Tetras ou Trétis?

Edigar Junio e Zezinho colocaram em xeque a supremacia do Coxa (Foto: AI CAP)

O Atlético venceu o Atletiba 354 por 3-1, com seu time Sub-23 e garantiu: haverá final no Paranaense 2013. Na mesma tarde, o Londrina fez 3-0 no J. Malucelli e segue vivo na competição.

Os meninos do Furacão confirmaram a ótima fase e estão próximos de serem a grande surpresa do primeiro semestre no Brasil. Com a diretoria atleticana investindo numa pré-temporada longa para o elenco que irá disputar o Brasileirão – e também por razões políticas – o elenco jovem do Rubro-Negro surpreendeu o tarimbado time de Alex e só depende de si para chegar à decisão; para o Coxa, uma sinuca de bico: pega justamente o Londrina na última rodada do 2o turno. Se vencer, garante a decisão contra um rival que, se tem camisa, é franco-atirador; se perder, e contar com um tropeço do Furacão com o bom Operário (ainda na luta por uma vaga na Série D), pega o LEC na decisão tendo que encarar o terreno hostil do Café na finalíssima.

Londrina levou 15 mil pessoasno 3-0 sobre J. Malucelli (Foto: Tatiene Geremias/Twitter)

Seja como for, o campeonato paranaense poderá ter um tetra-campeão. Ou o Trétis campeão – no apelido popular do Furacão.

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Se o Coritiba for o campeão estadual, será tetra em sequência, o que não acontece desde os anos 70, quando foi hexa. Se o vice for o Atlético, será outro tetra – só que vice. O Furacão perdeu os últimos três estaduais para o rival.

Se o Londrina for o campeão, será tetra na soma dos títulos da sua história. Campeão em 1962 (Coritiba vice), 1981 (Grêmio Maringá) e 1992 (União Bandeirante) o Tubarão pode dizer que é tetra – como o Brasil fez em 1994.

Se for o Trétis, será uma incorreção linguística. E será também uma volta por cima do contestado elenco Sub-23 atleticano, que faz um segundo turno brilhante e já tem o que comemorar. A diretoria do Atlético já pode dizer que 50% do projeto de 2013 deu certo, com a revelação de jogadores; os outros 50% dependem do sucesso do elenco principal.

Seja como for, ao vencer o Atletiba 354, Mário Celso Petraglia já pôs uma pulguinha na orelha de todos que acompanham o Campeonato Paranaense.

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Todos atrás do Coxa – Guia do 2o turno do Paranaense

O Coritiba já cumpriu 50% da tarefa para conquistar o tetracampeonato estadual. Venceu o primeiro turno e, debates acalorados a parte, manteve-se invicto e garantiu-se na decisão com quatro pontos a mais que o Londrina, vice-líder. O Tubarão vai ter que deixar as queixas de lado a partir de agora: se não garantiu vaga na final, está perto de conquistar vaga na Série D e na Copa do Brasil. O Paraná foi até onde deu, brigando para ficar com o turno; os demais, foram figurantes.

Assim sendo, o que esperar do 2o turno? Haverá final?

O blog analisa o que foi, relembrando a análise anterior e o comparativo do que será daqui pra frente.

Coritiba

O Coxa confirmou o que foi afirmado na previsão do 1o turno:  “é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista.” O fez sem sustos, mas com cobranças. Com 8 vitórias e 3 empates, teve como trunfo a defesa – levou apenas 4 gols – e não o ataque que se desenhava poderoso, com Alex, Rafinha e Deivid. O grande momento foi o 7-0 no Rio Branco. Ainda assim, ficou atrás do Londrina neste quesito. O único, aliás, em que não é o melhor na competição.  “Passamos o primeiro turno ajustando a defesa, agora temos a obrigação de jogar mais”, reconheceu o técnico Marquinhos Santos, em entrevista à Rádio 98.

Repetir o 1o turno pode ser pouco pelas expectativas criadas, mas é o suficiente para ficar com a taça. Abre o 2o turno como favorito a antecipar a conquista sem a necessidade de final – terá 8 dos 11 jogos em Curitiba para confirmar isso.

Paraná Clube

Paraná mostrou brio e alguma técnica; pra título, foi pouco

“A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos”, escrevi antes do primeiro turno. Mantenho: o Paraná corre por fora no Estadual. Mas já mostrou que tem potencial para mais. A foto acima causa arrepios nos tricolores: o jogo contra o J. Malucelli foi polêmico (segue rendendo) e poderia, naquele momento, ter mantido o time na briga pela 1o turno. No entanto, com 5 empates em 11 jogos, mostrou irregularidade. Como quando vencia o Arapongas em casa por 2-0 e viu a asa-negra empatar o jogo, por pouco não virando o placar.

Para o 2o turno, pouco muda: a entrada de JJ Morales deu ânimo novo ao Tricolor, que tem uma defesa interessante e um entrosamento vindo da manutenção de Toninho Cecílio. Se o técnico (que está cotado no Criciúma) ficar, dá pra sonhar. E dá pra brigar pelo acesso na Série B nacional.

Atlético:

Douglas Coutinho, uma das poucas boas novas do Atlético no PR13

O torcedor atleticano deve esquecer a conquista do campeonato estadual. O mantra da diretoria pegou em boa parte da massa: “privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual”, como detalhado no guia do primeiro turno. Uma pré-temporada inédita, com quatro meses sem jogos oficiais – luxo que nem o Barcelona tem, mas esse é outro papo. Para o Paranaense, seguirá o time Sub-23 que foi abaixo da crítica no primeiro turno, amargando um quinto lugar. Seja por questões políticas, seja sob a justificativa de privilegiar o Brasileirão e a Copa do Brasil (a revelia de parte dos jogadores e comissão técnica), o Atlético não quer disputar o Estadual com o time principal.

O elenco S-23, no entanto, apresentou três boas surpresas: Hernani, Douglas Coutinho e Júnior de Barros. Foram as novidades que se salvaram em um time que, já se anunciou, seguirá trabalhando em 2013 em torneios internacionais e que em 2014 deve se manter disputando o Paranaense. Caminho aberto para os rivais serem hegemônicos no Estado – aposta, por outro lado, em um dezembro nacionalmente mais feliz. É esperar pra ver.

Londrina:

Celsinho está realmente aproveitando a chance

O LEC confirmou: “depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha)”. Danilo, Dirceu, Germano, Celsinho e Neílson formam a espinha do principal obstáculo do Coxa na luta pelo tetra. O Londrina foi bem dentro e fora do Café. Teve o melhor ataque (25 x 23 do Coritiba) e a segunda melhor defesa. No entanto, no segundo turno, fará apenas 5 jogos em casa – isso se não pegar nenhuma suspensão pelos eventos na última rodada do turno.

O Londrina já pode dizer que o Estadual foi bom. Se não for um desastre no 2o turno, vai confirmar as vagas na Copa do Brasil e na Série B; retomou o orgulho ao levar 30 mil pessoas no jogo contra o Coritiba; e, mesmo timidamente, pode dizer que brigará pela taça, após 21 anos.

Os demais:

Na categoria “correm por fora”, indiquei 3 clubes que não cumpriram a previsão. O Operário está muito mais próximo de brigar para não cair do que pelo título ou vagas; viveu uma relação bipolar com Lio Evaristo, que pediu demissão, voltou atrás e acabou saindo no final do turno, para chegada de Paulo Turra, que deixou o Cianorte, outra decepção. O Leão ainda reagiu no fim e jogou o Rio Branco na área de rebaixamento. No segundo turno, deve melhorar, mas não brigar em cima. Assim como o Arapongas, que até anunciou que irá parar as atividades ao final do campeonato.

Entre os figurantes, o  J. Malucelli surpreendeu, mas não deveria: é um clube organizado que mantém tudo em dia e dá uma estrutura aos jogadores, ainda que simples. Deve seguir em cima. Toledo e ACP ficaram e ficarão no meio da tabela. Drama vive o Rio Branco, que levou as duas piores goleadas da competição e terá a missão de ser melhor que os rivais que encerraram do 5o (Atlético, 14 pontos) ao seu 11o lugar, com 10 pontos. O Nacional, que em 2012 foi vice da segundona local subindo com o Paraná, já pode planejar a disputa da divisão inferior. Com 1 ponto em todo o turno, precisa de um milagre para escapar – algo como ganhar o 2o turno.

O outro “menino de ouro” do Coritiba agora é rival

Domingo será um dia especial para o meia Alex. Será a chance dele conseguir o primeiro título – ainda que apenas simbólico – com a camisa do Coritiba. O “Menino de Ouro” do Coxa deixou o clube ainda na época das vacas magras, em 1997, e nunca foi campeão pelo clube. Desde que deixou Curitiba rumo primeiro à São Paulo, depois a outros lugares no planeta, muitos “meninos de ouro” foram surgindo no Alviverde. Dirceu foi um deles.

Dirceu, de costas com a 5, na campanha da Copa SP 2007 (Foto: Coxanautas)

O então volante apareceu para a torcida coxa-branca na Copa São Paulo de Juniores de 2007. Logo na estreia, marcou 3 gols, chegando ao ataque com facilidade. Era também o cara das bolas paradas daquela equipe, que no profissional teria um ano difícil pela frente, com a queda para a Série B dois anos antes e não subira para a elite na primeira tentativa, com um time de astros. Todos os olhos estavam voltados para a base.

O Coxa deixou a Copa São Paulo nas oitavas. Dirceu iria demorar até ter chances no clube. Paranaense de Ibaiti, o então menino foi orientado a jogar como zagueiro – não se adaptou. Teve algumas chances com René Simões. Caiu no ostracismo e chegou a ser escalado de sopetão no Atletiba #342, vencido pelo Coxa por 3-2 no Brasileiro de 2009. Ambos estavam em situação difícil e o clássico parecia um divisor de águas. Derrotado, o Atlético se reinventou e escapou da queda; vitorioso com gol no último minuto, o Coxa se perdeu no elenco e acabou caindo novamente para a Série B no fatídico seis de dezembro.

Ao chegar no vestiário após o jogo contra o Fluminense, Dirceu, às lágrimas por vivenciar uma nova queda em seus 15 anos de clube, se deparou com uma cena que revoltou a ele, Edson Bastos e mais alguns atletas com identificação com o Coxa: um dos principais jogadores daquele elenco já estava de banho tomado e sorridente, abraçado com um conterrâneo e seus vários amigos, comemorando a transferência para um grande clube paulista. Houve bate-boca e ameaça de briga, contornada pela turma do deixa disso. Os “astros” deixaram o clube; Dirceu, Bastos e outros ficaram e o resto da história é conhecido.

Ainda assim, de “menino de ouro” a zagueiro com presença irregular na equipe, Dirceu nunca brilhou pelo Coritiba. A cada temporada, a cada técnico, o jogador acabava preterido no elenco. Mesmo quando agradava a alguns técnicos, não estava nos planos do departamento de futebol. Por isso, foi emprestado a Avaí, América-MG e agora, Londrina. Aos 25 anos, é considerado um dos pilares do Tubarão, ao lado de Germano e Celsinho. Ficará no LEC até maio – pelo menos.

Quis o destino que no próximo domingo Dirceu encarasse Alex na missão de impedir o ídolo de todo menino da base coritibana de conquistar o direito de tentar o primeiro título de sua vida como coxa-branca. Quis o destino que a primeira final em 21 anos para o Londrina de Dirceu passasse por um duelo contra o Coritiba que o formou. Coisas da vida, coisas do futebol.

Atletiba #353: nunca os rivais foram tão a antítese do outro

O colorido das arquibancadas sempre foi um choque: o contraste do vermelho contra o verde, do branco com o negro. Culturalmente, as duas equipes também são historicamente opostas: o atleticano é mais inflamado, apaixonado incondicional; o coxa-branca é mais exigente, defende o orgulho de sua história. Foram fundados em bairros opostos no mapa da cidade. Ora similares pelo sofrimento (a torcida do Coritiba tornou-se mais aguerrida de 2004 para cá), ora similares pelas glórias (a conquista de 2001 também mudou o Atlético, tornando seus torcedores mais “cornetas”), Atlético e Coritiba sempre foram diferentes. Mas nunca tanto como no clássico do final de semana no Couto Pereira.

  • Idade e experiência

A criação de uma equipe “Sub-23” em 2012 já denunciava: o Atlético iria usar o Estadual para testar seus jovens valores. Do lado coxa-branca, uma série de reforços com rodagem em outros clubes foram constituindo o elenco: Alex, Deivid, Lincoln. Ao se verificar as duas escalações nas partidas que antecederam ao 353, os números tornam isso evidente – as idades estão entre parênteses.

O Coxa que fez 7-0 no Rio Branco teve Vanderlei (29) no gol, Leandro Almeida (25), Pereira (33), Chico (26) e depois Junior Urso (22) e Gil (25), depois Geraldo (22) na linha de defesa, Willian (23), Patric (23), Robinho (25), depois Lincoln (34) e Alex (35) no meio e Rafinha (29) e Julio César (32*) no ataque. Uma média de idade de pouco mais de 27 anos, incluindo os substitutos.

O Furacão que fez 3-1 no J. Malucelli teve Santos (22) no gol,  Léo (21), Erwin (18), Bruno Costa (23) e Héracles (20) na linha de defesa, Renato (21), Renan Foguinho (23), Elivélton (20), depois Marcos Guilherme (17) e Harrison (20) no meio; Coutinho (19) depois Rafael Zuchi (19) e Pablo (20) depois Junior de Barros (19) no ataque. A média de idade é de pouco mais de 20 anos.

A diferença também é clara no currículo dos jogadores. Enquanto o Coxa conta com jogadores com rodagem internacional (Lincoln, Júlio César) e que já ganharam títulos até mesmo com a Seleção Brasileira, como Alex, o Furacão tem uma safra toda nova, com os mais experientes sendo Foguinho, Bruno Costa e Héracles, que já disputaram partidas pelo time principal.

*Fará 33 dois dias depois do clássico.

  • Prioridades

Essa não é segredo pra ninguém: o Coxa persegue um tetracampeonato que não vem desde 1974 enquanto o Atlético menospreza o estadual, priorizando uma pré-temporada de 4 meses sem jogos oficiais (o clube deve usar os titulares somente contra o Brasil de Pelotas, dia 03/04).

Cada um aposta numa fórmula diferente para a temporada. O Coxa chegou a esticar a preparação, mas passou a usar os principais jogadores no dia 31/01, na 4a rodada, contra o J. Malucelli. Para o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, “não existe time A ou B. Existe um elenco forte, que possa disputar qualquer campeonato.” A fórmula, posta em funcionamento a partir de 2010, rendeu ao clube um brasileiro da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Em 2013, são 9 jogos oficiais, com 6 vitórias e 3 empates.

A Copa do Brasil é a prioridade para o Atlético, de acordo com o que se ouve nos arredores do CT do Caju. Não há confirmação oficial, mas o time principal só passará a jogar pra valer em 2013 na primeira partida – e já decisiva – na Copa, contra o Brasil em Pelotas-RS. Enquanto o time “Sub-23” patina e cumpre tabela no Estadual, o time principal disputou uma competição amistosa internacional, a Marbella Cup, na Espanha. Venceu o Ludugorets Razgrad, o Dínamo de Kiev e o Dínamo Bucareste para ficar com a taça. Em paralelo, o elenco secundário conquistou 2 vitórias em 9 jogos na competição oficial – pela qual se disputará o Atletiba 353. No CT do Caju, ninguém é autorizado a falar sobre a estratégia do clube para a temporada.

  • Ídolos

Alex é o ídolo máximo do Coritiba e voltou para o clube para tentar ser campeão pela primeira vez com a camisa coxa-branca. O meia mesmo reconhece que é um “ídolo sem sê-lo” ou “selo”, como queiram. O valor de Alex é pelo que fez fora de campo, nunca esquecendo de citar o Coxa; em campo, traz a pressão de tentar as primeiras conquistas no clube que o formou. Além de Alex, Rafinha e Vanderlei são os jogadores mais queridos e identificados com a massa alviverde.

Pressão existe também no Atlético. Na vitória contra o J. Malucelli, pressionados pelas más atuações com a camisa atleticana no Paranaense, os jogadores ouviram da torcida somente o nome do goleiro Santos. Os gritos de incentivo partiram muito mais pelo que o jovem goleiro fez pelo clube na Copa São Paulo de 2009, quando foi vice-campeão, do que pela fase atual. No Atlético do Atletiba 353, não há ídolos rubro-negros – porém, as vagas estão em aberto.

  • Exposição midiática

Outro ponto em que os clubes tem posicionamentos completamente opostos. Se de um lado o Atlético optou por não fechar o contrato de transmissão de seus jogos e tem orientado seus jogadores e funcionários a não falarem com a imprensa, o Coritiba já teve 4 dos seus 9 jogos exibidos em rede estadual aberta e também um amistoso em rede fechada nacional, contra o Colón-ARG; na TV, o Atlético só apareceu na Marbella Cup, transmitida em TV fechada.

No Coxa, aproveita-se o espaço deixado pelo Atlético para explorar os canais de imprensa. O clube expõe patrocinadores muito mais que o rival – que recebeu críticas por isso. Se a exposição tem benefícios, também permitiu um episódio que chamou a atenção negativamente neste início de ano: a entrada de Lincoln sobre Botinelli, filmada e discutida em todo o país. Por outro lado, enclausurado, nem mesmo a inédita contratação do ex-Barcelona Fran Mérida pelo Atlético virou notícia nacional em larga escala.

  • Farpas nas diretorias

Homens de negócios bem-sucedidos, Vilson Ribeiro de Andrade e Mário Celso Petraglia já estiveram sentados à mesma mesa, mas, ultimamente, passaram a trocar provocações de maneira direta, desde o desacordo para que o Atlético de Petraglia jogasse no estádio do Coritiba de Vilson.

Petraglia por Vilson: “O dia em que eu ler carta do Petraglia pode me internar. Eu estarei indo consultar o psiquiatra.”

Vilson por Petraglia: “O ‘homem bom’ se revelou um traidor! Mesmo com meus 68 anos, faltam-me palavras para expressar a falta de ética do Sr.Vilson.”

 

Luis Carlos, sobrevivente da queda em 2011, reencontra o Arapongas

Vinte e três de abril de 2011. Um dia que todo paranista gostaria de esquecer – mas que, como toda lição na vida, é importante lembrar. Certamente o momento mais difícil da história do clube. Ao empatar em 2-2 com o Arapongas, em casa (vídeo do Notícia FC abaixo), o Tricolor era rebaixado para a segunda divisão estadual, pela qual jamais havia passado – nem mesmo quando surgiu, em 1989, quando herdou uma das vagas de Colorado e Pinheiros na elite paranaense para 1990.

Dois anos depois, Paraná e Arapongas se reencontram. Agora, a situação é outra: o Tricolor voltou a ser postulante ao título, podendo se garantir na final se vencer o turno; o Arapongas, time bem sucedido nas últimas temporadas, anunciou que deve fechar as portas ao final da temporada.

 

Um dos poucos sobreviventes da queda traumática é o goleiro Luis Carlos. Aos 25 anos, seis deles dedicados ao Paraná, o jogador nascido em Curitiba esteve nas cinco primeiras partidas daquele campeonato. Depois, foi emprestado ao Ypiranga-RS, pelo qual chegou a fazer a semifinal do Gauchão 2011 contra o Grêmio, sendo eliminado. Voltou a tempo de ver a queda paranista com Thiago Rodrigues no gol, um colega que também seguiu no Tricolor após o rebaixamento. Titular da equipe mesmo com o retorno do ídolo Marcos, Luis Carlos bateu um papo comigo na manhã deste sábado, sobre as mudanças no clube e as histórias desses dois anos.

Luis Carlos: “Hoje a gente tá muito bem” (Foto: Divulgação)

O que mudou no clube de 2011 pra cá?

Luiz Carlos – Com a nossa queda, a diretoria se conscientizou e viu que tinha que trazer jogadores mais experientes. Naquele tempo tinha muita molecada. A gente acabou caindo. Em 2012 já foi diferente. A gente começou mesclando jogadores, com o Lucio [Flávio, meia] e o Anderson [zagueiro], dando uma base boa. E em 2013 a gente manteve uma base e estamos fazendo um bom campeonato. Tanto na zaga quanto no meio, tá muito bem. É isso aí, os caras se conscientizaram e a gente tá bem agora.

Mas muitos dos dirigentes daquele ano ainda estão no clube. Mudou o que?

A convivência… olha, o Paulão [Paulo César Silva, vice-presidente], o Celso [Bittencourt, superintendente geral], o pessoal continua o mesmo. Eles sempre procuram dar o máximo deles. O que aconteceu tá no passado. O Paraná tem muitas dividas. Eles tão dando o máximo, mas é difícil. Agora mesmo, teve o caso do Thiago Neves, o empresário dele entrou na Justiça, o Paraná vai ter que pagar 9 milhões. Mas o ambiente é o melhor possível. O que eles tão fazendo é o que eles podem.

Uma coisa que sempre pareceu de fora é que, mesmo com os problemas, os jogadores parecem muito unidos. Afinal, até greve vocês mobilizavam…

Que nem eu falei, o pessoal que chegou, os mais velhos, sempre procura orientar a gente pra fazer a greve, porque é um direito nosso. A gente fazia, às vezes não treinava, não concentrava e ia direto pro jogo. Mas eles [a diretoria] foram se conscientizando. E deram uma posição pro pessoal mais velho que acabou ficando esse ano.

Que posição foi essa?

O pessoal acredita no Paraná, no presidente, nos caras. Eles propuseram um monte de coisas, espero que eles cumpram. Tenho certeza que vai ser um bom ano. Por alguns detalhes a gente não tá na liderança. O pessoal mais velho topou ficar porque o presidente [Rubens Bohlen] disse que ia por a casa em dia e tá cumprindo.

Você já estava no Ypiranga quando o time caiu. Como você recebeu a notícia?

Eu já tava em Curitiba e não pude ir no jogo porque tinha que resolver uns negócios do Ypiranga ainda. Mas foi triste. Cair é complicado. Mas faz parte do futebol. E graças a Deus a gente conseguiu subir invicto [Nota do Blog: na verdade, o Paraná perdeu 2 jogos, para Grêmio Metropolitano (2-5) e Serrano (0-1) já quando havia conquistado o título e o acesso]. Até o Palmeiras caiu, isso faz parte.

Mas o calendário e a sequência de jogos não era moleza.

Era complicado. O Ricardinho fez um excelente trabalho conosco. Teve que montar dois times pra jogar o Paranaense. Jogava quarta, sexta, domingo, terça. Aí veio a Copa do Brasil, a Série B… foi complicado. Mas foi um ano vitorioso, principalmente pra mim. Eu vinha jogando uma, duas vezes por ano e fiz mais de 40 jogos.

E agora, bem diferente dos últimos anos, o time está na briga para ser campeão. Mas já sem os confrontos diretos.

Tem que continuar secando o Coxa, o Jotinha. É torcer pro Atlético fazer uma graça (risos). Contra o Jota o juizão complicou a gente… mas faz parte do jogo. Eu acredito que ainda dá. O Coritiba pega o Atlético e o Londrina. E nós pegamos Arapongas, Cianorte e ACP. Acho que se a gente ganhar os 3, tem chance ainda.

E esse jogo contra o Arapongas, tem gosto de revanche?

A maioria de quem tava aquele ano já saiu. Tem eu e o Thiago. É bom que nem toquem no assunto (risos). Já passou, bola pra frente, vamos esquecer. Vamos jogar amanhã (domingo, 16/02) e ganhar do time que nos derrubou.

O grande clássico do interior do Paraná

Quando o árbitro Felipe Gomes da Silva apitar pela primeira vez, por volta das 22h da noite desta quarta-feira, Operário e Londrina vão mostrar porque é que, dentro de um calendário racional e que atenda as necessidades de todos os clubes, os Estaduais não podem morrer – e devem se adaptar para isso.

Fantasma e Tubarão carregam consigo a marca de hoje fazerem o grande clássico do interior do Paraná. E a despeito da campanha irregular do Operário, são os clubes longe de Curitiba que hoje têm algo a dizer. Situados em duas grandes cidades do Estado 5o PIB do Brasil, ambos tem torcidas numerosas e pretensões de ir além das divisas. Nesta temporada, o Londrina está na frente.

Longe de um tempo em que o café reinava e ajudou a dar três estaduais e um Brasileiro B ao Londrina, e em que o Operário fazia das suas até ganhar o apelido que o identifica, os últimos anos têm sido de alento para alvinegros e alvicelestes. Depois de penarem até na Série B local, hoje pretendem vagas na Série D nacional e na Copa do Brasil. E, junto com Arapongas e Cianorte, vêm se alternando nas disputas para isso. No entanto, OFEC e LEC  têm o bônus de terem camisas tradicionais e torcidas apaixonadas em um Estado que é uma pizza de três sabores: paranaense só no sul, com norte paulista e sudoeste gaúcho.

A história dos confrontos oficiais entre Operário e Londrina vem de 1970, logo após a fusão que fez o Tubarão ser LEC. Até então o regulamento dos Estaduais dividia norte e sul. O primeiro encontro foi em Ponta Grossa, em 22 de fevereiro de 1970. Deu Operário, 4-2.

Em 2012 duelos terminaram com vitória de quem visitava o rival (Foto: Operário.com)

Mas, ao longo dos anos, o Londrina tomou a dianteira nos encontros entre os clubes, que são 38 até aqui. O Tubarão venceu 14, com 14 empates e 10 vitórias operarianas. São 47 gols alvicelestes e 33 alvinegros.

A história entre Operário e Londrina é composta por muitos hiatos. Ora pelos regulamentos malucos da FPF, ora pelo desempenho dos clubes, incluindo o licenciamento do Fantasma, cujo retorno à elite paranaense se deu depois de 10 anos em 2010 – ano em que o Tuba amargava a Série Prata, nome então da segundona paranaense. Os clubes se enfrentaram em 15 Estaduais (1970, 74 a 76, 79 a 83, 89 a 93 e 2000) e se reencontraram em 2012 com vitórias para os visitantes: Londrina 2-0 em PG e Operário 1-0 no norte. Apesar de serem tantos empates quanto o maior número de triunfos, o primeiro deles levou 12 anos para acontecer: 1-1 em 02 de maio de 1982, depois de um longo tempo em que só se ganhava ou perdia nos duelos.

Os clubes também se encontraram pela Série B Brasileira em quatro ocasiões. Em 1991 o Londrina levou as duas 3-1 e 1-0; dois anos depois, em 1993, os times protagonizaram dois 0-0. Apesar dos encontros valerem por um torneio nacional, pode-se dizer que o jogo mais importante entre os times aconteceu no meio dos quatro jogos, pelo Paranaense de 1992. Em 8 de novembro daquele ano, no quadrangular semifinal do Estadual, o LEC fez 3-1 e ganhou o direito de enfrentar o Atlético nas semifinais olímpicas. Venceria e encontraria o União Bandeirante (que eliminara o Paraná Clube) na última decisão caipira no Paraná, vencida pelo Tubarão.

Com exibição na TV, o jogo entre Operário e Londrina de 2013 ocupa um espaço de valorização dos sucateados estaduais. Que precisam repensar a fórmula, dando chance de crescimento aos que merecerem em campo e calendário e estrutura aos que sobrarem.

Afinal, o futebol é feito de boas histórias, como a que promete ser escrita no Germano Kruger hoje.

Por falar em boas e histórias, relembre o quadro Que Beleza de Camisa! com Operário e Londrina clicando no nome dos clubes. Você não vai se arrepender!

Sobrou pra você

O acordo para que os jogos entre os times de Curitiba fossem disputados no Couto Pereira não saiu e já no Derby Paranaense do domingo, todos vão ao Janguito Malucelli. Todos não; cerca de 6 mil “felizardos”, 5500 atleticanos (1/3 dos sócios do clube) e 550 paranistas que desejarem acompanhar o time – e devem o fazer rapidamente, pois terão de comprar ingressos. Depois é depois e não se sabe ainda como serão disputados o Atletiba e o Paratiba. Conversei com gente do Coxa e do Paraná e apurei o porque de, novamente, ter sobrado pra você, torcedor, a pior parte do bolo.

Tentei contato com o Atlético, mas não fui bem sucedido. Pouco depois de procurar o clube, ainda na sexta, foi divulgada uma nota oficial sobre o tema – aqui está, para quem não leu. Coritiba e Paraná me atenderam. Minha fonte no Coxa pediu sigilo, o que irei respeitar; no Paraná falei com Paulo César Silva, vice-de futebol. Juntando as peças, chego a conclusão de que não é o caso de se achar um culpado pelo desacordo e sim lamentar que, mais uma vez, será o torcedor a pagar o pato.  Por isso, desde já agradeço a todos que estão lendo essas linhas. Com tanta oferta de bom futebol por aí, dedicar seu tempo a ler as informações sobre mais esse episódio frustrado no Paraná mereceria um prêmio.

A ideia surgiu com o presidente da FPF Hélio Cury buscando os três clubes com uma premissa básica: os grandes jogos no Couto, como antigamente, poderiam oferecer mais conforto e segurança ao torcedor, além de gerar uma maior arrecadação. E foi por conta da arrecadação, e em detrimento do conforto e segurança do torcedor, que o negócio não saiu.

Á exceção do Atlético, que se manifestou somente por nota, colhi a impressão de que – pasmem – as reuniões foram boas. Algo do tipo “não deu agora, mas dará nas próximas.” Por isso não se espante se os Atletibas saírem no Couto, por exemplo.

Cada clube enviou três representantes a reunião. Dagoberto dos Santos e Fernando Delek estiveram pelo lado do Atlético, acompanhados de mais um advogado do clube cujo nome não consegui confirmar. Pelo Paraná, Rubens Bohlen, Paulo Cesar Silva e Celso Bittencourt. O Coritiba enviou Gustavo Nadalin e Doth Leite, além de um terceiro representante. Na manhã desta quinta, Hélio Cury conversou pessoalmente com Mário Celso Petraglia; já havia falado na noite anterior, por telefone, com Vilson Ribeiro de Andrade. Todos estavam favoráveis.

O Coritiba se dispôs a ceder o estádio mediante o pagamento de um aluguel de 50 mil reais por jogo. Atlético e Paraná aceitaram. A carga para o visitante seria de 15 mil ingressos – número confirmado por dois dos três clubes – com 21 mil ingressos para os mandantes.  Os clubes mandantes poderiam usar o vestiário principal do Couto, mesmo contra o Coritiba. E outros pormenores foram acertados, sobre camarotes, segurança e limpeza. A discordância, já pública pelas notas oficiais publicadas, foi no acesso dos sócios.

Segundo o Coritiba, desde a primeira reunião, o clube queria que seus sócios não pagassem ingressos em nenhum dos jogos. E sugeriu que nenhum sócio de nenhum clube o fizesse. Ainda segundo o Coxa, o Atlético prontamente aceitou a situação. O Paraná, não. PC Silva me explicou: “Ganhamos mais mandando o jogo na Vila. A conta pra nós não fecharia. O Coritiba será visitante, porque nós pagaremos o aluguel, e ele não quer pagar? O Paraná fatura em lanchonetes, estacionamento e outras coisas quando joga na Vila. Vou ter arrecadação até menor pra que, pra atender o Atlético?”

O “atender o Atlético” é a compreensão que o Tricolor tem do caso. Para PC Silva, o maior beneficiado seria o Rubro-Negro, que é nômade no momento. O Furacão, por sua vez, evidentemente discorda. Olhando a nota oficial, o clube deixa claro em um trecho: “Ou seja, o Coritiba seria beneficiado em utilizar seu estádio em todos os clássicos, receberia o valor do aluguel e ainda a gratuidade para seus associados mesmo não sendo o mandante do jogo.” Na conversa com o diretor do Coxa que falou sobre o episódio, ficou clara a posição de valorizar seu patrimônio. Além disso, uma confidência: “O Paraná viu que não valeria a pena. O clube não tem tantos sócios quanto nós ou o Atlético e teria que vender sua carga”, julgou o intelocutor alviverde, o que acabou corroborado por PC Silva. “Você não tem a certeza de que o torcedor iria ocupar os 15 mil lugares. Com 10 mil pagantes, as despesas não cobrem (são cerca de 5 mil sócios no Tricolor). Eu até entendo o Coritiba. Mas quando o Paraná cedeu a Vila pra Atlético e Coxa, o nosso torcedor tinha que pagar.” Os clubes ainda tentaram outra solução: o Derby com mando do Atlético no Couto e o Atletiba, também com mando rubro-negro, na Vila. Não chegaram a um acordo em tempo hábil.

De certa forma, um empurrou pro outro a falta de acordo. Todos têm sua dose de razão: um vai faturar menos, outro não tem onde jogar, outro quer valorizar seu espaço. É possível, repito, que nos próximos jogos haja ainda algum acordo. Mas, voltando ao tema central da ideia, entre segurança e conforto para o torcedor, todos pensaram no dinheiro. Que vai sair de um único lugar, seja como sócio, seja na bilheteria.

Sobrou pra você, torcedor.

 

Dissecando o Paranaense 2013

Vai começar o Paranaense! Ok, a empolgação não é mais aquela de décadas anteriores, quando quase não se falava em calendário inchado, tampouco Messi invadia sua televisão (quem tinha, óbvio) todos os dias. Mas, como diz Fernando Pessoa, “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Assim sendo, alguém ficará com a coroa de Rei do Paraná por uma temporada. E ninguém quer perder.

Portanto, se o Estadual é como brigar com bêbado ou não, é outro papo; o importante é que tem taça e clube de futebol serve pra isso: ganhar títulos. E o Paranaense 2013 tem um favorito e três azarões, que explico abaixo.

Coritiba

Coxa tetra em 74: feito pode ser repetido após 39 anos

O poster acima é do tetracampeonato paranaense do Coritiba – que viria a ser hexa – feito só alcançado por Britânia e Paraná Clube, além do próprio. E que pode ser repetido numa temporada em que tudo aponta para isso. O Coxa é, como há muito não se via, favorito disparado e aberto para a conquista. Terá, como naqueles tempos, um ataque forte e um meio criativo; o problema é a defesa, a começar dos volantes, ainda sem reposição à altura desde a saída de Leandro Donizete.

Há motivos para o favoritismo. O primeiro deles: Alex. Aos 35 anos, o meia voltou ao futebol brasileiro ainda em condições físicas e técnicas de levantar pela primeira vez uma taça pelo clube que o revelou. Deixou Palmeiras e Cruzeiro, por quem foi multicampeão, na espera. E vai comandar um time que entrará no Estadual com uma base formada desde o rebaixamento de 2009, com mudanças sutis entre as temporadas. Tem Emerson, Vanderlei e Rafinha, fundamentais na conquista do tri entre 2010 e 12. Manteve Deivid, atacante que achou seu espaço durante o Brasileirão do ano passado. E reforçou pontualmente, capitaneado pelo mineiro Felipe Ximenes, o mentor das equipes dos últimos anos. Conheça os reforços:

– Alex: Sim, não se esqueçam, ele não jogou ainda pelo Coritiba. Como a técnica do meia dispensa apresentações, vamos a frieza dos números das últimas três temporadas das 9 em que defendeu o Fenerbahçe: 84 jogos, 47 gols, 26 assistências, dois títulos nacionais (Copa e Campeonato).

 – Botinelli: o argentino, ex-Flamengo, tem 26 anos e deve disputar lugar com Rafinha no meio-campo alviverde. Começou chamando a atenção no San Lorenzo, pelo qual venceu o Argentino 2007, mas não repetiu as boas atuações em outros clubes. Chegou badalado ao Flamengo depois de rodar por Chile e México, tendo feito 69 jogos em dois anos, com apenas 9 gols. Deixou a Gávea abrindo mão de valores que tinha a receber para tentar encontrar na estrutura do Coritiba condições de jogo.

– Artur: ex-Paraná, Artur chega ao Coxa credenciado pela boa Série B pelo Tricolor, com 9 gols. A princípio, para compor elenco.

– Julio César: Outra opção de ataque. Fez 16 gols em dois anos pelo Figueirense, se destacando ao lado de Aloísio, que rumou ao São Paulo, deixando a equipe catarinense, que acabou rebaixada.

– Leandro Almeida: zagueiro, revelado no Atlétic0-MG, foi emprestado pelo Dínamo de Kiev após a eliminação na Copa dos Campeões. Joga pelo lado esquerdo do campo.

– Patric: outro jogador revelado pelo Galo, que disputou o Brasileirão pelo Náutico. Chega para substituir Ayrton, que foi para o Palmeiras, e disputar posição com o jovem Victor Ferraz.

Paraná Clube

O vídeo acima é do último título estadual do Tricolor, há sete anos. De lá para cá, o clube passou poucas e boas, incluindo um vexaminoso rebaixamento para a segunda divisão local. A condição de azarão cai bem ao Paraná, que se refaz aos poucos. Depois de um 2012 sofrido, a manutenção de uma base e do técnico Toninho Cecílio trazem alento. Com mais recursos que a maioria dos clubes do interior, faltava ao Paraná um pouco de organização e a credibilidade de volta. O primeiro, o clube já parece ter conseguido; o segundo, demora mais um pouco.

No fim do ano, às voltas com atrasos de salário, os jogadores mostraram brio e por pouco não atrasaram a vida do Atlético, no Derby da última rodada da Série B nacional, quando um empate eliminaria o Furacão. Ficaram com crédito com a torcida e com um gostinho de “podia mais”.  Assim, Toninho Cecílio e Alex Brasil, o gestor de futebol do clube, seguraram peças como Lúcio Flávio e Anderson e, principalmente, Wellington e Luizinho, que teriam mercado fora do Tricolor facilmente. O time, que oscilou muito na Série B, não chegou a ganhar muito em qualidade técnica, mas ficou com mais opções, tentando suprir uma das carências: a falta de peças. Mas há nomes interessantes como reforços, como Henrique, que volta do Coritiba (onde quase não foi aproveitado), e apostas na experiência. Conheça os reforços:

– Marcos: Revelado pelo Paraná em 1998, é outro que ganhou o Mundo e volta ao clube de origem. Claro, Marcos não teve – nem se pretende comparar – a projeção de Alex. Mas a volta do goleiro de 36 anos tem, para os tricolores, a mesma sensação. Depois de defender Marítimo e Sporting Braga em 9 anos em Portugal, volta mais maduro e com a missão de ser o líder da equipe paranista.

– JJ Morales: O atacante gringo agitou os bastidores da Vila. Mas, até que prove o contrário, é muito mais pelo glamour de ser estrangeiro do que pelo desempenho recente. Bom nas bolas aéreas, Morales rodou por equipes “lado B” da Argentina até ganhar uma chance no Quilmes, em 2008. O clube estava na Segunda Divisão após boas temporadas e até uma Libertadores. Morales marcou 16 gols em 25 jogos e chamou a atenção da Universidad Católica, do Chile. Disputou outra Libertadores, mas não emplacou. Rodou até parar no Atlético Venezuela, onde se contundiu em outubro de 2012. Chega ao Paraná como uma incóginta, aos 30 anos.

– Reinaldo: Aos 33 anos, Reinaldo chega ao 13o clube na carreira, que começou promissora no Flamengo e ainda teve destaque no São Paulo. Experiência não falta ao atacante, que tem tudo para ser titular do Paraná. Números de Reinaldo nas últimas três temporadas: 14 gols em 59 jogos por Bahia, Figueirense e Guangdong, da China.

– Gabriel Marques: liberado pelo Atlético, onde pouco jogou em 2012 (9 jogos e uma grave contusão no braço), o lateral de 24 anos pode ser bem aproveitado pelo Paraná se demonstrar a voluntariedade de alguns jogos no Furacão. Costuma ser mais efetivo na marcação que no apoio.

– Júnior Capixaba: chega por empréstimo, oriundo do Vitória-ES. Volante de 25 anos – deve compor elenco.

Atlético:

O jogo do vídeo acima é a inspiração do Atlético para o Paranaense 2013. Há 8 anos, quando estava prestes a decidir a Copa Libertadores contra o São Paulo, o Furacão, ainda sem vitórias no Brasileirão, teria pela frente o rival Coritiba. Não havia dúvidas: era priorizar a competição continental. O Coxa, favorito para o clássico, acabou surpreendido pelo time comandando por Evandro (hoje no Estoril, de Portugal) e repleto de jovens. Em 2013, não será apenas um jogo; ainda assim, a aposta é parecida: privilegiar a pré-temporada para colher no Brasileiro em detrimento ao Estadual.

O Atlético não oficializou se irá com um time B em todo o campeonato ou apenas em parte dele (hipótese mais provável). Mas enquanto disputa a Copa Marbella na Espanha, com os titulares do acesso em 2012, deixa um time comandado por Arthur Bernardes, técnico que foi auxiliar do jornalista Washington Rodrigues, o “Apolinho”, no Flamengo de 1995 – aquele, de Sávio, Romário e Edmundo. O Sub-23 vem treinando desde o ano passado e conta com jogadores conhecidos: Héracles, Renan Foguinho, Zezinho, Taiberson e Pablo. A grande aposta está em cima de dois jogadores: Harrison, meia que apareceu bem em 2012 e Junior de Barros, atacante que é tido como a nova jóia atleticana. Somando times A e B, foram três reforços até aqui. Conheça mais:

– Maranhão: meia de velocidade que se destacou no Bahia, Maranhão é, na prática, o único reforço atleticano até aqui. Não deve figurar no Estadual, ao menos no primeiro turno, disputando com o elenco principal a Copa Marbella, entre 02 e 14 de fevereiro. Estava no Cruz Azul, do México e deve fazer parceria com Elias no meio-campo rubro-negro principal. Tem 22 anos.

– Elivélton: volante de 20 anos que jogou duas temporadas pela Vasco, sendo pouco aproveitado.  Estava no Democrata-MG.

– Lucas Dantas: atacante de 23 anos que começou no Legião-DF (o time que homenageia a banda Legião Urbana) e, segundo o próprio, “tenho velocidade e gosto de jogar pelos lados do campo”.

Londrina:

“O Ronaldinho do Canindé”, Celsinho, é o principal reforço do Londrina, que, depois de muito tempo, aponta como um dos postulantes ao título estadual (ou ao menos a uma boa campanha). Mas não é Celsinho o responsável pela volta do status do Tubarão como equipe competitiva e sim a entrada de Sérgio Malucelli e sua empresa, a SM Sports, na gestão de futebol do clube. O acordo deu ao LEC um CT e novas perspectivas de mercado. Isso, com salários em dia e a torcida no Café, pode significar a volta do Londrina aos trilhos. Em 2012, o clube já deu sinais disso. Os reforços:

Celsinho: Celsinho tem 24 anos euma carreira mais cercada de expectativas do que de realizações. Chega ao sexto clube na carreira, mas apenas o segundo que defende no Brasil. Rodou, sem sucesso, por Lokomotiv da Rússia e Sporting, de Portugal, além de clubes menores na Europa. Surgiu bem na Lusa em 2005, com qualidade na armação de jogadas, mas pecando nos arremates. Fica a expectativa para saber se a passagem dele pelo Tuba será apenas folclórica ou um impulso para retomar a carreira.

Germano: volante, ex-Santos e Paraná, retorna ao Londrina depois de defender o Sport Recife nas últimas duas temporadas. É o toque de experiência no meio campo do Tubarão.

Correm por fora:

Operário, contando com o apoio da LA Sports e a pressão da fanática torcida no Germano Kruger, com destaque para o meia Rone Dias, ex-Paraná.

Cianorte, do técnico Paulo Turra, que comandou o time na ótima campanha em 2012.

Arapongas, que tem novamente o bom Edu Amparo no elenco e segue com planejamento de temporada, como em 2012.

Figurantes: J. Malucelli, Toledo, Nacional, ACP e Rio Branco

A primeira rodada:

Atlético x Rio Branco
Londrina x Toledo
ACP x J. Malucelli
Operário x Coritiba
Cianorte x Arapongas
Paraná x Nacional