Pato treinou assim. Mas esse não é o problema.

Pato: o problema não é o pênalti

Fico com o testemunho da repórter do Terra Camila Srougi, que na terça-feira (22) acompanhou o treino do Corinthians ao vivo aqui no Terra: Alexandre Pato treinou cobranças de pênalti exatamente como cobrou contra o Grêmio. E o problema, todos sabem, não é a cobrança, o jeito ou a eliminação.

Camila viu, mas não pôde filmar, a pedido de Tite. Pato cobrou no treino exatamente da mesma maneira que no jogo, quando Dida pegou. Os goleiros eram Danilo e Walter, que no jogo pegou duas. A bola entrou, conta Camila, que ainda comentou com o cinegrafista do Terra, Josué Rabelo: “Que marra!” No geral, as cobranças de Pato não foram boas. Perdeu mais que acertou, batendo uma ainda na trave. Mas ninguém o recriminou no treino, da forma como o crucificam agora.

O problema, repito e explico, não é a perda. É a apatia.

Alexandre Pato foi a contratação mais cara da história do futebol brasileiro. Marcou aquilo que pode ser o início de uma era na contramão do que estamos acostumados, com craques saindo e voltando só próximos a aposentadoria. No entanto, sua postura apática em entrevistas, como se a vida passasse ao largo de seus olhos, como se nada realmente importasse, é o que faz com que se tente crucificar Pato nesse momento, especialmente em um clube inflamado como é o Corinthians. Pato parece não ter sangue, parece não ter sentimentos. E é isso que incomoda na realidade.

O Corinthians é o atual campeão do Mundo, não nos esqueçamos. É também o clube brasileiro que mais fatura, que mais recebe, que mais movimenta dinheiro. Pressupõe-se que não possa perder. Mas pode. Do outro lado estava o Grêmio, que dispensa apresentações. Futebol é assim e ao condenar Tite, Pato e outros pelo “fracasso” do Timão, é preciso entender que outros 19 clubes na Série A também trabalham – sim, com menos recursos, mas é isso que gostamos no futebol, não?

Achar um “culpado” pela eliminação do Corinthians passa também pela presunção de que o clube paulista iria ganhar tudo. Já ganhou, o ciclo acabou, isso está cada dia mais claro. O problema, para os corintianos, é que o ícone escolhido para revitalizar as ambições do clube vive como se não tivesse nada a ver com isso. Como se estivesse assistindo um filme ruim numa sala de consultório de dentista, apenas esperando sua vez chegar. Pato ganhou fama e dinheiro muito cedo; títulos também. Vive o mal das novas gerações, automatizado, vitima até de um media-training que o coloca como um boneco falante de frases prontas.

Pato não é um demônio, como querem pintar hoje, após a perda de um pênalti que, sim, ele treinou como bater. Pato apenas é a apatia em forma de alto investimento no futebol. Pode acordar para a vida a partir de agora, quando é cobrado de todos os lados. Pode tentar ser o protagonista que se espera, salvar a vaga que deve perder na Seleção – cá entre nós, nem deveria ter a chance pelo que vem rendendo – para o ótimo Diego Costa.

Ou pode seguir como está, vendo a banda passar, até encerrar a carreira em algum clube de segunda linha, mergulhado no ostracismo.

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Feita para Brasil e Argentina. Especialmente Argentina.

Messi: a Copa América é pra ele; avisem o Neymar.

Rebaixamento do River Plate; crise financeira e política; dezoito anos sem ganhar título importante; o melhor jogador do Mundo tentando ser ídolo em casa. É… a Copa América 2011 foi feita para a Argentina. E para o Brasil ser o coadjuvante dela.

Dê uma olhada na tabela aqui. Note que, prevendo alguma dificuldade, os cruzamentos colocam até mesmo os segundos colocados dos Grupos A e B em chave distintas dos primeiros. Se Brasil ou Argentina tropeçarem no caminho, ainda assim, só se verão na decisão – salvo se um deles se classificar muito mal, como segundo ou terceiro melhor terceiro colocado no geral.

Eles querem a decisão conosco, no Monumental de Nuñez, casa cheia, brilho de Messi e título argentino. Do lado de cá, três grandes esperanças: Neymar, que realmente começa a trilhar a estrada de Pelé; Ganso, um craque acima da média (porque não um novo Zico?); e Lucas, outro cracasso, que poderia nos remeter a Rivellino. Não é um time qualquer, se Mano Menezes acertar a máquina.

E nós, paranaenses, temos ainda dois orgulhos: Adriano e Jadson. Eu vi os dois começarem na dupla Atletiba e viverem grandes momentos por aqui. Um é esse aqui de baixo: a primeira convocação de Adriano, ainda no Coxa. A reportagem é e um dos homens mais bonitos que eu conheço:

Adriano demorou, mas chegou ao Barcelona. É orgulho coxa-branca, craque curitibano que pra quem não sabe, começou no futsal do Paraná Clube – mas um da escolinha tricolor.

O outro é um dos gênios que vi de perto, no melhor Atlético de todos os tempos (pra mim, obviamente) que, para tristeza dos rubro-negros, não foi campeão. Mas provou que grandes times (como a Seleção 82) não vivem só de títulos. Jadson foi genial com a 10 atleticana e é idolatrado também no Shakthar Donetsk. Os lances a seguir explicam o porquê:

Imagino a saudade atleticana ao ver o vídeo acima. Enfim. Hoje ambos estarão lado a lado, pela amarelinha.Hoje não: domingo, contra a Venezuela -começando no banco, diga-se.

Muitos ainda me lembrarão que Alexandre Pato também é paranaense. Mas a única referência dele no nosso futebol é a foto abaixo, ainda criança. Para nosso azar, que só vimos ele brilhar a distância, no Inter-RS.