprir o desejo dos clubes, o MP, também amparado pela PMPR, se torna incoerente e pode arrumar mais trabalho para si próprio. Qualquer torcedor que se sinta alijado do seu direito de acompanhar o jogo pode acionar o próprio MP, que terá que responder pela decisão. O Estatuto é soberano e é por isso que o Ministério Público fez questão de ressaltar o que vem a seguir (também editado; para ler o original, clique na imagem):

Os ingressos que seriam reservados a torcida visitante (no caso, a do Coritiba) terão que estar disponíveis. Não podem ser comercializados pelo mandante, o Atlético, nem mesmo com a definição de que a torcida visitante não vá ao estádio.

A reserva tem cunho técnico: se você, torcedor, ingressar ainda nessa quarta com uma ação no próprio MP do Consumidor, poderá ter acesso ao estádio. É claro, terá que contar com a agilidade do sistema e uma boa dose de paciência. Mas o MP não pode, por mais que queira, contrariar a lei. É por isso que essas reservas são feitas no documento oficial.

Que, aliás, não reserva nada sobre a mesma medida para o segundo turno. Em contato com o departamento jurídico do Coritiba, apurei que o clube espera o fim do plantão de carnaval do MP, amanhã 12h, para receber um documento oficial que garanta no mínimo a isonomia nas ações quanto às torcidas. O Coxa quer um documento como o exemplificado acima, assinado pelo MP, de que não só o Atletiba do turno, mas também o do returno, terá a mesma medida.

Hoje as partes contam apenas com a palavra uma das outras. O que mudou por diversas vezes desde a reunião de sexta, ao ponto de que só se soube na segunda de manhã a nova postura do MP quanto ao caso, cedendo à idéia do presidente do Atlético, Mário Celso Petraglia.

Que não foi o único a aceitar a condição, ressalte-se. Mas isso já foi discutido no post abaixo.

 

Debate: violência e torcidas

Em um dos especiais de final de ano, o Jogo Aberto Paraná debateu a violência no futebol. A participação das torcidas organizadas nas brigas, o controle – ou descontrole – emocional motivado pelo futebol, a ação e métodos da polícia e a compreensão do tema foram debatidos no programa, que contou com a presença do historiador Luiz Carlos Ribeiro, mestre da UFPR, e do capitão Márcio Maia, da PMPR.

Acompanhe o debate e opine mais abaixo!

Opinião:

A principal arma da democracia contra a violência é o debate de idéias. É a partir da compreensão dos nossos problemas que podemos entender necessidades e resolver as questões. Esse espaço se propõe a isso, diariamente.

Estamos vivendo uma época de debate intenso e acalorado sobre a possibilidade de mando de campo do Atlético no Couto Pereira. Em meio a muitas opiniões apaixonadas, confesso que me surpreendi com a resposta dos leitores do blog sobre o tema do post abaixo: supondo que a FPF requisite via Justiça o Couto para que o Atlético jogue, os Atletibas deveria ter torcida única? O tema, provocativo e diante de uma suposição ainda pendente na justiça, teve maioria de resposta – a meu ver – positiva.

Setenta e dois por cento dos leitores acreditam que a tolerância e a convivência são os melhores caminhos e, por isso, os clássicos não devem ter torcida única; 28% são mais temerosos e acreditam que o controle da violência seria mais fácil com apenas uma torcida no campo.

O exemplo na resposta da enquete tem que ser posto em prática. A tolerância não deve ficar só no discurso: tem que ser exercida. Assim sendo, o debate deve se manter em alto nível, sem acusações ou ofensas, para que cheguemos a um denominador comum, pacífico.

Utopia? Talvez.