Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/12/2012

O acerto atleticano
O acordo com a norte-americana AEG é certeza de lucratividade para o Atlético com a Arena. O pagamento de 12% das receitas em patrocínios do estádio e camisa e no naming rigths, mais 9% das cadeiras premium, além dos US$ 40 até a inauguração do estádio, é um acordo muito acima do que conseguiu o Palmeiras, por exemplo. Parceiro da WTorre – que buscou na mesma AEG um terceiro apoio para rentabilizar a Arena Palestra – o time paulista terá apenas 5% de toda a arrecadação do estádio por 5 anos, 10% após esse prazo e assim proporcionalmente até 30 anos, quando passa a ter finalmente 100% da arrecadação. Incomparável.

O erro atleticano
Os números acima não foram contestados pelo clube, que entretanto não consentiu com a divulgação dos mesmos. Uma bobagem. O clube não pode andar na contramão do que ele mesmo decidiu, ao realizar a coletiva de imprensa em SP (que teve repercussão nacional) demonstrando o interesse em engrandecer a ação chamando veículos de circulação em todo o Brasil. As informações vazaram de dentro do próprio Atlético. No Brasil, clubes de futebol são entidades sem fins lucrativos (podem sem controlados por empresas com esse fim) e de interesse público, o que justifica a pauta que, aliás, em nada denigre o acordo feito; ao contrário, como visto acima.

Estádios e benefícios
Estive ontem com Aldo Rebelo, ministro do esporte. Ele foi explícito: “Todos os estádios das Séries A e B estão na portaria que assinei sobre a Copa, dando os mesmos benefícios para os que estão em obras, para que o futebol brasileiro se modernize e dê conforto.” Recado claro para Coritiba (já está?) e Paraná correrem com projetos.

Vestibular e cotas
Conversei com gente de dentro do Coritiba sobre a remodelação do time para 2013. Algumas peças vão mudar, outras, mesmo não tão aprovadas assim, ficarão. Hoje, no futebol, muitas vezes para manter o craque é preciso ficar com o bagre, para agradar os empresários. Quase uma cota para pernas de pau.

Novo desmanche
O futebol paulista já começou a tirar as boas peças do Paraná. A coluna cantou antes, mais um recomeço, talvez atrás até de Londrina e Cianorte. Tenha paciência, torcedor.

Paulo Baier
Fica no Atlético para 2013. Justa escolha e mais que homenagem, há que se lembrar o quão útil foi ao clube na Série B. Pode ser o comandante do time S23 do Paranaense.

Abrindo o Jogo – Coluna de 10/10/2012 no Jornal Metro Curitiba


A diferença entre união e complacência

É forte a repercussão da participação de Vilson Ribeiro na festa da torcida organizada do Coritiba, reatando relacionamento cortado desde 6 de dezembro de 2009. Todos se lembram o que aconteceu e como as coisas caminharam para aquilo. Novamente, o Coxa flerta com o rebaixamento. É natural que se pregue união de esforços para que o clube saia disso. Nesse ponto, o gesto é louvável. Mas há real benefício na ação? Além da ficha corrida de alguns dos comandantes das facções, as torcidas organizadas vampirizam os clubes, com uma pirataria branca (venda de camisas, por exemplo), são cortina para guerra de gangues de bairros e ambiente notório de consumo de drogas. Na festa, Vilson disse que a organizada “é a razão da existência do Coritiba.” A grande maioria dos torcedores, “desorganizados”, talvez não concorde. Depois de surgir com novos conceitos e pregar modernidade nessa relação, o dirigente volta atrás. Pode ser só uma “segunda chance” – o histórico não recomenda. Mas 2013 está aí, com eleições no clube. Mário Petraglia, do rival Atlético, se reaproximou da organizada após anos de conflitos no final do ano passado. Foi eleito. A relação é, sem dúvida, perigosa.

Sempre ele

Paulo Baier. Ninguém no futebol paranaense é tão questionado quanto o experiente meia, que com 50 gols marcados com a camisa rubro-negra, mantém-se importante para o clube. Baier paga por não ter bons companheiros há algumas temporadas. Nesta, recebeu reforços no andamento da competição, acabou no banco, mas volta e meia é decisivo, como contra o América-MG. Não acho que possa ser titular, mas é imprescindível no grupo. Se não agüenta os 90 minutos, quando entra, mantém um padrão que vem sendo tocado pelo ótimo Elias. Baier é um ídolo em uma era dura para o Atlético, sem títulos. Mas merece seu lugarzinho na história atleticana.

Calculadora alviverde

O jogo de amanhã é decisivo para o Coritiba. Pegar o Palmeiras no interior paulista é pior para o Coxa, sem dúvida alguma. Em São Paulo, teria pela frente um time mais pressionado pela torcida palestrina, insatisfeita com a goleada no clássico com o São Paulo. A realidade é outra em Araraquara, ainda mais com uma zaga reserva. Mas desde já vale mentalizar: a derrota não será o fim do mundo. O Coxa tem uma vantagem de seis pontos para o Palmeiras, mas já não disputa só com o Verdão a permanência na elite. A Ponte Preta, em franca decadência depois de perder o técnico curitibano Gilson Kleina, pinta como favorita a integrar o grupo de descenso. Portanto, cabeça no lugar e pés no chão com qualquer resultado – claro que evitar a derrota será muito melhor.

Alex

Em São Paulo poucos cogitam que Alex possa defender o Coritiba na próxima temporada. É mais que má vontade com o Coxa; é a negação de que nem tudo na vida é poder, influência e dinheiro.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/09/2012


Baier, sempre ele

O Atlético ia se enroscando no Boa na volta à Curitiba. A armadilha do time mineiro funcionava e melhorou quando os visitantes saíram na frente. Mas no segundo tempo Paulo Baier saiu do banco e participou das principais jogadas da equipe. A virada veio com dois gols de Marcelo. Baier ainda é o craque deste time. Merece o reconhecimento e também o alerta: tem 37 anos e é um ídolo de uma época sem glória. O “velhinho” ainda resolve, mas não pode ser a única arma – o que já acontece há algumas temporadas.

Tardes no Parque

Demorou, mas a diretoria rubro-negra procurou o empresário Joel Malucelli e encontrou um sim – nota 10 para a negociação. E mesmo sem poder comportar todos os sócios, iniciou nova caminhada na Série B no Eco-Estádio, para 9.999 pessoas, à exceção de rodadas em que a TV requisite horário mais tardio que 15h e do Derby Paranaense, partidas que devem ser em Paranaguá. Os jogos serão sempre em horário comercial – atenção patrões para as desculpas de ocasião – mas mesmo assim o povão rubro-negro foi ver seu time. Jogar em casa fará a diferença ao final da competição.

Médico ou monstro?

Deivid chegou ao Coritiba. Não é a solução para o mau momento do time no Brasileirão, mas pode ser útil. O problema está na zaga. E nem digo zagueiros em si: os erros começam no meio, mais frágil e com menos retenção de bola que em 2011. Deivid tem o nome inspirado no antigo seriado “O Incrível Hulk”, o Golias Verde, cujo alter-ego na TV era David Banner – nas HQs, é Bruce. No blog napoalmeida.com, faço uma reflexão e convido você a visitar: o Flamengo abriu mão do atacante para apostar em Adriano (!). Deivid não é super-herói e não deve ser tratado como tal. É um jogador útil e que pode ajudar – mas não resolverá o principal problema alviverde: a defesa.

Frases

“Fomos roubados contra o Palmeiras” e “Não monto time para agradar torcedor”. Duas entre outras pitadas de sinceridade do técnico Marcelo Oliveira, do Coxa, ao jornalista Luís Augusto Símon, da Revista Trivela. Oliveira hoje reencontra Geninho, campeão brasileiro pelo Atlético e atual técnico da Portuguesa, que ao deixar o Couto Pereira derrotado por 0-2, reclamou a perda dos pontos para um “adversário direto na briga contra o rebaixamento.” Aguardemos as frases depois do apito final hoje à noite.

Seleção

Sexta tem amistoso da Seleção Brasileira, você sabia? O amistoso contra a África do Sul acontece em São Paulo quase um ano depois do Brasil atuar no país, em Belém, no 2-0 sobre a Argentina. Foram 10 jogos até essa volta. Jogando raramente em casa e com astros quase todos na Europa, qual a identificação do povo com a Amarelinha?

Corrida acirrada

Petraglia ou Fadel? Um dos dois comandará o Furacão

A semana pós-rebaixamento fez com que as duas chapas concorrentes à presidência do Atlético abrissem a artilharia pelo voto dos quase 8 mil sócios aptos a votar no dia 15/12, data que acabou firmada para as eleições após um dos episódios da disputa.

Petraglia e Fadel têm visitado veículos de comunicação e feito audiências com torcedores, em busca de votos. Se fosse uma eleição pública, chamaríamos de comícios. E realmente o panorama do pleito não foge muito das épicas disputas eleitorais no Estado, com troca de farpas, requerimentos, acusações e promessas.

A chapa Paixão pelo Furacão pediu a impugnação da candidatura da chapa CAP Gigante, alegando que haveria conflito ético entre o fato dos membros da chapa aos cargos de comando serem os mesmos que irão administrar a SPE da Arena – a comissão que irá gerir as obras. Na visão da “Paixão”, é errado que as contas sejam feitas e aprovadas pelo mesmo grupo que está na “Gigante”. A junta eleitoral do Atlético estudou a defesa e definiu: não há nada no estatuto do clube que impeça a candidatura com base nisso. “Pelo estatuto do clube, está tudo ok. Se houver algum conflito, não é nada que a junta eleitoral possa dizer”, explicou João Luiz Rego Barros, presidente da junta. As impugnações foram apenas em sete membros de cada chapa, por coincidência, todos por inadimplência.

Quanto ao time, mais promessas. Mário Petraglia já havia entrado em contato com Jadson, via Twitter, que sinalizou positivamente, embora o meia tenha propostas de Liverpool e São Paulo FC (clique nos links para ler as três referências). É promessa de campanha, mas se tornou proposta oficial, uma vez que houve interesse. Acontecerá? Não se sabe. Parece difícil Jadson abrir mão de dinheiro e prestígio para jogar a Série B, mas não é impossível. Petraglia também já conversou com Paulo Baier e disse que quer o meia para 2012. Baier tem contrato até o fim do ano.

Diogo Fadel também trouxe nomes para a imprensa:

A chapa do atual vice-presidente confirmou que já conversou com os três, o que torna a possibilidade oficial. Assim como caracteriza o desinteresse na permanência de Antônio Lopes, pelo menos no cargo de técnico. Dos nomes citados, Ney Franco é o mais difícil: está na CBF com contrato até 2015. Tentei contato com ele hoje, mas não consegui. PC Carpegiani passou pelo Atlético recentemente e não topou retornar nessa temporada. É bom técnico, mas teria resistência da torcida. Matosas sim parece ser o mais viável: já não seria a primeira tentativa, é um técnico identificado com o clube e em início de carreira. Em campo, Fadel também garante ter falado com o zagueiro Fabrício e o volante Marcelo Oliveira, para que fiquem no clube caso vença o pleito.

A campanha tem muito mais trocas de acusações que propriamente planos com os citados acima. Mas para ler isso, basta abrir o Twitter e o Facebook, onde os ânimos estão exaltados nas duas chapas.

O blog não entrará em pormenores e procurará falar de futebol, salvo se o caso realmente exigir.

O Jogo Aberto Paraná de quinta, 15/12, tentará trazer 8 minutos para cada candidato apresentar suas propostas. Até o presente momento, apenas o candidato Diogo Fadel está confirmado; Mário Petraglia foi procurado, mas ainda não confirmou que gravará, segundo a assessoria dele, em função da agenda. Ouviremos apenas os candidatos ao conselho gestor, com todo o respeito aos candidatos ao deliberativo Enio Fornea e Antônio Bettega. São os gestores que comandarão de fato. O programa exibirá o material que for possível ser gravado até a data e fará exposição jornalística das idéias de quem porventura não gravar – mas, evidente, sem o mesmo peso de ter o candidato falando.

Mobilização atleticana

A água bateu no queixo. Para o jogo de domingo, na Arena, contra o Ceará, não tem desculpa: é vencer ou vencer.

O Atlético tem brincado com a sorte em 2011. Mesmo com uma campanha abaixo da crítica, consegue se manter vivo graças a incompetência dos adversários. Nem adianta fazer contas. Paulo Baier já disse: “É o último suspiro.”

Ontem, no CT do Caju, os jogadores convocaram mais que a torcida: convocaram a comunidade a salvar o Furacão. Nem se trata de transferência de responsabilidade. Depois de tanto errar, o que eles querem mesmo é um pouco de sossego e adquirir confiança para tentar sair do lodo.

Num ótimo trabalho de edição de Carol Mafra, o Jogo Aberto Paraná exibiu o vídeo abaixo. Sem números, sem interferência ou lembranças (verdadeiras) da fase do Atlético: apenas o apelo dos jogadores e do técnico por ajuda. Confira:

O Jogo Aberto Paraná vai ao ar de segunda a sexta, 12h30, na Band Curitiba, Canal 2, para Curitiba, Paranaguá e litoral e Ponta Grossa e Campos Gerais.