Reboot

A Gralha, “super-herói” paranista: vem aí novo reboot

O Paraná acaba de vencer o Asa por 2-0, jogando não muito diferente do que foi a temporada inteira. Melhor em casa do que fora, tomando sufoco em momentos, sendo insinuante em alguns. Venceu a maioria dos times de que era melhor e perdeu para aqueles que tinham mais time. Não à toa, é o 10o. colocado nesse momento, exatamente no meio da tabela, posição que não deve perder, tampouco avançar. Faltando um jogo para o fim da temporada, de fato, pouco disso importa. O Paraná vai repetir o que vem fazendo desde que Caio Júnior pegou o time e o levou à Libertadores: começar do zero.

Havia a esperança de que Ricardinho desse nova roupagem ao Tricolor. E deu, durante um tempo. Tornou o clube atrativo para alguns jogadores, que apostaram no projeto e, não nos esqueçamos, chegou a ir bem por um tempo, castigado por um calendário que arrumou pra si por incompetência e pelo abandono da FPF. Depois faltou fôlego. Faltou dinheiro, pra ser mais preciso. Cumpriu a principal missão, devolver ao Paraná o direito de disputar a elite paranaense – “feito” que atingiu o limite do inimaginável quando o clube caiu. Mas Ricardinho saiu expondo feridas que depois seriam comprovadas. De novo, o clube passou pelo vexame de ver jogadores em greve, manifestando em carta que eles e funcionários de outros setores estavam sem receber.

E lá vai o Paraná mais uma vez começar do zero. Conversei com Ricardinho recentemente. Ele demonstrou uma esperança de que Alex Brasil, diretor de futebol, conseguisse manter um padrão de organização instituído no clube. “Quando eu cheguei, o que mais tinha no departamento de futebol era empresário metendo o bico”, disse o ex-técnico e jogador. Talvez o Paraná tenha melhorado nisso, mas vive as mazelas de ser um clube pobre. Dívidas não são exclusividade do Paraná, mas clubes como Vasco e Flamengo tem maior atrativo para os atletas. Num país sério seriam poucos os clubes que poderiam jogar a Série A.

Pior para os jogadores, que ficam sem receber e sem a vitrine, já que seguem na Série B. O grupo atual aliás, criticado pela torcida, não merece metade das porradas que levou. Se falhou, foi muito mais por falta de bola do que vontade. Trabalhar sem receber é desonroso para ambas as partes: quem o faz se sente ofendido, mas quer manter a palavra. Quem não paga, fica com péssima imagem. Se é bem intencionado, é incompetente; senão, é picareta.

A expressão reboot vem do inglês, algo como “reiniciar”. É usada no universo do cinema e dos quadrinhos quando se querer apagar o passado ou uma história contada de algum personagem. A DC Comics, editora do Super-Homem, é craque em fazer reboots. Já zerou e recontou a origem de seus heróis inúmeras vezes. Uma grande saga, um vilão poderoso, um morte de herói aqui, um universo salvo acolá e, depois que os heróis derrotam o arqui-inimigo, bingo!, tudo zerado até que algum redator faça nova bobagem, como inventar um Superboy ou aleijar o Batman.

Da esquerda, em sentido horário: o Super-Homem original, o fim das Terras paralelas, uma nova zerada e mais um reinício: azul e vermelho em todas

A diretoria tricolor é um misto de gestões anteriores e gente nova. Não julgo intenção e sim resultados. Quem está no poder hoje ainda paga por erros do passado, mas tem sua parcela de culpa e mais: pouco crédito. Como convencer os (poucos) bons destaques desse time a ficar para 2013, sem ter pagamento de salários? Como mostrar que o Paraná é um clube viável depois de mais uma temporada esgotando os pedidos de desculpas? Pobre torcedor.

A nova realidade do futebol brasileiro, com cotas de TV desiguais entre os 14 grandes, segmentando até quem está na Série A, já está criando um seleto grupo de protagonistas. Corinthians, São Paulo, Fluminense e alguns outros poucos vêm se alternando nas conquistas. Aumentou-se o número de coadjuvantes. Botafogo, Atlético-MG e Coritiba, por exemplo, são campeões brasileiros que hoje aspiram competições como a Copa do Brasil. Falta fôlego para ir até o fim mantendo folha alta e competitiva. Que dizer então do Paraná, a quem hoje nem o papel de coadjuvante cabe? Quiça figurante, ora na A, ora na B. Vida bandida.

Na próxima temporada, novo reboot. Lá vai o Paraná juntar os cacos, montar um elenco às pressas, buscar soluções e renovar os créditos. Difícil sonhar com o Estadual, bom jogar a Copa do Brasil, melhor pensar em economizar para uma boa Série B. Se não subir, novo reboot pra 2014. Falta um redator melhor ou um Super-Homem para quebrar esse ciclo? Nos quadrinhos, é mais fácil recontar histórias. Na vida real, nem tanto.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 14/11/2012


Nunca antes na história deste País…

…a Série B esteve tão concorrida. O líder Goiás, com 74 pontos, foi o único que já garantiu vaga na elite brasileira. As pontuações de Criciúma, Atlético, Vitória e do São Caetano, que é quem estaria fora no momento, seriam suficientes para ascender qualquer uma das equipes em todas as temporadas desde que a Segundona passou a ser com 20 clubes em pontos corridos. Em 2007, quando o Coritiba foi campeão com 69 pontos, o Vitória subiu com 59; Em 2009, com o Vasco campeão, o Atlético-GO subiu com 65, dois a menos que o São Caetano. Mesmo vencendo em Criciúma, o Furacão não garantirá matematicamente a vaga se Vitória e São Caetano vencerem seus jogos, na rodada mais quente de todos os tempos na B. Por coincidência da tabela, os seis primeiros colocados jogam entre si, sendo que só o Joinville não tem mais chances de acesso. O Goiás deve ficar com o bicampeonato da Série B, mas certamente os outros três classificados poderão comemorar como se fosse título.

Férias de quem?

O resultado de 1-5 para o Corinthians na última rodada do Brasileirão rendeu uma série de críticas – as primeiras – para o técnico Marquinhos Santos no Coritiba. Foi uma atuação desastrosa sim, mas em partes motivada pelo pênalti duvidoso a favor do Corinthians no início do jogo. Com mínimas chances de rebaixamento, muito se falou de que o Coxa já estaria de férias em 2012. Avaliei melhor e discordo: hoje, o Coritiba estaria fora da Copa Sul-Americana. Aquela mesma que os clubes costumam desprezar na temporada seguinte mas que, aposto um dólar, vai passar a ser melhor vista com um possível título de São Paulo ou Grêmio nesse ano. Volto ao tópico anterior: se o Atlético conseguir o acesso sem a taça da B, poderá sim festejar como um título, muito embora fosse da natureza e do poder do clube tentar a taça. Simplesmente porque clube de futebol existe para ser campeão. Por que então pensar em férias para o Coritiba, se há um torneio internacional a se buscar? A Sul-Americana caminha para ser a Liga Europa das Américas, com os clubes de menor poder financeiro comemorando taças internacionais, premiando-se com a vaga na Libertadores. Não há férias no Coxa; houve desconcentração e uma jornada infeliz em São Paulo.

Reboot

Expressão americana para reiniciar, usada na indústria do cinema e dos quadrinhos quando se quer ignorar o passado de um personagem. A DC Comics, editora do Super-Homem, é expert nisso, tendo reinventado seu universo de personagens várias vezes. A diferença para o Paraná Clube é que a ficção ressuscita heróis, reconta a história como quer. Reiniciar, talvez desta vez não tão do zero como nos anos anteriores, é (de novo) a missão paranista, versão 2013. A começar por convencer os bons atletas que aí estiveram (e alguns que valem a pena) a ficar depois de estar com salários atrasados em várias ocasiões. O “lançamento nas bancas”, porém, não pode esperar janeiro.

Vilson Ribeiro de Andrade no “Entrevista Coletiva”

A Band Curitiba recebeu em seus estúdios o presidente aclamado do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, para o programa “Entrevista Coletiva”. Participaram do programa o conceituado jornalista José Wille, o editor do Band Cidade, Marcelo Bianchini, o editor da Band, Marco Rafael Pires, o ex-goleiro do Coxa e comentarista do Jogo Aberto Paraná, Gerson Dall’Stella e eu.

Vilson falou sem freios na língua. Valorizou o ano de 2011, apesar das perdas da Copa do Brasil e da vaga na Libertadores, explicou o posicionamento do clube perante a torcida organizada, o plano de sócios, o novo estádio e a possibilidade de emprestar o Couto Pereira ao Atlético e, por fim, falou da doença contra qual luta há um ano, em um momento emocionante.

Confira as duas partes do programa e comente aqui no blog:

Os rumos do Coritiba

Vilson Ribeiro, no EC; ao fundo Marco Pires e Gerson Dall'Stella

Tive a oportunidade de gravar dois programas hoje com o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade: o Entrevista Coletiva (ao lado de José Wille, o editor do Band Cidade Marcelo Bianchini, o jornalista Marco Pires e Gerson Dall’Stella, colega de Jogo Aberto Paraná) e um JAPR especial de fim de ano. Foi uma aula de gestão, coerência e principalmente, otimismo.

Vilson não foge de nenhum assunto. É direto e passa uma transparência rara no mundo do futebol. Mudou o Coxa em 2 anos e agora entrará no 3o. como presidente de fato. Enfrenta um problema de saúde com coragem e força impressionantes; passou por uma delicada cirurgia há 15 dias e enfrentou a maratona de gravações em dois estúdios diferentes como se estivesse com 18 anos.

O programa vai ao ar no domingo, 7h30 da manhã, com reprise à meia-noite. Falamos muito de gestão, rivalidade, orçamento, torcida, sócios e da vida pessoal dele. Vale a pena ver.

Mas vamos ao que mais interessa a você, torcedor: notícias sobre o time. (N.E.: Os temas abaixo não necessariamente estarão no Entrevista Coletiva, que tem mais material inédito. Acorde cedo, rapaz!)

Pré-temporada:

Será novamente em Foz do Iguaçu. O time embarca no dia 06/01 e não volta antes do jogo contra o Toledo, dia 22. “Deu sorte ano passado”, brincou o dirigente, que explicou a opção: “Ficaremos em um hotel 5 estrelas. Demonstramos assim aos jogadores que chegarem que temos força e grandeza. E vamos ganhando a simpatia da região”.

Reforços:

Júnior Urso não acertou, mas isso deve ocorrer na segunda-feira. O Avaí tem uma dívida com o Coritiba e como os direitos são do time catarinense, o acerto pode vir com o ingresso do jogador no Coxa. Urso disse a amigos que já está vendo apartamento em Curitiba.

Já Lincoln depende de uma costura maior. O problema está no salário. O Coxa deve propor pagar uma parte e oferecer verba em marketing de outra. Lincoln tem grande cotação na Alemanha, onde foi ídolo do Schalke 04, e pode viabilizar a contratação numa negociação – guardadas TODAS as proporções – no estilo Ronaldo x Corinthians.

O Coxa ainda estuda trazer um zagueiro do futebol argentino. VRA não abriu o nome nem sob ameaças de ter tomar o café gelado feito por Gerson Dall’Stella. Brincadeiras a parte, VRA disse que “não posso atrapalhar as negociações”, e que ainda têm na Argentina a possibilidade de buscar um volante. O meia cotado anteriormente, que seria Cláudio Yacob, do Racing, está descartado.

Caio, atacante do Botafogo, nas palavras de Vilson: “Não tem a menor possibilidade. É boato.”

Marcos Paulo, volante que estava no Avaí, volta para o clube em 2012.

Saídas

VRA foi categórico em afirmar que Willian, volante cotado para reforçar a Fiorentina, não sai. “É jovem ainda e tem muito potencial. Vai ficar”.

Já sobre Leandro Donizete… “Olha, tem propostas do Inter e do Atlético-MG. Vamos esperar para ver o que é melhor.” Donizete chegou ao Coxa indicado por Dorival Jr., hoje técnico do Colorado. VRA não confirmou, mas eu arrisco a dizer que deixará o clube.

Planos

O Coritiba deve iniciar a construção de hotel e bases no novo CT em Março.

O novo fornecedor de material esportivo irá abrir ao menos duas lojas em bairros identificados com o Coxa na cidade. Uma pesquisa da Paraná Pesquisas irá apontar em que regiões o clube é mais popular.

Os ingressos terão majoração em 20%, como já anunciado.

Saúde

“Estou bem. Passei por uma delicada cirurgia, mas estou me recuperando. Sou forte e sempre enfrentei batalhas, essa é mais uma. Sou grato a família, ao Coritiba e aos amigos”, disse, emocionado, ao falar do câncer no intestino.